{"id":5346,"date":"2018-06-28T12:00:48","date_gmt":"2018-06-28T14:00:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5346"},"modified":"2018-07-16T18:37:33","modified_gmt":"2018-07-16T20:37:33","slug":"qual-foi-a-linhagem-do-buda-sakiamuni","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/qual-foi-a-linhagem-do-buda-sakiamuni\/","title":{"rendered":"Qual foi a Linhagem do Buda Sakiamuni?"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=5344\" rel=\"attachment wp-att-5344\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Buda-Sakiamuni-300x203.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"203\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5344\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Buda-Sakiamuni-300x203.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Buda-Sakiamuni-444x300.jpg 444w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Buda-Sakiamuni.jpg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<b>Qual foi a Linhagem do Buda Sakiamuni?<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/lama-padma-samten\/\"><b>Lama Padma Samten<\/b><\/a><br \/>\ntranscrito por Eliane Steingruber<\/div>\n<hr \/>\n<hr \/>\n<hr \/>\n<hr \/>\n<ul type=\"disc\">\n<li><a href=\"#a\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/a>\n\t<\/li>\n<li><a href=\"#b\">O Surgimento da Linhagem Nyingma<\/a>\n\t<\/li>\n<li><a href=\"#c\">O Surgimento das Linhages Sakya e Kagyu<\/a>\n\t<\/li>\n<li><a href=\"#d\">O Surgimento da Linhagem Gelugpa<\/a>\n\t<\/li>\n<li><a href=\"#e\">Qual \u00e9 o Mais Importante: o Caminho ou o Resultado?<\/a>\n\t<\/li>\n<li><a href=\"#f\">O Papel de Dalai Lama<\/a>\n\t<\/li>\n<li><a href=\"#g\">O Ref\u00fagio<\/a>\n\t<\/li>\n<li><a href=\"#h\">Gloss\u00e1rio<\/a>\n<\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<p><a name=\"a\"><\/p>\n<h5>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h5>\n<p><\/a><\/p>\n<p>O tema da linhagem \u00e9 um dos mais discutidos entre os praticantes. Muitas vezes, a import\u00e2ncia da linhagem \u00e9 sobrevalorizada. Sob a condi\u00e7\u00e3o de lama, esse problema n\u00e3o me afeta mais, minha linhagem est\u00e1 definida. No entanto,  eu mesmo j\u00e1 enfrentei essa quest\u00e3o diversas vezes na condi\u00e7\u00e3o de praticante e de professor. O que me pacificava era quando eu me perguntava: &#8220;Qual \u00e9 a linhagem do Buda Sakiamuni ?&#8221;  Nesse momento, descobrimos que ele n\u00e3o tem linhagem. Logo, a no\u00e7\u00e3o de linhagem n\u00e3o surgiu com o Buda, mas com o pr\u00f3prio movimento posterior a ele.<\/p>\n<p>Se o Buda n\u00e3o criou as linhagens, n\u00e3o temos nenhum problema que provenha de sua \u00e9poca. As pessoas ouviram seus ensinamentos, foram propagando e as linhagens foram surgindo. Se nos perguntarmos qual foi a linhagem do Buda Sakiamuni, todos v\u00e3o se considerar pertencentes da mesma linhagem do Buda. Mesmo assim, todos se consideram diferentes uns dos outros. Por que? <\/p>\n<p>Quando come\u00e7amos a observar como as linhagens se formaram, vemos que Buda teve 500 grandes disc\u00edpulos, que atingiram a libera\u00e7\u00e3o e, assim, se tornaram grandes professores do Darma. Esses disc\u00edpulos j\u00e1 davam ensinamentos na \u00e9poca do Buda. Eles viajavam e retornavam diversas vezes. Eles costumavam se reunir todos os anos no per\u00edodo de chuvas, por cerca de tr\u00eas meses. No ZEN (1) ainda existe essa tradi\u00e7\u00e3o, eles chamam de Ang\u00f4 (2), se re\u00fanem e praticam juntos. Eles respondem perguntas, estudam e, depois, vai cada um para o seu lugar, para o mundo ensinar o Darma. No ano seguinte eles voltam, trazendo mais pessoas consigo. <\/p>\n<p>Podemos imaginar que alguns praticantes, chegando em algum lugar, come\u00e7am a criar, fazer girar a Roda do Darma (3). Eles come\u00e7am a resolver os problemas daquele lugar e as linhagens v\u00e3o surgindo. Se eles falassem exatamente o que o Buda falou, eles n\u00e3o conseguiriam ajudar os seres de forma perfeita.<\/p>\n<p>As palavras n\u00e3o t\u00eam o poder de guardar o Darma. O Darma \u00e9 mais sutil do que a express\u00e3o dele e, por esse motivo encontra v\u00e1rias express\u00f5es. Como essas express\u00f5es surgem? Elas surgem como um rem\u00e9dio surge &#8211; com o fim de beneficiar uma doen\u00e7a espec\u00edfica. Existem, portanto, v\u00e1rias express\u00f5es, v\u00e1rios m\u00e9todos de cura, de acordo com cada tipo de doen\u00e7a. Logo, podemos perceber que o Darma precisa se manifestar de forma diferente em diferentes lugares. <\/p>\n<p>No meio de tudo isso existe, por\u00e9m, uma unidade. O Darma se adapta ao sofrimento dos seres e produz respostas. Sendo assim, essa diversidade aponta a uma caracter\u00edstica comum, que \u00e9 o fato do Darma se adaptar \u00e0s diferentes formas das enfermidades, das dificuldades. Quando vemos o Darma nos diferentes pa\u00edses se manifestando de formas diferentes, podemos nos alegrar, porque \u00e9 a diversidade natural do Darma que tem o poder de oferecer isso. <\/p>\n<p>No Tibete, a primeira manifesta\u00e7\u00e3o foi do rei Songsen Gampo (4), que teve duas esposas &#8211; uma chinesa e outra nepalesa, ambas praticantes budistas. O Darma ainda n\u00e3o havia surgido no Tibete. Esse rei era considerado uma emana\u00e7\u00e3o de Cherenzig (5).<\/p>\n<p>Mais tarde, surgiu Padmasambava (6). Em uma vida anterior Padmasambava, Khenpo Shantirakshita (7) e o rei Thrisong Deutsen (8), tinham sido irm\u00e3os. Eles tinham feito os votos de introduzir o Darma efetivamente no Tibete, na \u00e9poca, considerado uma regi\u00e3o muito in\u00f3spita, uma das piores regi\u00f5es para o Darma florescer. Uma regi\u00e3o onde os seres estavam em situa\u00e7\u00f5es enormemente degradadas, n\u00e3o existia outro lugar mais dif\u00edcil para introduzir o Darma do que no Tibete. Esse foi o motivo pelo qual eles fizeram esse voto. <\/p>\n<p>110 anos mais tarde, ap\u00f3s ter introduzido o Darma, Padmasambava deixou o Tibete. Nessa data, Chiampo Chanti Ratshita e o rei Thrisong Deutsen j\u00e1 haviam morrido e o filho de Trison Deutsen estava no poder. Depois da partida de Padmasambava, o Darma entrou em decl\u00ednio no Tibete. <\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"b\"><b>O Surgimento da Linhagem Nyingma (9)<\/b><\/a><\/p>\n<p>Quando o rei LangDarma (10) &#8211; um dem\u00f4nio em uma vida anterior, que havia feito o voto de eliminar o Darma no Tibete &#8211; assumiu o poder, n\u00e3o s\u00f3 proibiu o Darma, como tamb\u00e9m, matou todas as pessoas que o praticavam, ou mesmo, que fossem suspeitas de tanto. Surgiu, ent\u00e3o uma \u00e9poca de sil\u00eancio.  As pessoas come\u00e7aram a praticar o Darma de uma forma oculta, em suas casas. Da linhagem mon\u00e1stica, surge, ent\u00e3o uma linhagem de chefes de familias. O Darma passa a viver nas casas das pessoas. Ven. Chagdud Tulku Rinpoche \u00e9 um herdeiro dessa tradi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEntre os praticantes Nyingmas existem os monges e os que n\u00e3o os s\u00e3o. Chagdud Rinpoche n\u00e3o \u00e9 monge, mas a linhagem n\u00e3o pro\u00edbe a castidade. Existe, por\u00e9m, essa tradi\u00e7\u00e3o das pessoas casarem, terem filhos e viverem as suas vidas centradas no Darma. <\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"c\"><b>O Surgimento das Linhages Sakya (11) e Kagyu (12)<\/b><\/a><\/p>\n<p>Depois desse per\u00edodo surgiu uma outra manifesta\u00e7\u00e3o no Tibete. Assim surgem a linhagem Sakya, que surge a partir de Sakya Pandita(13), e a linhagem Kagyu, que surge atrav\u00e9s de um Mahasiddha (14). <\/p>\n<p>Mahasiddha era como um Buda indiano chamado Tilopa (16), que vivia como um mendigo de rua e tinha um disc\u00edpulo, Naropa (16), que, por sua vez, j\u00e1 era um grande mestre quando os dois se encontaram. Naropa tinha grande habilidade de argumenta\u00e7\u00e3o, tinha um grand\u00edssimo conhecimento do Darma, sabia tudo de cor, mas ele sabia que ainda n\u00e3o tinha atingido a realiza\u00e7\u00e3o. Por essa raz\u00e3o, Naropa rezou, meditou e reconheceu Tilopa em um sonho como sendo seu mestre. Ele foi, ent\u00e3o a procura de seu mestre e o encontrou. <\/p>\n<p>Naropa &#8211; um grande erudito &#8211; teve um outro grande erudito como disc\u00edpulo, Marpa (17). Pode-se dizer que Marpa fundiu os dois lados, o de Tilopa e o de Naropa. O Marpa era um mestre irado, poderos\u00edssimo, terr\u00edvel. Foi essa caracter\u00edstica irada de Marpa que o possibilitou ser mestre de Milarepa (18), que, por sua vez, era um ser terr\u00edvel, tamb\u00e9m. Milarepa tinha uma mente muito poderosa. Ele tinha uma mente muito luminosa mas muito indisciplinada. <\/p>\n<p>Milarepa teve um grande disc\u00edpulo, Gampopa (19), que j\u00e1 se vestia como monje, j\u00e1 estava iniciando a tradi\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica. Foi Gampopa que efetivamente de origem \u00e0 linhagem Kagyu. Tanto Tilopa, quanto Naropa, quanto Milarepa eram ioges. Os tr\u00eas viviam nas montanhas quase em isolamento. <\/p>\n<p>Gampopa teve um disc\u00edpulo, Karmapa (20). Agora, estamos no 17o Karmapa. Karmapa \u00e9 como um Buda vivo. A linhagem Kagyo \u00e9 uma linhagem de grandes meditantes. O centro da atividade e da pr\u00e1tica \u00e9 esse voto de praticar tr\u00eas, seis, doze, ou mesmo, o resto da vida em retiro. Eles praticam as iogas e as medita\u00e7\u00f5es. Eles t\u00eam o foco na medita\u00e7\u00e3o sentada. Eles come\u00e7am ensinando a estabilisa\u00e7\u00e3o meditativa e a introspec\u00e7\u00e3o. Seu foco \u00e9 a sabedoria que vem da medita\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"d\"><b>O Surgimento da Linhagem Gelugpa (21)<\/b><\/a><\/p>\n<p>O Darma tem per\u00edodos de degrada\u00e7\u00e3o. Todas as linhagens passam por per\u00edodos de degrada\u00e7\u00e3o. Em um dos per\u00edodos de grande confus\u00e3o, surgiu a linhagem Gelugpa, quando um grande praticante, Tsongkhapa (22), n\u00e3o permitiu que o Darma se degradasse. Tsonkapa resolveu reinstalar a linhagem dos Kadampas (23), praticantes perfeitos, estritos, de grande moralidade. Assim, surgiu a linhagem Gelugpa. <\/p>\n<p>Essa linhagem tem uma caracter\u00edsta muito importante, que \u00e9 a erudi\u00e7\u00e3o. Os praticantes estudam e decoram todos os textos, todos os ensinamentos do Buda. Eles debatem os ensinamentos, fazem um exame p\u00fablico e se tornam Geshes (24). Eles s\u00e3o doutores no budismo, o estudam com profundidade. O Dalai Lama \u00e9 um Geshe Larampa (25). Ele surgiu dentro dessa linhagem e teve esse treinamento. Ele conhece todos os ensinamentos de cor. <\/p>\n<p>Ap\u00f3s estudarem profundamente o budismo eles fazem per\u00edodos de retiros e v\u00e3o tornando os ensinamentos pr\u00e1ticos. <\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"e\"><b>Qual \u00e9 o Mais Importante: o Caminho ou o Resultado?<\/b><\/a><\/p>\n<p>A linhagem Sakya tem uma proximidade com a linhagem Gelupga. J\u00e1 a linhagem Kagyo tem uma semelhan\u00e7a com linhagem Nyingma. Voc\u00eas v\u00e3o observar a Prece de Sete Linhas (26) nas duas linhagens. J\u00e1 na linhagem Geluga, voc\u00eas v\u00e3o encontrar oposi\u00e7\u00f5es, complica\u00e7\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linhagem Nyingma e vice-versa. <\/p>\n<p>Novamente s\u00f3 precisamos nos perguntar qual foi a linhagem do Buda. Esta \u00e9 a \u00fanica forma de n\u00e3o tomar partido, de dissolver qualquer quest\u00e3o sobre qual \u00e9 a melhor linhagem. Nenhuma \u00e9 melhor nem pior.  N\u00e3o queremos seguir uma Roda da Vida com a apar\u00eancia do Darma.<\/p>\n<p>Como nos filiamos a uma linhagem? Nos filiamos atrav\u00e9s do lama. Eu n\u00e3o pensei &#8220;eu quero ser Nyingma&#8221;.  Eu fiz um contato com Chagdud Rinpoche. A minha conex\u00e3o com Chagdud Rinpoche me trouxe para dentro dessa linhagem. A partir dele eu recebo os ensinamentos. Devo confessar que eu tenho uma sensibilidade para esse fato. Reconhe\u00e7o que as linhagens s\u00e3o, por um lado, o caminho pelo qual os ensinamentos chegam para n\u00f3s e, por outro lado, s\u00e3o obst\u00e1culos. Existem obst\u00e1culos pol\u00edticos no meio disso. Mesmo que n\u00e3o queiramos efetivamente nos envolver com os obst\u00e1culos e querer dar prosseguimento \u00e0 pr\u00e1tica, \u00e9 quase imposs\u00edvel evitar esse processo.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7amos a nos perguntar pelas linhagens, estamos nos perguntando pelo caminho e o caminho n\u00e3o \u00e9 o resultado. \u00c9 bom que nos perguntemos se estamos mais ou menos pr\u00f3ximos da libera\u00e7\u00e3o. Essas s\u00e3o as perguntas que valem \u00e0 pena. As perguntas de caminho nunca v\u00e3o se resolver. De um modo geral, os praticantes terminam por receber inicia\u00e7\u00f5es ou ensinamentos de v\u00e1rias linhagens. No ZEN, eu recebi ensinamentos de tr\u00eas grandes mestres; no budismo tibetano, das quatro linhagens tibetanas e mais o B\u00f6n, que \u00e9 a religi\u00e3o anterior do Tibete. A fidelidade seria um problema ser\u00edssimo para mim!<\/p>\n<p>O ponto principal \u00e9 a pessoa praticar e ver como os ensinamentos operam dentro dela. Se for bom, a pessoa examina e tenta ajudar os outros. T\u00eam duas for\u00e7as produzindo resultados. A for\u00e7a da preserva\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o original, que \u00e9 uma for\u00e7a importante. Depois tem a for\u00e7a de produzir benef\u00edcios na forma em que os seres que est\u00e3o precisando.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo, a for\u00e7a da tradi\u00e7\u00e3o original vai cessando aos poucos, vai sendo substitu\u00edda pela energia que se manifesta na forma como os seres precisam. Assim surgiu o budismo japon\u00eas, tibetano, chin\u00eas, etc. A fei\u00e7\u00e3o indiana desapareceu. Eles n\u00e3o se vestem como o Buda se vestia, n\u00e3o recitam no idioma que o Buda recitava nem vivem como o Buda vivia. Tudo vai se alterando com o tempo. Os ensinamentos v\u00e3o se adaptando com o passar do tempo. <\/p>\n<p>O foco do Chagdud Rinpoche \u00e9 o de trazer benef\u00edcio aos seres e ele est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o. Ele tem essa habilidade, ele pode fazer isso. Ele implanta exatamente o Darma como no Tibete e isso tem um grande m\u00e9rito. Ele tem as roupas, usa os instrumentos, produz os sons, o idioma, as sadanas, todos os aspectos s\u00e3o como o Darma no Tibete. <\/p>\n<p>Voc\u00eas v\u00e3o encontrar linhagens que est\u00e3o em per\u00edodos melhores ou piores. Aspectos que est\u00e3o melhores, outros piores. Crises de um tipo, crises de outro tipo&#8230;  Esse \u00e9 um aspecto da pr\u00f3pria caracter\u00edstica budista. N\u00e3o existe uma manifesta\u00e7\u00e3o piramidal do budismo no pr\u00f3prio budismo. N\u00e3o existe um topo de pir\u00e2mide de onde tudo se irradia. Isso permite o Darma se sustentar, ele vive de forma an\u00e1rquica. Se alguma coisa \u00e9 suprimida, n\u00e3o \u00e9 um grande problema, porque t\u00eam as outras todas que n\u00e3o s\u00e3o afetadas. Aquela parte desaparece mas as outras v\u00e3o seguindo. <\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"f\"><b>O Papel de Dalai Lama<\/b><\/a><\/p>\n<p>N\u00f3s temos o Dalai Lama como uma grande figura nas linhagens tibetanas, mas ele n\u00e3o tem um car\u00e1ter executivo sobre as linhagens. \u00c9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de respeito. N\u00e3o precisamos fazer relat\u00f3rio, nem mandar dinheiro para ele. A fragilidade do Dalai Lama \u00e9 comovente, ele \u00e9 um monge. N\u00e3o existe um aparato de estado ao seu redor. O ponto positivo \u00e9 que, se o Dalai Lama morre, tudo segue. N\u00e3o h\u00e1 uma grande complica\u00e7\u00e3o. O budismo \u00e9 como um movimento mundial que vai seguindo sem nenhum planejamento, apenas com o objetivo de trazer benef\u00edcio, \u00e9 tudo. Ele vai crescendo dessa forma.  <\/p>\n<p>Por outro lado, exatamente por esses motivos, v\u00e3o surgindo as diferentes tradi\u00e7\u00f5es, o que tamb\u00e9m \u00e9 muito belo. Isso, por\u00e9m, s\u00e3o s\u00f3 nas palavras. Quando nos juntamos e fazemos uma certa pr\u00e1tica, estamos fazendo a pr\u00e1tica e pronto. Todos se entendem, porque todos t\u00eam o mesmo objetivo, o de trazer benef\u00edcios. <\/p>\n<p>O budismo \u00e9 como um hospital, tem diversos tratamentos para diversos tipos de doen\u00e7as. Isto n\u00e3o quer dizer que este seja o \u00fanico hospital no mundo, existem outros hospitais. Quando estamos em um hospital, n\u00e3o estamos em outro. Tamb\u00e9m, n\u00e3o telefonamos para o outro e pedimos um outro diagn\u00f3stico para a mesma doen\u00e7a. Se fizermos isso, nunca faremos o tratamento. <\/p>\n<p>Ele ainda continua: &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o precisa se filiar a coisa nenhuma, mude o seu cora\u00e7\u00e3o! Aplique isso na sua vida. Isso basta!&#8221;   <\/p>\n<p>Conforme vamos seguindo, come\u00e7amos a tentar encontrar um m\u00e9todo, atrav\u00e9s do qual podemos acelerar o processo. Por esse motivo, buscamos um centro de pr\u00e1tica, uma linhagem. Buscamos uma pr\u00e1tica que possamos fazer para acelerar a velocidade de todo o processo.<\/p>\n<p>Antes de ser ordenado como lama, eu j\u00e1 era um professor do Darma. O meu objetivo original e, tamb\u00e9m, o que me levou a ensinar, a transmitir o Darma, foi o de falar do solo sobre o qual as coisas v\u00e3o se colocando. O centro que eu atualmente dirijo foi fundado 10 anos antes de eu ter sido ordenado. Quando o Rinpoche me ordenou ele disse que estava levando em considera\u00e7\u00e3o o meu trabalho anterior. <\/p>\n<p>Eu vejo essa tend\u00eancia clara em mim de falar al\u00e9m do ensinamento das linhagens. Eu sempre me refugio, dizendo que perten\u00e7o \u00e0 linhagem do Buda. O cerne dos ensinamentos que eu transmito, eu ouvi do Rinpoche e de v\u00e1rios outros lamas. Eu os expresso atrav\u00e9s da fei\u00e7\u00e3o dos sutras e dos primeiros ensinamentos do Buda, que s\u00e3o as Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho \u00d3ctuplo. Eu me expresso dentro desse contexto.<\/p>\n<p>Apesar de eu ser aluno do Chagdud Rinpoche e de pertencer ao Chagdud Gompa, o meu objetivo n\u00e3o \u00e9 convencer as pessoas a pertencer a esse grupo ou a um outro. Fazemos a pr\u00e1tica de Tara &#8211; essa pr\u00e1tica pertence \u00e0 linhagem do Chagdud Rinpoche &#8211; porque  essa \u00e9 a minha pr\u00e1tica. No entanto n\u00e3o \u00e9 o meu objetivo influenciar ningu\u00e9m a seguir essa linhagem. Se voc\u00eas seguirem pela linhagem Gelugpa, est\u00e1 perfeito. O mesmo acontece se voc\u00eas seguirem pela linhagem Sakya, Kagyu ou pelo ZEN. Seja qual for a linhagem que voc\u00eas sigam, est\u00e1 perfeito. Voc\u00eas tamb\u00e9m podem continuar sendo crist\u00e3os, protestantes, o que acharem melhor, n\u00e3o vejo nenhum problema nisso. Se eu puder seguir ajudando, excelente! Caso contr\u00e1rio, o per\u00edodo em que eu pude ajudar est\u00e1 perfeito, tamb\u00e9m. N\u00e3o gostaria de trazer como efeito colateral dos meus ensinamentos a filia\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m a alguma linhagem. <\/p>\n<p>O nosso grande inimigo \u00e9 o materialismo espiritual. Corremos o perigo de gerarmos uma nova identidade quando nos tornamos praticantes. J\u00e1 usei roupa branca, roupa preta e cinza e, agora, uso roupa vermelha. <\/p>\n<p><b>Pergunta:<\/b> O que \u00e9 um lama?<\/p>\n<p><b>Lama:<\/b> Um lama \u00e9 um professor do Darma. \u00c9 algu\u00e9m que ouviu os ensinamentos, meditou sobre eles e, tendo comprovado aquilo, ensina. <\/p>\n<p><b>Pergunta:<\/b> Quais s\u00e3o os votos de um lama? <\/p>\n<p><b>Lama:<\/b> S\u00e3o os votos de um bodisattva. Um lama faz os votos de trazer incessantemente benef\u00edcios aos seres. Eu posso dizer qual \u00e9 o meu ref\u00fagio pessoal, como \u00e9 o centro do meu ref\u00fagio. Considero essa a melhor explica\u00e7\u00e3o para definir o que \u00e9 um lama, explicando onde est\u00e1 o centro de for\u00e7a. <\/p>\n<p>Quando tudo aperta, para onde n\u00f3s vamos? O meu ref\u00fagio \u00e9 Darmakaya (27), Sambogakaya (27) e Nirmanakaia (27). Como isso se d\u00e1? Vamos supor que tudo desabe. Ent\u00e3o, eu olho em volta e digo: &#8220;Essa \u00e9 uma experi\u00eancia de desabar. A experi\u00eancia de desabar \u00e9 uma delus\u00e3o. A delus\u00e3o \u00e9 luminosidade. Luminosidade \u00e9 insepar\u00e1vel de vacuidade. Isso \u00e9 Darmakaya e Sambogakaya juntos.&#8221;  Nesse momento, posso sorrir novamente. No meio disso h\u00e1 um sil\u00eancio cognitivo e a constru\u00e7\u00e3o de todas as faces. Posso, ent\u00e3o olhar para a face que estou usando, o que est\u00e1 desabando \u00e9 s\u00f3 a face. Essa face definivamente n\u00e3o \u00e9 o gerador das faces, porque o gerador n\u00e3o desaba. O gerador \u00e9 o aspecto Darmakaya e Sambogakaia insepar\u00e1veis. Quanto mais claro isso estiver para n\u00f3s, melhor. <\/p>\n<p>Todos os atropelamentos da vida s\u00e3o boas chances de praticar isso. Quanto maior o atropelamento, melhor, maior ser\u00e1 a experi\u00eancia de luminosidade. Sempre procuro manter isto n\u00edtido, dia e noite. Em per\u00edodos de dificuldades, tomo ref\u00fagio formal a cada quatro horas. O voto incessante de ref\u00fagio \u00e9 a \u00fanica pr\u00e1tica que existe. Todas as outras pr\u00e1ticas s\u00e3o vestimentas dessa pr\u00e1tica, n\u00e3o importa qual a linhagem.  O ref\u00fagio \u00e9 tomado incessantemente e o ref\u00fagio \u00e9 no Buda. <\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"g\"><b>O Ref\u00fagio<\/b><\/a><\/p>\n<p>No voto de Nirmanakaia existe um desdobramento interno. N\u00f3s paramos e nos lembramos do quinto passo do Nobre Caminho. Neste momento pensamos:<\/p>\n<p>Neste momento, n\u00f3s nos sentimos vivendo atrav\u00e9s de uma energia que brota da inseparatividade da rela\u00e7\u00e3o com os seres. Quando pensamos nos seres, nos perguntamos se \u00e9 poss\u00edvel trazer benef\u00edcio a algu\u00e9m e podemos responder com um &#8220;sim&#8221;, neste momento, h\u00e1 um calor que sobe. Essa energia \u00e9 o Nirmanakaia. Essa energia \u00e9 o Buda se manifestando dentro de n\u00f3s como compaix\u00e3o, como interesse, como inseparatividade em rela\u00e7\u00e3o aos seres. Essa energia \u00e9 o ref\u00fagio!<\/p>\n<p>A alegria que brota dessa energia, de Nirmanakaia, \u00e9 uma alegria conjunta. Ela produz um brilho, produz vida. Se nos perguntarmos se ela nos pertence, a resposta \u00e9 n\u00e3o. Ela n\u00e3o vem da nossa fam\u00edlia, n\u00e3o \u00e9 heredit\u00e1ria. Percebemos, ent\u00e3o, maravilhados que essa energia n\u00e3o \u00e9 nossa possess\u00e3o. N\u00f3s podemos manifest\u00e1-las mas ela n\u00e3o est\u00e1 em n\u00f3s. Ela surge exatamente quando transbordamos al\u00e9m de n\u00f3s, est\u00e1 na inseparatividade. <\/p>\n<p>Todos n\u00f3s podemos fazer isso, porque quando transbordamos de n\u00f3s mesmos, isto \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o. \u00c9 a pr\u00f3pria manifesta\u00e7\u00e3o de liberdade de Darmakaya, luminosidade. \u00c9 a pr\u00f3pria manifesta\u00e7\u00e3o do Buda. O Buda fez isso, Cristo fez isso. Hoje em dia t\u00eam muitos santos que fazem isso. De onde vem essa energia? Ela n\u00e3o vem, ela est\u00e1. Ela est\u00e1 por todos os lados, \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de acessar ou n\u00e3o. Essa energia \u00e9 o Buda incessantemente presente, ao alcance de todos.<\/p>\n<p>Quando morremos, essa energia n\u00e3o morre, porque ela n\u00e3o pertence ao corpo. Quando sentimos dores, certamente n\u00e3o estamos conectados a esse n\u00edvel. Estamos conectados \u00e0 outras coisas, \u00e0 imperman\u00eancia. Dizemos: &#8220;Eu n\u00e3o quero morrer, eu n\u00e3o quero ficar velho, eu n\u00e3o quero ficar com cabelos brancos&#8221;. Quando pensamos desta forma, cada cabelo branco se torna uma dor. <\/p>\n<p>Na verdade, s\u00e3o cinco ref\u00fagios. Quando as situa\u00e7\u00f5es est\u00e3o dif\u00edceis os ref\u00fagios se tornam mais fortes, mais n\u00edtidos. O menor desvio do ref\u00fagio significa dor. S\u00f3 quando estamos no ref\u00fagio n\u00e3o existe dor. S\u00f3 nesse momento tudo est\u00e1 funcionando.<\/p>\n<p>O quarto ref\u00fagio est\u00e1 na compreens\u00e3o de que todos os seres t\u00eam a natureza incessante, maravilhosa de Buda. Essa natureza n\u00e3o se limita aos seres humanos. Qualquer ser que \u00e9 capaz de particularizar alguma coisa, ele particulariza porque tem essa mente infinita. \u00c9 extraordin\u00e1rio! Ele est\u00e1 usando a liberdade de particularizar. At\u00e9 os mosquitos t\u00eam a apar\u00eancia infinita. Porque eles s\u00e3o finitos, por isto mesmo s\u00e3o infinitos. N\u00f3s n\u00e3o vamos encontrar o infinito na nega\u00e7\u00e3o do finito, pelo contr\u00e1rio. O finito manifesta o infinito e isto \u00e9 extraordin\u00e1rio. Isto \u00e9 reconhecer a natureza de Buda presente em todos os seres. <\/p>\n<p>Essa \u00e9 a forma pela qual reconhecemos a natureza de Buda em todas as dimens\u00f5es. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual algumas tradi\u00e7\u00f5es dizem que deus est\u00e1 em todas as manifesta\u00e7\u00f5es. Ele n\u00e3o est\u00e1 nesse sentido comum que eventualmente podemos atribuir. N\u00e3o precisamos dizer: Aquele vaso \u00e9 deu, n\u00e3o \u00e9 assim. Se compreendemos a vacuidade, sabemos que aquele vaso \u00e9 uma experi\u00eancia de vaso, que \u00e9 uma delus\u00e3o&#8230;, por isto mesmo \u00e9 ilimitado. <\/p>\n<p>No quinto aspecto reconhecemos todas as manifesta\u00e7\u00f5es como ilimitadas. Nesse momento, olhamos com os olhos que reconhecem Darmata (28), ou seja, a perfei\u00e7\u00e3o em todas as dire\u00e7\u00f5es, o finito manifestando o infinito em todas as dimens\u00f5es, em tudo o que possa aparecer. <\/p>\n<p>Qual \u00e9 o ref\u00fagio que o lama toma? Ele toma ref\u00fagio enquanto manifesta\u00e7\u00e3o incessante que vem da inseparatividade com os outros seres. Se n\u00e3o somos professores, podemos tomar ref\u00fagio na apar\u00eancia do lama, mas \u00e9 melhor tomarmos ref\u00fagio na inseparatividade com o lama. Qual \u00e9 o ref\u00fagio na inseparatividade com o lama? \u00c9 fazer o que o lama faz. Olhar todos os seres com esse olho. Se fazemos isto, qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre n\u00f3s e o lama?<\/p>\n<p>Quando tomamos ref\u00fagio no lama externo, fazemos prostra\u00e7\u00f5es para o lama como um ser que est\u00e1 na nossa frente. Melhor do que esse ref\u00fagio \u00e9 o reconhecimento do lama absoluto, ou seja, a inseparatividade com rela\u00e7\u00e3o ao guru. Neste momento, o guru j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um guru de carne e osso, porque ele mesmo, em carne e osso tamb\u00e9m faz prostra\u00e7\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o ao seu guru. Qual guru? O guru absoluto. Se quisermos chamar o guru absoluto de Buda Sakiamuni ou de Padmasambava, tudo bem, mas n\u00e3o est\u00e1 completamente perfeito, porque o Buda Sakiamuni ou Padmasambava s\u00e3o express\u00f5es do guru absoluto, por isso eles s\u00e3o Padmasambava e Buda Sakiamuni. <\/p>\n<p>O guru absoluto \u00e9 essa dimens\u00e3o de luminosidade, liberdade, Nirmanakaia \u00e9 a compaix\u00e3o que sustenta e energiza todos os seres. Essa compaix\u00e3o est\u00e1 viva e intacta. Ela \u00e9 independente da cultura, do nome, de tudo. Ela se manifesta viva. Ela \u00e9 a energia al\u00e9m da energia. Ela n\u00e3o vem do arroz e do feij\u00e3o. <\/p>\n<p>Essa energia se manifesta e ela \u00e9 vis\u00edvel. Isso significa tomar o ref\u00fagio no aspecto Nirmanakaia, no lama absoluto e \u00e9 maravilhoso, al\u00e9m de ser uma boa pr\u00e1tica. Se tomarmos o ref\u00fagio no lama relativo junto com o lama absoluto, tamb\u00e9m est\u00e1 perfeito. Isso possibilita a cria\u00e7\u00e3o de estruturas. Por\u00e9m, precisamos tomar cuidado quando criamos estruturas, ou seja, afinidades no espa\u00e7o e no tempo e nos aproximamos, pois existem venenos dentro tamb\u00e9m. Isso pode ser atacado e derrubado. O Buda n\u00e3o criou nenhuma estrutura, ele apenas caminhou pelas estradas produzindo benef\u00edcios, s\u00f3 isso.<\/p>\n<p>O ref\u00fagio deve ser constante. Se a compreens\u00e3o p\u00e1ra, inevitavelmente Maharaja assinala. Primeiro ele aparece, se manifesta como um sorriso de algu\u00e9m ou como coisas atrativas mas dificilmente notamos sua presen\u00e7a, muito menos, sua mensagem. Ent\u00e3o, ele ressurge com uma apar\u00eancia menos agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Sempre que sustentarmos uma posi\u00e7\u00e3o na Roda da Vida, inevitavelmente aquilo produz uma dor e ela n\u00e3o \u00e9 o problema mas o alerta. Quando a dor surge, se somos praticantes, refazemos o ref\u00fagio. Quando o refazemos constantemente, o processo n\u00e3o necessita ser ativado, porque ele est\u00e1 sempre funcionando.  Desta forma, tudo o que vier, n\u00e3o tem propriamente um sentido da necessidade de um alerta, porque tem uma incessante compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando refazemos o ref\u00fagio, olhamos tudo novamente e nos damos conta que nos enganamos. Reconhecemos tudo como uma constru\u00e7\u00e3o que se desfaz. Quando ela se desfaz, ocorre a supera\u00e7\u00e3o do sofrimento, da complica\u00e7\u00e3o. A liberdade ressurge. Nossa capacidade de criar confus\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande quanto a de dissolv\u00ea-la. As constru\u00e7\u00f5es s\u00e3o o produto da pr\u00f3pria mente ilimitada, s\u00e3o um dos atributos naturais da mente que \u00e9 criar as dualidades. Quando criamos essas dualidades, podemos ter clareza quanto a isto ou n\u00e3o, se a mantemos, isto \u00e9 sustentar a lucidez da mente. Quando mantemos a lucidez, n\u00e3o h\u00e1 nenhum problema, a pr\u00e1tica do ref\u00fagio segue perfeita.<\/p>\n<p>A lucidez frente ao sofrimento \u00e9 melhor do que a cessa\u00e7\u00e3o do sofrimento. Curiosamente, quando o sofrimento se oferece junto com a lucidez, ele n\u00e3o tem a apar\u00eancia usual de sofrimento. Ele at\u00e9 se torna desej\u00e1vel pois nos leva adiante das fixa\u00e7\u00f5es. Quando estamos em sofrimento e brota uma compreens\u00e3o correspondente, \u00e9 bom que aproveitemos essa oportunidade para liberarmos sua origem pois, pode que a lucidez n\u00e3o retorne facilmente. No momento em que estamos no meio da confus\u00e3o e a lucidez surge, a espreitamos e devemos foc\u00e1-la muitas vezes e mesmo que escrevamos sobre a experi\u00eancia para guard\u00e1-la da forma mais n\u00edtida e l\u00facida poss\u00edvel. Assim, tendo isto muito n\u00edtido, mais adiante poderemos utiliz\u00e1-la para ajudar algu\u00e9m. O problema grave da dor n\u00e3o \u00e9 a dor em si, mas estar, sem lucidez, preso ao quadro mental que produz e sustenta a dor. <\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"h\"><b>Gloss\u00e1rio<\/b><\/a><\/p>\n<p>1.\tZen (jap.; s\u00e2nsc. Dhyana; chin. Ch&#8217;an) &#8211; medita\u00e7\u00e3o; uma das principais escolas do buddhismo Mahayana.<br \/>\n2.\tAng\u00f4 &#8211; retiro de tr\u00eas meses no Zen.<br \/>\n3.\tRoda do Darma = Darmachakra (s\u00e2nsc.; p\u00e1li Dhammachakka) os ensinamentos do Buddha.<br \/>\n4.\tSongtsen Gampo (tib. Srong btsan sGam po, s\u00e9c. VI) &#8211; primeiro rei tibetano a se converter ao budismo, antes de Trisong Deutsen<br \/>\n5.\tCherenzig &#8211; Avalokiteschvara; chin. Kuan-Yin, Kuan-HsiI-Yin; jap. Kannon, Kanzeon, KanjizaiI; tib. Cherenzig\/ Spyan Ras Gzigs) &#8211; no buddhismo Mahayana, o Bodhisattva da grande compaix\u00e3o.<br \/>\n6.\tPadmasambhava (s\u00e2nsc.; tib. Pemajungne\/ Pad ma \u201abyung nas) &#8211; tamb\u00e9m conhecido como o Guru Rinpoche (Mestre Precioso), um dos introdutores do buddhismo no Tibet (s\u00e9culo VIII), considerado fundador da escola Nyingma.<br \/>\n7.\tKhenpo Shantirakshita &#8211; fundador do primeiro mosteiro budista do Tibete, Samye Vihara.<br \/>\n8.\tTrisong Deutsen (tib. Khri srong lDe brtsan) &#8211; rei Darma que teve \u00eaxito em introduzir efetivamente o budismo no Tibete, convidando e apoiando a a\u00e7\u00e3o de Padmasambava e do Khenpo Shantirakshita, foi tamb\u00e9m um aluno deles.<br \/>\n9.\tNyingma[-pa] (tib. Rnying Ma [pa]) &#8211; Escola Antiga; escola Vajarayana tibetana surgida a partir dos ensinamentos Dzogchen dos indianos Padmasambhava, Vimalamitra e Vairochana (s\u00e9culo VIII).<br \/>\n10.\tLangdarma &#8211; (tib. gLang dar ma) &#8211; o rei tibetano que dedicou-se a extingir o budismo dentro de seus dom\u00ednios.<br \/>\n11.\tSakya[-pa] (tib. Sa Skya [pa]) &#8211; escola Vajarayana tibetana respons\u00e1vel pela transmiss\u00e3o dos ensinamentos Lamdre.<br \/>\n12.\tKagy\u00fc[-pa] (tib. Bka&#8217; Rgyud [pa]) &#8211; Escola da Transmiss\u00e3o Oral, escola Vajarayana tibetana fundada pelo monge GAMPOPA (1079-1153), centralizada nos ensinamentos Mahamudrao.<br \/>\n13.\tSakya Pandita- (1182-1251) Erudito da linhagem Sakya comparado a Longchempa (Nyingma) e Tsongkapa (Gelug)<br \/>\n14.\tMahasidha (s\u00e2nsc.) &#8211; grande Adepto; mestre dos ensinamentos Vajarayana, dotado de poderes sobrenaturais ou (Siddhis).<br \/>\n15.\tTilopa (tib. Ti lo pa) &#8211; mahasiddha indiano (989-1069) que transmitiu os ensinamentos MAHAMUDRA ao seu disc\u00edpulo Naropa; sua linhagem deu origem \u00e0 escola tibetana Kagy\u00fc.<br \/>\n16.\tNaropa (tib. Na ro pa) &#8211; mahasiddha indiano (1016-1100), disc\u00edpulo de TILOPA e mestre do tradutor MARPA.<br \/>\n17.\tMarpa Lotsawa (tib. Mar pa lo tsa ba) &#8211; tradutor tibetano (1012-1097), disc\u00edpulo NAROPA e mestre do poeta Milarepa; seus ensinamentos Mahamudra foram passaram a ser transmitidos pela escola tibetana Kagy\u00fc.<br \/>\n18.\tMilarepa (tib. Mi la ras pa) &#8211; poeta tibetano (1025-1035), recebeu os ensinamentos Mahamudra do tradutor Marpa e foi mestre do monge Gampopa, fundados da escola tibetana Kagy\u00fc.<br \/>\n19.\tGampopa (tib. Sgam po pa) &#8211; monge tibetano (1079-1153), fundador da escola Kagy\u00fc.<br \/>\n20.\tKarmapa (tib. Ka rma pa) &#8211; l\u00edder da escola tibetana Karma Kagy\u00fc.<br \/>\n21.\tGelug[-pa] (tib. Dge lugs [pa]) &#8211; escola Vajayana fundada pelo monge tibetano Tsongkhapa (1357-1419), centralizada nos ensinamentos do Lamrim.<br \/>\n22.\tTsongkhapa (tib. Tsong kha pa) &#8211; monge tibetano (1357-1419), tamb\u00e9m conhecido como Je Rinpoche, fundador da escola Gelug e criador dos ensinamentos Lamrim.<br \/>\n23.\tKadam[-pa] (tib. Bka&#8217; gdams [pa]) &#8211; Escola da Instru\u00e7\u00e3o Oral, escola Vajrayana tibetana fundada pelo monge indiano Atisha (980\/90-1055), precursora da escola Gelug.<br \/>\n24.\tGeshes &#8211; Doutor em budismo, principalmente na linhagem Gelug<br \/>\n25.\tGesche Larampa &#8211; algu\u00e9m realmente realizado que det\u00e9m erudi\u00e7\u00e3o inigual\u00e1vel<br \/>\n26.\tPrece de Sete Linhas &#8211; Prece a Padmasambava recitada antes das pr\u00e1ticas pelas linhagens Nyingma e Kagy\u00fc<br \/>\n27.\tTrikaya (s\u00e2nsc.) &#8211; no buddhismo Mahayana, os tr\u00eas corpos do buddha; corpo do Darma (Darmakaya), corpo do \u00eaxtase completo (Sambhogakaya) e corpo da emana\u00e7\u00e3o (Nirmanakaia)<br \/>\n28.\tDarmata &#8211; O espa\u00e7o b\u00e1sico experimentado pelos budas, realidade \u00faltima.\n<\/p><\/div>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual foi a Linhagem do Buda Sakiamuni? 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