{"id":5369,"date":"2018-06-28T15:20:07","date_gmt":"2018-06-28T17:20:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5369"},"modified":"2018-06-28T15:22:18","modified_gmt":"2018-06-28T17:22:18","slug":"a-nao-dualidade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-nao-dualidade\/","title":{"rendered":"A n\u00e3o-dualidade"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-nao-dualidade\/a-nao-dualidade-2\/\" rel=\"attachment wp-att-5371\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/A-n\u00e3o-dualidade-300x188.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"188\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5371\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/A-n\u00e3o-dualidade-300x188.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/A-n\u00e3o-dualidade.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<b>A N\u00c3O-DUALIDADE<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b>Lama Yeshe <\/b><\/i><\/div>\n<p> Durante o ver\u00e3o de 1977, o Lama Yeshe visitou Madison, Wisconsin, e ficou na casa e centro de seu mestre, o Geshe Lhun-dup Sopa. L\u00e1, ele deu seis semanas de aulas sobre o texto de Maitreya Discriminating between Relative and Ultimate Reality (Dharma-dhatmata-vibhanga-karika) (Discriminando entre Realidade Relativa e Definitiva), do qual o que se segue \u00e9 um breve ex- trato. 0 texto b\u00e1sico de Maitreya \u00e9 uma abordagem din\u00e2mica e meditativa da profunda vis\u00e3o da realidade, enfatizando a n\u00e3o-dualidade natural de toda a exist\u00eancia. No trecho seguinte, o Lama Yeshe comenta algumas id\u00e9ias centrais desse texto e apresenta introdu\u00e7\u00e3o ao pensamento n\u00e3o-dualista.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhum interesse ou valor em estudar esse tema como mero estimulo intelectual. Isso seria uma completa perda de tempo. O conhecimento contido no ensinamento de Maitreya \u00e9 incrivelmente profundo, mas s\u00f3 vale a pena se for abordado com a devida motiva\u00e7\u00e3o. A n\u00e3o ser que nos empenhemos nesse estudo com a inten\u00e7\u00e3o de erradicar nossos problemas psicol\u00f3gicos, seria melhor passar o nosso tempo tentando produzir coca-cola, por exemplo; pelo menos, matar\u00edamos a nossa sede. <\/p>\n<p>Provavelmente, todos j\u00e1 ouvimos falar sobre a medita\u00e7\u00e3o Mahamudra. &#8220;Maha&#8221; quer dizer grande e &#8220;mudra&#8221; significa selo. Se eu tiver um selo do governo ningu\u00e9m me impedir\u00e1 a passagem ou me incomodar\u00e1. Quando h\u00e1 um selo governamental em meu passaporte, tenho a liberdade de ir para onde quiser. O selo do Mahamudra \u00e9 parecido, mas estamos falando aqui sobre um estado da mente que transcende nossa simples vis\u00e3o dualista da exist\u00eancia. Esse \u00e9 o grande selo que nos liberta da pris\u00e3o do sansara. O Mahamudra em si \u00e9 a n\u00e3o-dualidade. \u00c9 a natureza absoluta e verdadeira de todos os fen\u00f4menos universais, sejam eles interiores ou exteriores.<\/p>\n<p>O que significa o termo &#8220;n\u00e3o-dualidade&#8221;? Todos os fen\u00f4menos existentes, sejam eles considerados bons ou maus, s\u00e3o por natureza transcendentes a dualidade, transcendentes as nossas falsas discrimina\u00e7\u00f5es. Nada do que existe acontece fora da n\u00e3o-dualidade. Em outras palavras, todas as energias existentes nascem dentro da n\u00e3o-dualidade, funcionam dentro da n\u00e3o-dualidade e, por fim, desaparecem na natureza da n\u00e3o-dualidade. N\u00f3s nascemos nesta Terra, vivemos e desaparecemos sempre dentro do espa\u00e7o da n\u00e3o-dualidade. Trata-se de uma verdade simples e natural e n\u00e3o de uma filosofia fabricada pelo Buda Maitreya. Estamos falando sobre fatos concretos e sobre a natureza fundamental da realidade, nem mais nem menos.<\/p>\n<p>Se quisermos compreender o Mahamudra, \u00e9 essencial que desenvolvamos a habilidade da arte da medita\u00e7\u00e3o. Mas para meditar adequadamente, devemos ouvir primeiro uma exposi\u00e7\u00e3o perfeita do assunto. Isso nos dar\u00e1 uma compreens\u00e3o exata e precisa do objetivo da medita\u00e7\u00e3o. Se tivermos a clara inten\u00e7\u00e3o de por em pr\u00e1tica essas explica\u00e7\u00f5es sobre a medita\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o o mero fato de ouvir os ensinamentos torna-se uma poderosa experi\u00eancia, em vez de alguma esp\u00e9cie de &#8220;viagem&#8221; intelectual superficial.<\/p>\n<p>Compreender que a mente dualista, perdida em falsas discrimina\u00e7\u00f5es, e a origem do sofrimento sem come\u00e7o nem fim da pr\u00f3pria pessoa e dos outros, \u00e9 ter uma vis\u00e3o intuitiva verdadeiramente valiosa que ir\u00e1 modificar profundamente a qualidade de nossa vida di\u00e1ria.<\/p>\n<p>A mente dualista \u00e9 contradit\u00f3ria por natureza. Ela estabelece um dialogo interior que vem perturbando a nossa paz. Estamos sempre pensando: &#8220;Talvez isto, talvez aquilo, talvez qualquer outra coisa&#8221; &#8211; e assim por diante. O pensamento dualista perpetua o conflito dentro da nossa mente. Ele nos torna agitados e profundamente confusos. Quando chegamos a conclus\u00e3o de que essa confus\u00e3o \u00e9 o resultado de urna mente condicionada pela vis\u00e3o dualista da realidade, ent\u00e3o poderemos fazer alguma coisa a respeito. At\u00e9 l\u00e1, ser\u00e1 imposs\u00edvel lutar contra o problema, porque n\u00e3o identificamos corretamente sua verdadeira causa. N\u00e3o \u00e9 suficiente tratar apenas dos sintomas. \u00c9 claro que devemos erradicar completamente a origem dos nossos problemas, se quisermos ficar verdadeiramente livres deles.<\/p>\n<p>Na medida em que a nossa compreens\u00e3o e o nosso conhecimento do Mahamudra se aprofundam, compreendemos que o modo como as coisas nos parecem \u00e9 uma mera proje\u00e7\u00e3o da nossa mente. Por exemplo, n\u00e3o se trata da quest\u00e3o de se Madison, Wisconsin, existem ou n\u00e3o, mas se o modo como os vemos de fato existe ou n\u00e3o. Deve ficar claro que isso difere da vis\u00e3o niilista, que afirma que nada existe. Estamos apenas procurando ter uma vis\u00e3o correta da realidade.<\/p>\n<p>Para esclarecer ainda mais este ponto, podemos investigar as fantasias que projetamos sobre os nossos amigos e sobre as pessoas com quem convivemos ou que encontramos diariamente. Nossa mente dualista projeta uma m\u00e1scara de atra\u00e7\u00e3o ou de rejei\u00e7\u00e3o sobre a imagem mostrada por todas as pessoas que encontramos, ocasionando o aparecimento de rea\u00e7\u00f5es de desejo ou de avers\u00e3o, que matizam nossas atitudes e o nosso comportamento com rela\u00e7\u00e3o a essas pessoas. E come\u00e7amos a discriminar: &#8220;Ele \u00e9 bom&#8221; ou &#8220;Ela \u00e9 m\u00e1&#8221;. Se essas atitudes r\u00edgidas e preconceituosas j\u00e1 impossibilitam a comunica\u00e7\u00e3o adequada com nossos amigos mais \u00edntimos, o que dizer da comunica\u00e7\u00e3o com a profunda sabedoria de um ser iluminado, de um Buda?<\/p>\n<p>Se investigarmos persistentemente as maquina\u00e7\u00f5es interiores da mente, seremos finalmente capazes de mudar nossa maneira habitualmente r\u00edgida de perceber o universo e de deixar espa\u00e7o e luz dentro da nossa consci\u00eancia. Com o tempo, teremos um discernimento do que significa, na verdade, a n\u00e3o-dualidade. Nessa altura, dever\u00edamos simplesmente meditar sem manter pensamentos intelectuais ou discursivos. Com forte determina\u00e7\u00e3o, devemos apenas deixar a mente meditar intencionalmente sobre a vis\u00e3o da n\u00e3o-dualidade, al\u00e9m de sujeito\/objeto, do bom\/mau e assim por diante. A vis\u00e3o da n\u00e3o-dualidade pode ser t\u00e3o v\u00edvida e poderosa que quase julgamos poder alcan\u00e7\u00e1-la e toc\u00e1-la. \u00c9 muito importante matizar a mente apenas com essa nova experi\u00eancia de alegria e luminosidade, sem busc\u00e1-la atrav\u00e9s de an\u00e1lise. Devemos compreender diretamente que a n\u00e3o-dualidade \u00e9 a verdade universal da realidade. Ao dirigir nossa mente ao longo do caminho do dharma, \u00e9 melhor n\u00e3o esperar demais logo no come\u00e7o. O caminho \u00e9 um processo gradual que deve ser percorrido passo a passo. Antes que algu\u00e9m possa seguir pr\u00e1ticas que tragam resultados r\u00e1pidos e profundos, h\u00e1 outras t\u00e9cnicas preparat\u00f3rias que devem ser realizadas. [&#8230;]<\/p>\n<p>Ajuda bastante perceber que a compreens\u00e3o da n\u00e3o-dualidade apresenta muitos n\u00edveis ou graus. Do ponto de vista filos\u00f3fico, h\u00e1 duas escolas indianas de pensamento budista mahayana: a Chittamatrin, ou escola Mente \u00danica, e a Madhyamika, ou escola do Caminho do Meio, com a sua subdivis\u00e3o Prasangika ou Conseq\u00fcencialista. Ambas as escolas concordam que a vis\u00e3o dualista \u00e9 enganadora, e por isso irreal, e ambas defendem que a n\u00e3o-dualidade \u00e9 a natureza absoluta de todas as coisas e por isso \u00e9 verdadeira. Apesar das escolas Mente \u00danica e Madhyamika concordarem nesses aspectos, sua compreens\u00e3o do que \u00e9 a n\u00e3o-dualidade varia um pouco.<\/p>\n<p>Do ponto de vista Madhyamika, a doutrina Mente \u00danica apresenta uma abordagem que ajuda a vis\u00e3o da verdade convencional, mas n\u00e3o descreve com precis\u00e3o a natureza absoluta e verdadeira da realidade. Em outras palavras, os Madhyamikas declaram que a vis\u00e3o Mente \u00danica da realidade ainda esta maculada por cren\u00e7as supersticiosas. Apesar disso, os Madhyamikas concordam que, se formos capazes de compreender a vis\u00e3o da Mente \u00danica, ficaremos aptos a praticar os m\u00e9todos profundos do yoga tantrico, alcan\u00e7ando elevados e inimagin\u00e1veis n\u00edveis de compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>O importante \u00e9 saber que a escola Mente \u00danica argumenta que todas as coisas do mundo sensorial s\u00e3o simples manifesta\u00e7\u00f5es da energia mental e n\u00e3o existem externamente. De acordo com os Madhyamikas, \u00e9 mais correto dizer que a exist\u00eancia de todas as coisas depende do reconhecimento de uma consci\u00eancia atributiva. Ambas as escolas d\u00e3o grande import\u00e2ncia ao papel da mente na determina\u00e7\u00e3o do modo como as entidades surgem, mas a escola Madhyamika diz que afirmar a n\u00e3o-exist\u00eancia de quaisquer fen\u00f4menos externos &#8211; que n\u00e3o existe nada, a n\u00e3o ser a mente &#8211; \u00e9 um erro. Semelhante vis\u00e3o desvia-se do verdadeiro caminho do meio que transcende todos os extremos.<\/p>\n<p>Os meditadores da Mente \u00danica destroem a vis\u00e3o dualista por julgarem que todos os objetos no campo dos seis sentidos nada mais s\u00e3o do que meras proje\u00e7\u00f5es mentais. Todos os fen\u00f4menos relativos aparecem e desaparecem como as bolhas de uma garrafa de coca-cola. Nessa analogia, a coca-cola corresponde \u00e0 pr\u00f3pria mente, enquanto as bolhas que surgem dentro dela s\u00e3o os fen\u00f4menos relativos percebidos pelos seis sentidos. Podem as bolhas de coca-cola serem separadas da coca-cola? N\u00e3o. Como elas n\u00e3o s\u00e3o separ\u00e1veis, s\u00e3o n\u00e3o-dualistas. Quando tivermos uma profunda compreens\u00e3o consciente desse fato, ficar\u00e3o estremecidas as bases do samsara.<\/p>\n<p>Os conseq\u00fcencialistas transcendem o dualismo atrav\u00e9s da constata\u00e7\u00e3o de ambas as coisas: mente e objeto. O campo dos sentidos \u00e9 ilus\u00f3rio e vazio; n\u00e3o tem exist\u00eancia pr\u00f3pria. Sujeito e objeto s\u00e3o mutuamente interdependentes: n\u00e3o podem existir independentemente um do outro. Por essa raz\u00e3o, os Madhyamikas n\u00e3o concordam com a posi\u00e7\u00e3o da escola Mente \u00danica de que a mente em si &#8211; como fonte e ess\u00eancia de onde surgem todos os fen\u00f4menos relativos &#8211; tenha verdadeira e inerentemente exist\u00eancia pr\u00f3pria. De acordo com os Madhyamikas, todos os fen\u00f4menos, incluindo-se a mente, s\u00e3o vazios at\u00e9 mesmo do mais leve tra\u00e7o de exist\u00eancia pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>O plenamente desperto Lama Tzong-khapa, na sua obra The Heart of Perfection [O Cora\u00e7\u00e3o da Perfei\u00e7\u00e3o] explicou que devemos primeiro dominar a vis\u00e3o da escola Mente \u00danica, porque dessa posi\u00e7\u00e3o elevada podemos progredir facilmente para a vis\u00e3o superior e mais sublime dos Madhyamikas. \u00c9 exatamente por essa raz\u00e3o que o Buda Maitreya explicou a doutrina da escola Mente \u00danica. Ela \u00e9 a ponte confi\u00e1vel para passarmos de uma perspectiva completamente materialista para a vis\u00e3o transcendental da realidade, que ultrapassa todos os extremos.<\/p>\n<p>Quando exponho temas dessa esp\u00e9cie, tento evitar ser demasiado filos\u00f3fico &#8211; insistindo em dizer que a &#8220;Mente \u00danica diz isto&#8221;, que &#8220;A escola Madhyamika defende aquilo&#8221; &#8211; especialmente quando estamos tratando de textos t\u00e3o sutis e profundos como este. Em termos gerais, esse ensinamento do Buda Maitreya \u00e9 considerado um texto da escola Mente \u00danica; contudo, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio confina-lo a essa interpreta\u00e7\u00e3o. Esse texto completo serve tamb\u00e9m perfeitamente para uma explica\u00e7\u00e3o Madhymika da realidade e dos dois n\u00edveis da verdade. \u00c9 essencial conhecer bem esses dois n\u00edveis da verdade porque, quando os harmonizamos com sucesso, chegamos a uma verdadeira compreens\u00e3o das coisas como elas na verdade s\u00e3o, e ficamos livres de todo sofrimento e das suas causas.<\/p>\n<p>Eu gostaria de voltar mais uma vez a esse ponto. Todos os fen\u00f4menos tem duas qualidades ou naturezas caracter\u00edsticas. Uma \u00e9 a sua apar\u00eancia relativa, sua cor, sua forma, sua qualidade, sua textura, e assim por diante. Isso \u00e9 apontado como a &#8220;verdade enganadora&#8221;, porque ela parece existir independentemente das causas e condi\u00e7\u00f5es. Nos termos desse n\u00edvel de realidade, discriminamos sujeito e objeto, isto e aquilo, e assim por diante. Apesar de todos os fen\u00f4menos participarem dessa natureza relativa, eles nascem, existem e desaparecem, sem nunca se afastarem da esfera da n\u00e3o-dualidade. O segundo n\u00edvel da verdade \u00e9 a natureza n\u00e3o-dualista, absoluta e verdadeira de todas as coisas, que coexistem espontaneamente com todos os fen\u00f4menos.<\/p>\n<p>Os fen\u00f4menos em si e a natureza absoluta dos fen\u00f4menos tem qualidades distintas; n\u00e3o se trata da mesma coisa. Todos os fen\u00f4menos possuem simultaneamente um modo de exist\u00eancia relativo ou convencional, como tamb\u00e9m uma natureza absoluta e verdadeira, que \u00e9 n\u00e3o-dualista. Certas energias vem juntas e produzem um fen\u00f4meno relativo. Seu modo de exist\u00eancia relativo \u00e9 dualista e aparece nos termos de uma rela\u00e7\u00e3o entre sujeito e objeto, apesar de todas as coisas surgirem dentro do espa\u00e7o da n\u00e3o-dualidade.<\/p>\n<p>Os fen\u00f4menos relativos (samsara) s\u00e3o como bolhas. Eles representam a vis\u00e3o dualista da mente dualista. Por isso, n\u00e3o existem nem s\u00e3o verdadeiramente, reais. A natureza verdadeira e absoluta (dharma) \u00e9 n\u00e3o-dualista. Por isso, \u00e9 real ou verdadeira. Apesar dos fen\u00f4menos relativos e da vis\u00e3o dualista existirem e atuarem, em \u00faltima an\u00e1lise eles n\u00e3o s\u00e3o verdadeiros. Esse \u00e9 o ponto fundamental da quest\u00e3o. <\/p>\n<p>Quando dizemos que todos os fen\u00f4menos relativos tem a natureza da n\u00e3o-dualidade, n\u00e3o queremos dizer com isso que toda exist\u00eancia seja o vazio ou a verdade absoluta. Toda exist\u00eancia relativa n\u00e3o \u00e9 verdade absoluta. Os fen\u00f4menos relativos n\u00e3o s\u00e3o fen\u00f4menos absolutos. Mas toda energia existente, seja relativa ou absoluta, apresenta a natureza caracter\u00edstica da n\u00e3o-dualidade. <\/p>\n<p>Quero explicar isso melhor. Quando contemplamos a n\u00e3o-dualidade, a vis\u00e3o dualista deve desaparecer. Por isso, podemos dizer que n\u00e3o-dualidade significa natureza absoluta. Mas ser\u00e1 que podemos afirmar que toda n\u00e3o-dualidade seja natureza absoluta? N\u00e3o. Por que n\u00e3o? Porque, apesar de todos os fen\u00f4menos participarem da natureza da n\u00e3o-dualidade, precisamos compreende-la para entender a realidade convencional. Minha cabe\u00e7a, por exemplo, tem a natureza da n\u00e3o-dualidade e, mesmo assim, n\u00e3o posso dizer que a cabe\u00e7a seja a verdade absoluta ou o vazio. Para perceber a minha cabe\u00e7a n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio perceber a n\u00e3o-dualidade. Ainda assim, pode persistir uma d\u00favida: &#8220;Se a cabe\u00e7a tem a natureza caracter\u00edstica da n\u00e3o-dualidade, por que, ent\u00e3o, quando se percebe a minha cabe\u00e7a n\u00e3o se percebe a pr\u00f3pria n\u00e3o-dualidade?&#8221; Porque existe o v\u00e9u da mente dualista entre voc\u00eas e a minha cabe\u00e7a. <\/p>\n<p>Isso pode ficar mais claro com outro exemplo. Qual \u00e9 o mais abrangente: a popula\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos ou a popula\u00e7\u00e3o de Madison, Wisconsin? A popula\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos inclui a popula\u00e7\u00e3o de Madison, mais os habitantes de Madison n\u00e3o abrangem a popula\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos. A n\u00e3o-dualidade \u00e9 como a popula\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, e todos os fen\u00f4menos relativos s\u00e3o como os habitantes de Madison. Todos os fen\u00f4menos relativos s\u00e3o abarcados pela n\u00e3o-dualidade porque eles surgem dentro do espa\u00e7o da n\u00e3o-dualidade; todos os fen\u00f4menos relativos apresentam a caracter\u00edstica de n\u00e3o-dualidade.<\/p>\n<p>Concluindo, para compreender a n\u00e3o-dualidade, precisamos compreender o vazio. Por isso, podemos dizer que a n\u00e3o-dualidade \u00e9 o vazio. Mas todas as bolhas dos fen\u00f4menos relativos, apesar delas pr\u00f3prias serem afinal n\u00e3o-duais, n\u00e3o s\u00e3o o vazio. A verdade relativa e a absoluta n\u00e3o se integram, mas ambas s\u00e3o integradas pela n\u00e3o-dualidade. Se pudermos compreender as caracter\u00edsticas distintivas t\u00e3o bem como as naturezas n\u00e3o-contradit\u00f3rias desses dois n\u00edveis da verdade, alcan\u00e7aremos a liberta\u00e7\u00e3o at\u00e9 mesmo das ilus\u00f5es mais sutis da mente. N\u00e3o pode haver um motivo maior nem mais forte para o estudo e a medita\u00e7\u00e3o do que esse. <\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A N\u00c3O-DUALIDADE Lama Yeshe Durante o ver\u00e3o de 1977, o Lama Yeshe visitou Madison, Wisconsin, e ficou na casa e centro de seu mestre, o Geshe Lhun-dup Sopa. L\u00e1, ele deu seis semanas de aulas sobre o texto de Maitreya &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-nao-dualidade\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5371,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[77],"class_list":["post-5369","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","tag-lama-yeshe"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5369","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5369"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5369\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5373,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5369\/revisions\/5373"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5371"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}