{"id":5748,"date":"2018-08-01T19:16:43","date_gmt":"2018-08-01T21:16:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5748"},"modified":"2018-08-01T19:16:43","modified_gmt":"2018-08-01T21:16:43","slug":"a-primeira-nobre-verdade-a-dor-e-inevitavel-o-sofrimento-e-opcional","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-primeira-nobre-verdade-a-dor-e-inevitavel-o-sofrimento-e-opcional\/","title":{"rendered":"A primeira nobre verdade: a dor \u00e9 inevit\u00e1vel, o sofrimento \u00e9 opcional"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=5750\" rel=\"attachment wp-att-5750\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/A-primeira-nobre-verdade-300x66.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"66\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5750\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/A-primeira-nobre-verdade-300x66.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/A-primeira-nobre-verdade.jpg 478w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:right\">Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sylvia-boorstein\/\">Sylvia Boorstein<\/a>,<br \/>extra\u00eddo do livro<br \/>&#8220;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/e-mais-facil-do-que-voce-pensa\/\">\u00c9 mais f\u00e1cil do que voc\u00ea pensa<\/a>&#8220;<\/div>\n<hr \/>\n<p>A principal li&ccedil;&atilde;o que Buda usava para transmitir seus ensinanentos a respeito da jornada para a felicidade &eacute; chamada de As Quatro Nobres Verdades.<\/p>\n<p>Na primeira Nobre Verdade, o Buda explica que na vida &quot;a dor e inevit&aacute;vel mas o sofrimento &eacute; opcional&quot;. O Buda n&atilde;o pronunciou exatamente essas palavras ele expressou-se no seu vern&aacute;culo. Minha vers&atilde;o em idiomas mais atuais cont&eacute;m o sentido que o Buda preendia transmitir, e espero n&atilde;o ter sido irreverente.<\/p>\n<p>A vida &eacute; dif&iacute;cil. Scott Peck disse isso na primeira linha do livro <i>The Road Less Traveled <\/i>e vendeu centenas de milhares de c&oacute;pias. As vezes, penso que as pessoas liam a primeira frase e ficavam t&atilde;o entusiasmadas por algu&eacute;m estar dizendo aquilo que a experi&ecirc;ncia lhes mostrava ser verdade que acabavam comprando o livro. A vida &eacute; t&atilde;o misteriosa! N&atilde;o importa quais sejam os nossos planos, ela &eacute; sempre imprevis&iacute;vel. Durante anos, deixei um aviso no espelho de meu banheiro para lembrar-me, diariamente, de que &quot;A vida &eacute; aquilo que nos acontece enquanto estamos fazendo outros planos&quot;. Mesmo assim, continuo passando boa parte do tempo tentando conseguir algo agora para poder ser feliz num futuro m&iacute;tico.<\/p>\n<p>Eu tinha trinta e poucos anos de idade quando percebi, com certa apreens&atilde;o, que estava totalmente despreparada para lidar com os aspectos mais assustadores da vida. De alguma maneira, eu havia conseguido esconder de mim mesma o t&ecirc;nue equil&iacute;brio de que depende a nossa felicidade a cada momento. Eu tinha crescido e feito todas as coisas que supostamente poderiam garantir a minha felicidade. Havia aprendido uma profiss&atilde;o que estava exercendo e com a qual sentia-me gratificada; havia-me casado e tivera quatro filhos ador&aacute;veis, os quais eu amava profundamente. De algum modo, nunca pensei em quanto tudo isso era fr&aacute;gil e, assim, nunca pensara em nenhuma quest&atilde;o de cunho existencial.<\/p>\n<p>Certo dia, descendo a rua onde eu morava, duas garotinhas que iam para a escola foram atropeladas e mortas por um cano desgovernado. Elas tinham seis e sete anos de idade e eram irm&atilde;s. Eu n&atilde;o as conhecia, mas j&aacute; ouvira falar delas por serem colegas de classe de Elizabeth, minha filha. De repente, despertei para o fato de que estar vivo &eacute; muito perigoso, e que cada momento da vida &eacute; muito precioso. Se eu talvez tivesse atentado para esse fato de uma maneira equilibrada ou, pelo menos, de uma forma mais madura, eu teria passado por um daqueles momentos de transforma&ccedil;&atilde;o, sobre os quais lemos, ap&oacute;s o que eu haveria de me modificar totalmente e de viver o resto da vida em constante estado de ilumina&ccedil;&atilde;o. Isso n&atilde;o aconteceu comigo. Ao contr&aacute;rio, mergulhei na tristeza e no desespero. N&atilde;o conseguia entender por que as pessoas continuavam vivendo se a vida era finita, na melhor das hip&oacute;teses, e, do come&ccedil;o ao fim, imprevis&iacute;vel. Percebi que todos os relacionamentos terminam em perda e que a perda era muito dolorosa. Eu n&atilde;o conseguia imaginar uma raz&atilde;o para agirmos assim.<\/p>\n<p>O&#9;fato de eu agora poder escrever sobre esse per&iacute;odo de minha vida com alguma leveza n&atilde;o significa que essa n&atilde;o tenha sido uma &eacute;poca terr&iacute;vel para mim. Pois foi! Eu lia fil&oacute;sofos existencialistas, Camus e Sartre, e me perguntava como havia conseguido esconder de mim essa terr&iacute;vel verdade ao longo de todos aqueles anos. Eu me perguntava por que todas as outras pessoas n&atilde;o enxergavam isso. Como as pessoas podiam viver a vida como se tudo estivesse bem enquanto eu tinha certeza de que as coisas n&atilde;o eram assim? Lembro-me de falar para os meus alunos de psicologia a respeito da &quot;ang&uacute;stia existencial&quot; e de lhes contar a piada de Kierkegaard. Algu&eacute;m disse a Kierkegaard: &quot;Vejo-o na pr&oacute;xima ter&ccedil;a&quot; e, ao que se sup&otilde;e, ele teria respondido: &quot;Vejo voc&ecirc; na pr&oacute;xima ter&ccedil;a se, ao sair da minha casa, uma telha n&atilde;o se soltar do telhado e acertar a minha cahe&ccedil;a e se, ao atravessar a rua, voc&ecirc; n&atilde;o for atropelado por uma carruagem desgovernada.&quot; Essa n&atilde;o &eacute; uma piada engra&ccedil;ada. Eu n&atilde;o Conseguia dizer &quot;Vejo voc&ecirc;s depois&quot; aos meus filhos quando eles saiam para a escola ou, mesmo, &quot;Espero que se divirtam&quot;, sem que receios sinistros passassem pela minha cabe&ccedil;a.<\/p>\n<p>Parte do meu desespero consistia em pensar que eu era a &uacute;nica pessoa que se sentia assim. Todas as pessoas &agrave; minha volta pareciam sentir que a vida era realmente bela e nem um pouco angustiante. Foi para mim um al&iacute;vio ir ao meu primeiro retiro de medita&ccedil;&atilde;o e ouvir as pessoas falarem a verdade de forma t&atilde;o clara \u2014 a Primeira Nobre Verdade, de que a vida &eacute; dif&iacute;cil e dolorosa pela sua pr&oacute;pria natureza e n&atilde;o porque estejamos agindo errado. Fiquei extremamente aliviada em conhecer pessoas que estavam dispostas a dizer que a vida &eacute; dif&iacute;cil, freq&uuml;entemente dolorosa, mas que, mesmo assim, aparentemente n&atilde;o tinham dificuldade em admitir isso. Mais importante, elas pareciam felizes. Para mim isso foi extraordinariamente tranq&uuml;ilizados Pensei comigo mesma: &quot;Aqui est&atilde;o pessoas que s&atilde;o como eu, cuja vida &eacute; igual a minha, que conhecem a verdade, disp&otilde;em-se a admiti-la e se sentem &agrave; vontade com rela&ccedil;&atilde;o a isso.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Sylvia Boorstein,extra\u00eddo do livro&#8220;\u00c9 mais f\u00e1cil do que voc\u00ea pensa&#8220; A principal li&ccedil;&atilde;o que Buda usava para transmitir seus ensinanentos a respeito da jornada para a felicidade &eacute; chamada de As Quatro Nobres Verdades. 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