{"id":5351,"date":"2018-06-28T12:11:11","date_gmt":"2018-06-28T14:11:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5351"},"modified":"2018-06-28T12:11:11","modified_gmt":"2018-06-28T14:11:11","slug":"vivendo-buda","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/vivendo-buda\/","title":{"rendered":"Vivendo Buda"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=5352\" rel=\"attachment wp-att-5352\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/vivendo-buda.jpg\" alt=\"\" width=\"201\" height=\"251\" class=\"alignleft size-full wp-image-5352\" \/><\/a><br \/>\n<b>VIVENDO BUDA<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b>Zuymyo Joshin Sensei<\/b><br \/>\n(Mestra Zen da escola Soto, superiora do templo &#8220;La Demeure Sans Limites&#8221;)<br \/>\n<\/i><\/div>\n<p>Esta noite, n\u00e3o vou falar de coisas extraordin\u00e1rias, maravilhosas, mas apenas de como vivemos a vida cotidiana. De uma maneira diferente, para estarmos um pouco mais presentes, um pouco mais abertos na nossa vida.<\/p>\n<p>Para explicar melhor, falarei sobre a vida do Buda. O que me interessa \u00e9 a vida do ser humano, como voc\u00eas e eu. N\u00f3s sabemos que ele nasceu h\u00e1 25 s\u00e9culos, num pequeno reino ao norte do Nepal, onde seu pai era um rei. E sabemos que sua m\u00e3e morreu uma semana ap\u00f3s o seu nascimento.<\/p>\n<p>De acordo com o hor\u00f3scopo, ele poderia se tornar um grande rei, que conquistaria o mundo, ou ent\u00e3o o salvador de todos os seres. Seu pai preferiu acreditar na primeira hip\u00f3tese, pois sendo um rei, queria um sucessor. Ele pertencia \u00e0 classe dos guerreiros e queria um filho tamb\u00e9m guerreiro. Ent\u00e3o, deu-lhe o nome de Sidarta, &#8220;o vencedor&#8221;. Um dia, veio \u00e0 corte um velho mestre que confirmou a predi\u00e7\u00e3o: Ele iria salvar todos os seres da vida e da morte. O rei come\u00e7ou a ficar muito preocupado e decidiu criar Sidarta dentro de um castelo, de forma que ele tivesse tudo que a vida pudesse lhe oferecer e, ao mesmo tempo, que ignorasse as coisas piores dela. Mas, com a idade de sete anos, Sidarta iria cumprir a primeira etapa de sua vida de medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Era primavera. Segundo o costume local e da \u00e9poca, o senhor das terras foi fazer o primeiro corte na terra com o arado. Sidarta viu insetos e minhocas cortados pelo ferro do arado e como aqueles que ficavam feridos eram comidos por p\u00e1ssaros e animais predadores. Foi o primeiro encontro de Sidarta com a vida e a morte, misturados com a alegria e tristeza ao mesmo tempo. Diz o texto que ele foi sentar-se sob uma \u00e1rvore e, mesmo sem saber, entrou em medita\u00e7\u00e3o. Isso apenas aumentou a inquietude do rei, que decidiu casar seu filho ainda bastante jovem, pensando que uma mulher e um filho o ligariam \u00e0 vida leiga e isso evitaria que ele renunciasse ao mundo. Assim, aos 16 anos Sidarta casou-se com uma mo\u00e7a de um reino vizinho. Foram instalados pelo rei num pequeno pal\u00e1cio com todas as comodidades necess\u00e1rias para uma vida tranq\u00fcila. Sua esposa deu \u00e0 luz um filho que se chamou Ra\u00fala, que significa &#8220;a liga\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse momento que acontece o epis\u00f3dio chamado &#8220;os quatro encontros de Buda&#8221;. Um dia, Sidarta partiu com seus servidores para visitar a cidade e encontrou no caminho um homem agonizante, com o corpo deformado pela dor, e perguntou o que vinha a ser aquilo. &#8220;N\u00e3o \u00e9 nada de extraordin\u00e1rio, \u00e9 um homem doente. Todas as pessoas adoecem&#8221;, respondeu-lhe o servo. Sidarta retornou ao pal\u00e1cio muito pensativo. Na pr\u00f3xima vez que foi \u00e0 cidade, encontrou no caminho um velho fraco que tinha perdido a vis\u00e3o. Perguntou ao servo o que era aquilo e o servo disse: &#8220;Nada de extraordin\u00e1rio. \u00c9 um velho. Todas as pessoas ser\u00e3o velhas&#8221;. Mais uma vez, Sidarta voltou ao pal\u00e1cio pensativo. Na sua terceira visita viu passar um cortejo, onde as pessoas choravam. Eram os funerais de uma crian\u00e7a que iria ser cremada, e Sidarta perguntou, &#8220;O que \u00e9 isso?&#8221; E o servo disse, &#8220;Nada de extraordin\u00e1rio, s\u00e3o os funerais de uma crian\u00e7a. Todas as pessoas morrem um dia&#8221;.<\/p>\n<p>Finalmente, na sua \u00faltima visita, ele passou por um monge errante que pedia esmolas. Sua face refletia um esp\u00edrito tranq\u00fcilo. Ele caminhava com gra\u00e7a, sem medo e sem orgulho. Sidarta ent\u00e3o percebeu que assim era quando se quebravam todos os elos e se compreendia o sofrimento. Resolver o problema da vida e da morte seria \u00fatil a si e a todos os outros. Penso que essas s\u00e3o etapas que todas as crian\u00e7as e todos os jovens atravessam. O encontro com a morte. O desejo dos pais de proteger os filhos do sofrimento. Sidarta teve todas essas lembran\u00e7as e todos esses sofrimentos atenuados. O rei, sabendo dessa consci\u00eancia de seu filho, resolveu fazer mais e mais festas para que ele pudesse se alegrar.<\/p>\n<p>Uma noite, ao fim de uma festa com muitos m\u00fasicos, dan\u00e7arinas, cantores, Sidarta atravessou o sal\u00e3o onde as mulheres dormiam pelas almofadas e nos cantos da sala. Diante desses corpos fatigados, diante dessa evid\u00eancia de vida e morte, decidiu deixar o pal\u00e1cio. Decidiu buscar o caminho que levasse ao fim do sofrimento. Ele tinha 29 anos. Anunciou sua partida ao pai e, pela \u00faltima vez, foi ver sua esposa e filho que dormiam. Partiu com seu cavalo e um servo at\u00e9 a fronteira do reino de seu pai. L\u00e1 chegando, desceu do cavalo, cortou os pr\u00f3prios cabelos com a espada, retirou todas as suas j\u00f3ias e armas, trocando tamb\u00e9m suas roupas com as de um ca\u00e7ador e, sem olhar para tr\u00e1s, entrou na floresta.<\/p>\n<p>Ele sempre tinha vivido como um pr\u00edncipe, de maneira extremamente comportada, e agora aprendera a viver fora, a dormir na chuva, a comer pouco. Uniu-se a um grupo de disc\u00edpulos que faziam medita\u00e7\u00e3o. Ali ele aprendeu a fechar as portas da percep\u00e7\u00e3o do corpo e a entrar em estados profundos de concentra\u00e7\u00e3o. Contudo, percebeu que ao sair da concentra\u00e7\u00e3o o sofrimento continuava. Durante 3 anos ele visitou diferentes mestres e come\u00e7ou a dominar m\u00e9todos de medita\u00e7\u00e3o cada vez mais profundos. Mas, sempre que terminavam os per\u00edodos de medita\u00e7\u00e3o, ele descobria que o sofrimento da vida e da morte permanecia.<\/p>\n<p>Com seus outros cinco alunos, saiu em busca de umas cavernas onde passaram a viver em extremo ascetismo. Meditavam dia e noite, comendo apenas sete gr\u00e3os de arroz por dia. Tentavam abandonar as necessidades f\u00edsicas, pensando que se o corpo fosse livre o esp\u00edrito se libertaria. A imagem de Buda desta \u00e9poca \u00e9 mostrada como um verdadeiro esqueleto, mas ele sentia o sofrimento ainda presente. Um dia, meditando \u00e0 beira de um rio, se deu conta de que havia perdido a alegria. A alegria da medita\u00e7\u00e3o, do vento que refrescava, do canto dos p\u00e1ssaros. Ent\u00e3o percebeu que corpo e esp\u00edrito eram um, e que torturando o corpo estava torturando o esp\u00edrito. Decidiu buscar outro caminho.<br \/>\nNa manh\u00e3 seguinte, tomou banho no rio e caminhou para a vila. Mas estava muito fraco. Deitou-se na estrada, sendo encontrado por uma jovem da vila que ia cuidar dos b\u00fafalos. Esta jovem deu-lhe um pouco de leite que acabara de tirar. Um menino que passava, deu ao Buda um punhado de ervas que colhera para os animais. Buda ent\u00e3o tomou essas ervas e, usando-as como almofada, sentou-se sob uma \u00e1rvore. Foi o local da ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os amigos de Buda, vendo que ele tinha abandonado a vida asc\u00e9tica, resolveram partir. Sidarta, no entanto, pensava n\u00e3o ser necess\u00e1rio abandonar o mundo dos fen\u00f4menos. N\u00e3o era preciso fechar-se na medita\u00e7\u00e3o, enquanto ao seu redor as \u00e1rvores, as folhas, a natureza, enfim, o mundo eram a pr\u00f3pria medita\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, o futuro Buda, o futuro &#8220;desperto&#8221;, decidiu continuar sua procura s\u00f3, ao p\u00e9 da \u00e1rvore, ou morrer ali mesmo. Depois de 30 dias e 30 noites de medita\u00e7\u00e3o, ele entrou num estado mais profundo do que os que experimentara at\u00e9 ali. Na primeira parte da noite, ele reviu todas as suas vidas passadas. Elas somavam milh\u00f5es e milh\u00f5es de vidas. Neste processo, ele sentiu todas as dores, todas as penas, todas as alegrias de todos os homens. Na segunda parte da noite, viu universos incont\u00e1veis que surgiam, passavam e desapareciam. Percebeu, ent\u00e3o, que a morte e a vida s\u00e3o a mesma coisa: apar\u00eancias. Como o mar e as ondas. Milhares de vagas que se elevam e caem sem cessar. Mas qual a diferen\u00e7a entre as ondas e o mar?<\/p>\n<p>Durante a lua cheia da primavera, quando a \u00faltima das estrelas pastoras apareceu, ele atingiu o despertar completo, incompar\u00e1vel, compreendendo que havia experienciado a verdadeira natureza do nascimento e da morte. Assim, estendeu seu bra\u00e7o esquerdo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 terra at\u00e9 toc\u00e1-la e, invocando seu testemunho, disse: &#8220;Os muros desta pris\u00e3o est\u00e3o derrubados. Por inumer\u00e1veis vidas estive preso, mas doravante estes muros n\u00e3o mais ser\u00e3o erguidos. Eu n\u00e3o mais morrerei ou renascerei.&#8221; Ap\u00f3s a ilumina\u00e7\u00e3o, Buda continuou mais sete semanas sob aquela \u00e1rvore, sabendo que atingiria sua meta e que n\u00e3o fora por nada que largara tudo. Sabia tamb\u00e9m que o caminho que encontrara seria muito dif\u00edcil de ensinar, de ouvir, de compreender e de praticar.<\/p>\n<p>Hesitou em ensin\u00e1-lo e foi refletir diante de um lago onde se viam flores de l\u00f3tus. Algumas dessas flores estavam sob a \u00e1gua, outras na superf\u00edcie e outras acima da superf\u00edcie. Pensou, ent\u00e3o, que a compreens\u00e3o dos seres humanos era semelhante a essa imagem: h\u00e1 os que est\u00e3o prisioneiros das ilus\u00f5es, os que procuram a verdade e os que encontraram o caminho. E ent\u00e3o, resolveu voltar a Benares para ensinar. Mas, quando seus amigos o viram, disseram, &#8220;L\u00e1 vem Sidarta, que traiu, que rompeu os seus votos. N\u00e3o vamos cumpriment\u00e1-lo, n\u00e3o vamos fazer nenhuma homenagem \u00e0 sua chegada&#8221;. Ao se aproximar, por\u00e9m, a figura de Sidarta era t\u00e3o radiante, sua apar\u00eancia t\u00e3o majestosa, que eles n\u00e3o puderam se impedir de levantar e oferecer-lhe uma bebida. Buda disse-lhes: &#8220;N\u00e3o mais me chamem Sidarta, sou o Buda, o desperto&#8221;. Daria a\u00ed seu primeiro ensinamento, que se chamou a &#8220;primeira volta do Darma&#8221;.<br \/>\nQual \u00e9 esse ensinamento, qual \u00e9 a dificuldade nesse ensinamento, qual significado pode ter para n\u00f3s agora, depois de 25 s\u00e9culos? At\u00e9 aqui \u00e9 como uma hist\u00f3ria. Uma hist\u00f3ria de contato. De contato com a vida, com o sofrimento e a morte. Todas as crian\u00e7as passam por isso e, em seguida, todas as pessoas se tornam &#8220;s\u00e9rias&#8221;. N\u00e3o se tem mais tempo para questionamentos, para pesquisas cient\u00edficas. Passa-se a ter responsabilidades. \u00c9 preciso ganhar dinheiro, avan\u00e7ar na vida social, ocupar-se da fam\u00edlia. \u00c9 o que chamamos de senso de responsabilidade e seriedade. Eu penso que Buda tinha um grande senso de responsabilidade, mais amplo que o nosso. Era um senso n\u00e3o limitado ao seu reino, \u00e0s suas coisas, \u00e0 sua mulher e filho. Seu senso de responsabilidade considerava todos os seres. O ponto central era a compreens\u00e3o de nascimento e morte. Ele observava exatamente aquilo que tentamos n\u00e3o ver: que nascemos e vamos morrer. Nada do que fizemos ou temos, nenhuma das pessoas que amamos poder\u00e1 nos seguir depois da nossa morte. Durante toda a vida constru\u00edmos, mas sobre o vazio, pois tudo est\u00e1 em permanente mudan\u00e7a.<br \/>\nAs civiliza\u00e7\u00f5es, as eras, n\u00f3s mesmos, tudo \u00e9 impermanente. Nosso rosto, nossos amores e paix\u00f5es mudam.<\/p>\n<p>Externamente, vemos altern\u00e2ncia de sa\u00fade, doen\u00e7a, guerra e paz. Tentamos construir um ref\u00fagio, mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, pois a morte j\u00e1 est\u00e1 em n\u00f3s mesmos. Mas isto n\u00e3o quer dizer que se v\u00e1 viver irresponsavelmente: &#8220;Bom, se \u00e9 assim, nada tem import\u00e2ncia&#8221;. Pelo contr\u00e1rio, reconhecer isso \u00e9 reconhecer que todos os seres humanos vivem as mesmas experi\u00eancias. Repartimos as mesmas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A vida \u00e9 breve, as coisas mudam e desejamos ser felizes. N\u00e3o importa a que ra\u00e7a perten\u00e7amos, n\u00e3o importa em que tempo estamos. Sempre procuramos a felicidade e fugimos do sofrimento. Este \u00e9 nosso ponto b\u00e1sico. Mas a\u00ed as coisas se complicam porque para alcan\u00e7ar minha felicidade, talvez eu seja obrigada a empurrar ou derrubar algu\u00e9m de seu lugar. E, em seguida, serei alvo de retalia\u00e7\u00e3o. Logo, n\u00e3o sendo assim t\u00e3o simples, o que \u00e9 essa felicidade?<\/p>\n<p>O primeiro discurso do Buda se chama &#8220;As Quatro Nobres Verdades&#8221;. A primeira delas \u00e9 a verdade do sofrimento. Todos conhecem o sofrimento. O sofrimento f\u00edsico, a doen\u00e7a, a velhice, o sofrimento psicol\u00f3gico. Mas o texto diz que um dos sofrimentos tamb\u00e9m \u00e9 &#8220;estar perto de quem n\u00e3o amamos e longe das pessoas que amamos&#8221;. H\u00e1 um sofrimento ainda mais sutil, que \u00e9 aquele ligado \u00e0 mudan\u00e7a, \u00e0 imperman\u00eancia. Se as coisas externas mudam e n\u00f3s mudamos, nada \u00e9 permanente. Nada tem continuidade, nem o nosso sentimento, nem aquilo que procuramos: h\u00e1 sempre uma ligeira inquietude. Ainda que estejamos completamente felizes e a situa\u00e7\u00e3o se apresente como a melhor poss\u00edvel, sempre h\u00e1, no fundo, a id\u00e9ia de que tudo pode mudar&#8230; como um pequeno ponto negro numa grande superf\u00edcie branca. Ent\u00e3o, tentamos bloquear as coisas. Tentamos alcan\u00e7ar seguran\u00e7a, mesmo sabendo que \u00e9 provis\u00f3ria.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma outra forma de sofrimento. O sofrimento da frustra\u00e7\u00e3o. Imaginem que desejamos muito alguma coisa, algo material, uma situa\u00e7\u00e3o ou uma pessoa. Se n\u00e3o pudermos obter isso, vem a frustra\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, se h\u00e1 possibilidade de conseguirmos, ent\u00e3o vivemos de esperan\u00e7as. Quando n\u00e3o se tem o desejado, pensamos que, se o tiv\u00e9ssemos, tudo ficaria perfeito e ser\u00edamos felizes. Finalmente, quando vemos nosso desejo realizado, em geral perde-se o encanto e o objeto do nosso desejo torna-se menos belo e brilhante que quando estava distante. Aquilo parecia ouro, agora \u00e9 como uma pedra amarelada. Por outro lado, outras situa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m trazem sofrimento, como pensar que se obtivermos o que queremos tudo ficar\u00e1 perfeito. E assim vamos nos repetindo. Essa \u00e9 a nossa procura por felicidade. Isto n\u00e3o quer dizer que simplesmente exista sofrimento no mundo, mas que nossa pr\u00f3pria forma de buscar a felicidade cria sofrimento.<\/p>\n<p>Estar sempre correndo atr\u00e1s de nossos desejos e fugindo de algo que possa nos alcan\u00e7ar pelas costas \u00e9 muito estressante. \u00c9 uma grande perda de energia. Ent\u00e3o, qual a origem desse sofrimento? Buda conseguiu distinguir tr\u00eas causas: a avidez, a raiva e a ignor\u00e2ncia. Voc\u00eas j\u00e1 viram um beb\u00ea quando est\u00e1 mamando? Ele o faz com uma avidez extraordin\u00e1ria, e \u00e9 preciso que assim seja. Se n\u00e3o fosse assim, ele n\u00e3o poderia sobreviver. A dificuldade \u00e9 que isso continua. O &#8220;eu quero, eu quero&#8221; conduz \u00e0 luta contra outras pessoas que querem a mesma coisa. Ent\u00e3o surge a raiva. Se n\u00e3o temos aquilo que queremos, se h\u00e1 recusa, nossa c\u00f3lera vai longe, desde palavras \u00e1speras at\u00e9 a guerra.<\/p>\n<p>Mas a raiz de tudo \u00e9 a ignor\u00e2ncia, a ignor\u00e2ncia da interdepend\u00eancia. Imaginamos um &#8220;eu&#8221; que quer obter alguma coisa e os &#8220;outros&#8221; que tamb\u00e9m desejam a mesma coisa, e ent\u00e3o nos separamos. E quando nos separamos, criamos um territ\u00f3rio para n\u00f3s mesmos. Passamos a defend\u00ea-lo e os outros tornam-se inimigos potenciais. Ent\u00e3o, vamos enfileirando muros cada vez mais espessos e altos para nos proteger, de tal forma que nem sol nem vento conseguem penetrar. Vestimos uma armadura para a guerra de todos os dias. Contudo, com o peso cada vez maior desta armadura, em breve n\u00e3o conseguimos mais nos mover. J\u00e1 n\u00e3o se pode dan\u00e7ar com a vida, com as coisas que chegam.<br \/>\nTemos medo de n\u00f3s mesmos. Temos medo uns dos outros, das nossas emo\u00e7\u00f5es e do nosso interior. O medo passa a ser o centro de nossa vida.<br \/>\nA ignor\u00e2ncia \u00e9 isto. \u00c9 estar cortado, separado dos outros e de si mesmo. Perdemos a unidade profunda com o mundo exterior e conosco mesmo. <\/p>\n<p>A pr\u00e1tica \u00e9 esta: \u00c9 estar aqui. \u00c9 voltarmos ao primeiro instante, quando pod\u00edamos estar completamente aqui. Antes de fugirmos para as lembran\u00e7as, os projetos, etc. Estar tranq\u00fcilamente no centro de tudo que existe, sem v\u00e9us, sem separa\u00e7\u00f5es com respeito \u00e0 felicidade e ao sofrimento. A isto n\u00f3s chamamos n\u00e3o-ego, n\u00e3o-sofrimento.<br \/>\nN\u00e3o que o sofrimento exterior n\u00e3o exista. \u00c9 que aceitamos o que existe.<br \/>\nEnt\u00e3o, o que \u00e9 ser livre? \u00c9 fazer ou ter tudo que queremos em nossa avidez? Ou \u00e9 estar livre destas ilus\u00f5es que nos atacam sem cessar?<\/p>\n<p>Compreender essa unidade, essa interdepend\u00eancia, \u00e9 reconhecer que os outros desejam as mesmas coisas que n\u00f3s. Eles t\u00eam a percep\u00e7\u00e3o de felicidade. Sofrem pela mesma raz\u00e3o que n\u00f3s. Este \u00e9 o in\u00edcio da compaix\u00e3o.<br \/>\nH\u00e1 uma hist\u00f3ria zen sobre a interdepend\u00eancia. \u00c9 a hist\u00f3ria de uma pessoa que obteve autoriza\u00e7\u00e3o para visitar o inferno e o para\u00edso. Chegando no inferno, ela viu pequenos seres com pequenas cabe\u00e7as e corpos enormes, e que tinham ligadas \u00e0s m\u00e3os varinhas como as que os chineses usam para comer. Todos se debatiam para alcan\u00e7ar a comida, mas n\u00e3o conseguiam lev\u00e1-la \u00e0 boca, pois as varinhas eram muito compridas. O visitante viu ent\u00e3o a avidez, o desejo pela comida na face daquelas pessoas.<br \/>\nEm seguida, foi ao para\u00edso e l\u00e1 encontrou as mesmas pessoas, com as mesmas cabecinhas e grandes corpos, com as mesmas varinhas ligadas nas m\u00e3os. Por\u00e9m, cada uma utilizava a sua varinha para alimentar a pessoa \u00e0 sua frente, e todas as faces estavam tranq\u00fcilas.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 a interdepend\u00eancia entre as pessoas.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes eu me pergunto quantos minutos por dia \u00e9 poss\u00edvel viver sem estar em rela\u00e7\u00e3o com os outros. N\u00f3s estamos em rela\u00e7\u00e3o com muitas pessoas que est\u00e3o mortas, atrav\u00e9s do que nos deixaram. Tamb\u00e9m estamos em rela\u00e7\u00e3o com muitas outras coisas, como a eletricidade, o microfone, os autom\u00f3veis, as profiss\u00f5es&#8230; Eu seria completamente incapaz de inventar a eletricidade, mas posso utiliz\u00e1-la quando preciso.<\/p>\n<p>Neste momento, no meu templo, h\u00e1 uma horta e nela trabalham pessoas que necessitam obter seu alimento. Eu poderia pensar que com algum dinheiro poderia comprar legumes, mas como n\u00e3o sei plantar, se n\u00e3o fossem essas pessoas talvez eu n\u00e3o tivesse nenhum alimento pois n\u00e3o posso comer dinheiro.<br \/>\nN\u00e3o sei se realmente poder\u00edamos viver um s\u00f3 minuto sem essa depend\u00eancia. Em todo planeta necessitamos do ar, do sol, do vento e da chuva.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, h\u00e1 um mestre zen vietnamita que diz que se voc\u00ea \u00e9 poeta, nesta folha de papel poder\u00e1 ver todo o universo. Aqui nesta folha de papel h\u00e1 o sol, que fez nascer e crescer as \u00e1rvores, o vento, a chuva, o lenhador que cortou a \u00e1rvore, a comida que este lenhador comeu, todas as pessoas que prepararam esta comida, todas as pessoas que trabalharam para fazer este papel, os que o venderam na livraria. Todo o universo est\u00e1 na folha de papel. \u00c9 isto a interdepend\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00f3s chamamos isto, nos textos, de a rede de Buda. Como na rede de pesca, onde cada linha est\u00e1 interligada uma com a outra, quando se corta uma parte, toda a rede se desfaz.<br \/>\nCompreender isso \u00e9 encontrar a origem de nosso sofrimento. Perceber que quando machucamos algu\u00e9m \u00e9 a n\u00f3s mesmos que estamos machucando. <\/p>\n<p>Mestre Dogen, fundador do Soto Zen, escreveu que apenas os loucos pensam que \u00e9 necess\u00e1rio colocar antes de tudo as suas pr\u00f3prias necessidades. O s\u00e1bio v\u00ea que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre ele e os outros. Mas, \u00e9 claro, os outros s\u00e3o sempre o problema. Quando se est\u00e1 s\u00f3 tudo vai bem. Quando se est\u00e1 s\u00f3 \u00e9 f\u00e1cil pensar que somos as pessoas mais gentis e maravilhosas do mundo. Os outros nos atrapalham o tempo todo. S\u00e3o obst\u00e1culos entre n\u00f3s e o que gostar\u00edamos de ter. De modo geral, \u00e9 assim que pensamos.<\/p>\n<p>H\u00e1 a hist\u00f3ria de um eremita que estava numa caverna sentado por anos e anos. L\u00e1 ele atingiu um samadi muito profundo, e um dia, por alguma raz\u00e3o, teve de ir \u00e0 cidade. Quando chegou l\u00e1, havia muita gente e algu\u00e9m pisou no seu p\u00e9. Ele ficou furioso. \u00c9 isso, sempre s\u00e3o os outros que atrapalham nossa pr\u00e1tica, interferindo em nosso caminho espiritual. \u00c9 justamente a compreens\u00e3o de nosso sofrimento que est\u00e1 exposta nas Quatro Nobres Verdades.<br \/>\nA terceira nobre verdade fala sobre a possibilidade de colocar um fim no sofrimento. N\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. N\u00e3o \u00e9 uma meta idealizada. Muitas vezes o Buda foi comparado a um m\u00e9dico, comparado a quem conhece a doen\u00e7a, que descreve os sintomas e que d\u00e1 o rem\u00e9dio para cur\u00e1-la.<\/p>\n<p>Como ser justo na vida cotidiana?<\/p>\n<p>\u00c9 importante nesse caminho a adequada utiliza\u00e7\u00e3o da palavra, porque penso que intuitivamente sabemos quando algo \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 justo. <\/p>\n<p>Muitas vezes isso fica muito claro, por exemplo, quando voc\u00eas est\u00e3o com amigos e dizem algo inconveniente, que talvez fosse melhor n\u00e3o ter dito. Naquele momento pareceu mais interessante chamar a aten\u00e7\u00e3o, aparentar saber mais que os outros ou ser o primeiro a dizer aquilo, mas, no fundo, sab\u00edamos que n\u00e3o era a melhor coisa a ser dita. N\u00e3o era justo.<\/p>\n<p>Justo significa adaptado \u00e0 situa\u00e7\u00e3o. Uma maneira de manter a aten\u00e7\u00e3o sobre a nossa vida a cada momento. Sobre como ela \u00e9 e n\u00e3o como gostar\u00edamos que fosse. H\u00e1, ent\u00e3o, um tipo de manipula\u00e7\u00e3o interessante. Tentamos empurrar as pessoas e as coisas para exercer o nosso desejo. Ent\u00e3o dizemos: &#8220;Ah, se essa pessoa pudesse fazer assim ou assado, se pudesse ser mais gentil&#8230;&#8221; mas se ela n\u00e3o age como desejamos, ficamos enraivecidos. E certamente os outros est\u00e3o fazendo o mesmo conosco&#8230; O estudo das Quatro Nobres Verdades pode nos fazer compreender comportamentos de nossa vida cotidiana. Por\u00e9m, isso \u00e9 te\u00f3rico, uma elabora\u00e7\u00e3o mental.<\/p>\n<p>Muitas vezes compreendemos que dever\u00edamos mudar em alguns aspectos. Nosso car\u00e1ter, nossa maneira de ser. \u00c9 muito dif\u00edcil mudar. \u00c9 por isso que a pr\u00e1tica budista est\u00e1 baseada na medita\u00e7\u00e3o. Sidarta \u00e9 o exemplo. H\u00e1 muitas falsas id\u00e9ias sobre a medita\u00e7\u00e3o. Primeiro, vou lhes dizer o que a medita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9. N\u00e3o \u00e9 um ref\u00fagio para nos apartar dos outros, do mundo. N\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ar um pequeno para\u00edso com nuvenzinhas e pequenos anjos que pulam por todo lado. N\u00e3o \u00e9 sentar para olhar o pr\u00f3prio umbigo, nem para fazer um estudo psicol\u00f3gico de si mesmo, nem para ter tempo de cuidar de tudo que deve ser feito durante o dia. N\u00e3o \u00e9 relaxamento. Praticar medita\u00e7\u00e3o \u00e9 estar preparado para olhar aquilo que est\u00e1 dentro de n\u00f3s, nossa c\u00f3lera, medo e frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo o que fechou nosso cora\u00e7\u00e3o a n\u00f3s mesmos e aos outros. Meditar \u00e9 um longo trabalho, f\u00edsica e moralmente doloroso. Pode ser mesmo aborrecido, mas \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio. \u00e0s vezes utilizamos uma compara\u00e7\u00e3o: N\u00e3o podemos ver atrav\u00e9s de um copo com \u00e1gua lamacenta, devido \u00e0s impurezas em suspens\u00e3o. Se colocarmos o copo tranq\u00fcilamente sobre a mesa, aos poucos as impurezas v\u00e3o decantando e a \u00e1gua vai ficando l\u00edmpida, pura e transparente. Da mesma forma, nosso esp\u00edrito est\u00e1 constantemente agitado com projetos, desejos, contentamentos, descontentamentos e recorda\u00e7\u00f5es. \u00c9 impressionante nossa primeira medita\u00e7\u00e3o, quando vemos tudo isso em nossa cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Nos textos cl\u00e1ssicos, o esp\u00edrito \u00e9 comparado a um macaco. O macaco \u00e9 muito interessante de ser observado. Ele pega um objeto, olha, larga, pega um outro, larga&#8230; Est\u00e1 sempre em movimento, nunca p\u00e1ra. Pode ser l\u00fadico observ\u00e1-lo assim, mas se imaginarmos o macaco conosco durante as 24 horas do dia, seria muito cansativo. Contudo, n\u00f3s fazemos a mesma coisa. Nossa mente n\u00e3o repousa. A\u00ed est\u00e1 a import\u00e2ncia da medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso prestar aten\u00e7\u00e3o, pois come\u00e7amos, evidentemente, com a id\u00e9ia de nos tornarmos uma pessoa melhor. Vamos deixar de sofrer, vamos estar em harmonia com as demais pessoas. Come\u00e7amos logo por nossos desejos. N\u00e3o s\u00e3o desejos materiais, s\u00e3o desejos espirituais. Al\u00e9m disso, temos a consci\u00eancia tranq\u00fcila, pois dizemos: &#8220;Ah, que pessoa maravilhosa, que ser espiritual estou me tornando&#8221;. Mas a medita\u00e7\u00e3o, o zazen, n\u00e3o \u00e9 isso. \u00c9 apenas estar l\u00e1, sentado. Mesmo sendo desagrad\u00e1vel. S\u00f3 quando estamos enraizados em n\u00f3s mesmos \u00e9 que podemos formar uma rela\u00e7\u00e3o apropriada conosco e com os outros. Uma rela\u00e7\u00e3o direta, n\u00e3o afetada por nossos sonhos e ilus\u00f5es. \u00c9 como uma roda. \u00c9 necess\u00e1rio um ponto fixo para que a roda possa girar.<br \/>\nTodas as vias espirituais oferecem um caminho. \u00c9 preciso fazer uma escolha e segui-la com determina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio para isso tornar-se monge. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio seguir o ensinamento b\u00fadico a ponto de deixar a fam\u00edlia, os bens, mas ser\u00e1 necess\u00e1rio abandonar muitas coisas no caminho, para que possamos avan\u00e7ar mais levemente, sem transportarmos tanto &#8220;peso&#8221;.<br \/>\nGosto muito da id\u00e9ia de dan\u00e7ar. Dan\u00e7ar com a vida, levemente, em cada instante.<br \/>\nUm samurai muito bonito, com sua grande espada, seu uniforme, vai ao encontro de um monge zen e lhe diz: &#8220;Ensine-me o Darma do Buda, diga-me o que \u00e9 o inferno e o que \u00e9 o para\u00edso&#8221;. O pequeno monge olha para o samurai de alto a baixo e pergunta: &#8220;O que queres que te ensine? Olhe para voc\u00ea mesmo, veja o que voc\u00ea parece. N\u00e3o \u00e9 sequer um samurai com esta espada enferrujada&#8221;. &#8211; O samurai, ouvindo isso, sacou a espada pronto para cortar a cabe\u00e7a do monge, que lhe diz: &#8220;Aqui se abrem as portas do inferno.&#8221; O samurai compreende e guarda a sua espada. O monge ent\u00e3o lhe diz: &#8220;Aqui se abrem as portas do para\u00edso&#8221;. <\/p>\n<p>N\u00e3o podemos sempre dizer que as coisas est\u00e3o l\u00e1 fora, no exterior. \u00c9 necess\u00e1rio voltar-se para si mesmo. A nossa pr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica ego\u00edsta. Eu realmente penso que tornando mais leve nosso sofrimento, estamos diminuindo o sofrimento de todo o mundo.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o ensinamento de 25 s\u00e9culos do Buda \u00e9 sempre atual, condizente com nossa vida de hoje. Por isso tornei-me uma monja. Quando comecei a praticar a medita\u00e7\u00e3o, pensei: &#8220;\u00c9 a coisa mais importante do mundo&#8221;. Fui ent\u00e3o para o Jap\u00e3o. Procurei um templo e um mestre. Quando os encontrei, raspei a cabe\u00e7a e me tornei monja. Fiquei v\u00e1rios anos nesse templo e recebi de meu mestre o selo da transmiss\u00e3o &#8220;mestre-disc\u00edpulo&#8221;, conforme a tradi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMeu mestre me pediu que voltasse a meu pa\u00eds, a Fran\u00e7a, e abrisse um mosteiro onde pudesse repassar o que recebi. Ali chegam pessoas leigas para viver, em retiros de alguns dias, uma semana, um m\u00eas, a vida de um monge zen: medita\u00e7\u00e3o e trabalho.<\/p>\n<p>Depois vim para a Am\u00e9rica Latina, como fez meu mestre, e \u00e9 a oportunidade que tenho de falar, de dar este ensinamento. Estou muito contente de estar aqui esta noite. H\u00e1 um poema zen que aprecio muito e que diz: &#8220;Como a andorinha que voa no c\u00e9u, completamente livre&#8221;. Este \u00e9 o ensinamento. Muito obrigada. <\/p>\n<hr \/>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VIVENDO BUDA Zuymyo Joshin Sensei (Mestra Zen da escola Soto, superiora do templo &#8220;La Demeure Sans Limites&#8221;) Esta noite, n\u00e3o vou falar de coisas extraordin\u00e1rias, maravilhosas, mas apenas de como vivemos a vida cotidiana. 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