{"id":5679,"date":"2018-07-23T14:44:43","date_gmt":"2018-07-23T16:44:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5679"},"modified":"2018-07-23T14:55:53","modified_gmt":"2018-07-23T16:55:53","slug":"o-mahayana-e-o-tratamento-das-emocoes-transformacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-mahayana-e-o-tratamento-das-emocoes-transformacao\/","title":{"rendered":"O mahayana e o tratamento das emo\u00e7\u00f5es-transforma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-mahayana-e-o-tratamento-das-emocoes-transformacao\/mahayana\/\" rel=\"attachment wp-att-5683\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/mahayana.jpg\" alt=\"\" width=\"234\" height=\"215\" class=\"alignleft size-full wp-image-5683\" \/><\/a> <\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/kalu-rinpoche\/\">Kalu Rinpoche<\/a><\/b><\/i><\/div>\n<p><\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li><a href=\"#a\">Transforma\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es\n<li><a href=\"#b\">grada\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es\n<li><a href=\"#c\">ref\u00fagio e bodhichitta\n<li><a href=\"#d\">transforma\u00e7\u00e3o da cegueira\n<li><a href=\"#e\">transforma\u00e7\u00e3o do desejo\n<li><a href=\"#f\">transforma\u00e7\u00e3o da avers\u00e3o\n<li><a href=\"#g\">transforma\u00e7\u00e3o do orgulho\n<li><a href=\"#h\">transforma\u00e7\u00e3o da possessividade\n<li><a href=\"#i\">transforma\u00e7\u00e3o do ci\u00fame<br \/>\n<\/a><\/li>\n<p><\/a><\/li>\n<p><\/a><\/li>\n<p><\/a><\/li>\n<p><\/a><\/li>\n<p><\/a><\/li>\n<p><\/a><\/li>\n<p><\/a><\/li>\n<p><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<p><a name=\"a\"><\/p>\n<h5>TRANSFORMA\u00c7\u00c3O DAS EMO\u00c7\u00d5ES<\/h5>\n<p><\/a><br \/>\nVimos que a maneira de tratar as emo\u00e7\u00f5es conflituosas no hinayana consistia em rejeit\u00e1-las. No mahayana, ao contr\u00e1rio, esfor\u00e7a-se para transform\u00e1-las de maneira positiva.<\/p>\n<p>Geralmente, contam-se seis emo\u00e7\u00f5es principais, repartidas em dois grupos de tr\u00eas. O desejo-apego, o \u00f3dio-avers\u00e3o e a cegueira constituem a base sobre a qual se implantam as outras tr\u00eas: do desejo-apego nasce a possessividade, do \u00f3dio-avers\u00e3o, o ci\u00fame, da cegueira, o orgulho.<\/p>\n<p>Essas seis emo\u00e7\u00f5es conflituosas est\u00e3o relacionadas com os renascimentos nos diferentes<br \/>\nmundos, segundo sua predomin\u00e2ncia:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>o \u00f3dio-avers\u00e3o conduz ao renascimento nos infernos;\n<\/li>\n<li>a possessividade, no mundo dos esp\u00edritos \u00e1vidos;\n<\/li>\n<li>a cegueira, no mundo animal;\n<\/li>\n<li>o desejo-apego, no mundo humano\n<\/li>\n<li>o ci\u00fame, no mundo dos semideuses;\n<\/li>\n<li>o orgulho, no mundo dos deuses.\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Em raz\u00e3o do renascimento em uma ou outra condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia, as emo\u00e7\u00f5es conflituosas s\u00e3o modificadas pelos atos positivos e negativos: os primeiros produzem as alegrias e as felicidades dos tr\u00eas mundos superiores (humanos, semideuses e deuses), os segundos provocam os sofrimentos dos tr\u00eas mundos inferiores (animais, esp\u00edritos \u00e1vidos e infernos).<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"b\"><\/p>\n<h5>GRADA\u00c7\u00c3O DAS EMO\u00c7\u00d5ES<\/h5>\n<p><\/a><br \/>\nPodemos classificar as emo\u00e7\u00f5es conflituosas segundo a quantidade de sofrimento que provocam. Desse ponto de vista, o \u00f3dio-avers\u00e3o aparece como o de consequ\u00eancias mais pesadas, j\u00e1 que causa as dores extremas dos infernos. Em segundo, vem a possessividade que provoca o renascimento no mundo dos esp\u00edritos \u00e1vidos, j\u00e1 que a cegueira &#8211; a estupidez, a incapacidade de compreender &#8211; conduz ao mundo animal. Em seguida, pode-se colocar o ci\u00fame, causa do renascimento entre os semideuses, envolvidos em querelas e conflitos cont\u00ednuos, sofrendo de uma inseguran\u00e7a permanente, resultado de seu desejo de ter o que os outros possuem, em particular os deuses.<\/p>\n<p>O desejo-apego e o orgulho s\u00e3o as duas emo\u00e7\u00f5es conflituosas cujo predom\u00ednio conduz ao renascimento em mundos relativamente felizes, aqueles dos homens ou o dos deuses. Para que produzam esse resultado, \u00e9 preciso, entretanto, que intervenham outros fatores.<\/p>\n<p>Tomemos o exemplo dos deuses. Seu orgulho, isolado de qualquer contexto, leva-os a pensar: &#8220;Eu SOU forte, inteligente, algu\u00e9m importante&#8221;. Foi preciso este orgulho, fortemente dominante com rela\u00e7\u00e3o ao desejo, \u00e0 c\u00f3lera, ao ci\u00fame etc., para renascer nesse mundo. Se, entretanto, os deuses gozam ali de todos os prazeres dos sentidos e de uma longa vida, \u00e9 porque a esse orgulho foi acrescentado um forte potencial de karma positivo. A vida de um deus vai ser, portanto, essa mistura de orgulho e de prazer dos sentidos no qual as outras emo\u00e7\u00f5es s\u00f3 interv\u00e9m muito pouco.<\/p>\n<p>Da mesma maneira, uma predomin\u00e2ncia do desejo-apego origina a vida humana. Entretanto, ela ser\u00e1 atenuada por outros fatores: um karma positivo anterior permitir\u00e1 que seja feliz e longa, enquanto que um karma negativo anterior produzir\u00e1 doen\u00e7as, pobreza e numerosas dificuldades.<\/p>\n<p>O desejo-apego n\u00e3o \u00e9 em si mesmo um defeito, como tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a causa direta de muitos atos negativos. Seu inconveniente \u00e9 ser seguido de c\u00f3lera, ci\u00fame etc., que s\u00e3o muito nefastos.<br \/>\nTemos, ent\u00e3o, seis emo\u00e7\u00f5es conflituosas fundamentais; mas elas n\u00e3o poderiam descrever toda a complexidade da situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que consideramos numerosas ramifica\u00e7\u00f5es que levam a um n\u00famero total de 84 mil emo\u00e7\u00f5es conflituosas. Sua interven\u00e7\u00e3o leva-nos a errar continuamente no samsara.<\/p>\n<p>Buddha apresentou diferentes m\u00e9todos para tratar essas emo\u00e7\u00f5es, conduzindo a diferentes estados de realiza\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>a rejei\u00e7\u00e3o, em vigor no pequeno ve\u00edculo, permite atingir o estado de arhat;\n<\/li>\n<li>a transforma\u00e7\u00e3o, tratada pelo grande ve\u00edculo, conduz ao estado de bodhisattva;\n<\/li>\n<li>o simples reconhecimento, ensinado pelo vajrayana, leva ao estado de Buddha nesta pr\u00f3pria vida.\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>As t\u00e9cnicas de transforma\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o diferentes sob o mahayana dial\u00e9tico ou o vajrayana. Iremos tratar aqui do primeiro, unindo a teoria \u00e0 medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"c\"><\/p>\n<h5>REF\u00daGIO E BODHICHITTA<\/h5>\n<p><\/a><br \/>\nConsiderando-se que nos situamos no contexto do mahayana, primeiramente devemos lembrar que n\u00e3o somente n\u00f3s mesmos, mas todos os seres, s\u00e3o prisioneiros do samsara. Desejamos, portanto, obter para n\u00f3s mesmos a liberta\u00e7\u00e3o e a felicidade que resultam do mahayana, assim como a capacidade de ajudar os outros e conduzi-los a essa mesma felicidade. Dado que apenas as Tr\u00eas J\u00f3ias podem nos guiar nesse caminho, tomamos ref\u00fagio nelas do fundo do cora\u00e7\u00e3o. Depois, geramos a mente do Despertar, a bodhicitta, pensando: &#8220;Para o bem de todos os seres, eu me exercitarei na transforma\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es segundo o ensinamento do mahayana&#8221;.<\/p>\n<p>No momento em que n\u00f3s recitamos a f\u00f3rmula de tomada de ref\u00fagio, pensamos que, no c\u00e9u a nossa frente, est\u00e3o os Buddhas, os bodhisattvas e os textos representando o ensinamento. Em sua presen\u00e7a, pensamos que nos mesmos e todos os seres, com confian\u00e7a e respeito, prosternamo-nos e pedimo-lhes para nos proteger dos sofrimentos do samsara.<\/p>\n<p><i>(medita\u00e7\u00e3o)<\/i><\/p>\n<p>Ao final da recita\u00e7\u00e3o da tomada de ref\u00fagio, pensamos que os Buddhas e bodhisattvas emitem uma imensa luz que toca todos os seres e os purifica de seus erros e de seus v\u00e9us. Depois, sentimos plenamente a gra\u00e7a recebida das Tr\u00eas J\u00f3ias e guardamos por um momento a mente em repouso.<\/p>\n<p><i>(breve medita\u00e7\u00e3o)<\/i><\/p>\n<p>Agora, lembramo-nos que todos os seres das tr\u00eas esferas e dos seis mundos foram nosso pai e nossa m\u00e3e em nossas vidas passadas. Todos cometem muitos atos negativos, causa dos sofrimentos, e experimentam o resultado disso. Pensamos que \u00e9 preciso retir\u00e1-los do oceano de sofrimentos do samsara e traz\u00ea-los ao estado de Buddha e que, para fazer isso, iremos praticar a medita\u00e7\u00e3o do mahayana. Com esse pensamento recitamos a f\u00f3rmula do desenvolvimento da mente do Despertar.<\/p>\n<p><i>(medita\u00e7\u00e3o)<\/i><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"d\"><\/p>\n<h5>TRANSFORMA\u00c7\u00c3O DA CEGUEIRA<\/h5>\n<p><\/a><br \/>\nTomemos agora a postura de medita\u00e7\u00e3o, as costas bem retas, e deixemos nossa mente em repouso. Nessa mente em repouso, o desejo-apego, o \u00f3dio-avers\u00e3o, a possessividade, o ci\u00fame e o orgulho est\u00e3o inativos. Constata-se, entretanto, a presen\u00e7a da cegueira que \u00e9 a base das outras emo\u00e7\u00f5es. Esta cegueira significa que n\u00e3o compreendemos as implica\u00e7\u00f5es de nossos atos e de nossa situa\u00e7\u00e3o; significa tamb\u00e9m que, quando um pensamento ou uma emo\u00e7\u00e3o se produzem, n\u00f3s n\u00e3o vemos, fora do simples sentir do pensamento ou da emo\u00e7\u00e3o, qual \u00e9 a sua natureza e origem. Primeiramente, iremos meditar tomando por base essa cegueira.<\/p>\n<p>A cegueira vem da ignor\u00e2ncia (sct. avijya) fundamental. Ainda que sejam muito semelhantes, pode-se dizer que a ignor\u00e2ncia \u00e9 o fato de a mente nada perceber, e a cegueira, o fato de nada compreender. Podemos comparar essas duas no\u00e7\u00f5es \u00e0 obscuridade, uma obscuridade sem lua, sem estrelas, sem vela, sem eletricidade.<\/p>\n<p>Precisamos transformar essa cegueira e essa ignor\u00e2ncia, essa &#8220;in-consci\u00eancia&#8221;, em consci\u00eancia. Para fazer isso, permanecemos simplesmente na vacuidade da mente, que possui de maneira inerente a capacidade de consci\u00eancia. Quando um pensamento ou uma emo\u00e7\u00e3o se elevam, continuamos preservando nossa capacidade de perceb\u00ea-los, de termos consci\u00eancia deles. Permanecemos na consci\u00eancia de nosso estado interior.<\/p>\n<p>Essa medita\u00e7\u00e3o \u00e9 muito f\u00e1cil. Se a mente permanece na vacuidade, ficamos simplesmente conscientes dessa vacuidade. Quando um pensamento se produz, s\u00f3 temos que reconhec\u00ea-lo, sem querer interromp\u00ea-lo, mas tamb\u00e9m sem segui-lo. Depois, quando um outro pensamento se apresenta, de novo apenas reconhecemos sua presen\u00e7a. \u00c9 extremamente simples.<\/p>\n<p><i>(medita\u00e7\u00e3o)<\/i><\/p>\n<p>A cegueira \u00e9 n\u00e3o-conhecimento. Por esse processo, n\u00f3s a transformamos em conhecimento, em consci\u00eancia do que se passa. \u00c9 muito f\u00e1cil: a mente permanece simplesmente l\u00facida, consciente, seja da aus\u00eancia de pensamentos, seja dos pensamentos que se produzem. N\u00e3o h\u00e1 nada a rejeitar ou nada a produzir. A pr\u00f3pria n\u00e3o-consci\u00eancia se transforma em consci\u00eancia.<\/p>\n<p><i>(medita\u00e7\u00e3o)<\/i><\/p>\n<p>Esta medita\u00e7\u00e3o, que pode ser feita regularmente, \u00e9 semelhante \u00e0 luz que afasta a obscuridade da qual falamos h\u00e1 pouco. Ela \u00e9 um meio de desenvolver a paramita do conhecimento. (Mahaprajana paramita)<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"e\"><\/p>\n<h5>TRANSFORMA\u00c7\u00c3O DO DESEJO<\/h5>\n<p><\/a><br \/>\nEm segundo lugar, tomemos o desejo. Como podemos transform\u00e1-lo em experi\u00eancia de felicidade? Tomemos o desejo sexual: ele ocorre ao vermos uma bela mulher ou um belo homem e provoca uma sensa\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel, ao mesmo tempo f\u00edsica e mental. A esta sensa\u00e7\u00e3o vai se acrescentar um elemento complicador: a sede de possuir o objeto do desejo. Esta sede \u00e9 um produto da cegueira que n\u00e3o v\u00ea que a primeira sensa\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel \u00e9 suficiente. Faz acreditar que a posse tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Supondo que um homem veja uma mulher bonita, o desejo faz com que ele experimente logo uma sensa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e mental agrad\u00e1vel. Ao mesmo tempo, a cegueira provoca uma vontade de posse, da qual se espera que consolide a experi\u00eancia de felicidade. No contexto da medita\u00e7\u00e3o que visa transformar as emo\u00e7\u00f5es, det\u00e9m-se na sensa\u00e7\u00e3o de felicidade produzida pelo desejo, sem consider\u00e1-la como uma coisa ruim, sem querer rejeit\u00e1-la. Fica-se consciente dessa felicidade, lucidamente, e ela \u00e9 experimentada sem que se deixe levar pela sede que queria possuir o objeto.<\/p>\n<p>Assim, a alegria proveniente do desejo n\u00e3o causa nenhum problema. Quando pensamos em algu\u00e9m que amamos, eleva-se espontaneamente uma alegria interior e um bem-estar f\u00edsico. Permanecemos simplesmente n\u00e3o-distra\u00eddos nessa sensa\u00e7\u00e3o de alegria, sem sermos tomados pelas complica\u00e7\u00f5es devidas \u00e0 sede de posse. O fato de permanecermos nessa sensa\u00e7\u00e3o, faz com que ela cres\u00e7a e leva-nos a um estado de felicidade natural. Meditar assim \u00e9 extremamente ben\u00e9fico.<\/p>\n<p>Meditemos, ent\u00e3o, agora, pensando em algu\u00e9m ou em um objeto que nos atraia particularmente, depois, permanecemos na sensa\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel provocada por esse pensamento.<\/p>\n<p><i>(medita\u00e7\u00e3o)<\/i><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"f\"><\/p>\n<h5>TRANSFORMA\u00c7\u00c3O DA AVERS\u00c3O<\/h5>\n<p><\/a><br \/>\nNo mahayana, os meios de tratar o \u00f3dio-avers\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o numerosos, quanto \u00e9 forte a insist\u00eancia sobre o amor e a compaix\u00e3o. Vejamos simplesmente aqui como abordar o \u00f3dioavers\u00e3o do ponto de vista da medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando um forte acesso de c\u00f3lera se manifesta, produz-se ao mesmo tempo na mente uma grande vivacidade, um grande vigor, como um raio que proporciona um possante dinamismo. Entretanto, mais uma vez, por causa da cegueira, esse vigor n\u00e3o \u00e9 reconhecido; deixamo-nos levar pelas complica\u00e7\u00f5es que o acompanham. dirigidas ao objeto que suscitou nossa c\u00f3lera: pensamos em prejudicar, bater ou matar. Contudo, a ess\u00eancia dessa c\u00f3lera, longe de se situar na obscuridade, \u00e9 uma grande claridade. \u00c9 preciso, portanto, que olhemos essa ess\u00eancia, permanecendo sem distra\u00e7\u00e3o nessa claridade. Assim operamos a transforma\u00e7\u00e3o da emo\u00e7\u00e3o: a c\u00f3lera \u00e9 transformada em claridade.<\/p>\n<p>Para realizar nosso exerc\u00edcio de medita\u00e7\u00e3o, pensemos agora cm uma pessoa ou uma situa\u00e7\u00e3o que provoque nossa c\u00f3lera. Sem seguir o movimento dessa c\u00f3lera, permanecemos sem distra\u00e7\u00e3o na claridade que a acompanha.<\/p>\n<p><i>(medita\u00e7\u00e3o)<\/i><\/p>\n<p>Assim, cada vez que se produzir em voc\u00eas um movimento de c\u00f3lera ou de avers\u00e3o, voc\u00eas podem permanecer na ess\u00eancia clara que a subentende, sem procurar rejeitar ou seguir a c\u00f3lera, mas fixando-se em sua vivacidade. Desse modo a c\u00f3lera se transformar\u00e1 em claridade.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"g\"><\/p>\n<h5>TRANSFORMA\u00c7\u00c3O DO ORGULHO<\/h5>\n<p><\/a><br \/>\n&#8220;Sou melhor que os outros&#8221;, &#8220;sou muito inteligente; sou importante&#8221;: esses pensamentos caracter\u00edsticos de um forte apego ao &#8220;eu&#8221; constituem o orgulho. Quando o orgulho se produz, permanece-se neutro diante dele, sem rejeit\u00e1-lo ou segui-lo, conservando simplesmente a mente nesse sentimento, sem distra\u00e7\u00e3o; a partir de ent\u00e3o esse orgulho, compar\u00e1vel a uma montanha, encontra-se naturalmente aplainado. O &#8220;eu&#8221; perde sua supervaloriza\u00e7\u00e2o.<\/p>\n<p><i>(medita\u00e7\u00e3o)<\/i><\/p>\n<p>Na medida em que aprendemos a meditar dessa maneira, as numerosas ocasi\u00f5es em que oorgulho se eleva em nossa mente acabam sendo muito proveitosas, pois se transformam no suporte para o desenvolvimento da quinta paramita, a da concentra\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, o orgulho, nascido da assimila\u00e7\u00e3o de um &#8220;eu&#8221;, quando se apaga pelo fato de olharmos sua ess\u00eancia. da lugar \u00e0 percep\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia do eu.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"h\"><\/p>\n<h5>TRANSFORMA\u00c7\u00c3O DA POSSESSIVIDADE<\/h5>\n<p><\/a><br \/>\nTodos n\u00f3s somos marcados pelo conjunto das emo\u00e7\u00f5es conflituosas. Dentre elas, a possessividade, que se aplica ao nosso corpo, a nossa casa, a qualquer de nossos bens, est\u00e1 sempre muito presente e \u00e9 muito forte. Qualquer que seja a forma que ela se apresente, podemos neutraliz\u00e1-la pelo dom praticado em diferentes graus: o dom dos bens materiais \u00e9 o primeiro grau, o dom de sua fam\u00edlia \u00e9 o segundo, o dom de seu sangue e de sua carne constitui a forma mais elevada. O mahayana oferece assim uma grande variedade de meios colocando em pr\u00e1tica a generosidade para suplantar a possessividade.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da medita\u00e7\u00e3o, onde nos situamos agora, quando a possessividade se produz, n\u00f3s a tratamos do mesmo modo que as emo\u00e7\u00f5es precedentes: sem segui-la ou rejeit\u00e1-la, permanecemos simplesmente no sentimento que \u00e9 a sua base. Assim, a possessividade ordin\u00e1ria se tornar\u00e1 um sentimento de contentamento, neutro, do qual se apagar\u00e1 espontaneamente o car\u00e1ter nocivo. Quando a possessividade desaparece, ela \u00e9 automaticamente transformada em seu oposto: uma generosidade fundamental.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"i\"><\/p>\n<h5>TRANSFORMA\u00c7\u00c3O DO CI\u00daME<\/h5>\n<p><\/a><br \/>\nO ci\u00fame \u00e9 compar\u00e1vel a um espinho: espeta n\u00e3o somente os outros, mas volta-se tamb\u00e9m contra aquele que o concebe, deixando-o muito incomodado e tornando-o infeliz. Cada vez que o ci\u00fame se elevar, permane\u00e7amos simplesmente fixados nele, sem segui-lo ou rejeit\u00e1-lo: ele se apaziguar\u00e1 automaticamente e n\u00e3o poder\u00e1 &#8220;espetar&#8221;. Encontrar\u00e1 espontaneamente sua ess\u00eancia que \u00e9 a paz interior. Assim, o ci\u00fame \u00e9 transformado em paz, ao mesmo tempo que, do ponto de vista das seis paramitas, ele se encontra associado \u00e0 quarta, a dilig\u00eancia.<\/p>\n<p>Dessa forma, vimos brevemente como abordar as seis principais emo\u00e7\u00f5es conflituosas por meio da medita\u00e7\u00e3o. Entretanto, \u00e9 \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o das tr\u00eas primeiras &#8211; desejo-apego, \u00f3dio-avers\u00e3o e cegueira &#8211; que \u00e9 necess\u00e1rio se dedicar primeiramente. Assim, o desejo-apego ser\u00e1 transformado em felicidade vazia, o \u00f3dio-avers\u00e3o em claridade vazia e a cegueira em conhecimento. Isto mostra como este tipo de medita\u00e7\u00e3o sobre as emo\u00e7\u00f5es \u00e9 ben\u00e9fico. As tr\u00eas emo\u00e7\u00f5es de base s\u00e3o para n\u00f3s a fonte mais abundante de atos negativos, de problemas e de sofrimentos; por isso, \u00e9 necess\u00e1rio abord\u00e1-las em primeiro lugar. As outras tr\u00eas &#8211; possessividade, orgulho e ci\u00fame &#8211; s\u00e3o apenas corol\u00e1rios.<br \/>\nTodas as emo\u00e7\u00f5es conflituosas v\u00eam da mente. Para concluir, permanecemos um momento na vacuidade da mente, depois dedicaremos o m\u00e9rito deste ensinamento e desta pr\u00e1tica ao bem-estar de todos os seres.<\/p>\n<p><i>(medita\u00e7\u00e3o)<\/i><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><b><i>Vancouver, junho de 1982.<\/i><\/b><\/div>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kalu Rinpoche Transforma\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es grada\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es ref\u00fagio e bodhichitta transforma\u00e7\u00e3o da cegueira transforma\u00e7\u00e3o do desejo transforma\u00e7\u00e3o da avers\u00e3o transforma\u00e7\u00e3o do orgulho transforma\u00e7\u00e3o da possessividade transforma\u00e7\u00e3o do ci\u00fame TRANSFORMA\u00c7\u00c3O DAS EMO\u00c7\u00d5ES Vimos que a maneira de tratar as emo\u00e7\u00f5es &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-mahayana-e-o-tratamento-das-emocoes-transformacao\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-5679","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-meditacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5679"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5679\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5684,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5679\/revisions\/5684"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}