{"id":6036,"date":"2020-06-11T15:09:41","date_gmt":"2020-06-11T17:09:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6036"},"modified":"2020-06-11T15:12:17","modified_gmt":"2020-06-11T17:12:17","slug":"uma-visao-do-ngondro-tantrico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/uma-visao-do-ngondro-tantrico\/","title":{"rendered":"UMA VIS\u00c3O DO NG\u00d6NDRO T\u00c2NTRICO"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Jigdral-Yeshe-Dorje-Dudjom-Rinpoche.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Jigdral-Yeshe-Dorje-Dudjom-Rinpoche.jpg\" alt=\"\" width=\"710\" height=\"550\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6032\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Jigdral-Yeshe-Dorje-Dudjom-Rinpoche.jpg 710w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Jigdral-Yeshe-Dorje-Dudjom-Rinpoche-300x232.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Jigdral-Yeshe-Dorje-Dudjom-Rinpoche-387x300.jpg 387w\" sizes=\"auto, (max-width: 710px) 100vw, 710px\" \/><\/a><\/p>\n<p><font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"><a NAME=\"inicio\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:center\"><b><font SIZE=\"4\">UMA VIS\u00c3O DO NG\u00d6NDRO T\u00c2NTRICO<\/font><\/b><\/div>\n<p><\/a> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><i>Transcrito por Ngak&#8217;chang Rinpoche de ensinamentos orais dados<br \/> por <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/jigdral-yeshe-dorje\/\">Jigdral Yeshe Dorje Dudjom Rinpoche<\/a><\/i><\/div>\n<div STYLE=\"text-align:justify\">Qualquer que seja a pr\u00e1tica na qual nos engajamos, as realidades relativa e absoluta s\u00e3o coexistentes. M\u00e9todo e Sabedoria s\u00e3o coexistentes. Experi\u00eancias e Vacuidade s\u00e3o coexistentes. Porque essa \u00e9 a natureza da realidade que experienciamos, a pr\u00e1tica do Ng\u00f6ndro t\u00e2ntrico existe como um m\u00e9todo para realizar o estado iluminado sem princ\u00edpio. <\/p>\n<p>A fase final do Ng\u00f6ndro t\u00e2ntrico, o Guru Yoga, \u00e9 a quintess\u00eancia desse m\u00e9todo. Na pr\u00e1tica do Guru Yoga, voc\u00ea alcan\u00e7a esse n\u00edvel de sabedoria quando o Lama se dissolve e se torna uno com voc\u00ea. Nesse ponto, voc\u00ea permanece na natureza absoluta das coisas, que \u00e9 o estado real da medita\u00e7\u00e3o como \u00e9 [transmitida nos ensinamentos Dzogchen]. <\/p>\n<p>No in\u00edcio do Ng\u00f6ndro t\u00e2ntrico, invocamos a presen\u00e7a do Lama. Sendo o Lama aquele que exemplifica tanto as qualidades do caminho quanto as da meta, reconhecemos o Lama como o in\u00edcio e o fim de toda a pr\u00e1tica. <\/p>\n<p>Ap\u00f3s termos come\u00e7ado reconhecendo o Lama, consideramos a dificuldade de obter a forma humana [em termos de ter as circunst\u00e2ncias condutivas \u00e0 pr\u00e1tica]. Essa forma \u00e9 a base do caminho espiritual da libera\u00e7\u00e3o, e \u00e9 portanto preciosa e merecedora de grande respeito. Se voc\u00ea n\u00e3o valoriza a situa\u00e7\u00e3o na qual se encontra, ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o far\u00e1 uso das suas preciosas circunst\u00e2ncias e uma grande oportunidade ser\u00e1 desperdi\u00e7ada. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o, consideramos a imperman\u00eancia e a morte. Tudo que existe est\u00e1 sujeito \u00e0 mudan\u00e7a e \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o, embora voc\u00ea n\u00e3o encontre a liberdade apenas por perder sua forma f\u00edsica ao morrer. Voc\u00ea apenas vai circular na vis\u00e3o sams\u00e1rica, assumindo outras incont\u00e1veis formas, de acordo com a sua percep\u00e7\u00e3o padronizada. A natureza do samsara \u00e9 a experi\u00eancia do sofrimento, que surge atrav\u00e9s da tentativa de manter a ilus\u00e3o da dualidade. Contemplamos isso. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o, refletimos sobre o condicionamento e padr\u00e3o de nossa vis\u00e3o k\u00e1rmica. Reconhecemos a maneira pela qual nossa percep\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o todas governadas pelo condicionamento dualista que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil de destruir. <\/p>\n<p>Esses s\u00e3o os chamados Quatro Pensamentos que Voltam a Mente para a Pr\u00e1tica. Seu prop\u00f3sito \u00e9 encorajar a aten\u00e7\u00e3o a se dirigir para longe da padroniza\u00e7\u00e3o e re-padroniza\u00e7\u00e3o compulsivas. \u00c9 importante se prolongar nesses Quatro Pensamentos no in\u00edcio da pr\u00e1tica, de forma a gerar a motiva\u00e7\u00e3o adequada para a pr\u00e1tica. <\/p>\n<p>Praticar desse jeito \u00e9 como preparar um campo arado para deix\u00e1-lo pronto para a semeadura. Ent\u00e3o, precisamos fazer a semeadura em si. Semear a semente \u00e9 receber Ref\u00fagio; gerar Bodhichitta; oferecer Mandala [para a acumula\u00e7\u00e3o de causas condutivas \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o de m\u00e9todo e sabedoria]; e purifica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da recita\u00e7\u00e3o de Vajrasattva. Essas pr\u00e1ticas s\u00e3o como sementes lavradas no solo [preparado pela contempla\u00e7\u00e3o dos Quatro Pensamentos que Voltam a Mente para a Pr\u00e1tica]. <\/p>\n<p>Da perspectiva da condi\u00e7\u00e3o relativa [na qual nos encontramos], n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel realizar a natureza absoluta da realidade sem se relacionar como o que \u00e9 relativo. Sem usar a situa\u00e7\u00e3o relativa como uma base, voc\u00ea n\u00e3o consegue realizar a verdadeira natureza da Mente. Do mesmo modo, sem esta pr\u00e1tica relativa, voc\u00ea n\u00e3o consegue apreender diretamente a natureza da Vacuidade. O relativo e o absoluto coexistem \u2014 eles v\u00e3o de m\u00e3os dadas; \u00e9 muito importante realizar isso. <\/p>\n<p>Olhemos agora para o Ref\u00fagio. No n\u00edvel externo, h\u00e1 o que \u00e9 chamado de Tr\u00eas J\u00f3ias: o Buddha, o Dharma e a Sangha. O Buddha \u00e9 a fonte do Dharma. Aqueles cujas mentes est\u00e3o voltadas para o Dharma s\u00e3o a Sangha. <\/p>\n<p>Porque existimos na dualidade, experienciamos insatisfa\u00e7\u00e3o. Por causa disso, tomamos Ref\u00fagio de modo a estarmos livres da experi\u00eancia da insatisfa\u00e7\u00e3o criada por n\u00f3s mesmos. Devido \u00e0 n\u00e3o-apreens\u00e3o da nossa verdadeira natureza [por causa das apar\u00eancias delus\u00f3rias, que surgem quando os v\u00e1rios elementos aglutinam-se de acordo com padr\u00f5es de confus\u00e3o dualista], esse corpo humano torna-se o recipiente de intermin\u00e1veis proje\u00e7\u00f5es dualistas. Torna-se fonte de apego, em termos de suprir defini\u00e7\u00f5es delus\u00f3rias de exist\u00eancia. Esse apego permanece muito forte at\u00e9 que se veja a verdadeira natureza da exist\u00eancia. At\u00e9 que voc\u00ea esteja completamente livre da delus\u00e3o de que o seu corpo confirma a sua exist\u00eancia, a insatisfa\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 a colorir sua experi\u00eancia. Por causa disso, as Tr\u00eas J\u00f3ias existem como um foco de Ref\u00fagio.<\/p>\n<p> Logo, externamente falando, deveria-se tomar Ref\u00fagio no Buddha, no Dharma e na Sangha com devo\u00e7\u00e3o. Mas internamente, o Buddha, o Dharma e a Sangha s\u00e3o simb\u00f3licos. Eles s\u00e3o um m\u00e9todo profundo e h\u00e1bil para nos levar para fora desse samsara ilus\u00f3rio criado por n\u00f3s mesmos. <\/p>\n<p>Do ponto de vista do Dzogchen, o Buddha, o Dharma e a Sangha est\u00e3o dentro de n\u00f3s. No n\u00edvel absoluto, nossa mente, que \u00e9 vazia de todas coordenadas referenciais, \u00e9 em si mesma o Buddha [Rigpa \u2014 auto-luminosidade radiante]. Externamente, o Dharma manifesta-se como som e significado; voc\u00ea o ouve e o pratica. Mas de um ponto de vista interno, o Dharma \u00e9 vazio. Em ess\u00eancia, \u00e9 a incessante e desobstru\u00edda exibi\u00e7\u00e3o da auto-luminosidade de Rigpa \u2014 a Mente Primordial. Externamente, a Sangha compreende aqueles cujas mentes voltam-se para Dharma. Mas internamente, a Sangha \u00e9 o aspecto da Mente que tudo penetra e abarca. <\/p>\n<p>Elas est\u00e3o plenamente consumadas dentro de n\u00f3s. Contudo, n\u00e3o reconhecendo isso, precisamos tomar Ref\u00fagio no Buddha, no Dharma e na Sangha externos. Quando voc\u00ea realmente pratica o Ng\u00f6ndro t\u00e2ntrico de maneira adequada, voc\u00ea visualiza Padmasambhava com devo\u00e7\u00e3o fervorosa; voc\u00ea realiza prostra\u00e7\u00f5es em humildade com seu corpo; e voc\u00ea recita a f\u00f3rmula de Ref\u00fagio com sua fala. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea senta silenciosamente ao final da sua pr\u00e1tica [e dissolve a visualiza\u00e7\u00e3o em voc\u00ea mesmo], voc\u00ea percebe que todas essas tr\u00eas coisas \u2014 sujeito, objeto e atividade \u2014 n\u00e3o s\u00e3o outra coisa sen\u00e3o Rigpa! A medita\u00e7\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria pessoa; Padmasambhava \u00e9 a sua pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o. Apenas permane\u00e7a na natureza de Rigpa. Al\u00e9m de Rigpa, n\u00e3o h\u00e1 nada a encontrar! <\/p>\n<p>O Buddha Shakyamuni disse no Dode Kalpa Zangpo: &#8220;Manifestei-me de um modo on\u00edrico para os seres on\u00edricos e dei um Dharma on\u00edrico, mas na realidade eu nunca ensinei e nunca apareci&#8221;. Do ponto de vista do Buddha Shakyamuni nunca ter aparecido e do Dharma nunca ter sido ensinado, tudo \u00e9 mera percep\u00e7\u00e3o, existindo apenas na aparente esfera da talidade [tathata, suchness]. <\/p>\n<p>Como respeito \u00e0 pr\u00e1tica do Ref\u00fagio, o aspecto relativo \u00e9 o objeto de Ref\u00fagio para o qual voc\u00ea oferece devo\u00e7\u00e3o e prostra\u00e7\u00f5es, e assim por diante. O aspecto absoluto \u00e9 sem esfor\u00e7o. Quando voc\u00ea dissolve a visualiza\u00e7\u00e3o e permanece no estado mental que \u00e9 sem esfor\u00e7o, o conceito de Ref\u00fagio n\u00e3o mais existe. <\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o de Bodhichitta ou pensamento iluminado significa que, se agirmos apenas para n\u00f3s mesmos, n\u00e3o estamos seguindo o caminho do Dharma e nossa ilumina\u00e7\u00e3o est\u00e1 bloqueada. \u00c9 de m\u00e1xima import\u00e2ncia que geremos o pensamento iluminado, de forma a libertar todos os seres do samsara. Os seres s\u00e3o t\u00e3o ilimitados quanto o c\u00e9u. Todos eles foram nossos pais e m\u00e3es. Todos eles sofreram nesse samsara, que todos n\u00f3s fabricamos a partir do solo do ser. Logo, o pensamento de libert\u00e1-los desse sofrimento \u00e9 realmente muito poderoso. Sem isso, temos o conceito ilus\u00f3rio de que estamos separados de todos os seres. <\/p>\n<p>O pensamento iluminado [nas palavras do voto de Bodhichitta] \u00e9: &#8220;De agora em diante, at\u00e9 que o samsara se esvazie, trarei benef\u00edcio e felicidade para todos os seres que foram todos minhas m\u00e3es e pais.&#8221; Do ponto de vista relativo, h\u00e1 seres sencientes a serem liberados, h\u00e1 compaix\u00e3o a ser gerada e h\u00e1 o &#8220;eu&#8221;, o gerador da compaix\u00e3o. O meio de gerar e mostrar compaix\u00e3o \u00e9 na verdade explicado pelo pr\u00f3prio Buddha Shakyamuni. Assim \u00e9 a Bodhichitta relativa. <\/p>\n<p>Logo, nessa pr\u00e1tica relativa de Bodhichitta, voc\u00ea visualiza todos os seres e gera o pensamento iluminado. Voc\u00ea tenta liber\u00e1-los de todo o sofrimento at\u00e9 que a ilumina\u00e7\u00e3o seja alcan\u00e7ada. Voc\u00ea recita a gera\u00e7\u00e3o de Bodhichitta quantas vezes a sua pr\u00e1tica requeira. A instru\u00e7\u00e3o [de acordo com os ensinamentos sobre o desenvolvimento de Bodhichitta] \u00e9 a de que voc\u00ea deve trocar sua pr\u00f3pria felicidade pela dor dos outros. Conforme respira, voc\u00ea toma toda a dor e sofrimento deles, para que eles estejam livres disso. Essa pr\u00e1tica tamb\u00e9m \u00e9 muito importante. Sem o desenvolvimento da Bodhichitta e sem libertar-nos a n\u00f3s mesmos do nosso apego [\u00e0 exibi\u00e7\u00e3o de Formas da Vacuidade], n\u00e3o podemos alcan\u00e7ar a ilumina\u00e7\u00e3o. \u00c9 por causa de nossa inabilidade em mostrar compaix\u00e3o aos outros, e por estarmos apegados ao conceito de n\u00f3s mesmos, \u00e9 que n\u00e3o estamos livres da dualidade. Todas essas coisas s\u00e3o o aspecto relativo da pr\u00e1tica de Bodhichitta. <\/p>\n<p>A respeito do aspecto absoluto da Bodhichitta, o Buddha Shakyamuni disse ao seu disc\u00edpulo Rabjor: &#8220;Todos os fen\u00f4menos s\u00e3o como uma ilus\u00e3o e um sonho.&#8221; A raz\u00e3o pela qual o Buddha disse isso \u00e9 que qualquer coisa que se manifeste est\u00e1 sujeita \u00e0 mudan\u00e7a e dissolu\u00e7\u00e3o; nada \u00e9 inerentemente s\u00f3lido, permanente, separado, cont\u00ednuo ou definido. Se voc\u00ea v\u00ea o mundo como s\u00f3lido, voc\u00ea se amarra com uma corda de emaranhamento e \u00e9 constrangido e puxado [como um cachorro] pela compuls\u00e3o como seu condutor. Voc\u00ea se mete em atividades que nunca podem ser terminadas, motivo pelo qual o samsara \u00e9 aparentemente intermin\u00e1vel. Voc\u00ea pode pensar que, porque o samsara \u00e9 como um sonho, talvez a ilumina\u00e7\u00e3o seja s\u00f3lida e permanente. Mas o Buddha Shakyamuni disse que o nirvana em si mesmo \u00e9 como um sonho \u2014 uma ilus\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nada que possa ser nomeado como nirvana; nada chamado nirvana \u00e9 tang\u00edvel. <\/p>\n<p>O Buddha Shakyamuni disse isso diretamente: &#8220;Forma \u00e9 Vacuidade&#8221;. Por exemplo, a lua \u00e9 refletida na \u00e1gua, mas n\u00e3o h\u00e1 lua na \u00e1gua; nunca houve! N\u00e3o h\u00e1 Forma que possa ser agarrada! \u00c9 vazia! Ent\u00e3o, o Buddha Shakyamuni disse: &#8220;Vacuidade \u00e9 Forma&#8221;. A Vacuidade em si apareceu na maneira da Forma. Voc\u00ea n\u00e3o consegue encontrar a Vacuidade separada da Forma. Voc\u00ea n\u00e3o pode separar ambas. Voc\u00ea n\u00e3o pode se agarrar a elas como entidades separadas. A lua \u00e9 refletida na \u00e1gua, mas a \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 a lua. A lua n\u00e3o \u00e9 a \u00e1gua, ainda que voc\u00ea n\u00e3o consiga separar a \u00e1gua e a lua. Uma vez entendido isso no n\u00edvel da experi\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 samsara. No reino da realiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 samsara ou nirvana! Ao falar do ensinamento do Dzogchen, samsara e nirvana s\u00e3o apenas outro conceito dualista.<\/p>\n<p> Ao olhar para essa lua na \u00e1gua, voc\u00ea pode dizer: &#8220;Mas est\u00e1 l\u00e1, eu posso v\u00ea-la!&#8221; Mas ao busc\u00e1-la e tentar toc\u00e1-la, n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1! \u00c9 o mesmo com os pensamentos que surgem na Mente. Se voc\u00ea perguntar, &#8220;Como isso veio \u00e0 tona?&#8221;, voc\u00ea precisa considerar que tudo v\u00eam de um originar interdependente. O que \u00e9 esse originar interdependente? \u00c9 simplesmente que a \u00e1gua e a lua n\u00e3o existem separadamente. A \u00e1gua l\u00edmpida \u00e9 a causa prim\u00e1ria e a lua \u00e9 a secund\u00e1ria ou causa contribuinte. Quando ambas causas se encontram, ent\u00e3o esse originar interdependente se manifesta. \u00c9 a apar\u00eancia coincidente da causa prim\u00e1ria e da causa contribuinte. <\/p>\n<p>Colocando diretamente, a causa prim\u00e1ria ou base do samsara \u00e9 a dualidade \u2014 a separa\u00e7\u00e3o artificial da Vacuidade e Forma. A partir disso, todas manifesta\u00e7\u00f5es transformam-se em causas contribuintes dentro da rede da vis\u00e3o k\u00e1rmica. Elas se encontram e efetuam a manifesta\u00e7\u00e3o do samsara [tanto quanto estivermos apegados ao exibir da Forma da Vacuidade como uma defini\u00e7\u00e3o de ser]. Tudo que experienciamos como samsara existe apenas dentro desse padr\u00e3o interdependente. Voc\u00ea deve estar bem certo disso! Quando voc\u00ea vai mais a fundo [e examina a natureza do originar interdependente], voc\u00ea descobre que n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o a Vacuidade. Logo, separado da Vacuidade, n\u00e3o h\u00e1 Dharma. A vis\u00e3o \u00faltima [do Mahayana] \u00e9 Vacuidade, mas esse ponto de vista n\u00e3o existe nos ensinamentos menores. <\/p>\n<p>Se voc\u00ea realmente olhar para a sua experi\u00eancia de exist\u00eancia com o olho da medita\u00e7\u00e3o, voc\u00ea come\u00e7a a ver tudo como a brincadeira da Vacuidade. Os fen\u00f4menos [como coordenadas referenciais] exaurem-se e voc\u00ea finalmente chega \u00e0 sua natureza essencial, que \u00e9 a Vacuidade. Mas, tendo dito isto, voc\u00ea pode ser levado a dizer: &#8220;Nesse caso, n\u00e3o precisar\u00edamos de nada&#8221;. Mas precisar ou n\u00e3o de algo \u00e9 da sua conta. Simplesmente depende da sua mente! Apenas falar secamente da Vacuidade n\u00e3o \u00e9 suficiente! Voc\u00ea deve realiz\u00e1-la e ent\u00e3o ver por si mesmo. Se a sua mente \u00e9 realmente vazia de manipula\u00e7\u00e3o referencial, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a, n\u00e3o h\u00e1 medo, n\u00e3o h\u00e1 negatividade \u2014 sua mente est\u00e1 livre disto! \u00c9 como balan\u00e7ar a m\u00e3o no c\u00e9u! Tudo o que surge \u00e9 completamente desobstru\u00eddo. <\/p>\n<p>O prop\u00f3sito da medita\u00e7\u00e3o \u00e9 permanecer nesse estado natural. Nesse estado, todos os fen\u00f4menos s\u00e3o diretamente percebidos em sua Vacuidade essencial. \u00c9 por isso que praticamos medita\u00e7\u00e3o. A medita\u00e7\u00e3o purifica tudo na sua natureza vazia. Primeiro, precisamos perceber que o estado absoluto e natural das coisas \u00e9 vazio. Ent\u00e3o, qualquer coisa que se manifeste \u00e9 a brincadeira do dharmakaya. Da natureza vazia da exist\u00eancia, surgem todas as manifesta\u00e7\u00f5es relativas das quais fabricamos o samsara. Voc\u00ea precisa entender bem claramente como as coisas s\u00e3o na realidade e como elas aparecem em termos de dualidade. \u00c9 muito importante ter essa Vis\u00e3o porque, sem Vis\u00e3o, sua medita\u00e7\u00e3o se torna empoeirada. Apenas sentar e dizer, &#8220;\u00c9 tudo vazio&#8221;, \u00e9 como p\u00f4r um copo de ponta-cabe\u00e7a. Aquele pequeno espa\u00e7o vazio no copo permanece uma Vacuidade muito limitada e estreita. Voc\u00ea n\u00e3o pode nem mesmo beber ch\u00e1 dela! <\/p>\n<p>\u00c9 essencial conhecer verdadeiramente o cora\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o como ela \u00e9. No sentido absoluto, n\u00e3o h\u00e1 seres sencientes que experimentem insatisfa\u00e7\u00e3o. Essa insatisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o vazia quanto o c\u00e9u limpo, mas por causa de nosso apego \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o de Forma da Vacuidade, [o originar interdependente da] esfera relativa das coisas torna-se uma armadilha ilus\u00f3ria, na qual h\u00e1 seres sencientes que experienciam a insatisfa\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o significado do samsara.<\/p>\n<p> Ao expressar a qualidade essencial da Grande M\u00e3e, a Vacuidade, diz-se: &#8220;Embora voc\u00ea pense em expressar a natureza do Sutra do Cora\u00e7\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o consegue coloc\u00e1-la em palavras&#8221;. Est\u00e1 totalmente al\u00e9m da elocu\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do pensamento, al\u00e9m do conceito. Nunca nasceu. Nunca morreu. Se voc\u00ea pergunta como ela se parece, parece-se com o c\u00e9u. Voc\u00ea nunca consegue encontrar o limite do c\u00e9u. Voc\u00ea nunca consegue encontrar o centro do c\u00e9u. Logo, essa natureza parecida com o c\u00e9u \u00e9 simb\u00f3lica da Vacuidade: \u00e9 espa\u00e7osa, ilimitada e livre, com infinita profundidade e infinita extens\u00e3o. <\/p>\n<p>Mas tendo dito isso, voc\u00ea poder\u00e1 dizer: &#8220;Logo, meu pr\u00f3prio Rigpa, a natureza da minha pr\u00f3pria mente, \u00e9 como o c\u00e9u, livre de todas limita\u00e7\u00f5es&#8221;. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 assim! N\u00e3o \u00e9 apenas vazia. Se voc\u00ea olhar l\u00e1, h\u00e1 algo para se ver. &#8220;Ver&#8221; \u00e9 s\u00f3 uma palavra que usamos de modo a nos comunicarmos. Mas voc\u00ea consegue ver isto. Voc\u00ea pode meditar nisto. Voc\u00ea pode descansar nela e o que quer que surja nesta condi\u00e7\u00e3o espa\u00e7osa. Se voc\u00ea olhar a verdadeira natureza da Vacuidade e da Forma como n\u00e3o-dual \u2014 como na verdade \u00e9 \u2014, essa \u00e9 a m\u00e3e de todos os Buddhas. Toda essa conversa foi uma elabora\u00e7\u00e3o sobre a Bodhichitta absoluta. <\/p>\n<p>A seguir, vem a purifica\u00e7\u00e3o de Vajrasattva. Num sentido absoluto, n\u00e3o h\u00e1 nada a purificar, ningu\u00e9m que possa purific\u00e1-lo e nenhuma purifica\u00e7\u00e3o. Mas sendo que os seres s\u00e3o aparentemente desprovidos de capacidade para deixar isso assim, as quest\u00f5es tornam-se um pouco mais complicadas. Os obscurecimentos e confus\u00f5es dualistas surgem como conseq\u00fc\u00eancia do apego \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o de Formas da Vacuidade. Na percep\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria desse apego \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o de Formas da Vacuidade, nos sujeitamos \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o intermin\u00e1vel. <\/p>\n<p>Por causa disso, a purifica\u00e7\u00e3o torna-se um meio h\u00e1bil relativo. De modo a purificar nossas delus\u00f5es, de nosso pr\u00f3prio estado verdadeiro de Rigpa surgem Vajrasattva e sua consorte, e o fluxo de n\u00e9ctar da Mandala secreta de sua uni\u00e3o purifica completamente nossos obscurecimentos. Voc\u00ea entra na visualiza\u00e7\u00e3o e recita o mantra de cem s\u00edlabas; e esse \u00e9 o meio de purifica\u00e7\u00e3o. No estado natural das coisas [no estado do que \u00e9], tudo \u00e9 puro desde o princ\u00edpio \u2014 como o c\u00e9u. Essa \u00e9 a purifica\u00e7\u00e3o absoluta de Vajrasattva. <\/p>\n<p>Agora, vamos \u00e0 oferenda da Mandala [cosmograma]. A Mandala \u00e9 oferecida para a acumula\u00e7\u00e3o de causas auspiciosas. Por que precisamos acumular causas auspiciosas? \u00c9 por causa do apego \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o das Formas da Vacuidade que o samsara ilus\u00f3rio trouxe \u00e0 tona; portanto, precisamos praticar desistindo de tudo. Porque h\u00e1 a ilus\u00e3o de que h\u00e1 um meio de purificar a ilus\u00e3o, podemos utilizar isso como um meio h\u00e1bil relativo. Porque voc\u00ea pode purificar, tamb\u00e9m h\u00e1 um meio de acumular causas auspiciosas. Quando voc\u00ea oferece &#8220;meu corpo, minhas posses e minhas gl\u00f3rias&#8221;, essa \u00e9 a oferenda relativa e simb\u00f3lica da Mandala. Do ponto de vista absoluto, essas coisas s\u00e3o vazias, como o l\u00edmpido c\u00e9u vazio. Logo, se voc\u00ea permanece no estado de despertar primordial, essa \u00e9 a oferenda absoluta da Mandala e a acumula\u00e7\u00e3o absoluta de causas auspiciosas. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o, h\u00e1 a pr\u00e1tica de Guru Yoga. Devido ao apego \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o da Forma da Vacuidade, o Lama aparece como aquele(a) que inspira pureza da mente. Ele ou ela \u00e9 o objeto diante do qual nos sentimos puros. Porque o apego obscurece a mente [e porque voc\u00ea sente pureza de percep\u00e7\u00e3o diante do Lama], tanto voc\u00ea quanto o Lama parecem existir na esfera da dualidade [como se a natureza fundamental de suas Mentes, dentro da esfera do dharmakaya, fossem diferentes]. Assim, externamente, voc\u00ea visualiza o Lama com grande devo\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, voc\u00ea recebe a inicia\u00e7\u00e3o de sua condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o-dual. <\/p>\n<p>Essas s\u00e3o todas as pr\u00e1ticas externas, relativas, de Guru Yoga, nas quais voc\u00ea invocou a presen\u00e7a de sabedoria do simb\u00f3lico Lama aparente. Ent\u00e3o, voc\u00ea recita as palavras-vajra: &#8220;O Lama se dissolve em luz e se une ao meu pr\u00f3prio ser&#8230; Veja! O sabor \u00fanico de Rigpa e da Vacuidade [Rig-Tong] \u00e9 a verdadeira face do Lama!&#8221; <\/p>\n<p>Se voc\u00ea perguntar onde o Lama absoluto est\u00e1, ele ou ela n\u00e3o est\u00e1 em outro legar sen\u00e3o l\u00e1 \u2014 na natureza absoluta da Mente! O estado absoluto de Rigpa \u00e9 onde o Lama \u00e9 plenamente realizado como sabedoria primordial e espa\u00e7o claro. Simplesmente continuar no despertar do como \u00e9, \u00e9 a pr\u00e1tica Dzogchen de Guru Yoga. <\/p>\n<p>Assim \u00e9 como o Ng\u00f6ndro t\u00e2ntrico externo relaciona-se com o Ng\u00f6ndro interno em termos do ensinamento da Ati-yoga. <\/p>\n<p><i>Transcrito por Ngak&#8217;chang Rinpoche de ensinamentos orais dados por Sua Santidade Jigdral Yeshe Dorje Dudjom Rinpoche, Supremo L\u00edder da Escola Nyingma em ex\u00edlio do Tibet; engrandecido pelas respostas \u00e0s quest\u00f5es indagadas por Ngak&#8217;chang Rinpoche em audi\u00eancias particulares, em rela\u00e7\u00e3o ao Dudjom Tersar Ng\u00f6ndro curto.<\/i><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\">Extra\u00eddo do site <a HREF=\"http:\/\/www.dharmanet.com.br\/vajrayana\/ngondro.htm\" TARGET=\"_blank\"><font SIZE=\"2\">Dharmanet<\/font><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p><\/font><\/p>\n<hr \/>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><a HREF=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UMA VIS\u00c3O DO NG\u00d6NDRO T\u00c2NTRICO Transcrito por Ngak&#8217;chang Rinpoche de ensinamentos orais dados por Jigdral Yeshe Dorje Dudjom Rinpoche Qualquer que seja a pr\u00e1tica na qual nos engajamos, as realidades relativa e absoluta s\u00e3o coexistentes. 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