{"id":6195,"date":"2020-06-16T16:49:20","date_gmt":"2020-06-16T18:49:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6195"},"modified":"2020-06-16T16:51:18","modified_gmt":"2020-06-16T18:51:18","slug":"mahamudra-dzogchen","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/mahamudra-dzogchen\/","title":{"rendered":"Mahamudra-Dzogchen"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Lama_Denys_Rimpoch\u00e9.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Lama_Denys_Rimpoch\u00e9.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"280\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6097\" \/><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><a name=\"inicio\"><\/p>\n<div style=\"text-align:center\"><font size=\"4\"><b>MAHAMUDRA-DZOGCHEN<br \/><font size=\"3\">&nbsp;<\/font><\/b><\/font><\/div>\n<p><\/a> <\/p>\n<div style=\"text-align:right\">Lama Denis<font size=\"1\"><br \/>Extrato de&nbsp;Le rugissement du Lion&quot;<br \/> Do livro: &#8220;DHARMA \u2013 La Voie du Bouddha \u2013 Mahamudra-Dzogchen&#8221;<br \/>Tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas: Karma Tempa Dhargy<\/font><\/div>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"CENTER\">Os textos do Lama Denys s&atilde;o extratos de um semin&aacute;rio sobre Mahamudra dado em 1992 (hormis le dernier). Eles foram re-elaborados e enriquecidos por ensinamentos dados em outras circunst&acirc;ncias. Alguns deles n&atilde;o foram objeto de publica&ccedil;&atilde;o anterior.<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"CENTER\">PARTE I<\/p>\n<p align=\"CENTER\">A Unidade de Mahamudra-Dzogchen<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"CENTER\">Uma experi&ecirc;ncia, diferentes aproxima&ccedil;&otilde;es<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A experi&ecirc;ncia do <i>mahamudra<\/i> &eacute; a experi&ecirc;ncia do despertar, experi&ecirc;ncia primordial que n&atilde;o depende nem das formula&ccedil;&otilde;es que exprimem nem das vias que a&iacute; conduzem. Esta experi&ecirc;ncia constitui finalmente o fundo comum de todas as tradi&ccedil;&otilde;es aut&ecirc;nticas.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Entretanto, &quot;ser disc&iacute;pulo&quot; do <i>mahamudra<\/i> demanda um reatamento espiritual preciso que pode finalmente viver-se no seio de cada uma das grandes perspectivas do <i>Buddha-Dharma<\/i>.<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A Pr&aacute;tica do <i>Mahamudra<\/i> <\/p>\n<p><\/b>&eacute; o cora&ccedil;&atilde;o e ao mesmo tempo o resultado das diferentes pr&aacute;ticas do <i>Dharma<\/i>. &Eacute; um ensinamento essencial, sagrado que conv&eacute;m abordar com aprecia&ccedil;&atilde;o e o respeito adequado.<i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mahamudra<\/p>\n<p><\/i> &eacute; a natureza da mente e ao mesmo tempo a natureza da realidade, o aspecto essencial de todas as nossas experi&ecirc;ncias e de tudo o que somos. <i>Mahamudra<\/i> &eacute; tamb&eacute;m a seiva, o cora&ccedil;&atilde;o de todos os ensinamentos; suas diferentes express&otilde;es s&atilde;o tamb&eacute;m aproxima&ccedil;&otilde;es que finalmente convergem para esta experi&ecirc;ncia.<i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mahamudra<\/p>\n<p><\/i> se diz em tibetano &quot;<i>tchagya tchenpo<\/i>&quot;. <i>Tchenpo<\/i> significa &quot;grande&quot; e &quot;<i>tchagya<\/i>&quot; tem o sentido de &quot;signo&quot;, de &quot;s&iacute;mbolo&quot;, de &quot;selo&quot; e algumas vezes mesmo de &quot;companheiro&quot;.<\/p>\n<ul>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>O &quot;selo&quot; &eacute; o da natureza <i>budha<\/i> que marca todo fen&ocirc;meno. A experi&ecirc;ncia da vacuidade, que lhe &eacute; indissoci&aacute;vel, marca nesta experi&ecirc;ncia toda nossa vida, todo o vivido.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>O &quot;s&iacute;mbolo&quot; n&atilde;o representa alguma coisa diferente, mas se apresenta a si-mesmo, antes de inspirar as representa&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas que o apontam em nossa experi&ecirc;ncia habitual. <i>Mahamudra<\/i> &eacute; o lugar essencial de todos os simbolismos e suas numerosas express&otilde;es procedem desta experi&ecirc;ncia, o exprimem e nos dirigem para ele.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>Quanto ao &quot;gesto&quot;, ele &eacute; o estado &uacute;ltimo da mente, a experi&ecirc;ncia imediata da vacuidade. <i>Tchenpo<\/i>, &quot;grande&quot;, exprime aqui o fato de nunca deixar esta experi&ecirc;ncia. <i>Mahamudra<\/i> &eacute; a experi&ecirc;ncia imediata na qual n&atilde;o abandonamos nunca a sabedoria primordial da vacuidade. &Eacute; o conhecimento direto da vacuidade anterior ao ego e suas experi&ecirc;ncias dualistas.<\/li>\n<\/ul>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mahamudra<\/p>\n<p><\/i> &quot;grande s&iacute;mbolo&quot;, &quot;grande selo&quot;, &eacute; um nome para a experi&ecirc;ncia da n&atilde;o-dualidade, experi&ecirc;ncia sem as percep&ccedil;&otilde;es dualistas do eu e do outro, do sujeito e objeto. &Eacute; o sentido do &quot;<i>Vajra-yoga<\/i>&quot;, o <i>yoga<\/i> adamantino, a uni&atilde;o Adamantina, o estado de uni&atilde;o indestrut&iacute;vel que &eacute; perfeito na aus&ecirc;ncia de dois.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esta experi&ecirc;ncia &uacute;ltima, absoluta, pode ter diferentes nomes: grande <i>madhyamaka<\/i> \u2013 &quot;caminho do meio&quot;; <i>mahamudra<\/i> \u2013 &quot;grande selo&quot;; <i>maha-ati<\/i> \u2013 &quot;grande perfei&ccedil;&atilde;o&quot; existem nuances em suas aproxima&ccedil;&otilde;es, mas fundamentalmente, trata-se somente de uma mesma experi&ecirc;ncia, a experi&ecirc;ncia n&atilde;o-dual, a experi&ecirc;ncia na qual n&atilde;o somos dois&#8230; E n&atilde;o pode haver duas experi&ecirc;ncias de aus&ecirc;ncia da dualidade!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A transmiss&atilde;o de um tal ensinamento, quer dizer da experi&ecirc;ncia profunda correspondente, necessita uma filia&ccedil;&atilde;o espiritual, uma linhagem: ela s&oacute; pode ser veiculada numa rela&ccedil;&atilde;o direta, pessoal, de mestre a disc&iacute;pulo. Quanto menos esclarecimentos, mais estamos expostos aos riscos de erros e desvios.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A pr&aacute;tica do <i>mahamudra<\/i>, que &eacute; a mais despojada de todas necessita, pois muito particularmente uma transmiss&atilde;o pessoal, precisa e &iacute;ntima.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esta no&ccedil;&atilde;o de transmiss&atilde;o direta esta presente no nome mesmo de nossa tradi&ccedil;&atilde;o: &quot;<i>kagyu<\/i>&quot; significa, com efeito &quot;a linhagem da palavra&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Quando encontramos um <i>lama<\/i> qualificado, detentor do ensinamento do <i>mahamudra<\/i> \u2013 de sua realiza&ccedil;&atilde;o e das qualidades necess&aacute;rias para sua transmiss&atilde;o \u2013 e um disc&iacute;pulo dotado de inspira&ccedil;&atilde;o, de confian&ccedil;a e de uma intelig&ecirc;ncia profundas, a conex&atilde;o verdadeira pode acontecer. Comparamos ent&atilde;o a qualifica&ccedil;&atilde;o do <i>lama<\/i> a um gancho e as qualidades de confian&ccedil;a, receptividade e intelig&ecirc;ncia do disc&iacute;pulo a um anel. Quando h&aacute; um anel e um gancho, pode haver uma conex&atilde;o poderosa, s&oacute;lida, forte.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mais particularmente, a pr&aacute;tica do <i>mahamudra<\/i> foi transmitida segundo diferentes aproxima&ccedil;&otilde;es conhecidas &quot;o <i>mahamudra<\/i> dos <i>sutras<\/i>&quot;, &quot;o <i> mahamudra <\/i>essencial&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O <i>mahamudra<\/i> dos <i>sutras<\/i> ap&oacute;ia-se nos textos e na vis&atilde;o do <i>mahayana<\/i> cl&aacute;ssico, tal como exposto no &quot;<i>Ratnagotravibangha<\/i>&quot; e prop&otilde;e um caminho em uma perspectiva <i>mahamudra<\/i> que permite atravessar as diferentes etapas espirituais.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O <i>mahamudra<\/i> dito dos <i>tantras<\/i> e o <i>mahamudra<\/i> essencial correspondem &agrave;s duas grandes aproxima&ccedil;&otilde;es do <i>vajrayana<\/i>: a &quot;via dos m&eacute;todos&quot; e a &quot;via da compreens&atilde;o imediata&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A via dos m&eacute;todos, como seu nome indica, apela para diferentes m&eacute;todos, diferentes pr&aacute;ticas. &Eacute; a&iacute; que situam-se as pr&aacute;ticas do <i>mahamudra<\/i> baseadas no simbolismo, o <i>Yoga<\/i> da Deidade bem como os <i>Yogas<\/i> espirituais fundadas na inseparabilidade da respira&ccedil;&atilde;o e da mente. Essas pr&aacute;ticas conduzem pouco &agrave; pouco, e principalmente pelos <i>yogas<\/i> espirituais, a experi&ecirc;ncia da &quot;felicidade vazia&quot; \u2013 &quot;<i>detong<\/i>&quot; \u2013 tamb&eacute;m chamada &quot;<i>mahasuka<\/i>&quot;, &quot;grande felicidade&quot;, que &eacute; tamb&eacute;m <i>mahamudra.<\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O <i>mahamudra<\/i> essencial &eacute; a aproxima&ccedil;&atilde;o do conhecimento imediato. Repousa na confian&ccedil;a profunda e na introdu&ccedil;&atilde;o direta &agrave; experi&ecirc;ncia primordial, a sabedoria imediata.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Na nossa tradi&ccedil;&atilde;o, consiste em abandonar os quatro obst&aacute;culos depois a cultivar, deixar a mente comum, ser sem artif&iacute;cios, sem medita&ccedil;&atilde;o e sem distra&ccedil;&atilde;o a experi&ecirc;ncia imediata, &quot;<i>Thamel Gui Chepa<\/i>&quot;. As imagens podem ilustrar essas duas aproxima&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A mente pura \u2013 <i>mahamudra<\/i> \u2013 pode ser vista como o espa&ccedil;o, aberto e luminoso. Em nosso estado habitual, esta luminosidade vazia que &eacute;, portanto nossa natureza profunda, nossa natureza essencial, &eacute; mascarada, velada. O simples fato de n&atilde;o termos realizado esta luminosidade constitui o que chamamos o primeiro v&eacute;u chamado ignor&acirc;ncia (<i>avidya<\/i>); assim desenvolvem-se nessa base as percep&ccedil;&otilde;es dualistas das quais nascem todas as esp&eacute;cies de rela&ccedil;&otilde;es \u2013 atra&ccedil;&otilde;es, avers&otilde;es, indiferen&ccedil;as \u2013 que motivam diferentes atos condicionados. Assim constituem-se os quatro v&eacute;us: a ignor&acirc;ncia, as tend&ecirc;ncias fundamentais (a dualidade), as paix&otilde;es e o <i>carma<\/i>. Esses v&eacute;us, em nossa imagem, s&atilde;o como nuvens que velam, obstruem a abertura e a luminosidade do espa&ccedil;o. H&aacute; um confinamento em um espa&ccedil;o restrito e obscuro, velado, que na imagem &eacute; nossa mente comum. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O caminho gradual consiste no que &eacute; chamado &quot;o duplo desenvolvimento&quot; \u2013 de m&eacute;ritos e sabedoria imediata. Esses desenvolvimentos s&atilde;o como um vento que, por sua for&ccedil;a, expulsa as nuvens, as dissipa pouco &agrave; pouco. Existe no in&iacute;cio uma paisagem de nuvens opacas tendo acima uma bruma espessa, acima <i>strato cumulus<\/i>&#8230; Depois, pouco &agrave; pouco esse vento varre a bruma, expulsa a espessa nuvem de baixa altitude, depois as nuvens altas, revelando finalmente o espa&ccedil;o com sua claridade, sua lucidez vazia. &Eacute; uma imagem do caminho progressivo.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Uma outra imagem, utilizada por Tilopa no <i>O<\/i> <i>mahamudra do Gange<\/i>, ilustra a via imediata: &quot;Uma tocha acesa dissipa instantaneamente <i>eons<\/i> de escurid&atilde;o&quot;. Nosso estado atual de obscuridade: estamos numa pe&ccedil;a escura na qual n&atilde;o vemos nada, n&atilde;o discernimos nada, somos ignorantes. Seguindo a imagem, seja qual for o tempo durante o qual permanecemos na escurid&atilde;o, acesa a tocha revela-nos instantaneamente a realidade. &Eacute; a imagem da via imediata.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Na aproxima&ccedil;&atilde;o do <i>Dharma<\/i> tal como praticamos e tal como transmitiu Kyabdje Kalu <i>Rinpoche<\/i>, as duas aproxima&ccedil;&otilde;es est&atilde;o presentes simultaneamente. Mais exatamente, existe a aproxima&ccedil;&atilde;o imediata na aproxima&ccedil;&atilde;o gradual. Porque? Por que essas duas aproxima&ccedil;&otilde;es tomadas separadamente apresentam grandes problemas. A aproxima&ccedil;&atilde;o imediata &eacute; muito importante: ela permite &agrave;s pessoas de faculdades superiores aproximarem-se muito rapidamente da ess&ecirc;ncia dos ensinamentos e, para os outros, elas podem tamb&eacute;m ser uma fonte de inspira&ccedil;&atilde;o, mas somente pratica-la comporta o perigo de conduzir a muitas esp&eacute;cies de confus&otilde;es e erros. Se n&atilde;o formos dotados de uma receptividade superior, que &eacute; muito rara, &eacute; importante e necess&aacute;rio praticar seguindo uma certa progress&atilde;o que permita aproximar-nos do que se trata verdadeiramente, sem desvios nem erros.<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"CENTER\">PARTE II<\/p>\n<p align=\"CENTER\">A Via da Medita&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p align=\"CENTER\">Vis&atilde;o, Medita&ccedil;&atilde;o, e A&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><dir><i><\/p>\n<p align=\"CENTER\">A retirada do que sobrepomos ao fundamento d&aacute; a certeza da via justa,<\/p>\n<p align=\"CENTER\">N&atilde;o distrair-se de sua experi&ecirc;ncia e preserva-la &eacute; o essencial da medita&ccedil;&atilde;o,<\/p>\n<p align=\"CENTER\">Sempre exercitar-se em praticar o sentido &eacute;<\/p>\n<p align=\"CENTER\">a a&ccedil;&atilde;o suprema;<\/p>\n<p align=\"CENTER\">Possa eu adquirir a certeza da via,<\/p>\n<p align=\"CENTER\">da medita&ccedil;&atilde;o e da a&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/i><\/dir><\/b><i><\/p>\n<p align=\"CENTER\">As aspira&ccedil;&otilde;es do Mahamudra, Randjung Dorje.<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p align=\"JUSTIFY\">De uma certa maneira, a pr&aacute;tica do <i>mahamudra<\/i> &eacute; alguma coisa de muito, muito f&aacute;cil porque tudo do que se trata &eacute; a natureza de nossa mente, nossa natureza mais &iacute;ntima que sempre esteve conosco, que nunca nos deixou, que &eacute; mais &iacute;ntima que somos a n&oacute;s mesmos. Mas nossos h&aacute;bitos mentais s&atilde;o muito complicados, muito complexos e constituem uma rede, um emaranhamento de fixa&ccedil;&otilde;es e de v&eacute;us.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A via justa, o modo justo de compreender &eacute; de dar-se conta que o caminho consiste em retirar, em dissolver, em purificar um certo numero de ilus&otilde;es, de proje&ccedil;&otilde;es que sobrepomos &agrave; realidade inata, &agrave; mente pura. A mente pura, luminosidade-vazia, clara luz, onipresente, imanente, &eacute; mascarada, velada pelo processo do agarrar dualista nos projetamos&#8230; A mente habitual constitui sua exist&ecirc;ncia pelo tipo de rela&ccedil;&atilde;o que mant&eacute;m com suas proje&ccedil;&otilde;es; a vis&atilde;o correta &eacute; simplesmente compreender que tudo o que temos a fazer &eacute; parar esse mecanismo projetivo constitutivo da dualidade, de parar de sobrepor-se &agrave; mente pura.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A retirada com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s proje&ccedil;&otilde;es dualistas &eacute; o que se opera no repouso do mental discursivo que &eacute; a pr&aacute;tica do <i>mahamudra<\/i>. A medita&ccedil;&atilde;o essencial &eacute; de n&atilde;o estarmos distra&iacute;dos desta experi&ecirc;ncia que &eacute; retirar as proje&ccedil;&otilde;es dualistas; dito de outro modo: &eacute; permanecer na experi&ecirc;ncia moment&acirc;nea que &eacute; aus&ecirc;ncia do funcionamento projetivo dualista.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Sempre exercitar-se nesta medita&ccedil;&atilde;o, esta disposi&ccedil;&atilde;o essencial &eacute; a mais importante de todas as formas de atividade.<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"CENTER\">PARTE II-A<\/p>\n<p><\/b><b><\/p>\n<p align=\"CENTER\">A Vis&atilde;o, a Natureza da Mente-experi&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"CENTER\">Mahamudra n&atilde;o est&aacute; alhures, um outro que falta conhecer ou descobrir&#8230; Querer obt&ecirc;-lo, atingi-lo ou fabric&aacute;-lo s&atilde;o, portanto desvios que procedem da m&aacute; compreens&atilde;o, de uma vis&atilde;o err&ocirc;nea.<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mahamudra <\/p>\n<p><\/b>&eacute; a experi&ecirc;ncia primordial, virginal, da realidade antes que esta seja tocada pelo mental, contaminada pelo agarrar. &Eacute; a experi&ecirc;ncia do real al&eacute;m do ego.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Habitualmente, o ego nasce e renasce e vivemos de instante em instante seus condicionamentos: nossos diferentes estados de consci&ecirc;ncia tanto como o mundo exterior que experimentamos. Nosso ego, quer dizer nossa consci&ecirc;ncia individual, passa assim de estado &agrave; estado, de mundo em mundo.<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mahamudra<\/p>\n<p><\/i> &eacute; a experi&ecirc;ncia do que est&aacute; diante de n&oacute;s mesmos e nosso mundo.<i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mahamudra<\/p>\n<p><\/i> &eacute; a experi&ecirc;ncia anterior ao nascimento do ego e do <i>samsara<\/i>.<i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mahamudra<\/p>\n<p><\/i> sempre esteve &agrave; m&atilde;o. Antes de termos a experi&ecirc;ncia n&atilde;o-dual, nos engajamos constantemente nas experi&ecirc;ncias dualistas segundo um processo de solidifica&ccedil;&atilde;o, de constitui&ccedil;&atilde;o de nossa experi&ecirc;ncia, de nosso mundo, que repetimos incansavelmente.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A consci&ecirc;ncia sem este ego, sem observador nem observado, &eacute; poss&iacute;vel. O conhecimento imediato, a experi&ecirc;ncia primordial n&atilde;o pertence ao ego que &eacute; um processo parasit&aacute;rio que se apropria dela e a deforma. N&atilde;o somente o ponto de refer&ecirc;ncia e a alteridade face &agrave; qual ele se coloca n&atilde;o s&atilde;o necess&aacute;rios, mas revelam-se in&uacute;teis, problem&aacute;ticos, e finalmente a fonte de todos os males.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A medita&ccedil;&atilde;o &eacute; freq&uuml;entemente uma tentativa de melhorar, de fabricar&#8230; De fato, <i>mahamudra<\/i> esta al&eacute;m essencialmente, completamente das no&ccedil;&otilde;es de medita&ccedil;&atilde;o, de pr&aacute;tica ou de n&atilde;o-medita&ccedil;&atilde;o, de n&atilde;o-pr&aacute;tica, mas de um ponto de vista convencional, podemos falar como da &uacute;ltima forma de medita&ccedil;&atilde;o, essa caracter&iacute;stica &uacute;ltima reside simplesmente no que esta experi&ecirc;ncia &eacute;, a n&atilde;o-dualidade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">De uma maneira muito simples e ao mesmo tempo muito profunda, a n&atilde;o-dualidade &eacute; &uacute;ltima por que n&atilde;o h&aacute; duas. Assim, qualquer que seja o acesso pelo qual a realizamos, a n&atilde;o-dualidade &eacute; muito simplesmente n&atilde;o-dualidade. N&atilde;o h&aacute; v&aacute;rias n&atilde;o-dualidades, n&atilde;o h&aacute; de um lado a &quot;n&atilde;o-dualidade&quot; e do outro uma verdade diferente. Na aus&ecirc;ncia de sujeito e objeto, esta n&atilde;o-dualidade est&aacute; tamb&eacute;m al&eacute;m do que n&atilde;o &eacute; mais poss&iacute;vel ir; &eacute; uma experi&ecirc;ncia na qual as no&ccedil;&otilde;es de sujeito ou de objeto, de um viajante e de um alvo, do eu e do outro desapareceram. Esta experi&ecirc;ncia &eacute; <i>mahamudra<\/i>, &eacute; <i>madhyamaka<\/i>, &eacute; <i>maha-ati<\/i>. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esta experi&ecirc;ncia n&atilde;o tem nada de intelectual. &Eacute; dif&iacute;cil de falar do sil&ecirc;ncio, da simplicidade e o discurso que nos mostra isso pode tornar-se complicado, mas &eacute;, entretanto importante entender que isso de que falamos &eacute; uma experi&ecirc;ncia muito simples. &Eacute; o estado natural de nossa mente.  &Eacute; um ensinamento &agrave; realizar, para vivenciar. O obst&aacute;culo &eacute; tomar a compreens&atilde;o intelectual que &eacute; relativa pela experi&ecirc;ncia da realidade; nos tornar&iacute;amos assim incur&aacute;veis. Esta impress&atilde;o de compreens&atilde;o, com a presun&ccedil;&atilde;o e a arrog&acirc;ncia que ela proporciona, coloca-nos em uma situa&ccedil;&atilde;o sem sa&iacute;da: n&atilde;o h&aacute; pior ignorante do que aquele que acredita saber.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Tocar e aceitar esta experi&ecirc;ncia &eacute; dif&iacute;cil; h&aacute; em n&oacute;s uma esp&eacute;cie de resist&ecirc;ncia, de defesa, de obst&aacute;culo, de impedimento. Na transmiss&atilde;o do <i>mahamudra<\/i> segundo a tradi&ccedil;&atilde;o <i>Changpa<\/i>, falamos de quatro obst&aacute;culos &agrave; experi&ecirc;ncia do <i>mahamudra<\/i>. Diz que ela &eacute; muito pr&oacute;xima, muito profunda, muito simples e muito maravilhosa&#8230; Muito pr&oacute;xima para ser reconhecida; muito simples para acreditarmos, muito profunda para ser agarrada; muito maravilhosa para ser compreendida. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esta natureza inacess&iacute;vel pode, entretanto ser acessada. Na pr&aacute;tica estamos sentados, relaxados, distendidos e largamos nossa mente, a repousamos. N&atilde;o se trata de observar a mente nem de modifica-la nem ir para um estado de torpor, de opacidade, de sonol&ecirc;ncia. A mente assim, naturalmente, tem uma qualidade transparente, aberta e l&uacute;cida&#8230;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esta experi&ecirc;ncia da mente est&aacute; na continuidade de sua natureza essencial. A transpar&ecirc;ncia da mente, sua insubstancialidade, seu car&aacute;ter aberto, sem centro nem periferia, &eacute; sua vacuidade. A mente n&atilde;o &eacute; somente vazia, no sentido de inerte, de opaca: existe certamente a claridade, uma luminosidade-l&uacute;cida que permite o conhecimento, a intelig&ecirc;ncia. Esse &eacute; seu segundo aspecto. Nesta luminosidade aberta, nesta transpar&ecirc;ncia luminosa, todas as esp&eacute;cies de experi&ecirc;ncias manifestam-se cuja variedade &eacute; literalmente ilimitada, o que constitui o terceiro aspecto: a &quot;sabedoria ilimitada&quot; ou &quot;aus&ecirc;ncia de obst&aacute;culo&quot;, de entrave. Esses tr&ecirc;s aspectos constituem as tr&ecirc;s caracter&iacute;sticas da mente: &quot;em ess&ecirc;ncia vazia, de natureza luminosa e com manifesta&ccedil;&otilde;es ilimitadas&quot;. Esses tr&ecirc;s aspectos, ao n&iacute;vel racional s&atilde;o tamb&eacute;m suas tr&ecirc;s qualidades: a abertura, a claridade e a receptividade-disponibilidade. No n&iacute;vel &uacute;ltimo s&atilde;o os tr&ecirc;s corpos do <i>Budha<\/i> \u2013 o corpo absoluto, (<i>dharmakaya<\/i>), o corpo de experi&ecirc;ncia perfeita, (<i>sambhogakaya<\/i>) e o corpo de emana&ccedil;&atilde;o (<i>nirmanakaya<\/i>).  <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esses tr&ecirc;s corpos, essas tr&ecirc;s qualidades essenciais da mente n&atilde;o s&atilde;o de nenhum modo alguma coisa que falta produzir, induzir. Elas s&atilde;o a mente em seu modo essencial. A mente &eacute; essencialmente, naturalmente aberta e livre: &eacute; sempre <i>dharmakaya<\/i>. Ela &eacute; espontaneamente luminosa e l&uacute;cida: para sempre <i>sambhogakaya<\/i>. Tendo indefinidamente esta sabedoria, esta experi&ecirc;ncia ilimitada, sem entraves, ela &eacute; perpetuamente <i>nirmanakaya<\/i>. Ela foi sempre desde a origem a natureza dos tr&ecirc;s corpos. Trata-se de reconhecer, de viver esta presen&ccedil;a.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O reconhecimento dos tr&ecirc;s corpos na mente &eacute; a forma &uacute;ltima de <i>vipasyana<\/i>; e a forma &uacute;ltima de <i>samatha<\/i> &eacute; permanecer de maneira est&aacute;vel e permanente na experi&ecirc;ncia desta presen&ccedil;a &uacute;ltima, a &uacute;ltima pr&aacute;tica, seguida pelos <i>Budhas<\/i> dos tr&ecirc;s tempos.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Distinguimos freq&uuml;entemente quatro principais desvios relativos &agrave; vis&atilde;o:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">-&#9; A primeira &eacute; utilizar a vacuidade como r&oacute;tulo: &#8211; &quot;tudo &eacute; vazio&quot; \u2013 e coloca-lo em tudo; &eacute; um grande desvio.<\/p>\n<ul>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>A segunda &eacute; compreender a vacuidade ou a experi&ecirc;ncia da natureza da mente como alguma coisa a conhecer, um objeto do conhecimento que possamos compreender e nos apropriar. <\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li> A terceira &eacute; utilizar a pr&aacute;tica como um rem&eacute;dio que aplicaremos para aniquilar alguma outra coisa.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>A &uacute;ltima reside no fato de considerar e utilizar a pr&aacute;tica como uma via para chegar &agrave; um objetivo.<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"JUSTIFY\">Logo os desvios s&atilde;o considerar a pr&aacute;tica da vacuidade, como alguma coisa a conhecer, uma etiqueta que fixar&iacute;amos, um rem&eacute;dio, ou uma via, algo alhures, alguma outra coisa&#8230; A mente, inerentemente, &eacute; vazia e luminosa naturalmente, tentar impor, o que quer que seja, &eacute; uma forma de desvio.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Todos os erros surgem sempre por falta de prepara&ccedil;&atilde;o, de desenvolvimento de m&eacute;ritos, de conhecimento imediato. Insistimos muito sobre as prepara&ccedil;&otilde;es fundamentais como meio de evitar todos esses desvios. Um outro ponto essencial &eacute; que nossa mente possa ter amadurecido pela influ&ecirc;ncia espiritual da inicia&ccedil;&atilde;o, da linhagem, e que a pr&aacute;tica possa se desenvolver na rela&ccedil;&atilde;o privilegiada com um <i>lama<\/i> competente. Se h&aacute; prepara&ccedil;&atilde;o, confian&ccedil;a, e esta rela&ccedil;&atilde;o, nesse momento podemos navegar evitando os escolhos e os diferentes obst&aacute;culos. <\/p>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"CENTER\">PARTE II-B<\/p>\n<p align=\"CENTER\">A medita&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><\/b><b><i><\/p>\n<p align=\"CENTER\">A progress&atilde;o<\/p>\n<p><\/i><\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Uma compreens&atilde;o err&ocirc;nea da progress&atilde;o seria uma vis&atilde;o &quot;linear&quot;, uma sucess&atilde;o de pr&aacute;ticas correspondentes a v&aacute;rios n&iacute;veis cada vez mais elevados. A vis&atilde;o justa &eacute; &quot;circular&quot;, no sentido em que os princ&iacute;pios fundamentais da medita&ccedil;&atilde;o silenciosa, presentes desde o in&iacute;cio do caminho, acompanham-nos e s&atilde;o redescobertos e aprofundados gra&ccedil;as aos diferentes m&eacute;todos dos quais eles s&atilde;o a seiva.<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A medita&ccedil;&atilde;o samatha-vipasyana <\/p>\n<p><\/b>est&aacute; no in&iacute;cio, no meio e no fim do caminho.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No in&iacute;cio, <i>samatha<\/i> &eacute; aten&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma capacidade de estar atento de uma maneira seguida e est&aacute;vel a um objeto, &agrave; respira&ccedil;&atilde;o. <i>Vipasyana<\/i> &eacute; mais a qualidade aberta, livre da mente, como a experi&ecirc;ncia que temos nos momentos de pausa, no instante de liberdade durante o qual a mente v&ecirc; claramente &quot;como &eacute;&quot; \u2013 o que &eacute; literalmente o sentido de <i>vipasyana<\/i>. Um outro tipo de <i>vipasyana<\/i>, &quot;anal&iacute;tico&quot;, existe. Ele &eacute; necess&aacute;rio, importante e pode ser utilizado como auxiliar em certos momentos, sendo entendido ao menos que, em nossa tradi&ccedil;&atilde;o, o acento &eacute; colocado na aproxima&ccedil;&atilde;o contemplativa. Podemos nos perguntar sobre o porque da mente, por um caminho anal&iacute;tico, um certo numero de quest&otilde;es, de exames, de investiga&ccedil;&otilde;es, de perguntas ou questionamentos, mas essa busca esbarra em alguns limites. Porque se interrogarmos sobre a mente e sobre a natureza da mente, a natureza do que somos, <u>chegamos a um paradoxo, uma esp&eacute;cie de limite intranspon&iacute;vel que reside no fato de que somos aqueles que nos buscamos<\/u>. &Eacute; a&iacute; que reside, al&eacute;m disso, algo do &quot;mist&eacute;rio da mente&quot;, que <u>&eacute; um mist&eacute;rio muito bem guardado porque o buscador &eacute; aquele que o guarda<\/u>.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Descri&ccedil;&atilde;o do<i> Ng&ouml;ndro<\/i> [&#8230;]<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ap&oacute;s os <i>Ng&ouml;ndro<\/i>, existe uma etapa suplementar chamada &quot;a pr&aacute;tica de um <i>Yidam<\/i>&quot;. <i>Yidam <\/i>&eacute; a &quot;deidade da mente&quot;, sua natureza divina, seu estado n&atilde;o-dual. Os <i>Yidams <\/i>n&atilde;o s&atilde;o outros deuses, em algum lugar. A deidade esta al&eacute;m da no&ccedil;&atilde;o de eu e de outro; <u>&eacute; a natureza da mente sob uma forma, uma representa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica<\/u>.  Uma pr&aacute;tica como a <i>Sadhana<\/i> de <i>Tchenrezi<\/i>, finalmente, introduz-nos no <i>Mahamudra<\/i>, porque a natureza da deidade &eacute; precisamente o <i>Mahamudra<\/i>. &Eacute; uma pr&aacute;tica extremamente profunda, um &quot;meio h&aacute;bil&quot;, que opera um processo de transmuta&ccedil;&atilde;o no qual os v&eacute;us, nossas paix&otilde;es, nossas fixa&ccedil;&otilde;es, nossa confus&atilde;o habitual s&atilde;o integradas &agrave; pr&aacute;tica que as transforma, as transmuta. Este &eacute; o sentido do <i>yoga<\/i> da divindade, da pr&aacute;tica de um <i>Yidam<sup>1<\/sup><\/i>.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Sobre a base desta pr&aacute;tica vem em seguida alguns outros <i>yogas<\/i> espirituais chamados os &quot;Seis <i>Yogas<\/i> de Naropa&quot;, os Seis <i>Yogas<\/i> de Niguna&quot; \u2013 &quot;<i>Tummo<\/i>&quot;, &quot;O Corpo Ilus&oacute;rio&quot;, &quot;O <i>Yoga<\/i> do Sonho&quot;, &quot;O <i>Yoga<\/i> da Clara Luz&quot;, &quot;Da Transfer&ecirc;ncia da Consci&ecirc;ncia&quot; e do &quot;<i>Bardo<\/i>&quot;. Esses <i>yogas<\/i> s&atilde;o tamb&eacute;m, particularmente meios e m&eacute;todos para aproximar a experi&ecirc;ncia de felicidade vazia que &eacute; a natureza de <i>mahamudra<\/i>.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Finalmente, a pr&aacute;tica mais profunda, a mais fundamental, &eacute; a experi&ecirc;ncia <i>samatha<\/i> e <i>vipasyana<\/i> no n&iacute;vel essencial. A experi&ecirc;ncia de <i>samatha<\/i> &eacute; ent&atilde;o a mente do imediato ou uma certa estabilidade na experi&ecirc;ncia imediata de <i>Vipasyana<\/i>, nesse momento, &eacute; a vis&atilde;o do &quot;como&quot; desta experi&ecirc;ncia e o reconhecimento nela dos &quot;tr&ecirc;s corpos do despertar&quot;. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">   <sub>1.&#9;  Os <i>yidams<\/i> (tib. <i>yi dam<\/i>, mente sagrada ou mente do compromisso) s&atilde;o as divindades meditacionais (s&acirc;nsc. <i>ishta-devata<\/i>) do <i>buddhismo Vajrayana<\/i>. Essas &quot;divindades&quot; n&atilde;o s&atilde;o deuses no sentido comum, mas mentes iluminadas (s&acirc;nsc.  <i>buddha<\/i>) que representam aspectos espec&iacute;ficos da transforma&ccedil;&atilde;o interior, sendo visualizadas durante as liturgias (s&acirc;nsc. <i>sadhana<\/i>) t&acirc;ntricas. Esta pr&aacute;tica, chamada <i>yoga<\/i> da divindade ou uni&atilde;o com a divindade (s&acirc;nsc. <i>devata-yoga<\/i>, tib. <i>leneljor<\/i> \/ <i>lha\u2019i rnal \u2018byor<\/i>) &eacute; de muita import&acirc;ncia no <i>buddhismo Vajrayana<\/i> pois utiliza simultaneamente os meios h&aacute;beis e a sabedoria. Os meios h&aacute;beis (s&acirc;nsc. <i>upaya<\/i>) s&atilde;o os m&eacute;todos para alcan&ccedil;ar a ilumina&ccedil;&atilde;o e trazer benef&iacute;cio a todos os seres, enquanto a sabedoria (tib. <i>prajna<\/i>) &eacute; a consci&ecirc;ncia que compreende a natureza vazia dos fen&ocirc;menos.<\/sub><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O termo &quot;divindade&quot; &eacute; uma tradu&ccedil;&atilde;o parcial e imprecisa de <i>yidam<\/i>, que literalmente significa &quot;mente sagrada&quot;. No <i>tantrismo<\/i>, a &quot;divindade&quot; &eacute; uma manifesta&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o pura do pr&oacute;prio indiv&iacute;duo, n&atilde;o de algo externo. A forma irada da &quot;divindade&quot; representa a natureza din&acirc;mica da energia. A forma alegre [com consorte] representa a sensa&ccedil;&atilde;o de &ecirc;xtase; e a forma pac&iacute;fica representa o estado calmo da mente sem pensamentos.                                                                                                            <\/p>\n<p align=\"RIGHT\">(Ch&ouml;gyal Namkhai Norbu, Dzogchen)<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"CENTER\">Os Samayas do Mahamudra<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"CENTER\">Virupa<\/p>\n<p><\/i><\/b><\/font><font face=\"Galliard BT,Times New Roman\" size=2><\/font><i><font face=\"Verdana\" size=2><\/p>\n<p align=\"CENTER\">Extrato dos Cantos de Virupa  nas: Oito Cole&ccedil;&otilde;es de Doha- Tradu&ccedil;&atilde;o: comit&ecirc; Lotsawa<\/p>\n<p><\/font><\/i><font face=\"Galliard BT,Times New Roman\" size=2><\/p>\n<p align=\"CENTER\">&nbsp;<\/p>\n<p><\/font><font face=\"Verdana\" size=2><\/p>\n<p>Os <i>samayas<\/i> do <i>Mahamudra<\/i> dos quais n&atilde;o devemos nos separar:<\/p>\n<p>Mesmo se, provido de uma profunda confian&ccedil;a, n&atilde;o esperes nada dos <i>budhas<\/i> relativos.*<\/p>\n<p>N&atilde;o abandone o grande desenvolvimento de m&eacute;ritos e dedique o teu melhor &agrave; sua realiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Mesmo se, a mente amedrontada pelas realidades da exist&ecirc;ncia c&iacute;clica desapareceu, e que est&aacute;s livre de medos,<\/p>\n<p>Ajas preservando-te dos atos negativos, mesmo os mais sutis.<\/p>\n<p>Mesmo se, vazios e sem limites, os fen&ocirc;menos s&atilde;o reconhecidos como semelhantes ao espa&ccedil;o, o desejo, o &oacute;dio, o agarrar&#8230; Abandone radicalmente todos os apegos.<\/p>\n<p>Mesmo se a natureza essencial, a grande abertura sem limites for realizada, enquanto uma estabilidade n&atilde;o for obtida, guarde em segredo suas experi&ecirc;ncias e sua realiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Mesmo se a aus&ecirc;ncia de diferen&ccedil;a &uacute;ltima entre eu e o outro foi realizada, <\/p>\n<p>Aspire realizar no relativo o grande des&iacute;gnio: servir os seres.<\/p>\n<p>Mesmo dotado da profunda convic&ccedil;&atilde;o de conformar-se com um guia, talvez outro seja necess&aacute;rio.<\/p>\n<p>Leve teu <i>lama<\/i> de grande bondade no alto de sua cabe&ccedil;a.<\/p>\n<p><sub><\/p>\n<p align=\"RIGHT\">budhas relativos*: por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; experi&ecirc;ncia direta do despertar.<\/p>\n<p><\/sub><\/font><font face=\"Galliard BT,Times New Roman\" size=2><\/p>\n<p align=\"RIGHT\">\n<p align=\"RIGHT\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"RIGHT\">&nbsp;<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"CENTER\">&nbsp;<\/p>\n<p><\/b><\/font><font face=\"Verdana\" size=2><\/p>\n<p align=\"CENTER\">A Integra&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"CENTER\">As qualidades naturais da mente<\/p>\n<p><\/i><\/font><font face=\"Galliard BT,Times New Roman\" size=2><\/p>\n<p align=\"RIGHT\">\n<p><\/font><font face=\"Verdana\" size=2><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">S&atilde;o inicialmente apresentadas neste texto as qualidades da experi&ecirc;ncia de <i>Mahamudra<\/i> e particularmente a presen&ccedil;a natural da Grande Compaix&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em seguida s&atilde;o introduzidos os princ&iacute;pios fundamentais da integra&ccedil;&atilde;o dos pensamentos e emo&ccedil;&otilde;es conflituosas como auxiliares no caminho.  <\/p>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A compreens&atilde;o<\/p>\n<p><\/b> \u2013 <b><i>prajna<\/i><\/b> \u2013 e a compaix&atilde;o s&atilde;o conhecidas como os dois p&oacute;los fundamentais do ensinamento de <i>Budha<\/i> bem como as duas qualidades do despertar, da experi&ecirc;ncia de <i>mahamudra<\/i>.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A sabedoria, <i>prajna<\/i>, &eacute; o conhecimento da natureza da realidade, conhecimento da interdepend&ecirc;ncia de todas as coisas e tamb&eacute;m o conhecimento, a experi&ecirc;ncia da vacuidade. &quot;<i>Prajnaparamita<\/i>&quot;, a perfei&ccedil;&atilde;o da sabedoria, &eacute; tamb&eacute;m conhecimento imediato ou cogni&ccedil;&atilde;o em si, sabedoria que se experimenta a si-mesma.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A compaix&atilde;o pode se apresentar segundo tr&ecirc;s aspectos:<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A compaix&atilde;o com refer&ecirc;ncia aos seres<\/p>\n<p><\/b>.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&Eacute; a qualidade do cora&ccedil;&atilde;o que faz-nos, n&atilde;o somente, n&atilde;o ser indiferentes aos outros, mas sermos profundamente tocados e receptivos aos seus sofrimentos e &agrave; suas dificuldades. Esta compaix&atilde;o vive-se na experi&ecirc;ncia da realidade do outro. &Eacute; participar da realidade do outro com um cora&ccedil;&atilde;o e uma mente abertos.<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A compaix&atilde;o com refer&ecirc;ncia &agrave; realidade<\/p>\n<p><\/b>.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"> Esta compaix&atilde;o &eacute; a mais profunda que a primeira, no sentido em que ela vive a situa&ccedil;&atilde;o no conhecimento de sua natureza e compreende a ilus&atilde;o que &eacute; a causa do sofrimento. Esta compaix&atilde;o se vive participando realmente e profundamente um com o outro; &eacute; uma compaix&atilde;o de comunh&atilde;o &iacute;ntima. Em seguida, a terceira &eacute;:<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A compaix&atilde;o sem refer&ecirc;ncia<\/p>\n<p><\/b>.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ela n&atilde;o tem objeto e nem porque, sem no&ccedil;&atilde;o, sem id&eacute;ia nem justifica&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma compaix&atilde;o que n&atilde;o &eacute; fabricada: ela n&atilde;o repousa em nenhum racioc&iacute;nio nem sobre uma experi&ecirc;ncia de amante e amada nem sobre o que quer que seja. Esta compaix&atilde;o sem refer&ecirc;ncia &eacute; a do <i>Budha<\/i>, dos despertos. &Eacute; a natureza mesma da experi&ecirc;ncia imediata, primordial e dela &eacute; indissoci&aacute;vel. O desperto, vive a experi&ecirc;ncia primordial <i>mahamudra<\/i>, vive esta compaix&atilde;o sem refer&ecirc;ncia. Esta compaix&atilde;o est&aacute; no mais profundo de nossa viv&ecirc;ncia e ela manifesta-se naturalmente quando o eu, o indiv&iacute;duo n&atilde;o habitam mais esta experi&ecirc;ncia.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Na tradi&ccedil;&atilde;o do <i>mahamudra-dzogchen<\/i>, esta compaix&atilde;o fundamental chama-se <i>tuje<\/i>, termo que traduzimos tamb&eacute;m por &quot;sensitividade&quot;. &quot;Compaix&atilde;o&quot; n&atilde;o &eacute; plenamente satisfat&oacute;rio. &Eacute; um termo freq&uuml;entemente entendido como uma atitude condescendente e misericordiosa&#8230; ou de amor, por&eacute;m numa experi&ecirc;ncia dualista, enquanto <i>tuje<\/i> exprime esta experi&ecirc;ncia de sensibilidade fundamental que &eacute; duma receptividade e tamb&eacute;m duma disponibilidade completa e perfeita, al&eacute;m de todo obst&aacute;culo e de toda a resist&ecirc;ncia. &Eacute; uma experi&ecirc;ncia sem barreira nem obst&aacute;culo. Nesse n&iacute;vel, a compaix&atilde;o n&atilde;o &eacute; mais uma resposta deliberada, mas uma adequa&ccedil;&atilde;o imediata, harmoniosa e espont&acirc;nea &agrave; energia mesma da situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Sua Santidade o <i>Dalai Lama<\/i> diz freq&uuml;entemente: &quot;Podemos viver sem religi&atilde;o, mas n&atilde;o podemos viver sem compaix&atilde;o&quot;. Com efeito, podemos muito bem n&atilde;o aderir a uma religi&atilde;o enquanto pensamento filos&oacute;fico, teol&oacute;gico, enquanto sistema de cren&ccedil;as ou de percep&ccedil;&otilde;es do mundo, mas n&atilde;o podemos viver sadiamente sem esta dimens&atilde;o de compaix&atilde;o que procede, no que tem de fundamental, desta experi&ecirc;ncia primordial. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O ponto importante &eacute; que na experi&ecirc;ncia primordial, encontram-se ainda presentes tamb&eacute;m a compreens&atilde;o que &eacute; compaix&atilde;o desperta, assim como o amor e a sabedoria de um <i>Budha<\/i>.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Um &uacute;ltimo ponto importante a considerar &eacute; a integra&ccedil;&atilde;o do ponto de vista do <i>mahamudra<\/i>. Revendo as qualidades da mente: abertura, a claridade e a sensitividade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Uma vez reconhecida, vivida a natureza vazia, luminosa e ilimitada, sem entraves da mente, &eacute; tamb&eacute;m reconhecida a natureza de suas manifesta&ccedil;&otilde;es: de seus pensamentos e de suas emo&ccedil;&otilde;es.  As emo&ccedil;&otilde;es, os pensamentos e as paix&otilde;es habituais s&atilde;o tamb&eacute;m, profundamente, vazias, luminosas e ilimitadas.<\/p>\n<p><u><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A pr&aacute;tica de <i>mahamudra<\/i> n&atilde;o &eacute; parar, bloquear os pensamentos, as emo&ccedil;&otilde;es, mas reconhecer sua natureza<\/p>\n<p><\/u>. Considerar os pensamentos como obst&aacute;culos e querer desenvolver um estado de medita&ccedil;&atilde;o sem pensamentos, um estado de medita&ccedil;&atilde;o no qual pensamentos e experi&ecirc;ncias seriam de algum modo suspensos: uma tranq&uuml;ilidade pac&iacute;fica onde tudo &eacute; colocado entre par&ecirc;nteses&#8230; Uma tal suspens&atilde;o das experi&ecirc;ncias seria tamb&eacute;m uma esp&eacute;cie de inibi&ccedil;&atilde;o e finalmente de opacidade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Kyabdje Kalu <i>Rinpoche<\/i> dizia que &eacute; poss&iacute;vel meditar <i>mahamudra<\/i> assim, desenvolver um estado de repouso mental confort&aacute;vel&#8230; &Eacute; agrad&aacute;vel, mas &eacute; um estado em que falta lucidez, que &eacute; opaco e que n&atilde;o tem nada a ver com a experi&ecirc;ncia aut&ecirc;ntica.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A energia do desejo, a paix&atilde;o reconhecida em sua ess&ecirc;ncia &eacute; uma energia livre que chamamos a &quot;felicidade vazia&quot;. Plenamente reconhecida, &eacute; liberada, e o que &eacute; condicionante e alienante torna-se uma energia livre que &eacute; a express&atilde;o da sabedoria e do despertar.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Assim as cinco emo&ccedil;&otilde;es conflituosas b&aacute;sicas, transmutadas, s&atilde;o as &quot;cinco sabedorias&quot;: <\/p>\n<ul>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>O desejo, o apego, torna-se ent&atilde;o sabedoria do discernimento;<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>O &oacute;dio, a agressividade, torna-se ent&atilde;o a sabedoria semelhante ao espelho;<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>A inveja, o ci&uacute;me torna-se ent&atilde;o a sabedoria da realiza&ccedil;&atilde;o;<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>O orgulho, torna-se ent&atilde;o a sabedoria da equanimidade;<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>A opacidade mental, a ignor&acirc;ncia, torna-se a sabedoria da esfera da vacuidade do <i>dharmadatu.<\/i><\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"JUSTIFY\">Todas as manifesta&ccedil;&otilde;es da mente tornam-se ent&atilde;o espontaneamente o jogo das cinco sabedorias. Nesta perspectiva, quanto mais mat&eacute;ria prima mais sabedoria. As emo&ccedil;&otilde;es s&atilde;o ditas &quot;madeira trazida para a fogueira da sabedoria&quot;. Quanto mais madeira, mais a fogueira arde.<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"CENTER\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"CENTER\">O Absoluto N&atilde;o-Dual.<\/p>\n<p><\/b><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em sua obra &quot;A via da felicidade&quot;, Lama Denys apresenta a experi&ecirc;ncia primordial de Mahamudra-Dzogchen numa aproxima&ccedil;&atilde;o universal al&eacute;m das diferentes tradi&ccedil;&otilde;es e de suas formula&ccedil;&otilde;es conceituais.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esta experi&ecirc;ncia absoluta real&ccedil;a uma presen&ccedil;a n&atilde;o-conceitual que n&atilde;o &eacute; redut&iacute;vel a nenhuma formula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Por defini&ccedil;&atilde;o, o absoluto n&atilde;o depende de nada. Desprovido de alteridade, dito de outra maneira, sem dualidade ele se basta a si-mesmo. Assim ele &eacute; o estado cognitivo que precede o apreender dual o que cria a impress&atilde;o de separa&ccedil;&atilde;o entre um sujeito observador e dos objetos observados. O absoluto vive na libera&ccedil;&atilde;o desta apreens&atilde;o, al&eacute;m da ilus&atilde;o do eu e do outro, do sentimento daqui e da&iacute;. Para o <i>Dharma<\/i>, o estado absoluto &eacute; nossa natureza desperta ou natureza <i>Budha<\/i>. Sua experi&ecirc;ncia de n&atilde;o-dualidade &eacute; &uacute;ltima ou final, no sentido em que esta n&atilde;o &eacute; mais &quot;algu&eacute;m&quot; para ir al&eacute;m de &quot;alguma coisa&quot; que lhe seja diferente.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&quot;Absoluto&quot; &eacute; um termo convencional para designar a natureza da mente-experi&ecirc;ncia vivendo no n&atilde;o-agarrar, no n&atilde;o-suporte conceitual.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esta experi&ecirc;ncia liberadora final pode-se conceber como tendo tr&ecirc;s qualidades ou dimens&otilde;es: <\/p>\n<ul>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>Abertura absoluta, sem centro nem periferia, ou ent&atilde;o cujo centro est&aacute; em tudo e a periferia em nenhuma parte.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>A presen&ccedil;a perfeita da experi&ecirc;ncia n&atilde;o dualista, &agrave; qual nada falta.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>A compaix&atilde;o infinita, livre de todo apego e de todo bloqueio.<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"JUSTIFY\">Rangjung Dordje, o terceiro <i>Gyalwang Karmapa<\/i>, um dos principais mestres de nossa linhagem que foi detentor das tradi&ccedil;&otilde;es <i>Mahamudra<\/i> e do <i>Dzogchen<\/i>, disse ao falar desta natureza absoluta:<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"CENTER\">Nada pode exprimi-la como sendo &quot;isso&quot;.<\/p>\n<p align=\"CENTER\">Nada pode limit&aacute;-la como outra que &quot;isso&quot;.<\/p>\n<p align=\"CENTER\">Esta natureza, transcendendo a intelec&ccedil;&atilde;o, &eacute; incondicionada;<\/p>\n<p align=\"CENTER\">Possa seu sentido &uacute;ltimo se tornar certo.<\/p>\n<p align=\"CENTER\">Se esta n&atilde;o &eacute; realizada, giramos na roda das ilus&otilde;es;<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p>Se esta &eacute; realizada, <i>Budha<\/i> n&atilde;o est&aacute; em outro lugar;<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"CENTER\">Ela &eacute; tudo, e nada &eacute; outro.<\/p>\n<p align=\"CENTER\">Realidade fundamental, substrato universal,<\/p>\n<p align=\"CENTER\">Possa isso que a altera ser compreendido.<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O substrato universal, primordial que evoca Rangjung Dordje, n&atilde;o &eacute; redut&iacute;vel a um nome, pr&oacute;prio ou comum, nem a uma formula&ccedil;&atilde;o conceitual qualquer que seja ela. &Eacute; a energia experiencial da Clara Luz, o dinamismo cognitivo anterior &agrave; separa&ccedil;&atilde;o sujeito-objeto. Dum ponto de vista pr&aacute;tico, a energia e o dinamismo em quest&atilde;o coincidem com a dissolu&ccedil;&atilde;o do apego conceitual que abre &agrave; experi&ecirc;ncia do substrato sem nome nem forma, <i>alaya<\/i> em s&acirc;nscrito, no qual reside a conjun&ccedil;&atilde;o dos opostos. Liberando-se da ilus&atilde;o das representa&ccedil;&otilde;es, produz-se a abertura &agrave; experi&ecirc;ncia primordial que chamamos tamb&eacute;m a eterna presen&ccedil;a. Esta abertura que existe na suspens&atilde;o do mental discursivo revela a presen&ccedil;a da imediaticidade ou a instantaneidade primordial.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A experi&ecirc;ncia absoluta da presen&ccedil;a n&atilde;o-conceitual pode ser qualificada de imanente ou de transcendente. Imanente, porque a presen&ccedil;a tem nela mesma a natureza onipresente e intr&iacute;nseca da mente-experi&ecirc;ncia. Transcendente, porque ela ultrapassa o ego e as ilus&otilde;es dualistas sujeito-objeto que lhe estruturam.  <\/p>\n<p><\/font><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MAHAMUDRA-DZOGCHEN&nbsp; Lama DenisExtrato de&nbsp;Le rugissement du Lion&quot; Do livro: &#8220;DHARMA \u2013 La Voie du Bouddha \u2013 Mahamudra-Dzogchen&#8221;Tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas: Karma Tempa Dhargy Os textos do Lama Denys s&atilde;o extratos de um semin&aacute;rio sobre Mahamudra dado em 1992 (hormis le &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/mahamudra-dzogchen\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6097,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-6195","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dzogchen"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6195"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6195\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6198,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6195\/revisions\/6198"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6097"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}