{"id":5355,"date":"2018-06-28T12:16:37","date_gmt":"2018-06-28T14:16:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5355"},"modified":"2018-06-28T13:13:29","modified_gmt":"2018-06-28T15:13:29","slug":"os-fundamentos-do-budismo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/os-fundamentos-do-budismo\/","title":{"rendered":"Os fundamentos do budismo"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/os-fundamentos-do-budismo\/os-fundamentos-do-budismo-2\/\" rel=\"attachment wp-att-5357\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/os-fundamentos-do-budismo.jpg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"183\" class=\"alignleft size-full wp-image-5357\" \/><\/a><br \/>\n<b>OS FUNDAMENTOS DO BUDISMO<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b>Jamgon Kongtrul Rimpoche III <\/b><\/i><\/div>\n<p>O objetivo principal de todas as tradi\u00e7\u00f5es espirituais \u00e9 o mesmo, isto \u00e9, levar compreens\u00e3o e bem-estar \u00e0 vida de todos. Mas, ainda que tenham os mesmos objetivos, cada tradi\u00e7\u00e3o espiritual tem uma abordagem caracter\u00edstica. Hoje, falarei sobre o que chamo de tradi\u00e7\u00e3o budista.<br \/>\nH\u00e1 quem pense que o budismo \u00e9 uma religi\u00e3o oriental, um produto do Oriente, ou de um conjunto de culturas orientais. Quando se associa budismo com Tibet ou tibetanos, pensa-se que o budismo \u00e9 tibetano. O budismo n\u00e3o \u00e9 uma cren\u00e7a ou tradi\u00e7\u00e3o numa cultura, ou seja, n\u00e3o \u00e9 nem especificamente oriental nem especificamente tibetano. O budismo \u00e9 mais do que cren\u00e7a associada a uma cultura. O fundamento do budismo \u00e9 a compreens\u00e3o da natureza b\u00e1sica das coisas e dos fen\u00f4menos. Assim, os ensinamentos budistas tratam da natureza das coisas e da premissa de que cada indiv\u00edduo, sem exce\u00e7\u00e3o, tem potencial para experienciar a sanidade total inerente a todos os seres. Assim, o budismo n\u00e3o \u00e9 apenas uma cren\u00e7a levada a s\u00e9rio por certas pessoas ou grupos, mas um ac\u00famulo de conhecimentos e experi\u00eancias da natureza e do potencial dos seres. <\/p>\n<p>Os ensinamentos budistas adaptam-se a todos os contextos culturais, por tratarem simplesmente da natureza fundamental da experi\u00eancia, e assim, filosoficamente, o budismo est\u00e1 al\u00e9m de qualquer forma condicionada. Pode-se tamb\u00e9m dizer, a verdade absoluta ou suprema est\u00e1 al\u00e9m da forma condicionada. <\/p>\n<p>Toda forma condicionada est\u00e1 sujeita a mudan\u00e7as, e o que est\u00e1 sujeito a mudan\u00e7as n\u00e3o cont\u00e9m verdade absoluta. N\u00e3o pode haver duas verdades absolutas, ou, ent\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o absolutas. Mas a vis\u00e3o filos\u00f3fica precisa ser realizada para que se possa experienciar a verdade absoluta. Quando falamos de experienciar, n\u00e3o \u00e9 especula\u00e7\u00e3o ou conjectura, mas sim uma postura intelectual em que se determina que &#8220;deve ser assim&#8221;. Contudo, a experi\u00eancia fala por si. Quando procuramos integrar a perspectiva filos\u00f3fica \u00e0s pr\u00e1ticas espec\u00edficas do cotidiano, e com os nossos prop\u00f3sitos \u00edntimos, no contexto da nossa realidade relativa, associa-se a forma. E, como na pr\u00e1tica de toda forma, a tradi\u00e7\u00e3o budista pode parecer uma religi\u00e3o ou uma cren\u00e7a. <\/p>\n<p>Cada um de n\u00f3s, no entanto, deseja ardentemente se libertar do sofrimento e da dor. Assim, ao nos dedicarmos a qualquer atividade queremos avan\u00e7ar, libertando-nos cada vez mais do sofrimento. E, enquanto continuamos na busca, \u00e9 muito raro sermos bem sucedidos ou nos contentarmos com o que alcan\u00e7amos. \u00c0s vezes nos sentimos bem, mas por tr\u00e1s da satisfa\u00e7\u00e3o pessoal h\u00e1 uma sutil insatisfa\u00e7\u00e3o. Quanto mais sucesso encontramos, maior a insatisfa\u00e7\u00e3o, menor a modera\u00e7\u00e3o. Por causa de certos h\u00e1bitos da nossa mente n\u00e3o somos capazes de estabelecer limites, e dessas insatisfa\u00e7\u00f5es nos vem mais sofrimento. Isto n\u00e3o \u00e9 uma for\u00e7a de express\u00e3o, mas vem da experi\u00eancia e nossas vidas o comprovam.<br \/>\nPor que n\u00e3o alcan\u00e7amos a felicidade que perseguimos sem cessar? Porque partimos de uma confus\u00e3o muito grande sobre o que \u00e9 o sofrimento. Tentamos nos livrar do sofrimento, da sensa\u00e7\u00e3o de sofrimento, mas n\u00e3o sabemos nem compreendemos o que deve ser feito. Nunca nos damos a oportunidade, nunca encontramos o conhecimento que permite observar o que causa o sofrimento. Porque, se n\u00e3o nos libertarmos da causa do sofrimento, tentar fugir da sensa\u00e7\u00e3o de sofrimento \u00e9 como arranhar uma superf\u00edcie, n\u00e3o chegamos ao problema fundamental. Em geral, tentamos evitar a sensa\u00e7\u00e3o de sofrimento. Temos a id\u00e9ia de que \u00e9 errado sofrer, de que existe fora de n\u00f3s algo real do qual n\u00e3o devemos nos aproximar. Mas por mais que se queira fugir da sensa\u00e7\u00e3o de sofrimento, se n\u00e3o nos libertarmos da causa do sofrimento nunca nos libertaremos da sensa\u00e7\u00e3o de sofrimento. Por isso, temos uma id\u00e9ia muito errada de que devemos nos livrar do sofrimento e n\u00e3o da causa do sofrimento, de que o sofrimento \u00e9 criado externamente. As circunst\u00e2ncias exteriores podem influir, mas n\u00e3o s\u00e3o, de forma alguma, as causas do sofrimento. O grau de influ\u00eancia que as circunst\u00e2ncias externas podem ter sobre n\u00f3s depende do quanto vamos deixar que elas nos influenciem. A primeira das Quatro Nobres Verdades, conhecidas como o primeiro ensinamento do Buda Sakiamuni, \u00e9 que precisamos conhecer e compreender o sofrimento. Compreender a verdade do sofrimento. Ele n\u00e3o disse &#8220;livrem-se do sofrimento&#8221;, mas &#8220;compreendam a verdade sobre o sofrimento&#8221;. E o que ser\u00e1 que o Buda Sakiamuni quer dizer com &#8220;compreendam a verdade sobre o sofrimento?&#8221;<\/p>\n<p>Se pudermos compreender a verdade sobre o sofrimento, temos a virtude de poder come\u00e7ar a compreender a causa do sofrimento. O sofrimento n\u00e3o acontece simplesmente, o sofrimento tem a sua causa, como todas as coisas. Devido \u00e0 natureza interdependente de todas as coisas, n\u00e3o h\u00e1 conseq\u00fc\u00eancia sem causa. Assim, na segunda Nobre Verdade, o Buda Sakiamuni disse que precisamos nos livrar das causas do sofrimento. As causas do sofrimento s\u00e3o padr\u00f5es conflitantes de emo\u00e7\u00e3o e carma. Nossas v\u00e1rias tend\u00eancias habituais s\u00e3o fruto da ignor\u00e2ncia. Quando nos referimos \u00e0 ignor\u00e2ncia, queremos dizer a no\u00e7\u00e3o de um eu ou ego que tenha exist\u00eancia inerente. Devido \u00e0 id\u00e9ia da exist\u00eancia do si-mesmo, do eu ou do ego, automaticamente nos vem a fixa\u00e7\u00e3o referencial da no\u00e7\u00e3o do outro, da perman\u00eancia do sujeito e do objeto, ou, em outras palavras, a no\u00e7\u00e3o dualista de eternalismo e niilismo. <\/p>\n<p>Nossa tend\u00eancia normal \u00e9 acreditar que as coisas, ou o que quer que seja, existem permanentemente. Da\u00ed crermos no eternalismo. Mas nada \u00e9 permanente e quando vem a mudan\u00e7a, somos abalados por termos acreditado na perman\u00eancia. Mas a realidade n\u00e3o confirma o que pensamos. Portanto, n\u00e3o \u00e9 a mudan\u00e7a que nos traz o sofrimento, \u00e9 o fato de crermos na perman\u00eancia, no eternalismo. N\u00e3o temos a compreens\u00e3o de que os fen\u00f4menos existem interdependentemente. Tudo existe interdependentemente, e o que existe interdependentemente n\u00e3o tem perman\u00eancia. Portanto, ou cremos na perman\u00eancia de tudo ou vamos para o outro extremo, acreditando na n\u00e3o-exist\u00eancia de tudo, e ca\u00edmos no niilismo.<\/p>\n<p>Vivemos num conflito entre o eternalismo e o niilismo, dissociados da realidade fundamental, da natureza das coisas. Este conflito \u00e9 causado por tend\u00eancias habituais ou fixa\u00e7\u00f5es dualistas.<br \/>\nPor crermos nesta fixa\u00e7\u00e3o habitual da perman\u00eancia do sujeito, na no\u00e7\u00e3o de perman\u00eancia do objeto e na separa\u00e7\u00e3o de ambos, temos toda esp\u00e9cie de atitude err\u00f4nea, como raiva, agress\u00e3o, desejo. Estas fixa\u00e7\u00f5es nos levam a agir de forma confusa, nos envolvendo em todo tipo de a\u00e7\u00f5es nefastas do corpo, da palavra e da mente, que contribuem para o ac\u00famulo de tend\u00eancias habituais. Quanto mais h\u00e1bitos confusos acumularmos, mais a\u00e7\u00f5es nefastas surgir\u00e3o sem que se tenha qualquer controle.<\/p>\n<p>Desta forma, um certo h\u00e1bito ou c\u00edrculo vicioso se inicia. Pensamos que, como seres humanos, somos medianamente espertos, temos algum controle sobre nossas vidas, tomamos nossas pr\u00f3prias decis\u00f5es e decidimos e agimos livremente. Se o nosso desejo \u00e9 experimentar mais dor, ent\u00e3o nossas decis\u00f5es se aplicam muito bem. Contudo, n\u00e3o tomamos decis\u00f5es fundadas na liberdade e na sabedoria, mas as tomamos com base na confus\u00e3o e somos levados pela confus\u00e3o que nos engana. Somos permanentemente atra\u00eddos pelas nossas pr\u00f3prias confus\u00f5es. Um exemplo patente sobre o que estamos falando \u00e9 o caso da ira. Ningu\u00e9m tem o desejo sincero de ficar zangado. Se pensarmos, &#8220;quero mesmo ficar zangado&#8221;, provavelmente n\u00e3o nos zangaremos. Mas, por causa da for\u00e7a das nossas tend\u00eancias habituais, ficamos zangados e n\u00e3o temos qualquer controle sobre esta emo\u00e7\u00e3o. Ainda que pensemos que, como seres humanos, controlamos as atividades das nossas vidas, quando zangados dizemos coisas pouco inteligentes e confusas. Assim, j\u00e1 n\u00e3o sabemos o que estamos dizendo. Se ficarmos mais zangados nosso corpo come\u00e7a a tremer, e n\u00f3s, que valorizamos a compostura, temos de confessar que o tremor n\u00e3o \u00e9 uma express\u00e3o de controle. \u00c9 a experi\u00eancia da ira. <\/p>\n<p>Mas depois do trauma passa a distor\u00e7\u00e3o e refletimos sobre o que aconteceu. Se formos um pouco s\u00e1bios pensamos, em voz alta ou n\u00e3o, &#8220;eu n\u00e3o fiz bem&#8221;. Fica claro que seria melhor n\u00e3o ter dito o que foi dito. Ficamos desolados com o que fizemos naquele estado. E nenhuma pessoa normal diria para algu\u00e9m que acaba de sair de uma crise de f\u00faria: &#8220;Que barato!&#8221; Pois a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi praticada sob controle. Se assim fosse, ter\u00edamos feito algo bom. Por ser extremamente desagrad\u00e1vel, dolorosa e perturbadora, nenhuma pessoa sensata lhe aconselharia a &#8220;curtir sua ira&#8221;.<br \/>\nTanto para voc\u00ea como para os outros, a ira nunca \u00e9 uma express\u00e3o de controle. Experimentamos a vida dominados por nossas tend\u00eancias habituais. Nossa vida \u00e9 a moldura dessas tend\u00eancias. A sensa\u00e7\u00e3o de sofrimento vem da viv\u00eancia em nossas mentes de nossos h\u00e1bitos confusos. <\/p>\n<p>Segundo a tradi\u00e7\u00e3o budista, se n\u00e3o formos capazes de lidar com as nossas tend\u00eancias habituais, se n\u00e3o formos capazes de gradativamente nos livrar das muitas tend\u00eancias habituais de nossas vidas, nunca experimentaremos a liberta\u00e7\u00e3o do sofrimento ou a felicidade. Tentar modificar o que est\u00e1 fora n\u00e3o nos servir\u00e1 de nada, porque a forma como vemos e reagimos \u00e0s coisas \u00e9 resultado de nossas proje\u00e7\u00f5es mentais. Para nos libertarmos das nossas tend\u00eancias habituais, precisamos desenvolver a estabilidade de uma mente alerta, j\u00e1 que n\u00e3o temos controle sobre o que fazemos. <\/p>\n<p>Para experimentar maior estabilidade da mente e liberta\u00e7\u00e3o da confus\u00e3o recomenda-se a pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o. Medita\u00e7\u00e3o, na tradi\u00e7\u00e3o budista, significa desenvolver h\u00e1bitos mentais saud\u00e1veis e, gradualmente, atrav\u00e9s deles, uma vis\u00e3o mais profunda da natureza n\u00e3o-condicionada e sem distor\u00e7\u00f5es da nossa mente. E aqui est\u00e1 o problema: por acreditar o tempo todo que o problema \u00e9 externo, voc\u00ea est\u00e1 projetando para o exterior o problema interior. <\/p>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o h\u00e1 v\u00e1rias etapas, segundo a necessidade e a capacidade de cada um. Em geral, procura-se desenvolver a estabilidade e a clareza da mente ou t\u00e9cnicas que possam acentuar tais aspectos, e com este tipo de trabalho de base compreender a import\u00e2ncia de desenvolver a bondade. Primeiro, \u00e9 muito importante que se reconhe\u00e7a que todo o sofrimento vem de nosso interior, dos h\u00e1bitos de nossa mente, e que o potencial para nos libertarmos do sofrimento tamb\u00e9m vem de nosso interior. Muita gente pensa que isso est\u00e1 fora de seu controle, n\u00e3o age e sente-se insignificante, quando na verdade temos a capacidade de vir a ser totalmente despertos e iluminados. A ess\u00eancia dos ensinamentos de Buda Sakiamuni \u00e9, nas suas pr\u00f3prias palavras, &#8220;N\u00e3o cometer um \u00fanico ato nefasto&#8221;. Isto quer dizer agir de forma que nenhuma a\u00e7\u00e3o seja motivada por apego ego\u00edsta, e n\u00e3o prejudicar os outros. Em outras palavras, n\u00e3o deixar que a mente seja levada pelas emo\u00e7\u00f5es conflitantes ou tend\u00eancias habituais. Devemos perseverar para agir com total desapego. <\/p>\n<p>Quer dizer, precisamente aquilo que nos for mais precioso ser\u00e1 igualmente precioso para os outros. Na mesma medida em que queremos ser felizes e nos libertar do sofrimento, precisamos reconhecer que os outros t\u00eam exatamente a mesma aspira\u00e7\u00e3o. Portanto, por amor, por compaix\u00e3o, fazer tudo que estiver ao nosso alcance para ajudar os outros, abandonar tudo que for nefasto e dedicarmo-nos as a\u00e7\u00f5es virtuosas. Estaremos, assim, cultivando a experi\u00eancia da mente totalmente apaziguada, que \u00e9 a express\u00e3o da total n\u00e3o-agressividade e docilidade incondicional. <\/p>\n<p>A doutrina \u00e9 alcan\u00e7ar este estado da mente, disse o Buda. N\u00e3o existe outra doutrina ou verdade. Seria excelente se voc\u00eas fossem capazes de trabalhar suas mentes na pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante sentar um pouco sozinho e, em vez de procurar sempre conhecer os outros, come\u00e7ar a se conhecer um pouco mais. J\u00e1 que temos de conviver conosco mesmos, \u00e9 melhor nos conhecermos um pouco. Talvez ainda tenhamos uma surpresa agrad\u00e1vel. <\/p>\n<p>Temos mais recursos do que pensamos. Como dizem os ensinamentos, o estado b\u00fadico, a ilumina\u00e7\u00e3o, \u00e9 para nosso pr\u00f3prio proveito. N\u00e3o \u00e9 algo distante, que temos de esperar at\u00e9 algu\u00e9m nos fazer o favor de trazer. A quest\u00e3o \u00e9 saber se somos capazes de reconhecer todo o nosso potencial. O auto-conhecimento n\u00e3o \u00e9 apenas uma grande responsabilidade para cada um de n\u00f3s. A oportunidade, assim como o suporte e o acompanhamento, tamb\u00e9m est\u00e3o aqui. E n\u00e3o apenas para que cada um se conhe\u00e7a melhor. Quanto mais verdadeiramente bem nos sentirmos, mais verdadeiramente bondosos seremos para com os outros. <\/p>\n<p>Ao recomendar a pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estou dizendo a ningu\u00e9m que se converta ao budismo. Qualquer um pode meditar, desde que tenha uma mente e conhe\u00e7a o m\u00e9todo. <\/p>\n<p><b>Perguntas e Respostas<\/b> <\/p>\n<p>P. Como o budismo explica o sentimento de culpa?<br \/>\nR. Depende do que voc\u00ea entende por culpa. Se tiver consci\u00eancia de ter feito algo de mal trata-se de culpa e deve ser elaborado, para que este tipo de a\u00e7\u00e3o confusa n\u00e3o se repita. Quando \u00e9 assim, o sentimento de culpa \u00e9 positivo. Se voc\u00ea cr\u00ea que fez algo de mal e sente-se culpado, mas n\u00e3o sabe de que, ent\u00e3o \u00e9 ignor\u00e2ncia. Por outro lado, se sente-se culpado e continua com esta sensa\u00e7\u00e3o de culpa, sem elaborar sobre ela, ent\u00e3o voc\u00ea est\u00e1 apenas acumulando o h\u00e1bito de sentir-se culpado. <\/p>\n<p>P. O que \u00e9 a felicidade?  O senhor \u00e9 feliz?<br \/>\nR. Segundo os ensinamentos do Buda, a verdadeira felicidade se encontra al\u00e9m do apego \u00e0 felicidade ou da aus\u00eancia de felicidade. Se voc\u00ea est\u00e1 apegado a felicidade, voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 feliz. Porque, como j\u00e1 dissemos, tudo o que existe est\u00e1 inter-relacionado. Por causa do apego \u00e0 felicidade encontramos a infelicidade. O que est\u00e1 no alto tem de baixar, o que est\u00e1 embaixo tem de subir, o que \u00e9 curto fica comprido, o que \u00e9 comprido fica curto. Portanto, se a felicidade consiste em chegar a qualquer parte, tamb\u00e9m quer dizer que tem voltar. Nesse contexto, a verdadeira felicidade est\u00e1 al\u00e9m da experi\u00eancia da verdadeira felicidade. Al\u00e9m do reino dos conceitos. Isto responde sua pergunta? <\/p>\n<p>P. Ele quer saber se o senhor \u00e9 feliz.<br \/>\nR. Espero que sim. Em outras palavras, se a felicidade est\u00e1 para al\u00e9m dos conceitos, como posso saber se sou feliz? O que est\u00e1 para al\u00e9m dos conceitos n\u00e3o pode ser verbalizado. <\/p>\n<p>P. Pode haver felicidade no casamento?<br \/>\nR. Depende do estado da sua mente. O relacionamento em si n\u00e3o tem nada de positivo nem de negativo. O significado que ele tem para voc\u00ea, o seu objetivo, tudo depende apenas da sua mente. Voc\u00ea faria tamb\u00e9m uma boa monja, sabe? <\/p>\n<hr \/>\n<p><i><b>Jamgon Kongtrul Rimpoche III<\/b> &#8211; Primeiro grande mestre vajraiana a visitar o Brasil, sustentador do movimento ecum\u00eanico budista Rime [n\u00e3o-sect\u00e1rio], e fundador do mosteiro da linhagem Karma Kagiu no Rio de Janeiro. Texto editado por Bodisatva a partir da palestra de 2 de dezembro de 1989, no Condom\u00ednio Mandala, Rio de Janeiro, traduzida por Nhandup Burkhar.<\/i><\/p>\n<hr \/>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OS FUNDAMENTOS DO BUDISMO Jamgon Kongtrul Rimpoche III O objetivo principal de todas as tradi\u00e7\u00f5es espirituais \u00e9 o mesmo, isto \u00e9, levar compreens\u00e3o e bem-estar \u00e0 vida de todos. Mas, ainda que tenham os mesmos objetivos, cada tradi\u00e7\u00e3o espiritual tem &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/os-fundamentos-do-budismo\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[21,75],"class_list":["post-5355","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mestres","tag-budismo","tag-jamgon-kongtrul-rimpoche"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5355","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5355"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5355\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5359,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5355\/revisions\/5359"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}