{"id":6154,"date":"2020-06-16T14:30:35","date_gmt":"2020-06-16T16:30:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6154"},"modified":"2020-06-16T14:32:46","modified_gmt":"2020-06-16T16:32:46","slug":"nascimento-da-experiencia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/nascimento-da-experiencia\/","title":{"rendered":"Nascimento da experi\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Geshe-Tenzin-Wangyal-Rinponche.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Geshe-Tenzin-Wangyal-Rinponche.jpg\" alt=\"\" width=\"836\" height=\"836\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6043\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Geshe-Tenzin-Wangyal-Rinponche.jpg 836w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Geshe-Tenzin-Wangyal-Rinponche-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Geshe-Tenzin-Wangyal-Rinponche-300x300.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Geshe-Tenzin-Wangyal-Rinponche-768x768.jpg 768w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Geshe-Tenzin-Wangyal-Rinponche-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 836px) 100vw, 836px\" \/><\/a><\/p>\n<p><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><a name=\"inicio\"><\/p>\n<div style=\"text-align:center\"><font size=\"4\"><b>NASCIMENTO DA EXPERI&Ecirc;NCIA<br \/><font size=\"3\">&nbsp;<\/font><\/b><\/font><\/div>\n<p><\/a>  <\/p>\n<div style=\"text-align:right\">Tenzin Wangyal Rinpoche<font size=\"1\"><br \/>Do livro &quot;Yogas Tib&eacute;tains du Rev&ecirc; et du Sommeil&quot;<br \/>Traduzido do ingl&ecirc;s por Tancr&egrave;de Montmartel<br \/>Traduzido ao portugu&ecirc;s por Karma Tenpa Dargye<\/font><\/div>\n<p align=\"CENTER\">IGNOR&Acirc;NCIA<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A totalidade de  nossa experi&ecirc;ncia, incluindo os sonhos, nasce da ignor&acirc;ncia. &Eacute; uma afirma&ccedil;&atilde;o bem surpreendente no Ocidente, assim vemos de in&iacute;cio o que entendemos por ignor&acirc;ncia (<i>avydia\/ma-rigpa<\/i>). A tradi&ccedil;&atilde;o tibetana distingue duas variedades, a ignor&acirc;ncia inata e a ignor&acirc;ncia cultural.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A ignor&acirc;ncia inata &eacute; a base do <i>samsara<\/i>. Ela caracteriza por defini&ccedil;&atilde;o os seres comuns. &Eacute; a ignor&acirc;ncia de nossa verdadeira natureza e da verdadeira natureza do mundo. Sob seu efeito, nos enredamos nas ilus&otilde;es da mente dualista.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A dualidade reafirma as polaridades e as dicotomias. Ela divide a unidade sem falha da experi&ecirc;ncia em isto e aquilo, certo e errado, eu e voc&ecirc;. Desenvolvemos a partir dessas divis&otilde;es conceituais prefer&ecirc;ncias que se traduzem por desejo e repulsa, as respostas habituais que constituem o essencial do que identificamos como &quot;eu&quot;. Queremos isto, n&atilde;o aquilo; cremos nisto, n&atilde;o naquilo; respeitamos isto e desprezamos aquilo. Queremos o prazer, o conforto a riqueza, a fama e tentamos evitar a dor, a pobreza, a vergonha o desconforto. Queremos essas coisas para n&oacute;s e para aqueles que amamos, sem nos preocupar com os outros. Queremos outra coisa diferente do que temos, ou ainda nos agarramos ao que temos e queremos evitar as mudan&ccedil;as inevit&aacute;veis que conduzir&atilde;o a perda.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A segunda variedade da ignor&acirc;ncia &eacute; condicionada pela cultura. Ela vem, em uma dada cultura, dos desejos e avers&otilde;es que s&atilde;o institu&iacute;das no sistema de valores e s&atilde;o codificadas. Na &Iacute;ndia, por exemplo, os hindus pensam que &eacute; incorreto comer carne de vaca mas que podemos comer carne de porco. Os mu&ccedil;ulmanos cr&ecirc;em que eles podem comer carne de vaca mas lhes &eacute; interdito de comer porco. Os tibetanos comem as duas carnes. Quem tem raz&atilde;o? Os indianos pensam que s&atilde;o os indianos, os mu&ccedil;ulmanos pensam que s&atilde;o os mu&ccedil;ulmanos e os tibetanos pensam que s&atilde;o os tibetanos. As diferentes cren&ccedil;as t&ecirc;m sua origem nos preconceitos e nas cren&ccedil;as pr&oacute;prias &agrave; cultura, n&atilde;o na sabedoria fundamental.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Encontramos um outro exemplo nas disputas filos&oacute;ficas. Muitas doutrinas filos&oacute;ficas s&atilde;o definidas uma com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; outra, por desacordo sobre um ponto espec&iacute;fico. Ainda que essas doutrinas sejam concebidas para conduzir os seres &agrave; sabedoria, elas produzem a ignor&acirc;ncia na medida em que seus partid&aacute;rios aderem a uma vis&atilde;o dual da realidade. &Eacute; inevit&aacute;vel para todo sistema conceitual, qualquer que seja, porque a mente conceitual &eacute; em si mesma uma manifesta&ccedil;&atilde;o da ignor&acirc;ncia.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A ignor&acirc;ncia cultural &eacute; promovida e mantida pelas tradi&ccedil;&otilde;es. Ela infiltra toda cultura, opini&atilde;o, conjunto de valores, conjunto  de conhecimentos. Para os indiv&iacute;duos como para as culturas essas prefer&ecirc;ncias s&atilde;o fundamentais ao ponto de serem consideradas como de bom senso ou lei divina. Crescemos e nos apegamos &agrave; cren&ccedil;as variadas, &agrave; um partido pol&iacute;tico, &agrave; um sistema m&eacute;dico, &agrave; uma religi&atilde;o, &agrave; uma opini&atilde;o sobre como deveriam ser as coisas. Recebemos um ensinamento prim&aacute;rio, um ensinamento secund&aacute;rio, at&eacute; mesmo um ensinamento superior e, de uma certa maneira, cada diploma permite-nos expandir uma ignor&acirc;ncia mais refinada. A instru&ccedil;&atilde;o fortalece o h&aacute;bito de ver o mundo atrav&eacute;s de uma certa lente. Podemos nos tornar at&eacute; <i>experts<\/i> em vis&otilde;es err&ocirc;neas, adquirir um conhecimento muito preciso e comunicar-se com outros <i>experts<\/i>. Pode ser o caso da filosofia, que estuda em detalhe os sistemas intelectuais e faz da mente um instrumento de busca muito refinada. Mas, enquanto a ignor&acirc;ncia inata n&atilde;o &eacute; compreendida, estamos simplesmente trabalhando para aumentar uma nova tend&ecirc;ncia, n&atilde;o a sabedoria fundamental.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nos apegamos at&eacute; &agrave;s menores coisas: uma marca de sab&atilde;o, um estilo de corte de cabelo. Em grande escala, inventamos religi&otilde;es, sistemas pol&iacute;ticos, filosofias, psicologias e ci&ecirc;ncias. Mas ningu&eacute;m nasce com a cren&ccedil;a que &eacute; ruim comer carne de vaca ou de porco, ou que tal sistema filos&oacute;fico &eacute; exato enquanto o outro &eacute; err&ocirc;neo, ou ainda que esta religi&atilde;o &eacute; certa e aquela &eacute; falsa. Tudo isso deve ser aprendido. A ades&atilde;o a certos valores resulta de nossa ignor&acirc;ncia cultural, enquanto que a tend&ecirc;ncia em aceitar opini&otilde;es limitadas vem da dualidade, que manifesta nossa ignor&acirc;ncia inata.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">N&atilde;o &eacute; ruim. &Eacute; simplesmente assim. Nosso apegos podem conduzir-nos &agrave; guerra, mas eles se manifestam tamb&eacute;m sob forma de tecnologias &uacute;teis e artes variadas, que s&atilde;o de um grande benef&iacute;cio para o mundo. Enquanto estamos n&atilde;o-despertos, estamos na dualidade, e est&aacute; muito bem. Um ditado tibetano diz: <i>&quot;Quando tens o corpo de um asno, regozija-te com o sabor da erva&quot;.<\/i> Dito de outra maneira, devemos gozar  esta vida e apreci&aacute;-la, porque ela &eacute; plena de sentidos e preciosa por si-mesma, e porque &eacute; a vida que vivemos.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Se n&atilde;o tomamos cuidado, os ensinamentos podem servir para manter nossa ignor&acirc;ncia. Podemos dizer que &eacute; ruim para algu&eacute;m obter um grau superior, ou err&ocirc;neo observar restri&ccedil;&otilde;es diet&eacute;ticas, mas a quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; esta completamente. Ou ainda podemos dizer que a ignor&acirc;ncia &eacute; m&aacute;, ou que a vida normal n&atilde;o &eacute; mais que uma estupidez <i>sams&aacute;rica<\/i>. Mas a ignor&acirc;ncia &eacute; simplesmente um obscurecimento da consci&ecirc;ncia. A&iacute; estar apegado, ou repudi&aacute;-la, &eacute; sempre ainda o velho jogo da dualidade, jogado desta vez no dom&iacute;nio da ignor&acirc;ncia. Podemos ver at&eacute; que ponto ela &eacute; invasora. Mesmo os ensinamentos devem transigir com a dualidade \u2013 encorajando o apego &agrave; virtude, por exemplo, e a avers&atilde;o pelo n&atilde;o-virtuoso \u2013 fazendo paradoxalmente apelo &agrave; dualidade da ignor&acirc;ncia para triunfar sobre a ignor&acirc;ncia. Que nossa compreens&atilde;o torne-se mais sutil, sen&atilde;o podemos perder-nos facilmente! Eis porque &eacute; necess&aacute;rio praticar, para ter uma experi&ecirc;ncia direta em lugar de apenas estabelecer um outro sistema conceitual para aperfei&ccedil;oar e para defender. Vistas do alto, as coisas tem a tend&ecirc;ncia &agrave; se aplainar. Do ponto de vista da sabedoria n&atilde;o-dual, &quot;importante&quot; e &quot;irris&oacute;rio&quot; n&atilde;o existem.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p><b><\/p>\n<p align=\"CENTER\">ATOS E RESULTADOS: <i>CARMA<\/i> E MARCAS <i>C&Aacute;RMICAS<\/i><\/p>\n<p><\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"> A cultura na qual vivemos nos condiciona, mas somos n&oacute;s que carregamos as sementes do condicionamento conosco, seja onde formos. Tudo o que nos perturba est&aacute; na realidade em nossa mente. Acusamos as circunst&acirc;ncias de nosso mal-estar, ou nossa situa&ccedil;&atilde;o, e acreditamos que seriamos felizes se pud&eacute;ssemos mudar o estado das coisas. Mas a situa&ccedil;&atilde;o na qual nos encontramos &eacute; a causa secund&aacute;ria de nosso sofrimento. A causa prim&aacute;ria &eacute; a ignor&acirc;ncia inata e o desejo que da&iacute; resulta de vermos as coisas serem diferentes do que elas s&atilde;o. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Podemos decidir de escapar &agrave;s tens&otilde;es urbanas migrando para o oceano ou a montanha. Ou ainda, podemos acabar com o isolamento e as dificuldades do campo pela excita&ccedil;&atilde;o da cidade. A mudan&ccedil;a ser&aacute; talvez agrad&aacute;vel porque as causas secund&aacute;rias s&atilde;o modificadas e poderemos experimentar contentamento. Mas somente por pouco tempo. A raiz de nosso mal-estar muda-se conosco para nosso novo lar, onde dar&aacute; nascimento a novas insatisfa&ccedil;&otilde;es. Seremos bem r&aacute;pido novamente presos em um turbilh&atilde;o de esperan&ccedil;a e temor.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ou ent&atilde;o, podemos pensar que com um pouco mais de dinheiro, um melhor companheiro ou uma melhor companheira, ou com um corpo, uma educa&ccedil;&atilde;o, um trabalho melhores, seriamos felizes. Mas sabemos que isto &eacute; falso. Os ricos n&atilde;o est&atilde;o livres do sofrimento, um novo companheiro nos descontentar&aacute; de uma maneira ou de outra, o corpo envelhecer&aacute;, o novo trabalho se tornar&aacute; menos interessante, e assim por diante. Quando pensamos que a solu&ccedil;&atilde;o para nossa infelicidade se encontra no mundo exterior, nossos desejos podem ser apenas temporariamente satisfeitos. N&atilde;o compreendendo isso, somos empurrados para c&aacute; e para l&aacute; pelos ventos do desejo, sempre agitados e insatisfeitos. Somos dirigidos por nosso <i>carma <\/i>e n&atilde;o cessamos de plantar os gr&atilde;os de uma futura colheita <i>c&aacute;rmica<\/i>. N&atilde;o somente esta maneira de agir nos distrai do caminho espiritual, mas impede-nos al&eacute;m disso de encontrar a satisfa&ccedil;&atilde;o e a felicidade na nossa vida cotidiana.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Enquanto estamos identificados com o desejo e a avers&atilde;o da mente em movimento, produzimos emo&ccedil;&otilde;es negativas: elas nascem no espa&ccedil;o que separa o que existe daquilo que queremos. Os atos criados por essas emo&ccedil;&otilde;es \u2013 s&atilde;o praticamente todos os atos de nossa vida comum \u2013 deixam marcas <i>c&aacute;rmicas<\/i>.<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Carma<\/p>\n<p><\/i> significa a&ccedil;&atilde;o.  As marcas <i>c&aacute;rmicas<\/i> resultam das a&ccedil;&otilde;es, permanecem na consci&ecirc;ncia mental  e influenciam nosso futuro. Podemos compreender em parte o que elas s&atilde;o aproximando-as daquilo que chamam no ocidente  de tend&ecirc;ncias inconscientes. S&atilde;o inclina&ccedil;&otilde;es, esquemas de comportamento interior e exterior, de rea&ccedil;&otilde;es inveteradas, das maneiras de pensar habituais. Essas tend&ecirc;ncias regem nossas rea&ccedil;&otilde;es emotivas aos acontecimentos e nossa compreens&atilde;o intelectual, do mesmo modo que as emo&ccedil;&otilde;es habituais que nos caracterizam, e nossa rigidez mental. Elas criam, e condicionam, cada uma das respostas que damos normalmente a cada um dos elementos de nossa experi&ecirc;ncia.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Eis um exemplo de marcas <i>c&aacute;rmicas<\/i> grosseiras (mas a mesma din&acirc;mica est&aacute; trabalhando em n&iacute;veis os mais sutis e os mais profundos de nossa experi&ecirc;ncia). Um rapaz cresce em uma fam&iacute;lia onde discutem muito. Trinta ou quarenta anos talvez ap&oacute;s ter deixado a casa, caminhando pela rua, o homem que ele se tornou ouve pessoas que discutem no im&oacute;vel ao lado do qual ele passa. Na noite seguinte, ele sonha que discute com sua mulher ou sua companheira. Ao despertar, ele sente-se desgostoso e reservado. Sua companheira nota seu humor e reage, o que o irrita ainda mais. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Essa sucess&atilde;o de acontecimentos revela-nos alguma coisa das marcas <i>c&aacute;rmicas<\/i>. O homem, em sua juventude, reagia &agrave;s alterca&ccedil;&otilde;es familiares com medo, raiva e dor. Ele tinha horror desses conflitos \u2013 uma rea&ccedil;&atilde;o normal \u2013 e esta avers&atilde;o deixou uma marca na sua mente. D&eacute;cadas mais tarde, passando ao lado de uma casa, ouve uma briga; &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria que estimula a velha marca <i>c&aacute;rmica<\/i>, a qual manifesta-se por um sonho.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nesse sonho, o homem reage pelo &oacute;dio e a dor &agrave; provoca&ccedil;&atilde;o de sua companheira. Esta resposta &eacute; comandada pelas marcas <i>c&aacute;rmicas<\/i> acumuladas na consci&ecirc;ncia mental da crian&ccedil;a e provavelmente muitas vezes refor&ccedil;ada depois. Quando sonha que &eacute; provocado pela sua companheira (que n&atilde;o &eacute; mais que uma proje&ccedil;&atilde;o de sua mente), ele reage com avers&atilde;o, exatamente como quando era crian&ccedil;a. Esta rea&ccedil;&atilde;o on&iacute;rica &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o nova, criadora de um gr&atilde;o <i>c&aacute;rmico<\/i> novo. Ao acordar, ele est&aacute; mergulhado em emo&ccedil;&otilde;es negativas que s&atilde;o o fruto de <i>carmas<\/i> anteriores; ele se sente ferido e afastado de sua mulher. Para complicar ainda mais as coisas, esta reage segundo suas pr&oacute;prias tend&ecirc;ncias <i>c&aacute;rmicas<\/i> habituais, talvez enfurecendo-se, ao se sentir ferida, se desculpando, ou humilhando-se, o que encadeia uma nova rea&ccedil;&atilde;o negativa do homem, semeando um outro gr&atilde;o <i>c&aacute;rmico<\/i>.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Toda rea&ccedil;&atilde;o &agrave; qualquer acontecimento \u2013 exterior ou interior, estejamos acordados ou sonhando \u2013 que tenha por raiz o desejo ou a avers&atilde;o deixa uma marca na mente. A medida que o <i>carma<\/i> dita as rea&ccedil;&otilde;es, estas semeiam novos gr&atilde;os <i>c&aacute;rmicos<\/i>, que ditar&atilde;o futuras rea&ccedil;&otilde;es, e assim em seguida. Eis como o <i>carma<\/i> conduz a mais <i>carma<\/i>. &Eacute; a roda do <i>samsara<\/i>, o ciclo sem fim da a&ccedil;&atilde;o e rea&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ainda que este exemplo refira-se ao <i>carma <\/i>unicamente ao n&iacute;vel psicol&oacute;gico, cada dimens&atilde;o da exist&ecirc;ncia &eacute; de fato determinada por ele. Ele d&aacute; forma aos fen&ocirc;menos emotivos e mentais da vida de um indiv&iacute;duo, a percep&ccedil;&atilde;o e a interpreta&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia,  o funcionamento do corpo, e a causalidade din&acirc;mica do mundo exterior. Cada aspecto da exist&ecirc;ncia, quer seja pequeno ou grande, &eacute; governado pelo <i>carma<\/i>.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">As marcas deixadas pelo <i>carma<\/i> na mente s&atilde;o como sementes. Como elas, as marcas <i>c&aacute;rmicas<\/i> requerem certas condi&ccedil;&otilde;es para se manifestar. A semente necessita da combina&ccedil;&atilde;o adequada de luz, umidade, de nutrientes e da temperatura para germinar e crescer; do mesmo modo, a marca <i>c&aacute;rmica<\/i> se manifesta quando encontra a situa&ccedil;&atilde;o adequada. Os elementos da situa&ccedil;&atilde;o que favorecem a manifesta&ccedil;&atilde;o do <i>carma<\/i> s&atilde;o conhecidos com o nome de causas e condi&ccedil;&otilde;es secund&aacute;rias.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&Eacute; &uacute;til compreender que o <i>carma<\/i> &eacute; a lei da causalidade, porque isso leva a reconhecer que as escolhas feitas em resposta a n&atilde;o importa qual  situa&ccedil;&atilde;o, exterior ou interior, tem suas conseq&uuml;&ecirc;ncias. Quando compreendemos verdadeiramente que cada marca <i>c&aacute;rmica<\/i> leva em germe uma a&ccedil;&atilde;o futura regida pelo <i>carma<\/i>, podemos utilizar esse saber para evitar de criar negatividades em nossa vida e para criar ao contr&aacute;rio, as condi&ccedil;&otilde;es que nos orientar&atilde;o positivamente. Ou seja, se sabemos como fazer, podemos deixar as emo&ccedil;&otilde;es se auto-liberarem no momento em que elas surgem; nenhum novo <i>carma<\/i> &eacute; mais criado.<\/p>\n<p><\/font><\/div>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NASCIMENTO DA EXPERI&Ecirc;NCIA&nbsp; Tenzin Wangyal RinpocheDo livro &quot;Yogas Tib&eacute;tains du Rev&ecirc; et du Sommeil&quot;Traduzido do ingl&ecirc;s por Tancr&egrave;de MontmartelTraduzido ao portugu&ecirc;s por Karma Tenpa Dargye IGNOR&Acirc;NCIA A totalidade de nossa experi&ecirc;ncia, incluindo os sonhos, nasce da ignor&acirc;ncia. &Eacute; uma afirma&ccedil;&atilde;o &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/nascimento-da-experiencia\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6043,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,93],"tags":[62],"class_list":["post-6154","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-tibetano","tag-philip-kapleau"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6154"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6154\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6157,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6154\/revisions\/6157"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6043"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}