{"id":5523,"date":"2018-07-16T18:40:43","date_gmt":"2018-07-16T20:40:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5523"},"modified":"2020-06-11T10:02:37","modified_gmt":"2020-06-11T12:02:37","slug":"praticando-o-darma-atraves-da-meditacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/praticando-o-darma-atraves-da-meditacao\/","title":{"rendered":"Praticando o Darma atrav\u00e9s da medita\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Praticando-o-Darma-atrav\u00e9s-da-medita\u00e7\u00e3o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Praticando-o-Darma-atrav\u00e9s-da-medita\u00e7\u00e3o-300x206.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"206\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5950\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Praticando-o-Darma-atrav\u00e9s-da-medita\u00e7\u00e3o-300x206.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Praticando-o-Darma-atrav\u00e9s-da-medita\u00e7\u00e3o-768x529.jpg 768w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Praticando-o-Darma-atrav\u00e9s-da-medita\u00e7\u00e3o-1024x705.jpg 1024w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Praticando-o-Darma-atrav\u00e9s-da-medita\u00e7\u00e3o-436x300.jpg 436w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Praticando-o-Darma-atrav\u00e9s-da-medita\u00e7\u00e3o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a> <\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"default.asp?menu=135\" class=\"broken_link\"><i><b>Lama Padma Samten<\/b><\/i><\/a><\/div>\n<p><b>Conte\u00fado:<\/b> Temos aqui uma introdu\u00e7\u00e3o e a breve descri\u00e7\u00e3o de um roteiro de pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o que come\u00e7a com a etapa de tranq\u00fciliza\u00e7\u00e3o da mente em medita\u00e7\u00e3o formal e vai, atrav\u00e9s de 23 itens, at\u00e9 a \u00faltima etapa do nobre caminho \u00f3ctuplo. A descri\u00e7\u00e3o come\u00e7a com a abrang\u00eancia e os limites deste tipo de abordagem e o perfil dos praticantes a quem pode ser \u00fatil segue pela motiva\u00e7\u00e3o, pelo significado da felicidade e por sete formas de resumir o que seja &#8220;caminho espiritual&#8221;, passa ent\u00e3o para a descri\u00e7\u00e3o do roteiro propriamente dito e termina com o exame das experi\u00eancias de lucidez, liberdade e compaix\u00e3o ilimitadas.<\/p>\n<p><b>Utilidade:<\/b> Para os praticantes entenderem um contexto geral do caminho budista de contempla\u00e7\u00e3o e medita\u00e7\u00e3o e poderem localizar os desafios que se oferecem adiante e avaliarem as etapas onde restaram falhas &#8211; fontes ocultas de obst\u00e1culos sutis por vidas e vidas. Este texto oferece tamb\u00e9m um eixo referencial onde cada um saber\u00e1 o que fazer prioritariamente.<\/div>\n<ul type=\"disc\">\n<li><a href=\"#a\">O Caminho de Contempla\u00e7\u00e3o e Medita\u00e7\u00e3o<\/a>\n\t<\/li>\n<li><a href=\"#b\">Vis\u00e3o do Caminho da Medita\u00e7\u00e3o<\/a>\n\t<\/li>\n<li><a href=\"#c\">Motiva\u00e7\u00e3o<\/a>\n\t<\/li>\n<li><a href=\"#d\">Felicidade<\/a>\n\t<\/li>\n<li><a href=\"#e\">Caminho Espiritual<\/a>\n\t<\/li>\n<li><a href=\"#f\">Roteiro de Pr\u00e1tica<\/a>\n<\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<h5><a name=\"a\">O Caminho de Contempla\u00e7\u00e3o e Medita\u00e7\u00e3o<\/a><\/h5>\n<div style=\"text-align:justify\">\nH\u00e1 v\u00e1rias maneiras de penetrar no Darma. Este processo que descrevemos agora \u00e9 o que come\u00e7a com a pr\u00f3pria medita\u00e7\u00e3o. Ele pertence ao Mahayana, \u00e9 um m\u00e9todo que combina estudo, instru\u00e7\u00e3o e medita\u00e7\u00e3o, est\u00e1 baseado nos sutras. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma pr\u00e1tica de visualiza\u00e7\u00e3o, recita\u00e7\u00e3o de mantras, etc. &#8211; pelo contr\u00e1rio, \u00e9 um processo anal\u00edtico que utiliza a medita\u00e7\u00e3o como instrumento.<br \/>\nUtilizamos de ponta a ponta todos os processos cognitivos &#8211; nenhuma pr\u00e1tica ligada a qualquer yidam ou preces, sadhanas, enfim, nenhum elemento do vajrayana. N\u00e3o utilizamos nenhum elemento constru\u00eddo, \u00e9 um processo que busca diretamente lucidez sem nenhum elemento intermedi\u00e1rio que n\u00e3o a cogni\u00e7\u00e3o e serenidade.<br \/>\nNo vajrayana criamos para depois dissolver, aqui n\u00e3o h\u00e1 visualiza\u00e7\u00e3o de qualquer Yidam, ou terra pura, apenas o nobre e sereno sentar. Atrav\u00e9s do efeito combinado da medita\u00e7\u00e3o silenciosa e do processo anal\u00edtico, removemos todos os elementos at\u00e9 reconhecermos o aspecto incessante da natureza n\u00e3o-constru\u00edda.<br \/>\n\u00c9 um processo de purifica\u00e7\u00e3o gradual: pela lucidez removemos progressivamente nossa fixa\u00e7\u00e3o ao que foi constru\u00eddo. Em nenhum momento \u00e9 necess\u00e1rio ter f\u00e9 ou qualquer outra cren\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 um processo intelectual, no qual geramos uma teoria. Tamb\u00e9m n\u00e3o privilegiamos nenhum estado mental especial, seja ele instrumento do caminho ou n\u00e3o, e progressivamente ultrapassamos os diversos estados mentais, produtos de nosso pr\u00f3prio carma eliminando a fixa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caminho de dissolu\u00e7\u00e3o das fixa\u00e7\u00f5es ao que \u00e9 virtual.<br \/>\nN\u00e3o consideramos nenhum elemento puro ou impuro, esta an\u00e1lise n\u00e3o pertence ao processo, mas reconhecemos incessantemente liberdades que n\u00e3o v\u00edamos antes. A palavra essencial \u00e9 liberdade. Olhamos os processos mentais e emocionais n\u00e3o no sentido de localizar o que \u00e9 bom ou ruim, mas no sentido de eliminarmos as marcas que produzem limita\u00e7\u00e3o em nossa liberdade. Quando removemos os obst\u00e1culos a vis\u00e3o se amplia, \u00e9 apenas isto. N\u00e3o \u00e9 que existam elementos bons e ruins de fato.<br \/>\nA vis\u00e3o Hinayana funciona de outro modo, o bom e o ruim \u00e9 que legitimam uma vis\u00e3o de mundo. Por\u00e9m, na vis\u00e3o Mahayana n\u00e3o temos panoramas que possam fixar vis\u00f5es finais e elementos positivos e negativos. A vis\u00e3o que temos do mundo est\u00e1 determinada por fatores sutis e estes fatores \u00e9 que de fato nos aprisionam. Focamos, ent\u00e3o, diretamente o que aprisiona, n\u00e3o os elementos bons e ruins criados pela vis\u00e3o condicionada operando desde estes fatores sutis.<br \/>\nQuando olhamos um filme, h\u00e1 coisas boas e ruins, mocinhos e bandidos, e nos aliamos automaticamente aos elementos que nos s\u00e3o simp\u00e1ticos. De dentro do contexto do filme dizemos: &#8220;\u00e9 mais adequado me conectar aos personagens positivos&#8221;, n\u00e3o quero ligar-me aos assassinos, ladr\u00f5es, estupradores, etc. Como ir\u00edamos nos ligar a eles? Assim \u00e9 a vis\u00e3o Hinayana, operando segundo este enfoque, a mente raciocina segundo o roteiro do filme, aceita a est\u00f3ria e tenta seguir os valores positivos.<br \/>\nNa vis\u00e3o Mahayana percebemos que h\u00e1 uma tela e uma luz que \u00e9 projetada, ent\u00e3o podemos nos livrar do pr\u00f3prio contexto proposto pelo roteiro do filme, reconhecemos que h\u00e1 um roteiro e como a experi\u00eancia de realidade \u00e9 criada e passa a dominar nossas emo\u00e7\u00f5es e dirigir nossa mente. Vemos que nossa identidade est\u00e1 claramente al\u00e9m daqueles personagens.<br \/>\nNa nossa vida cotidiana \u00e9 o mesmo. As experi\u00eancias tamb\u00e9m obedecem fatores sutis que n\u00e3o reconhecemos. Devido a isto, por vidas infind\u00e1veis operamos dentro daqueles padr\u00f5es submetidos a experi\u00eancias espec\u00edficas de mundos &#8220;virtuais&#8221; particulares.<br \/>\nA libera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 estar num lugar seguro dentro do filme, um lugar limpo e bom, mas ver que o processo do filme \u00e9 constru\u00eddo, \u00e9 virtual, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3lido, e, especialmente, que carrega em si liberdades reais, ainda que ocultas e insuspeitadas aos que se fixam na est\u00f3ria. As liberdades s\u00e3o o foco.<br \/>\nMais adiante desenvolvemos a capacidade de penetrar livremente no contexto do &#8220;filme incessante da vida&#8221; para ajudar os seres a reconhecer liberdades reais, ocultas pela limita\u00e7\u00e3o de sua experi\u00eancia convencional.<br \/>\nEssencialmente o que fazemos \u00e9 atravessar esses diferentes panoramas sem ficar cegos pelas vis\u00f5es que surgem. Nosso objetivo \u00e9 encontrar a estabilidade e a natureza n\u00e3o-constru\u00edda que est\u00e1 al\u00e9m das apar\u00eancias. Podemos brincar com isso em uma met\u00e1fora: por maiores que sejam os inc\u00eandios e explos\u00f5es nos filmes, a tela nunca queima. A tela \u00e9 capaz de sustentar as maiores monstruosidades e permanecer inc\u00f3lume, \u00e9 imposs\u00edvel atingi-la. Assim \u00e9 nossa pr\u00f3pria natureza b\u00e1sica. Conectados ao filme, temos toda a experi\u00eancia de transitoriedade e nos sentimos inseguros.<br \/>\nNo avan\u00e7o deste processo de retirada de solidez das apar\u00eancias internas e externas pela pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o, num determinado ponto o pr\u00f3prio personagem que o vive acaba desaparecendo. N\u00e3o h\u00e1 como isso n\u00e3o acontecer, o personagem \u00e9 um processo constru\u00eddo e a experi\u00eancia de liberdade frente a ele acaba aparecendo. Num certo ponto cessa a experi\u00eancia de algu\u00e9m que galga etapas ou que passa por essas experi\u00eancias.<br \/>\nA palavra &#8220;mundo&#8221; \u00e9 apenas mais uma manifesta\u00e7\u00e3o dessa separatividade. H\u00e1 um ponto onde todas as perguntas sobre deus, ilumina\u00e7\u00e3o, espa\u00e7o, tempo, somem. Quanto mais avan\u00e7amos nos aspectos sutis desse processo de dissolu\u00e7\u00e3o, menos as teorias, compreens\u00f5es e cogni\u00e7\u00f5es fazem sentido. Essas palavras est\u00e3o dentro da busca de uma compreens\u00e3o de &#8220;como surgiu o mundo&#8221;, mas, observe, essa pergunta traz dentro de si mesma a no\u00e7\u00e3o de separa\u00e7\u00e3o. \u00c9 a pergunta de algu\u00e9m que observa algo separado de si.<br \/>\nCom o progresso da pr\u00e1tica esses elementos eventualmente desaparecem. Na linguagem dos mestres: \u00e9 como uma n\u00e9voa que se dissipa, ningu\u00e9m sabe para onde foi; \u00e9 como um eco, n\u00e3o h\u00e1 origem para aquele som, mas ele surge. Quando procuramos a origem, n\u00e3o h\u00e1 algu\u00e9m que tenha produzido o som. O efeito existe, mas n\u00e3o h\u00e1 uma identidade que o produza.<br \/>\nA experi\u00eancia das vidas anteriores, os carmas acumulados, as experi\u00eancias de mundo, isso tudo \u00e9 apenas uma fa\u00edsca. Surgem e desaparecem. Todas as complica\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o assim. Num momento surge samsara inteiro que dura por \u00e9ons, mas isso nada mais \u00e9 que uma fa\u00edsca atmosf\u00e9rica na eternidade. \u00c9 como um sonho. Parece denso, pesado, mas quando a pessoa acorda, n\u00e3o tem nenhuma import\u00e2ncia. Ali dentro, aquilo \u00e9 vital, muito importante. \u00c9 como a\u00e7\u00facar na \u00e1gua, n\u00e3o sabemos para onde foi. \u00c9 como uma fr\u00e1gil gota de orvalho. Tamb\u00e9m \u00e9 um halo ao redor do sol &#8211; surge n\u00e3o se sabe de onde, e desaparece n\u00e3o se sabe como. Tem uma apar\u00eancia, mas n\u00e3o tem solidez. \u00c9 como um rosto visto em uma nuvem. Est\u00e1 l\u00e1, podemos achar auspicioso, podemos achar bonito, podemos achar parecido com o pai, com o av\u00f4. Podemos acreditar que \u00e9 uma mensagem, mas \u00e9 apenas um rosto numa nuvem. Tamb\u00e9m como um arco-\u00edris &#8211; surge magicamente e se dissolve magicamente.<br \/>\nQuando cruzamos por esse ponto, cessa a separatividade e percebemos todas as apar\u00eancias como experi\u00eancias de apar\u00eancias. Vemos que toda a densidade anterior existiu insepar\u00e1vel de nossa ingenuidade. N\u00e3o \u00e9 boa nem m\u00e1, \u00e9 ingenuidade. Quando esse ponto \u00e9 cruzado, ent\u00e3o todos os elementos se transformam. A imperman\u00eancia, por exemplo, deixa de ser um infort\u00fanio. Passa a ser evid\u00eancia da liberdade. Se as coisas fossem permanentes, n\u00e3o haveria mudan\u00e7a, n\u00e3o haveria liberdade. A evid\u00eancia da n\u00e3o-solidez de todas as coisas \u00e9 a pr\u00f3pria evid\u00eancia de liberdades ocultas aos olhos ing\u00eanuos. Essa \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o do caminho Mahayana que utiliza a medita\u00e7\u00e3o como processo principal. <\/p>\n<p>(Isto foi falado pelo Lama Padma Samten no Cebb &#8211; Caminho do Meio, Viam\u00e3o, na primavera de 1999, transcrito de forma direta e revisado por Padma Dorje e aprovado pelo pr\u00f3prio lama.)<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"b\"><b>Vis\u00e3o do Caminho da Medita\u00e7\u00e3o <\/b><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas formas de introdu\u00e7\u00e3o ao Darma pelo caminho da medita\u00e7\u00e3o. A primeira diz respeito \u00e0 motiva\u00e7\u00e3o, a segunda diz respeito \u00e0 felicidade, e a terceira diz respeito \u00e0 descri\u00e7\u00e3o do caminho espiritual nos termos utilizados pelos mestres.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"c\"><b>Motiva\u00e7\u00e3o<\/b><\/a><\/p>\n<p>Para quem esta abordagem \u00e9 \u00fatil? Para os seres em perigo iminente ou sensa\u00e7\u00e3o de desgra\u00e7a, ele n\u00e3o funciona. Por exemplo, para algu\u00e9m que \u00e9 atropelado, se esvaindo numa estrada, n\u00e3o adianta dizer &#8220;sente em medita\u00e7\u00e3o&#8221; &#8211; n\u00e3o vai funcionar. Outras pr\u00e1ticas podem ser boas nesse caso, P&#8217;howa ou alguma outra, mas essa n\u00e3o vai funcionar. Ou a pessoa est\u00e1 faminta, sem comer a dois dias, e chega a um centro de Darma: &#8220;hoje voc\u00ea vai receber instru\u00e7\u00f5es Mahayana&#8221;. N\u00e3o serve, \u00e9 claro. Ou uma pessoa que levou um tiro, por exemplo. Elas querem um prato de comida, querem cuidados m\u00e9dicos, nada de medita\u00e7\u00e3o para elas. Quando olhamos em volta vemos muitos seres com a experi\u00eancia de atropelamento, metaforicamente falando. N\u00f3s mesmos, entre um atropelamento e outro, entramos aqui. Somos realmente felizardos&#8230;<\/p>\n<p>Depois h\u00e1 seres que n\u00e3o est\u00e3o soterrados sob quatro montanhas, eles n\u00e3o t\u00eam sensa\u00e7\u00e3o de desgra\u00e7a, apenas prop\u00f3sitos muito definidos. Est\u00e3o sobre o dom\u00ednio de um conjunto de id\u00e9ias que os impede de avan\u00e7ar, todo o tipo de ideologias e fanatismos. Isto inclui seres que est\u00e3o sobre o dom\u00ednio de outros. Eventualmente os maridos as esposas, namorados, pais, m\u00e3es, filhos, as pessoas pr\u00f3ximas a n\u00f3s, est\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es desse tipo. <\/p>\n<p>Depois h\u00e1 os seres que est\u00e3o no reino dos deuses. Se o sofrimento impede a pr\u00e1tica dos seres sob quatro montanhas que experimentam o inferno, a felicidade dos seres na condi\u00e7\u00e3o do reino dos deuses tamb\u00e9m a impossibilita. Tanto a felicidade quanto o sofrimento nos aprisionam, nos tornam insens\u00edveis ao processo de medita\u00e7\u00e3o. Curiosamente isso inclui processos internos e externos de felicidade, ou seja, inclui tamb\u00e9m os estados meditativos equivocados.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o para o quarto conjunto de seres, aqueles que conscientemente desejam a felicidade de um tipo mais permanente, e que conscientemente desejam se afastar do sofrimento, para esses seres \u00e9 dirigido o ensinamento.<\/p>\n<p>Na conclus\u00e3o da explica\u00e7\u00e3o sobre a motiva\u00e7\u00e3o, inclu\u00edmos a perspectiva Mahayana ampla de querer tudo isso n\u00e3o s\u00f3 para si pr\u00f3prio, mas para todos os seres.<\/p>\n<p>Nessa motiva\u00e7\u00e3o jamais pensamos em causar mal aos outros ou obter benef\u00edcio pr\u00f3prio a custa de sofrimento dos outros. A princ\u00edpio apenas queremos a felicidade para n\u00f3s e nos afastar do sofrimento, \u00e9 o primeiro ponto e realmente \u00e9 muito dif\u00edcil. <\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"d\"><b>Felicidade<\/b><\/a><\/p>\n<p>Aprofundando o conceito de felicidade, podemos dividi-lo em dois grupos. A felicidade que est\u00e1 na depend\u00eancia de fatores transit\u00f3rios, e a experi\u00eancia de felicidade est\u00e1vel que est\u00e1 al\u00e9m das constru\u00e7\u00f5es. O segredo da motiva\u00e7\u00e3o budista quanto a felicidade \u00e9 buscar a segunda op\u00e7\u00e3o, por raz\u00f5es \u00f3bvias. A felicidade transit\u00f3ria obtemos hoje, amanh\u00e3 se torna sofrimento. <\/p>\n<p>H\u00e1 um casal se separando, porque acontece? \u00c9 muito doloroso. Eles se amavam e tinham uma conex\u00e3o, uma casa bonita, dois filhos, uma por\u00e7\u00e3o de coisas funcionando e produzindo felicidade. Na separa\u00e7\u00e3o, cada uma dessas coisas vira elemento de sofrimento, filhos, amigos, conta banc\u00e1ria. Se ficam com um, se dividem, se ficam com o outro, em todos os casos sofrimento. Tudo que a pessoa tem vira ponto de sofrimento, isso \u00e9 a roda da vida, a felicidade na depend\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es. Quando a roda gira, e estamos embaixo, tudo que causava felicidade traz agora sofrimento. Assim vemos in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es. A pessoa funda uma empresa, tem um s\u00f3cio, todos fazem aquilo crescer, num certo momento as diferen\u00e7as causam a separa\u00e7\u00e3o. O amigo era solidez, agora \u00e9 apenas inimigo. Se a empresa fica na m\u00e3o do outro, ele deseja que ela afunde. &#8220;Ele est\u00e1 usando minha energia vital, n\u00e3o \u00e9 justo&#8221;. Centenas de casos como este.<\/p>\n<p>Assim \u00e9 a roda da vida. N\u00e3o \u00e9 que aconte\u00e7a s\u00f3 conosco ou s\u00f3 com os outros &#8211; n\u00e3o \u00e9 uma crise pessoal &#8211; a roda da vida \u00e9 simplesmente assim. Quando isso acontece conosco, o melhor que temos a fazer \u00e9 rir, &#8220;de novo a mesma coisa&#8221;. Se quisermos satanizar o outro, isso n\u00e3o fica muito bem. Por pior que seja, melhor rir. Seria uma ingenuidade raciocinar em termos de contraposi\u00e7\u00e3o. Por isso dizemos que quando pensamos em felicidade est\u00e1vel em depend\u00eancia de fatores externos, \u00e9 ingenuidade. Buscamos aquilo que est\u00e1 al\u00e9m das constru\u00e7\u00f5es. Com isso cobrimos os dois primeiros itens, motiva\u00e7\u00e3o e felicidade. <\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"e\"><b>Caminho Espiritual<\/b><\/a><\/p>\n<p>Aqui sete formas breves de descrever o caminho espiritual:<\/p>\n<p>1. Se algu\u00e9m pergunta o que \u00e9 o caminho budista, dizemos que \u00e9 o Nobre Caminho de Oito Passos. Essa resposta \u00e9 completa. <\/p>\n<p>2. Se quisermos explicar de outra maneira, podemos dizer que \u00e9 a remo\u00e7\u00e3o dos obst\u00e1culos que criam a experi\u00eancia c\u00edclica. Essa experi\u00eancia \u00e9 o que cria o aspecto de solidez do que vemos. No entanto sempre estivemos livres da experi\u00eancia c\u00edclica, da mesma forma que a tela do cinema est\u00e1 naturalmente livre das explos\u00f5es que exibe. <\/p>\n<p>3. Podemos colocar isso de forma mais direta, a natureza de nossa mente j\u00e1 \u00e9 perfeitamente luminosa e livre. Ent\u00e3o o caminho budista \u00e9 o caminho que descortina a natureza de nossa mente como luminosa, leve, livre. \u00c9 o caminho que nada adiciona, que nada cria, nada treina, e nada estabiliza. Dito assim pode parecer estranho, sempre nos pareceu que estivemos treinando, estabilizando, etc. O que fazemos na verdade \u00e9 criar uma esp\u00e9cie de &#8220;ve\u00edculo de praticante&#8221;, e esse ve\u00edculo vai ser abandonado mais tarde. Com nosso ve\u00edculo usual ordin\u00e1rio, em geral n\u00e3o atingimos a libera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No meio do filme nos tornamos Charles Bronson, ent\u00e3o algu\u00e9m argumenta que voc\u00ea pelo menos tem raivas justas, estando na forma de Charles Bronson. O caso \u00e9 que n\u00e3o achamos justo sentir nenhum tipo de raiva, mas inevitavelmente acabamos operando dentro daquela l\u00f3gica. Por essa raz\u00e3o criamos um elemento transit\u00f3rio. N\u00e3o negamos a coer\u00eancia daquilo, faz parte de ajudar os outros seres perceber a coer\u00eancia com que eles agem. S\u00f3 que \u00e9 indispens\u00e1vel perceber que essa coer\u00eancia \u00e9 constru\u00edda, que existe uma liberdade adicional. Se negamos a coer\u00eancia com que os outros est\u00e3o atuando, a retiramos o ch\u00e3o de seus p\u00e9s. Por essa raz\u00e3o devemos evitar a vis\u00e3o filos\u00f3fica. Ela tenta estabelecer uma nova vis\u00e3o, mas isso apenas polariza o processo. O melhor \u00e9 dizer que o ser est\u00e1 certo mas perceber que existem alternativas. Nossa habilidade \u00e9 reconhecer a liberdade dos outros.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o os v\u00e1rios corol\u00e1rios do caminho espiritual, v\u00e1rias formas de descrever o processo. &#8220;Basta remover as constru\u00e7\u00f5es sobrepostas, dissolver uma por uma as transitoriedades&#8221;. Esse processo \u00e9 dram\u00e1tico, as realidades se sustentam dessa forma. <\/p>\n<p>4. Outra forma de explicar \u00e9 como o caminho de tranq\u00fcilizar a mente. Normalmente ela apenas pula incessantemente de um lugar para outro, interrompendo esse processo de giro ela retoma seu ponto de equil\u00edbrio natural. A mente n\u00e3o \u00e9 um processo est\u00e1vel, quase sempre est\u00e1 ligada ao processo do galo. <\/p>\n<p>5. Outra forma de explicar o caminho inteiro \u00e9 dizer que \u00e9 uma purifica\u00e7\u00e3o de corpo, fala e mente, at\u00e9 que se tornem corpo vajra, fala vajra e mente vajra. O corpo, fala e mente ent\u00e3o manifestam os tr\u00eas corpos da ilumina\u00e7\u00e3o, nirmanakaya, sambhogakaya e Darmakaya. <\/p>\n<p>6. Garab Dorje, o primeiro guru humano da linhagem nyingma diz, &#8220;o caminho inteiro tem tr\u00eas etapas, na primeira etapa ouvimos e geramos a vis\u00e3o, depois meditamos com o poder da vis\u00e3o, e ent\u00e3o, tendo liberado os obst\u00e1culos agimos de forma livre para benef\u00edcio de todos os seres.&#8221; Podemos explicar o caminho budista dessa forma: ouvir, meditar e agir.<\/p>\n<p>7. Outra forma ainda baseia-se em quatro etapas de treinamento da mente que fazemos incessantemente. Pensamos nos ensinamentos, contemplamos nossa vida, a\u00e7\u00f5es e objetos mentais sobre o ponto desses ensinamentos, meditamos focando as coisas a partir da natureza n\u00e3o-constru\u00edda, e finalmente dissolvemos as apar\u00eancias e nos liberamos da apar\u00eancia condicionada que as coisas manifestam.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o v\u00e1rias formas de vis\u00e3o do caminho inteiro. Isso completa a terceira parte desse sobrev\u00f4o da vis\u00e3o pelo caminho Mahayana.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"f\"><b>Roteiro de Pr\u00e1tica<\/b><\/a><\/p>\n<p>A pr\u00e1tica em si \u00e9 aqui proposta em 23 etapas sucessivas. O objetivo deste roteiro \u00e9 facilitar a vis\u00e3o e a pr\u00e1tica do caminho. Outras formas de organiza\u00e7\u00e3o podem ser propostas. A presente abordagem toma a tranq\u00fciliza\u00e7\u00e3o e a lucidez como os instrumentos b\u00e1sicos da busca a libera\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia da roda da vida. O m\u00e9todo b\u00e1sico \u00e9 a medita\u00e7\u00e3o sentada e a pr\u00e1tica na vida cotidiana, de tal modo que progressivamente n\u00e3o haja mais diferen\u00e7a entre a experi\u00eancia da medita\u00e7\u00e3o e as experi\u00eancias anteriores e posteriores.<\/p>\n<p>As primeiras tr\u00eas s\u00e3o etapas de tranq\u00fciliza\u00e7\u00e3o. O objetivo \u00e9 desenvolver uma estabilidade que nos permita olhar a realidade, que nos torne menos reativos. Se estivermos muito reativos, muito acelerados, apenas reagimos e n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de qualquer sabedoria. Essas etapas s\u00e3o para que saibamos que podemos respirar e estabilizar corpo, fala e mente. Sem isso n\u00e3o h\u00e1 qualquer possibilidade de dirigir o processo, n\u00e3o h\u00e1 como colocar um ve\u00edculo de sabedoria no nosso caminho. Nesse ponto, e mesmo antes disso, precisamos daquele que vai caminhar, aquele que vai gerar tranq\u00fcilidade, aquele que est\u00e1 dominado por uma instabilidade. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o, na quarta etapa, seguimos um grupo de atividades que vai at\u00e9 a d\u00e9cima primeira etapa, nesse intervalo trabalhamos purificando a motiva\u00e7\u00e3o. Pensamos, contemplamos, meditamos e repousamos a mente, fazemos isso incessantemente. Com esse processo conseguimos enfim gerar a motiva\u00e7\u00e3o correta. Acalmamos a mente com as primeiras tr\u00eas etapas, e com essa lucidez podemos avaliar a verdadeira circunst\u00e2ncia da nossa experi\u00eancia c\u00edclica. <\/p>\n<p>A princ\u00edpio estamos completamente imersos na experi\u00eancia c\u00edclica, ent\u00e3o, usando essa mente mais calma, examinando conscientemente os processos internos com base nessa artificialidade, usamos essa tranq\u00fcilidade, ainda que pouca, para examinar profundamente nossa experi\u00eancia c\u00edclica. Vamos lembrar que existe algu\u00e9m que nos ajuda nesse processo, que existem ensinamentos, que h\u00e1 seres que passaram por isso, que geraram uma lucidez que se mant\u00e9m viva gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o examinamos que nosso corpo humano \u00e9 precioso, que dispomos de condi\u00e7\u00f5es muito favor\u00e1veis, sendo que a maior \u00e9 que o Buda veio, pregou o Darma e os ensinamentos sobreviveram, ent\u00e3o n\u00f3s estamos em condi\u00e7\u00f5es de praticar esses ensinamentos. O fato de virmos como seres humanos possibilita esse acesso. Esses ensinamentos s\u00e3o raros e quase inexplic\u00e1veis, eles s\u00e3o transcendentes mas se manifestam no mundo condicionado, h\u00e1 uma magia nisso. Ent\u00e3o reconhecemos que temos condi\u00e7\u00f5es humanas perfeitas, que podemos acessar isso, e reconhecemos que nossa vida pode ser tocada pelas b\u00ean\u00e7\u00e3os dos Budas. Podemos ter a experi\u00eancia de uma vida realmente preciosa. Isso diz respeito aos fatores positivos de que dispomos. Em cada um desses casos, ouvimos, pensamos, reconhecemos e examinamos se estamos conscientes disso enquanto agimos no mundo. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o, na nona etapa, reconhecemos que estamos sobre o dom\u00ednio da imperman\u00eancia, que todos esses fatores positivos s\u00e3o transit\u00f3rios e podem acabar a qualquer momento. <\/p>\n<p>Na d\u00e9cima etapa, reconhecemos que ainda que tenhamos ouvido ensinamentos, ainda que estejamos tranq\u00fcilizando a mente, reduzido o fluxo dos pensamentos, ainda que ou\u00e7amos ensinamentos freq\u00fcentemente, ainda assim o carma nos domina. Estamos a merc\u00ea dele, a merc\u00ea de impulsos. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o surge a d\u00e9cima primeira etapa. Ela \u00e9 a compreens\u00e3o de que a depend\u00eancia a fatores produz sofrimento inevit\u00e1vel, a depend\u00eancia a esses impulsos c\u00e1rmicos inevitavelmente produz um sofrimento, seja esse carma aparentemente positivo ou negativo. A experi\u00eancia de sofrimento \u00e9 inevit\u00e1vel. Ela se traduz como vedanas ou como jana-marana, ou ainda como jeti, que s\u00e3o as circunst\u00e2ncias da vida em que nos sentimos aprisionados. (roda da vida)<\/p>\n<p>Se realmente ouvimos, pensamos, contemplamos nossa vida de acordo com essas etapas, quando chegamos na d\u00e9cima primeira surge uma decis\u00e3o, que \u00e9 tomar ref\u00fagio na natureza n\u00e3o-constru\u00edda. Queremos enfim nos afastar de tudo que tenha a ver com a experi\u00eancia c\u00edclica. Ent\u00e3o nos refugiamos no Buda, no Darma e na Sanga. Entendemos o significado disso, ouvimos a respeito longamente, contemplamos, estabilizamos isso, e enfim repousamos novamente. Fazemos isso com cada um dos tr\u00eas ref\u00fagios. Conscientes do que isso significa, tomamos essa decis\u00e3o. Tomamos ref\u00fagio na pr\u00f3pria natureza n\u00e3o-constru\u00edda, representada pelo Buda, nos ensinamentos que brotam dessa natureza e geram liberdade com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s constru\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos e enfermeiros n\u00e3o rejeitam a doen\u00e7a. Eles desenvolvem meios de superar essa avers\u00e3o comum. Eles t\u00eam apego, n\u00e3o conseguem ver algu\u00e9m doente que j\u00e1 v\u00e3o atr\u00e1s. &#8220;N\u00e3o se mate, n\u00e3o se jogue pela janela&#8221;. Esse \u00e9 um ponto muito importante, n\u00e3o nos afastamos do samsara no sentido &#8220;vade retro samsara&#8221;, apenas geramos uma liberdade com rela\u00e7\u00e3o a este processo. N\u00e3o \u00e9 uma avers\u00e3o. H\u00e1 uma liberdade, os m\u00e9dicos andam pelo meio da doen\u00e7a. O objetivo \u00e9 ganhar uma estabilidade que est\u00e1 al\u00e9m das doen\u00e7as, para ser capaz movimentar-se nesse \u00e2mbito sem desconforto. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o surge todo tipo de especula\u00e7\u00e3o, &#8220;qual a profecia budista para a nova era? Ser abduzido por extraterrestres?&#8221;. Na vis\u00e3o budista fazemos o voto de ser o \u00faltimo a ser evacuado. Os outros seres fazem o voto de serem os primeiros. Se enxergam desgra\u00e7a, fogem. Todos os seres que t\u00eam treinamento, t\u00eam uma consci\u00eancia al\u00e9m das desgra\u00e7as. Os praticantes budistas fazem esse voto, o Dalai Lama disse que enquanto houver espa\u00e7o, ele retorna para benef\u00edcio dos seres.<\/p>\n<p>O importante \u00e9 colocar a motiva\u00e7\u00e3o correta na compreens\u00e3o deste tema. A desgra\u00e7a acontece, n\u00e3o importa se o ano acaba ou se passa um astro destruidor. No mundo atualmente morrem 10 milh\u00f5es a cada ano. N\u00e3o precisamos mais desgra\u00e7a nenhuma. Considerando que cada homem casa em m\u00e9dia com 2 mulheres, sempre vai haver alguma desgra\u00e7a envolvida&#8230; Calculem o n\u00famero de namoradas ent\u00e3o, \u00e9 como luzes que se apagam e acendem num grande painel&#8230; Vejam como \u00e9 vasto o mundo onde os lamas t\u00eam que atuar&#8230;, 6 bilh\u00f5es de seres com poucas chances. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grav\u00edssima. <\/p>\n<p>Com estas etapas conclu\u00eddas as tr\u00eas seguintes est\u00e3o engatilhadas. Quando chegamos ao ponto de tomar os tr\u00eas ref\u00fagios, ent\u00e3o naturalmente vamos entender a d\u00e9cima quinta etapa. \u00c9 importante examinarmos o que nos leva aos impulsos das a\u00e7\u00f5es n\u00e3o-virtuosas de mente. Se est\u00e3o desenraizadas, isso significa que os tr\u00eas ref\u00fagios est\u00e3o completos. As quatro a\u00e7\u00f5es de fala tamb\u00e9m s\u00e3o um controle de qualidade. Se os ref\u00fagios foram feitos de fato, essas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o-virtuosas de corpo, fala e mente n\u00e3o brotam. At\u00e9 a d\u00e9cima quarta etapa estamos ainda no primeiro passo do Nobre Caminho de Oito Passos ensinado pelo Buda. Para percebermos como esse estudo \u00e9 vasto, n\u00e3o foram descritos especificamente os seis reinos, os doze elos, os tr\u00eas animais &#8211; todos estes elementos est\u00e3o dentro da d\u00e9cima etapa (onde examinamos o carma).<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, ao concluirmos a d\u00e9cima s\u00e9tima etapa, e a quarta do Nobre Caminho de Oito Passos, surge uma coisa extraordin\u00e1ria. O primeiro elemento realmente transcendente. Finalmente eliminamos todos os elementos artificiais de seguran\u00e7a que geramos atrav\u00e9s da experi\u00eancia c\u00edclica. As a\u00e7\u00f5es n\u00e3o-virtuosas t\u00eam sido nosso elemento de seguran\u00e7a &#8211; quando as coisas v\u00e3o mal, ou matamos ou roubamos ou temos m\u00e1-vontade. S\u00e3o os instrumentos que a temos para nos movimentarmos condicionadamente na experi\u00eancia c\u00edclica. Quando abdicamos disso, estamos nus, completamente expostos, sem defesas. <\/p>\n<p>Neste ponto ouvimos sobre a f\u00e9, sobre a natureza n\u00e3o-constru\u00edda. Abdicamos de tudo aquilo que est\u00e1 baseado num elemento de vit\u00f3ria e derrota. Estamos como num mato cheio de espinhos com a pele nua, nesse momento nos abrimos para a experi\u00eancia transcendente do Buda. Vivemos enfim al\u00e9m da experi\u00eancia c\u00edclica, e nesse momento surge uma estabilidade inexplic\u00e1vel. A serenidade daquilo que \u00e9 como \u00e9, n\u00e3o como um elemento de for\u00e7a. \u00c9 imune a uma percep\u00e7\u00e3o particular, imune a todas as atribula\u00e7\u00f5es impermanentes. \u00c9 como perceber que a tela n\u00e3o explode com as explos\u00f5es do filme. <\/p>\n<p>Neste ponto estamos sempre em medita\u00e7\u00e3o. Nesse momento j\u00e1 temos estabilidade na dissolu\u00e7\u00e3o das apar\u00eancias invasivas. Existem elementos externos que fazem parte desse processo. Nessa etapa ainda existe uma f\u00e9 mesclada com uma liberdade, h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de abandono e fragilidade. \u00c9 como a certeza de um ser muito fr\u00e1gil que olha no olho do outro muito maior, e n\u00e3o sabe como, mas n\u00e3o tem medo de ser amassado. Se for, n\u00e3o tem import\u00e2ncia, o ser n\u00e3o \u00e9 mais forte que a verdade que anima aquele pequeno ser. A pessoa simplesmente n\u00e3o recua, n\u00e3o penetra nas 10 a\u00e7\u00f5es n\u00e3o-virtuosas. Por\u00e9m sua f\u00e9 n\u00e3o elimina a sensa\u00e7\u00e3o de ser destru\u00edda, ainda h\u00e1 um v\u00ednculo com uma exist\u00eancia individual. O ser \u00e9 uma esp\u00e9cie de santo irado e exaltado. Exalta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma boa palavra, os terapeutas olhariam e mandariam tomar algum rem\u00e9dio&#8230; A pessoa n\u00e3o olha para o tamanho do problema, ela tem uma firmeza inabal\u00e1vel. <\/p>\n<p>Um exemplo que me ocorre \u00e9 do zen budismo. N\u00e3o pensem que s\u00f3 os mosteiros de hoje tem problemas. Certa vez uma monja muito linda num mosteiro no Jap\u00e3o, n\u00e3o sei bem como, mas era um mosteiro misto, despertou os ventos de um dos monges. Sabe-se l\u00e1 o que ele falou para ela. Ele vivia insistindo, e a monja completamente serena. Um dia ela entra nua, numa sala cheia de monges meditando, e diz para o tal rapaz &#8220;aqui voc\u00ea tem o que pediu.&#8221;<\/p>\n<p>\t\u00c9 uma certeza que cruza qualquer barreira. Ela ainda tinha uma consci\u00eancia individual, uma sensa\u00e7\u00e3o de ganho ou perda, mas o outro n\u00e3o pode fazer nada, porque n\u00e3o h\u00e1 medo de qualquer tipo. Mas a sensa\u00e7\u00e3o de vit\u00f3ria est\u00e1 presente, a d\u00e9cima oitava etapa \u00e9 uma confian\u00e7a ilimitada. Essa confian\u00e7a \u00e9 o que enfim permite a experi\u00eancia de uma exist\u00eancia al\u00e9m das identidades, al\u00e9m de ganhos e perdas. <\/p>\n<p>Como poder\u00edamos acessar essa regi\u00e3o? Nas etapas subseq\u00fcentes ela se purifica, mas a princ\u00edpio nos perguntamos o que nos permite a experi\u00eancia de estar vivos, o que nos d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de vida. Isso n\u00e3o est\u00e1 na depend\u00eancia de uma identidade. Quando percebemos isso, dizemos &#8220;sempre foi assim, nunca foi diferente&#8221;. E essa \u00e9 uma caracter\u00edstica da libera\u00e7\u00e3o. Temos a sensa\u00e7\u00e3o de que sempre foi assim. \u00c9 diferente de uma experi\u00eancia de constru\u00e7\u00e3o. &#8220;Nunca tinha sido assim, que loucura, ufa, at\u00e9 que enfim, que al\u00edvio agora&#8221;, quando dizemos isso, \u00e9 uma garantia de que estamos num estado particular, n\u00e3o na libera\u00e7\u00e3o. Se for algo que se consegue, eventualmente vamos perder. A libera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 assim. Quando dizemos &#8220;ah! Sempre tive isso e nunca tinha visto&#8221;, ent\u00e3o sim talvez seja uma experi\u00eancia verdadeira. <\/p>\n<p>Enfim descobrimos que compaix\u00e3o, amor, alegria, equanimidade, s\u00e3o qualidades transcendentes. S\u00e3o qualidades que se manifestam transcendendo a identidade. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque h\u00e1 dezoito etapas anteriores, subdivididas. Essas quatro qualidades s\u00e3o como refulg\u00eancias da natureza n\u00e3o-constru\u00edda. <\/p>\n<p>Quando as quatro qualidades incomensur\u00e1veis surgem, o aspecto mais importante \u00e9 que s\u00e3o transcendentes, correspondem ao d\u00e9cimo nono item deste roteiro de medita\u00e7\u00e3o. S\u00e3o qualidades que n\u00e3o podem ser praticadas dentro de uma identidade, por isso elas se manifestam dessa forma. <\/p>\n<p>Recapitulando, estamos no quinto passo do Nobre Caminho. O primeiro vai at\u00e9 o terceiro item, o segundo vai at\u00e9 o d\u00e9cimo primeiro item, o terceiro at\u00e9 o d\u00e9cimo quarto, o quarto at\u00e9 o d\u00e9cimo s\u00e9timo, o quinto at\u00e9 o vig\u00e9simo item deste roteiro. <\/p>\n<p>A vig\u00e9sima etapa trata de seis caminhos transcendentes. S\u00e3o pr\u00e1ticas que s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis enquanto n\u00e3o s\u00e3o praticadas por um algu\u00e9m. Est\u00e3o de fato al\u00e9m de algu\u00e9m e outro, por isso chamam-se &#8220;paramitas&#8221;, elas nos levam em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 margem da libera\u00e7\u00e3o. Se uma identidade, ainda que m\u00ednima, est\u00e1 na pr\u00e1tica dessas virtudes, elas n\u00e3o poderiam ser chamadas &#8220;paramitas&#8221;. As qualidades incomensur\u00e1veis, como a compaix\u00e3o, por exemplo, j\u00e1 s\u00e3o uma manifesta\u00e7\u00e3o al\u00e9m das identidades. A exist\u00eancia delas \u00e9 maior do que uma identidade, e assim tamb\u00e9m \u00e9 com as paramitas. N\u00e3o \u00e9 que o Buda beneficie os seres, ele n\u00e3o v\u00ea separa\u00e7\u00e3o entre ele e os seres, a mente dele n\u00e3o \u00e9 local.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia maior n\u00e3o aconteceu ainda. Ainda h\u00e1 alguma solidez nesse processo. Ent\u00e3o surge a vig\u00e9sima primeira etapa, o Buda senta sob a \u00e1rvore, e essa estabilidade n\u00e3o \u00e9 apenas de corpo, \u00e9 relacionada com o &#8220;corpo ampliado&#8221;, digamos assim. Em nossa experi\u00eancia ordin\u00e1ria de corpo, sentimos algo que nos cutuca e nossa mente opera, estamos centrados nessa experi\u00eancia. Esse \u00e9 o limite da mente que opera atrav\u00e9s dos sentidos. <\/p>\n<p>Livres dos sentidos, podemos adivinhar coisas para frente e para tr\u00e1s no tempo. Essa \u00e9 a caracter\u00edstica da libera\u00e7\u00e3o. Sempre tivemos essa caracter\u00edstica. Pensamos &#8220;minha filha est\u00e1 em casa, j\u00e1 \u00e9 tarde, amanh\u00e3 tem prova&#8221;. Nenhuma dessas conclus\u00f5es pertence a natureza dos sentidos, a aula de amanh\u00e3 n\u00e3o \u00e9 um som especial que ouvimos. Mas h\u00e1 um sentido de plasticidade, no que seria o tempo e o espa\u00e7o. Descobrimos que, de acordo com esse movimento aparente, temos emo\u00e7\u00f5es, nos sentimos vivos, temos prop\u00f3sitos, urg\u00eancias. Isso n\u00e3o \u00e9 local, nem depende de fatores locais, n\u00e3o \u00e9 geograficamente condicionado.<\/p>\n<p>O que pacificamos e estabilizamos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 somente esse corpo biol\u00f3gico que vemos aqui. Podemos usufruir da experi\u00eancia n\u00e3o constru\u00edda em cada elemento constru\u00eddo. Primeiro reconhecemos a consist\u00eancia dele como insepar\u00e1vel de n\u00f3s, o aspecto do pr\u00f3prio objeto como insepar\u00e1vel de n\u00f3s. Normalmente atribu\u00edmos significados autom\u00e1ticos quando permitimos o surgimento dos objetos. E, contemplando assim, penetramos nessa 22a etapa, o \u00faltimo bloco, na opera\u00e7\u00e3o mental que surge junto com a percep\u00e7\u00e3o e reconhecimento das apar\u00eancias. <\/p>\n<p>Entramos nessa pr\u00e1tica para perceber como se processam os processos de cogni\u00e7\u00e3o. Temos 44 formas de atribui\u00e7\u00f5es de significados. Essa etapa est\u00e1 descrita no &#8220;Sutra do Cora\u00e7\u00e3o&#8221;. Aqui furamos o v\u00e9u de Maya. Enfim entendemos o Buda quando ele diz &#8220;ao abrir os olhos os seres fitam a n\u00e9voa&#8221;. Isto fica claro. H\u00e1 v\u00e1rias etapas dentro desse processo: rejei\u00e7\u00e3o da n\u00e9voa, transcend\u00eancia da n\u00e9voa ou pacifica\u00e7\u00e3o da n\u00e9voa. Em determinada etapa consideramos isso a pris\u00e3o, depois algo de que podemos nos livrar, depois pacificamos reconhecendo-a como insepar\u00e1vel da natureza ilimitada, contemplamos com um sorriso o processo todo. Isso nos habilita a quarta forma de lidar com a n\u00e9voa: retornar a ela para benef\u00edcio dos seres. Vemos que isso \u00e9 um processo que sempre esteve presente, quando as &#8220;fichas caem&#8221;, a gente v\u00ea que isso sempre foi assim. <\/p>\n<p>Na vig\u00e9sima terceira etapa temos o samma-samadhi, uma experi\u00eancia de absor\u00e7\u00e3o na natureza ilimitada, livre de quaisquer constru\u00e7\u00f5es. \u00c9 como se fosse a serenidade absoluta da natureza n\u00e3o constru\u00edda. Com rela\u00e7\u00e3o a isso existe uma completa libera\u00e7\u00e3o da individualidade, n\u00e3o h\u00e1 nenhum &#8220;eu&#8221; envolvido. Isso \u00e9 particular, o samsara cessou, quando Buda levanta ele volta aos olhos que reconhece a natureza livre dos seres. \u00c9 a libera\u00e7\u00e3o do carma. Na vig\u00e9sima Segunda, h\u00e1 uma discrimina\u00e7\u00e3o completamente livre. O Buda passeia por todos os mundos, v\u00ea os bodisatvas, ele se reconhece insepar\u00e1vel, instantaneamente conectado com todos eles. Entendemos ent\u00e3o quando o Buda descreve que &#8220;todos os fen\u00f4menos manifestam o som do Darma&#8221;. Essa \u00e9 a vig\u00e9sima segunda etapa. Em samma-samadhi o Buda n\u00e3o est\u00e1 mais num mundo olhando al\u00e9m das apar\u00eancias, ele cessa a experi\u00eancia dos mundos. Mas ainda assim, mesmo sem perder a liberdade, ele retorna para benef\u00edcio dos seres. <\/p>\n<p>Samma-samadhi \u00e9 o nome t\u00e9cnico do oitavo passo do Nobre Caminho, que corresponde \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o, a vig\u00e9simo terceiro item deste roteiro, \u00e9 Darmakaya. Os Budas com essa vis\u00e3o ilimitada manifestam-se nos v\u00e1rios mundos particulares. A partir de Darmakaya incessantemente surgem os corpos da ilumina\u00e7\u00e3o. Na vig\u00e9sima terceira etapa ele n\u00e3o v\u00ea os seres de forma separativa. Ent\u00e3o ele emana os corpos insepar\u00e1veis da ilumina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o gera Sambhogakaya porque h\u00e1 uma &#8220;perda de qualidade&#8221;, isso se d\u00e1 porque nesse momento a forma \u00e9 pura. Os Budas est\u00e3o fora da roda da vida, eles n\u00e3o est\u00e3o jogando nenhum jogo, ainda que suas formas surjam. A forma normalmente gera impulsos, ao estilo da cobra e do galo, e ent\u00e3o temos consci\u00eancias separadas de todas as coisas. Essas s\u00e3o as tr\u00eas experi\u00eancias correspondentes \u00e0 roda da vida. Os Budas est\u00e3o livres dos tr\u00eas animais.<\/p>\n<p>De fato a pr\u00f3pria experi\u00eancia da &#8220;mente&#8221; cessa na vig\u00e9sima segunda etapa, ela normalmente opera insepar\u00e1vel do galo, exige uma opera\u00e7\u00e3o conjunta com a percep\u00e7\u00e3o condicionada autom\u00e1tica. A natureza mais sutil do galo \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o. Quando vemos A, B surge ao lado. Quando vemos qualquer objeto, dizemos &#8220;eu gosto daquela cor&#8221;, e, do processo de percep\u00e7\u00e3o brotam os ventos correspondentes. Na vig\u00e9sima terceira n\u00e3o h\u00e1 mais nenhum, para que ele exista \u00e9 necess\u00e1rio algum tipo de apego. O processo separativo em si j\u00e1 cessou a mais tempo, desde a d\u00e9cima oitava etapa. Mas ainda resta um apego aos objetos. Quando ele \u00e9 elucidado, h\u00e1 um processo autom\u00e1tico de revela\u00e7\u00e3o de significados. A mente, aquilo que opera at\u00e9 a d\u00e9cima oitava etapa, aqui entra na etapa de dissolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 a nossa condi\u00e7\u00e3o natural, se \u00e9 da mente, ent\u00e3o temos que usar a palavra &#8220;mente&#8221; num outro sentido. Mas a natureza \u00faltima existe, do contr\u00e1rio criamos uma outra dualidade. A mente \u00e9 uma express\u00e3o da natureza \u00faltima, mas essa experi\u00eancia convencional de mente que n\u00f3s temos inevitavelmente vai cessar. Essa experi\u00eancia est\u00e1 na depend\u00eancia de um personagem que joga um jogo. Dentro da compaix\u00e3o a mente ainda opera, mas h\u00e1 um ponto em que ela n\u00e3o mais vai operar mas segue a natureza ilimitada que gera os in\u00fameros mundos. O Buda manifestou-se atrav\u00e9s disso. Ele se utilizou de um corpo. Quando a morte chega ele diz &#8220;eu n\u00e3o vim e eu n\u00e3o vou&#8221;. Todo mundo entende um Buda que veio, ele diz &#8220;vim para um mundo de sonho pregar um Darma de sonho para seres de sonho&#8221;. Ele sempre possuiu a percep\u00e7\u00e3o ilimitada, ele sempre foi Darmakaya. Mas os seres mant\u00e9m uma no\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, ele nasceu ali e fez tais e tais coisas, e as pessoas s\u00f3 conseguem ver dessa forma, o que, em si mesmo \u00e9 um milagre, ele ter surgido historicamente!<\/p>\n<p>Aquilo que pensa, esquadrinha, precisa de elementos s\u00f3lidos. Quando eles n\u00e3o surgem mais, resta a mente ilimitada. Essa natureza \u00e9 poderosa no sentido de que pode gerar os pr\u00f3prios processos limitados, a natureza de Darmakaya \u00e9 liberdade. <\/p>\n<p>\u00c9 bonito ver como de descreve o surge o corpo humano no ensinamentos vajrayana, no princ\u00edpio ele \u00e9 auto-gerado, ele se desloca atrav\u00e9s das montanhas, ele \u00e9 al\u00e9m da geografia. Ele \u00e9 o aspecto mais sutil da nossa identidade, e ela \u00e9 auto-surgida, \u00e9 transl\u00facida. Ela se desloca, e depois vai agregando elementos que v\u00e3o solidificando esse processo, e camada por camada surge essa apar\u00eancia que temos agora. Quando de Darmakaya come\u00e7am a surgir as formas, elas n\u00e3o se estabelecem com ossos e c\u00e9lulas, mas quando olhamos isso mais de perto, vemos que ela nunca se dissolveu para dar lugar a carne e ossos, ela \u00e9 ainda et\u00e9rea hoje. Ent\u00e3o podemos perceber essa caracter\u00edstica: segue operando e segue se estruturando. Da mesma maneira que um casamento se estrutura, com um carro, uma casa, um papel, fam\u00edlias que se entrela\u00e7am, isso cria uma solidez. Tudo come\u00e7ou quando um olhou para o outro no banco escolar. Se na semana seguinte ela tivesse adoecido e n\u00e3o tivesse aparecido na aula, n\u00e3o haveria casamento. <\/p>\n<p>Quando recitamos &#8220;gate gate paragate parasamgate bodhi soha&#8221;, estamos expressando a ultrapassagem do v\u00e9u. Sem ultrapassar o v\u00e9u n\u00e3o h\u00e1 como. Ele representa o &#8220;Sutra do Cora\u00e7\u00e3o&#8221;, que libera isso tudo. Sem isso o processo segue, a mente pode ser mais ampla, mas ela \u00e9 a mente, &#8220;gate gate&#8221; corresponde ao cruzar o rio, por isso ele \u00e9 considerado o maha-mantra, o mantra que n\u00e3o tem nenhuma constru\u00e7\u00e3o. Por isso os bodisatvas-mahasatvas n\u00e3o tem medo, eles repousam al\u00e9m das constru\u00e7\u00f5es. O &#8220;Sutra do Cora\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 assim chamado porque \u00e9 o cerne da sabedoria transcendental revelado atrav\u00e9s dos 44 itens de contempla\u00e7\u00e3o apontados no sutra. Vemos l\u00e1 que &#8220;forma \u00e9 vazio, vazio \u00e9 forma, forma nada mais \u00e9 do que vazio&#8221;, e assim por diante com morte, ilumina\u00e7\u00e3o, um por um desses itens. Cada um deles tem 4 aspectos que tem que ser reconhecidos, ent\u00e3o multiplicamos e temos 176 pontos de contempla\u00e7\u00e3o. Vendo isso entendemos porque Asanga ficou doze anos em retiro, porque Bodidarma ficou 9 anos diante de uma parede e porque o pr\u00f3prio Buda praticou por seis anos em reclus\u00e3o na floresta. <\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lama Padma Samten Conte\u00fado: Temos aqui uma introdu\u00e7\u00e3o e a breve descri\u00e7\u00e3o de um roteiro de pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o que come\u00e7a com a etapa de tranq\u00fciliza\u00e7\u00e3o da mente em medita\u00e7\u00e3o formal e vai, atrav\u00e9s de 23 itens, at\u00e9 &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/praticando-o-darma-atraves-da-meditacao\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[68],"class_list":["post-5523","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-meditacao","tag-lama-padma-samten"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5523","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5523"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5523\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5951,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5523\/revisions\/5951"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5523"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5523"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5523"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}