{"id":5239,"date":"2018-06-15T10:30:22","date_gmt":"2018-06-15T12:30:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5239"},"modified":"2018-06-15T10:30:22","modified_gmt":"2018-06-15T12:30:22","slug":"respondendo-as-pressoes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/respondendo-as-pressoes\/","title":{"rendered":"Respondendo \u00e0s  press\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=5240\" rel=\"attachment wp-att-5240\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Respondendo-\u00e0s-press\u00f5es-300x188.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"188\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5240\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Respondendo-\u00e0s-press\u00f5es-300x188.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Respondendo-\u00e0s-press\u00f5es.jpg 471w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<b>Respondendo \u00e0s  press\u00f5es<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><em><strong>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>, extra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/nada-especial\/\">Nada Especial<\/a>&#8220;<em><strong><\/strong><\/em><\/strong><\/em><\/div>\n<hr \/>\n<p>Antes do servi\u00e7o, recitamos o verso do Kesa: &#8220;Vasto \u00e9 o manto da liberta\u00e7\u00e3o, o campo informe de benef\u00edcios. Visto o ensinamento universal, salvando todos os seres sens\u00edveis&#8221;* . A frase &#8220;campo informe de benef\u00edcios&#8221; \u00e9 particularmente evocativa; traz \u00e0 tona quem somos e qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o religioso. O ponto da pr\u00e1tica do zen \u00e9 sermos quem somos &#8211; um campo informe de benef\u00edcios. Essas palavras parecem muito belas, mas viv\u00ea-las em nossa pr\u00f3pria vida \u00e9 dif\u00edcil e confunde.<\/p>\n<p>Consideremos de que maneira lidamos com a press\u00e3o ou o estresse. Aquilo que para algu\u00e9m \u00e9 press\u00e3o para outro n\u00e3o \u00e9. Para uma pessoa t\u00edmida, press\u00e3o poderia ser atravessar uma festa apinhada de gente. Para outra, press\u00e3o poderia ser ficar sozinha, ou cumprir prazos. H\u00e1 indiv\u00edduos para quem press\u00e3o seria ter uma vida lenta, mon\u00f3tona, sem nenhum prazo a cumprir. Um novo filho, um novo namorado, um novo amigo podem ser focos de press\u00e3o. O sucesso tamb\u00e9m. H\u00e1 pessoas que lidam bem com o fracasso, mas n\u00e3o com o sucesso. Press\u00e3o \u00e9 aquilo que nos faz ficar tensos, que nos desperta a ansiedade.<br \/>\nTemos diferentes estrat\u00e9gias para responder a press\u00f5es. Gurdjieff, int\u00e9rprete do misticismo sufi, chamava nossa estrat\u00e9gia de &#8220;aspecto principal&#8221; . Precisamos aprender qual \u00e9 o nosso aspecto principal &#8211; a maneira mais comum de lidarmos com press\u00f5es. Quando est\u00e1 sob press\u00e3o, uma pessoa tende a recuar, outra se esfor\u00e7a para ser perfeita ou para ser mais estrela ainda.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem responde \u00e0 press\u00e3o trabalhando mais, e h\u00e1 os que ent\u00e3o trabalham menos. Alguns fogem, outros tentam dominar. H\u00e1 os que se ocupam e falam bastante; e h\u00e1 os que se tornam mais calados do que o habitual.<br \/>\nDescobre-se qual \u00e9 o aspecto principal observando-se quando se est\u00e1 sob press\u00e3o. Todo dia quando acordamos, \u00e9 prov\u00e1vel que haja alguma coisa adiante naquele dia que ir\u00e1 nos causar alguma press\u00e3o. Quando as coisas est\u00e3o dif\u00edceis, n\u00e3o h\u00e1 sen\u00e3o press\u00e3o em nossa vida. Em outras \u00e9pocas existe muito pouca press\u00e3o e ent\u00e3o pensamos que as coisas est\u00e3o indo bem. Mas a vida sempre nos pressiona de alguma maneira.<\/p>\n<p>Nosso padr\u00e3o t\u00edpico de responder a press\u00f5es \u00e9 criado bem no in\u00edcio de nossas vidas. Quando enfrentamos dificuldades na inf\u00e2ncia, o macio tecido da vida come\u00e7a a formar pregas. \u00c9 como se essas pregas formassem uma pequena bolsa que usamos para esconder nosso medo. O modo como escondemos nosso medo &#8211; essa pequena bolsa, que \u00e9 nossa estrat\u00e9gia para dar conta da situa\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e9 nosso aspecto principal. Enquanto n\u00e3o enfrentarmos nosso &#8220;aspecto principal&#8221; e vivenciarmos nosso medo, n\u00e3o conseguiremos ser aquela totalidade cont\u00ednua, o &#8220;campo informe de benef\u00edcios&#8221;. Em vez disso estamos todos repletos de pregas, de calombos.<\/p>\n<p>Ao longo de uma vida inteira de pr\u00e1tica, o aspecto principal da pessoa muda quase que inteiramente. Por exemplo, eu costumava ser t\u00e3o t\u00edmida que, se tivesse de comparecer a uma sala onde estivessem dez ou quinze pessoas, ou a um coquetel para pouca gente, eu levaria uns quinze minutos andando de um lado para outro l\u00e1 fora antes de conseguir reunir a coragem necess\u00e1ria para entrar. Hoje, no entanto, embora eu n\u00e3o prefira grandes festas, sinto-me \u00e0 vontade nelas. Existe uma grande diferen\u00e7a entre sentir tanto medo que mal se consegue entrar na sala e sentir-se \u00e0 vontade nessa situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o estou querendo dizer que a personalidade b\u00e1sica da pessoa mude. Eu nunca serei &#8220;a alma da festa&#8221;, mesmo que viva at\u00e9 os 110 anos. Gosto de olhar para as pessoas que est\u00e3o numa festa e de conversar com algumas delas; esse \u00e9 o meu jeito.<br \/>\nMuitas vezes cometemos o erro de supor que podemos apenas nos re-treinar atrav\u00e9s de esfor\u00e7os e auto-an\u00e1lise. Podemos pensar na pr\u00e1tica zen como um estudo de n\u00f3s mesmos, para podermos aprender a pensar de maneira diferente, da mesma forma como poder\u00edamos aprender xadrez ou culin\u00e1ria francesa. Mas n\u00e3o \u00e9 isso. A pr\u00e1tica zen n\u00e3o \u00e9 como aprender hist\u00f3ria da antig\u00fcidade, matem\u00e1tica ou culin\u00e1ria refinada. Esses tipos (te aprendizado t\u00eam seu lugar, sem d\u00favida, por\u00e9m quando se trata de nosso aspecto principal &#8211; o modo mais comum de lidamos com a press\u00e3o &#8211; \u00e9 nosso mau uso da mente individual que criou a contra\u00e7\u00e3o emocional. N\u00e3o podemos us\u00e1-la para se corrigir; n\u00e3o podemos usar nossa pequena mente para corrigir a pequena mente. \u00c9 um problema formid\u00e1vel: aquilo mesmo que estamos investigando \u00e9 tamb\u00e9m o nosso meio ou instrumento de investiga\u00e7\u00e3o. A distor\u00e7\u00e3o em nosso modo de pensar distorce nossos esfor\u00e7os para corrigir a distor\u00e7\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o sabemos como atacar o problema. Sabemos que algo em n\u00f3s n\u00e3o vai bem porque n\u00e3o estamos em paz; tendemos a experimentar todas as esp\u00e9cies de falsas solu\u00e7\u00f5es. Uma dessas &#8220;solu\u00e7\u00f5es&#8221; \u00e9 nos treinar a pensar- de modo positivo. Essa \u00e9 apenas uma manobra da pequena mente. Quando nos programamos para ter pensamentos positivos ainda n\u00e3o chegamos realmente a nos compreender e sendo assim continuamos a entrar em dificuldades. Se criticamos nossa mente e nos dizemos: &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o pensa muito bem, ent\u00e3o n\u00e3o vou for\u00e7\u00e1-la a pensar&#8221;, ou &#8220;Voc\u00ea alimentou todos esses pensamentos destrutivos; agora voc\u00ea deve ter pensamentos agrad\u00e1veis, pensamentos positivos&#8221;, ainda estamos usando nossa mente para tratar de nossa mente. Esse ponto \u00e9, sobretudo, dif\u00edcil para os intelectuais absorverem, uma vez que passaram sua vida inteira usando a mente para resolver problemas e, \u00e9 natural, iniciam sua pr\u00e1tica zen do mesmo modo. (Ningu\u00e9m melhor que eu para saber como \u00e9 assim!) A estrat\u00e9gia nunca deu certo e nunca dar\u00e1.<\/p>\n<p>Existe uma \u00fanica maneira de se escapar a esse la\u00e7o fechado e nos enxergar com clareza: temos de dar um passo al\u00e9m do alcance de nossa pequena mente e observ\u00e1-la. Essa que observa n\u00e3o \u00e9 pensamento porque o observador pode observar o pensamento. Temos de observar a mente e reparar no que ela est\u00e1 fazendo. Temos de notar como a mente produz esses enxames de pensamentos auto-centrados e cria, dessa maneira, a tens\u00e3o corporal. O processo de dar um passo atr\u00e1s n\u00e3o \u00e9 complicado, mas se n\u00e3o estamos habituados a ele parece novo e desconhecido e talvez assuste. Com persist\u00eancia, torna-se mais claro.<\/p>\n<p>Vamos supor que perdemos o emprego. Os pensamentos inundam a nossa mente, criando emo\u00e7\u00f5es variadas. Nosso aspecto principal irrompe em cena, encobrindo nosso medo para que n\u00e3o precisemos enfrent\u00e1-lo diretamente. Se perdermos nosso emprego, a \u00fanica coisa a fazer \u00e9 procurar outro, supondo que precisamos de dinheiro. Contudo, em geral n\u00e3o \u00e9 isso que fazemos. Ou, se estamos procurando outro trabalho, podemos n\u00e3o agir com efici\u00eancia porque ficamos muito ocupados com o nosso aborrecimento e com o transtorno causado pelo aspecto principal.<br \/>\nVamos supor que algu\u00e9m nos criticou. De repente sentimos a press\u00e3o. Como lidar com isso? Nosso aspecto principal aparece no mesmo instante. Usamos qualquer truque mental que conseguimos encontrar: preocupa\u00e7\u00f5es, justificativas, recrimina\u00e7\u00f5es. Podemos tentar esquivar-nos do problema pensando em alguma coisa in\u00fatil ou irrelevante. Podemos usar alguma droga para silenci\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Quanto mais observarmos nossos pensamentos e a\u00e7\u00f5es, mais nosso aspecto principal tender\u00e1 a desaparecer. Quanto mais se desfaz, mais sentimo-nos dispon\u00edveis para vivenciar o medo que apareceu antes de tudo. Durante muitos anos, a pr\u00e1tica refere-se a fortalecer o observador. Com o tempo, estaremos dispon\u00edveis para fazer o que estiver pela frente, sem resist\u00eancia, e esse observador desaparecer\u00e1. N\u00e3o precisaremos ent\u00e3o do observador para mais nada; podemos ser a pr\u00f3pria vida. Quando esse processo estiver completo, a pessoa ser\u00e1 um ser plenamente realizado, um buda &#8211; embora eu ainda n\u00e3o tenha conhecido ningu\u00e9m cujo processo tenha ficado completo.<\/p>\n<p>Sentar para a pr\u00e1tica \u00e9 como nossa vida di\u00e1ria: o que aparece quando nos sentamos \u00e9 o pensamento a que queremos nos apegar, o nosso aspecto principal. Se gostarmos de fugir da vida, encontraremos em nossa pr\u00e1tica sentada uma maneira de nos esquivar do sentar. Se gostarmos de nos preocupar, ficaremos preocupados; se gostamos de fantasiar, iremos fantasiar. Aquilo que fazemos em nossa pr\u00e1tica sentada \u00e9 como o microcosmo do resto de nossas vidas. Nossa pr\u00e1tica sentada mostra-nos como estamos levando nossa vida e nossa vida mostra-nos o que fazemos quando nos sentamos para a pr\u00e1tica.<br \/>\nA transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o come\u00e7a com a pessoa dizendo para si mesma: &#8220;Tenho que ser diferente&#8221;. A transforma\u00e7\u00e3o come\u00e7a com a compreens\u00e3o do que est\u00e1 dito n\u00f3 verso do Kesa: &#8220;Vasto \u00e9 o campo da liberta\u00e7\u00e3o&#8221;. Nossas pr\u00f3prias vidas s\u00e3o um vasto campo de liberta\u00e7\u00e3o, um campo informe de benef\u00edcios. Quando vestimos os ensinamentos da vida, observando nossos pensamentos, vivenciando as sensa\u00e7\u00f5es que recebemos a cada segundo, ent\u00e3o estamos nos dedicando a nos salvar e a salvar todos os seres sens\u00edveis; apenas sendo quem somos.<\/p>\n<p><b>ALUNO<\/b>: Meu &#8220;aspecto principal&#8221; parece mudar conforme a situa\u00e7\u00e3o. Sob press\u00e3o em geral sou controlador, dominador e fico com raiva. Em outra situa\u00e7\u00e3o, no entanto, posso tornar-me retra\u00eddo e calado.<br \/>\n<b>JOKO<\/b>: Mesmo assim, para cada pessoa, comportamentos diferentes em resposta \u00e0 press\u00e3o adv\u00eam da mesma abordagem b\u00e1sica diante do medo, embora possam parecer diferentes. Existe um padr\u00e3o intr\u00ednseco que est\u00e1 sendo expresso.<br \/>\n<b>ALUNO<\/b>: Quando me sinto pressionado &#8211; em especial quando me sinto criticado -, dou duro e tento fazer bem as coisas; tento n\u00e3o somente revidar, mas sentar-me na ansiedade e no medo. No ano passado, por\u00e9m, cheguei \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de que, quando me sinto criticado, por tr\u00e1s de meus esfor\u00e7os para agir de forma correta est\u00e1 uma raiva enorme. O que realmente quero \u00e9 atacar; sou um tubar\u00e3o assassino.<br \/>\n<b>JOKO<\/b>: Essa ira esteve ali o tempo todo; ser uma boa pessoa e um bom profissional \u00e9 seu disfarce. Existe um tubar\u00e3o assassino em todo mundo. \u00c9 \u00e9 o medo que n\u00e3o se vivenciou. Seu modo de encobri-lo \u00e9 parecer ser t\u00e3o boa pessoa, fazer tantas coisas e ser t\u00e3o maravilhoso que ningu\u00e9m jamais consiga ver quem voc\u00ea de fato \u00e9 &#8211; algu\u00e9m morto de medo. Conforme vamos desenterrando essas camadas de f\u00faria, \u00e9 importante n\u00e3o deix\u00e1-la vazar para nossas condutas; n\u00e3o devemos infligir nossa f\u00faria aos outros. Na pr\u00e1tica genu\u00edna, nossa f\u00faria \u00e9 apenas um est\u00e1gio que passa. Por\u00e9m, por algum tempo, sentimo-nos muito mais incomodados do que quando come\u00e7amos. Isso \u00e9 inevit\u00e1vel; estamos nos tornando mais honestos, e nosso falso estilo superficial est\u00e1 come\u00e7ando a se dissolver. O processo n\u00e3o dura para sempre, mas com certeza \u00e9 muito desagrad\u00e1vel enquanto dura. De vez em quando podemos at\u00e9 explodir, mas isso \u00e9 melhor do que fugir ou mascarar nossa rea\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<b>ALUNO<\/b>: Freq\u00fcentemente, consigo enxergar os padr\u00f5es das outras pessoas com muito mais rapidez do que o meu. Quando elas s\u00e3o importantes para mim, sinto a tenta\u00e7\u00e3o de lhes dizer o que vejo. Sinto-me como se estivesse vendo um amigo se afogar e n\u00e3o lhe dou um salva-vidas. Quando de fato interfiro, por\u00e9m, em geral me d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de que estou me intrometendo em suas vidas, o que n\u00e3o \u00e9 em absoluto da minha conta.<br \/>\n<b>JOKO<\/b>: \u00c9 importante esse ponto. O que significa ser um campo informe de benef\u00edcios? Todos vemos as pessoas fazendo coisas que evidentemente lhes s\u00e3o prejudiciais. O que devemos fazer?<br \/>\n<b>ALUNO<\/b>: N\u00e3o basta estar consciente e ser presente para elas?<br \/>\n<b>JOKO<\/b>: Sim, essa \u00e9 em geral a melhor resposta. De vez em quando as pessoas nos pedem ajuda. Se seu pedido for sincero, est\u00e1 certo responder. Mas podemos nos afobar muito, nos atirar em conselhos. A maioria de n\u00f3s se comp\u00f5e de consertadores. Uma antiga m\u00e1xima zen aconselha a n\u00e3o responder enquanto n\u00e3o nos tiverem solicitado tr\u00eas vezes. Se a pessoa realmente quer sua opini\u00e3o insistir\u00e1. Mas apressamo-nos em dar opini\u00f5es quando ningu\u00e9m as quer. Eu sei: eu era assim.<\/p>\n<p>O observador n\u00e3o tem emo\u00e7\u00f5es. \u00c9 como um espelho. Tudo apenas passa \u00e0 sua frente. O espelho n\u00e3o julga. Sempre que julgamos, acrescentamos um outro pensamento que necessita ser rotulado. O observador n\u00e3o critica. Julgar n\u00e3o \u00e9 algo que o observador fa\u00e7a. Ele simplesmente observa ou reflete, como um espelho. Se passa lixo \u00e0 sua frente, ele reflete lixo. Se passam rosas \u00e0 sua frente, ele reflete rosas. O espelho continua sendo um espelho, um espelho vazio. O observador nem mesmo aceita; s\u00f3 observa.<br \/>\n<b>ALUNO<\/b>: O observador n\u00e3o \u00e9 de fato parte da pequena mente?<br \/>\n<b>JOKO<\/b>: N\u00e3o. O observador \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o consciente que s\u00f3 surge quando temos o aparecimento de um objeto em nossa viv\u00eancia no mundo fenom\u00eanico. Se n\u00e3o aparece um objeto (por exemplo, no sono profundo), o observador n\u00e3o est\u00e1 ali. O observador finalmente morre quando somos apenas a percep\u00e7\u00e3o consciente e n\u00e3o precisamos mais dele.<br \/>\nNunca conseguimos encontrar esse observador, por mais que o procuremos. No entanto, apesar de nunca conseguirmos localiz\u00e1-lo, \u00e9 \u00f3bvio que podemos observar. Poder\u00edamos dizer que o observador \u00e9 uma dimens\u00e3o diferente da mente, mas n\u00e3o um aspecto da pequena mente, que existe no n\u00edvel linear comum. N\u00f3s somos percep\u00e7\u00e3o consciente. Ningu\u00e9m jamais observou a percep\u00e7\u00e3o consciente, no entanto \u00e9 isso que somos &#8211; um &#8220;campo informe de benef\u00edcios&#8221;.<br \/>\n<b>ALUNO<\/b>: Parece que uma sensa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel consegue me ancorar no presente e focalizar minha aten\u00e7\u00e3o no aqui-agora.<br \/>\n<b>JOKO<\/b>: Temos o antigo ditado segundo o qual na \u00faltima ess\u00eancia do homem est\u00e1 a oportunidade para Deus. Quando as coisas s\u00e3o agrad\u00e1veis, tentamos nos apegar \u00e0s amenidades. Em nossa tentativa de reter o prazer, n\u00f3s o destru\u00edmos. Quando estamos sentados na pr\u00e1tica e verdadeiramente parados, por\u00e9m, o desconforto e a dor nos remetem de volta ao presente. A postura sentada torna mais \u00f3bvio nosso desejo de escapar ou de fugir. Quando estamos praticando bem, n\u00e3o h\u00e1 outro lugar aonde ir. Nossa tend\u00eancia \u00e9 n\u00e3o aprender isso a menos que sintamos desconforto. Quanto mais conscientes estivermos de nosso desconforto e de nossos esfor\u00e7os para escapar, mais transtornos ser\u00e3o criados no mundo fenom\u00eanico: desde guerras internacionais at\u00e9 discuss\u00f5es pessoais e brigas em nosso \u00edntimo; todos esses problemas surgem porque nos separamos de nossas viv\u00eancias. O desconforto e a dor n\u00e3o s\u00e3o a causa de nossos problemas; a causa \u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o sabemos o que fazer com essas sensa\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<b>ALUNO<\/b>: At\u00e9 mesmo no prazer tem um elemento de desconforto. Por exemplo, \u00e9 um prazer ter um pouco de paz e sil\u00eancio, mas logo sinto um certo inc\u00f4modo ao pensar que o barulho e o alarido podem recome\u00e7ar a qualquer instante.<br \/>\n<b>JOKO<\/b>: Prazer e dor s\u00e3o apenas p\u00f3los opostos. O contentamento est\u00e1 em ser dispon\u00edvel para que as coisas sejam como s\u00e3o. Com contentamento, n\u00e3o h\u00e1 polaridade. Se o barulho come\u00e7a, ele come\u00e7a. Ambos s\u00e3o contentamento. Uma vez que queremos nos apegar ao prazer e afastar a dor, por\u00e9m, desenvolvemos uma estrat\u00e9gia de escape. Quando alguma coisa desagrad\u00e1vel nos acontece enquanto somos crian\u00e7as, desenvolvemos um sistema &#8211; um aspecto principal para lidar com as coisas desagrad\u00e1veis &#8211; e vivemos desde ent\u00e3o com base nisso em vez de ver a vida como ela \u00e9.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Respondendo \u00e0s press\u00f5es Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Nada Especial&#8220; Antes do servi\u00e7o, recitamos o verso do Kesa: &#8220;Vasto \u00e9 o manto da liberta\u00e7\u00e3o, o campo informe de benef\u00edcios. 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