{"id":6309,"date":"2020-06-22T16:56:25","date_gmt":"2020-06-22T18:56:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6309"},"modified":"2020-06-22T16:56:25","modified_gmt":"2020-06-22T18:56:25","slug":"a-essencia-a-natureza-e-as-caracteristicas-da-mente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-essencia-a-natureza-e-as-caracteristicas-da-mente\/","title":{"rendered":"A Ess\u00eancia, a Natureza e as Caracter\u00edsticas da Mente"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Dakpo-Tashi-Namgyal.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Dakpo-Tashi-Namgyal.jpeg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"344\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6304\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Dakpo-Tashi-Namgyal.jpeg 250w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Dakpo-Tashi-Namgyal-218x300.jpeg 218w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"><a NAME=\"inicio\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:center\"><b><font SIZE=\"4\">A Ess\u00eancia, a Natureza e as Caracter\u00edsticas da Mente<br \/><\/font><\/b><\/div>\n<p><\/a> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><i><b>Dagpo Tashi Wangyal<\/b><\/i><\/div>\n<div STYLE=\"text-align:justify\">\n<p><b>A ess\u00eancia da mente<\/b><\/p>\n<p>Apesar da natureza da mente ter geralmente sido designada por estes tr\u00eas termos &#8211; nominalmente, ess\u00eancia, natureza e caracter\u00edsticas -, elas em realidade n\u00e3o s\u00e3o diferentes da ess\u00eancia da mente. O Amnayamanjari afirma:<\/p>\n<p>A vacuidade constitui a natureza intr\u00ednseca de todas as coisas [mentais e materiais]. A ess\u00eancia dessa vacuidade n\u00e3o \u00e9 diferente do que foi designado como a pr\u00f3pria natureza da mente e seu modo de se manifestar. Entretanto, do  ponto de vista do [aspecto mental], ela pode ser dividida em tr\u00eas: ess\u00eancia, natureza e caracter\u00edsticas, que s\u00e3o identificadas de acordo [com seus  aspectos].<\/p>\n<p>Quanto a isto o venerado Gampopa escreveu:<\/p>\n<p>A ess\u00eancia da mente consiste de tr\u00eas aspectos: ess\u00eancia, natureza e caracter\u00edsticas. Sua ess\u00eancia consiste do estado de claridade e n\u00e3o-concep\u00e7\u00e3o, sua natureza \u00e9 vazia de qualquer modo substantivo de surgimento, perman\u00eancia e cessa\u00e7\u00e3o, e suas caracter\u00edsticas referem-se \u00e0s apar\u00eancias dualistas da exist\u00eancia c\u00edclica [samsara] e da paz permanente [nirvana].<\/p>\n<p>Novamente ele comenta:<\/p>\n<p>A mente consiste de natureza, ess\u00eancia e caracter\u00edsticas. O termo designado &#8220;natureza da mente&#8221; significa que em sua natureza intr\u00ednseca ela \u00e9 pura e n\u00e3o-criada, e assim abarca todos os reinos do samsara e do nirvana. O termo &#8220;ess\u00eancia&#8221; significa o estado desperto mais interno, que \u00e9 desapegado do surgimento e da cessa\u00e7\u00e3o. O termo &#8220;caracter\u00edsticas&#8221; significa as diversas apar\u00eancias de imagens surgidas das marcas ps\u00edquicas condicionadas.<\/p>\n<p>Je P&#8217;hagmodrupa conclui:<\/p>\n<p>Mahamudra significa [estado desperto] n\u00e3o-dual.<br \/>Seus tr\u00eas aspectos s\u00e3o a ess\u00eancia, a natureza e as caracter\u00edsticas.<br \/>&#8220;Ess\u00eancia&#8221; significa a vacuidade do surgimento, cessa\u00e7\u00e3o ou concep\u00e7\u00e3o.<br \/>&#8220;Natureza&#8221; significa lucidez n\u00e3o-obstru\u00edda.<br \/>&#8220;Caracter\u00edsticas&#8221; significa as diversas apar\u00eancias. Nos n\u00edveis do samsara e do nirvana.<\/p>\n<p>A ess\u00eancia e a natureza da mente s\u00e3o afirmadas como sendo id\u00eanticas em realidade. O aspecto da mente \u00e9 id\u00eantico com suas caracter\u00edsticas. Isto \u00e9 afirmado por Je Rangjungpa [Karmapa III]:<\/p>\n<p>A ess\u00eancia [da mente] \u00e9 vazia, sua pr\u00f3pria natureza \u00e9 l\u00facida<br \/>E seu aspecto consiste de apar\u00eancias diversas e incessantes.<\/p>\n<p>A ess\u00eancia da mente \u00e9, desde o in\u00edcio, vazia de qualquer surgimento, perman\u00eancia ou cessa\u00e7\u00e3o substantivos. N\u00e3o \u00e9 maculada por conceitos dualistas dos agregados psicof\u00edsicos da vida, pelos elementos e pelas faculdades sensoriais. Ela tem a mesma natureza daqueles fen\u00f4menos que s\u00e3o vazios de qualquer ess\u00eancia pr\u00f3pria mas s\u00e3o uma igualdade que tudo abarca.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 enfatizado no Guhyasamaja:<\/p>\n<p>\u00c9 vazia de todas as subst\u00e2ncias<br \/>E desapegada das discrimina\u00e7\u00f5es dualistas<br \/>Tais como agregados, elementos e faculdades sensoriais.<br \/>\u00c9 sem eu e igual.<br \/>Esta mente \u00e9 n\u00e3o-nascida desde o in\u00edcio<br \/>Porque \u00e9 vazia por sua natureza inata.<\/p>\n<p>Referindo-se \u00e0 ess\u00eancia da mente, o Bodhichittavivarana explica:<\/p>\n<p>As mentes iluminadas [bodhi] dos buddhas<br \/>N\u00e3o s\u00e3o nubladas por qualquer vis\u00e3o de dualidades &#8211;<br \/>O eu e os agregados da vida &#8211;<br \/>Porque as caracter\u00edsticas destas mentes<br \/>S\u00e3o vazias em todos os tempos.<\/p>\n<p>Como afirmado anteriormente, quando olhamos e examinamos completamente a natureza intr\u00ednseca da mente, n\u00e3o encontramos qualquer base substantiva. Ao inv\u00e9s disso, experienciamos que o processo anal\u00edtico est\u00e1 se aquietando ou  se apagando. Este estado \u00e9 descrito como sendo a realidade \u00faltima, a vacuidade que tudo abarca, que \u00e9 intr\u00ednseca em todas as coisas e em todos os tempos. O Satyadvaya afirma:<\/p>\n<p>A aparente realidade aparece como tal<br \/>Mas \u00e9 [vista como sendo] vazia de qualquer subst\u00e2ncia<br \/>Quando sujeita \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o l\u00f3gica completa.<br \/>Esta descoberta [da vacuidade] representa a verdade absoluta<br \/>Que \u00e9 inerente em todas as coisas e em todos os tempos.<\/p>\n<p>Essa vacuidade intr\u00ednseca da mente \u00e9 na verdade a vacuidade de todas as coisas, que abarca todas as apar\u00eancias e exist\u00eancias do samsara e do nirvana. Aryadeva comenta:<\/p>\n<p>Uma subst\u00e2ncia representa a ess\u00eancia de todas as outras subst\u00e2ncias;<br \/>Todas as outras subst\u00e2ncias representam a ess\u00eancia de uma subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Aryadeva tamb\u00e9m diz em seu Chatuhshataka:<\/p>\n<p>A vacuidade de uma coisa<br \/>Representa a vacuidade de todas as coisas.<\/p>\n<p>O Satyadvaya declara:<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 divis\u00e3o qualquer na vacuidade,<br \/>Nem mesmo no menor grau.<\/p>\n<p><b>A natureza da mente<\/b><\/p>\n<p>O Ashtasahasrika Prajnaparamita Sutra ensina:<\/p>\n<p>A natureza da mente consiste da claridade luminosa,<br \/>Que \u00e9 a natureza intr\u00ednseca do Tathagata.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas passagens como esta que descrevem a natureza da mente como sendo uma claridade luminosa. O termo &#8220;claridade luminosa&#8221; significa que \u00e9 pura, n\u00e3o-maculada por quaisquer pensamentos discriminadores, tais como surgimento, perman\u00eancia ou cessa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o-maculada [por quaisquer m\u00e1culas mentais] e desapegada das part\u00edculas dos agregados, ela permanece imut\u00e1vel por todo o tempo, como o espa\u00e7o, ou mesmo insepar\u00e1vel da natureza do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O Upaparipriccha explica:<\/p>\n<p>A mente em sua natureza \u00e9 pura e luminosa.<br \/>\u00c9 n\u00e3o-substantiva, n\u00e3o-maculada e desapegada de quaisquer part\u00edculas subat\u00f4micas.<\/p>\n<p>O Uttaratantra diz:<\/p>\n<p>Esta claridade luminosa, sendo a natureza da mente,<br \/>\u00c9 imut\u00e1vel, como o espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O Jnanalokalamkara Sutra elabora:<\/p>\n<p>[Buddha:] \u00d3 Manjushri, a ilumina\u00e7\u00e3o por sua natureza inata consiste de claridade luminosa, por que a natureza intr\u00ednseca da mente \u00e9 luminosamente  clara. Por que ela \u00e9 assim designada? A natureza intr\u00ednseca da mente \u00e9 desapegada de qualquer m\u00e1cula interior e \u00e9 igual, ou possui, a natureza do espa\u00e7o, enquanto abarca o espa\u00e7o atrav\u00e9s de suas caracter\u00edsticas id\u00eanticas.Por todas estas raz\u00f5es ela \u00e9 designada como sendo claridade luminosa.<\/p>\n<p>O Vairochanabhisambodhi observa:<\/p>\n<p>A natureza da mente \u00e9 pura, por\u00e9m n\u00e3o pode ser concebida dualistamente como sendo externa, interna ou intermedi\u00e1ria.<\/p>\n<p>E novamente diz:<\/p>\n<p>O que quer que seja a natureza do espa\u00e7o \u00e9 a natureza da mente. O que quer que seja a natureza da mente \u00e9 a mente da ilumina\u00e7\u00e3o. Por esta raz\u00e3o a mente, a expans\u00e3o do espa\u00e7o, e a mente da ilumina\u00e7\u00e3o s\u00e3o n\u00e3o-duais e insepar\u00e1veis.<\/p>\n<p>O Guhyasamaja explica:<\/p>\n<p>J\u00e1 que todas as coisas em sua natureza s\u00e3o luminosamente claras,<br \/>Elas s\u00e3o puras desde o in\u00edcio, como o espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Sendo assim, alguns meditadores n\u00e3o-s\u00e1bios, quando experienciam qualquer tipo de claridade interior, consideram-na como sendo a claridade luminosa da mente e at\u00e9 mesmo a assumem como sendo radiante como a luz solar. Este \u00e9 um erro muito s\u00e9rio pois, como provado por cita\u00e7\u00f5es anteriores, o termo &#8220;claridade luminosa&#8221; tem sido usado para simplesmente significar que a mente \u00e9 de pureza intr\u00ednseca, que n\u00e3o \u00e9 maculada pelos pensamentos discriminadores ou afli\u00e7\u00f5es emocionais. Se a natureza da mente se constitu\u00edsse de qualquer coisa radiante e colorida, a mente teria de ser uma luz e teria uma cor. Ent\u00e3o a doutrina [buddhista] que afirma a natureza da mente como sendo pura, isto \u00e9, desapegada de qualquer ess\u00eancia pr\u00f3pria, estaria errada.<\/p>\n<p>Bem, ent\u00e3o, quando certas experi\u00eancias nas quais yogis percebem o pr\u00f3prio estado desperto com a pr\u00f3pria claridade como se fosse uma manifesta\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, uma luz interior que at\u00e9 mesmo ultrapassa as apar\u00eancias, ou uma cor ou luz normais? Naropa esclarece isto no Drishtisamkshepta:<\/p>\n<p>Todas as coisas da apar\u00eancia e da exist\u00eancia<br \/>N\u00e3o existem separadas do pr\u00f3prio estado desperto<br \/>Pois as coisas aparecem e se cristalizam<br \/>Assim como, por exemplo, a mente experiencia<br \/>O seu pr\u00f3prio estado desperto.<\/p>\n<p>E novamente ele diz:<\/p>\n<p>Este pr\u00f3prio estado desperto \u00e9 desapegado da discrimina\u00e7\u00e3o;<br \/>Ele se manifesta enquanto sendo intrinsecamente vazio;<br \/>Sendo vazio ele se manifesta.<br \/>A apar\u00eancia e a vacuidade s\u00e3o, portanto, insepar\u00e1veis.<br \/>Elas s\u00e3o como o reflexo da lua na \u00e1gua.<\/p>\n<p>Tal [experi\u00eancia dos m\u00edsticos] \u00e9 simplesmente o despontar interior da lucidez e estado desperto da mente. Apesar desta experi\u00eancia interior ser correntemente designada como estado desperto para o objeto pr\u00e1tico da contempla\u00e7\u00e3o, ela est\u00e1 ainda no n\u00edvel da dualidade e como tal n\u00e3o pode ser um estado desperto real porque n\u00e3o \u00e9 a vacuidade suprema de todas as formas, nem o poder que tudo permeia. O grande coment\u00e1rio sobre o Kalachakra [o Vimalaprabha] explica:<\/p>\n<p>O que, ent\u00e3o, \u00e9 o estado desperto? A resposta \u00e9 que o estado desperto, assim designado, \u00e9 o estado desperto mais interno de um tipo n\u00e3o-discriminativo. \u00c9 a vacuidade suprema de todas as formas. Al\u00e9m de ser um estado desperto  imut\u00e1vel e extasiante, ele transcende todos os conceitos. Este estado desperto \u00e9 o mestre da causa e efeito. A causa e efeito est\u00e3o nele como a luz e calor do fogo.<\/p>\n<p>O Manjushrinama Sangiti descreve o estado desperto:<\/p>\n<p>\u00c9 o estado desperto que tudo conhece, completo e absoluto.<br \/>Como tal ele transcende o reino da consci\u00eancia.<\/p>\n<p>E novamente diz:<\/p>\n<p>Ele compreende tudo, a si mesmo e os outros.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o Je Drikhungpa diz:<\/p>\n<p>O que \u00e9 conhecido como o grande selo \u00e9 este estado desperto mais interior.<\/p>\n<p>Todas as formas de estado desperto mostradas aqui como objetos de medita\u00e7\u00e3o deveriam ser entendidos \u00e0 luz destas passagens. Mesmo assim, a percep\u00e7\u00e3o interior que os m\u00edsticos experienciam n\u00e3o pode ser constru\u00edda para ser o estado desperto discernidor e a lucidez intr\u00ednseca da mente. O Samdhinirmochana explica:<\/p>\n<p>O estado desperto discernidor est\u00e1 no estado desperto n\u00e3o-dual.<\/p>\n<p>O Guhyachintya Tantra afirma:<\/p>\n<p>Abandonando o eternalismo e o niilismo,<br \/>O surgimento e a cessa\u00e7\u00e3o, e outras vis\u00f5es extremas,<br \/>A mente atinge o estado desperto transcendendor<br \/>Que desde o in\u00edcio tem sido desapegado de quaisquer distor\u00e7\u00f5es dualistas.<br \/>O significado disto est\u00e1 realmente al\u00e9m de uma dimens\u00e3o conceitual.<\/p>\n<p>Assim o significado de estar desperto [ou de ter insight em] cada aspecto da realidade \u00e9 afirmado como sendo n\u00e3o-dual e al\u00e9m de uma dimens\u00e3o conceitual. O significado da lucidez intr\u00ednseca da mente foi explicado anteriormente.<\/p>\n<p><b>As caracter\u00edsticas da mente<\/b><\/p>\n<p>A pureza intr\u00ednseca da mente foi nublada por uma m\u00e1cula transit\u00f3ria. A confus\u00e3o resultante distorceu a consci\u00eancia de seu estado natural. Atrav\u00e9s de sua intera\u00e7\u00e3o com a discrimina\u00e7\u00e3o fundamental emergiram os seres sencientes das seis esferas existenciais, com sua [capacidade de experienciar] prazer e mis\u00e9ria transientes. Quando as m\u00e1culas s\u00e3o eliminadas, a natureza intr\u00ednseca da mente \u00e9 realizada e o processo interativo da auto-realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 completado, atinge-se a ilumina\u00e7\u00e3o da realidade absoluta, para que suas manifesta\u00e7\u00f5es supremamente ilus\u00f3rias apare\u00e7am para o benef\u00edcio dos seres sencientes. O Drishtisamkshepta comenta:<\/p>\n<p>Alas, os seis n\u00edveis de seres sencientes s\u00e3o<br \/>Emana\u00e7\u00f5es das mentes deludidas.<br \/>Atrav\u00e9s do reino infinito do espa\u00e7o<br \/>Eles vagam na mis\u00e9ria e delus\u00e3o inimagin\u00e1veis.<\/p>\n<p>E novamente este texto aponta:<\/p>\n<p>Lo! Das mentes imaculadas emergem<br \/>Emana\u00e7\u00f5es em formas sublimes.<br \/>Aparecendo como os reinos puros<br \/>E como as assembl\u00e9ias iluminadas em suas diversas formas,<br \/>Estas emana\u00e7\u00f5es maravilhosas<br \/>Permeiam o infinito espa\u00e7o c\u00f3smico!<\/p>\n<p>Saraha diz:<\/p>\n<p>A mente sozinha \u00e9 a semente de todas as realidades<br \/>Da qual se desdobram o samsara e o nirvana.<\/p>\n<p>O Samputa explica:<\/p>\n<p>A mente maculada pela paix\u00e3o e pelos outros impulsos descontrolados<br \/>\u00c9 na verdade a mente da exist\u00eancia c\u00edclica.<br \/>Descobrir a lucidez intr\u00ednseca da mente \u00e9 na verdade a libera\u00e7\u00e3o.<br \/>N\u00e3o-maculada pela lux\u00faria e impurezas emocionais,<br \/>N\u00e3o-nublada por quaisquer percep\u00e7\u00f5es dualistas,<br \/>Esta mente superior \u00e9 na verdade o nirvana supremo!<\/p>\n<p>Se a mente em seu estado natural \u00e9 pura desde o in\u00edcio, ela n\u00e3o pode eventualmente ser maculada por qualquer impureza transit\u00f3ria. Se isto fosse poss\u00edvel, a mente, ap\u00f3s ser purificada da impureza, poderia novamente ser maculada. A impureza da mente tem sido designada como transit\u00f3ria j\u00e1 que pode ser eliminada. N\u00e3o \u00e9 algo que subitamente emergiu do nada. De fato, a impureza da mente tem coexistido com a mente desde um tempo sem in\u00edcio. O Uttaratantra explica-a atrav\u00e9s de uma analogia:<\/p>\n<p>A pureza intr\u00ednseca [bodhi] \u00e9 como o p\u00f3len no l\u00f3tus comum,<br \/>Como gr\u00e3os no debulho e ouro na sujeira,<br \/>Como um tesouro sob o solo e sementes nas vagens,<br \/>Como uma imagem do Buddha enrolada em trapos,<br \/>Como um pr\u00edncipe no ventre de uma mulher comum,<br \/>Como um monte de ouro abaixo da terra.<br \/>Assim, a natureza da ilumina\u00e7\u00e3o permanece escondida em todos os seres sencientes<br \/>Que est\u00e3o dominados pela m\u00e1cula transit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Quanto mais a mente permanece nublada por uma m\u00e1cula transit\u00f3ria, mesmo que o seu estado intr\u00ednseco seja puro, as qualidades da ilumina\u00e7\u00e3o n\u00e3o se cristalizar\u00e3o. Elas, entretanto, emergir\u00e3o espontaneamente com a elimina\u00e7\u00e3o da m\u00e1cula da mente. O Hevajra Tantra afirma isto:<\/p>\n<p>Todos os seres sencientes s\u00e3o buddhas,<br \/>Eles apenas est\u00e3o dominados pela m\u00e1cula transit\u00f3ria.<br \/>Eles se tornam buddhas no momento em que eliminam sua m\u00e1cula.<\/p>\n<p>Nagarjuna exp\u00f5e:<\/p>\n<p>Apesar de a preciosa vaidurya ser sempre transl\u00facida,<br \/>Se deixada n\u00e3o cortada, ela n\u00e3o brilha.<br \/>Assim \u00e9 a realidade que tudo abarca [dharmadhatu];<br \/>Apesar de intrinsecamente imaculada, ela \u00e9 nublada pela m\u00e1cula.<br \/>Assim permanece latente no samsara<br \/>Mas se cristaliza ao se atingir o nirvana.<\/p>\n<p>As caracter\u00edsticas [da mente] s\u00e3o assim descritas como essas que se manifestam nas diversas formas do samsara e do nirvana.<\/p>\n<p>Os m\u00edsticos do tempo presente experienciam at\u00e9 mesmo as manifesta\u00e7\u00f5es da mente como sendo uma diversidade indetermin\u00e1vel e n\u00e3o-obstru\u00edda. Devido \u00e0 for\u00e7a de suas diversas tend\u00eancias n\u00e3o-nascidas, eles percebem as manifesta\u00e7\u00f5es interiores como realidades externas. Elas aparecem exatamente como designadas ou moduladas pela intera\u00e7\u00e3o do karma e das tend\u00eancias n\u00e3o-nascidas dos meditadores. Mesmo que a natureza intr\u00ednseca [da mente] n\u00e3o mude, sua manifesta\u00e7\u00e3o toma muitas formas diversas, como um tecido de l\u00e3 que \u00e9 transformado pelo uso de tinturas. O Lankavatara Sutra elucida:<\/p>\n<p>A mente em sua natureza permanece pura e l\u00facida. Ainda assim ela se manifesta exatamente como o intelecto queira que seja, assim como um tecido de l\u00e3 branca \u00e9 transformado pelo uso de tinturas.<\/p>\n<p>A fim de determinar o estado real da mente e o como ele se manifesta em diversas formas, normalmente se estudaria os textos explicativos sobre as oito formas de consci\u00eancia, incluindo a consci\u00eancia-fonte e as categorias mentais. Entretanto, dei aqui apenas as informa\u00e7\u00f5es relevantes.<\/p>\n<hr \/>\n<p><i>(Namgyal, Takpo Tashi. Mahamudra: the quintessence of mind and meditation.<\/p>\n<p>Traduzido e anotado por Lobsang P. Lhalungpa, pref\u00e1cio de Ch\u00f6gyam Trungpa. Delhi: Motilal Banarsidass, 1993. P\u00e1g. 213-220.)<\/i><\/div>\n<p><\/font><\/p>\n<hr \/>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><a HREF=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ess\u00eancia, a Natureza e as Caracter\u00edsticas da Mente Dagpo Tashi Wangyal A ess\u00eancia da mente Apesar da natureza da mente ter geralmente sido designada por estes tr\u00eas termos &#8211; nominalmente, ess\u00eancia, natureza e caracter\u00edsticas -, elas em realidade n\u00e3o &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-essencia-a-natureza-e-as-caracteristicas-da-mente\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6304,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,25,93],"tags":[58],"class_list":["post-6309","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meditacao","category-mestres","category-tibetano","tag-sogyal-rinpoche"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6309"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6309\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6310,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6309\/revisions\/6310"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6304"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}