{"id":6289,"date":"2020-06-22T16:00:16","date_gmt":"2020-06-22T18:00:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6289"},"modified":"2020-06-22T16:00:16","modified_gmt":"2020-06-22T18:00:16","slug":"ati-a-essencia-mais-intima","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/ati-a-essencia-mais-intima\/","title":{"rendered":"ATI: A ess\u00eancia mais \u00edntima"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Rigdzin-Jigme-Lingpa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Rigdzin-Jigme-Lingpa.jpg\" alt=\"\" width=\"436\" height=\"492\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6286\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Rigdzin-Jigme-Lingpa.jpg 436w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Rigdzin-Jigme-Lingpa-266x300.jpg 266w\" sizes=\"auto, (max-width: 436px) 100vw, 436px\" \/><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"><a NAME=\"inicio\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:center\"><font SIZE=\"4\"><b>ATI: A ESS&Ecirc;NCIA MAIS &Iacute;NTIMA<\/b><\/font><\/div>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><i><b>Rigdzin Jigme Lingpa<\/b><\/i><\/div>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Junto com o Mahamudra, o Ati &eacute; considerado pelos budistas tibetanos o ensinamento supremo, a culmina&ccedil;&atilde;o do caminho espiritual. Este &quot;yana imperial&quot;, conhecido no Tibete como dzogchen, &quot;a grande perfei&ccedil;&atilde;o&quot;, foi levado para o Tibete no s&eacute;culo VIII por dois grandes mestres indianos, o Siddha Padmasambhava e o pandita Vimalamitra. No s&eacute;culo XIV os m&uacute;ltiplos aspectos e n&iacute;veis da doutrina do Ati foram reformulados por Longchen Rabjam, cuja percep&ccedil;&atilde;o se dizia igualar-se &agrave; de Buda. O grande vidhyadhara (\u2018detentor da vis&atilde;o\u2019) Jigme Lingpa (1730-1798) foi a figura principal da linhagem Ati destes &uacute;ltimos s&eacute;culos. Ele teve tr&ecirc;s vis&otilde;es nas quais recebeu a transmiss&atilde;o do Ati diretamente do pr&oacute;prio Longchen Rabjam. Depois disso escreveu muitos coment&aacute;rios dos principais textos de Longchen Rabjam, nos quais condensou e tornou a sistematizar a tradi&ccedil;&atilde;o do Ati, dando-lhe a forma que tem hoje.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Na vis&atilde;o do Ati tudo &eacute; completo e impec&aacute;vel como est&aacute;.  Tudo que acontece &eacute; demonstra&ccedil;&atilde;o da mente de sabedoria primordial e n&atilde;o se separa dela. Essa percep&ccedil;&atilde;o primordial &eacute; o terreno de onde surgem tanto a confus&atilde;o quanto o esclarecimento e no qual ambos se desvanecem.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">A natureza dessa percep&ccedil;&atilde;o &eacute; o vazio profundo e brilhante e &eacute; ainda mais fundamental do que a condi&ccedil;&atilde;o de Buda, tendo em vista que n&atilde;o tem propens&atilde;o nem mesmo para a ilumina&ccedil;&atilde;o. Ati &eacute; considerado o &quot;ve&iacute;culo sem esfor&ccedil;o&quot;, porque o que a mente faz naturalmente (desde que n&atilde;o seja desviada para nenhuma particularidade) reside na vis&atilde;o profunda do Ati, que n&atilde;o &eacute; diferente da ilumina&ccedil;&atilde;o propriamente dita. Mas o leitor n&atilde;o deve pensar que isso significa que o caminho espiritual, com todas as suas disciplinas, &eacute; sup&eacute;rfluo, e que basta descansar e ficar esperando pela ilumina&ccedil;&atilde;o. A in&eacute;rcia do Ati &eacute; um exerc&iacute;cio perfeito de simplicidade, de ver constantemente dentro das complexidades da mente a ess&ecirc;ncia da pr&oacute;pria percep&ccedil;&atilde;o, radiante e desvinculada.  No trecho introdut&oacute;rio curto que apresentamos abaixo, Jigme Lingpa nos d&aacute; uma impress&atilde;o vigorosa do Ati, aqui chamado Maha-Ati (\u2018Grande Ati\u2019), al&eacute;m de indicar algumas das in&uacute;meras ciladas que o cercam.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">ESTE &Eacute; O RUGIDO DO LE&Atilde;O que domina as extravagantes confus&otilde;es e equ&iacute;vocos dos meditadores que abandonaram os v&iacute;nculos materialistas para meditar na Ess&ecirc;ncia Mais &Iacute;ntima.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O <i>Maha-Ati<\/i> est&aacute; al&eacute;m das concep&ccedil;&otilde;es e transcende tanto apego quanto desapego; &eacute; a pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia da vis&atilde;o intuitiva transcendental. Este &eacute; o estado imut&aacute;vel de aus&ecirc;ncia de medita&ccedil;&atilde;o, no qual existe aten&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o existe apego. Entendendo isto, presto uma homenagem eterna ao <i>Maha-Ati<\/i>, com grande simplicidade:<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&quot;Aqui est&aacute; a ess&ecirc;ncia profunda do <i>tantra<\/i> do <i>Maha-Ati<\/i>, O n&uacute;cleo mais profundo dos ensinamentos de <i>Padmakara<\/i> a for&ccedil;a vital das <i>dakinis<\/i>.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&Eacute; o ensinamento supremo dos nove ve&iacute;culos.<sup>1 <\/sup>S&oacute; pode ser transmitido por um guru da linhagem da mente, e n&atilde;o atrav&eacute;s de meras palavras.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Apesar disso, escrevi isto em proveito dos grandes meditadores que devotam-se ao ensinamento supremo.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Este ensinamento foi retirado do tesouro do <i>Dharmadhatu<\/i> e n&atilde;o surge de apego a teorias e abstra&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas&quot;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Primeiro o disc&iacute;pulo tem de encontrar um guru completo com o qual teve uma boa liga&ccedil;&atilde;o <i>c&aacute;rmica<\/i>. O mestre precisa ser detentor da transmiss&atilde;o da linhagem da mente. O disc&iacute;pulo precisa ter devo&ccedil;&atilde;o e f&eacute; sinceras, que possibilitam a transmiss&atilde;o do mestre.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O <i>Maha-Ati<\/i> &eacute; da maior simplicidade. &Eacute; o que &eacute;. N&atilde;o consegue ser demonstrado por analogia; nada pode obstru&iacute;-lo. N&atilde;o tem limita&ccedil;&atilde;o e transcende todos os extremos. &Eacute; a realidade n&iacute;tida, que n&atilde;o muda de forma ou colora&ccedil;&atilde;o.  Quando nos identificamos com este estado, at&eacute; o desejo de meditar se dissolve; somos libertados das cadeias de medita&ccedil;&atilde;o e das filosofias e teorias de mundo e surge em nosso &iacute;ntimo plena convic&ccedil;&atilde;o. O pensador desertou. J&aacute; n&atilde;o existe nenhuma vantagem a ser adquirida com pensamentos \u2018bons\u2019, nem nenhum preju&iacute;zo a sofrer com pensamentos \u2018maus\u2019. Os pensamentos neutros j&aacute; n&atilde;o nos conseguem enganar.  Nos unificamos com o insight transcendental e com o espa&ccedil;o infinito. Ent&atilde;o encontramos sinais de progresso no caminho. J&aacute; n&atilde;o existe quest&atilde;o alguma de confus&otilde;es ou equ&iacute;vocos acontecendo ao redor.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Esse ensinamento &eacute; o rei dos <i>yanas<\/i>, mas podemos classificar seus meditadores; h&aacute; os que s&atilde;o muito receptivos a ele, os que s&atilde;o menos receptivos e os que a ele s&atilde;o avessos. Os disc&iacute;pulos mais receptivos s&atilde;o dif&iacute;ceis de encontrar e &agrave;s vezes acontece do aluno e o mestre n&atilde;o serem capazes de manter um verdadeiro ponto de encontro. Neste caso, nada se concretiza e podem surgir equ&iacute;vocos no que se refere &agrave; natureza do <i>Maha-Ati<\/i>.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Os menos receptivos come&ccedil;am estudando a teoria e gradualmente desenvolvem a sensibilidade e o verdadeiro entendimento. Hoje em dia muitas pessoas consideram a teoria como se fosse a medita&ccedil;&atilde;o. A medita&ccedil;&atilde;o dessas pessoas pode ser clara e desprovida de pensamentos e talvez seja relaxante e agrad&aacute;vel, mas &eacute; apenas a viv&ecirc;ncia tempor&aacute;ria do &ecirc;xtase. Estas pessoas acreditam que isso &eacute; medita&ccedil;&atilde;o e que ningu&eacute;m sabe mais do que elas, e pensam: &quot;Cheguei a este entendimento&quot; e ficam orgulhosas de si mesmas. Assim, se n&atilde;o h&aacute; nenhum mestre competente, o que vivenciam &eacute; apenas te&oacute;rico. Como &eacute; dito nos textos do <i>Maha-Ati<\/i>, &quot;a teoria &eacute; como um remendo num casaco: um dia vai cair&quot;. Geralmente as pessoas procuram fazer distin&ccedil;&atilde;o entre \u2018bons\u2019 e \u2018maus\u2019 pensamentos, como se tentassem separar leite de &aacute;gua. &Eacute; bastante dif&iacute;cil aceitar as experi&ecirc;ncias negativas da vida, mas ainda mais dif&iacute;cil &eacute; encarar as experi&ecirc;ncias positivas como parte do caminho. At&eacute; as pessoas que afirmam ter chegado ao est&aacute;gio mais elevado de realiza&ccedil;&atilde;o est&atilde;o completamente envolvidas com a fama e com preocupa&ccedil;&otilde;es mundanas. S&atilde;o atacadas pelo <i>devaputra<\/i>, a for&ccedil;a maligna que provoca a atra&ccedil;&atilde;o para os objetos dos sentidos. Isso significa que ainda n&atilde;o realizaram a libera&ccedil;&atilde;o do Eu dos seis sentidos. Essas pessoas consideram a fama uma coisa muito extraordin&aacute;ria e miraculosa. Isso &eacute; como afirmar que um corvo &eacute; branco.  Mas aquele que se dedica inteiramente &agrave; pr&aacute;tica do <i>Dharma<\/i> sem se preocupar com a fama e com a gl&oacute;ria mundanas n&atilde;o deve ficar satisfeito demais consigo mesmo por ter chegado a um certo desenvolvimento na medita&ccedil;&atilde;o. Deve praticar a ioga do guru nos quatro per&iacute;odos do dia a fim de receber as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os do guru e fundir a pr&oacute;pria mente com a dele, abrindo o olho do insight. Tendo passado por essa experi&ecirc;ncia, n&atilde;o conv&eacute;m descart&aacute;-la. Da&iacute; por diante o iogue deve, ele pr&oacute;prio, se dedicar a essa pr&aacute;tica com perseveran&ccedil;a infatig&aacute;vel. Subseq&uuml;entemente ele sentir&aacute; o vazio de forma mais tranq&uuml;ila ou vivenciar&aacute; uma clareza e um insight maiores. Ou ainda, talvez comece a perceber os defeitos dos pensamentos discursivos e com isso desenvolver a sabedoria da discrimina&ccedil;&atilde;o. Alguns indiv&iacute;duos s&atilde;o capazes de usar tanto os pensamentos como a aus&ecirc;ncia de pensamentos como medita&ccedil;&atilde;o, mas &eacute; preciso ter em mente que o que percebe o que est&aacute; acontecendo &eacute; sempre o pulso firme do ego.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Cuidado com o obst&aacute;culo sutil que &eacute; tentar analisar o que vinvenciamos. Isso &eacute; um grande perigo. &Eacute; muito cedo para colocar o r&oacute;tulo de <i>dharmakaya<\/i> em todos os pensamentos. O rem&eacute;dio &eacute; a sabedoria atemporal, que &eacute; imut&aacute;vel e infal&iacute;vel. Uma vez libertado da servid&atilde;o da especula&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica, o meditador desenvolve uma consci&ecirc;ncia penetrante em sua pr&aacute;tica.  Se analisar o que vivenciou na medita&ccedil;&atilde;o e na p&oacute;s-medita&ccedil;&atilde;o, perde-se e comete muitos erros. Se deixar de entender essas defici&ecirc;ncias, nunca conseguir&aacute; atingir o estado desperto atemporal, que est&aacute; al&eacute;m de qualquer conceitualiza&ccedil;&atilde;o desse ou de outro tipo.  Ter&aacute; apenas uma vis&atilde;o conceitual e niilista de vazio, que &eacute; a caracter&iacute;stica dos <i>yanas<\/i> menos importantes.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Tamb&eacute;m &eacute; um erro considerar o vazio uma miragem, como se fosse apenas uma combina&ccedil;&atilde;o de percep&ccedil;&otilde;es v&iacute;vidas com o nada. Isso &eacute; que vivenciamos com os <i>tantras<\/i> menos importantes, o que poderia ser induzido pela pr&aacute;tica do <i>mantra svobhava<\/i>. E &eacute; um erro tamb&eacute;m, analogamente, tendo aquietado os pensamentos discursivos, descuidar da lucidez e considerar a mente apenas um espa&ccedil;o em branco. Vivenciar o verdadeiro insight &eacute; perceber simultaneamente a quietude e os pensamentos ativos. Segundo o ensinamento do <i>Maha-Ati<\/i>, a medita&ccedil;&atilde;o consiste em ver tudo o que surge na mente, seja o que for, e simplesmente permanecer no estado desperto atemporal. Permanecer neste estado ap&oacute;s a medita&ccedil;&atilde;o chama-se &quot;experi&ecirc;ncia p&oacute;s-meditativa&quot;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&Eacute; um erro tentar concentrar-se no vazio e depois de meditar considerar intelectualmente tudo como uma miragem. Insight primordial &eacute; o estado que n&atilde;o &eacute; influenciado pela vegeta&ccedil;&atilde;o rasteira dos pensamentos, por assim dizer. &Eacute; um erro permanecer prevenido contra a mente que divaga, bem como tentar aprisionar a mente na pr&aacute;tica asc&eacute;tica de suprimir pensamentos.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Talvez algumas pessoas interpretem mal a palavra &quot;atemporal&quot; e suponham que se refere a todo e qualquer pensamento que esteja na mente no momento. &Eacute; preciso entender &quot;atemporal&quot; como o insight primordial que j&aacute; descrevemos.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O estado de aus&ecirc;ncia de medita&ccedil;&atilde;o nasce no cora&ccedil;&atilde;o quando j&aacute; n&atilde;o se distingue mais medita&ccedil;&atilde;o de aus&ecirc;ncia de medita&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o se sente mais necessidade de mudar ou prolongar o estado de medita&ccedil;&atilde;o. H&aacute; uma alegria que invade tudo e est&aacute; isenta de todo tipo de d&uacute;vidas. Isso &eacute; muito diferente da mera alegria dos prazeres sensuais e da mera felicidade.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quando falamos em \u2018lucidez\u2019 ou \u2018claridade\u2019 estamos nos referindo ao estado isento de indol&ecirc;ncia ou lentid&atilde;o.  Essa claridade &eacute; insepar&aacute;vel da energia pura e brilha desimpedida. &Eacute; um erro igualar claridade com percep&ccedil;&atilde;o de pensamentos e com as cores e formas dos fen&ocirc;menos externos.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quando os pensamentos est&atilde;o ausentes, o meditar est&aacute; imerso no espa&ccedil;o do chamado \u2018n&atilde;o pensamento\u2019, que &eacute; a aus&ecirc;ncia de pensamentos. Aus&ecirc;ncia de pensamentos n&atilde;o significa inconsci&ecirc;ncia, nem sono, nem recuo dos sentidos; significa simplesmente n&atilde;o se deixar influenciar pelo conflito. Os tr&ecirc;s sinais de medita&ccedil;&atilde;o (claridade, alegria e aus&ecirc;ncia de pensamentos) podem ocorrer naturalmente quando se est&aacute; meditando, mas se o meditador fizer algum esfor&ccedil;o para cri&aacute;-los, permanece na experi&ecirc;ncia c&iacute;clica do <i>samsara<\/i>.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Existem quatro vis&otilde;es err&ocirc;neas do vazio. &Eacute; um erro imaginar que o vazio seja meramente a aus&ecirc;ncia de conte&uacute;dos sem perceber o amplo espa&ccedil;o da atemporalidade. &Eacute; um erro buscar a natureza de Buda em fontes externas sem perceber que a atemporalidade n&atilde;o conhece nenhum caminho e nenhum resultado. &Eacute; um erro tentar introduzir algum rem&eacute;dio para os pensamentos sem perceber que os pensamentos s&atilde;o vazios por natureza e que sempre &eacute; poss&iacute;vel libertar-se, como uma cobra se desenrolando. Tamb&eacute;m &eacute; um erro manter uma vis&atilde;o niilista dizendo que n&atilde;o h&aacute; mais nada sen&atilde;o o v&aacute;cuo, nenhuma causa e efeito do <i>carma<\/i> e nenhum meditador nem medita&ccedil;&atilde;o, e ao mesmo tempo deixando de vivenciar o vazio al&eacute;m das concep&ccedil;&otilde;es. Quem j&aacute; obteve lampejos de percep&ccedil;&atilde;o deve conhecer estes perigos e precisa conhec&ecirc;-los detalhadamente. &Eacute; f&aacute;cil teorizar e falar com eloq&uuml;&ecirc;ncia a respeito do vazio, mas o meditador pode ainda n&atilde;o ser capaz de lidar com certas situa&ccedil;&otilde;es. Um texto do <i>Maha-Ati<\/i> diz, &quot;A percep&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria &eacute; como uma n&eacute;voa que com certeza desaparecer&aacute;&quot;. Os meditadores que n&atilde;o estudam esses perigos jamais obt&eacute;m coisa alguma ao fazer um retiro rigoroso, ou refrear a mente &agrave; for&ccedil;a, ao fazer visualiza&ccedil;&otilde;es, ao recitar <i>mantras<\/i> ou praticar <i>hatha ioga<\/i>. Como est&aacute; dito no <i>Phagpa D&uuml;dpa Sutra<\/i>, &quot;O <i>bodisatva<\/i> que n&atilde;o conhece o verdadeiro significado da solid&atilde;o, mesmo que medite durante muitos anos num vale remoto cheio de cobras venenosas, a mil quil&ocirc;metros da habita&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima, desenvolver&aacute; um orgulho arrogante&quot;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Se o meditador &eacute; capaz de usar como caminho tudo que lhe acontece na vida, seja o que for, seu corpo passa a ser uma cabana de retiro. Ele n&atilde;o precisa aumentar o n&uacute;mero de anos que passou meditando e n&atilde;o entra em p&acirc;nico quando surgem pensamentos \u2018chocantes\u2019.  Sua consci&ecirc;ncia continua firme como a de um velho observando uma crian&ccedil;a brincar. Como diz um texto do <i>Maha-Ati<\/i>, &quot;a realiza&ccedil;&atilde;o absoluta &eacute; como o espa&ccedil;o imut&aacute;vel&quot;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O iogue do <i>Maha-Ati<\/i> pode parecer uma pessoa comum, mas sempre mant&eacute;m sua aten&ccedil;&atilde;o no estado desperto atemporal. N&atilde;o tem necessidade de livros porque encara os fen&ocirc;menos aparentes e toda a exist&ecirc;ncia como se fossem a <i>mandala<\/i> do <i>guru<\/i>. Para ele n&atilde;o existe especula&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos est&aacute;gios do caminho.  Seus atos s&atilde;o espont&acirc;neos, por isso beneficiam todos os seres sencientes. Quando sai do corpo f&iacute;sico, sua consci&ecirc;ncia se identifica com o <i>dharmakaya<\/i> do mesmo modo que o ar dentro de um vaso se funde com o ambiente quando o vaso quebra.<\/p>\n<p><sub><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">1 &#8211; Este texto de Jigme Lingpa &eacute; muito profundo e especial pela concis&atilde;o e introdu&ccedil;&atilde;o direta aos ensinamentos mais elevados. Foi encontrado em um livro comprado em um shopping center em Porto Alegre, mais uma prova de sua capacidade de manifestar-se no nirmanakaya para beneficiar os seres. A pr&aacute;tica de Guru Ioga &eacute; essencial para obter benef&iacute;cio do texto.<\/p>\n<p><\/sub><\/a><\/font><\/div>\n<hr \/>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><a HREF=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ATI: A ESS&Ecirc;NCIA MAIS &Iacute;NTIMA Rigdzin Jigme Lingpa Junto com o Mahamudra, o Ati &eacute; considerado pelos budistas tibetanos o ensinamento supremo, a culmina&ccedil;&atilde;o do caminho espiritual. 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