{"id":527,"date":"2013-03-05T09:08:17","date_gmt":"2013-03-05T11:08:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=527"},"modified":"2018-02-11T17:49:37","modified_gmt":"2018-02-11T19:49:37","slug":"527","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/527\/","title":{"rendered":"Ensinamentos Zen de Huang Po &#8211; Parte 1"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1431\" rel=\"attachment wp-att-1431\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/huang-po.png\" alt=\"\" width=\"660\" height=\"320\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1431\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/huang-po.png 660w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/huang-po-300x145.png 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/huang-po-500x242.png 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/a><\/p>\n<p>J\u00e1. Logo ap\u00f3s escutar as doutrinas mais profundas, devem comportar-se como se uma brisa ligeira lhes houvesse acariciado os ouvidos, como se uma brisa deleitosa houvesse passado em um abrir e fechar de olhos. N\u00e3o devem, de nenhuma maneira, tentar seguir tais doutrinas. Trabalhar de acordo com essas instru\u00e7\u00f5es \u00e9 alcan\u00e7ar profundidade. A contempla\u00e7\u00e3o fixa dos Tathagatas entranha a mentalidade do Zen de algu\u00e9m que deixou de lado a roda dos nascimentos e mortes para sempre. Desde os dias em que Bodhidharma n\u00e3o transmitiu outra coisa que a Mente \u00danica, n\u00e3o houve outro Dharma v\u00e1lido. Assinalando a identidade da Mente e do Budha, mostrou como podem transcender para formas mais elevadas de Ilumina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o resta d\u00favida alguma de que n\u00e3o deixou atr\u00e1s de si outro pensamento sen\u00e3o este. Se desejar entrar usando nossa escola como entrada, este deve ser o \u00fanico <i>Dharma <\/i>que a seguir.<\/p>\n<p>Se pensas ganhar algo com mestres de outras doutrinas, por quais raz\u00f5es vens aqui?\u00a0 Assim \u00e9 que se dizes que tens a mais leve inten\u00e7\u00e3o de entregar-se aos pensamentos conceituais, eis aqui que sua inten\u00e7\u00e3o mesma lhes tornar\u00e1 presa dos dem\u00f4nios. Do mesmo modo a consciente car\u00eancia de tal prop\u00f3sito e inclusive a consci\u00eancia de que n\u00e3o tens a car\u00eancia de tal prop\u00f3sito, ser\u00e1 suficiente para jog\u00e1-los ao poder dos dem\u00f4nios. Por\u00e9m n\u00e3o ser\u00e3o dem\u00f4nios externos; ser\u00e3o dem\u00f4nios criados por suas mentes mesmas. A \u00fanica realidade que existe \u00e9 o <i>\u201cBodhisatva\u201d <\/i>cuja exist\u00eancia \u00e9 totalmente n\u00e3o-manifesta, inclusive no sentido espiritual: o Sem Rastro. Se alguma vez cheguem a crer em algo mais que a pura exist\u00eancia transit\u00f3ria dos fen\u00f4menos, ter\u00e3o ca\u00eddo no grave erro conhecido da cren\u00e7a her\u00e9tica na vida eterna; por\u00e9m, se ao contr\u00e1rio, tomam a intr\u00ednseca vacuidade dos fen\u00f4menos como indicando a mera vacuidade, ent\u00e3o ter\u00e3o ca\u00eddo em outro erro: a heresia da extin\u00e7\u00e3o total <sup>88<\/sup>.<\/p>\n<p>Assim, pois \u201co Mundo Triplo \u00e9 t\u00e3o somente Mente; as mir\u00edades de fen\u00f4menos s\u00e3o s\u00f3 Consci\u00eancia\u201d \u00e9 o que se ensina a quem previamente sustentou id\u00e9ias ainda mais falsas e sofreu erros de percep\u00e7\u00e3o<sup>89 <\/sup>ainda mais graves. De modo similar, o ensinamento de que o <i>Dharmakaya <\/i><sup>90<\/sup> \u00e9 algo que se alcan\u00e7a t\u00e3o somente depois de realizar a completa Ilumina\u00e7\u00e3o, tem somente por objeto converter os santos <i>Theravadas,<\/i> salvando-os de mais graves erros. Tendo achado o Buda Gautama, que estas opini\u00f5es predominavam, refutou duas classes de id\u00e9ias mal entendidas: a no\u00e7\u00e3o de que a Ilumina\u00e7\u00e3o conduz a uma percep\u00e7\u00e3o da substancia universal composta de part\u00edculas que alguns consideram grosseiras e outros sutis<sup>91<\/sup>.<\/p>\n<p>Como \u00e9 poss\u00edvel que Buda Gautama que negou toda opini\u00e3o semelhante \u00e0s mencionadas, pudesse haver originado as concep\u00e7\u00f5es presentes da Ilumina\u00e7\u00e3o? Por\u00e9m, como esses ensinamentos s\u00e3o ainda ensinados comumente, as pessoas se envolvem na dualidade de desejar a \u201cluz\u201d e de afastar a \u201cescurid\u00e3o\u201d. <span style=\"text-decoration: underline;\">Em sua ansiedade por buscar a Ilumina\u00e7\u00e3o por um lado, e para escapar das paix\u00f5es e da ignor\u00e2ncia da exist\u00eancia corporal, por outro lado, concebem ao Buda Iluminado e aos seres sencientes n\u00e3o iluminados, como se fossem entidades separadas<\/span>. A continua propens\u00e3o de usar tais conceitos dual\u00edsticos os conduzir\u00e1 a posteriores renascimentos nas seis ordens de seres, vida ap\u00f3s vida, eras ap\u00f3s eras, para sempre.\u00a0 E qual \u00e9 a causa disso? A causa \u00e9 a falsifica\u00e7\u00e3o dos ensinamentos de que a fonte original dos Budas \u00e9 a Natureza que existe por si mesma. Eu me permito assegurar-lhes que o\u00a0 Buda n\u00e3o reside na luz, nem os seres sensientes residem nas trevas, uma vez que a Verdade n\u00e3o permite tais distin\u00e7\u00f5es. O Buda n\u00e3o \u00e9 poderoso, nem os seres sensientes s\u00e3o fr\u00e1geis,\u00a0 pois a Verdade n\u00e3o d\u00e1 lugar a tais distin\u00e7\u00f5es. O Buda n\u00e3o \u00e9 iluminado nem os seres sensientes s\u00e3o ignorantes, pois a Verdade n\u00e3o permite distin\u00e7\u00f5es semelhantes. O que acontece \u00e9 que voc\u00eas tomam ao seu cargo explicar o Zen!<\/p>\n<p>T\u00e3o logo algu\u00e9m abre a boca, surgem os desatinos. As pessoas, ou bem falam dos ramos e fazem caso omisso das ra\u00edzes, ou bem se esquecem da realidade do mundo \u201cilus\u00f3rio\u201d e falam somente da Ilumina\u00e7\u00e3o. Ou, de outro modo, fofocam sobre as atividades c\u00f3smicas que conduzem \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es, enquanto descuidam a subst\u00e2ncia, da qual se originaram; na verdade, jamais encontrar\u00e3o proveito algum nessas discuss\u00f5es.<\/p>\n<p>Digamos, pois, uma vez mais: todos os fen\u00f4menos carecem basicamente de subst\u00e2ncia pr\u00f3pria, embora n\u00e3o possa dizer-se agora que sejam inexistentes: O carma produzido, nem por isso existe; o <i>carma<\/i> que se destruiu, nem por isso deixou de existir. Inclusive sua raiz carece de exist\u00eancia, pois tal raiz n\u00e3o \u00e9 raiz. Al\u00e9m disso, a Mente n\u00e3o \u00e9 Mente, j\u00e1 que, seja l\u00e1 o que for o significado desse termo, est\u00e1 muito longe de ser a realidade que simboliza. A forma, igualmente, n\u00e3o \u00e9 realmente forma, assim, pois se afirmo agora que n\u00e3o existem fen\u00f4menos e que n\u00e3o h\u00e1 Mente Original, come\u00e7ar\u00e3o a compreender algo do <i>Dharma<\/i> intuitivo transmitido silenciosamente \u00e0 Mente com a Mente. Posto que os fen\u00f4menos e os n\u00e3o fen\u00f4menos s\u00e3o uma mesma coisa, n\u00e3o h\u00e1 nem fen\u00f4menos nem n\u00e3o fen\u00f4menos e a \u00fanica transmiss\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 a da Mente para a Mente.<\/p>\n<p>Quando se verifica semelhante fa\u00edsca de pensamento em sua mente e o reconhecem como um sonho ou uma ilus\u00e3o, ent\u00e3o podem entrar no estado alcan\u00e7ado pelos \u00a0\u00a0Budas do passado (n\u00e3o \u00e9 que os Budas do passado existam realmente nem que os Budas do futuro\u00a0 n\u00e3o tenham vindo ainda \u00e0 exist\u00eancia). Sobretudo, n\u00e3o tenham desejos de se converterem em um Buda; sua \u00fanica motiva\u00e7\u00e3o deve consistir, logo que um pensamento segue a outro pensamento, em evitar a se apegar a algum deles. E n\u00e3o devem abrigar a mais leve ambi\u00e7\u00e3o de ser um Buda aqui e agora.\u00a0 Ainda que surgisse um Buda diante de voc\u00eas, n\u00e3o pensam nele como se fosse iluminado ou estivesse \u201calucinado\u201d, como se fosse \u201cbom\u201d ou \u201cmau\u201d. Apressem-se a se livrarem do desejo de se apegarem a ele; isso os separar\u00e1 dele em um abrir e fechar de olhos. N\u00e3o o agarrem de forma alguma. N\u00e3o tentem det\u00ea-lo, pois nem milhares de fechaduras poderiam encerr\u00e1-lo, nem poderia ser atado com 10.000m de corda. Assim sendo, esforcem-se em afast\u00e1-lo e aniquil\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Agora esclarecerei com luz meridiana como dever\u00e3o proceder para manterem-se livres desse Buda. Considerem a luz do Sol! Talvez digam que est\u00e1 pr\u00f3xima, no entanto, se a seguirem de mundo em mundo, nunca a colhereis em suas m\u00e3os. Ent\u00e3o talvez a qualifiquem de long\u00ednqua; por\u00e9m eis aqui que a estar\u00e3o vendo diante de seus olhos. Sigam-na, e eis que se escapa de voc\u00eas; afastem-se e lhes alcan\u00e7ar\u00e1 em qualquer lugar. N\u00e3o podem possu\u00ed-la nem terminar com ela. Desse exemplo podem deduzir o que acontece o que sucede com a verdadeira natureza de todas as coisas e, de hoje para diante, n\u00e3o ter\u00e3o necessidade de afligirem-se nem de se preocuparem com tais coisas.<\/p>\n<p>Muito bem, precavenham-se de ir dizendo que minhas recomenda\u00e7\u00f5es de suprimir o Buda \u00e9 profana, ou que a compara\u00e7\u00e3o do Buda com o Sol foi piedosa, como se eu tivesse oscilado de um ao outro extremo. Os adeptos de outra escola ficar\u00e3o ent\u00e3o de acordo com voc\u00eas; por\u00e9m a Escola do Zen n\u00e3o admitir\u00e1 nem a profana\u00e7\u00e3o no primeiro caso nem a piedade no segundo. Nem consideraremos o primeiro caso como de acordo com os ensinamentos do Buda e o segundo como o que pode esperar-se de ignorantes seres sencientes <sup>92<\/sup>.<\/p>\n<p><b>Assim, pois todo o universo vis\u00edvel \u00e9 o Buda, e igualmente o s\u00e3o todos os sons; unam todos a um \u00fanico princ\u00edpio e todos os demais ser\u00e3o id\u00eanticos.<\/b> <b>Ao ver algo, v\u00ea-se tudo. Quando se percebe uma mente individual, se percebe todas as Mentes. Logre um vislumbre de um caminho e todos os caminhos estar\u00e3o compreendidos em sua vis\u00e3o, pois n\u00e3o h\u00e1 em nenhuma parte coisa alguma que se encontre privada do Caminho<\/b>. Quando seu olhar cai em um gr\u00e3o de poeira, o que v\u00eas \u00e9 id\u00eantico a todos os vastos sistemas\u00a0 de mundos, a todos os rios, e a todas as montanhas. Contemplar uma gota d\u2019\u00e1gua \u00e9 contemplar a natureza de todas as \u00e1guas do Universo. Al\u00e9m disso, ao contemplar assim a totalidade dos fen\u00f4menos, se contempla a totalidade da Mente. Todos os fen\u00f4menos s\u00e3o intrinsecamente vacuidade e, no entanto, esta Mente com a qual se identificam n\u00e3o \u00e9 meramente o \u201cnada\u201d. Com isso quero dizer que existe; por\u00e9m de um modo que \u00e9 muito maravilhoso para que n\u00f3s o compreendamos. \u00c9 uma exist\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 exist\u00eancia; uma n\u00e3o-exist\u00eancia que n\u00e3o obstante \u00e9 exist\u00eancia. Assim \u00e9 que este verdadeiro vazio, de certo modo maravilhoso, \u201cexiste\u201d<sup>93<\/sup>.<\/p>\n<p>Segundo o que foi dito, nos \u00e9 dado abarcar toda a vastid\u00e3o dos universos, ainda que sejam t\u00e3o inumer\u00e1veis como os gr\u00e3os de areia, com nossa Mente \u00danica. Ent\u00e3o, por que falar de \u201cinterior\u201d e \u201cexterior\u201d? Tendo o mel a invari\u00e1vel caracter\u00edstica da do\u00e7ura, segue-se que todo o mel \u00e9 doce. Falar de mel como doce e do mel como amargo seria um disparate. Como poderia ser tal coisa? Da\u00ed dizermos que o Vazio n\u00e3o tem interior nem exterior. O \u00fanico que existe \u00e9 o espontaneamente criado <i>Bhutatathata<\/i> (Absoluto). E pela mesma raz\u00e3o dizemos que n\u00e3o tem centro. O \u00fanico que existe \u00e9 o espontaneamente existente <i>Bhutatathata.<\/i><\/p>\n<p>Assim, pois os seres sencientes s\u00e3o o Buda. O Buda \u00e9 uno com eles. Ambos s\u00e3o constitu\u00eddos inteiramente pela mesma \u201csubst\u00e2ncia\u201d. O universo fenomenal e o nirvana, a atividade e a im\u00f3vel placidez; todos s\u00e3o de uma e mesma \u201csubst\u00e2ncia\u201d. Igualmente acontece com os mundos e com o estado que transcende os mundos. Assim \u00e9; com os seres que passam pelos seis reinos da exist\u00eancia; os que experimentaram os quatro g\u00eaneros de nascimentos; todos os sistemas mundiais com suas montanhas e seus rios, a natureza de <i>Bodhi<\/i> e a da ilus\u00e3o: todos eles s\u00e3o o mesmo. Ao dizer que todos est\u00e3o constitu\u00eddos pela mesma subst\u00e2ncia queremos dar a entender que seu nome e forma, sua exist\u00eancia e sua n\u00e3o exist\u00eancia s\u00e3o vazios. Os grandes sistemas de mundos, inumer\u00e1veis como as areias do Ganges, est\u00e3o na realidade inseridos no vazio ilimitado \u00fanico. Ent\u00e3o, onde podem estar os Budas salvadores ou os seres sencientes a salvar? Quando a verdadeira natureza de todas as coisas que \u201cexistem\u201d, \u00e9 um <i>\u201cTathata\u201d<\/i> <i>(\u00e9 o que \u00e9)<\/i> id\u00eantico, como v\u00e3o ter realidade alguma tais distin\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Se supuserem que os fen\u00f4menos se produzem por si mesmos, cair\u00e3o na heresia de que as coisas t\u00eam uma exist\u00eancia pr\u00f3pria e independente. Se, por outro lado, aceitam os ensinamentos de <i>\u201canatma\u201d, (sem eu)<\/i> este conceito os levar\u00e1 a formar parte dos <i>\u201cTheravadas\u201d <sup>94<\/sup>.<\/i><\/p>\n<p>Voc\u00eas tentam medir todo o vazio metro a metro, cent\u00edmetro a cent\u00edmetro, e eu lhes repito que todos os fen\u00f4menos carecem de distin\u00e7\u00f5es de forma. Intrinsecamente pertencem ao estado de perfeita tranq\u00fcilidade que se estende al\u00e9m da esfera das atividades produtoras das formas, de maneira que todas elas coexistem com o espa\u00e7o e est\u00e3o unidas com a realidade. Como n\u00e3o existem corpos que possuem forma verdadeira, falamos dos fen\u00f4menos como falar\u00edamos do vazio; e, como a Mente carece de forma, falamos da natureza de todas as coisas como falar\u00edamos do vazio. Ambos carecem de forma e ambos se denominam vazio. Al\u00e9m disso, nenhum dos numerosos ensinamentos tem exist\u00eancia fora de sua Mente Original. Todo esse perorar sobre <i>Bodhi,<\/i> do <i>Nirvana,<\/i> do Absoluto, da Natureza <i>B\u00fadica<\/i>, do <i>Mahayana,<\/i> do <i>Theravada<\/i> e dos <i>Bodhisatvas<\/i> e dos demais \u00e9 algo semelhante a tomar as folhas de outono por ouro. Usando o s\u00edmbolo do punho fechado, quando se abre, todos os seres (tanto deuses como humanos) se dar\u00e3o conta que n\u00e3o h\u00e1 absolutamente nada dentro. Portanto, est\u00e1 escrito:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<strong><i>Nunca jamais existiu coisa al<strong><i>Onde poder\u00e1, ent\u00e3o o p\u00f3 se acumular? <sup>95<\/sup><\/i><\/strong><\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Se <i>\u201cn\u00e3o existiu jamais coisa alguma\u201d,<\/i> o passado, o presente e o futuro n\u00e3o t\u00eam nenhum significado. Por esta raz\u00e3o aqueles que buscam o Caminho devem penetrar nele subitamente, como uma facada. A completa compreens\u00e3o desse fato deve acontecer previamente. Ent\u00e3o, embora <i>Bodhidharma<\/i> tenha atravessado muitos pa\u00edses em seu caminho da \u00cdndia \u00e0 China, encontrou somente um homem, o Vener\u00e1vel Ko, a quem pode transmitir em sil\u00eancio o sacramento da Mente, o S\u00ealo de sua Mente verdadeira. Os fen\u00f4menos o\u00a0Selo\u00a0da Mente, do mesmo modo que esta \u00e9 o S\u00ealo dos Fen\u00f4menos. Seja o que for a Mente, igualmente s\u00e3o os fen\u00f4menos: ambos s\u00e3o igualmente verdadeiros e participam igualmente da Natureza do <i>Dharma,<\/i> que pende no vazio. Quem quer que recebeu a intui\u00e7\u00e3o desta Verdade, se converteu em Buda e alcan\u00e7ou o <i>Dharma<\/i>. N\u00e3o posso fazer por menos sen\u00e3o repetir que a Ilumina\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode agarrar-se, (alcan\u00e7ar, perceber, etc.) uma vez que o seu \u201ccorpo\u201d n\u00e3o tem forma pr\u00f3pria; nem tampouco mentalmente, pois a mente carece de forma; nem por sua natureza essencial, posto que tal natureza \u00e9 a Fonte Original de onde \u2018procedem\u2019 todas as coisas, a Natureza verdadeira de tudo quanto existe, a Realidade permanente, o Buda mesmo. Como \u00e9 poss\u00edvel usar o Buda para apoderar-se do Buda?, usar a car\u00eancia de forma para apoderar-se da car\u00eancia de forma, sujeitar a mente valendo-se da mente, o vazio por meio do vazio, valer-se do Caminho para apoderar-se do Caminho? Na realidade n\u00e3o h\u00e1 nada para agarrar (perceber, alcan\u00e7ar, conceber e etc.); nem sequer o n\u00e3o agarrar se pode agarrar. Assim \u00e9 que se diz: \u201cNada existe para alcan\u00e7ar\u201d. N\u00f3s ensinamos simplesmente como compreender a Mente Original.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Al\u00e9m disso, quando chega o momento da compreens\u00e3o n\u00e3o pensem em termos de compreender, de n\u00e3o-compreender ou de nem compreender nem n\u00e3o-compreender, pois nenhum destes \u00e9 algo que possa compreender-se. Este <i>Dharma<\/i> do <i>Tathata<\/i>, quando \u201cse compreende\u201d, \u201cse compreende\u201d, por\u00e9m quem o \u201ccompreende\u201d n\u00e3o tem mais consci\u00eancia de hav\u00ea-lo compreendido, e que o ignorante dele \u00e9 consciente de sua incompreens\u00e3o. Este <i>Dharma<\/i> do <i>Tathata<\/i>, agora s\u00e3o t\u00e3o poucos os que chegaram a compreend\u00ea-lo, que est\u00e1 escrito: \u201cQu\u00e3o poucos s\u00e3o os que, vivendo neste mundo, n\u00e3o perdem a no\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio ser!\u201d enquanto aqueles que procuram compreend\u00ea-lo mediante a aplica\u00e7\u00e3o de algum princ\u00edpio especial ou mediante a cria\u00e7\u00e3o de um ambiente particular, ou seguindo as Sagradas Escrituras, ou a uma doutrina, ou pela idade, ou com o tempo, ou mediante um nome ou palavra, ou por meio dos seis sentidos, em que se diferenciam de um boneco de madeira? Por\u00e9m se impensadamente aparecesse um homem que n\u00e3o formasse conceito algum baseado em um nome ou em uma forma, posso assegurar que um tal homem poderia buscar-se, mundo ap\u00f3s mundo, sempre em v\u00e3o. A singularidade de sua exist\u00eancia lhe asseguraria a sucess\u00e3o do patriarcado e conseguiria para ele a denomina\u00e7\u00e3o de Filho Espiritual Verdadeiro de Sakyamuni: os agregados constituintes de seu ser haveriam se desvanecido e ele seria o \u00danico Eleito. Por isso est\u00e1 escrito: \u201cQuando o rei alcan\u00e7a o estado b\u00fadico, os pr\u00edncipes abandonam seu lugar para fazerem-se monges\u201d. \u00c9\u00a0 dif\u00edcil de interpretar essa senten\u00e7a. Seu objetivo \u00e9 ensinar-nos a abster-nos de buscar o estado b\u00fadico, posto que toda busca est\u00e1 destinada ao fracasso. Um orador gritando em cima de uma montanha, ao ouvir o eco de sua voz, talvez v\u00e1 buscar sua origem no fundo do vale. Por\u00e9m eis aqui que sua busca ser\u00e1 em v\u00e3o. Quando se encontrar no vale, o mesmo eco atrair\u00e1 sua busca ao cume. Assim, podem passar milhares de renascimentos ou dez mil eras empenhado em encontrar a origem de tais sons. Inutilmente afrontar\u00e1 as turbulentas \u00e1guas da vida e da morte. Melhor seria n\u00e3o produzir som nenhum; pois ent\u00e3o n\u00e3o haveria eco: assim acontece aos moradores do <i>Nirvana:<\/i> n\u00e3o escutam; n\u00e3o conhecem; n\u00e3o produzem sons; n\u00e3o deixam marcas nem rastro: fa\u00e7am voc\u00eas o mesmo e apenas assim estar\u00e3o longe de serem vizinhos dos Bodhidharma.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Notas:<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">87. Absoluto<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">88. Como estamos compostos, na verdade, completamente pela Mente atemporal, a ideia de uma alma individual permanente e a de sua extin\u00e7\u00e3o total s\u00e3o igualmente falsas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">89. Na \u00e9poca de Huang Po\u00a0havia\u00a0uma seita chamada Wei Shih Tsung que sustentava que, embora nada existisse fora da\u00a0consci\u00eancia, esta \u00faltima \u00e9 em certo sentido uma subst\u00e2ncia e, por tanto &#8220;real&#8221;. Todavia existe.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">90. O corpo do Absoluto.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">91. Estas opini\u00f5es, que se dizem refutadas por Buda parecem ser similares \u00e0 nova teoria cient\u00edfica de que a mat\u00e9ria do Universo \u00e9\u00a0mat\u00e9ria\u00a0mental. Essa teoria tem certa semelhan\u00e7a superficial com a doutrina de Huang Po: por\u00e9m embora seja sem d\u00favida um avan\u00e7o sobre a\u00a0concep\u00e7\u00e3o\u00a0materialista do s\u00e9culo passado, se\u00a0det\u00eam\u00a0muito antes da verdade tal como entende o zen.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">92. Essa passagem toda \u00e9 uma\u00a0advert\u00eancia\u00a0contra um dos mais\u00a0dif\u00edceis\u00a0tipos de dualismo que deve ser evitado: o dualismo contido ao conceber o Buda ou <em>Nirvana<\/em> como separados de s\u00ed mesmos e do <em>samsara<\/em>. \u00a0A tentativa de apagar o Buda n\u00e3o \u00e9 mais impia que a tentativa de matar uma imagem de pedra, uma vez que ambos s\u00e3o\u00a0impenetr\u00e1veis\u00a0a esse\u00a0des\u00edgnio.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">93. Esta passagem manifesta a perfeita identidade da calma sem igual do Nirvana com o inquieto fluir do universo fenomenal.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">94. <em>Anatma<\/em> quer dizer: nenhum ente que se chame ego existe verdadeiramente a n\u00e3o ser a Mente \u00danica, que compreende todas as coisas e lhes d\u00e1 sua \u00fanica verdadeira realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0ENSINAMENTOS ZEN DE HUANG PO<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em id=\"__mceDel\"> Compila\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o: John Blofeld<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Fl\u00e1vio Capllonch Cardoso, revis\u00e3o: M\u00e1rcia Pimenta Velloso<\/p>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1. 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