{"id":5719,"date":"2018-07-23T20:03:24","date_gmt":"2018-07-23T22:03:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5719"},"modified":"2018-07-23T20:06:17","modified_gmt":"2018-07-23T22:06:17","slug":"grande-perfeicao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/grande-perfeicao\/","title":{"rendered":"Grande perfei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/grande-perfeicao\/grande-perfeicao-2\/\" rel=\"attachment wp-att-5722\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Grande-perfei\u00e7\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"225\" class=\"alignleft size-full wp-image-5722\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Grande-perfei\u00e7\u00e3o.jpg 225w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Grande-perfei\u00e7\u00e3o-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Grande-perfei\u00e7\u00e3o-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i>Texto extra\u00eddo do livro: &#8220;Tantric Practice in Nyingma&#8221;<br \/> <b>de Khets\u00fcn Sangpo Rinpoche<\/b><\/i><\/div>\n<p>Como a base da Grande Perfei\u00e7\u00e3o (Dzogchen) \u00e9 identificada? N\u00e3o \u00e9 suficiente identificar a base meramente como a pureza essencial (tib. kadag \/ ka dag) ou apenas como a espontaneidade (tib. hl\u00fcndrub \/ lhun grub), mas como uma uni\u00e3o de ambas. A pureza essencial \u00e9 apresentada do ponto de vista do modo-de-ser (tib. nelug \/ gnas lugs), a vacuidade; por\u00e9m, ao contr\u00e1rio da vacuidade de aniquila\u00e7\u00e3o mantida pelos niilistas, todos os atributos auspiciosos est\u00e3o espontaneamente estabelecidos, e deste ponto de vista, a espontaneidade \u00e9 positiva. Todos os karmas virtuosos e n\u00e3o-virtuosos s\u00e3o plantados na base-de-tudo (s\u00e2nsc. alaya). Quando realizada, ela causa o atingimento do estado b\u00faddhico; quando n\u00e3o, os seres sencientes vagam no samsara. Apesar de ser a base do erro, \u00e9 o erro que deve ser abandonado, n\u00e3o a base. Quando uma batalha \u00e9 travada, \u00e9 o inimigo que deve ser derrotado, n\u00e3o a \u00e1rea da luta. Do mesmo modo, n\u00e3o h\u00e1 como esta base possa ser destru\u00edda. At\u00e9 que seja v\u00edvidamente realizada, palavras s\u00e3o usadas como sinais que causam a realiza\u00e7\u00e3o, mas as palavras n\u00e3o s\u00e3o a realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Nyingma, os dois aspectos da expans\u00e3o vazia e da sabedoria est\u00e3o t\u00e3o completamente unidos que eles n\u00e3o se dissolvem numa uni\u00e3o ou separa\u00e7\u00e3o. Esta uni\u00e3o n\u00e3o precisa ser novamente produzida, mas sempre foi vista; \u00e9 imut\u00e1vel como vajra, que \u00e9 um s\u00edmbolo para o que n\u00e3o pode ser simbolizado &#8211; est\u00e1vel, duro, inobstrut\u00edvel, imut\u00e1vel, indestrut\u00edvel e inquebr\u00e1vel.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois modos de pr\u00e1tica: o s\u00fabito e o gradual. O modo s\u00fabito \u00e9 para algu\u00e9m que, por muitas vidas, acumulou as necess\u00e1rias a\u00e7\u00f5es e predisposi\u00e7\u00f5es e, ent\u00e3o, quando recebe a inicia\u00e7\u00e3o e a identifica\u00e7\u00e3o da realidade pelo lama, atinge alta realiza\u00e7\u00e3o. O modo gradual, por outro lado, n\u00e3o \u00e9 aquele dos sistemas do sutra, nos quais se atinge a ilumina\u00e7\u00e3o apenas ap\u00f3s incont\u00e1veis \u00e9ons de pr\u00e1tica, mas sim aquele para algu\u00e9m no Vajrayana que completa as qualidades auspiciosas, finalizando os est\u00e1gios (s\u00e2nsc. bhumi) e caminhos (s\u00e2nsc. marga) gradualmente, at\u00e9 mesmo em uma \u00fanica vida. Por\u00e9m, quando ele identifica a realidade, \u00e9 capaz de progredir ao longo destes caminhos simultaneamente, mas tem de prosseguir em etapas. Assim, mesmo o caminho gradual n\u00e3o \u00e9 necessariamente longo.<\/p>\n<p>Quando Milarepa recebeu pela primeira vez o ensinamento da Grande Perfei\u00e7\u00e3o, pensou que poderia atingir o estado b\u00faddhico sem medita\u00e7\u00e3o. Ele permaneceu relaxado, sem meditar, e assim n\u00e3o atingiu qualquer desenvolvimento mental. Ent\u00e3o, quando seu lama testou-o e descobriu que Milarepa n\u00e3o tinha feito qualquer progresso, ele disse, &#8220;Cometi um erro. Apesar da Grande Perfei\u00e7\u00e3o ser inconceb\u00edvel, voc\u00ea \u00e9 muito negligente e n\u00e3o est\u00e1 preparado para esta doutrina f\u00e1cil. Voc\u00ea ter\u00e1 de proceder com grande dificuldade sobre o caminho gradual. Portanto, voc\u00ea deve ir para o sul, consultar o tradutor Marpa e tomar o dif\u00edcil caminho gradualista. Voc\u00ea falhou no caminho f\u00e1cil para a ilumina\u00e7\u00e3o&#8221;.Assim, o lama mandou-o embora e Milarepa sofreu dificuldades incont\u00e1veis, mas atrav\u00e9s do poder de seu esfor\u00e7o devotado, foi capaz de atingir o estado b\u00faddhico.<\/p>\n<p>Milarepa disse ao seu supremo disc\u00edpulo Gampopa, que recebeu todos os seus ensinamentos, que ao partir lhe concederia sua instru\u00e7\u00e3o final e quintessencial. Gampopa sabia que Milarepa tinha lhe transmitido tudo o que ensinava, como se tivesse despejado a \u00e1gua de um pote para outro, e ficou surpreso sobre o que poderia ser esta doutrina mais profunda. Depois, quando estava para partir, ele lembrou Milarepa sobre esta instru\u00e7\u00e3o final. Milarepa disse, &#8220;\u00d3, sim, \u00e9 isto&#8221;, e puxou seu manto, revelando que suas n\u00e1degas estavam como as patas de um animal por ter ficado sentado durante muito tempo em um ch\u00e3o de pedras, sem uma almofada. Ele disse, &#8220;Meu atingimento da grande realiza\u00e7\u00e3o vem disto. Voc\u00ea precisa deste esfor\u00e7o, n\u00e3o de qualquer outra doutrina. Esta \u00e9 a ess\u00eancia do meu ensinamento. Se voc\u00ea vai se tornar um buddha ou n\u00e3o, depende do esfor\u00e7o. Com ele, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas quanto \u00e0 sua libera\u00e7\u00e3o. Como um filho, fa\u00e7a o que o seu pai lhe diz.&#8221;<\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o e a introspec\u00e7\u00e3o, impelidas pelo poder do esfor\u00e7o, s\u00e3o a base do caminho. A aten\u00e7\u00e3o nos impede de esquecer o que \u00e9 adotado ou descartado, e a introspec\u00e7\u00e3o nos faz reconhecer os desvios do caminho. J\u00e1 que este \u00e9 o caso, quer estejamos comendo, deitados, trabalhando, passeando ou o que quer que seja, se a aten\u00e7\u00e3o e a introspec\u00e7\u00e3o n\u00e3o permanecerem firmemente na mente, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 como mostrar a diferen\u00e7a entre uma pessoa comum e um praticante. A divis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 feita pela roupa de praticante, mas pela mente; n\u00e3o \u00e9 a roupa que atinge o estado b\u00faddhico, \u00e9 a mente. A aten\u00e7\u00e3o e a introspec\u00e7\u00e3o devem ser mantidas firmes e continuamente; de outro modo, n\u00e3o importa se estudamos ou praticamos, n\u00e3o estaremos no caminho.<\/p>\n<p>O que \u00e9 modo s\u00fabito da pr\u00e1tica? Aqui, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio completar a visualiza\u00e7\u00e3o de si mesmo como uma divindade, com s\u00edmbolos espec\u00edficos e assim por diante; tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 a necessidade de trazer \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do est\u00e1gio de sabedora da realiza\u00e7\u00e3o, o conhecimento do modo-de-ser. Ao inv\u00e9s disso, as predisposi\u00e7\u00f5es das a\u00e7\u00f5es anteriores do estudante s\u00e3o ativadas pelas palavras do lama, como essas: &#8220;Pela for\u00e7a do conhecimento e do n\u00e3o-conhecimento &#8211; se isto \u00e9 conhecido, temos um Buddha; se n\u00e3o \u00e9 conhecido, um ser senciente vaga no samsara&#8221;.<\/p>\n<p>Se, atrav\u00e9s destas instru\u00e7\u00f5es quintessenciais, formos capazes de identificar a base da mente, ent\u00e3o nesse instante nos tornaremos um Buddha sem nos engajarmos nas dificuldades do caminho gradual. Entre cem mil praticantes, h\u00e1 apenas uma ou duas pessoas assim, e apesar deles existirem, s\u00e3o muito raros.<\/p>\n<p>O estudante deve ter acumulado a\u00e7\u00f5es e predisposi\u00e7\u00f5es por muitas vidas, e o lama deve ter grande realiza\u00e7\u00e3o e atingimento. Quando os dois se sentam para identificar a Grande Perfei\u00e7\u00e3o, o estudante \u00e9 um ser comum, mas ao identificar sua pr\u00f3pria mente, ele fica livre, e ao se levantar ele \u00e9 um superior (s\u00e2nsc. arya). \u00c9 assim porque a diferen\u00e7a entre um ser comum e um superior vem apenas do conhecer ou n\u00e3o conhecer o modo-de-ser da pr\u00f3pria mente. Um indiv\u00edduo que \u00e9 capaz de se libertar imediatamente ao receber a instru\u00e7\u00e3o quintessencial do lama \u00e9 chamado de pessoa simult\u00e2nea. Se isto n\u00e3o acontecer, entramos no caminho gradual, desenvolvendo a mente nas etapas durante muitos meses, procedendo sobre v\u00e1rios est\u00e1gios e caminhos, enquanto aqueles cujo modo de progresso \u00e9 s\u00fabito realizam desde o in\u00edcio que o modo-de-ser de suas mentes \u00e9 livre.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, por que somos seres comuns? \u00c9 devido \u00e0 obstru\u00e7\u00e3o por m\u00e1culas tempor\u00e1rias e advent\u00edcias. Por que n\u00e3o nos liberamos imediatamente? Porque, al\u00e9m de uma imagem geral, n\u00e3o podemos realizar este modo-de-ser diretamente. Por exemplo, ao ouvirmos falar de uma cidade distante que n\u00e3o conhecemos, podemos compreender algo sobre ela; mas como n\u00e3o podemos v\u00ea-la diretamente, \u00e9 apenas uma compreens\u00e3o. Aqueles que s\u00e3o capazes de tomar o caminho s\u00fabito, por outro lado, n\u00e3o apenas compreendem o modo-de-ser da mente; eles o percebem diretamente atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o do lama, sentindo, &#8220;\u00c9 pat\u00e9tico, cometi um erro t\u00e3o pequeno mas tive de ag\u00fcentar este erro gigantesco do samsara ilimitado, com tanto sofrimento!&#8221; H\u00e1 apenas uma pequena diferen\u00e7a entre o conhecimento e o n\u00e3o-conhecimento, mas o erro resultante \u00e9 gigantesco, j\u00e1 que o nascimento no samsara n\u00e3o tem in\u00edcio.<\/p>\n<p>\u00c9 dito na biografia de Atisha que todo dia ele via uma mulher que estava \u00e0s vezes chorando, \u00e0s vezes rindo. Finalmente Atisha perguntou a ela;<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;Por que, sem qualquer raz\u00e3o aparente, voc\u00ea \u00e0s vezes chora e \u00e0s vezes ri? Voc\u00ea est\u00e1, de algum modo, com uma afli\u00e7\u00e3o mental?&#8221;<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;N\u00e3o, n\u00e3o estou, mas voc\u00eas est\u00e3o e por isso eu choro&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;Por qu\u00ea?&#8221;<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;O Tathagatagarbha, a pr\u00f3pria mente, tem sido um buddha deste um tempo sem in\u00edcio. N\u00e3o sabendo disso, grandes complica\u00e7\u00f5es se sucedem a partir desta pequena base de erro para centenas de milhares de seres sencientes. Apesar de suas pr\u00f3prias mentes serem buddhas, eles est\u00e3o em grande confus\u00e3o. N\u00e3o sendo capaz de suportar o sofrimento de tantos seres, eu choro. E ent\u00e3o, eu rio porque quando esta pequena base de erro \u00e9 conhecida &#8211; quando conhecemos a nossa pr\u00f3pria mente &#8211; estamos livres. Deleitando-me no fato de que ao saber isto eles est\u00e3o prontos para ser liberados.&#8221;<\/p>\n<p>Ela estava identificando a base para Atisha. Tendo realizado esta base penetrantemente, a pessoa sobre o caminho s\u00fabito imediatamente se move para o estado b\u00faddhico sem precisar entrar no caminho gradual para realizar suas pot\u00eancias. Por\u00e9m, se n\u00e3o tivermos sucesso no caminho s\u00fabito, \u00e9 necess\u00e1rio mudar para o gradual. Aqui, treinamos externamente no modo da apar\u00eancia da expans\u00e3o da vacuidade e aperfei\u00e7oamos internamente a consci\u00eancia de sabedoria, aumentando os fatores necess\u00e1rios e realizando suas pot\u00eancias.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da vacuidade e da sabedoria \u00e9 a base da libera\u00e7\u00e3o. A expans\u00e3o externa \u00e9 a do c\u00e9u; a interna \u00e9 a esfera vazia da mente; e a secreta \u00e9 a mente de sabedoria, livre dos extremos quando tiver sido purificada. No Madhyamika, isto \u00e9 chamado de liberdade de todas as elabora\u00e7\u00f5es conceituais, sem qualquer coisa a ser apontada e com a refuta\u00e7\u00e3o dos oito extremos &#8211; da produ\u00e7\u00e3o do eu, do outro, de ambos, de nenhuma, do vir, do ir, da igualdade e da diferen\u00e7a -, uma cessa\u00e7\u00e3o completa de todas as elabora\u00e7\u00f5es. Esta vacuidade inconceb\u00edvel, tento passado al\u00e9m de toda conceitualidade, \u00e9 a vis\u00e3o Madhyamika, livre da elabora\u00e7\u00e3o, que no Vajrayana \u00e9 identificada atrav\u00e9s de um processo que come\u00e7a quando o lama aponta a nossa pr\u00f3pria mente e a identificamos.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s completar as pr\u00e1ticas preparat\u00f3rias, examinamos de onde a mente vem, ent\u00e3o onde ela fica e finalmente em que ela cessa. Estes s\u00e3o chamados de surgimento, perman\u00eancia e ida da mente. Primeiro pensamos unicamente sobre o que a mente \u00e9, de onde ela vem, sem qualquer outra instru\u00e7\u00e3o procurando o lugar de seu surgimento. Ent\u00e3o, uma vez compreendido que a mente \u00e9 algo que n\u00e3o pode se tornar inteiramente n\u00e3o-existente, pois ela fica feliz, triste, desejosa, raivosa e assim por diante &#8211; uma vez compreendido que ela \u00e9 relativamente existente &#8211; examinamos as partes superior, m\u00e9dia e inferior do corpo para identificar o seu lar, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 apropriado que a mente fique nos fen\u00f4menos externos. Ap\u00f3s gastar um m\u00eas ou dois nesta busca com grande intensidade em retiro solit\u00e1rio, compreendemos parecer que ela esteja aqui ou l\u00e1. Ent\u00e3o, como a mente do ano passado ou de ontem n\u00e3o existe hoje, examinamos para onde ela foi e desapareceu. Qual \u00e9 a entidade do lugar de cessa\u00e7\u00e3o desta mente, que cessa e \u00e9 esquecida? Neste ponto, chegamos a algo que \u00e9 vazio, e quando isto for compreendido em um certo grau, o ensinamento da ruptura \u00e9 iniciado.<\/p>\n<p>Uma vez que os oito extremos tenham sido parados, esta expans\u00e3o vazia que \u00e9 o modo-de-ser da mente \u00e9 identificada n\u00e3o meramente como o espa\u00e7o, mas como uma entidade de sabedoria, com todos os atributos auspiciosos do conhecimento, miseric\u00f3rdia e poder espontaneamente estabelecidos. Se tudo fosse considerado como sendo conceitualmente elaborado e fosse negado, concluindo que tudo \u00e9 n\u00e3o-existente, ent\u00e3o qual seria o objetivo da pr\u00e1tica? A grande sabedoria que tem espontaneamente as qualidades b\u00faddhicas do conhecimento, da miseric\u00f3rdia e do poder \u00e9 identificada pelo lama, ap\u00f3s o qual devemos manter este caminho atrav\u00e9s da aten\u00e7\u00e3o e introspec\u00e7\u00e3o e assim avan\u00e7ar ao estado b\u00faddhico. A menos que procedamos deste modo, os re-arranjos externos &#8211; como mudan\u00e7as nas roupas e assim por diante &#8211; n\u00e3o podem trazer o estado b\u00faddhico. Por\u00e9m, isto n\u00e3o significa que as pr\u00e1ticas artificiais n\u00e3o devam ser feitas. At\u00e9 que a doutrina que o lama revela seja realizada, o esfor\u00e7o e o empenho na aten\u00e7\u00e3o e na introspec\u00e7\u00e3o s\u00e3o absolutamente essenciais. Sem eles, a ess\u00eancia verdadeira \u00e9 perdida.<\/p>\n<p>Confiando na aten\u00e7\u00e3o e na introspec\u00e7\u00e3o, as pot\u00eancias da sabedoria s\u00e3o partir de dentro, n\u00e3o de fora; o conhecimento ent\u00e3o alvorece sem impedimento. Todos os fen\u00f4menos afirmados como convencionais ou \u00faltimos s\u00e3o liberados simultaneamente e, ent\u00e3o, a realiza\u00e7\u00e3o da grande autolibera\u00e7\u00e3o \u00e9 gerada. Nesse momento, sem esfor\u00e7o, atingimos o grande estado b\u00faddhico, a expans\u00e3o da vacuidade e a sabedoria da autolibera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o importa quantos ou que tipo de objetos externos surjam, pois como as apar\u00eancias internas foram levadas \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 mais apego. O apego a fonte do sentido de um sujeito (que apreende) e um objeto (que \u00e9 apreendido) \u00e9 terminada. Como uma sabedoria sem fim e o atingimento apareceram do interior, n\u00e3o h\u00e1 qualquer coisa a ser abandonada ou atingida; ficamos al\u00e9m dos sujeitos e objetos externos da ado\u00e7\u00e3o e do abandono.<\/p>\n<p>Os atributos auspiciosos de um Buddha est\u00e3o espontaneamente estabilizados em uni\u00e3o com a expans\u00e3o da profunda vacuidade e sabedoria. Assim como uma cobra que foi amarrada firmemente em muitos n\u00f3s pode libertar a si mesma, do mesmo modo a mente desfaz seus pr\u00f3prios n\u00f3s. Se os n\u00f3s s\u00e3o enfeites em uma corda, \u00e9 preciso que algu\u00e9m os desembarace; por\u00e9m, os n\u00f3s das a\u00e7\u00f5es contaminadas, afli\u00e7\u00f5es e predisposi\u00e7\u00f5es que foram amarradas por muitas vidas podem ser desfeitos como os n\u00f3s de uma cobra. Quando isto \u00e9 conhecido, somos um buddha, e quando n\u00e3o \u00e9 conhecido, vagamos no samsara. Em si mesmo, est\u00e1 al\u00e9m do samsara e do nirvana. Chegamos ao alto lugar onde as elabora\u00e7\u00f5es destes dois s\u00e3o eliminadas. Como os atributos auspiciosos de um buddha foram aperfei\u00e7oados a partir do interior, como algu\u00e9m poderia renascer no samsara? J\u00e1 que as pot\u00eancias da sabedoria de um buddha foram completadas, qual \u00e9 a necessidade de seguir o caminho da libera\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria? Este caminho que toma incont\u00e1veis \u00e9ons no sistema do sutra pode ser realizado pela mente ao desfazer os seus n\u00f3s. \u00c9 decidido a partir do interior.<\/p>\n<p>As ondas do pensamento conceitual acalmam-se naturalmente. Desobstru\u00eddo e vazio, mas sem ser muito estendido, este estado de uni\u00e3o \u00e9 cheio de \u00eaxtase. A uni\u00e3o \u00e9 inerente, n\u00e3o \u00e9 algo novo juntado a algo velho. A natureza auto-surgida dos fen\u00f4menos \u00e9 compreendida como sendo livre das vis\u00f5es. A expans\u00e3o da vacuidade e a da sabedoria n\u00e3o s\u00e3o muito vastas e, portanto n\u00e3o tem o estabelecimento espont\u00e2neo das qualidades de um Buddha. N\u00e3o s\u00e3o estendidas ao ponto em que precisem ser juntadas e remendadas; nem s\u00e3o parciais, j\u00e1 que s\u00e3o a \u00fanica esfera penetrante da sabedoria de um Buddha, a \u00fanica grande entidade espont\u00e2nea e penetrante. Esta uni\u00e3o existiu desde o in\u00edcio, obscurecida pelas a\u00e7\u00f5es e pr\u00e9-disposi\u00e7\u00f5es que, quando descascadas, deixam apenas a vis\u00e3o imut\u00e1vel.<\/p>\n<p>Apesar do modo-de-ser poder ser apontado com palavras, a realiza\u00e7\u00e3o dele n\u00e3o \u00e9 um caso de pensar sobre o mecanismo das palavras. Ainda assim, em depend\u00eancia destes s\u00edmbolos verbais, o modo-de-ser da pr\u00f3pria mente pode tornar-se manifesto.<\/p>\n<p>Quando ganhamos a inicia\u00e7\u00e3o e a transmiss\u00e3o da instru\u00e7\u00e3o quintessencial, e ent\u00e3o nos retiramos para um lugar solit\u00e1rio, podemos ter estas experi\u00eancias. Os preceitos n\u00e3o entendidos quando lidos nos livros s\u00e3o compreendidos imediatamente para algu\u00e9m que ent\u00e3o esteja procedendo na base do conhecimento interno. Ent\u00e3o, quando morrermos, ser\u00e1 como um retorno \u00e0 nossa m\u00e3e, sem a menor preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto extra\u00eddo do livro: &#8220;Tantric Practice in Nyingma&#8221; de Khets\u00fcn Sangpo Rinpoche Como a base da Grande Perfei\u00e7\u00e3o (Dzogchen) \u00e9 identificada? N\u00e3o \u00e9 suficiente identificar a base meramente como a pureza essencial (tib. kadag \/ ka dag) ou apenas como &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/grande-perfeicao\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5722,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[91],"class_list":["post-5719","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dzogchen","tag-khetsun-sangpo"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5719","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5719"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5719\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5723,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5719\/revisions\/5723"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5722"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}