{"id":6200,"date":"2020-06-16T16:52:54","date_gmt":"2020-06-16T18:52:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6200"},"modified":"2020-06-16T16:53:48","modified_gmt":"2020-06-16T18:53:48","slug":"as-portas-da-liberacao-e-os-pontos-essenciais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/as-portas-da-liberacao-e-os-pontos-essenciais\/","title":{"rendered":"As portas da libera\u00e7\u00e3o e os pontos essenciais"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Lama_Denys_Rimpoch\u00e9.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Lama_Denys_Rimpoch\u00e9.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"280\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6097\" \/><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><a name=\"inicio\"><\/p>\n<div style=\"text-align:center\"><font size=\"4\"><b>AS PORTAS DA LIBERA&Ccedil;&Atilde;O<br \/><font size=\"3\">E os pontos essenciais<\/font><\/b><\/font><\/div>\n<p><\/a> <\/p>\n<div style=\"text-align:right\">Por Lama Denys<font size=\"1\"><br \/>Extrato do livro:<br \/>&#8220;DHARMA \u2013 La Voie du Bouddha \u2013 Mahamudra-Dzogchen&#8221;<br \/>Tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas: Karma Tempa Dhargy<\/font><\/div>\n<p align=\"JUSTIFY\">As tr&ecirc;s portas da libera&ccedil;&atilde;o \u2013 n&atilde;o-agir, n&atilde;o artif&iacute;cio e n&atilde;o-medita&ccedil;&atilde;o \u2013 e as tr&ecirc;s etapas da pr&aacute;tica \u2013 reconhecer, cultivar e obter a estabilidade \u2013 s&atilde;o as instru&ccedil;&otilde;es fundamentais da aproxima&ccedil;&atilde;o do <i>mahamudra<\/i> essencial e elas constituem finalmente a pr&aacute;tica de <i>samatha-vipasyana<\/i> no n&iacute;vel do <i>mahamudra<\/i>. <\/p>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"CENTER\">Uma sess&atilde;o de medita&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Uma sess&atilde;o de pr&aacute;tica de <i>mahamudra<\/i> come&ccedil;a por &quot;ref&uacute;gio e <i>bodhichitta<\/i>&quot; que colocam suas bases na motiva&ccedil;&atilde;o. Em seguida, um momento de <i>Guru Yoga<\/i> &eacute; importante. Entrar na inspira&ccedil;&atilde;o e na influ&ecirc;ncia espiritual de <i>Vajradhara<\/i> e da linhagem. Desenvolvemos, na pr&aacute;tica de <i>Guru Yoga<\/i>, esta confian&ccedil;a absoluta, &quot;sem outra&quot; e a desenvolvemos como um meio relativo, que &eacute; toda a profundidade e a sutileza desta pr&aacute;tica. Nos entregamos e nos abrimos plenamente e completamente &agrave; <i>Vajradhara-Dharmakaya<\/i>.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&quot;N&atilde;o artif&iacute;cio&quot;, &quot;n&atilde;o-medita&ccedil;&atilde;o&quot; e &quot;n&atilde;o-distra&ccedil;&atilde;o&quot; s&atilde;o, no n&iacute;vel do <i>mahamudra<\/i>, as tr&ecirc;s portas da libera&ccedil;&atilde;o e o cora&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica.  <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A mente do imediato n&atilde;o &eacute; um estado que pode ser induzido, que pode ser fabricado; &eacute; o estado natural, nossa mente antes de n&oacute;s, nossa mente antes do nosso nascimento.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Simplesmente, abandonamos as refer&ecirc;ncias relativas ao passado, ao futuro e deixamos a mente tal como ela &eacute;, em seu estado natural, sem esperan&ccedil;a nem medo, sem julgar nem tentar melhora-la. Sem pensar mais que ela &eacute; vazia, luminosa ou sem obst&aacute;culos&#8230; Isso &eacute; &quot;<i>matcheu<\/i>&quot;, &quot;a aus&ecirc;ncia de fabrica&ccedil;&atilde;o&quot;, a aus&ecirc;ncia de artif&iacute;cio, a aus&ecirc;ncia de fazer.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esse n&atilde;o agir da mente habitual &eacute; uma esp&eacute;cie do que chamamos &quot;<i>rangbap<\/i>&quot;. <i>Rangbap<\/i> &eacute; uma palavra muito rica que podemos traduzir por &quot;mente natural&quot;, &quot;tal como &eacute;&quot;&#8230; &Eacute; o termo que traduzimos muito freq&uuml;entemente por &quot;largar\/abandonar&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esta qualidade da mente, <i>rangbap<\/i>, &eacute; concomitante, simult&acirc;nea com um estado da mente livre de apego, livre de apoio, livre de refer&ecirc;ncia, livre de aten&ccedil;&atilde;o e de medita&ccedil;&atilde;o. A pr&aacute;tica de <i>mahamudra<\/i> n&atilde;o &eacute; uma medita&ccedil;&atilde;o, &eacute; mesmo a pr&aacute;tica essencial da n&atilde;o-medita&ccedil;&atilde;o. Toda medita&ccedil;&atilde;o intencional, deliberada, produzida, fabricada, quaisquer que seja sua sutileza, &eacute; abandonada. Esse &eacute; o sentido da n&atilde;o-medita&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O terceiro elemento essencial &eacute; a n&atilde;o-distra&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se trata de modo algum, como compreendemos freq&uuml;entemente, de manter presente na mente alguma coisa, um objeto que &eacute; o suporte, a refer&ecirc;ncia da medita&ccedil;&atilde;o; a n&atilde;o-distra&ccedil;&atilde;o &eacute; n&atilde;o deixar o estado sem artif&iacute;cios, a n&atilde;o-medita&ccedil;&atilde;o. O que se passar assim na mente, durante longo tempo &eacute; n&atilde;o-artif&iacute;cio e n&atilde;o-medita&ccedil;&atilde;o, &eacute; perfeito. A distra&ccedil;&atilde;o &eacute; deixar este estado. A distra&ccedil;&atilde;o &eacute; come&ccedil;ar a meditar, a melhorar seu estado mental, a modifica-lo, quer dizer intervir, avaliar&#8230;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">E ent&atilde;o, diremos, e quando os pensamentos v&ecirc;m?  O surgimento de um pensamento, em si-mesmo, n&atilde;o &eacute; uma distra&ccedil;&atilde;o. A distra&ccedil;&atilde;o &eacute; experimentar (seguir) o pensamento. Aqui, deixamos o pensador e o pensamento juntos, um pensamento sem pensador, um pensamento que pensa-se a si mesmo, que se pensa e se despensa espontaneamente&#8230; Falamos algumas vezes de &quot;pensamentos n&atilde;o pensados&quot;. A dissocia&ccedil;&atilde;o do pensador e do pensamento, quer dizer o pensamento discursivo &eacute; uma forma de &quot;entrevista&quot; interior, do discurso onde somos dois. Trata-se aqui de um pensamento que n&atilde;o &eacute; dois, no qual pensamento-pensador, sujeito-objeto n&atilde;o est&atilde;o dissociados. O pensamento pensa-se a si mesmo, ou o pensador compreende-se a si-mesmo; existe a&iacute; uma compreens&atilde;o sem racioc&iacute;nio.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&Agrave; primeira vista, &eacute; um pouco dif&iacute;cil. Simplesmente quando emerge um pensamento, sem interferir o acolhemos, permanecemos imparcialmente posicionados: o pensador coloca-se muito suavemente na contempla&ccedil;&atilde;o nua de seu pensamento. Descobrimos que isso &eacute; poss&iacute;vel.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esta pr&aacute;tica tem um lado assustador. Na aus&ecirc;ncia de pontos de refer&ecirc;ncia, das alavancas com as quais manipulamos nosso mundo, n&atilde;o nos tornaremos incapazes de funcionar? Temos medo de perdermo-nos, mas descobrimos pouco &agrave; pouco que n&atilde;o temos necessidade de tanto apoio, de tantas muletas, que existe em nossa mente uma forma de intelig&ecirc;ncia imediata, natural, que n&atilde;o tem necessidade de ser racional (l&oacute;gica\/provada\/pensada).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Permanecer simplesmente pousado suavemente no pensamento, diz-se em tibetano &quot;<i>ngo she tsam<\/i>&quot;, &#8211; &quot;vis&atilde;o correta&quot;, reconhecimento justo. &Eacute; isso que tamb&eacute;m chamamos &quot;o observador abstrato&quot;, que &eacute; uma qualidade da observa&ccedil;&atilde;o, da vis&atilde;o, da experi&ecirc;ncia leve, abstrata, quando ela &eacute; praticada, cultivada, desenvolve-se at&eacute; tornar-se a experi&ecirc;ncia na qual o observador &eacute; abstra&iacute;do, no sentido em que &eacute; feita a abstra&ccedil;&atilde;o do observador, o que &eacute; a experi&ecirc;ncia imediata, a intelig&ecirc;ncia primordial.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nesta pr&aacute;tica, n&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria uma aten&ccedil;&atilde;o que avalia que julga, que segue. N&atilde;o temos necessidade de um grande espi&atilde;o pesado que olha por cima de nossas costas nem de um pequeno espi&atilde;o esperto e r&aacute;pido que furtivamente observa. Quando esta pr&aacute;tica &eacute; verdadeiramente compreendida e realizada, a &quot;medita&ccedil;&atilde;o&quot;, se podemos ainda cham&aacute;-la assim, &eacute; alguma coisa muito simples e muito f&aacute;cil, que pode ser feita em qualquer circunst&acirc;ncia.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Cultivar esta &quot;medita&ccedil;&atilde;o&quot; em todas as circunst&acirc;ncias ou viver este estado, esta experi&ecirc;ncia imediata, &eacute; o que chamamos &quot;a atividade de <i>mahamudra<\/i>&quot;, ou ainda &quot;a atividade espont&acirc;nea&quot;. &quot;Praticar&quot; assim em todas as atividades, no que acontece, no que quer que fa&ccedil;amos, quer estejamos sentados em medita&ccedil;&atilde;o, quer nos desloquemos, trabalhemos, comemos, dormimos, isso &eacute; chamado o &quot;Yoga Rio&quot;, que corre sem descontinuidade, constantemente, &eacute; a &quot;Via Real&quot; seguida por todos os Budhas, do passado do presente, e do futuro.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Na pr&aacute;tica do <i>mahamudra<\/i> essencial, falamos tamb&eacute;m de tr&ecirc;s etapas chamadas: &quot;reconhecer do que se trata&quot;, &quot;cultivar a pr&aacute;tica&quot; e &quot;obter a estabilidade&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Trata-se de reconhecer o que &eacute; a pr&aacute;tica, depois de cultiva-la em todas as circunst&acirc;ncias, at&eacute; que a estabilidade seja obtida.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A capacidade de reconhecer o que &eacute; pr&aacute;tica de <i>mahamudra<\/i> depende da &quot;receptividade superior&quot;. Tendo sido conduzido &agrave; maturidade pela inicia&ccedil;&atilde;o que estabelece a conex&atilde;o com a influ&ecirc;ncia espiritual, o disc&iacute;pulo pode ser introduzido &agrave; pr&aacute;tica do <i>mahamudra<\/i>. O lama lhe d&aacute; alguns conselhos, lhe mostra, por diferentes meios verbais e simb&oacute;licos, do que se trata \u2013 &eacute; o que chamamos a apresenta&ccedil;&atilde;o. H&aacute; uma altern&acirc;ncia de trocas com o lama e momentos de retiro silencioso, depois quando uma certa compreens&atilde;o do &quot;que&quot; &eacute; a mente, nossa experi&ecirc;ncia foi adquirida, importa questionar &quot;quem&quot; teve a experi&ecirc;ncia assim enunciada, o testemunho, o sujeito desta experi&ecirc;ncia. Se n&atilde;o encontrarmos o sujeito de caracter&iacute;sticas, ou revela ter caracter&iacute;sticas inapreens&iacute;veis, podemos ainda interrogar sobre o &quot;como&quot; desta experi&ecirc;ncia indefin&iacute;vel. H&aacute; um conjunto de considera&ccedil;&otilde;es, de contempla&ccedil;&otilde;es mais anal&iacute;ticas que nos conduzem a descobrir o estado de repouso natural da mente, o estado da mente quando esta n&atilde;o &eacute; constrangida, quando &eacute; deixada tal como &eacute;, sem artif&iacute;cios, no seu estado natural. Descobrimos o que chamamos mente de imediaticidade, a &quot;mente comum&quot;. Quando esta presen&ccedil;a da imediaticidade, esta &quot;mente comum&quot; foi encontrada, al&eacute;m de todas as tergiversa&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m de todas as d&uacute;vidas, conceitos, reconhecemos &quot;o que &eacute;&quot; a pr&aacute;tica.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nesse momento, o ponto essencial &eacute; cultivar \u2013 guardar essa mente do imediato (presente). &quot;Guardar&quot; pode prestar-se a confus&atilde;o: n&atilde;o &eacute; qualquer coisa que possa ser agarrada; &eacute; aprender a proteger, de algum modo, este estado em todas as circunst&acirc;ncias, at&eacute; a estabilidade.<\/p>\n<p><\/font><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AS PORTAS DA LIBERA&Ccedil;&Atilde;OE os pontos essenciais Por Lama DenysExtrato do livro:&#8220;DHARMA \u2013 La Voie du Bouddha \u2013 Mahamudra-Dzogchen&#8221;Tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas: Karma Tempa Dhargy As tr&ecirc;s portas da libera&ccedil;&atilde;o \u2013 n&atilde;o-agir, n&atilde;o artif&iacute;cio e n&atilde;o-medita&ccedil;&atilde;o \u2013 e as tr&ecirc;s &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/as-portas-da-liberacao-e-os-pontos-essenciais\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6097,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-6200","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dzogchen"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6200","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6200"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6202,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6200\/revisions\/6202"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6097"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}