{"id":5316,"date":"2018-06-17T11:52:36","date_gmt":"2018-06-17T13:52:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5316"},"modified":"2018-06-17T11:55:11","modified_gmt":"2018-06-17T13:55:11","slug":"experiencias-e-vivencias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/experiencias-e-vivencias\/","title":{"rendered":"Experi\u00eancias e viv\u00eancias"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/experiencias-e-vivencias\/experiencias-e-vivencias-2\/\" rel=\"attachment wp-att-5318\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Experi\u00eancias-e-viv\u00eancias.jpg\" alt=\"\" width=\"259\" height=\"194\" class=\"alignleft size-full wp-image-5318\" \/><\/a><br \/>\n<b>Experi\u00eancias e viv\u00eancias<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><em><strong>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>, extra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/nada-especial\/\">Nada Especial<\/a>&#8220;<em><strong><\/strong><\/em><\/strong><\/em><\/div>\n<hr \/>\n<p>A cada segundo, estamos numa encruzilhada entre a inconsci\u00eancia e a percep\u00e7\u00e3o consciente, entre estar ausente e estar presente, ou entre as experi\u00eancias e o vivenciar. A pr\u00e1tica diz respeito a sair do \u00e2mbito das experi\u00eancias e entrar no das viv\u00eancias. O que queremos dizer com isso?<\/p>\n<p>Nossa tend\u00eancia \u00e9 nos exceder com o termo experi\u00eancia e, quando dizemos &#8220;Fique em sua experi\u00eancia&#8221;, estamos falando de maneira descuidada. Pode n\u00e3o ser proveitoso seguir esse conselho. Em geral vemos nossas vidas como uma s\u00e9rie de experi\u00eancias. Por exemplo, tenho a experi\u00eancia de uma ou outra pessoa, de meu almo\u00e7o ou de meu escrit\u00f3rio. Desse ponto de vista, minha vida nada mais \u00e9 que ter uma experi\u00eancia ap\u00f3s a outra. Envolvendo cada experi\u00eancia pode haver um discreto halo ou v\u00e9u emocional neur\u00f3tico. Em geral, esse v\u00e9u assume a forma de mem\u00f3rias, fantasias, esperan\u00e7as para o futuro &#8211; as associa\u00e7\u00f5es que fazemos com a experi\u00eancia, como resultado de nossos condicionamentos anteriores. Quando fazemos zazen, nossas experi\u00eancias podem ser dominadas por nossas recorda\u00e7\u00f5es, as quais podem ser arrebatadoras.<\/p>\n<p>Algo errado com isso? Os seres humanos realmente t\u00eam recorda\u00e7\u00f5es, fantasias, esperan\u00e7as, isso \u00e9 natural. Quando revestimos essas experi\u00eancias com tais associa\u00e7\u00f5es, no entanto, elas se tornam um objeto: um substantivo em lugar de um verbo. Sendo assim, nossa vida se torna encontrar um objeto depois do outro: pessoas, o almo\u00e7o, o escrit\u00f3rio. As recorda\u00e7\u00f5es e as esperan\u00e7as s\u00e3o algo parecido: a vida se torna uma s\u00e9rie de &#8220;issos&#8221; e &#8220;aquilos&#8221;. Costumamos ver nossa vida como encontros com coisas que existem &#8220;l\u00e1 fora&#8221;. A vida torna-se dualista: sujeitos e objetos, eu e as outras coisas.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada de errado com esse processo &#8211; a menos que acreditemos nele, pois, quando de fato acreditamos que estamos o dia inteiro encontrando objetos, tornamo-nos escravizados. Por qu\u00ea? Porque qualquer objeto &#8220;l\u00e1 fora&#8221; ter\u00e1 um discreto revestimento de tonalidade emocional. E ent\u00e3o reagimos em termos de nossas associa\u00e7\u00f5es emocionais. No ensino zen cl\u00e1ssico, somos escravos da cobi\u00e7a, da raiva e da ignor\u00e2ncia. Ver o mundo exclusivamente por esse prisma \u00e9 escravizados. Quando nosso mundo consiste em objetos, dirigimos nossa vida segundo aquilo que esperamos de cada objeto: &#8220;Ser\u00e1 que ele gosta de mim?&#8221;; &#8220;Isso me beneficia de alguma forma?&#8221;; &#8220;Devo tem\u00ea-la?&#8221;. Nossa hist\u00f3ria e nossas recorda\u00e7\u00f5es assumem o comando, e dividimos o mundo em coisas a serem evitadas e coisas a serem alcan\u00e7adas.<br \/>\nO problema com esse tipo de vida \u00e9 que aquilo que me beneficia agora pode ferir-me depois e vice-versa. O mundo est\u00e1 em constante mudan\u00e7a e por isso nossas associa\u00e7\u00f5es nos desorientam. N\u00e3o h\u00e1 a menor seguran\u00e7a num mundo de objetos. Estamos sempre em estado de alerta e desconfiando at\u00e9 mesmo daquelas pessoas que dizemos amar e de quem nos mantemos pr\u00f3ximos. Enquanto a outra pessoa for um objeto para n\u00f3s, podemos estar certos de que n\u00e3o haver\u00e1 amor ou compaix\u00e3o genu\u00ednos entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>Se ter experi\u00eancias \u00e9 o nosso cotidiano, qual \u00e9 o outro mundo, o outro bra\u00e7o da encruzilhada? Qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre experi\u00eancias e viv\u00eancias? Qual \u00e9 o ouvir, o tocar, o saborear, o ver etc. genu\u00ednos?<\/p>\n<p>Quando ocorre a viv\u00eancia, naquele momento n\u00e3o se d\u00e1 algo num tempo e num espa\u00e7o. N\u00e3o pode ser assim, pois, quando ocorre tempo e espa\u00e7o, foi criado um objeto da experi\u00eancia. Quando tocamos, olhamos e ouvimos, estamos criando o mundo do tempo e do espa\u00e7o, mas a vida em si &#8211; aquela que vivemos &#8211; n\u00e3o est\u00e1 no espa\u00e7o e no tempo, ela \u00e9 s\u00f3 viv\u00eancias. O mundo do tempo e do espa\u00e7o acontece quando o vivenciar se reduz a uma s\u00e9rie de experi\u00eancias. No preciso momento em que se escuta algo, por exemplo, existe s\u00f3 o ouvir, que cria o som do avi\u00e3o, ou do que seja. T\u00e2p, t\u00e2p, t\u00e2p, t\u00e2p&#8230; existe espa\u00e7o entre cada batida e cada uma delas \u00e9 um ouvir absoluto. Essa \u00e9 a nossa vida, e assim criamos o nosso mundo. Estamos criando-o com todos os nossos sentidos e com tanta rapidez que n\u00e3o nos \u00e9 poss\u00edvel acompanhar o processo. O mundo de nossas experi\u00eancias est\u00e1 sendo criado do nada, segundo a segundo.<br \/>\na refer\u00eancia conhecida \u00e9 aquela que nos serve para olhar. Se temos um problema, seguimos trajetos familiares de solu\u00e7\u00e3o: pensar, remoer, analisar; manter a loucura de nossas vidas em ordem porque \u00e9 isso que estamos acostumados a fazer. N\u00e3o tem nenhuma import\u00e2ncia que n\u00e3o d\u00ea certo. <\/p>\n<p>Apenas ficamos ainda mais determinados a continuar procurando embaixo do poste de luz. N\u00e3o estamos interessados naquela vida que est\u00e1 fora do espa\u00e7o e do tempo, constantemente criando o mundo do espa\u00e7o e do tempo. N\u00e3o estamos interessados nisso; ali\u00e1s, isso nos assusta.<\/p>\n<p>O que nos impele a abandonar esse melodrama, a sentar com essa confus\u00e3o em praticar? No fundo, trata-se enfim do inc\u00f4modo com que temos de nos haver na maneira como levamos a nossa vida. Al\u00e9m da vida de experi\u00eancias que se t\u00eam, existe a vida vivenciada, uma vida de compaix\u00e3o e contentamento. Pois a verdadeira compaix\u00e3o como o verdadeiro prazer n\u00e3o s\u00e3o coisas a serem experimentadas. Nosso verdadeiro instrutor \u00e9 apenas este: mudar, mudar, mudar; vivenciar, vivenciar, vivenciar. O mestre n\u00e3o est\u00e1 no espa\u00e7o e no tempo &#8211; e nada mais \u00e9 que espa\u00e7o e tempo. Nossa viv\u00eancia da vida tamb\u00e9m \u00e9 criar a pr\u00f3pria vida. &#8220;Mudan\u00e7a incessante faz girar a roda da vida e assim a realidade \u00e9 exibida em suas muitas formas.<\/p>\n<p>Um poema de W. H. Auden capta a ess\u00eancia de quase tudo que constitui nosso estado habitual:<br \/>\nPreferir\u00edamos nos arruinar a mudar, Preferir\u00edamos morrer em nosso pavor A subir pela cruz do momento<br \/>\nE deixar nossas ilus\u00f5es morrerem.<\/p>\n<p>Preferir\u00edamos antes nos arruinar a mudar* &#8211; mesmo que mudar seja a ess\u00eancia do que n\u00f3s somos. Preferir\u00edamos morrer em nossa ansiedade, em nosso medo, em nossa solid\u00e3o a subir pela cruz do momento e deixar que ali nossas ilus\u00f5es morressem. E a cruz \u00e9 tamb\u00e9m a encruzilhada, a escolha. Estamos aqui para fazer essa escolha.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Nota: * W. H. Auden, extra\u00eddo de &#8220;The Age of Anxiety&#8221;, in Collected Poems, ed. por Edward Mendelson, Nova York: Random House, 1976, p. 407.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Experi\u00eancias e viv\u00eancias Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Nada Especial&#8220; A cada segundo, estamos numa encruzilhada entre a inconsci\u00eancia e a percep\u00e7\u00e3o consciente, entre estar ausente e estar presente, ou entre as experi\u00eancias e o vivenciar. 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