{"id":6276,"date":"2020-06-22T10:13:19","date_gmt":"2020-06-22T12:13:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6276"},"modified":"2020-06-22T10:13:19","modified_gmt":"2020-06-22T12:13:19","slug":"a-condicao-natural","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-condicao-natural\/","title":{"rendered":"A condi\u00e7\u00e3o natural"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Padmasambava.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Padmasambava.jpg\" alt=\"\" width=\"599\" height=\"641\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6270\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Padmasambava.jpg 599w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Padmasambava-280x300.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><a name=\"inicio\"><\/p>\n<div style=\"text-align:center\"><font size=\"4\"><b>A CONDI&Ccedil;&Atilde;O NATURAL<\/b><br \/><\/font><font size=\"1\"><b>Ou como as coisas s&atilde;o e como a confus&atilde;o as faz aparecer<\/b><\/font><\/div>\n<p><\/a><\/font><\/div>\n<div style=\"text-align:right\"><b>de  Padmasambhava<\/b><\/p>\n<p><font size=\"1\"><i>Texto extra\u00eddo do livro<br \/> &#8220;La Simplicit\u00e9 de la Grande Perfection&#8221;<br \/> Traduzido do tibetano e apresentado por James Low<br \/>Traduzido para o portugu\u00eas por: Karma Tenpa Dhargye<\/i><\/font><\/div>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"CENTER\">INTRODU&Ccedil;&Atilde;O<\/p>\n<p><\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Este texto &eacute; uma se&ccedil;&atilde;o do [<i>gSang-sNgags Lam-Rim<\/i>] de Padmasambhava, que existe ao mesmo tempo na linhagem aberta [<i>bKa\u2019-Ma<\/i>] e na linhagem dos tesouros [<i>gTer-Ma<\/i>]. A linguagem &eacute; muito t&eacute;cnica e herm&eacute;tica, e ele condensa uma grande quantidade de informa&ccedil;&otilde;es em segundo plano. Poder&iacute;amos dizer que se trata de uma s&eacute;rie de aforismos que constroem um racioc&iacute;nio e um ponto de vista. Essas afirma&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o evidentes em si-mesmas de um ponto de vista comum, e elas n&atilde;o s&atilde;o tampouco explicadas ou justificadas. Mas n&atilde;o &eacute; um tratado filos&oacute;fico racional, l&oacute;gico; &eacute; uma experi&ecirc;ncia real de Padmasambhava, o grande <i>yogui dzogchen<\/i> de Oddiyana. Esse texto aparece no <i>&quot;Byang-gTer Chos-sPyod&quot;<\/i> e ele &eacute; recitado cada dia para os monges, os <i>yoguis<\/i> e os laicos que seguem esta linhagem.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A compreens&atilde;o da Base comum do <i>samsara<\/i> e do <i>nirvana<\/i> &eacute; essencial para a vis&atilde;o <i>dzogchen<\/i> e, nesse curto texto, a forma&ccedil;&atilde;o do <i>samsara<\/i> &eacute; claramente exposta: a ignor&acirc;ncia &eacute; advent&iacute;cia, ela n&atilde;o &eacute; inata, &eacute; uma nuvem passageira que vela a verdadeira natureza da mente semelhante ao c&eacute;u, mas n&atilde;o a altera. Reconhecendo as qualidades da condi&ccedil;&atilde;o natural, se torna mais f&aacute;cil identificar as diferentes manifesta&ccedil;&otilde;es do estado de extravio ou experi&ecirc;ncia do <i>samsara<\/i>. &Eacute; interessante comparar isso com as experi&ecirc;ncias tradicionais, mais lineares, dos doze <i>nidanas<\/i> (doze elos). O texto ilustra o valor da vis&atilde;o, n&atilde;o enquanto filosofia iluminadora ou outra vis&atilde;o m&iacute;stica mais elevada, mas como um meio muito pr&aacute;tico, muito eficaz, de reconhecer um desvio na medita&ccedil;&atilde;o. O texto exp&otilde;e a vis&atilde;o que deveria ser reconhecida. Isso corresponde ao primeiro dos tr&ecirc;s celebres aforismos de Garab Dordje, e a descri&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento da ignor&acirc;ncia \u2013 ou falta de consci&ecirc;ncia \u2013 fornece o pano de fundo essencial ao segundo e terceiro c&eacute;lebres &quot;pontos&quot;. [&#8230;]<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">As rea&ccedil;&otilde;es habituais aos fen&ocirc;menos e &agrave;s experi&ecirc;ncias que temos prov&ecirc;m da ignor&acirc;ncia ou aus&ecirc;ncia de presen&ccedil;a. Esta compreens&atilde;o enquadra a exist&ecirc;ncia comum, a deslocando da falsa verdade relativa para a pura verdade relativa. Compreender a fonte de nossa experi&ecirc;ncia comum nos permite ir mais fundo, e perceber esta fonte relativa que &eacute; a ignor&acirc;ncia, at&eacute; que penetremos na fonte absoluta que &eacute; o reino natural da consci&ecirc;ncia. &Eacute; o n&iacute;vel mais elevado de redimensionamento, um estado aberto, sem moldura que p&otilde;e em evid&ecirc;ncia o fato de que todos os quadros de refer&ecirc;ncia s&atilde;o montagens. Nada deve ser trocado ou alterado de nenhuma maneira. &Eacute; talvez nossa experi&ecirc;ncia \u2018do que &eacute;\u2019 que se aperfei&ccedil;oa quando nos liberamos das fabrica&ccedil;&otilde;es artificiais e quando permitimos &agrave; luminosidade natural e &agrave; claridade da exist&ecirc;ncia de revelarem-se por si mesmas. <\/p>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"CENTER\">A CONDI&Ccedil;&Atilde;O NATURAL<\/p>\n<p><\/b><i><\/p>\n<p align=\"CENTER\">E O ESTADO DE<b> <\/b>EXTRAVIO<\/p>\n<p align=\"CENTER\">\n<p><b><\/p>\n<p align=\"CENTER\">O TEXTO<\/p>\n<p><\/b><\/i><\/p>\n<p align=\"CENTER\">\n<p align=\"CENTER\">A CONDI&Ccedil;&Atilde;O NATURAL<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"CENTER\">\n<p><\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No que concerne a condi&ccedil;&atilde;o natural, <b><i>&quot;ela &eacute; n&atilde;o dual, surgindo espontaneamente, pura desde o in&iacute;cio, &eacute; a budeidade primordial&quot;.<\/i><\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">(Padmasambhava comenta agora sua pr&oacute;pria afirma&ccedil;&atilde;o)<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&#9;H&aacute; quatro aspectos disso:<\/p>\n<p><b><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&#8211; Primeiro, a condi&ccedil;&atilde;o natural permanece na n&atilde;o-dualidade.<\/p>\n<p><\/i><\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&#9;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&#9;H&aacute; cinco aspectos disso:<\/p>\n<ol>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>Tudo o que aparece &eacute; despido de verdadeira realidade e desse fato, a ess&ecirc;ncia &eacute; a n&atilde;o-dualidade das apar&ecirc;ncias e da vacuidade.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>A mente em si &eacute; n&atilde;o-nascida (inata) desde o in&iacute;cio, o que &eacute; que faz cessar o n&atilde;o-nascido? Desse fato, h&aacute; a caracter&iacute;stica da n&atilde;o-dualidade de come&ccedil;o e fim.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>Tudo que aparece &eacute; nossa pr&oacute;pria mente e n&atilde;o h&aacute; outros fen&ocirc;menos que aqueles que prov&eacute;m da mente. Desse fato, a apar&ecirc;ncia e experi&ecirc;ncia s&atilde;o n&atilde;o-duais.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>No que concerne a mente de apar&ecirc;ncia n&atilde;o-dual, se n&atilde;o a possu&iacute;ssemos anteriormente, ela n&atilde;o poderia aparecer depois. Como foi assim desde o in&iacute;cio, a condi&ccedil;&atilde;o natural &eacute; a n&atilde;o-dualidade de si e do outro.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>Desta maneira, n&atilde;o h&aacute; nenhum fen&ocirc;meno que n&atilde;o seja n&atilde;o-dual, assim &eacute; essa grande n&atilde;o-dualidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"JUSTIFY\">Brevemente, ap&oacute;s a realidade exposta, o sujeito, todos os fen&ocirc;menos do <i>samsara<\/i> e do <i>nirvana<\/i>, tudo o que pode aparecer surge sem cessar, assim a n&atilde;o-dualidade est&aacute; livre de limita&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A n&atilde;o-dualidade &eacute; introduzida desse modo afim de que eliminando as id&eacute;ias falsas, sejamos liberados do apego &agrave; cren&ccedil;a nos fen&ocirc;menos dualistas separados. O objetivo &eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o da n&atilde;o-dualidade. Todos os fen&ocirc;menos podem ser englobados no duplo aspecto da ess&ecirc;ncia (n&atilde;o-dualidade das apar&ecirc;ncias e vacuidade) e eles s&atilde;o n&atilde;o-duais, permanecendo somente em um &uacute;nico ponto [<i>Thig-le Nyag-gChig<\/i>].<\/p>\n<p><b><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&#8211; Segundo, a condi&ccedil;&atilde;o natural permanece enquanto que apar&ecirc;ncia despida de esfor&ccedil;o. <\/p>\n<p><\/i><\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">H&aacute; cinco aspectos disso:<\/p>\n<ol>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>A caracter&iacute;stica de todo fen&ocirc;meno &eacute; ser desprovido de qualquer realidade substancial e assim a realidade surge sem esfor&ccedil;o.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>Todos os fen&ocirc;menos s&atilde;o uma energia de  nenhum modo bloqueada e assim o sujeito surge sem esfor&ccedil;o.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>A verdadeira natureza de todo fen&ocirc;meno est&aacute; al&eacute;m da compreens&atilde;o e assim a n&atilde;o-dualidade surge sem esfor&ccedil;o.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>O estado n&atilde;o foi produzido por nenhum outro. Desde o in&iacute;cio, ele &eacute; o mesmo e assim sua natureza aparece sem esfor&ccedil;o.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>Todos os fen&ocirc;menos do <i>samsara<\/i> e do <i>nirvana<\/i> surgem sem esfor&ccedil;o e n&atilde;o h&aacute; nenhuma parte de qualquer fen&ocirc;meno que n&atilde;o tenha essa natureza.  Portanto, &eacute; a grande apar&ecirc;ncia sem esfor&ccedil;o.<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"JUSTIFY\">Brevemente, na realidade aberta, o sujeito \u2013 todos os fen&ocirc;menos que podem aparecer no <i>samsara<\/i> e no <i>nirvana<\/i> \u2013 n&atilde;o residem em nenhuma natureza pr&oacute;pria real, assim eles surgem sem esfor&ccedil;o e sem nenhuma limita&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A apar&ecirc;ncia sem esfor&ccedil;o &eacute; introduzida desse modo afim de que eliminando a falsa id&eacute;ia, sejamos liberados do desejo de que um outro algu&eacute;m possa nos ajudar (&agrave; atingir a ilumina&ccedil;&atilde;o).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O objetivo &eacute; ser livre da necessidade de buscar e de praticar. A ess&ecirc;ncia desta realiza&ccedil;&atilde;o &eacute; que todos os fen&ocirc;menos, que s&atilde;o todas as apar&ecirc;ncias poss&iacute;veis do <i>samsara<\/i> e do <i>nirvana,<\/i> surgem sem esfor&ccedil;o na mente.<\/p>\n<ul><b><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>Terceiro, a condi&ccedil;&atilde;o natural permanece enquanto que Base pura [gZhi]. <\/li>\n<p><\/i><\/b><\/ul>\n<ul>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>H&aacute; igualmente cinco aspectos disso:<\/li>\n<\/ul>\n<ol>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>Sendo naturalmente vazia desde o in&iacute;cio, ela &eacute; pura de todo fen&ocirc;meno substancial e, desse fato, &eacute; a esfera muito pura [<i>dByings<\/i>].<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>Enquanto experi&ecirc;ncia, a energia da vacuidade &eacute; incessante, assim, desde o in&iacute;cio, houve a pureza em rela&ccedil;&atilde;o a apar&ecirc;ncia real da mente. &Eacute; a cogni&ccedil;&atilde;o primordial muito pura.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>Na ess&ecirc;ncia dotada da n&atilde;o-dualidade da apar&ecirc;ncia e da vacuidade, todos os fen&ocirc;menos separados s&atilde;o puros desde o in&iacute;cio. &Eacute; a n&atilde;o-dualidade muito pura.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>Este estado n&atilde;o foi criado subitamente mas est&aacute; presente desde o in&iacute;cio. &Eacute; a pureza natural.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>N&atilde;o h&aacute; nenhum outro fen&ocirc;meno que n&atilde;o seja puro desde o in&iacute;cio. &Eacute; a grande pureza.<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"JUSTIFY\">Brevemente, a realidade aberta \u2013 o sujeito, todos os fen&ocirc;menos poss&iacute;veis do <i>samsara <\/i>e do <i>nirvana<\/i> \u2013 n&atilde;o comporta nada que deva ser rejeitado, tamb&eacute;m &eacute; naturalmente pura. Portanto, &eacute; a pureza ilimitada.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A pureza perfeita &eacute; introduzida desse modo afim de que eliminando a id&eacute;ia falsa, sejamos liberados do apego ao fato de crer que a confus&atilde;o &eacute; um estado natural da mente. O objetivo &eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o da pureza perfeita. A ess&ecirc;ncia-realidade &eacute; naturalmente e completamente pura.<\/p>\n<ul><b><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>Quarto, a condi&ccedil;&atilde;o natural reside na budeidade primordial.<\/li>\n<p><\/i><\/b><\/ul>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nossa pr&oacute;pria consci&ecirc;ncia &eacute; a mente desperta que est&aacute; purificada [<i>sangs<\/i>] da confus&atilde;o dos fen&ocirc;menos dualistas e que tem o desenvolvimento [<i>rGyas<\/i>] da cogni&ccedil;&atilde;o primordial n&atilde;o-dual.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Portanto, isso &eacute; a budeidade  [<i>Sangs-rGyas<\/i>].<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ainda mais, ela n&atilde;o tem um &aacute;tomo de confus&atilde;o, pois &eacute; pura [<i>Sangs<\/i>], porque n&atilde;o &eacute; que ela tenha sido alguma vez sem n&atilde;o-dualidade e que a n&atilde;o-dualidade tenha sido desenvolvida [<i>rGyas<\/i>] mais tarde. Sua caracter&iacute;stica natural &eacute; estar livre da confus&atilde;o, como a ess&ecirc;ncia se desenvolve enquanto cogni&ccedil;&atilde;o primordial n&atilde;o-dual. &Eacute; a budeidade primordial.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A natureza aberta &eacute; o modo natural. A express&atilde;o espont&acirc;nea da claridade &eacute; o modo radiante. A n&atilde;o-dualidade desta claridade e desta vacuidade &eacute; o modo de manifesta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O que &eacute; a natureza vazia, e como aparece a claridade da express&atilde;o natural? Claridade e vacuidade s&atilde;o n&atilde;o-duais ou indissoci&aacute;veis enquanto cogni&ccedil;&atilde;o primordial desta compreens&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Estar sem confus&atilde;o diante desta verdadeira natureza, &eacute; a <b>ren&uacute;ncia perfeita<\/b>. Ter a n&atilde;o-dualidade desta ess&ecirc;ncia, &eacute; a <b>realiza&ccedil;&atilde;o perfeita<\/b>. Se n&atilde;o houvesse uma tal budeidade primordial, a medita&ccedil;&atilde;o n&atilde;o poderia faze-la aparecer.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&Eacute; como a pedra <i>Saledram<\/i> que n&atilde;o teve nunca ouro (embora se pare&ccedil;a muito com ouro). Mesmo se trabalharmos sobre ela, jamais se tornar&aacute; ouro. A budeidade primordial &eacute; apresentada desta maneira a fim de que eliminando as falsas id&eacute;ias sejamos liberados do apego a cren&ccedil;a de que a Base inclui a confus&atilde;o. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O objetivo &eacute; realizar a budeidade primordial, realizar a ess&ecirc;ncia de nossa pr&oacute;pria consci&ecirc;ncia enquanto modos e conhecimentos primordiais.<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"CENTER\">O ESTADO DO EXTRAVIO<\/p>\n<p><\/b><i><\/p>\n<p align=\"CENTER\">(DA ALUCINA&Ccedil;&Atilde;O). Vis&atilde;o impura<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p align=\"CENTER\">\n<p align=\"JUSTIFY\">No que se refere ao estado de extravio <i>[\u2018Khrul-Lugs<b>], &quot;ele &eacute; em ess&ecirc;ncia , ignor&acirc;ncia, a&ccedil;&atilde;o c&aacute;rmica e emo&ccedil;&atilde;o perturbadora, vis&atilde;o falsa e sofrimento&quot;.<\/b><\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">(Padmasambhava comente agora sua pr&oacute;pria afirmativa)<\/p>\n<ul>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>H&aacute; dois aspectos disso:<\/li>\n<\/ul>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&#8211; Primeiro<\/p>\n<p><\/b>, no que concerne &agrave; Base da confus&atilde;o, a mente em-si, a ess&ecirc;ncia do despertar, existe sem nenhuma limita&ccedil;&atilde;o como ser ou n&atilde;o-ser. Enquanto n&atilde;o reconhecemos isso como nossa pr&oacute;pria natureza, acreditamos em ser ou n&atilde;o-ser, nos apegamos a diversas id&eacute;ias e, assim, existe a confus&atilde;o.<b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&#8211; Segundo<\/p>\n<p><\/b>, h&aacute; a causa [<i>rGyu<\/i>] que &eacute; a ignor&acirc;ncia.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&#8211; &#9;H&aacute; cinco aspectos disso:<\/p>\n<ol>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>A ignor&acirc;ncia simult&acirc;nea ou co-emergente &eacute; o n&atilde;o-reconhecimento da consci&ecirc;ncia desperta. Por quem n&atilde;o &eacute; ela reconhecida? \u2013 Por si mesma. O que &eacute; que n&atilde;o &eacute; reconhecido? \u2013 Ela  mesma. N&atilde;o h&aacute; ningu&eacute;m para mostrar as caracter&iacute;sticas da causa, e assim &eacute; como apalpar uma forma em um quarto escuro. Ou &eacute; como n&atilde;o reconhecer que um sinal &eacute; um sinal.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>A ignor&acirc;ncia da imputa&ccedil;&atilde;o total [<i>Kun-Tu brTag-Pa<\/i>] na qual consideramos o n&atilde;o existente como existente. Quem faz esta identifica&ccedil;&atilde;o? &Eacute; o nosso pr&oacute;prio processo mental. O que &eacute; identificado? Os objetos e a mente est&atilde;o separados. Como s&atilde;o eles identificados? Enquanto separa&ccedil;&atilde;o entre eu e outros. &Eacute; como tomar um r&oacute;tulo por um homem.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>As causas que contribuem nos tr&ecirc;s tipos de a&ccedil;&otilde;es (tr&ecirc;s venenos) e nas cinco (ou 6) emo&ccedil;&otilde;es perturbadoras. Devido as a&ccedil;&otilde;es virtuosas, nascemos nos reinos superiores dos homens e dos deuses, nesse reino do desejo. Pelo fato das a&ccedil;&otilde;es inabal&aacute;veis, nascemos nos para&iacute;sos de Brahma (os reinos sem forma). Pelo fato das a&ccedil;&otilde;es n&atilde;o virtuosas, nascemos nos tr&ecirc;s reinos inferiores. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s emo&ccedil;&otilde;es perturbadoras, por causa do &oacute;dio, nascemos nos reinos dos infernos, por causa da gan&acirc;ncia no reino dos fantasmas famintos, por causa da estupidez no reino dos animais, por causa da inveja no reino dos semi-deuses, por causa do orgulho no reino dos deuses. E mais, essas emo&ccedil;&otilde;es perturbadoras s&atilde;o o poder subjacente aos tr&ecirc;s tipos de a&ccedil;&otilde;es.<\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>O operador [<i>Byed-Pa-Po<\/i>] tem um instante de vis&otilde;es falsas. A partir da continua&ccedil;&atilde;o desse instante, os fen&ocirc;menos do <i>samsara<\/i> se produzem e nos sujeitamos desse modo ao poder do &quot;outro&quot; impuro. Da vacuidade surgem interpreta&ccedil;&otilde;es [<i>sPros-Pa<\/i>], e por causa disso, acreditamos que a consci&ecirc;ncia &eacute; um &quot;eu&quot; [<i>bDag<\/i>] substancial. <b>&Eacute; vendo esse &quot;eu&quot; que o &quot;outro&quot; [<i>gZhan<\/i>] se desenvolve, e a presen&ccedil;a do &quot;outro&quot; d&aacute; nascimento &agrave; atra&ccedil;&atilde;o, a avers&atilde;o e a ignor&acirc;ncia. <\/b>Por esse fato, os tr&ecirc;s tipos de a&ccedil;&otilde;es <i>c&aacute;rmicas<\/i> s&atilde;o acumuladas e experimentamos o amadurecimento desse <i>carma<\/i>. <\/li>\n<p align=\"JUSTIFY\">Assim, a partir deste instante de vis&atilde;o falsa, outras coisas surgem, igualmente ilus&oacute;rias. Sobre a Base da percep&ccedil;&atilde;o de entidades reais, h&aacute; apego &agrave;s coisas como se elas fossem permanentes e nos apropriamos dessas no&ccedil;&otilde;es fixas. &Eacute; ao olhar assim com confus&atilde;o que os fen&ocirc;menos do <i>samsara<\/i> s&atilde;o criados.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<li>O resultado: o sofrimento. Tomamos um corpo em um dos seis reinos e em cada um desses lugares, experimentamos os diversos resultados das cinco (seis) emo&ccedil;&otilde;es perturbadoras. Em geral, esta situa&ccedil;&atilde;o &eacute; sem come&ccedil;o nem fim, mas ela pode ter um fim.<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"JUSTIFY\">O estado de extravio &eacute; explicado desta maneira por duas raz&otilde;es. Primeiramente, as id&eacute;ias falsas devem ser eliminadas a fim que sejamos liberados da cren&ccedil;a, estabelecida na mente, segundo a qual o extravio esta presente na Base. Em segundo, temos necessidade do objetivo que &eacute; de podermos realizar a mais pura natureza, porque a Base &eacute; livre de confus&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">De resto, como o falso surgimento do extravio apareceu subitamente, se reconhecermos sua natureza, ela ent&atilde;o &eacute; liberada em seu pr&oacute;prio lugar. Como quando reconhecemos que uma ins&iacute;gnia &eacute; uma ins&iacute;gnia, a confus&atilde;o de a tomar por um homem &eacute; liberada na pureza original.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CONDI&Ccedil;&Atilde;O NATURALOu como as coisas s&atilde;o e como a confus&atilde;o as faz aparecer de Padmasambhava Texto extra\u00eddo do livro &#8220;La Simplicit\u00e9 de la Grande Perfection&#8221; Traduzido do tibetano e apresentado por James LowTraduzido para o portugu\u00eas por: Karma Tenpa &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-condicao-natural\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6270,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39,25],"tags":[62],"class_list":["post-6276","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dzogchen","category-mestres","tag-philip-kapleau"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6276","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6276"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6276\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6277,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6276\/revisions\/6277"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6270"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}