{"id":584,"date":"2013-04-06T12:28:00","date_gmt":"2013-04-06T14:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=584"},"modified":"2018-02-09T16:09:29","modified_gmt":"2018-02-09T18:09:29","slug":"uniao-sujeitoobjeto-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/uniao-sujeitoobjeto-2\/","title":{"rendered":"Uni\u00e3o Sujeito\/Objeto"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/270.jpg\" class=\"broken_link\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-588\" src=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/270-201x300.jpg\" alt=\"270\" width=\"201\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/270-201x300.jpg 201w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/270-687x1024.jpg 687w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/270.jpg 1944w\" sizes=\"auto, (max-width: 201px) 100vw, 201px\" \/><\/a>Conta-se que um c\u00e9lebre mestre zen da dinastia\u00a0<i>T\u2019ang, Nan Ch\u2019\u00fcan<\/i>, declarava, mostrando uma flor aberta no p\u00e1tio: <i>\u201cAs pessoas comuns v\u00eam esta flor como se estivessem imersas em um sonho\u201d.<\/i> A flor, tal como a vemos efetivamente no jardim, deve assemelhar-se a uma flor vista durante um sonho, basta-nos sair do sonho para ver a flor tal como \u00e9 em si mesma realmente. Isto quer dizer, simplesmente, que o sujeito deve realizar a todo custo uma transforma\u00e7\u00e3o pessoal absoluta, se quiser contemplar a realidade das coisas. Por\u00e9m, de que g\u00eanero de transforma\u00e7\u00e3o se trata? E qual \u00e9 a realidade das coisas, vistas por n\u00f3s depois dessa transforma\u00e7\u00e3o?O que\u00a0<i>Nan Ch\u2019\u00fcan<\/i>\u00a0quer dizer est\u00e1 claro: uma flor, tal como a vemos em condi\u00e7\u00f5es normais, \u00e9 um\u00a0<i>objeto<\/i><i>\u00a0<\/i>que se encontra diante de um\u00a0<i>sujeito<\/i>\u00a0que o percebe. Esse \u00e9 o sentido da express\u00e3o \u201cuma flor vista em um sonho\u201d. A flor est\u00e1 aqui representada como algo diferente do ser humano que a contempla. A flor, em sua realidade \u00e9, no entanto, para\u00a0<i>Nan Ch\u2019\u00fcan<\/i>, uma flor que n\u00e3o-\u00e9, uma flor que n\u00e3o pode distinguir-se do ser humano que a contempla: do\u00a0<i>sujeito<\/i>. Trata-se aqui, pois, de um estado que n\u00e3o \u00e9 nem objetivo nem subjetivo, por\u00e9m que \u00e9 ao mesmo tempo subjetivo e objetivo: um estado no qual o\u00a0<i>sujeito<\/i>\u00a0e o\u00a0<i>objeto<\/i>, o ser humano e a flor,\u00a0<i>se fundem<\/i>\u00a0de modo indescrit\u00edvel em uma unidade absoluta. Ao menos, com a finalidade de compreender um pouco o cerne do problema, teremos que colocar em seu contexto o lugar exato das palavras de\u00a0<i>Nan Ch\u2019\u00fcan\u00a0<\/i>no conhecido livro de budismo zen, o\u00a0<i>\u201cPi Yen Lu\u201d.<\/i>\u00a0Ali podemos ler o seguinte:<\/p>\n<p>Um dia, o grande governador\u00a0<i>Lu K\u00eang<\/i>\u00a0encontrava-se conversando com\u00a0<i>Nan Ch\u2019\u00fcan,<\/i>\u00a0quando\u00a0<i>Lu<\/i>\u00a0fez a seguinte observa\u00e7\u00e3o: \u201c<i>Seng Chao<\/i>\u00a0disse um dia:\u00a0<i>\u2018O c\u00e9u e a terra (quer dizer, o universo inteiro) t\u00eam a mesma raiz que minha pr\u00f3pria mente e todas as coisas s\u00e3o uma s\u00f3 comigo\u2019<\/i><i>,<\/i>\u00a0para mim, isto \u00e9 muito dif\u00edcil de compreender\u201d. Ent\u00e3o, apontando uma flor com o dedo,\u00a0<i>Nan Ch\u2019\u00fcan<\/i>\u00a0declarou:\u00a0\u201c<i>As pessoas comuns v\u00eam esta flor como se estivessem imersas no meio de um sonho<\/i>\u201d.<\/p>\n<p>No contexto pode-se compreender a inten\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>Nan Ch\u2019\u00fcan<\/i>. \u00c9 o mesmo que houvesse dito:\u00a0<i>\u201cObserva esta flor aberta no p\u00e1tio. Pelo fato mesmo de sua exist\u00eancia, est\u00e1 atestado que todas as coisas formam uma s\u00f3 coisa com o ser que n\u00f3s somos na Unidade Fundamental da Realidade \u00daltima\u201d.<\/i>\u00a0<i>A verdade est\u00e1 a\u00ed em toda a sua pureza, plenamente aparente. Desvela-se, a cada momento atrav\u00e9s de cada coisa particular, de modo claro e sem equ\u00edvocos. Por\u00e9m as pessoas comuns n\u00e3o possuem o olho em condi\u00e7\u00f5es de ver a realidade desnuda. Todas as coisas s\u00e3o observadas como atrav\u00e9s de v\u00e9us.<\/i><\/p>\n<p>Como as pessoas comuns v\u00eam tudo atrav\u00e9s dos v\u00e9us do seu pr\u00f3prio ego relativo e determinado, tudo quanto v\u00eaem \u00e9 percebido como em um sonho. Por\u00e9m elas mesmas est\u00e3o convencidas de que a flor, tal como efetivamente a contemplam enquanto\u00a0<i>\u201cobjeto\u201d<\/i>\u00a0no mundo exterior,\u00a0<i>\u00e9<\/i>\u00a0a realidade. Para estar em condi\u00e7\u00f5es de afirmar que tal vis\u00e3o da flor est\u00e1 absolutamente afastada da realidade at\u00e9 o ponto de ser quase um sonho, temos que transformar em\u00a0<i>outro<\/i>\u00a0o eu emp\u00edrico. Somente ent\u00e3o se poder\u00e1 dizer, com o monge\u00a0<i>Chao<\/i>, que\u00a0<i>o\u00a0sujeito\u00a0e o\u00a0objeto\u00a0se confundem de um modo infinitamente sutil e delicado em um s\u00f3 e, finalmente, se incorporam no fundo original do Vazio.\u00a0<\/i>[&#8230;]<i>\u00a0<\/i><br \/>\n<strong><i>\u00a0<\/i><i>Extra\u00eddo do livro: EL K\u00d4AN ZEN de Toshihiko Izutsu<\/i><\/strong><\/p>\n<p><strong><i>Tradu\u00e7\u00e3o do texto: Fl\u00e1vio Capllonch Cardoso<\/i><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conta-se que um c\u00e9lebre mestre zen da dinastia\u00a0T\u2019ang, Nan Ch\u2019\u00fcan, declarava, mostrando uma flor aberta no p\u00e1tio: \u201cAs pessoas comuns v\u00eam esta flor como se estivessem imersas em um sonho\u201d. A flor, tal como a vemos efetivamente no jardim, deve &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/uniao-sujeitoobjeto-2\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":588,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[38],"class_list":["post-584","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","tag-meditacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/584","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=584"}],"version-history":[{"count":9,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/584\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1359,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/584\/revisions\/1359"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/588"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=584"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=584"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=584"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}