{"id":5377,"date":"2018-06-28T15:33:18","date_gmt":"2018-06-28T17:33:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5377"},"modified":"2018-06-28T15:35:27","modified_gmt":"2018-06-28T17:35:27","slug":"visao-karmica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/visao-karmica\/","title":{"rendered":"Vis\u00e3o k\u00e1rmica"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/visao-karmica\/visao-karmica-2\/\" rel=\"attachment wp-att-5379\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Vis\u00e3o-k\u00e1rmica-300x120.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"120\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5379\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Vis\u00e3o-k\u00e1rmica-300x120.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Vis\u00e3o-k\u00e1rmica-500x200.jpg 500w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Vis\u00e3o-k\u00e1rmica.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<b>VIS\u00c3O K\u00c1RMICA<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b>Sogyal Rinpoche<\/b><\/i><\/div>\n<p>[&#8230;] Os mestres nos dizem que h\u00e1 um aspecto em nossas mentes que \u00e9 seu terreno fundamental, um estado chamado de &#8220;a base da mente ordin\u00e1ria&#8221;.  Longchenpa, o destacado mestre tibetano do s\u00e9c.XIV, descreve-o desse modo: &#8220;\u00c9 um estado n\u00e3o iluminado e neutro que pertence \u00e0 categoria da mente e dos eventos mentais, e que se tornou a base ou funda\u00e7\u00e3o de todos os karmas e &#8216;engramas&#8217; do samsara e do nirvana&#8221;.  Ele funciona como um armaz\u00e9m em que s\u00e3o estocadas como sementes todas as impress\u00f5es das a\u00e7\u00f5es passadas causadas por nossas emo\u00e7\u00f5es negativas.  Quando surgem as condi\u00e7\u00f5es propicias, elas germinam e manifestam-se como circunst\u00e2ncias e situa\u00e7\u00f5es da nossa vida.<\/p>\n<p>Imagine essa base da mente ordin\u00e1ria [Alaya vijnana] como um banco no qual o karma \u00e9 depositado na forma de impress\u00f5es e tend\u00eancias habituais.  Se tivermos o h\u00e1bito de pensar seguindo um padr\u00e3o caracter\u00edstico, positivo ou negativo, ent\u00e3o essas tend\u00eancias ser\u00e3o acionadas e provocadas muito facilmente, repetindo-se de maneira continua e recorrente.  Com essa repeti\u00e7\u00e3o constante, nossas inclina\u00e7\u00f5es e h\u00e1bitos entrincheiram-se cada vez mais e persistem, acumulando mais e mais poder, mesmo quando estamos dormindo. \u00c9 dessa forma que chegam a determinar nossa vida, nossa morte e nosso renascimento.<\/p>\n<p>Sempre nos perguntamos: &#8220;Como ser\u00e1 quando eu morrer?&#8221;<\/p>\n<p>A resposta a isso \u00e9 que seja qual for o estado da mente que temos agora, seja l\u00e1 qual for o tipo de pessoas que somos assim seremos no momento da morte, se n\u00e3o mudarmos.  Por isso \u00e9 de import\u00e2ncia t\u00e3o absoluta usar esta vida para purificar nosso fluxo mental e, por decorr\u00eancia, nosso ser e nosso car\u00e1ter fundamentais, enquanto podemos.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que chegamos a viver como seres humanos?  Todos os seres que t\u00eam karma semelhante ter\u00e3o uma vis\u00e3o comum do mundo em torno deles, e esse conjunto de percep\u00e7\u00f5es que partilham \u00e9 chamado de &#8220;vis\u00e3o k\u00e1rmica&#8221;, Essa estreita correspond\u00eancia entre o nosso karma e o tipo de reino em que nos encontramos tamb\u00e9m explica como diferentes formas surgem: voc\u00ea e eu, por exemplo, somos seres humanos devido ao karma b\u00e1sico comum que partilhamos.<\/p>\n<p>Mas mesmo dentro do reino humano todos n\u00f3s temos o nosso karma individual.  Nascemos em pa\u00edses, cidades e fam\u00edlias diferentes; cada um de n\u00f3s tem diferente cria\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o influencias e cren\u00e7as, e todos esses condicionamentos incluem aquele karma.  Cada um de n\u00f3s \u00e9 um complexo somat\u00f3rio de h\u00e1bitos e a\u00e7\u00f5es passadas, e assim n\u00e3o podemos ver as coisas sen\u00e3o da nossa maneira pessoal, \u00fanica.<\/p>\n<p>Os seres humanos s\u00e3o muito parecidos, mas percebem as coisas de modo completamente diferente, e cada um de n\u00f3s vive em seu pr\u00f3prio mundo individual, \u00fanico e separado [&#8230;]<\/p>\n<p>Nunca nos esque\u00e7amos: o que vemos \u00e9 o que nossa vis\u00e3o k\u00e1rmica nos permite ver, e n\u00e3o mais.  Exatamente como n\u00f3s, no impuro e n\u00e3o desenvolvido estado presente da nossa percep\u00e7\u00e3o, julgamos a parte do universo que vemos como se fosse o mundo inteiro, assim um inseto pode ver um dos nossos dedos como uma paisagem inteira.  Somos t\u00e3o arrogantes que s\u00f3 acreditamos em ver para crer.  Mas os grandes ensinamentos budistas falam de incont\u00e1veis mundos em diferentes dimens\u00f5es &#8211; podem haver at\u00e9 muitos mundos extremamente parecidos ou iguais ao nosso -, e diversos astrof\u00edsicos modernos desenvolveram teorias sobre a exist\u00eancia de universos paralelos.  Como poder\u00edamos fazer afirma\u00e7\u00f5es definitivas sobre o que existe ou n\u00e3o para al\u00e9m das fronteiras da nossa limitada vis\u00e3o? [&#8230;]<\/p>\n<p><b>AS PORTAS DA PERCEP\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>Como j\u00e1 disse, o modo como percebemos o mundo depende inteiramente de nossa vis\u00e3o k\u00e1rmica.<br \/>\nEssa profus\u00e3o de percep\u00e7\u00f5es nos mostra que todas as vis\u00f5es k\u00e1rmicas s\u00e3o ilus\u00f5es; j\u00e1 que uma subst\u00e2ncia (objeto) pode ser percebida de tantas maneiras diferentes, como \u00e9 que algo pode ter qualquer realidade verdadeira e inerente?  Ela tamb\u00e9m nos mostra como \u00e9 poss\u00edvel que algumas pessoas sintam esse mundo como o c\u00e9u, e outras como o inferno.<\/p>\n<p>Os ensinamentos nos dizem que h\u00e1 basicamente tr\u00eas tipos de vis\u00e3o: a vis\u00e3o &#8220;k\u00e1rmica, impura&#8221; dos seres ordin\u00e1rios; a. &#8220;vis\u00e3o da experi\u00eancia&#8221;, que se abre aos praticantes da medita\u00e7\u00e3o e \u00e9 o caminho ou o meio de transcend\u00eancia, e a &#8220;vis\u00e3o pura&#8221; dos seres realizados.  Um ser realizado, ou um Budha, perceber\u00e1 este mundo como espontaneamente perfeito, um reino de completa e deslumbrante pureza.  Uma vez que eles purificam as causas da vis\u00e3o k\u00e1rmica, v\u00eaem tudo diretamente na sua sacralidade desnuda e primordial.<\/p>\n<p>Vemos tudo \u00e0 nossa volta do modo como vemos porque temos estado solidificando uma e outra vez e do mesmo modo, vida ap\u00f3s vida, nossa experi\u00eancia de realidade interna e externa, e isso levou \u00e0 convic\u00e7\u00e3o equivocada de que aquilo que vemos \u00e9 objetivamente real.  De fato, quando vamos mais fundo no caminho espiritual, aprendemos como trabalhar com as nossas percep\u00e7\u00f5es fixas.  Todos os nossos velhos conceitos do mundo, da mat\u00e9ria ou mesmo de n\u00f3s pr\u00f3prios s\u00e3o purificados e dissolvidos, e um campo de vis\u00e3o e de percep\u00e7\u00e3o inteiramente novo, que se pode chamar de &#8220;divino&#8221;, abre-se diante dos nossos olhos.  Ou como disse Blake:<\/p>\n<p>Se as portas da percep\u00e7\u00e3o fossem purificadas,<br \/>\nTudo apareceria&#8230; Tal como \u00e9, infinito.<\/p>\n<p>[&#8230;] Na maioria de n\u00f3s, no entanto, o karma e as emo\u00e7\u00f5es negativas obscurecem a capacidade de ver a nossa natureza intr\u00ednseca, a natureza da realidade.  Como resultado, n\u00f3s nos agarramos \u00e0 felicidade e ao sofrimento como coisas reais, e em nossas a\u00e7\u00f5es desajeitadas e ignorantes continuamos disseminando as sementes do nosso pr\u00f3ximo nascimento.  Nossas a\u00e7\u00f5es nos mant\u00eam atados ao ciclo cont\u00ednuo da exist\u00eancia mundana, \u00e0 roda sem fim do nascimento e da morte.  Assim, tudo depende de como vivemos agora, neste exato momento: o modo como vivemos agora pode nos custar todo nosso futuro.[&#8230;]<\/p>\n<p>Esta vida \u00e9 o \u00fanico momento e lugar em que podemos nos preparar, e s\u00f3 podemos faze-lo verdadeiramente pelas pr\u00e1ticas espirituais. [&#8230;]<\/p>\n<p><b>A SABEDORIA DA AUS\u00caNCIA DE EGO<\/b><\/p>\n<p>[&#8230;] Imagine uma pessoa que subitamente acorda num hospital depois de sofrer um acidente de carro na estrada, e percebe que est\u00e1 com amn\u00e9sia total.  Por fora, tudo est\u00e1 intacto: ela tem o mesmo rosto, a mesma forma, os sentidos e a mente est\u00e3o l\u00e1, mas n\u00e3o tem a menor id\u00e9ia ou o menor vest\u00edgio de mem\u00f3ria de quem \u00e9. Exatamente do mesmo modo, n\u00e3o conseguimos nos lembrar da nossa verdadeira identidade, nossa natureza original.  Freneticamente e na realidade apavorados, procuramos e improvisamos outra identidade, uma em que possamos nos agarrar com todo o desespero de algu\u00e9m que vai cair num abismo.  Essa identidade falsa e assumida em ignor\u00e2ncia \u00e9 o ego&#8221;.<\/p>\n<p>Desse modo, o ego \u00e9 a aus\u00eancia do conhecimento verdadeiro de quem somos, juntamente com o seu resultado: um malfadado apego, mantido a n\u00e3o importa que pre\u00e7o, a uma imagem remendada e improvisada de n\u00f3s mesmos, um eu inevitavelmente charlatanesco e camale\u00f4nico que est\u00e1 sempre mudando e que precisa mudar para manter viva a fic\u00e7\u00e3o da sua exist\u00eancia.  Em tibetano, o ego \u00e9 chamado dak dz\u00edn, que quer dizer &#8216;agarrado a um eu&#8217;.  O ego \u00e9 assim definido como um movimento incessante de agarrar-se em uma no\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria de &#8216;eu&#8217; e &#8216;meu&#8217;, desse mesmo e do outro, e em todos os conceitos, id\u00e9ias, desejos e atividades que sustentam essa falsa constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse agarrar-se \u00e9 f\u00fatil desde o in\u00edcio e condenado \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o.  Uma vez que n\u00e3o tem nenhuma base ou verdade, e aquilo a que nos agarramos \u00e9, por sua pr\u00f3pria natureza, imposs\u00edvel de reter.  O fato de que precisamos nos agarrar a continuar agarrados a alguma coisa mostra que nas profundezas de nosso ser sabemos que o eu n\u00e3o existe inerentemente.  Desse conhecimento secreto e assustador nascem todas as nossas inseguran\u00e7as fundamentais e o nosso medo. [&#8230;]<\/p>\n<p>E ainda que possamos ver al\u00e9m das mentiras do ego, estamos assustados demais para abandona-lo; porque sem um verdadeiro conhecimento da natureza da nossa mente, ou real identidade, simplesmente n\u00e3o temos outra alternativa.<\/p>\n<p><b>O EGO NO CAMINHO ESPIRITUAL<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 para acabar com a grotesca tirania do ego que n\u00f3s seguimos o caminho espiritual, mas os recursos do ego s\u00e3o quase infinitos e a cada est\u00e1gio ele pode sabotar e perverter nosso desejo de nos libertarmos dele.  A verdade \u00e9 simples, e os ensinamentos s\u00e3o extremamente claros; mas vi muitas vezes, com grande tristeza, que t\u00e3o logo eles come\u00e7am a nos mobilizar, o ego tenta complic\u00e1-los porque sabe que est\u00e1 sendo amea\u00e7ado de maneira direta.  Quando estamos no in\u00edcio e ficamos fascinados com o caminho espiritual e suas possibilidades, o ego pode at\u00e9 nos encorajar, dizendo: &#8216;isso \u00e9 realmente maravilhoso. \u00c9 disso que voc\u00ea precisa!  Esses ensinamentos fazem um grande sentido!&#8217; E a\u00ed, quando dizemos que queremos experimentar a pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o, ou fazer um retiro, o ego cantarolar\u00e1: &#8220;Bel\u00edssima id\u00e9ia vou com voc\u00ea. Podemos ambos aprender alguma coisa&#8221;. [&#8230;]<\/p>\n<p>Mas logo que entramos no que eu chamo de &#8220;pia da cozinha&#8221;, fase do caminho espiritual em que os ensinamentos come\u00e7am a tocar-nos profundamente, confrontamo-nos inevitavelmente com a verdade do nosso ser. \u00c0 medida que o ego \u00e9 revelado, seus pontos sens\u00edveis tocados, todos os tipos de problema come\u00e7am a surgir.[&#8230;]<\/p>\n<p>Nesse momento come\u00e7amos a sentir raiva e a nos queixar amargamente; e onde est\u00e1 nosso ego?  Fielmente postado a nosso lado, ele nos encoraja: N\u00e3o v\u00ea que esse n\u00e3o \u00e9 um ensinamento certo para voc\u00ea?  J\u00e1 lhe disse isso h\u00e1 muito tempo!  N\u00e3o v\u00ea que ele n\u00e3o \u00e9 seu mestre?  Afinal voc\u00ea \u00e9 um homem ocidental, bastante inteligente, moderno e sofisticado, e essas coisas ex\u00f3ticas tipo zen, sufismo, medita\u00e7\u00e3o, budismo tibetano, pertencem a culturas estrangeiras, orientais.  Que interesse pode ter para voc\u00ea uma filosofia que surgiu no Himalaia h\u00e1 mil anos atr\u00e1s?&#8221; Mas seja qual for a for\u00e7a com que o ego tenta sabotar seu caminho espiritual, se voc\u00ea prossegue nele e trabalha profundamente com a pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o, come\u00e7ar\u00e1 a perceber como tem sido enganado pelas promessas do ego: falsas esperan\u00e7as e falsos medos.[&#8230;]<\/p>\n<p>Voc\u00ea come\u00e7a a ver tamb\u00e9m como foi poderosa a influ\u00eancia do ego sobre sua mente, e no espa\u00e7o de liberdade aberto pela medita\u00e7\u00e3o &#8211; em que voc\u00ea est\u00e1 momentaneamente livre da avidez &#8211; voc\u00ea vislumbra a estimulante amplitude de sua verdadeira natureza.  Entende que o seu ego, como um artista louco e trapaceiro, enganou voc\u00ea durante anos com esquemas, planos e promessas que nunca foram reais e s\u00f3 o levaram \u00e0 fal\u00eancia interior.  Quando voc\u00ea percebe isso na equanimidade da medita\u00e7\u00e3o, sem qualquer consola\u00e7\u00e3o ou desejo de esconder o que descobriu, todos os planos e esquemas se revelam vazios e come\u00e7am a desmoronar.  Esse n\u00e3o \u00e9 um processo puramente destrutivo, porque junto com uma compreens\u00e3o extremamente precisa e \u00e0s vezes dolorosa da fraudul\u00eancia e virtual criminalidade do seu ego, e de todos os demais, cresce uma sensa\u00e7\u00e3o de expans\u00e3o interna, um conhecimento direto daquela &#8220;aus\u00eancia de ego&#8221; e interdepend\u00eancia de todas as coisas, dessa viva e generosa disposi\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito que \u00e9 a marca que autentica a liberdade. [&#8230;]<\/p>\n<p><b>O GUIA S\u00c1BIO<\/b>\t<\/p>\n<p>Duas pessoas conviveram dentro de voc\u00ea durante toda sua vida.<br \/>\nUma \u00e9 o ego, tagarela, exigente, hist\u00e9rico, calculista; a outra \u00e9 o ser espiritual oculto, cuja voz s\u00e1bia e serena voc\u00ea raramente ouviu e, se o fez, n\u00e3o a atendeu. \u00c0 medida que ouve mais e mais os ensinamentos, que os contempla e os integra em sua vida, essa voz interior, sua sabedoria inata do discernimento, chamada no budismo de &#8220;sabedoria discriminafiva&#8221;, \u00e9 despertada e fortalecida, e voc\u00ea come\u00e7a a distinguir sua orienta\u00e7\u00e3o das diferentes vozes clamorosas e sedutoras do ego.  A lembran\u00e7a da sua real natureza, com todo seu esplendor e confian\u00e7a, come\u00e7a a retomar a voc\u00ea.<\/p>\n<p>Voc\u00ea descobrir\u00e1, de fato, que revelou em si mesmo o seu guia s\u00e1bio.  J\u00e1 que ele ou ela o conhece por dentro e por fora, uma vez que \u00e9 voc\u00ea mesmo, seu guia pode ajud\u00e1-lo, com clareza e disposi\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito cada vez maior, a vencer todas as dificuldades dos seus pensamentos e emo\u00e7\u00f5es.  Seu guia pode tamb\u00e9m ser uma presen\u00e7a cont\u00ednua, jovial, terna, \u00e0s vezes provocante e brincalhona, que sabe sempre o que \u00e9 melhor para voc\u00ea e o auxiliar\u00e1 a encontrar mais e mais caminhos para sair de sua obsess\u00e3o com as rea\u00e7\u00f5es habituais e emo\u00e7\u00f5es confusas[&#8230;]<\/p>\n<p>Quando sua amn\u00e9sia sobre sua identidade come\u00e7ar a ser curada, entender\u00e1 afinal que o dak dzin &#8211; apego ao eu &#8211; \u00e9 a causa-raiz de todo seu sofrimento.  Voc\u00ea entender\u00e1 finalmente, quanto mal ele fez a voc\u00ea e aos outros e perceber\u00e1 que a coisa mais nobre e mais s\u00e1bia a fazer \u00e9 proteger e acarinhar os demais, em vez de a si pr\u00f3prio.  Isso trar\u00e1 cura a seu cora\u00e7\u00e3o, cura para sua mente.<\/p>\n<p>\u00c9 importante lembrar sempre que o princ\u00edpio da aus\u00eancia de ego n\u00e3o quer dizer que havia um ego no come\u00e7o e os budistas o afugentaram.  Ao contr\u00e1rio, isso de fato significa que n\u00e3o havia ego algum desde o come\u00e7o.  Compreender isso \u00e9 o que se chama  aus\u00eancia de ego&#8217;.<\/p>\n<p><b>AS TR\u00caS FERRAMENTAS DA SABEDORIA<\/b><\/p>\n<p>O caminho para descobrir a liberdade da sabedoria da aus\u00eancia de ego, segundo os mestres passa pelo processo de ouvir e escutar, contemplar e refletir, e meditar.  Eles nos aconselham a come\u00e7ar pelo ouvir repetidamente os ensinamentos espirituais.  Ouvindo, eles nos recordar\u00e3o uma e outra vez da nossa oculta natureza de sabedoria. \u00c9 como se fossemos aquela pessoa que pedi que imaginassem sofrendo de amn\u00e9sia numa cama de hospital, e algu\u00e9m que nos amasse e se importasse conosco estivesse sussurrando no ouvido o nosso verdadeiro nome, mostrando-nos fotografias de fam\u00edlia e de velhos amigos, tentando trazer de volta o conhecimento da nossa identidade perdida.<\/p>\n<p>Gradualmente, ao ouvir os ensinamentos, certas passagens e vis\u00f5es interiores neles contidos far\u00e3o vibrar um estranho acorde em n\u00f3s, lembran\u00e7as de nossa verdadeira natureza come\u00e7ar\u00e3o a voltar pouco a pouco, despertando um profundo sentimento de alguma coisa despretensiosa e misteriosamente familiar.<\/p>\n<p>Ouvir \u00e9 um processo muito mais dif\u00edcil do que a maioria das pessoas imagina; ouvir realmente, da maneira que os mestres se referem, \u00e9 abrir m\u00e3o de si mesmo, de todas as informa\u00e7\u00f5es, conceitos, id\u00e9ias e preconceitos que enchem nossas cabe\u00e7as.  Se voc\u00ea de fato ouvir os ensinamentos, aqueles conceitos que s\u00e3o o verdadeiro obst\u00e1culo, a \u00fanica coisa que se interp\u00f5e entre n\u00f3s e nossa natureza real, podem lenta mas firmemente ser eliminados.<\/p>\n<p>Quando tento ouvir verdadeiramente, sempre me inspiro no mestre Zen Suzuki-roshi, que disse: &#8220;Se sua mente est\u00e1 vazia, est\u00e1 sempre pronta para qualquer coisa; est\u00e1 pronta para tudo. Na mente do principiante h\u00e1 muitas possibilidades, na do homem experiente h\u00e1 poucas&#8221;.  A mente de um principiante \u00e9 uma mente aberta, uma mente vazia, uma mente pronta, e se ouvimos com ela, podemos de fato come\u00e7ar a ouvir.  Porque se ouvimos com uma mente silenciosa, t\u00e3o livre quanto poss\u00edvel do clamor das id\u00e9ias preconcebidas, dar-se-\u00e1 uma possibilidade para que a verdade dos ensinamentos nos penetre, e para que o significado da vida e da morte se torne progressivo e surpreendentemente mais claro.  Meu mestre Dilgo Khyentse Rinpoche disse: &#8220;Quanto mais voc\u00ea ouve, mais voc\u00ea escuta; quanto mais voc\u00ea escuta, mais e mais profundo se torna o entendimento&#8221;, O aprofundamento da compreens\u00e3o, assim, d\u00e1-se atrav\u00e9s da contempla\u00e7\u00e3o e da reflex\u00e3o, a segunda ferramenta da sabedoria.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que contemplamos o que ouvimos, os ensinamentos come\u00e7am a penetrar nosso fluxo mental e a entrar na experi\u00eancia interna da nossa vida. \u00c0 medida que a contempla\u00e7\u00e3o revela e enriquece aquilo que come\u00e7amos a entender de maneira intelectual, e leva esse entendimento da cabe\u00e7a ao nosso cora\u00e7\u00e3o, os eventos do cotidiano come\u00e7am a refletir e a confirmar, direta e sutilmente, as verdades dos ensinamentos.<\/p>\n<p>A terceira ferramenta da sabedoria \u00e9 a medita\u00e7\u00e3o.  Depois de ouvir os ensinamentos e de refletir sobre eles, pomos em a\u00e7\u00e3o os &#8220;\u00edns\u00edghts&#8221; que adquirimos e os aplicamos diretamente, atrav\u00e9s do processo de medita\u00e7\u00e3o, \u00e0s necessidades da vida cotidiana.    <\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VIS\u00c3O K\u00c1RMICA Sogyal Rinpoche [&#8230;] Os mestres nos dizem que h\u00e1 um aspecto em nossas mentes que \u00e9 seu terreno fundamental, um estado chamado de &#8220;a base da mente ordin\u00e1ria&#8221;. Longchenpa, o destacado mestre tibetano do s\u00e9c.XIV, descreve-o desse modo: &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/visao-karmica\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5379,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[58],"class_list":["post-5377","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","tag-sogyal-rinpoche"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5377","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5377"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5377\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5381,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5377\/revisions\/5381"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5379"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5377"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5377"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5377"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}