{"id":5300,"date":"2018-06-16T17:54:42","date_gmt":"2018-06-16T19:54:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5300"},"modified":"2018-06-17T09:45:47","modified_gmt":"2018-06-17T11:45:47","slug":"os-tomateiros-rivais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/os-tomateiros-rivais\/","title":{"rendered":"Os tomateiros rivais"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/os-tomateiros-rivais\/tomateiros-rivais\/\" rel=\"attachment wp-att-5303\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Tomateiros-rivais-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5303\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Tomateiros-rivais-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Tomateiros-rivais-400x300.jpg 400w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Tomateiros-rivais.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<b>Os tomateiros rivais<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><em><strong>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>, extra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/nada-especial\/\">Nada Especial<\/a>&#8220;<em><strong><\/strong><\/em><\/strong><\/em><\/div>\n<hr \/>\n<p>H\u00e1 alguns instantes recebi um telefonema de uma amiga da costa leste que est\u00e1 morrendo. Ela disse que talvez tenha mais tr\u00eas ou quatro dias de vida e que estava telefonando para dizer adeus. Depois dessa liga\u00e7\u00e3o, lembrei-me da preciosidade desta j\u00f3ia que chamamos vida &#8211; e de qu\u00e3o pouco sabemos a seu respeito ou a apreciamos. Mesmo que saibamos um pouco, como \u00e9 pouco o quanto cuidamos dela!<\/p>\n<p>Algumas pessoas, em especial as que pertencem a comunidades espirituais, podem imaginar que a j\u00f3ia da vida nunca tem conflitos, discuss\u00f5es ou transtornos &#8211; que \u00e9 s\u00f3 calma e paz. Esse \u00e9 um grande engano porque se n\u00e3o entendemos como o conflito \u00e9 gerado, podemos fazer com que a nossa vida entre em rota de colis\u00e3o com a vida dos outros. Primeiro, precisamos ver que todos sentimos medo. Nosso medo b\u00e1sico \u00e9 o de morrer, e este est\u00e1 na base de todos os outros. Nosso medo de sermos pessoalmente aniquilados leva-nos a condutas in\u00fateis, entre as quais o esfor\u00e7o de proteger nossa auto-imagem, o ego. Dessa necessidade de prote\u00e7\u00e3o vem a raiva. Da raiva nasce o conflito. E o conflito destr\u00f3i nossos relacionamentos com os outros.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou querendo dizer que uma boa vida n\u00e3o tenha acaloradas discuss\u00f5es, desacordos; isso \u00e9 bobagem. Quando eu era menina conheci muito bem dois senhores e suas fam\u00edlias. Estas eram amigas e era comum sairmos juntos para passeios de fim de semana. Esses dois homens competiam em todas as oportunidades, mas mais especialmente na temporada do tomate. Apresentavam suas safras na feira local. Suas discuss\u00f5es a respeito de seus tomates eram cl\u00e1ssicas: iam erguendo a voz at\u00e9 as paredes come\u00e7arem a tremer. E, na realidade, os dois ganhavam o pr\u00eamio de &#8220;O Melhor Tomate da Feira&#8221;. Era uma del\u00edcia v\u00ea-los porque os dois sabiam que aquele bate-boca era s\u00f3 para brincar. O teste de um bom conflito, de uma boa troca de opini\u00f5es, \u00e9 que quando o conflito termina n\u00e3o resta frieza ou amargor, nenhum apego \u00e0 id\u00e9ia do &#8220;eu ganhei, voc\u00ea n\u00e3o&#8221;. Tudo bem discutir, mas apenas se for por divers\u00e3o. Se temos uma discuss\u00e3o com algu\u00e9m que nos \u00e9 pr\u00f3ximo, mas, depois de tudo supostamente perdoado e esquecido, continuamos frios e distantes, ent\u00e3o est\u00e1 na hora de olharmos mais de perto essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um verso do T\u00e3o Te Ching afirma: &#8220;O melhor atleta quer que seu advers\u00e1rio esteja em sua melhor forma. O melhor general entra na mente de seu inimigo. O melhor negociante serve ao bem comunit\u00e1rio. O melhor l\u00edder segue a vontade do povo&#8221;<sup>1<\/sup>. Todas essas pessoas entendem o que \u00e9 a competi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 que evitem competi\u00e7\u00f5es, mas competem com esp\u00edrito esportivo. Nesse sentido s\u00e3o como as crian\u00e7as, em harmonia com o T\u00e3o. Se nossas discuss\u00f5es se d\u00e3o nesse sentido, tudo bem. Mas quantas vezes isso acontece?<\/p>\n<p>Suzuki Roshi foi interpelado certa vez se a raiva poderia ser como um vento puro que varre e deixa tudo limpo. Ele disse: &#8220;Sim, mas n\u00e3o creio que voc\u00ea precise se preocupar com isso&#8221;. Ele disse que nunca tinha sentido uma raiva que fosse como o vento puro. E a nossa raiva com certeza n\u00e3o \u00e9 pura tamb\u00e9m porque existe medo por tr\u00e1s dela. Enquanto n\u00e3o entrarmos em contato com o nosso medo e o vivenciarmos por inteiro, nossa raiva ser\u00e1 capaz de causar danos.<\/p>\n<p>Um bom exemplo est\u00e1 em nosso esfor\u00e7o para sermos honestos. A honestidade \u00e9 a base absoluta de nossa pr\u00e1tica. Mas o que isso quer dizer? Vamos supor que dizemos para algu\u00e9m: &#8220;Quero ser honesto com voc\u00ea. Quero lhe contar como vejo o nosso relacionamento&#8221;. O que dissermos pode ser proveitoso. Por\u00e9m, muitas vezes nossos esfor\u00e7os de honestidade n\u00e3o v\u00eam da verdadeira honestidade, mas de um esp\u00edrito de brincar, de incluir o outro &#8211; mesmo que possamos fingi-lo. Enquanto tivermos a menor inten\u00e7\u00e3o que seja de ter raz\u00e3o, de mostrar ou ensinar algo para o outro, precisamos nos acautelar. Enquanto nossas palavras tiverem a menor liga\u00e7\u00e3o que seja com o ego, ser\u00e3o desonestas. As palavras verdadeiras v\u00eam quando entendemos o que \u00e9 saber que estamos com raiva, saber que estamos com medo, e esperar. Dizem as antigas palavras: &#8220;Voc\u00ea tem a paci\u00eancia de esperar at\u00e9 que sua mente aquiete e a \u00e1gua fique clara? Voc\u00ea consegue se manter im\u00f3vel at\u00e9 que a a\u00e7\u00e3o correta apare\u00e7a por si?&#8221;. Esse \u00e9 um modo maravilhoso de apontar o &#8220;x&#8221; da quest\u00e3o: ser\u00e1 que conseguimos ficar em sil\u00eancio por um momento at\u00e9 que as palavras justas apare\u00e7am por si &#8211; palavras honestas, que n\u00e3o magoam os outros? Essas palavras podem ser muito francas. Podem comunicar exatamente o que queremos dizer. Podem inclusive ser as mesmas palavras que ter\u00edamos falado a partir de nosso ego, mas haver\u00e1 uma diferen\u00e7a. Viver desse jeito n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Ningu\u00e9m consegue faz\u00ea-lo o tempo todo. Nossa primeira rea\u00e7\u00e3o vem da autopreserva\u00e7\u00e3o e do medo, e ent\u00e3o a raiva salta bem no meio da cena. Nossos sentimentos foram feridos, estamos com medo, ficamos com raiva.<\/p>\n<p>Se tivermos paci\u00eancia de esperar at\u00e9 que a lama (nossa mente) decante e a \u00e1gua fique l\u00edmpida, se permanecermos im\u00f3veis at\u00e9 que a a\u00e7\u00e3o correta surja por si, as palavras certas aparecer\u00e3o, sem que precisemos pensar nelas. N\u00e3o precisaremos justificar aquilo que estamos dizendo usando m\u00faltiplas raz\u00f5es; n\u00e3o teremos quaisquer raz\u00f5es. As palavras certas se far\u00e3o dizer se tivermos nos aquietado. N\u00e3o conseguimos isso sem uma pr\u00e1tica sincera. Pode n\u00e3o ser uma pr\u00e1tica formal; \u00e0s vezes, apenas respiramos fundo, esperamos um minuto, sentimos como v\u00e3o as coisas bem no meio de nossa barriga e ent\u00e3o \u00e9 que falamos. Por outro lado, se estamos tendo um grande conflito com uma pessoa, talvez precisemos de mais tempo. Pode ser melhor \u00e0s vezes n\u00e3o dizer nada durante um m\u00eas.<br \/>\nMeus velhos amigos que discutiam por causa dos tomates n\u00e3o tinham nenhuma inten\u00e7\u00e3o de causar dano. Apesar de todo o barulho, n\u00e3o havia realmente a participa\u00e7\u00e3o de seus egos. J\u00e1 vinham jogando aquele jogo havia anos. Muitas vezes ou\u00e7o dos alunos hist\u00f3rias a respeito de seus amigos, do que deu errado, e do que querem fazer para &#8220;acertar&#8221; a situa\u00e7\u00e3o. &#8220;Meu amigo fez uma coisa ruim. Meu amigo n\u00e3o me ajudou. Vou mostrar para ele como \u00e9 que estou me sentindo.&#8221; Acerca de tais situa\u00e7\u00f5es Jesus disse: &#8220;Que atire a primeira pedra aquele que n\u00e3o tiver pecado&#8221;. Todos temos falhas. Eu tenho falhas; voc\u00ea tamb\u00e9m. Todos temos falhas. Contudo, o nosso ego nos diz que s\u00f3 o outro est\u00e1 errado. Grande parte daquilo que chamamos de comunica\u00e7\u00e3o com os outros durante nossos conflitos acaba sendo, no fundo, dizer-lhes como s\u00e3o falhos. Ent\u00e3o eles, muito natural mente, querem nos dizer como n\u00f3s temos falhas. E assim vai, de l\u00e1 para c\u00e1, de c\u00e1 para l\u00e1. Nada de \u00fatil est\u00e1 sendo comunicado. As pessoas que est\u00e3o falando s\u00e3o como dois navios que passam um pelo outro \u00e0 noite. As pessoas se negam a esperar at\u00e9 que a lama assente, por\u00e9m. Temos medo de que os outros se aproveitem de n\u00f3s. Mas ser\u00e1 que isso pode mesmo acontecer?<\/p>\n<p>ALUNO: N\u00e3o podem se aproveitar de n\u00f3s, mas com certeza nos sentimos assim uma grande parte do tempo.<\/p>\n<p>JOKO: Sim, \u00e9 comum sentirmos que est\u00e3o se aproveitando de n\u00f3s. Vamos supor uma pessoa que nos deve dinheiro e n\u00e3o paga. Ou que algu\u00e9m deixa de cumprir uma promessa que nos fez. Ou que algu\u00e9m fala de n\u00f3s pelas costas. E por a\u00ed vai; todos n\u00f3s fazemos essas coisas. Ser\u00e1 que essas condutas s\u00e3o suficientes para se abandonar um amigo, um marido ou mulher, um filho, ou pai ou m\u00e3e? Ter\u00edamos n\u00f3s a paci\u00eancia de esperar at\u00e9 que nossa lama assentasse e a \u00e1gua estivesse clara? Conseguir\u00edamos manter-nos im\u00f3veis at\u00e9 que a a\u00e7\u00e3o adequada aparecesse por si? \u00c0s vezes, ficamos com raiva de n\u00f3s. Quando isso acontece, costumamos empregar palavras falsas e que brotam de nossa propens\u00e3o a nos sentirmos magoados ou prejudicados. Em vez de dirigir a algu\u00e9m a nossa ira, n\u00f3s a reencaminhamos para n\u00f3s mesmos. Mas s\u00f3 segundo o Tao &#8211; o vazio, o sil\u00eancio &#8211; \u00e9 que as palavras justas e a a\u00e7\u00e3o justa podem aparecer. As palavras e condutas justas s\u00e3o o Tao.<\/p>\n<p>Quando leciono, tenho menos interesse nos conflitos que os alunos vivem e mais no car\u00e1ter de suas palavras e de onde elas procedem. No caso das pessoas que t\u00eam praticado por algum tempo, as palavras podem parecer melhores, mas ainda v\u00eam do lugar errado. &#8220;Eu sei que \u00e9 tudo eu. Eu sei que n\u00e3o tem nada que ver com voc\u00ea. N\u00e3o pretendo ser ranzinza nem intrometido, mas&#8230;&#8221; O julgamento ainda est\u00e1 presente, apenas disfar\u00e7ado. Poderiam ter apenas dito: &#8220;Mas que droga! Por que \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o pega e arruma suas roupas?&#8221;. Embora seja bom que as roupas estejam arrumadas, n\u00e3o \u00e9 desse jeito que se faz isso acontecer. Conseguir\u00edamos nos manter im\u00f3veis, de boca fechada, at\u00e9 que a a\u00e7\u00e3o e as palavras justas aparecessem por si? A maior parte do tempo n\u00e3o h\u00e1 perigo em n\u00e3o se fazer nada. Quase tudo o que fazemos n\u00e3o faz muita diferen\u00e7a, de qualquer maneira, n\u00f3s apenas achamos que faz.<\/p>\n<p>Somos pessoas zangadas porque estamos todos assustados, Felizmente, temos em geral a oportunidade de praticar com a raiva, com as pessoas que s\u00e3o dif\u00edceis para n\u00f3s. Podemos tentar lidar com elas eliminando-as de nossas vidas. Por que fazemos isto?<\/p>\n<p>ALUNO: Para facilitar a nossa vida.<\/p>\n<p>ALUNO: Porque pensamos que elas s\u00e3o a causa do nosso problema. <\/p>\n<p>ALUNO: Porque elas n\u00e3o fazem o que queremos que fa\u00e7am.<\/p>\n<p>ALUNO: Porque talvez elas nos mostrem algo a nosso respeito que n\u00e3o queremos enxergar.<\/p>\n<p>ALUNO: Para evitarmos a nossa pr\u00f3pria culpa. <\/p>\n<p>ALUNO: Poder\u00edamos estar querendo pun\u00ed-las.<\/p>\n<p>ALUNO: Talvez na \u00faltima vez em que estivemos juntos tenha sido t\u00e3o confuso e doloroso que n\u00e3o queremos nos aproximar outra vez.<\/p>\n<p>JOKO: Precisamos estar dispostos a descansar na confus\u00e3o e no inc\u00f4modo, deixando a lama assentar at\u00e9 conseguirmos ver com mais nitidez. Com essa esp\u00e9cie de pr\u00e1tica, podemos descobrir a j\u00f3ia preciosa de nossa vida; haver\u00e1 ent\u00e3o uma aus\u00eancia de alterca\u00e7\u00f5es. Ainda poderemos ter discuss\u00f5es, como os tomateiros rivais &#8211; mas por esp\u00edrito esportivo. Quando estudamos a raiva a fundo, ela desaparece. Como disse Dogen Zenji, estudar o budismo \u00e9 estudar o eu, e estudar o eu \u00e9 esquecer o eu. Quando nossa raiva se dissipa num nada, n\u00e3o h\u00e1 problema. A a\u00e7\u00e3o correta aparece por si. Em retiros intensivos, esse processo \u00e9 acelerado. O eu autocentrado torna-se mais transparente, mais n\u00edtido, e assim podemos nos assentar bem no meio dele. Conforme a lama decanta e a \u00e1gua fica l\u00edmpida novamente, podemos enxergar a j\u00f3ia &#8211; quase como se estiv\u00e9ssemos em \u00e1guas tropicais e consegu\u00edssemos olhar bem no fundo e ver as plantas e os peixes coloridos. Ent\u00e3o podemos falar as palavras verdadeiras, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s autocentradas, que sempre criam desarmonia.<\/p>\n<p>ALUNO: Joko, o que voc\u00ea diz para algu\u00e9m que est\u00e1 morrendo?<\/p>\n<p>JOKO: N\u00e3o muito, ou &#8220;eu amo voc\u00ea&#8221;. Mesmo quando estamos morrendo ainda queremos fazer parte da experi\u00eancia humana.<\/p>\n<p>ALUNO: Algumas vezes, quando tenho um conflito, se consigo sair e dizer algo da melhor maneira poss\u00edvel, mesmo quando n\u00e3o sai perfeito, aprendo muita coisa a meu respeito que n\u00e3o queria saber e isso \u00e9 muito valioso. Ent\u00e3o posso ser honesto a respeito disso, em vez de esperar.<\/p>\n<p>JOKO: Sim, eu entendo. Quando eu digo para esperar, n\u00e3o estou falando de uma f\u00f3rmula. Estou falando de uma atitude de aprendizagem. \u00c0s vezes \u00e9 \u00fatil dizer algo antes que a lama assente; depende da atitude, do esp\u00edrito das palavras. Mesmo que o esp\u00edrito esteja um pouco torcido, se estamos aprendendo depressa enquanto agimos isso tamb\u00e9m pode ficar bem. Se agirmos de maneira impr\u00f3pria, ent\u00e3o nos desculpamos. Dever\u00edamos estar sempre prontos para nos desculpar. Todos temos coisas de que pedir desculpas.<\/p>\n<p>ALUNO: Eu muitas vezes penso que estou sendo honesto e s\u00f3 mais tarde \u00e9 que percebo que estava enganando a mim mesmo.<\/p>\n<p>JOKO: Sim. O teste de um bom conflito &#8211; em contraste com o conflito que causa dano &#8211; \u00e9 que n\u00e3o restam res\u00edduos depois. Todos se sentem bem mais tarde. Est\u00e1 tudo claro. Acabado. O clima fica agrad\u00e1vel. \u00c9 maravilhoso, mas raro.<\/p>\n<p>ALUNO: Parece que existem algumas coisas, no entanto, que simplesmente n\u00e3o conseguimos consertar.<\/p>\n<p>JOKO: N\u00e3o estou falando de consertar coisas; isso \u00e9 tentar controlar o mundo, dirigir o universo.<\/p>\n<p>ALUNO: \u00c0s vezes permito que as pessoas abusem de mim. Quando fa\u00e7o isso, \u00e9 importante falar e colocar um limite. Quando fa\u00e7o isso costumo obter bons resultados.<\/p>\n<p>JOKO: Tudo bem falar e esclarecer, se o fizermos com as palavras verdadeiras. E se sentimos que abusaram de n\u00f3s, precisamos reconhecer que talvez tenhamos consentido com esse abuso. Quando vemos isso, pode vir a ser desnecess\u00e1rio dizer qualquer coisa. Em vez de tentar educar ou salvar a outra pessoa (o que nunca \u00e9 algo que nos diz respeito), podemos apenas aprender.<\/p>\n<p>Nota:<br \/>\n<sup>1<\/sup> &#8211; T\u00e3o Te Ching: A new English version, with foreword and notes, por Stephen Mitchell, Nova York: Harper &#038; Row, 1988, p. 68.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os tomateiros rivais Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Nada Especial&#8220; H\u00e1 alguns instantes recebi um telefonema de uma amiga da costa leste que est\u00e1 morrendo. 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