{"id":5842,"date":"2018-10-03T21:09:30","date_gmt":"2018-10-03T23:09:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5842"},"modified":"2018-10-08T17:06:23","modified_gmt":"2018-10-08T19:06:23","slug":"como-transformar-o-nosso-adubo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/como-transformar-o-nosso-adubo\/","title":{"rendered":"Como transformar o nosso adubo"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/como-transformar-o-nosso-adubo\/como-transformar-o-nosso-adubo-2\/\" rel=\"attachment wp-att-5844\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Como-transformar-o-nosso-adubo-300x226.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"226\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5844\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Como-transformar-o-nosso-adubo-300x226.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Como-transformar-o-nosso-adubo-398x300.jpg 398w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Como-transformar-o-nosso-adubo.jpg 602w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><b><i>Retirado do livro<br \/>\n&#8220;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/vivendo-em-paz\/\">Vivendo em paz<\/a>&#8221;<br \/>\nde <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/thich-nhat-hanh\/\">Thich Nhat Hanh<\/a><\/i><\/b><\/div>\n<p>&#9;Quando examinamos cuidadosamente uma flor, podemos constatar que ela &eacute; composta inteiramente de elementos n&atilde;o-florais, como sol, chuva, solo, adubo, ar e tempo. Se prosseguirmos nesse exame acurado, notaremos que ela est&aacute; prestes a se transformar em adubo. Se n&atilde;o notarmos isso, ficaremos chocados quando a flor come&ccedil;ar a se decompor. Quando examinamos atentamente o adubo, vemos que ele tamb&eacute;m est&aacute; prestes a se transformar em flores e compreendemos que adubo e flores se integram. Precisam um do outro. Um bom jardineiro org&acirc;nico n&atilde;o discrimina o adubo, porque sabe como transforma-lo em cravos, em rosas e em muitos outros tipos de flores. Quando examinamos a n&oacute;s mesmos em profundidade, vemos tanto flores como lixo. Cada um de n&oacute;s tem raiva, &oacute;dio, depress&atilde;o, discrimina&ccedil;&atilde;o racial e muitas outras esp&eacute;cies de lixo, mas n&atilde;o h&aacute; necessidade de sentir medo.<\/p>\n<p>Da mesma forma que um jardineiro sabe como transformar adubo em flores, podemos aprender a arte de transformar a raiva, a depress&atilde;o e a discrimina&ccedil;&atilde;o racial em amor e compreens&atilde;o. Este &eacute; o trabalhado da medita&ccedil;&atilde;o. Segundo a psicologia budista, nossa consci&ecirc;ncia esta dividida em duas partes, como uma casa de dois pavimentos. No t&eacute;rreo, h&aacute; uma sala de visitas que chamamos de  &quot;mente consciente&quot;. Sob o andar t&eacute;rreo existe um por&atilde;o, que chamamos de &quot;consci&ecirc;ncia armazenadora&quot;. Nesta, tudo o que fizermos, experimentarmos ou percebermos fica armazenado sob a forma de uma semente ou de um filme. <\/p>\n<p>Nosso por&atilde;o &eacute;  um arquivo de todos os tipos de filmes imagin&aacute;veis, guardados em fita de v&iacute;deo. No  andar de cima, na  sala, sentamo-nos em  uma cadeira e assistimos a esses filmes, a  medida que eles s&atilde;o  trazidos do por&atilde;o. Alguns filmes, como Ira, Medo ou Desespero parecem ter a  capacidade de  sair do por&atilde;o por conta pr&oacute;pria. Abrem a porta da  sala e se instalam no nosso aparelho de v&iacute;deo, pouco importando que n&oacute;s os  tenhamos escolhido ou n&atilde;o. Quando isso acontece, ficamos  paralisados, e n&atilde;o temos outra  sa&iacute;da sen&atilde;o assisti-los. Felizmente, cada filme tem uma dura&ccedil;&atilde;o limitada e, quando termina, volta para o por&atilde;o. Mas, a cada vez que &eacute; visto por n&oacute;s, ele estabelece uma posi&ccedil;&atilde;o melhor na prateleira do arquivo, e sabemos que, em breve, retornar&aacute;. Algumas vezes, um estimulo exterior, como algu&eacute;m dizendo algo que fira nossos sentimentos, aciona a exibi&ccedil;&atilde;o de um filme na nossa tela de TV. Gastamos demais o nosso tempo assistindo a esses filmes, e muitos deles est&atilde;o nos destruindo. Aprender a por um ponto final neles &eacute; primordial para o nosso bem-estar. Textos tradicionais descrevem a consci&ecirc;ncia como um campo, um peda&ccedil;o de terra onde todo tipo de semente pode ser plantada \u2013 sementes de dor, de felicidade, de alegria, de magoa, de medo, de raiva e de esperan&ccedil;a. <\/p>\n<p>A consci&ecirc;ncia armazenadora tamb&eacute;m &eacute; descrita como um dep6sito cheio de todas as nossas sementes. Quando uma semente se manifesta na nossa mente consciente, sempre volta mais forte ao deposito. A qualidade de nossa vida depende da qualidade das sementes armazenadas na nossa consci&ecirc;ncia. Podemos ter o habito de manifestar sementes de raiva, de magoa e de medo na nossa mente consciente, sementes de alegria, de felicidade e de paz podem n&atilde;o brotar muito. Praticar a consci&ecirc;ncia significa reconhecer cada semente a medida que elas sobem do deposito, e regar sempre que poss&iacute;vel as sementes mais sadias, a fim de ajuda-las a crescer mais fortes. Em cada momento em que estamos atentos a algo sereno e belo, regamos sementes de serenidade e de beleza em n&oacute;s \u2013 e lindas flores desabrocham na nossa consci&ecirc;ncia. 0 tempo que levamos regando uma semente determina-lhe a for&ccedil;a. Por exemplo, se paramos diante de uma arvore, respiramos conscientemente e a fru&iacute;mos por cinco minutos, sementes de felicidade dentro de n&oacute;s ser&atilde;o regadas durante cinco minutos, e essas sementes crescer&atilde;o mais fortes. Nesses mesmos cinco minutos, outras sementes, como as do medo e da dor, n&atilde;o ser&atilde;o regadas. Temos que por isso em pr&aacute;tica todos os dias. Qualquer semente que se manifeste na nossa mente consciente sempre volta mais forte da nossa consci&ecirc;ncia armazenadora. <\/p>\n<p>Se regamos cuidadosamente nossas sementes sadias, podemos confiar que a nossa consci&ecirc;ncia se encarregar&aacute; do trabalho de cura. Nosso corpo &eacute; dotado do poder de curar. Toda vez que cortamos um dedo, lavamos o corte cuidadosamente e deixamos o trabalho de cura por conta de nosso corpo. Em poucas horas, ou em um dia, o corte est&aacute; cicatrizado. Tamb&eacute;m a nossa consci&ecirc;ncia &eacute; dotada de poder de curar. Suponha que voc&ecirc; viu na rua algu&eacute;m que conheceu h&aacute; vinte anos e cujo nome e incapaz de lembrar. A semente dessa pessoa tornou-se muito fraca na sua mem&oacute;ria, uma vez que ela n&atilde;o teve a oportunidade de se manifestar no n&iacute;vel superior da sua consci&ecirc;ncia durante esse tempo todo. No caminho de volta, voc&ecirc; vasculha seu deposito a fim de encontrar a semente de seu nome, mas n&atilde;o a consegue encontrar. Por fim, voc&ecirc; acaba com dor de cabe&ccedil;a de tanto esfor&ccedil;o. Ent&atilde;o, para de procurar e come&ccedil;a a ouvir uma fita ou um CD com uma bela m&uacute;sica. Depois, desfruta de um jantar delicioso e de uma bela noite de sono. De manh&atilde;, ao escovar os dentes, o tal nome simplesmente aflora. &quot;Ah, sim, &eacute; esse o seu nome&quot;. Isso significa que, durante a noite, quando sua mente consciente cessou a busca, a consci&ecirc;ncia armazenadora <\/p>\n<p>Quando sentimos raiva, dor ou desespero, s&oacute; precisamos inspirar e expirar conscientemente e  reconhecer o  sentimento de raiva, dor ou desespero, e depois deixar o trabalho da cura para a nossa consci&ecirc;ncia. Mas n&atilde;o &eacute; somente pelo fato de entrar em contato com a nossa dor que podemos nos curar. Na verdade, se n&atilde;o estivermos prontos para isso, entrar em contato com ela poder&aacute; apenas exacerba-la. Precisamos primeiro nos fortalecer, &eacute; a forma mais f&aacute;cil de faze-lo &eacute; entrando em contato com a paz e a alegria. Existem muitas coisas maravilhosas, mas como centralizamos nossa aten&ccedil;&atilde;o no que esta errado, n&atilde;o estamos aptos a entrar em contato com o que n&atilde;o esta errado. Se despendermos algum esfor&ccedil;o para inspirar e expirar e entrar em contato com o que n&atilde;o esta errado, mais f&aacute;cil ser&aacute; a cura. Muitos de n&oacute;s trazem dentro de si tanta dor que se torna dif&iacute;cil tocar uma flor ou segurar a m&atilde;o de uma crian&ccedil;a. Mas precisamos fazer algum esfor&ccedil;o para desenvolver o habito de tocar o que &eacute; belo e propicio. Esta &eacute; a maneira de ajudar nossa consci&ecirc;ncia armazenadora a realizar o trabalho de cura. Se entrarmos em contato com o que &eacute; pacifico e curativo em n&oacute;s e ao nosso redor, ajudamos nossa consci&ecirc;ncia armazenadora a executar o trabalho de transforma&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s nos deixamos curar pelas arvores, pelos p&aacute;ssaros, pelas belas crian&ccedil;as. De outra maneira, apenas reprisaremos o nosso sofrimento.<\/p>\n<p>Existe na nossa consci&ecirc;ncia armazenadora uma semente maravilhosa \u2013 a semente da plena consci&ecirc;ncia; quando se manifesta, tem a capacidade de discernir o que esta acontecendo no momento presente. Se damos um passo tranq&uuml;ilo e feliz, e sabemos que estamos dando um passo tranq&uuml;ilo e feliz, a consci&ecirc;ncia est&aacute; presente. A consci&ecirc;ncia &eacute; um importante agente para a nossa transforma&ccedil;&atilde;o e cura, mas a nossa semente de consci&ecirc;ncia vem sendo h&aacute; muito soterrada sob in&uacute;meras camadas de dor e de esquecimento. Raramente estamos cientes de que temos olhos que v&ecirc;em com clareza, um cora&ccedil;&atilde;o e um f&iacute;gado que funcionam bem, e de n&atilde;o sentirmos dor de dente. Vivemos no esquecimento, procurando a felicidade em algum outro lugar, ignorando e esfacelando os preciosos elementos de felicidade que j&aacute; existem dentro e fora de n&oacute;s. Se inspiramos e expiramos e vemos que a arvore esta ali, viva e bela, a semente da nossa consci&ecirc;ncia ser&aacute; regada e crescer&aacute; mais forte. Quando come&ccedil;amos a praticar, no principio a nossa conscientiza&ccedil;&atilde;o ser&aacute; mais fraca, como uma l&acirc;mpada de quinze watts. Mas assim que come&ccedil;armos a prestar aten&ccedil;&atilde;o a nossa respira&ccedil;&atilde;o, ela come&ccedil;a a se fortalecer, e depois de persistirmos nessa pr&aacute;tica por algumas semanas, torna-se t&atilde;o brilhante quanto uma l&acirc;mpada de cem watts. Com a luz da consci&ecirc;ncia brilhando, entramos em contato com muitos elementos maravilhosos dentro e fora de n&oacute;s e, ao faze-lo, regamos as sementes de paz, de alegria e de felicidade que existem em n&oacute;s e, ao mesmo tempo, deixamos de regar as sementes da infelicidade. No principio, pelo fato de as termos regado diariamente, as sementes de infelicidade que existem em n&oacute;s s&atilde;o muito fortes. Nossas sementes de raiva foram regadas pela nossa mulher e por nossos filhos. <\/p>\n<p>Pelo fato de eles mesmos sofrerem, eles s&oacute; sabem regar nossas sementes de sofrimento. Quando essas sementes de infelicidade s&atilde;o fortes, mesmo que n&atilde;o as convidemos a sair do por&atilde;o, elas empurrar&atilde;o a porta e cair&atilde;o em nossa sala de visita. Sua presen&ccedil;a n&atilde;o &eacute; nada agrad&aacute;vel. Podemos tentar reprimi-las e mante-las no por&atilde;o, mas pelo fato de as termos regado tanto, s&atilde;o bastante fortes para subir ao n&iacute;vel superior da nossa consci&ecirc;ncia, mesmo sem convite. Muitos de n&oacute;s sentem necessidade de fazer alguma coisa todo o tempo \u2013 ouvir um<i> walkman,<\/i> assistir televis&atilde;o, ler um livro ou uma revista, falar ao telefone. Procuramos nos manter ocupados na nossa sala de visitas para driblar as preocupa&ccedil;&otilde;es e as ansiedades que existem no por&atilde;o. Mas, se analisarmos profundamente a natureza dos hospedes que estamos convidando a entrar em nossa sala de visitas, veremos que muitos deles contem as mesmas toxinas que est&atilde;o presentes nas sementes negativas que, com tanto afinco, estamos tentando evitar. Mesmo quando impedimos que essas sementes negativas aflorem, estamos regando-as e tornando-as mais fortes. Muitos de n&oacute;s at&eacute; se dedicam a obras sociais ou ambientais para evitar encarar seus problemas. <\/p>\n<p>Para sermos felizes, precisamos regar a semente de consci&ecirc;ncia que existe dentro de n&oacute;s. A consci&ecirc;ncia &eacute; a semente da ilumina&ccedil;&atilde;o, da percep&ccedil;&atilde;o, do entendimento, do cuidado, da compaix&atilde;o, da libera&ccedil;&atilde;o, da transforma&ccedil;&atilde;o e da cura. Se a cultivarmos, entramos em contato com os aspectos prazerosos e alegres da vida, em n&oacute;s e ao nosso redor, coisas com as quais n&atilde;o podemos entrar em contato quando vivemos no esquecimento. A consci&ecirc;ncia torna coisas como os nossos olhos, o nosso cora&ccedil;&atilde;o, os nossos dentes sadios, a lua e as arvores, mais belas e mais significativas. Se entramos conscientemente em contato com essas coisas maravilhosas, elas se revelar&atilde;o no seu pleno esplendor. Quando entramos conscientemente em contato com a nossa dor, come&ccedil;amos a transforma-la. Quando um bebe est&aacute; chorando na sala, a m&atilde;e acode imediatamente, segurando-o ternamente nos bra&ccedil;os. Como a m&atilde;e &eacute; feita de amor e de carinho, quando ela o segura em seus bra&ccedil;os, o amor e o carinho penetram o bebe e, em apenas alguns minutos, ele provavelmente deixar&aacute; de chorar. A consci&ecirc;ncia &eacute; a m&atilde;e que cuida da nossa dor toda vez que ela come&ccedil;a a chorar. Enquanto a dor se encontra no por&atilde;o, voc&ecirc; pode gozar de muitos aspectos agrad&aacute;veis e saud&aacute;veis da vida, conscientemente. Ent&atilde;o, quando a dor quiser subir, voc&ecirc; estar&aacute; em condi&ccedil;&otilde;es de desligar o<i> walkman,<\/i> fechar o livro, abrir a porta da sala e convidar a dor a entrar. Voc&ecirc; pode sorrir para ela e abra&ccedil;a-la com a sua consci&ecirc;ncia, que se fortaleceu. Por exemplo, se o medo quer subir, n&atilde;o o ignore. Sa&uacute;de-o afetuosamente com sua consci&ecirc;ncia plena. &quot;Medo, meu velho amigo, eu o reconhe&ccedil;o&quot;.<br \/>\nSe voc&ecirc; tiver medo do seu medo, ele pode domina-lo. Mas se, consciente, calmo e sorridente, voc&ecirc; o convidar a aparecer, ele perder&aacute; um pouco de sua for&ccedil;a. Depois de ter regado constantemente as sementes da consci&ecirc;ncia por algumas semanas, voc&ecirc; estar&aacute; suficientemente forte para convidar o seu medo a subir a qualquer momento, pois voc&ecirc; estar&aacute; apto a abra&ccedil;a-lo com sua consci&ecirc;ncia. Pode n&atilde;o ser algo muito agrad&aacute;vel, mas, estando consciente, voc&ecirc; estar&aacute; seguro. Se voc&ecirc; der as boas-vindas a um mal menor com plena consci&ecirc;ncia, ele se transformar&aacute; em poucos minutos. Apenas inspire e expire \u2013 e sorria para ele. Quando, porem, voc&ecirc; se defrontar com uma massa de dor mais forte, e necess&aacute;rio mais tempo. Medite sentado e andando, enquanto acolhe a sua dor em plena consci&ecirc;ncia e, mais cedo ou mais tarde, ela se transformara. Se com a pr&aacute;tica voc&ecirc; aperfei&ccedil;oou o grau de sua conscientiza&ccedil;&atilde;o, essa transforma&ccedil;&atilde;o ser&aacute; mais r&aacute;pida. Quando a consci&ecirc;ncia acolhe a dor, come&ccedil;a a penetra-la e a transforma-la, como a luz do sol quando banha um bot&atilde;o de flor, ajudando-o a se abrir. Quando a consci&ecirc;ncia entra em contato com algo belo, revela a sua beleza. Quando toca em algo doloroso, ela o cura e transforma. Outra maneira de acelerar a transforma&ccedil;&atilde;o chama-se an&aacute;lise profunda. Quando analisamos profundamente uma flor, reconhecemos os elementos n&atilde;o-florais que a ajudam a existir \u2013 as nuvens, a terra, o jardineiro, o solo. <\/p>\n<p>Quando analisamos profundamente a nossa dor, vemos que o nosso sofrimento n&atilde;o &eacute; s&oacute; nosso. Muitas sementes de sofrimento nos foram legadas pelos nossos antepassados, pelos nossos pais e pela sociedade em que vivemos. Temos que reconhecer essas sementes. Um rapaz que freq&uuml;enta Plum Village contou-me a seguinte hist6ria. Quando ele tinha onze anos, sentia muita raiva de seu pai. Toda vez que ele caia e se machucava, o pai se zangava e gritava com ele. 0 rapaz prometeu ser diferente, quando crescesse. Mas h&aacute; alguns anos, sua irm&atilde;zinha estava brincando com outras crian&ccedil;as, caiu do balan&ccedil;o e arranhou o joelho. 0 joelho sangrou e ele ficou muito zangado. Quis gritar com ela: &quot;Que est&uacute;pida! Por que voc&ecirc; fez isso?&quot;. Mas controlou-se. Por estar praticando a conscientiza&ccedil;&atilde;o, soube reconhecer a raiva e n&atilde;o a deixou prevalecer. Alguns adultos que estavam presentes cuidaram de sua irm&atilde;, lavando o ferimento e fazendo um curativo. Ent&atilde;o ele se afastou lentamente e come&ccedil;ou a analisar com profundidade. Subitamente, percebeu que ele era exatamente como o pai, e compreendeu que, se n&atilde;o fizesse algo com sua raiva, ele a transmitiria a seus filhos. Esta foi uma descoberta not&aacute;vel para um menino de onze anos. Ele percebeu, ao mesmo tempo, que o pai, assim como ele, poderia ter sido uma vitima. As sementes da raiva de seu pai poderiam ter sido transmitidas por seus av&oacute;s. Pelo fato de cultivar essa an&aacute;lise profunda, com plena consci&ecirc;ncia, ele pode transformar sua raiva em compreens&atilde;o. Foi ent&atilde;o ao encontro do pai e lhe disse que, pelo fato de agora entende-lo, tinha condi&ccedil;&otilde;es de ama-lo verdadeiramente. <\/p>\n<p>Quando estamos irritados e dizemos algo desagrad&aacute;vel ao nosso filho, estamos regando nele as sementes do sofrimento. Quando ele reage, esta regando em n&oacute;s as sementes do sofrimento. Viver desta maneira aumenta e fortalece o sofrimento. Atrav&eacute;s da consci&ecirc;ncia, inspirando e expirando calmamente, podemos praticar uma analise profunda em rela&ccedil;&atilde;o aos tipos de sofrimento que trazemos dentro de n&oacute;s. Ao faze-lo, come&ccedil;amos tamb&eacute;m a entender nossos antepassados, nossa cultura e nossa sociedade. No momento em que compreendemos isso, podemos voltar e servir nossa gente com amorosa bondade e compaix&atilde;o \u2013 sem recrimina&ccedil;&otilde;es. Por causa da nossa compreens&atilde;o, somos capazes de cultivar a paz e a reconcilia&ccedil;&atilde;o verdadeiras. Quando voc&ecirc; remove o conflito entre voc&ecirc; e os outros, voc&ecirc; tamb&eacute;m remove o conflito dentro de voc&ecirc; mesmo. Uma seta pode salvar dois p&aacute;ssaros ao mesmo tempo \u2013 se voc&ecirc; acertar no galho, ambos os p&aacute;ssaros voar&atilde;o. Cuide, em primeiro lugar, de si mesmo. Reconcilie os elementos conflitantes que existem dentro de voc&ecirc; sendo consciente e praticando o amor e a bondade. Depois, reconcilie-se com a sua gente, entendendo-a e amando-a, mesmo que lhe falte o entendimento. As sementes do sofrimento est&atilde;o sempre tentando emergir. Se tentamos reprimi-las, provocamos uma falta de circula&ccedil;&atilde;o na nossa psique e ficamos doentes. <\/p>\n<p>A pr&aacute;tica da consci&ecirc;ncia plena nos ajuda a ficar fortes o bastante para abrir a porta da nossa sala de visitas e deixar a dor entrar. Toda vez que nossa dor se torna consciente, ela perde um pouco da sua for&ccedil;a, e depois, ao voltar ao dep&oacute;sito da nossa consci&ecirc;ncia, estar&aacute; mais fraca. Ao emergir novamente, se a nossa consci&ecirc;ncia estiver ali presente para dar-lhe as boas-vindas, como uma m&atilde;e a seu bebe, a dor diminuir&aacute; e voltar&aacute; ao por&atilde;o mais debilitada ainda. Dessa forma, geramos na nossa psique uma boa circula&ccedil;&atilde;o, e come&ccedil;amos a nos sentir muito melhor. Se o sangue circula bem no nosso corpo, sentimos bem-estar. Se a energia de nossas forma&ccedil;&otilde;es mentais est&aacute; circulando bem entre a nossa consci&ecirc;ncia armazenadora e a nossa mente consciente, tamb&eacute;m sentimos bem-estar. N&atilde;o precisamos ter medo da nossa dor se a nossa consci&ecirc;ncia estiver presente para recebe-la e transform&aacute;-la. Nossa consci&ecirc;ncia constitui a totalidade de nossas sementes, a totalidade de nossos filmes. Se as sementes boas forem fortes, seremos mais felizes. A medita&ccedil;&atilde;o ajuda a semente da consci&ecirc;ncia plena a crescer e a se desenvolver, como a luz dentro de n&oacute;s. Se praticarmos uma vida consciente, saberemos como regar as sementes da alegria e como transformar as sementes da tristeza e do sofrimento, para que a compreens&atilde;o, a compaix&atilde;o e a bondade amorosa flores&ccedil;am dentro de n&oacute;s.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retirado do livro &#8220;Vivendo em paz&#8221; de Thich Nhat Hanh &#9;Quando examinamos cuidadosamente uma flor, podemos constatar que ela &eacute; composta inteiramente de elementos n&atilde;o-florais, como sol, chuva, solo, adubo, ar e tempo. Se prosseguirmos nesse exame acurado, notaremos que &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/como-transformar-o-nosso-adubo\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5844,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,27,40],"tags":[16],"class_list":["post-5842","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-thay","category-zen","tag-thich-nhat-hanh"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5842","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5842"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5842\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5867,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5842\/revisions\/5867"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5844"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}