{"id":5326,"date":"2018-06-17T12:16:31","date_gmt":"2018-06-17T14:16:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5326"},"modified":"2018-06-17T12:18:15","modified_gmt":"2018-06-17T14:18:15","slug":"derretendo-os-cubos-de-gelo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/derretendo-os-cubos-de-gelo\/","title":{"rendered":"Derretendo os cubos de gelo"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/derretendo-os-cubos-de-gelo\/derretendo-os-cubos-de-gelo-2\/\" rel=\"attachment wp-att-5328\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Derretendo-os-cubos-de-gelo-300x212.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"212\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5328\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Derretendo-os-cubos-de-gelo-300x212.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Derretendo-os-cubos-de-gelo-768x543.jpg 768w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Derretendo-os-cubos-de-gelo-424x300.jpg 424w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Derretendo-os-cubos-de-gelo.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><b>Derretendo os cubos de gelo<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><em><strong>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>, extra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/nada-especial\/\">Nada Especial<\/a>&#8220;<em><strong><\/strong><\/em><\/strong><\/em><\/div>\n<hr \/>\n<p>E \u00fatil compreender o aspecto t\u00e9cnico da pr\u00e1tica, a base te\u00f3rica do sentar para praticar. Mas os alunos costumam ter avers\u00e3o pelas explica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e querem analogias concretas. \u00c0s vezes, o melhor meio de explicar \u00e9 usando met\u00e1foras simples e at\u00e9 tolas. Assim, gostaria de falar da pr\u00e1tica zen como &#8220;o caminho do cubo de gelo&#8221;.<\/p>\n<p>Vamos imaginar, por um instante, que os seres humanos s\u00e3o grandes cubos de gelo com mais ou menos 60 cm em cada lado, dotados de cabecinhas e p\u00e9s pendurados. Nossa vida humana \u00e9 assim quase que o tempo todo, correndo de um lado para o outro como cubos de gelo, dando poderosas trombadas entre si. \u00c9 freq\u00fcente atingirmo-nos uns aos outros com for\u00e7a suficiente para quebrar nossas arestas. Para nos proteger, congelamos o m\u00e1ximo que nos for poss\u00edvel e esperamos que, quando entrar-mos em colis\u00e3o com os outros, eles quebrem antes de n\u00f3s. Congelamo-nos porque sentimos medo. Nosso medo nos faz ficar r\u00edgidos, fixos e duros e criamos grandes confus\u00f5es quando damos um encontr\u00e3o em algu\u00e9m. Qualquer obst\u00e1culo ou dificuldade inesperada tem a probabilidade de nos despeda\u00e7ar.<\/p>\n<p>Cubos de gelo doem. Cubos de gelo passam grandes ,apuros. Quando somos duros e r\u00edgidos, independentemente do quanto possamos ser cuidadosos, nossa tend\u00eancia \u00e9 escorregar e sair de controle. Temos arestas pontiagudas que causam danos, e ferimos n\u00e3o s\u00f3 os outros como n\u00f3s mesmos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Uma vez que estamos congelados, n\u00e3o temos \u00e1gua para beber e com isso sentimos sede o tempo todo. Nos coquet\u00e9is, costumamos nos suavizar um pouco e bebemos, mas essas bebidas em geral n\u00e3o s\u00e3o de fato satisfat\u00f3rias porque h\u00e1 o nosso medo latejando e mantendo-nos congelados e ressecados. Esse abrandamento \u00e9 s\u00f3 tempor\u00e1rio e superficial; por baixo, ainda sentimos sede e ansiamos por alguma satisfa\u00e7\u00e3o Alguns cubos de gelo mais inteligentes buscam outras ma-neiras de sair de suas vidas miser\u00e1veis. Quando percebem suas arestas agudas e suas dificuldades no trato com os outros, tentam ser agrad\u00e1veis e colaborar. Essa atitude ajuda um pouco; no entanto, um cubo de gelo \u00e9 um cubo de gelo e permanece intacta a exist\u00eancia de arestas pontiagudas.<br \/>\nUns sortudos, no entanto, acabam encontrando um cubo de gelo que realmente tenha derretido e se tornado uma po\u00e7a. O que acontece se um cubo de gelo encontra uma po\u00e7a? A \u00e1gua mais quente da po\u00e7a come\u00e7a a derreter o cubo de gelo. A sede \u00e9 cada vez menos um problema. O cubo de gelo come\u00e7a a perceber que n\u00e3o tem de ser duro, r\u00edgido e frio, que existe outro modo de se estar no mundo. O cubo de gelo aprende como criar seu pr\u00f3prio calor pelo simples processo da observa\u00e7\u00e3o. O fogo da aten\u00e7\u00e3o come\u00e7a a derreter sua dureza. Ao observar de maneira tromba com os outros e fere, ao ver suas pr\u00f3prias arestas pontiagudas, o cubo de gelo come\u00e7a a se dar conta de como foi frio e duro at\u00e9 a\u00ed. Come\u00e7a ent\u00e3o a acontecer algo estranho. Quando os cubos de gelo come\u00e7am a perceber suas pr\u00f3prias atividades, a observar sua &#8220;natureza legada em cubos&#8221;, tornam-se mais suaves e macios e sua compreens\u00e3o aumenta, simplesmente observando o que s\u00e3o.<\/p>\n<p>Os resultados s\u00e3o contagiosos. Vamos supor que dois cubos de gelo tenham se casado. Cada um est\u00e1 protegendo a si mesmo e tentando mudar o outro. Contudo nenhum deles consegue realmente mudar ou &#8220;consertar&#8221; o outro, uma vez que ambos s\u00e3o r\u00edgidos e duros com arestas pontiagudas. Por\u00e9m, se um deles come\u00e7a a derreter, o outro cubo de gelo &#8211; se aproximar-se o m\u00ednimo que seja &#8211; tem tamb\u00e9m de come\u00e7ar a derreter. E tamb\u00e9m ele come\u00e7a a ter um pouco mais de sabedoria e vis\u00e3o. Em vez de considerar o outro cubo de gelo como um problema, ele come\u00e7a a tomar consci\u00eancia de sua pr\u00f3pria natureza gelada. Ambos ent\u00e3o aprendem que a testemunha, a percep\u00e7\u00e3o consciente de sua pr\u00f3pria atividade individual, \u00e9 como o fogo. O fogo n\u00e3o pode ser aumentado com esfor\u00e7os; n\u00e3o nos \u00e9 poss\u00edvel tentar nos derreter. Derreter \u00e9 resultado da testemunha, que, em certo sentido, n\u00e3o \u00e9 absolutamente nada e, em outro, \u00e9 tudo &#8211; &#8220;N\u00e3o eu, mas o Pai em ruim-, como disse Cristo. A percep\u00e7\u00e3o consciente, a testemunha \u00e9 o &#8220;Pai&#8221; &#8211; que \u00e9 a nossa verdadeira natureza. A fim de permitirmos que a testemunha efetue seu trabalho, devemos n\u00e3o nos permitir aprisionar no enrijecimento e no endurecimento de n\u00f3s mesmos, jogando o nosso peso para todo lado, dando trombadas nos outros e tentando modific\u00e1-los. Se fazemos essas coisas, precisamos tomar consci\u00eancia para que a testemunha possa fazer seu trabalho.<\/p>\n<p>Alguns cubos de gelo come\u00e7am a perceber a id\u00e9ia e a fazer o trabalho necess\u00e1rio. Podem inclusive tornar-se um pouco mais macios. A primeira coisa que observo a respeito dos alunos zen que est\u00e3o praticando \u00e9 que sua express\u00e3o de rosto muda. Tornam-se mais suaves. Riem de um jeito diferente. Est\u00e3o um pouco &#8220;macios&#8221;. Entretanto o trabalho \u00e9 dif\u00edcil e alguns cubos de gelo, at\u00e9 mesmo os que come\u00e7am a amolecer, cansam-se do processo. Dizem: &#8220;Eu quero mesmo \u00e9 voltar a ser um cubo de gelo confort\u00e1vel. \u00c9 verdade que \u00e9 uma vida solit\u00e1ria e fria, mas, pelo menos, n\u00e3o sinto tanto inc\u00f4modo. N\u00e3o quero mais simplesmente tomar consci\u00eancia de nada&#8221;. A verdade, no entanto, \u00e9 que depois de a pessoa ter come\u00e7ado a suavizar-se ela n\u00e3o consegue mais endurecer de novo. Voc\u00ea pode dizer que essa at\u00e9 \u00e9 uma das &#8220;leis dos cubos de gelo&#8221; (com as devidas desculpas \u00e0 f\u00edsica). Um cubo de gelo que tenha come\u00e7ado a ficar macio nunca mais consegue esquecer essa maciez. \u00c9 por isso que digo \u00e0s pessoas: &#8220;N\u00e3o entre na pr\u00e1tica enquanto voc\u00ea n\u00e3o estiver pronto para o pr\u00f3ximo est\u00e1gio&#8221;. N\u00e3o h\u00e1 como retroceder. Uma vez iniciado o processo da pr\u00e1tica, t\u00e3o logo tenhamos amolecido um pouco, somos um pouco mais macios e \u00e9 isso que existe. Podemos inclusive pensar que conseguiremos retornar \u00e0 vida que t\u00ednhamos antes e at\u00e9 tentar faz\u00ea-lo, mas n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es de violar o processo, a &#8220;lei b\u00e1sica dos cubos de gelo&#8221;. Depois de termos nos tomado um pouco mais macios, seremos para sempre um pouco mais macios.<\/p>\n<p>Alguns cubos de gelo, por fazerem uma pr\u00e1tica apenas espor\u00e1dica, mudam apenas um pouco ao longo de uma vida toda e se tornam s\u00f3 um pouco mais macios. Aqueles que realmente entendem o caminho e praticam com afinco, por\u00e9m, se tomam de fato po\u00e7as d&#8217;\u00e1gua. O engra\u00e7ado a respeito dessas po\u00e7as \u00e9 que, quando os outros cubos de gelo as atravessam, come\u00e7am a derreter e a tornar-se um pouco mais macios. Mesmo que derretamos s\u00f3 um pouco, os outros \u00e0 nossa volta amolecem tamb\u00e9m. \u00c9 um processo fascinante.<\/p>\n<p>Muitos alunos meus s\u00e3o macios. Na maioria das vezes detestam passar pelo processo. Quando vamos at\u00e9 o fundo dele, no entanto, o trabalho de um cubo de gelo \u00e9 enfim derreter. Enquanto estamos congelados e perfeitamente s\u00f3lidos pensamos que o nosso trabalho \u00e9 sair por a\u00ed batendo nos outros cubos de gelo ou sendo agredidos por eles. Numa vida como essa ningu\u00e9m jamais consegue derreter o outro. Como para choques, batemos e ricocheteamos, afastando os ou00%, e depois vamos adiante. \u00c9 um modo muito solit\u00e1rio e frio de viver. Ali\u00e1s, o que de fato queremos \u00e9 derreter. Queremos ser po\u00e7as. Talvez tudo o que se possa dizer sobre a pr\u00e1tica \u00e9 que estamos aprendendo como derreter. A certos intervalos dizemos: &#8220;Me deixe em paz. Fique longe. &#8220;Quero apenas ser um cubo de gelo&#8221;. Mas assim que come\u00e7amos a derreter um pouco que seja, n\u00e3o conseguimos mais esquecer. Com o tempo, aquilo que \u00e9 em n\u00f3s o cubo de gelo fica destru\u00eddo. Mas, se o cubo de gelo tiver se tornado uma po\u00e7a, ela \u00e9 realmente destru\u00edda? Podemos dizer que n\u00e3o \u00e9 mais um cubo de gelo, mas que sua natureza essencial est\u00e1 realizada.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o de uma vida humana com um cubo de gelo \u00e9 sem d\u00favida tolice. Por\u00e9m, vejo  as pessoas se batendo entre si na esperan\u00e7a de que com tantos ataques alguma coisa seja alcan\u00e7ada. Nunca acontece isso. Algu\u00e9m tem de parar com os ataques e come\u00e7ar a sentar e praticar com sua natureza gelada e c\u00fabica. Precisamos apenas sentar, observar e sentir como \u00e9 ser o que somos &#8211; vivenciando isso de verdade. N\u00e3o podemos fazer muito mais pelos outros cubos de gelo. Ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 nem essa nossa incumb\u00eancia. A \u00fanica coisa que podemos fazer \u00e9 convocar cada vez mais a presen\u00e7a da testemunha. Quando nos tornamos essa testemunha, come\u00e7amos a derreter. Se derretemos, outros cubos de gelo tamb\u00e9m o fazem, pouco a pouco. Assim que tivermos come\u00e7ado a derreter \u00e9 perfeitamente natural resistir ao derretimento e querer retomar o estado congelado, tentando controlar e manipular todas as outras criaturas congeladas que conhecemos. Nunca me preocupo com isso porque, para qualquer pessoa que venha praticando j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, \u00e9 muito o que h\u00e1 para se saber. N\u00e3o podemos tornar-nos r\u00edgidos de novo porque bem no fundo sabemos de uma coisa que antes desconhec\u00edamos. N\u00e3o podemos retroceder.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima vez que falarmos com aspereza, que nos queixarmos, ou tentarmos consertar o outro, ou analis\u00e1-lo, estamos brincando inutilmente de ser cubo de gelo. Esse esfor\u00e7o n\u00e3o d\u00e1 em nada. O que funciona \u00e9 cultivar a aten\u00e7\u00e3o, que sempre est\u00e1 ali, embora n\u00e3o consigamos perceb\u00ea-la se estamos muito ocupados dando pancadas nos outros cubos de gelo. Mesmo que n\u00e3o abramos espa\u00e7o em nossas vidas para a testemunha, ela sempre est\u00e1 presente. \u00c9 quem somos. Apesar de todos tentarmos evit\u00e1-la, n\u00e3o o conseguimos.<\/p>\n<p>Ao nos tornarmos mais macios, descobrimos que ser uma po\u00e7a atrai muitos outros cubos de gelo. \u00c0s vezes at\u00e9 a po\u00e7a preferiria ser um cubo de gelo. Quanto mais po\u00e7a nos tornarmos, maior o trabalho a ser feito. A po\u00e7a atua como um \u00edm\u00e3 para os cubos de gelo que querem derreter. Assim, quanto mais pingamos, mais e mais atra\u00edmos trabalho para fazer &#8211; e \u00e9 isso mesmo.<\/p>\n<p>ALUNO: Gostei da analogia porque quando a po\u00e7a estiver limpa conter\u00e1 o todo em seu reflexo. Voc\u00ea poderia falar mais de como nasce a testemunha?<\/p>\n<p>JOKO: A testemunha sempre est\u00e1 presente. Mas assim como um cubo de gelo n\u00e3o consegue ver nada exceto dar trombadas em outros cubos de gelo, ou evit\u00e1-los, \u00e9 como se essa aten\u00e7\u00e3o da testemunha n\u00e3o pudesse funcionar. \u00c9 preciso que haja uma mudan\u00e7a no cubo de gelo para permitir-lhe tomar consci\u00eancia de sua pr\u00f3pria atividade. Enquanto nossa capacidade de conscientiza\u00e7\u00e3o estiver totalmente voltada para o que os outros cubos de _gelo est\u00e3o fazendo, a testemunha n\u00e3o pode aparecer, mesmo que esteja l\u00e1 o tempo todo. Quando come\u00e7amos a ver &#8211; &#8220;Oh, o problema n\u00e3o \u00e9 com os outros cubos de gelo, acho que preciso olhar para mim mesmo&#8221; -, a testemunha aparece automaticamente. Come\u00e7amos a perceber que o problema n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 fora, mas sempre esteve e estar\u00e1 aqui dentro.<\/p>\n<p>ALUNA: No estado de cubo de gelo, posso alimentar a ilus\u00e3o de que nada pode entrar nem sair, e assim me sinto protegida. Quando o amaciamento come\u00e7a, contudo, ocorre-me que tudo se interpenetra com tudo &#8211; incluindo a polui\u00e7\u00e3o, a guerra, o desamparo e assim por diante. Perceber claramente essa interpenetra\u00e7\u00e3o pode ser assustador e desestimulante. Voc\u00ea poderia falar sobre o medo e os outros estados emocionais que aparecem quando a pessoa est\u00e1 entre ser um cubo de gelo e uma po\u00e7a?<\/p>\n<p>JOKO: \u00c9 verdade, o est\u00e1gio intermedi\u00e1rio at\u00e9 a maciez implica muito medo e resist\u00eancia. De certo modo, ser um cubo de gelo funciona ou parece que funciona. \u00c9 s\u00f3 que o cubo de gelo se sente solit\u00e1rio e sedento. Quando somos macios, somos mais vulner\u00e1veis aos outros. Se n\u00e3o vemos o que est\u00e1 acontecendo, vivenciamos mais medo. Sendo assim, esse estado macio, que \u00e9 o in\u00edcio do derretimento, \u00e9 sempre acompanhado de resist\u00eancia, de medo de que o mundo se abata sobre n\u00f3s. Queremos nos enrijecer de novo porque estamos come\u00e7ando a receber um tipo de solicita\u00e7\u00e3o para o qual n\u00e3o estamos preparados. Essas solicita\u00e7\u00f5es podem n\u00e3o ser bem-vindas. Nossa resist\u00eancia tentar\u00e1 se solidificar. Mesmo assim, a resist\u00eancia n\u00e3o conseguir\u00e1 durar.  <\/p>\n<p>\u00c0s vezes as pessoas me dizem: &#8220;J\u00e1 estou praticando h\u00e1 seis meses e tudo em minha vida ficou pior&#8221;. Antes de praticar tinham a ilus\u00e3o de saber o que eram. Agora, est\u00e3o confusas e isso n\u00e3o \u00e9 agrad\u00e1vel &#8211; e pode ser horr\u00edvel. Mas \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio. A menos que percebamos esse fato, podemos nos sentir totalmente desencorajados. A pr\u00e1tica, \u00e0s vezes, \u00e9 muit\u00edssimo desagrad\u00e1vel. A id\u00e9ia de que tudo s\u00f3 vai melhorar, sem recuos, apenas elevando-se e adiantando-se, \u00e9 equivocada do come\u00e7o ao fim.<\/p>\n<p>ALUNA: Nas primeiras vezes em que sentei para praticar, era como estar morta do pesco\u00e7o para baixo. Sinto-me exatamente como o cubo de gelo que voc\u00ea descreveu: uma cabe\u00e7a em cima, p\u00e9s embaixo e um computador morto e ambulante no meio. A pr\u00e1tica liberou dentro de mim muito do sentimento; por exemplo, j\u00e1 chorei muito e parece que estou derretendo e me tornando uma po\u00e7a.<\/p>\n<p>J0KO: Muito bom. Tenho observado o derretimento na maioria dos meus alunos. Em geral n\u00e3o \u00e9 agrad\u00e1vel, mas de certo modo \u00e9 maravilhoso tamb\u00e9m. Sentimos que estamos nos tornando mais aquilo que somos verdadeiramente. Sempre existe resist\u00eancia tamb\u00e9m. Os dois aspectos andam sempre juntos. As pessoas acham que resist\u00eancia \u00e9 uma coisa terr\u00edvel. A pr\u00f3pria natureza da pr\u00e1tica \u00e9 resistir. N\u00e3o \u00e9 uma coisa extra.<\/p>\n<p>ALUNA: Ser m\u00e3e faz a gente amaciar? Minha id\u00e9ia \u00e9 que as m\u00e3es t\u00eam de se abrir para os seus filhos e isso tenderia a fazer o cubo de gelo derreter.<\/p>\n<p>JOKO: Ser m\u00e3e pode ser um treino excelente. Mas conheci m\u00e3es que eram uns grandes cubos de gelo &#8211; inclusive eu, numa certa \u00e9poca.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Derretendo os cubos de gelo Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Nada Especial&#8220; E \u00fatil compreender o aspecto t\u00e9cnico da pr\u00e1tica, a base te\u00f3rica do sentar para praticar. 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