{"id":5233,"date":"2018-06-15T09:57:15","date_gmt":"2018-06-15T11:57:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5233"},"modified":"2018-06-15T10:21:52","modified_gmt":"2018-06-15T12:21:52","slug":"sisifo-e-o-fardo-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sisifo-e-o-fardo-da-vida\/","title":{"rendered":"S\u00edsifo e o fardo da vida"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sisifo-e-o-fardo-da-vida\/sisifo-e-o-fardo-da-vida-2\/\" rel=\"attachment wp-att-5235\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/S\u00edsifo-e-o-fardo-da-vida.jpg\" alt=\"\" width=\"223\" height=\"226\" class=\"alignleft size-full wp-image-5235\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/S\u00edsifo-e-o-fardo-da-vida.jpg 223w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/S\u00edsifo-e-o-fardo-da-vida-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 223px) 100vw, 223px\" \/><\/a><br \/>\n<b>S\u00edsifo e o fardo da vida<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><em><strong>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>, extra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/nada-especial\/\">Nada Especial<\/a>&#8220;<em><strong><\/strong><\/em><\/strong><\/em><\/div>\n<hr \/>\n<p>A mitologia grega fala de S\u00edsifo, rei de Corinto, condenado pelos deuses ao Hades em puni\u00e7\u00e3o eterna. Para sempre ele tem que empurrar um rochedo imenso, colina acima, e, quando chega ao alto, o rochedo rola para baixo. Ele se esfor\u00e7a para empurrar a pedra imensa colina acima apenas para v\u00ea-la descer tudo de novo, interminavelmente, eternidade afora.<br \/>\nComo todos os mitos, essa hist\u00f3ria cont\u00e9m um ensinamento. Como voc\u00eas v\u00eaem esse mito? Do que ele trata? Como um koan, tem muitos aspectos.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b> O mito sugere para mim que a vida \u00e9 um ciclo. Existe um come\u00e7o, um meio e um fim e ent\u00e3o come\u00e7a tudo de novo.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Isso me faz pensar na pr\u00e1tica de ficar limpando e limpando o espelho. Temos de faz\u00ea-lo at\u00e9 desistir e viver o momento presente.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  O castigo de S\u00edsifo \u00e9 horr\u00edvel s\u00f3 se ele espera que um dia termine.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Esse mito me recorda a a\u00e7\u00e3o obsessiva, quando estou preso num ciclo repetitivo de comportamentos e pensamentos.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  S\u00edsifo parece uma pessoa que est\u00e1 lutando com a vida e seus fardos, tentando livrar-se deles.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Essa hist\u00f3ria parece a nossa pr\u00e1tica. Se vivermos cada momento, sem o pensamento de alguma meta, ou de chegar a algum lugar ou de finalmente obter alguma coisa, ent\u00e3o n\u00f3s apenas vivemos. Fazemos o que h\u00e1 em seguida: empurrar \u00e1 rocha, ela rolar, e ent\u00e3o empurrar de novo.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Penso que a hist\u00f3ria de S\u00edsifo representa a id\u00e9ia de que n\u00e3o existe esperan\u00e7a.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  A natureza de minha mente \u00e9 n\u00e3o ficar satisfeito com meus pr\u00f3prios feitos e ter mais interesse no desafio de chegar em algum lugar. Assim que consigo algo, ele n\u00e3o me diz mais muita coisa.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  S\u00edsifo \u00e9 quem eu sou. Somos todos S\u00edsifos, tentando fazer alguma coisa com nossas vidas e dizendo &#8220;N\u00e3o posso&#8221;. O pr\u00f3prio rochedo \u00e9 o &#8220;N\u00e3o posso&#8221;.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>  A quest\u00e3o que eu gostaria de colocar \u00e9 o que quer dizer fazer o mal? \u00c9 interessante que algu\u00e9m tenha julgado S\u00edsifo por ele ter feito o mal e que tenha sido condenado a um local especial chamado Hades. Deixando, por\u00e9m essas quest\u00f5es de lado, se pudermos ver que s\u00f3 existe este momento, ent\u00e3o empurrar a pedra colina acima ou v\u00ea-la rolar para baixo s\u00e3o, em certo sentido, a mesma coisa. Nossa interpreta\u00e7\u00e3o comum \u00e9 que a tarefa de S\u00edsifo \u00e9 dif\u00edcil e desagrad\u00e1vel. Contudo s\u00f3 o que acontece \u00e9 empurrar a pedra e v\u00ea-la voltar, um momento depois do outro. Como S\u00edsifo, estamos todos apenas fazendo o que estamos fazendo, de momento a momento. Acrescentamos julgamentos a essas atividades, contudo, acrescentamos-lhes id\u00e9ias. O inferno n\u00e3o est\u00e1 em empurrar a pedra, mas em pensar nisso, em criar id\u00e9ias de esperan\u00e7a e desapontamento, em indagar-se se um dia ser\u00e1 poss\u00edvel finalmente fazer com que a pedra fique l\u00e1 em cima. &#8220;Trabalhei tanto! Talvez desta vez a pedra fique.&#8221;<br \/>\nNossos esfor\u00e7os de fato fazem com. que as coisas aconte\u00e7am e, fazendo com que elas aconte\u00e7am, chegamos ao segundo seguinte. Talvez a pedra fique no alto por certo tempo; talvez n\u00e3o. Nenhum dos dois acontecimentos \u00e9, em si, bom ou mau. O peso da pedra, o fardo, \u00e9 o pensamento de que nossa vida \u00e9 uma luta, de que deveria ser diferente do que \u00e9. Quando julgamos o fardo como algo desagrad\u00e1vel, procuramos meios para escapar. Talvez uma pessoa se embebede para esquecer-se do que \u00e9 empurrar a pedra. Outra manipula as pessoas para ajud\u00e1-la com isso. Muitas vezes tentamos empurrar essa carga para outra pessoa, para fugirmos do trabalho.<br \/>\nQual poderia ser o estado iluminado para o rei S\u00edsifo? Se ele empurrar a pedra alguns milhares de anos, o que por fim ir\u00e1 compreender?<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Ser uno com o ato de empurrar, a cada momento.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>  Simplesmente empurrar a pedra e abandonar a esperan\u00e7a de que sua vida ser\u00e1 outra coisa. A maioria de n\u00f3s imagina que o estado iluminado ser\u00e1 algo muito mais agrad\u00e1vel do que empurrar pedras! Alguma vez voc\u00ea j\u00e1 acordou pela manh\u00e3 resmungando: -N\u00e3o quero nem pensar em todas as coisas que tenho pela frente hoje&#8221;? Mas a vida \u00e9 como ela \u00e9. E nossa pr\u00e1tica trata n\u00e3o de fazer a vida ser gostosa, mesmo que essa seja uma esperan\u00e7a muito humana. Todos gostamos das coisas que nos fazem sentir bem. Gostamos em especial dos companheiros que nos fazem sentir bem. Se isso n\u00e3o acontece, conclu\u00edmos que as coisas precisam ser mudadas, que ele ou ela precisa mudar! Por sermos humanos, pensamos que nos sentir bem \u00e9 o objetivo da vida. Mas, se apenas empurrarmos nossa pedra atual e praticarmos para tomar consci\u00eancia do que acontece em n\u00f3s enquanto a empurramos, lentamente iremos nos transformar. O que significa transformar?<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Mais aceita\u00e7\u00e3o, menos julgamentos, mais descontra\u00e7\u00e3o diante da vida, abertura para a vida.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>  Abertura para a vida e aceita\u00e7\u00e3o est\u00e3o um pouco fora do alvo, embora seja dif\u00edcil encontrar palavras exatamente corretas.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  A ilumina\u00e7\u00e3o tem algo que ver com chegar ao zero, ao &#8220;n\u00e3o-lugar&#8221;.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>  Mas o que significa para um ser humano o &#8220;n\u00e3o-lugar&#8221;? O que \u00e9 esse &#8220;n\u00e3o-lugar&#8221;?<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  O agora, o j\u00e1.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>  Sim, mas como o vivemos? Vamos supor que acordo de manh\u00e3 com uma forte dor de cabe\u00e7a e que tenho uma agenda lotada. Todos temos dias assim. O que significa &#8220;estar no zero&#8221; diante disso?<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Significa estar ali com todos os meus sentimentos e com todos os meus pensamentos &#8211; simplesmente estar ali, sem acrescentar mais nada extra.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>  Sim, e mesmo que acrescentemos algo extra isso tamb\u00e9m faz parte do pacote, parte da vida como ela \u00e9 neste momento. Parte do pacote \u00e9: &#8220;Eu simplesmente n\u00e3o quero fazer tudo deste dia&#8221;. Quando esse pensamento \u00e9 o que reconhe\u00e7o como presente, ent\u00e3o estou apenas empurrando a minha pedra. Passo por esse dia dif\u00edcil e o que me resta para o dia seguinte? De alguma forma o rochedo deslizou de volta para baixo enquanto eu estava dormindo, de modo que l\u00e1 vou eu de novo: empurrar, empurrar, empurrar. &#8220;Eu detesto isso&#8230; sim, eu sei que detesto. Gostaria que tivesse um jeito de sair, mas n\u00e3o tem ou pelo menos eu n\u00e3o enxergo nenhum agora.&#8221; Perfeito sendo como \u00e9.<br \/>\nQuando n\u00f3s vivemos de verdade cada momento, o que acontece com o fardo da vida? O que acontece com nossa pedra? Se formos totalmente o que somos, a cada segundo, come\u00e7amos a sentir a vida como algo feliz. Entre n\u00f3s e uma vida feliz est\u00e3o nossos pensamentos, nossas id\u00e9ias, nossas expectativas, nossas esperan\u00e7as e nossos receios. N\u00e3o \u00e9 que tenhamos que ter uma completa boa vontade com respeito a empurrar a pedra. Podemos ter m\u00e1 vontade desde que reconhe\u00e7amos nossa m\u00e1 vontade e simplesmente a sintamos. M\u00e1 vontade n\u00e3o \u00e9 problema. Uma parte fundamental de toda pr\u00e1tica s\u00e9ria \u00e9 &#8220;N\u00e3o quero fazer isso&#8221;. E n\u00e3o fazemos. Mas, quando nossa m\u00e1 vontade \u00e9 carregada pelos esfor\u00e7os para escapar, a quest\u00e3o \u00e9 outra. &#8220;Bom, vou comer outra fatia deste bolo de chocolate. Acho que sobrou uma&#8221;; &#8220;Vou telefonar para minhas amigas e falar de como tudo \u00e9 terr\u00edvel&#8221;; &#8220;Vou me enfiar num canto para poder realmente ficar me preocupando com minha vida horr\u00edvel e com toda a pena que sinto de mim&#8221;. Que outras maneiras existem para se escapar?<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Ficar muito ocupado at\u00e9 me esgotar.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Ficar adiando.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Fazer planos e ent\u00e3o refaz\u00ea-los sem parar.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Meu jeito \u00e9 ficar doente algum tempo.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>  \u00c9 verdade, costumamos fazer isso: ficar resfriados, torcer o tornozelo, pegar gripe.<br \/>\nQuando rotulamos nossos pensamentos, ficamos conscientes de como escapamos. Come\u00e7amos a ver as mil e uma formas pelas quais tentamos escapar de viver este momento, de empurrar a nossa pedra. Desde o momento em que nos levantamos pela manh\u00e3 at\u00e9 a hora em que vamos dormir, estamos fazendo alguma coisa; empurramos a nossa pedra o dia inteiro. \u00c9 o nosso julgamento a respeito do que estamos fazendo que causa a nossa infelicidade. &#8220;Podemos nos julgar v\u00edtimas: &#8220;Estou trabalhando com algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 justo comigo&#8221;; &#8221;N\u00e3o consigo me defender&#8221;.<br \/>\nNossa pr\u00e1tica \u00e9 ver o que estamos empurrando &#8211; chegar nesse fato b\u00e1sico. Ningu\u00e9m se d\u00e1 conta disso o tempo todo; eu com certeza n\u00e3o. Mas reparo que as pessoas que est\u00e3o praticando j\u00e1 h\u00e1 algum tempo come\u00e7am a ter certo senso de humor a respeito de sua carga. Afinal de contas, a id\u00e9ia de que a vida \u00e9 um fardo \u00e9 s\u00f3 um conceito. Estamos simplesmente fazendo aquilo que estamos fazendo, segundo a segundo. A medida de uma pr\u00e1tica frut\u00edfera \u00e9 sentirmos que a vida \u00e9 menos um fardo e mais um motivo de contentamento. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o existe tristeza, mas a viv\u00eancia da tristeza \u00e9 o que justamente traz contentamento. Se n\u00e3o percebermos essa mudan\u00e7a depois de algum tempo de pr\u00e1tica, ent\u00e3o ainda n\u00e3o teremos entendido o que \u00e9 a pr\u00e1tica; essa mudan\u00e7a \u00e9 um bar\u00f4metro muito confi\u00e1vel.<br \/>\nOs fardos sempre est\u00e3o aparecendo em nossos caminhos. Por exemplo, vamos supor que preciso passar certo tempo com algu\u00e9m de quem n\u00e3o gosto, e isso, me parece um fardo. Ou tenho uma semana dif\u00edcil pela frente e fico desanimada com essa perspectiva. Ou as turmas que tenho neste semestre s\u00e3o de alunos despreparados. Criar filhos pode nos fazer sentir sobrecarregado. Doen\u00e7as, acidentes, quaisquer obst\u00e1culos que nos venham pela frente podem ser sentidos como fardos. N\u00e3o podemos viver como seres humanos sem encontrar dificuldades, que podemos resolver chamar de &#8220;fardos&#8221;. A vida ent\u00e3o come\u00e7a a ser t\u00e3o pesada.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Acabei de me lembrar de um conceito da psicologia que fala da &#8220;querida carga-.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>  Sim, embora a. &#8220;querida carga&#8221; n\u00e3o possa permanecer apenas em nossas cabe\u00e7as; ela deve transformar-se em n\u00f3s. Existem muitos conceitos e no\u00e7\u00f5es maravilhosos, mas se eles n\u00e3o se tornarem n\u00f3s, como somos, podem tornar-se os fardos mais hostis de todos. Entender uma coisa intelectualmente n\u00e3o basta; \u00e0s vezes \u00e9 pior do que n\u00e3o entender nada.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Estou com dificuldade para compreendera id\u00e9ia de que estamos sempre empurrando a pedra colina acima. Talvez porque neste momento as coisas todas parecem estar a meu favor.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>  \u00c9 poss\u00edvel. \u00c0s vezes as coisas realmente v\u00e3o ao nosso encontro. Podemos estar vivendo o auge de um novo e maravilhoso relacionamento. O novo emprego continua excitante. Mas h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre as coisas nos serem favor\u00e1veis e o verdadeiro contentamento. Vamos supor que estamos num desses belos per\u00edodos em que temos um bom relacionamento ou um bom emprego, e tudo est\u00e1 uma maravilha. Qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre essa sensa\u00e7\u00e3o boa, que se baseia em circunst\u00e2ncias, e o contentamento? Como saber?<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Tememos que possa acabar.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>  E como esse medo se manifestaria?<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Em alguma tens\u00e3o corporal.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>  A tens\u00e3o corporal sempre estar\u00e1 presente se nossa sensa\u00e7\u00e3o boa for apenas aquela felicidade comum, centrada em si mesma. O contentamento n\u00e3o tem tens\u00e3o, porque aceita tudo que \u00e9 como \u00e9. \u00c0s vezes, empurrando a pedra colina acima, teremos mesmo assim uma fase boa. Como \u00e9 que o contentamento aceita essa sensa\u00e7\u00e3o boa?<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Simplesmente como \u00e9.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>  Sim. Sem sombra de d\u00favida, se estivermos num bom per\u00edodo de nossas vidas, vamos desfrut\u00e1-lo, mas sem nos apegarmos a isso. Nossa tend\u00eancia \u00e9 preocuparmo-nos com seu fim e ent\u00e3o tentaremos nos agarrar a ele.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  \u00c9, eu percebo que, enquanto estou simplesmente vivendo e desfrutando isso, estou bem. \u00c9 quando eu paro e penso &#8220;Isso est\u00e1 \u00f3timo&#8221; que eu come\u00e7o a me preocupar com &#8220;Quanto tempo isso ainda vai durar?&#8221;.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>  Nenhum de n\u00f3s escolheria ser S\u00edsifo, mas, em certo sentido, todos somos.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Todos temos pedras na cabe\u00e7a.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>  Sim. Quando nos entretemos com a pedra que est\u00e1 sobre nossa cabe\u00e7a, o rochedo da vida parece pesado. Mas, por outro lado, nossas vidas s\u00e3o apenas aquilo que estamos fazendo. O modo de ficarmos mais contentes em s\u00f3 viver nossa vida como ela \u00e9, em s\u00f3 tornar mais leve o fardo de cada dia, \u00e9 ser essa viv\u00eancia de constante aliviar. Essa \u00e9 a forma de conhecimento que vem da experi\u00eancia, e o entendimento intelectual pode decorrer dela.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>  Se eu soubesse que a pedra ia descer todas as vezes eu poderia pensar: &#8220;Bom, vamos ver com que rapidez consigo lev\u00e1-la at\u00e9 o alto desta vez. Talvez eu possa melhorar meu tempo&#8221;. Eu transformaria isso num jogo ou criaria alguma esp\u00e9cie de significado em minha mente.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>  Mas se estamos fazendo isso desde sempre, ou mesmo durante uma vida inteira, o que acontecer\u00e1 com o significado que criarmos? Essa ser\u00e1 uma cria\u00e7\u00e3o puramente intelectual; mais cedo ou mais tarde, cair\u00e1 por terra. Esse \u00e9 o problema do &#8220;pensamento positivo&#8221; e das afirma\u00e7\u00f5es: n\u00e3o podemos mant\u00ea-las funcionando para sempre. Esses esfor\u00e7os nunca s\u00e3o o caminho da liberdade. Na realidade, n\u00f3s j\u00e1 somos livres. S\u00edsifo n\u00e3o era prisioneiro no Hades, vivendo em eterno castigo. Ele sempre estava livre porque estava fazendo o que estava fazendo.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00edsifo e o fardo da vida Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Nada Especial&#8220; A mitologia grega fala de S\u00edsifo, rei de Corinto, condenado pelos deuses ao Hades em puni\u00e7\u00e3o eterna. 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