{"id":5571,"date":"2018-07-17T11:27:29","date_gmt":"2018-07-17T13:27:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5571"},"modified":"2018-07-17T11:33:10","modified_gmt":"2018-07-17T13:33:10","slug":"opinioes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/opinioes\/","title":{"rendered":"Opini\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/opinioes\/opinioes-2\/\" rel=\"attachment wp-att-5575\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Opini\u00f5es-300x140.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"140\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5575\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Opini\u00f5es-300x140.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Opini\u00f5es.jpg 329w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/pema-chodron\/\">Pema Ch\u00f6dr\u00f6n<\/a><br \/>\nextra\u00eddo do livro &#8220;Quando tudo se desfaz&#8221;<br \/>Publicado por GRYPHUS<br \/>Traduzido por Helenice Gouv\u00eaa<\/b><\/i><\/div>\n<p>Uma das melhores pr\u00e1ticas para a vida cotidiana, quando n\u00e3o temos muito tempo para meditar, \u00e9 perceber nossas pr\u00f3prias opini\u00f5es. Quando estamos praticando medita\u00e7\u00e3o sentada, faz parte da t\u00e9cnica estar consciente dos pr\u00f3prios pensamentos. Ent\u00e3o, sem julgamentos, sem classific\u00e1-los como certos ou errados, simplesmente reconhecemos que estamos pensando. Esse \u00e9 um exerc\u00edcio de n\u00e3o-agress\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a si mesmo e \u00e9 tamb\u00e9m uma pr\u00e1tica que traz \u00e0 tona nossa intelig\u00eancia &#8211; ver que estamos apenas pensando, sem acrescentar qualquer tipo de esperan\u00e7a ou medo, louvor ou culpa. No entanto, quando sentamos para meditar, nem sempre nos sa\u00edmos t\u00e3o bem. Perceber que estamos pensando, mesmo quando isso acontece apenas por um quarto de segundo durante uma hora inteira, freq\u00fcentemente vem acompanhado de culpa ou louvor. \u00c9 bom ou mau. Seja como for, outros aspectos est\u00e3o envolvidos, al\u00e9m de simplesmente rotularmos esse processo como &#8220;pensando&#8221;.<\/p>\n<p>\tEntretanto, ap\u00f3s praticarmos medita\u00e7\u00e3o por algum tempo, nossa mente vai se aquietando, pelo simples fato de estarmos conosco mesmos, sem qualquer outra atividade al\u00e9m de estar atento \u00e0 pr\u00f3pria expira\u00e7\u00e3o e perceber os pensamentos. Como conseq\u00fc\u00eancia, aprofundamos cada vez mais nossa percep\u00e7\u00e3o. Quer sintamos ou n\u00e3o esse processo, a verdade \u00e9 que ele est\u00e1 ocorrendo. Na medita\u00e7\u00e3o, n\u00f3s nos permitimos mais espa\u00e7o, e come\u00e7amos a ver o que surge com clareza e intensidade crescentes. Vemos que, o tempo todo, produzimos muitos pensamentos e tamb\u00e9m que surgem lacunas em toda essa tagarelice. Podemos ainda perceber nossas atitudes diante do que est\u00e1 acontecendo. Com isso, entramos em sintonia com nossos padr\u00f5es habituais e vemos o que fazemos e quem somos no momento em que usamos id\u00e9ias e opini\u00f5es para impedir nossa pr\u00f3pria desintegra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\tQuando n\u00e3o estamos meditando, tamb\u00e9m podemos come\u00e7ar a perceber nossas opini\u00f5es, da mesma forma que percebemos nossos pensamentos durante a medita\u00e7\u00e3o. Essa pr\u00e1tica \u00e9 extremamente \u00fatil, pois temos muitas convic\u00e7\u00f5es e uma tend\u00eancia a achar que elas representam a verdade. No entanto, n\u00e3o \u00e9 bem assim. Elas s\u00e3o apenas nossas opini\u00f5es. N\u00f3s as sustentamos com grande apoio emocional. Freq\u00fcentemente, exprimem julgamentos e cr\u00edticas. As vezes, refletem nossa aprecia\u00e7\u00e3o ou elogio. De qualquer modo, temos muitas opini\u00f5es.<\/p>\n<p>\tOpini\u00f5es s\u00e3o opini\u00f5es, nada mais, nada menos. Podemos come\u00e7ar a perceb\u00ea-las e a rotul\u00e1-las como tal, assim como rotulamos nossos pensamentos. Por meio desse exerc\u00edcio simples, entramos em contato com a no\u00e7\u00e3o de aus\u00eancia de ego. O ego nada mais \u00e9 que o conjunto de nossas opini\u00f5es, mas n\u00f3s o consideramos s\u00f3lido e real &#8211; uma verdade absoluta. Ter ao menos alguns segundos de d\u00favida sobre a solidez e verdade absoluta de nossas pr\u00f3prias opini\u00f5es, ao menos come\u00e7ar a ver que elas existem, leva-nos a conhecer a possibilidade de aus\u00eancia de ego. N\u00e3o temos de nos livrar delas, nem nos criticarmos por t\u00ea-las. Podemos apenas observar o que dizemos a n\u00f3s mesmos e perceber que grande parte disso s\u00f3 reflete nossa vis\u00e3o particular da realidade, que pode ou n\u00e3o ser compartilhada pelos demais.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel simplesmente deixar que nossas opini\u00f5es passem e voltar ao momento presente. Voltamos a olhar o rosto de quem est\u00e1 \u00e0 nossa frente, a saborear nosso caf\u00e9, a escovar os dentes, ou ao que quer que estejamos fazendo. Quando, ao menos por um instante, conseguimos perceber nossas opini\u00f5es como opini\u00f5es, permitindo que elas se dissipem e voltando \u00e0 qualidade imediata de nossa experi\u00eancia, descobrimos que estamos em um mundo novinho em folha, que temos olhos e ouvidos novos.<\/p>\n<p>Quando falo em perceber nossas opini\u00f5es, estou me referindo a um m\u00e9todo simples para come\u00e7ar a prestar aten\u00e7\u00e3o no que pensamos e fazemos, e na grande quantidade de energia que acompanha esse processo. Ent\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m come\u00e7ar a observar como tornamos as coisas s\u00f3lidas e como \u00e9 f\u00e1cil iniciar uma guerra para que nosso ponto de vista prevale\u00e7a sobre o dos demais. Somos especialmente tentados a fazer isso quando estamos envolvidos em algum tipo de causa social.<\/p>\n<p>Vamos utilizar o exemplo da camada de oz\u00f4nio. Estamos certos, quando afirmamos que sua diminui\u00e7\u00e3o \u00e9 um fato cient\u00edfico, n\u00e3o uma mera opini\u00e3o. Entretanto, se tentarmos impedir essa destrui\u00e7\u00e3o tornando s\u00f3lidas nossas opini\u00f5es contra aqueles que consideramos culpados, nunca mudaremos nada. Negatividade gera negatividade. Em outras palavras, mesmo quando nossa causa \u00e9 nobre ou tem um bom fundamento, n\u00f3s n\u00e3o a estamos defendendo quando alimentamos sentimentos agressivos pelos opressores ou por aqueles que criam situa\u00e7\u00f5es de perigo. Nunca mudaremos nada com a agressividade.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos argumentar que a n\u00e3o-agress\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o traz muitas mudan\u00e7as. Ela, entretanto, beneficia imensamente a Terra. A agressividade \u00e9 a raiz da fome, da mis\u00e9ria e da crueldade no n\u00edvel pessoal. Quando nos apegamos obstinadamente \u00e0s nossas opini\u00f5es, por mais leg\u00edtima que seja nossa causa, estamos simplesmente adicionando mais agressividade ao planeta e, com isso, aumentando a viol\u00eancia e o sofrimento. Cultivar a n\u00e3o-agress\u00e3o \u00e9 cultivar a paz. Para p\u00f4r um fim \u00e0s guerras \u00e9 preciso deixar de odiar o inimigo. Esse processo come\u00e7a quando percebemos que nossas opini\u00f5es sobre n\u00f3s mesmos e sobre os demais s\u00e3o apenas uma vis\u00e3o da realidade, sem transform\u00e1-las em um motivo para aumentar a negatividade do mundo.<\/p>\n<p>A chave est\u00e1 em perceber a diferen\u00e7a entre uma opini\u00e3o e a intelig\u00eancia l\u00edmpida. Intelig\u00eancia \u00e9 ver os pensamentos como tal, sem classific\u00e1-los como certos ou errados. No contexto da a\u00e7\u00e3o social, vemos quando governos, empresas e pessoas obviamente est\u00e3o poluindo os rios ou prejudicando pessoas e animais. Podemos tirar fotos. Podemos documentar os fatos. Vemos que o sofrimento \u00e9 real. Isso \u00e9 poss\u00edvel porque temos intelig\u00eancia e n\u00e3o nos deixamos levar por conceitos de bem e mal, esperan\u00e7a e medo.<\/p>\n<p>Cabe a n\u00f3s separar o que \u00e9 opini\u00e3o e o que \u00e9 fato. S\u00f3 assim poderemos enxergar com intelig\u00eancia. Quanto mais pudermos ver com clareza, mais poderosos ser\u00e3o o nosso discurso e as nossas a\u00e7\u00f5es. Quanto menos eles estiverem obscurecidos pela opini\u00e3o, melhor ser\u00e1 nossa comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas com os que est\u00e3o poluindo os rios, mas tamb\u00e9m com aqueles a quem cabe pressionar essas pessoas.<\/p>\n<p>Como ensinou o Buda, \u00e9 importante ver o sofrimento como sofrimento. N\u00e3o estou falando em ignorar ou calar-se, mas quando n\u00e3o acreditamos tanto em nossas opini\u00f5es nem solidificamos o conceito de inimigo, estamos conquistando algo. Quando n\u00e3o noz deixamos levar por nossa indigna\u00e7\u00e3o, vemos a causa do sofrimento com mais clareza e disso decorre o seu fim.<\/p>\n<p>Esse processo exige enorme paci\u00eancia. \u00c9 importante lembrar que, quando estamos l\u00e1 fora, lutando por reformas sem agressividade, estamos trazendo paz ao mundo, mesmo se n\u00e3o atingirmos nosso objetivo espec\u00edfico. Temos de dar o melhor de n\u00f3s mesmos e, ao mesmo tempo, desistir de qualquer esperan\u00e7a de realiza\u00e7\u00e3o. Don Juan aconselhou Carlos Casta\u00f1eda a agir como se suas atitudes fossem a \u00fanica coisa importante do mundo, sabendo, o tempo todo, que elas n\u00e3o t\u00eam import\u00e2ncia nenhuma. Isso nos leva a uma maior aprecia\u00e7\u00e3o e menor desgaste, pois passamos a trabalhar com entusiasmo e carinho. Por outro lado, cada dia \u00e9 um dia novo. Deixamos de estar t\u00e3o excessivamente voltados para o futuro. Embora estejamos caminhando com uma dire\u00e7\u00e3o e nosso objetivo seja diminuir o sofrimento, \u00e9 preciso lembrar que manter nossa clareza mental, manter nossa mente e cora\u00e7\u00e3o abertos faz parte dessa ajuda. Quando as circunst\u00e2ncias nos fazem desejar fechar os olhos, tapar os ouvidos e transformar os outros em inimigos, uma causa social pode ser a pr\u00e1tica mais avan\u00e7ada. Como continuar a falar e a agir sem agressividade representa um enorme desafio. Para isso, o passo inicial \u00e9 perceber nossas pr\u00f3prias opini\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m no planeta, nem os que consideramos opressores nem os que vemos como oprimidos, que n\u00e3o possua o que \u00e9 necess\u00e1rio para despertar. Todos n\u00f3s precisamos de apoio e encorajamento para tomar consci\u00eancia do que pensamos, falamos e fazemos. Observe suas opini\u00f5es. Se elas o tornam agressivo, perceba esse processo. Se elas o tornam n\u00e3o-agressivo, perceba isso tamb\u00e9m. Cultivando uma mente que n\u00e3o se apega ao certo e errado, encontraremos um novo modo de ser. Dessa atitude decorre a definitiva interrup\u00e7\u00e3o do sofrimento. E finalmente, nunca desista de si mesmo, pois s\u00f3 assim nunca desistir\u00e1 dos outros. Dedicadamente, procure fazer o que \u00e9 preciso para despertar sua intelig\u00eancia l\u00edmpida, mas fa\u00e7a isso aos poucos, dia ap\u00f3s dia, momento ap\u00f3s momento. Se vivermos assim, estaremos beneficiando nosso planeta.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Pema Ch\u00f6dr\u00f6n extra\u00eddo do livro &#8220;Quando tudo se desfaz&#8221;Publicado por GRYPHUSTraduzido por Helenice Gouv\u00eaa Uma das melhores pr\u00e1ticas para a vida cotidiana, quando n\u00e3o temos muito tempo para meditar, \u00e9 perceber nossas pr\u00f3prias opini\u00f5es. 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