{"id":6006,"date":"2020-06-11T12:30:54","date_gmt":"2020-06-11T14:30:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6006"},"modified":"2020-06-11T12:35:05","modified_gmt":"2020-06-11T14:35:05","slug":"o-veiculo-do-atiyoga-ou-dzogchen","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-veiculo-do-atiyoga-ou-dzogchen\/","title":{"rendered":"O VE\u00cdCULO DO ATIYOGA OU DZOGCHEN"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/K\u00fcnkhyen-Longchen-Rabjam.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/K\u00fcnkhyen-Longchen-Rabjam-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6001\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/K\u00fcnkhyen-Longchen-Rabjam-300x300.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/K\u00fcnkhyen-Longchen-Rabjam-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/K\u00fcnkhyen-Longchen-Rabjam-50x50.jpg 50w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/K\u00fcnkhyen-Longchen-Rabjam.jpg 710w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"><a NAME=\"inicio\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:center\"><font SIZE=\"4\"><b>O VE\u00cdCULO DO ATIYOGA OU DZOGCHEN<\/b><br \/><\/font><font SIZE=\"2\">(O nono ve\u00edculo al\u00e9m das causas e dos efeitos)<\/font><\/div>\n<p><\/a><\/font><\/div>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><i>Texto extra\u00eddo do livro: &#8220;La libert\u00e9 naturelle de l&#8217;esprit&#8221;<br \/> <b>de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/kunkhyen-longchen-rabjam\/\">Longchenpa<\/a><\/b><br \/>Traduzido do tibetano por Philippe Cornu<br \/>Traduzido para o portugu\u00eas por Karma Tenpa Dhargye<\/i><\/div>\n<div STYLE=\"text-align:justify\">Se bem que classificado entre os tantras superiores, o Ati-yoga ou dzogchen n\u00e3o \u00e9 uma Via t\u00e2ntrica. Seu princ\u00edpio \u00e9 a autolibera\u00e7\u00e3o das paix\u00f5es e n\u00e3o sua transforma\u00e7\u00e3o. Existe por outro lado uma diferen\u00e7a capital entre os oito primeiros ve\u00edculos e o dzogchen. Os primeiros utilizam a mente comum, [sem] como caminho. No dzogchen, \u00e9 [rigpa] que \u00e9 utilizado.<\/p>\n<p>Rigpa \u00e9 um termo espec\u00edfico de tal modo rico e al\u00e9m dos conceitos que ningu\u00e9m at\u00e9 agora prop\u00f4s uma tradu\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria para defini-lo. Para palavras de uma tal import\u00e2ncia, a tradu\u00e7\u00e3o por um s\u00f3 voc\u00e1bulo corre o risco de levar a uma redu\u00e7\u00e3o conceitual do sentido. Eu escolhi cercar sua defini\u00e7\u00e3o da melhor maneira, sem buscar em seguida traduzir a palavra rigpa nos textos.<\/p>\n<p>Em ingl\u00eas, rigpa \u00e9 freq\u00fcentemente traduzido por [awareness] (consci\u00eancia desperta) e K. Lipman recentemente tentou uma defini\u00e7\u00e3o: &#8220;The flash of knowing that gives awareness its quality&#8221;, empregando a fenomenologia. Esta defini\u00e7\u00e3o, &#8220;O clar\u00e3o do conhecimento que d\u00e1 ao despertar suas qualidades&#8221;, \u00e9 interessante porque ela d\u00e1 valor ao aspecto cognitivo de rigpa, que d\u00e1 todo seu valor ao despertar.<\/p>\n<p>No &#8220;Rigpa ngotr\u00f6 tcher thong rangdrol&#8221;, rigpa \u00e9 assim representado:<\/p>\n<p><i>Quando os pensamentos se esvaeceram sem deixar tra\u00e7o algum,<br \/>Nesse frescor aonde os pensamentos a vir ainda n\u00e3o apareceram,<br \/>No instante onde se estabelece o modo natural sem artif\u00edcios,<br \/>Eis aqui esta consci\u00eancia dos tempos comuns,<br \/>E desde que fixeis vosso olhar sobre v\u00f3s mesmos,<br \/>Esse olhar que n\u00e3o tem nada para &#8220;v\u00ear&#8221; des\u00e1gua sobre a claridade,<br \/>Rigpa em sua evid\u00eancia, nu e l\u00edmpido;<br \/>\u00c9 uma pura vacuidade onde nada de particular existe,<br \/>Onde claridade e vazio s\u00e3o indivis\u00edveis,<br \/>Nem eterno, pois que nada existe verdadeiramente,<br \/>Nem o nada, pois que ele \u00e9 claro e vivo.<br \/>Ele n\u00e3o se reduz ao um, estando presente e consciente em tudo,<br \/>Ele n\u00e3o \u00e9 o m\u00faltiplo, porque ele tem um \u00fanico sabor na inseparabilidade.<br \/>Tal \u00e9 esse rigpa natural, e nada al\u00e9m.<\/p>\n<p><\/i>Rigpa \u00e9 um estado de presen\u00e7a claro e desperto que transcende a mente pensante comum. Ele \u00e9 como o sol que aparece quando as nuvens dos pensamentos se afastam. Rigpa \u00e9 n\u00e3o-composto, n\u00e3o tem come\u00e7o nem fim. Em sua ess\u00eancia ele \u00e9 primordialmente puro [kadag] e sem elabora\u00e7\u00f5es, isso que chamamos ainda vacuidade. Mas em sua natureza, ele \u00e9 luminosidade espontaneamente presente [lhundrup]. Esses dois aspectos s\u00e3o indissoci\u00e1veis.<\/p>\n<p>Do ponto de vista de rigpa, a mente conceitual [sem], as paix\u00f5es, etc., n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o um jogo oriundo de sua criatividade luminosa. H\u00e1, pois uma imensa diferen\u00e7a entre mente comum, [sem] e rigpa. [Sem] \u00e9 um epifen\u00f4meno de rigpa, uma simples fun\u00e7\u00e3o da claridade e de seu movimento. Rigpa \u00e9 um estado claro e sem distra\u00e7\u00f5es onde nenhum apego \u00e9 poss\u00edvel. Nesse estado, tudo que surge n\u00e3o \u00e9 mais que uma exibi\u00e7\u00e3o sem finalidade e se dissolve sem deixar tra\u00e7o, como uma vaga no oceano ou um desenho sobre a \u00e1gua.<\/p>\n<p>Comparamos tradicionalmente rigpa a um espelho. O espelho tem duas caracter\u00edsticas: ele \u00e9 vazio em si-mesmo, e simultaneamente ele tem potencialidade de refletir claramente todas as esp\u00e9cies de apar\u00eancias, belas ou feias. Essas apar\u00eancias, vis\u00edveis no espelho, s\u00e3o incapazes de o sujar, pois ele permanece vazio por ess\u00eancia. Estar sob a influ\u00eancia da mente comum e do apego, \u00e9 estar fascinado pelos reflexos e se lan\u00e7ar em persegui\u00e7\u00e3o, seduzido por uns, irritado ou desgostoso com outros. Estar no estado de rigpa consiste em contemplar a exibi\u00e7\u00e3o dos reflexos permanecendo na condi\u00e7\u00e3o natural do espelho, sem estar distra\u00eddo. Os reflexos n\u00e3o t\u00eam nenhum poder sobre o espelho, e este permanece imut\u00e1vel e sem manchas. Assim, do ponto de vista do espelho os reflexos n\u00e3o criam nenhum problema. Se quando vemos as proje\u00e7\u00f5es, esquecemos no mesmo instante a condi\u00e7\u00e3o natural, a ilus\u00e3o se instala.<\/p>\n<p>Nos textos antigos do dzogchen, em particular do [semde], rigpa \u00e9 tamb\u00e9m chamado [tchang tchoup sem], quer dizer bodhichitta ou &#8220;mente de ilumina\u00e7\u00e3o&#8221;. Mas esse termo tem uma significa\u00e7\u00e3o especial no dzogchen. [tchang] significa &#8220;totalmente puro&#8221;, sendo sin\u00f4nimo de [kadak]. A pureza primordial de rigpa. [Tchoup] significa &#8220;realizado&#8221;, &#8220;perfeito&#8221;, e evocando aqui a natureza espontaneamente realizada de rigpa [lhundrup]. [Sem] \u00e9, pois aqui a natureza da mente primordialmente pura e espontaneamente presente, e n\u00e3o mais a mente no sentido comum.<\/p>\n<p>Rigpa \u00e9 nossa condi\u00e7\u00e3o natural, nosso modo de ser \u00faltimo e primordial. Presente em cada um dos seres sens\u00edveis, se bem que velado, o chamamos tamb\u00e9m tath\u00e2gatagarbha, a &#8220;ess\u00eancia do tath\u00e2gatha&#8221;. Dum ponto de vista \u00faltimo, rigpa \u00e9 tamb\u00e9m Samantabhadra, o Budha primordial. Enfim, enquanto presen\u00e7a espont\u00e2nea capaz de manifestar todos os fen\u00f4menos, o chamamos &#8220;o rei que cria todas as coisas&#8221;. Todos esses termos s\u00e3o equivalentes e tais diferencia\u00e7\u00f5es s\u00e3o usadas somente com uma finalidade descritiva.<\/p>\n<p>Um \u00faltimo ponto importante a prop\u00f3sito de rigpa. Na nossa condi\u00e7\u00e3o comum, n\u00f3s n\u00e3o reconhecemos rigpa, e somente [sem] nos parece ser a mente. Nos textos, falamos em procurar a &#8220;natureza da mente&#8221;, [semnyi]. Descobrir a natureza da mente \u00e9 descobrir que [sem] n\u00e3o tem realidade, que ela \u00e9 vazia de exist\u00eancia pr\u00f3pria, que ela n\u00e3o tem nem origem, nem lugar, nem destino. Mas isso n\u00e3o \u00e9 ainda rigpa. Rigpa \u00e9 apresentado ao disc\u00edpulo no momento preciso quando a mente comum \u00e9 temporariamente dissolvida. Se o estudante reconhece no instante esta presen\u00e7a vazia e luminosa, sem nenhum apego nem conceito, podemos ent\u00e3o falar do estado de rigpa.<\/p>\n<p>Assim, o Ati-yoga \u00e9 o veiculo de rigpa que transcende todas as an\u00e1lises conceituais, todas as elabora\u00e7\u00f5es e fabrica\u00e7\u00f5es mentais. Enquanto tal, ele est\u00e1 al\u00e9m de todas as opini\u00f5es e da &#8220;vias&#8221; dos outros ve\u00edculos, que dependem ainda da mente pensante, [sem]. [&#8230;]<\/p>\n<p>O ve\u00edculo do dzogchen se inicia somente com a compreens\u00e3o e a experi\u00eancia de rigpa, existe um modo de transmiss\u00e3o de poder particular no dzogchen, que visa a apresenta\u00e7\u00e3o direta de rigpa ao disc\u00edpulo. Esta transmiss\u00e3o, o [rigpa tsel wang] ou transmiss\u00e3o de poder da energia criadora de rigpa&#8221;, corresponde \u00e0 quarta inicia\u00e7\u00e3o dos tantras, a inicia\u00e7\u00e3o da fala.<\/p>\n<p>Existem numerosas esp\u00e9cies em cada uma das tr\u00eas s\u00e9ries dos ensinamentos dzogchen [semde, longde, e menagde]. Esta apresenta\u00e7\u00e3o pode ser direta de mente a mente, simb\u00f3lica ou oral. Numerosos procedimentos s\u00e3o utilizados. Assim existem as apresenta\u00e7\u00f5es metaf\u00f3ricas, as apresenta\u00e7\u00f5es dos sentidos, e as apresenta\u00e7\u00f5es do signo[sinal]. Enfim, existem quatro graus de elabora\u00e7\u00f5es para essas transmiss\u00f5es de poder: transmiss\u00e3o de poder elaborada, transmiss\u00e3o de poder sem elabora\u00e7\u00f5es, transmiss\u00e3o de poder completamente despida de elabora\u00e7\u00f5es e transmiss\u00e3o de poder absolutamente despida de elabora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em todos os casos, o mestre, que se encontra no estado de rigpa, tenta desvelar ao disc\u00edpulo o que \u00e9 seu rigpa afim de que ele tenha a experi\u00eancia direta e, sobretudo a reconhe\u00e7a. Este reconhecimento da vis\u00e3o mesmo que fugaz, \u00e9 indispens\u00e1vel ao desenvolvimento da pr\u00e1tica, porque, sem saber do que se trata, como poderemos &#8220;desenvolver&#8221; a presen\u00e7a de rigpa? A pr\u00e1tica visa, com efeito, um \u00fanico objetivo, estabilizar a vis\u00e3o e aumentar o poder de rigpa, afim de que ele impregne progressivamente todos os nossos atos. <\/p><\/div>\n<hr \/>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><a HREF=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O VE\u00cdCULO DO ATIYOGA OU DZOGCHEN(O nono ve\u00edculo al\u00e9m das causas e dos efeitos) Texto extra\u00eddo do livro: &#8220;La libert\u00e9 naturelle de l&#8217;esprit&#8221; de LongchenpaTraduzido do tibetano por Philippe CornuTraduzido para o portugu\u00eas por Karma Tenpa Dhargye Se bem que &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-veiculo-do-atiyoga-ou-dzogchen\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6001,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,40],"tags":[62],"class_list":["post-6006","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meditacao","category-zen","tag-philip-kapleau"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6006","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6006"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6006\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6010,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6006\/revisions\/6010"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6001"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6006"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6006"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6006"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}