{"id":5700,"date":"2018-07-23T16:12:50","date_gmt":"2018-07-23T18:12:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5700"},"modified":"2018-07-23T16:17:10","modified_gmt":"2018-07-23T18:17:10","slug":"a-condicao-natural-e-o-estado-de-extravio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-condicao-natural-e-o-estado-de-extravio\/","title":{"rendered":"A condi\u00e7\u00e3o natural e o estado de extravio"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-condicao-natural-e-o-estado-de-extravio\/a-condicao-natural-e-o-estado-de-extravio-2\/\" rel=\"attachment wp-att-5703\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/A-condi\u00e7\u00e3o-natural-e-o-estado-de-extravio-300x280.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"280\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5703\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/A-condi\u00e7\u00e3o-natural-e-o-estado-de-extravio-300x280.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/A-condi\u00e7\u00e3o-natural-e-o-estado-de-extravio-322x300.jpg 322w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/A-condi\u00e7\u00e3o-natural-e-o-estado-de-extravio.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a> <\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i>Do livro &#8220;LA SIMPLICIT\u00c9 DE LA GRANDE PERFECTION&#8221;<br \/>Traduzido do tibetano e comentado por James Low<br \/>Traduzido para o portugu\u00eas por<br \/> Karma Tenpa Dhargye<\/i><\/div>\n<p><b>Ou como as coisas s\u00e3o e como a confus\u00e3o \u00e0s faz aparecer<\/b><br \/>\nPor <b>Padmasambhava<\/b><\/p>\n<p><b>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>Este texto \u00e9 uma se\u00e7\u00e3o do [gSang-sNgags Lam-Rim] de Padmasambhava, que existe ao mesmo tempo na linhagem aberta [bKa&#8217;-Ma] e na linhagem dos tesouros [gTer-Ma]. A linguagem \u00e9 muito t\u00e9cnica e herm\u00e9tica, e ele condensa uma grande quantidade de informa\u00e7\u00f5es em segundo plano. Poder\u00edamos dizer que se trata de uma s\u00e9rie de aforismos que constroem um racioc\u00ednio e um ponto de vista. Essas afirma\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o evidentes em si-mesmas de um ponto de vista comum, e elas n\u00e3o s\u00e3o tampouco explicadas ou justificadas. Mas n\u00e3o \u00e9 um tratado filos\u00f3fico racional, l\u00f3gico; \u00e9 uma experi\u00eancia real de Padmasambhava, o grande yogui dzogchen de Oddiyana. Esse texto aparece no &#8220;Byang-gTer Chos-sPyod&#8221; e ele \u00e9 recitado cada dia para os monges, os yoguis e os laicos que seguem esta linhagem.<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o da Base comum do samsara e do nirvana \u00e9 essencial para a vis\u00e3o dzogchen e, nesse curto texto, a forma\u00e7\u00e3o do samsara \u00e9 claramente exposta: a ignor\u00e2ncia \u00e9 advent\u00edcia, ela n\u00e3o \u00e9 inata, \u00e9 uma nuvem passageira que vela a verdadeira natureza da mente semelhante ao c\u00e9u, mas n\u00e3o o altera. Reconhecendo as qualidades da condi\u00e7\u00e3o natural, se torna mais f\u00e1cil de identificar as diferentes manifesta\u00e7\u00f5es do estado de extravio ou experi\u00eancia do samsara. \u00c9 interessante comparar isso com as experi\u00eancias tradicionais, mais lineares, dos doze nidanas (doze elos). O texto ilustra o valor da vis\u00e3o, n\u00e3o enquanto filosofia iluminadora ou outra vis\u00e3o m\u00edstica mais elevada, mas como um meio muito pr\u00e1tico, muito eficaz, de reconhecer um desvio na medita\u00e7\u00e3o. O texto exp\u00f5e a vis\u00e3o que deveria ser reconhecida. Isso corresponde ao primeiro dos tr\u00eas celebres aforismos de Garab Dordje, e a descri\u00e7\u00e3o do desenvolvimento da ignor\u00e2ncia &#8211; ou falta de consci\u00eancia &#8211; fornece o pano de fundo essencial ao segundo e terceiro c\u00e9lebres &#8220;pontos&#8221;. [&#8230;]<\/p>\n<p>As rea\u00e7\u00f5es habituais aos fen\u00f4menos e \u00e0s experi\u00eancias que temos prov\u00eam da ignor\u00e2ncia ou aus\u00eancia de presen\u00e7a. Esta compreens\u00e3o enquadra a exist\u00eancia comum, a deslocando da falsa verdade relativa para a pura verdade relativa. Compreender a fonte de nossa experi\u00eancia comum nos permite ir mais profundo, de perceber esta fonte relativa que \u00e9 a ignor\u00e2ncia, at\u00e9 que penetremos na fonte absoluta que \u00e9 o reino natural da consci\u00eancia. \u00c9 o n\u00edvel mais elevado de redimensionamento, um estado aberto, sem moldura que p\u00f5e em evid\u00eancia o fato que todos os quadros de refer\u00eancia s\u00e3o montagens. Nada deve ser trocado ou alterado de nenhuma maneira. \u00c9 talvez nossa experi\u00eancia disso que \u00e9 o que se aperfei\u00e7oa quando nos liberamos das fabrica\u00e7\u00f5es artificiais e quando permitimos \u00e0 luminosidade natural e \u00e0 claridade da exist\u00eancia de se revelar por si mesmas. <\/p>\n<div style=\"text-align:center\"><b>A CONDI\u00c7\u00c3O NATURAL E O ESTADO DE EXTRAVIO<\/b><\/p>\n<p><b>O TEXTO<\/b><\/div>\n<p><b>A CONDI\u00c7\u00c3O NATURAL<\/b><\/p>\n<p>No que concerne a condi\u00e7\u00e3o natural, &#8220;ela \u00e9 n\u00e3o dual, surgindo espontaneamente, pura desde o in\u00edcio, \u00e9 a budeidade primordial&#8221;.<\/p>\n<p><i>(Padmasambhava comenta agora sua pr\u00f3pria afirma\u00e7\u00e3o)<\/i><\/p>\n<p>\tH\u00e1 quatro aspectos disso:<\/p>\n<p>&#8211; Primeiro, a condi\u00e7\u00e3o natural permanece na n\u00e3o-dualidade.<\/p>\n<p>\tH\u00e1 cinco aspectos disso:<\/p>\n<p>1.\tTudo o que aparece \u00e9 despido de verdadeira realidade e desse fato, a ess\u00eancia \u00e9 a n\u00e3o-dualidade das apar\u00eancias e da vacuidade.<\/p>\n<p>2.\tA mente em si \u00e9 n\u00e3o-nascida (inata) desde o in\u00edcio, o que \u00e9 que faz cessar o n\u00e3o-nascido? Desse fato, h\u00e1 a caracter\u00edstica da n\u00e3o-dualidade de come\u00e7o e fim.<\/p>\n<p>3.\tTudo que aparece \u00e9 nossa pr\u00f3pria mente e n\u00e3o h\u00e1 outros fen\u00f4menos que aqueles que prov\u00e9m da mente. Desse fato, a apar\u00eancia e experi\u00eancia s\u00e3o n\u00e3o-duais.<\/p>\n<p>4.\tNo que concerne a mente de apar\u00eancia n\u00e3o-dual, se n\u00e3o a possu\u00edssemos anteriormente, ela n\u00e3o poderia aparecer depois. Como foi assim desde o in\u00edcio, a condi\u00e7\u00e3o natural \u00e9 a n\u00e3o-dualidade de si e do outro.<\/p>\n<p>5.\tDesta maneira, n\u00e3o h\u00e1 nenhum fen\u00f4meno que n\u00e3o seja n\u00e3o-dual, assim \u00e9 essa grande n\u00e3o-dualidade.<\/p>\n<p>Brevemente, ap\u00f3s a realidade exposta, o sujeito, todos os fen\u00f4menos do samsara e do nirvana, tudo o que pode aparecer surge sem cessar, assim a n\u00e3o-dualidade est\u00e1 livre de limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A n\u00e3o-dualidade \u00e9 introduzida desse modo afim de que eliminando as id\u00e9ias falsas, sejamos liberados do apego \u00e0 cren\u00e7a nos fen\u00f4menos dualistas separados. O objetivo \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o da n\u00e3o-dualidade. Todos os fen\u00f4menos podem ser englobados no duplo aspecto da ess\u00eancia (n\u00e3o-dualidade das apar\u00eancias e vacuidade) e eles s\u00e3o n\u00e3o-duais, permanecendo somente em um \u00fanico ponto [Thig-le Nyag-gChig].<\/p>\n<p>&#8211; Segundo, a condi\u00e7\u00e3o natural permanece enquanto que apar\u00eancia despida de esfor\u00e7o. <\/p>\n<p>H\u00e1 cinco aspectos disso:<\/p>\n<p>1.\tA caracter\u00edstica de todo fen\u00f4meno \u00e9 ser desprovido de qualquer realidade substancial e assim a realidade surge sem esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>2.\tTodos os fen\u00f4menos s\u00e3o uma energia de  nenhum modo bloqueada e assim o sujeito surge sem esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>3.\tA verdadeira natureza de todo fen\u00f4meno est\u00e1 al\u00e9m da compreens\u00e3o e assim a n\u00e3o-dualidade surge sem esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>4.\tO estado n\u00e3o foi produzido por nenhum outro. Desde o in\u00edcio, ele \u00e9 o mesmo e assim sua natureza aparece sem esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>5.\tTodos os fen\u00f4menos do samsara e do nirvana surgem sem esfor\u00e7o e n\u00e3o h\u00e1 nenhuma parte de qualquer fen\u00f4meno que n\u00e3o tenha essa natureza.  Portanto, \u00e9 a grande apar\u00eancia sem esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>Brevemente, na realidade aberta, o sujeito &#8211; todos os fen\u00f4menos que podem aparecer no samsara e no nirvana &#8211; n\u00e3o residem em nenhuma natureza pr\u00f3pria real, assim eles surgem sem esfor\u00e7o e sem nenhuma limita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A apar\u00eancia sem esfor\u00e7o \u00e9 introduzida desse modo afim de que eliminando a falsa id\u00e9ia, sejamos liberados do desejo de que um outro algu\u00e9m possa nos ajudar (\u00e0 atingir a ilumina\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 de estar livre da necessidade de buscar e de praticar. A ess\u00eancia desta realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 que todos os fen\u00f4menos, que s\u00e3o todos as apar\u00eancias poss\u00edveis do samsara e do nirvana, surgem sem esfor\u00e7o na mente.<\/p>\n<p>&#8211;\tTerceiro, a condi\u00e7\u00e3o natural permanece enquanto que Base pura [gZhi].<br \/>\n&#8211;\tH\u00e1 igualmente cinco aspectos disso:<\/p>\n<p>1.\tSendo naturalmente vazia desde o in\u00edcio, ela \u00e9 pura de todo fen\u00f4meno substancial e, desse fato, \u00e9 a esfera muito pura [dByings].<\/p>\n<p>2.\tEnquanto experi\u00eancia, a energia da vacuidade \u00e9 incessante, assim, desde o in\u00edcio, houve a pureza em rela\u00e7\u00e3o a apar\u00eancia real da mente. \u00c9 a cogni\u00e7\u00e3o primordial muito pura.<\/p>\n<p>3.\tNa ess\u00eancia dotada da n\u00e3o-dualidade da apar\u00eancia e da vacuidade, todos os fen\u00f4menos separados s\u00e3o puros desde o in\u00edcio. \u00c9 a n\u00e3o-dualidade muito pura.<\/p>\n<p>4.\tEste estado n\u00e3o foi criado subitamente mas est\u00e1 presente desde o in\u00edcio. \u00c9 pureza natural<\/p>\n<p>5.\tN\u00e3o h\u00e1 nenhum outro fen\u00f4meno que n\u00e3o seja puro desde o in\u00edcio. \u00c9 grande pureza.<\/p>\n<p>Brevemente, a realidade aberta &#8211; o sujeito, todos os fen\u00f4menos poss\u00edveis do samsara e do nirvana &#8211; n\u00e3o comporta nada que deva ser rejeitado, tamb\u00e9m \u00e9 naturalmente pura. Portanto, \u00e9 a pureza ilimitada.<\/p>\n<p>A pureza perfeita \u00e9 introduzida desse modo afim de que eliminando a id\u00e9ia falsa, sejamos liberados do apego ao fato de crer que a confus\u00e3o \u00e9 um estado natural da mente. O objetivo \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o da pureza perfeita. A ess\u00eancia-realidade \u00e9 naturalmente pura.<\/p>\n<p>&#8211;\tQuarto, a condi\u00e7\u00e3o natural reside na budeidade primordial.<br \/>\nNossa consci\u00eancia \u00e9 a mente desperta que est\u00e1 purificada [sangs] da confus\u00e3o dos fen\u00f4menos dualistas e que tem o desenvolvimento [rGyas] da cogni\u00e7\u00e3o primordial n\u00e3o-dual.<\/p>\n<p>Portanto, isso \u00e9 a budeidade  [Sangs-rGyas].<\/p>\n<p>Ainda mais, ela n\u00e3o tem um \u00e1tomo de confus\u00e3o, pois \u00e9 pura [Sangs], porque n\u00e3o \u00e9 que ela tenha sido alguma vez sem n\u00e3o-dualidade e que a n\u00e3o-dualidade tenha sido desenvolvida [rGyas] mais tarde. Sua caracter\u00edstica natural \u00e9 de estar livre da confus\u00e3o, como a ess\u00eancia se desenvolve enquanto que cogni\u00e7\u00e3o primordial n\u00e3o-dual. \u00c9 a budeidade primordial.<\/p>\n<p>A natureza aberta \u00e9 o modo natural. A express\u00e3o espont\u00e2nea da claridade \u00e9 o modo radiante. A n\u00e3o-dualidade desta claridade e desta vacuidade \u00e9 o modo de manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que \u00e9 a natureza vazia, e como aparece a claridade da express\u00e3o natural? Claridade e vacuidade s\u00e3o n\u00e3o-duais ou indissoci\u00e1veis enquanto que cogni\u00e7\u00e3o primordial desta compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Estar sem confus\u00e3o diante desta verdadeira natureza, \u00e9 a ren\u00fancia perfeita.<\/p>\n<p> Ter a n\u00e3o-dualidade desta ess\u00eancia, \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o perfeita. Se n\u00e3o houvesse uma tal budeidade primordial, a medita\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia fazer aparecer o estado de Budha.<\/p>\n<p>\u00c9 como a pedra Saledram que n\u00e3o teve nunca ouro (embora se pare\u00e7a muito com ouro). Mesmo se trabalharmos sobre ela, ela jamais se tornar\u00e1 ouro. A budeidade primordial \u00e9 apresentada desta maneira a fim de que eliminando as falsas id\u00e9ias sejamos liberados do apego a cren\u00e7a que a Base inclui a confus\u00e3o.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 realizar a budeidade primordial, realizar a ess\u00eancia de nossa pr\u00f3pria consci\u00eancia enquanto modos e conhecimentos primordiais.<\/p>\n<p><b>O ESTADO DO EXTRAVIO (DA ALUCINA\u00c7\u00c3O)<\/b><\/p>\n<p>No que se refere ao estado de extravio [&#8216;Khrul-Lugs], &#8220;ele \u00e9 em ess\u00eancia , ignor\u00e2ncia, a\u00e7\u00e3o c\u00e1rmica e emo\u00e7\u00e3o perturbadora, vis\u00e3o falsa e sofrimento&#8221;.<br \/>\n(Padmasambhava comente agora sua pr\u00f3pria afirmativa)<\/p>\n<p>H\u00e1 cinco aspectos disso:<\/p>\n<p>&#8211; Primeiro, no que concerne \u00e0 Base da confus\u00e3o, a mente em-si, a ess\u00eancia do despertar, \u00e9 sem nenhuma limita\u00e7\u00e3o como ser ou n\u00e3o-ser. Enquanto n\u00e3o reconhecemos isso como nossa pr\u00f3pria natureza, acreditamos em ser ou n\u00e3o-ser, nos apegamos a diversas id\u00e9ias e, assim, existe a confus\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Segundo, h\u00e1 a causa [rGyu] que \u00e9 a ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&#8211;\tH\u00e1 dois aspectos disso:<\/p>\n<p>1.\tA ignor\u00e2ncia simult\u00e2nea ou co-emergente que \u00e9 o n\u00e3o-reconhecimento da consci\u00eancia desperta. Por quem n\u00e3o \u00e9 ela reconhecida? &#8211; por si mesma. O que \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 reconhecido? &#8211; Si mesmo. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m para mostrar as caracter\u00edsticas das causa, e assim \u00e9 como apalpar uma forma em um quarto escuro. Ou \u00e9 como n\u00e3o reconhecer que um sinal \u00e9 um sinal.<\/p>\n<p>2.\tA ignor\u00e2ncia da imputa\u00e7\u00e3o total [Kun-Tu brTag-Pa] na qual consideramos o n\u00e3o existente como existente. Quem faz esta identifica\u00e7\u00e3o? \u00c9 o nosso pr\u00f3prio processo mental. O que \u00e9 identificado? Os objetos e a mente est\u00e3o separados. Como s\u00e3o eles identificados? Enquanto separa\u00e7\u00e3o entre eu e os outros. \u00c9 como tomar um r\u00f3tulo por um homem.<\/p>\n<p>3.\tAs causas que contribuem nos tr\u00eas tipos de a\u00e7\u00f5es (tr\u00eas venenos) e nas cinco (ou 6) emo\u00e7\u00f5es perturbadoras. Devido as a\u00e7\u00f5es virtuosas, nascemos nos reinos superiores dos homens e dos deuses, nesse reino do desejo. Pelo fato das a\u00e7\u00f5es inabal\u00e1veis, nascemos nos para\u00edsos de Brahma (os reinos sem forma). Pelo fato das a\u00e7\u00f5es n\u00e3o virtuosas, nascemos nos tr\u00eas reinos inferiores. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s emo\u00e7\u00f5es perturbadoras, por causa do \u00f3dio, nascemos nos reinos dos infernos, por causa da gan\u00e2ncia no reino dos fantasmas famintos, por causa da estupidez no reino dos animais, por causa da inveja no reino dos semi-deuses, por causa do orgulho no reino dos deuses. E mais, essas emo\u00e7\u00f5es perturbadoras s\u00e3o o poder subjacente aos tr\u00eas tipos de a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>4.\tO operador [Byed-Pa-Po] tem um instante de vis\u00f5es falsas. A partir da continua\u00e7\u00e3o desse instante, os fen\u00f4menos do samsara se produzem e nos sujeitamos desse modo ao poder do &#8220;outro&#8221; impuro. Da vacuidade surgem interpreta\u00e7\u00f5es [sPros-Pa], e por causa disso, acreditamos que a consci\u00eancia \u00e9 um &#8220;eu&#8221; [dDag] substancial. \u00c9 vendo esse &#8220;eu&#8221; que o &#8220;outro&#8221; [gZhan] se desenvolve, e a presen\u00e7a do &#8220;outro&#8221; d\u00e1 nascimento \u00e0 atra\u00e7\u00e3o, a avers\u00e3o e a ignor\u00e2ncia. Por esse fato, os tr\u00eas tipos de a\u00e7\u00f5es c\u00e1rmicas s\u00e3o acumuladas e experimentamos o amadurecimento desse carma. Assim, decorrente deste instante de vis\u00e3o falsa, outras coisas surgem, igualmente ilus\u00f3rias. Sobre a Base da percep\u00e7\u00e3o de entidades reais, h\u00e1 apego \u00e0s coisas como se elas fossem permanentes e nos apropriamos dessas no\u00e7\u00f5es fixas. \u00c9 ao olhar assim com confus\u00e3o que os fen\u00f4menos do samsara s\u00e3o criados.<\/p>\n<p>5.\tO resultado: o sofrimento. Tomamos um corpo em um dos seis reinos e em cada um desses lugares, experimentamos os diversos resultados das cinco (seis) emo\u00e7\u00f5es perturbadoras. Em geral, esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 sem come\u00e7o nem fim, mas ele pode ter um fim.<\/p>\n<p>O estado de extravio \u00e9 explicado desta maneira por duas razoes. Primeiramente, as id\u00e9ias falsas devem ser eliminadas a fim que sejamos liberados da cren\u00e7a, estabelecida na mente, segundo a qual o extravio esta presente na Base. Em segundo, temos necessidade do objetivo que \u00e9 de podermos realizar a mais pura natureza, porque a Base \u00e9 livre de confus\u00e3o.<\/p>\n<p>De resto, como o falso surgimento do extravio apareceu subitamente, se reconhecermos sua natureza, ela ent\u00e3o \u00e9 liberada em seu pr\u00f3prio lugar. Como quando reconhecemos que uma ins\u00edgnia \u00e9 uma ins\u00edgnia, a confus\u00e3o de a tomar por um homem \u00e9 liberada na pureza original.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do livro &#8220;LA SIMPLICIT\u00c9 DE LA GRANDE PERFECTION&#8221;Traduzido do tibetano e comentado por James LowTraduzido para o portugu\u00eas por Karma Tenpa Dhargye Ou como as coisas s\u00e3o e como a confus\u00e3o \u00e0s faz aparecer Por Padmasambhava INTRODU\u00c7\u00c3O Este texto \u00e9 &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-condicao-natural-e-o-estado-de-extravio\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5703,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39,25],"tags":[90],"class_list":["post-5700","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dzogchen","category-mestres","tag-padmasambhava"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5700","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5700"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5700\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5705,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5700\/revisions\/5705"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5703"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}