{"id":639,"date":"2013-05-19T14:38:27","date_gmt":"2013-05-19T16:38:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=639"},"modified":"2018-02-10T13:42:32","modified_gmt":"2018-02-10T15:42:32","slug":"revelando-a-nossa-natureza-basica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/revelando-a-nossa-natureza-basica\/","title":{"rendered":"Revelando a nossa natureza b\u00e1sica"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1451\" rel=\"attachment wp-att-1451\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/natureza.jpg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"183\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1451\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os 84.000 m\u00e9todos ensinados pelo Buda Sakiamuni se enquadram em tr\u00eas categorias principais. A primeira, o caminho do hinaiana, toma por base a compreens\u00e3o de que o samsara \u00e9 permeado de sofrimento e dificuldades, de que toda a felicidade que pode ser encontrada \u00e9 impermanente. Quem segue por esse caminho toma a firme decis\u00e3o de praticar a fim de encontrar uma felicidade que esteja al\u00e9m de qualquer sofrimento. Com a aplica\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos do hinaiana, o praticante desenvolve a capacidade de passar al\u00e9m dos ciclos de sofrimento, para uma experi\u00eancia de alegria e felicidade plenas. <\/p>\n<p>No mahaiana, a segunda categoria, encontramos, al\u00e9m dessa mesma compreens\u00e3o do sofrimento, o ensinamento de que tudo \u2013 sofrimento e felicidade, desventura e ventura, que surgem todos como o jogo do carma \u2013 \u00e9 ilus\u00f3rio, \u00e9 como um sonho, uma miragem ou como o reflexo da Lua sobre a \u00e1gua. Fundamental a esse caminho \u00e9 a vis\u00e3o da inseparabilidade entre verdade relativa e absoluta, e a aspira\u00e7\u00e3o de ajudarmos todos os seres &#8211; n\u00e3o apenas n\u00f3s mesmos &#8211; a encontrar libera\u00e7\u00e3o. Reconhecendo a grande bondade que nos foi devotada por todos os seres, que h\u00e1 um tempo foram nossas m\u00e3es, aspiramos \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o a fim de ajud\u00e1-los a despertar para a verdade de sua natureza. N\u00e3o apenas almejamos que isso aconte\u00e7a, mas diligentemente aplicamos os m\u00e9todos pelos quais a ilumina\u00e7\u00e3o pode ser alcan\u00e7ada. Atrav\u00e9s da pr\u00e1tica das seis perfei\u00e7\u00f5es, desenvolvemos a capacidade de passar al\u00e9m do samsara e do nirvana, e encontrar libera\u00e7\u00e3o plena. Esse \u00e9 o caminho do bodisatva. <\/p>\n<p>A terceira categoria da pr\u00e1tica budista \u00e9 chamada de vajrayana. Aquilo que \u00e9 \u201cvajra\u201d possui sete qualidades: n\u00e3o pode ser cortado pelos maras, os obst\u00e1culos \u00e0 nossa ilumina\u00e7\u00e3o, nem ser apreendido ou separado por conceitos; n\u00e3o pode ser destru\u00eddo por conceitos que atribuem \u00e0s apar\u00eancias uma verdade que elas n\u00e3o possuem; \u00e9 verdade pura, no sentido de que nada cont\u00e9m de errado; n\u00e3o \u00e9 feito de subst\u00e2ncia que se aglutinou e que pode se desmanchar; n\u00e3o \u00e9 impermanente, e, portanto, \u00e9 est\u00e1vel e inamov\u00edvel; \u00e9 imposs\u00edvel de ser obstru\u00eddo, no sentido de que a tudo permeia; e \u00e9 inconquist\u00e1vel, no sentido de que \u00e9 mais profundo do que tudo o mais, e, assim, destemido. <\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as sete qualidades da nossa pr\u00f3pria natureza, a verdadeira natureza do nosso corpo, fala e mente. Para melhor entender essa natureza, podemos come\u00e7ar considerando que cada um de n\u00f3s possui um corpo f\u00edsico, com o qual temos as experi\u00eancias de c\u00e9u e terra, amigos e inimigos, alegria e tristeza. Quando esse corpo se deita \u00e0 noite para dormir, mesmo que n\u00e3o saia da cama, uma experi\u00eancia totalmente diferente de corpo, c\u00e9u, terra, amigos e inimigos aparece &#8211; o corpo de sonho, a fala de sonho e a mente de sonho. Quando acordamos, no dia seguinte, novamente temos as experi\u00eancias do estado de vig\u00edlia de corpo, fala e mente, que consideramos reais. Por ocasi\u00e3o da morte, quando o corpo \u00e9 deixado para tr\u00e1s e enterrado ou cremado, temos uma outra experi\u00eancia de corpo, fala e mente, no estado intermedi\u00e1rio entre o final desta vida e o come\u00e7o da pr\u00f3xima, uma experi\u00eancia at\u00e9 certo ponto semelhante \u00e0 do sonho, por\u00e9m mais dif\u00edcil e amedrontadora. Ent\u00e3o, uma vez mais, renascemos com ainda um outro corpo, fala e mente. Se formos capazes de ter realiza\u00e7\u00e3o plena do caminho espiritual, quando da ilumina\u00e7\u00e3o alcan\u00e7aremos o corpo vajra ou o corpo de sabedoria, a fala de sabedoria e a mente de sabedoria. <\/p>\n<p>Assim, h\u00e1 uma continuidade no princ\u00edpio de corpo, fala e mente. No entanto, se pensarmos que ele \u00e9 uma determinada \u201ccoisa\u201d, se tentarmos encontr\u00e1-lo, determinar seu tamanho ou formato, por mais inteligentes que formos, por mais poderosa a tecnologia que empregarmos, n\u00e3o encontraremos nada que possamos apontar como sendo a natureza do corpo, fala e mente. No entanto, n\u00e3o podemos negar a nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia. Essa natureza est\u00e1 al\u00e9m dos conceitos, al\u00e9m da medida da mente ordin\u00e1ria: \u00e9 aquilo que chamamos vacuidade. Ela n\u00e3o pode ser destru\u00edda, mudada nem interrompida \u2013 ela exibe as sete qualidades vajra. Isso \u00e9 vajrayana, que significa \u201cve\u00edculo\u201d, refere-se aos m\u00e9todos pelos quais revelamos a natureza vajra. <\/p>\n<p>A pr\u00e1tica do vajra abrange tanto o hinaiana quanto o mahaiana. Nos caminhos dos sutras, ou escrituras budistas, prestamos cuidadosa aten\u00e7\u00e3o a nossas a\u00e7\u00f5es externas \u2013 abandonando aquelas que causam o mal e cultivando aquelas que trazem benef\u00edcios \u2013 enquanto pacificamos a mente, desenvolvemos e fortalecemos suas qualidades interiores. <\/p>\n<p>A pr\u00e1tica das quatro qualidades incomensur\u00e1veis, por exemplo, \u00e9 muito importante na tradi\u00e7\u00e3o mahaiana. No vajra, igualmente, pinturas de mandalas mostram quatro portas voltadas para os quatro pontos cardeais, simbolizando as quatro qualidades incomensur\u00e1veis. Na dire\u00e7\u00e3o leste fica a porta da compaix\u00e3o, na dire\u00e7\u00e3o sul, a porta do amor, na dire\u00e7\u00e3o oeste, a da alegria, e na dire\u00e7\u00e3o sul, a da equanimidade. No vajraiana, entende-se o mandala como uma manifesta\u00e7\u00e3o da pureza intr\u00ednseca da mente. Quando nossos obscurecimentos s\u00e3o purificados, as qualidades puras da mente surgem sob a forma do mandala e sob a apar\u00eancia da terra pura, da deidade e de todas as experi\u00eancias puras. As quatro qualidades incomensur\u00e1veis s\u00e3o portas pelas quais ingressamos na verdade, a natureza absoluta da mente. <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, dado que muitos obst\u00e1culos diferentes podem fazer com que seja dif\u00edcil mantermos a pureza de cora\u00e7\u00e3o a qual aspiramos, n\u00f3s contemplamos os quatro pensamentos \u2013 o nascimento humano precioso, a imperman\u00eancia, o carma e o sofrimento \u2013 que formam a base de toda pr\u00e1tica budista. <\/p>\n<p>No caminho vajraiana, apoiados na vis\u00e3o da natureza absoluta que est\u00e1 al\u00e9m dos extremos, n\u00f3s praticamos a\u00e7\u00f5es virtuosas, a\u00e7\u00f5es em que nos abstemos de causar o mal. Embora nossa natureza intr\u00ednseca seja o corpo, a fala e a mente vajra, agora n\u00e3o vivenciamos isso como sendo verdade. Para dissolver essa ignor\u00e2ncia, ouvimos e contemplamos os ensinamentos vajraiana, e, ent\u00e3o, praticamos medita\u00e7\u00e3o com esfor\u00e7o e sem esfor\u00e7o. Embora a medita\u00e7\u00e3o sem esfor\u00e7o, simplesmente permitir a mente repousar em sua verdadeira natureza, seja dif\u00edcil para muitas pessoas de in\u00edcio, atrav\u00e9s da medita\u00e7\u00e3o com esfor\u00e7o os obscurecimentos da mente s\u00e3o purificados, a ignor\u00e2ncia \u00e9 transformada em conhecimento e a medita\u00e7\u00e3o sem esfor\u00e7o desponta espontaneamente. Uma vez que tenhamos reconhecido a natureza absoluta, nossa pr\u00e1tica passa a ser manter essa consci\u00eancia, compreendendo a inseparabilidade de forma e vacuidade como o corpo de sabedoria, o corpo da deidade; de som e vacuidade como a fala de sabedoria, a fala da deidade; e de pensamento e vacuidade como a mente de sabedoria, a mente da deidade. Com essa vis\u00e3o e com os m\u00e9todos do vajra, somos capazes de revelar a pureza inerente \u00e0 nossa natureza em um tempo relativamente curto.<br \/>\nUm outro nome do vajraiana \u00e9 o \u201ccaminho secreto do mantra\u201d. Na medida em que nossa natureza b\u00fadica permanece oculta a n\u00f3s mesmos \u2013 como seres n\u00e3o-iluminados, n\u00e3o estamos cientes dela \u2013, referimo-nos a ela como \u201cauto-secreta\u201d. Por outro lado, o caminho vajraiana, embora extremamente potente e eficaz, \u00e9, por sua pr\u00f3pria natureza, um processo delicado e, por isso, n\u00e3o ensinado largamente. Mantemos uma certa privacidade, preservando a qualidade muito pessoal de trabalharmos com um mestre vajra e recebemos a transmiss\u00e3o <\/p>\n<p>O termo mantra, em \u201ccaminho secreto do mantra\u201d, denota algo que velozmente proporciona prote\u00e7\u00e3o e abrigo. Por meio da aplica\u00e7\u00e3o h\u00e1bil dos m\u00e9todos vajraiana, n\u00f3s nos protegemos da confus\u00e3o e do carma negativo que ela gera, podendo assim alcan\u00e7ar a ilumina\u00e7\u00e3o em uma \u00fanica vida. <\/p>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o vajra, precisamos primeiro receber inicia\u00e7\u00e3o para amadurecer a mente e criar receptividade aos ensinamentos e \u00e0 pr\u00e1tica. Sem inicia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estamos autorizados a ouvir os ensinamentos nem a praticar, pois nossos esfor\u00e7os n\u00e3o seriam mais frut\u00edferos do que moer areia para obter \u00f3leo.<br \/>\nRecebemos a inicia\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de um lama que detenha a linhagem da pr\u00e1tica. Ela n\u00e3o pode ser dada unicamente atrav\u00e9s de palavras e subst\u00e2ncias, pois da mesma forma que apenas um rei possui o poder necess\u00e1rio para entronizar seu sucessor, apenas um lama que detenha a linhagem e tenha consumado a pr\u00e1tica pode iniciar uma outra pessoa. Atrav\u00e9s da for\u00e7a da medita\u00e7\u00e3o, recita\u00e7\u00e3o de mantras e do uso simb\u00f3lico de subst\u00e2ncias, somos iniciados tanto nas pr\u00e1ticas do est\u00e1gio do desenvolvimento e da consuma\u00e7\u00e3o, quanto no reconhecimento do corpo, fala e mente da deidade bem como da nossa natureza absoluta. <\/p>\n<p>Depois de termos recebido essa inicia\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do lama, por meio de nossa pr\u00e1tica di\u00e1ria recebemos a inicia\u00e7\u00e3o do caminho, pela qual continuamente purificamos os obscurecimentos e fortalecemos as qualidades puras da mente, a fim de desenvolver e sustentar a vi\u00acs\u00e3o \u00e0 qual fomos introduzidos na inicia\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. <\/p>\n<p>Simplesmente receber inicia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficiente. A ess\u00eancia, o cora\u00e7\u00e3o da inicia\u00e7\u00e3o \u00e9 samaia, ou o compromisso de sustentar nossa pr\u00e1tica di\u00e1ria e honrar os votos que tomamos. Se quebrarmos nossos compromissos, experimentaremos circunst\u00e2ncias n\u00e3o-auspiciosas nesta vida e grandes dificuldades em vidas futuras. Por\u00e9m, ao mantermos nosso samaia, iremos rapidamente encontrar libera\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A base do nosso ser \u00e9 a ess\u00eancia b\u00fadica, a natureza b\u00fadica. Todos os seres quer grandes quer pequenos, t\u00eam essa natureza fundamental, essa pureza essencial. Como o ouro incrustado no min\u00e9rio, a verdade da nossa natureza, embora seja uma pureza que n\u00e3o teve princ\u00edpio nem ter\u00e1 fim, n\u00e3o \u00e9 obvia para n\u00f3s. Pelo fato de ser essa a nossa natureza fundamental, podemos revel\u00e1-la por meio da pr\u00e1tica, da mesma forma que o refinamento revela o ouro que existe de forma inerente no min\u00e9rio.<br \/>\nEssa ess\u00eancia, desde tempos sem princ\u00edpio, \u00e9 completamente isenta de subst\u00e2ncia, vazia. Embora possamos tentar encontrar caracter\u00edsticas a partir das quais definir\u00edamos e entender\u00edamos a vacuidade, ela n\u00e3o pode ser concebida por conceitos ordin\u00e1rios. Assim, ela \u00e9 desprovida de sinais e caracter\u00edsticas. Nada mais \u00e9 preciso, al\u00e9m de mantermos o reconhecimento da nossa natureza fundamental, para que o fruto \u2013 as qualidades plenas, a realiza\u00e7\u00e3o completa dessa pureza inerente \u2013 seja revelado. O que revelamos n\u00e3o est\u00e1 al\u00e9m de nossa natureza fundamental e, nesse sentido, est\u00e1 al\u00e9m de qualquer desejo. N\u00e3o h\u00e1 nada que esteja faltando, nada que esteja em outro lugar a que devamos aspirar para que aconte\u00e7a. Ela \u00e9 isenta de aspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pelo fato de n\u00e3o reconhecermos essa natureza \u2013 n\u00e3o nos damos conta de que, embora as apar\u00eancias surjam incessantemente, nada na verdade, est\u00e1 presente \u2013 emprestamos solidez e realidade \u00e0 verdade aparente do \u201ceu\u201d e do \u201coutro\u201d. E das \u201ca\u00e7\u00f5es\u201d que ocorrem entre \u201ceu\u201d e \u201coutro\u201d. Esse obscurecimento intelectual \u00e9 causa do apego e avers\u00e3o, seguidos de a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es que criam carma, solidificam-se em h\u00e1bitos que perpetuam os ciclos de sofrimento. Esse processo todo \u00e9 que precisa ser purificado.<\/p>\n<p>Na primeira das tr\u00eas etapas sucessivas de ensinamentos, chamada \u201cO primeiro giro da roda do Dharma\u201d, o Buda ensinou as quatro nobres verdades: a verdade do sofrimento, da origem do sofrimento, do caminho pelo qual ele \u00e9 erradicado e a verdade de sua cessa\u00e7\u00e3o. No segundo giro da roda do Dharma, ele ensinou que a verdadeira natureza de todos os fen\u00f4menos \u00e9 vazia, desprovida de sinais e de aspira\u00e7\u00e3o: a natureza fundamental \u00e9 a vacuidade, o caminho \u00e9 isento de sinais e o fruto, isento de aspira\u00e7\u00e3o. No terceiro giro da roda, ele falou das qualidades da natureza da mente que s\u00e3o plenas, infal\u00edveis e resplandecentes, falou da apar\u00eancia da clara luz da sabedoria.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o Vajrayana ensina a inseparabilidade, desde tempos sem princ\u00edpio, de duas coisas: a uni\u00e3o entre a natureza n\u00e3o-nascida da mente e as qualidades puras da clara luz da sabedoria, uma uni\u00e3o que est\u00e1 al\u00e9m das palavras. Pura, imut\u00e1vel, n\u00e3o-composta e onipresente \u2013 essa \u00e9 a natureza da nossa pr\u00f3pria mente. No Vajrayana, somos introduzidos nessas qualidades da mente vajra.<\/p>\n<p>Todas as apar\u00eancias surgem da energia din\u00e2mica, ou exibi\u00e7\u00e3o, da nossa natureza fundamental. As experi\u00eancias podem surgir de dois modos. O reflexo do n\u00e3o-reconhecimento da nossa natureza fundamental surge como as experi\u00eancias impuras dos tr\u00eas reinos do samsara. Embora possamos entender que a nossa natureza seja pura, essa n\u00e3o \u00e9 a nossa experi\u00eancia ordin\u00e1ria. N\u00f3s n\u00e3o vemos, sentimos, nem pensamos sobre as coisas de modo puro. Quando come\u00e7amos a nos aplicar ao caminho espiritual, a pesquisar e investigar, a ouvir os ensinamentos, repetidamente contemplando e meditando sobre eles, come\u00e7amos a experimentar um misto de percep\u00e7\u00f5es puras e impuras. Atrav\u00e9s da pr\u00e1tica espiritual, podemos purificar nossos obscurecimentos e alcan\u00e7ar o fruto. Nossa natureza fundamental, intrinsecamente pura, torna-se completamente aparente como um corpo puro de sabedoria, a plena revela\u00e7\u00e3o da nossa natureza de sabedoria, como manifesta\u00e7\u00e3o de apar\u00eancias puras.<br \/>\nPorque n\u00e3o \u00e9 essa a nossa experi\u00eancia no presente? Todas as apar\u00eancias ordin\u00e1rias dos elementos \u2013 terra, fogo, \u00e1gua, vento, carne e osso \u2013 s\u00e3o em ess\u00eancia puras. Por\u00e9m, da mesma forma que uma pessoa com icter\u00edcia v\u00ea uma montanha nevada como sendo amarela, devido aos nossos obscurecimentos n\u00e3o vemos as coisas de forma pura. Essa percep\u00e7\u00e3o impura tornou-se um h\u00e1bito profundamente entranhado. Atrav\u00e9s da pr\u00e1tica espiritual, nossa falta de reconhecimento pode ser purificada e, ent\u00e3o, como algu\u00e9m curado de icter\u00edcia que consegue ver uma montanha nevada em sua cor branca, n\u00f3s, como todos os budas, veremos as manifesta\u00e7\u00f5es de pureza tal como s\u00e3o: o mandala puro e incomensur\u00e1vel da deidade. Tudo sempre foi dessa maneira, desde tempos sem princ\u00edpio. N\u00e3o \u00e9 algo a ser criado, mas a cintila\u00e7\u00e3o das qualidades inerentes da nossa natureza fundamental.<\/p>\n<p>A pureza da nossa natureza, imut\u00e1vel ao longo dos tr\u00eas tempos, passado presente e futuro, encontra-se agora obscurecida, como o sol pelas nuvens. Como resultado da infal\u00edvel lei do carma de causa e efeito, e como reflexo das negatividades da mente, surgem infind\u00e1veis apar\u00eancias de meio ambiente e de corpos. <\/p>\n<p>Atrav\u00e9s das pr\u00e1ticas de visualiza\u00e7\u00e3o do est\u00e1gio de desenvolvimento do Vajrayana, n\u00f3s nos exercitamos em reconhecer a natureza e as qualidades puras do meio ambiente, corpo, fala, e mente como sendo a terra pura, e o corpo, fala e mente da deidade. Isso purifica os obscurecimentos mentais que criam os reflexos mais grosseiros da falta de reconhecimento da nossa mente: os tr\u00eas reinos da experi\u00eancia e as tr\u00eas portas que s\u00e3o o corpo, fala, e mente, transformando o nosso habito de perceber de modo ordin\u00e1rio.<br \/>\nAtrav\u00e9s do est\u00e1gio da consuma\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas Vajrayana, purificamos os obscurecimentos mais sutis. A visualiza\u00e7\u00e3o que criamos \u00e9 completamente desfeita na vacuidade, e repousamos sem esfor\u00e7o no estado desperto intr\u00ednseco que percebe a natureza da mente.<\/p>\n<p>No Vajrayana, reconhecemos que todas as apar\u00eancias fenom\u00eanicas poss\u00edveis do samsara e nirvana, desde tempos sem princ\u00edpio, s\u00e3o iguais, sem separa\u00e7\u00e3o nem distin\u00e7\u00e3o, dentro de sua natureza b\u00fadica completamente pura; da mesma forma que o s\u00e3o as apar\u00eancias do sonho da noite dentro da verdade do sonho. Partindo dessa perspectiva ou vis\u00e3o, aplicamos m\u00e9todo e sabedoria, pr\u00e1ticas do estagio de desenvolvimento e da consuma\u00e7\u00e3o; como rem\u00e9dios utilizados para tratar uma doen\u00e7a, elas purificam o h\u00e1bito de nos apegarmos a esses reflexos tempor\u00e1rios das nossas ilus\u00f5es e enganos como sendo s\u00f3lidos, e revelam nossa pureza intr\u00ednseca.<br \/>\nCom a aplica\u00e7\u00e3o repetida desses m\u00e9todos, temos a realiza\u00e7\u00e3o plena do fruto: como nuvens que s\u00e3o sopradas para longe e revelam o c\u00e9u imut\u00e1vel, nossos obscurecimentos se desfazem e a pureza primordial, sem come\u00e7o, \u00e9 revelada.<\/p>\n<p>Nossa natureza fundamental \u00e9 compreendida como inseparabilidade dos tr\u00eas kayas. As qualidades plenas e resplandecentes do dharmakaya aparecem como o samboghakaya para bodhisattvas do d\u00e9cimo grau, e como nirmanakaya para seres comuns, criando incessantes benef\u00edcios.<br \/>\nDado que a pureza sem princ\u00edpio, dharmata, \u00e9 a nossa natureza, para torn\u00e1-la manifesta n\u00e3o precisamos fazer nada com ela nem tirar nada dela, n\u00e3o precisamos increment\u00e1-la nem diminu\u00ed-la. Antes, usando os m\u00e9todos que comp\u00f5em o caminho, simplesmente a revelamos tal como \u00e9. Ent\u00e3o, a falta de compreens\u00e3o dessa natureza, os h\u00e1bitos ordin\u00e1rios e as vis\u00f5es enganosas da nossa mente que se refletem na experi\u00eancia sams\u00e1rica impura que chamamos realidade, desfazem-se completamente na natureza absoluta.<\/p>\n<p>No Vajrayana, o caminho n\u00e3o \u00e9 concebido como alguma coisa com a qual come\u00e7amos e \u00e0 qual acrescentamos certas causas e condi\u00e7\u00f5es para chegarmos a uma coisa diferente. Utilizamos o estado desperto intr\u00ednseco que percebe a nossa natureza fundamental para revel\u00e1-la como fruto do caminho. N\u00f3s simplesmente removemos os obscurecimentos tempor\u00e1rios que impedem a realiza\u00e7\u00e3o plena disso. Ao contemplar e meditar repetidas vezes sobre esse entendimento, fica f\u00e1cil nos apoiarmos no Vajrayana para termos \u00eaxito em nossa busca espiritual.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o Vajrayana re\u00fane m\u00e9todos de pr\u00e1tica externos, internos e secretos. Quando fazemos pr\u00e1ticas externas com deidades, o que, de fato, \u00e9 a deidade? Em ess\u00eancia, a natureza do dharmata, a verdade da nossa pr\u00f3pria mente e de todas as experi\u00eancias \u2013 \u00e9 a deidade. A deidade n\u00e3o \u00e9 algo que inventamos ou criamos, algo que ainda n\u00e3o existia, mas sim, a manifesta\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea da verdade, a exibi\u00e7\u00e3o  n\u00e3o de algo ordin\u00e1rio, mas da sabedoria. Essa \u00e9 o mandala da mente de bodhichitta.<\/p>\n<p>A natureza de todos os seres, de todos os fen\u00f4menos, \u00e9 dharmata. Dentro da natureza absoluta n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o nem separa\u00e7\u00e3o entre \u201ceu\u201d e \u201coutro\u201d. Tudo tem um s\u00f3 sabor. Todos os fen\u00f4menos surgem insepar\u00e1veis da natureza absoluta, e nela est\u00e3o contidos. Nenhuma de nossas experi\u00eancias \u2013 nem os elementos, nem os fen\u00f4menos, nem sequer uma \u00fanica mol\u00e9cula \u2013 est\u00e1 al\u00e9m da natureza absoluta; nem mesmo o que chamamos de espa\u00e7o b\u00e1sico. Ela \u00e9 verdadeira e tudo permeia.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o reconhecermos essa natureza, vivenciamos todos os fen\u00f4menos e n\u00f3s mesmos como diferentes da deidade. Por exemplo, visto que uma natureza vazia permeia totalmente o sonho da noite, n\u00e3o h\u00e1, na realidade, qualquer separa\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s mesmos e a terra, o c\u00e9u, a \u00e1gua. Quando acordamos, vemos que todas as experi\u00eancias incessantes que surgiram durante o sonho foram apenas a exibi\u00e7\u00e3o da mente, vazias, por\u00e9m, manifestas. No entanto, se n\u00e3o reconhecemos que estamos sonhando, no contexto do sonho tudo parece ser, em si mesmo, verdadeiro e independente.<\/p>\n<p>De modo semelhante, da perspectiva da mente ordin\u00e1ria, percebemos diferen\u00e7as entre o corpo do dia e o da noite, entre n\u00f3s  e os outros, entre algu\u00e9m que nos ajuda e algu\u00e9m que nos cria dificuldades. No entanto, no n\u00edvel da verdade absoluta, ningu\u00e9m nunca veio, nem vai. Tudo \u00e9 exibi\u00e7\u00e3o da mente. Se n\u00e3o conhecemos a natureza das nossas experi\u00eancias, se n\u00e3o conhecemos a deidade, ent\u00e3o nos vivenciamos como separados da deidade; essa falta de conhecimento nos torna prisioneiros do carma e do obscurecimento. Se tivermos realiza\u00e7\u00e3o da nossa natureza como sendo a deidade, todos os limites ser\u00e3o liberados, como paredes no espa\u00e7o, e teremos a realiza\u00e7\u00e3o do corpo vajra. Ao conhecermos nossa natureza e mantivermos o reconhecimento dela, seremos capazes de revelar nossa natureza como sendo a deidade e ter plena realiza\u00e7\u00e3o dessa revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando alcan\u00e7amos a realiza\u00e7\u00e3o do dharmakaya, obtemos benef\u00edcios para n\u00f3s mesmos, sendo que a capacidade incessante de beneficiar os outros surge como o kaya da forma. Os seres s\u00e3o auxiliados de forma incomensur\u00e1vel pelas qualidades de grande conhecimento, amor, bondade e energia espiritual; tamb\u00e9m pela for\u00e7a da grande sabedoria e pelas preces de aspira\u00e7\u00f5es que s\u00e3o acumuladas no caminho da ilumina\u00e7\u00e3o. Essas manifesta\u00e7\u00f5es, para beneficio dos seres, surgem como a apar\u00eancia das deidades pac\u00edficas e iradas acompanhadas de seus s\u00e9q\u00fcitos \u2013 por exemplo, a forma pac\u00edfica de Manjushri com o aspecto irado de Yamantaka, ou a forma pac\u00edfica de Vajrasattva com o aspecto irado de Vajrakumara. Nessas manifesta\u00e7\u00f5es de sabedoria pura, vindas da natureza da mente, surge o corpo \u2013 a forma e a cor da deidade; a fala \u2013 o mantra da deidade; e a grande mente \u2013 a inseparabilidade da vacuidade e compaix\u00e3o. A deidade \u00e9 uma fonte infal\u00edvel de benef\u00edcios, capaz de conduzir os seres do samsara \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Pelo fato de vivermos presos aos nossos obscurecimentos e n\u00e3o compreendermos nossa natureza como sendo igual \u00e0 da deidade n\u00f3s nos exercitamos nesse reconhecimento, criando a visualiza\u00e7\u00e3o e recitando o mantra da deidade, fazendo oferendas e ora\u00e7\u00f5es. Desse modo, recebemos as b\u00ean\u00e7\u00e3os daqueles que alcan\u00e7aram a ilumina\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a pr\u00e1tica da deidade externa.<\/p>\n<p>Na categoria das pr\u00e1ticas da deidade interna, visualizamos o nosso pr\u00f3prio corpo, tomando a forma da deidade, o canal central, puro e sutil, dentro do qual se movimenta o vento da sabedoria ou energia sutil (prana), e que cont\u00e9m as esferas de sabedoria ainda mais sutis, chamadas bindus ou tigles. Essa \u00e9 a deidade interna.<\/p>\n<p>Embora a nossa experi\u00eancia impura do corpo, fala e mente convencionais apare\u00e7a como manifesta\u00e7\u00e3o do vento c\u00e1rmico, o mandala da deidade se conserva dentro dos canais do nosso corpo sutil. Por meio da visualiza\u00e7\u00e3o desse mandala, do trabalho com o movimento dos ventos sutis e da recita\u00e7\u00e3o de mantras, revelamos a nossa natureza como a deidade, revelamos a bodhicitta que est\u00e1 al\u00e9m dos extremos, a grande felicidade imut\u00e1vel que reside no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas pr\u00e1ticas da deidade secreta, reconhecemos que todo o samsara e o nirvana sempre foram iguais dentro do espa\u00e7o b\u00e1sico que est\u00e1 al\u00e9m dos extremos e que n\u00e3o h\u00e1 nada que n\u00e3o possa ser tornado melhor ou pior; que a natureza pura de nossa mente sempre foi uma sabedoria espont\u00e2nea que n\u00e3o teve nascimento. Com essa compreens\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de colocarmos nossas esperan\u00e7as em uma deidade externa, nem de fazermos esfor\u00e7o. <\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do m\u00e9todo budista mais profundo, chamado Grande Perfei\u00e7\u00e3o (Dzogchen\/Ati-Yoga), alcan\u00e7amos libera\u00e7\u00e3o sem esfor\u00e7o, espontaneamente, apenas nos conservando dentro do reconhecimento da natureza absoluta na qual tudo est\u00e1 contido, da qual todos os fen\u00f4menos de forma insepar\u00e1vel, como o oceano e suas ondas, ou o Sol e seus raios.<\/p>\n<p>Por que h\u00e1 tantos caminhos diferentes? Em primeiro lugar, o Buda ensinou muitos m\u00e9todos. Al\u00e9m disso, diferentes lamas possuem diferentes tipos de experi\u00eancia e de conhecimento; os alunos possuem graus variados de capacidade e, assim, requerem m\u00e9todos diferentes. Alguns sentem liga\u00e7\u00e3o maior com as pr\u00e1ticas da deidade externa, outros com as pr\u00e1ticas da deidade interna, e ainda outros com o n\u00edvel secreto da pr\u00e1tica. <\/p>\n<p>Pode parecer muito f\u00e1cil simplesmente reconhecer a deidade absoluta, nossa pr\u00f3pria ess\u00eancia b\u00fadica, e nos conservarmos dentro desse reconhecimento. Na realidade, por\u00e9m, pelo fato de estarmos t\u00e3o afundados em esperan\u00e7a e medo, apego e avers\u00e3o, isso \u00e9 muito dif\u00edcil. N\u00f3s temos uma infinidade de conceitos e h\u00e1bitos, e, quando muitas experi\u00eancias diferentes se apresentam, \u00e9 muito dif\u00edcil mantermos reconhecimento de sua natureza absoluta. \u00c9 por isso que, quando come\u00e7amos pr\u00e1ticas vajraiana, n\u00f3s nos focamos na cria\u00e7\u00e3o e na dissolu\u00e7\u00e3o da visualiza\u00e7\u00e3o; ent\u00e3o, trabalhamos com as pr\u00e1ticas e iogas internas; e, gradativamente, ingressamos no est\u00e1gio da consuma\u00e7\u00e3o isento de esfor\u00e7o e nas pr\u00e1ticas da grande perfei\u00e7\u00e3o. (Dzogchen)<\/p>\n<p>Os ensinamentos do Darma do Buda s\u00e3o como um jardim transbordante de flores de muitos matizes e for\u00acmatos. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio escolher apenas um m\u00e9todo, nem \u00e9 necess\u00e1rio que uma s\u00f3 pessoa tente aplicar todos eles. <\/p>\n<p>Se voc\u00ea \u00e9 uma pessoa raivosa, \u00e9 muito eficaz fazer pr\u00e1tica de visualiza\u00e7\u00e3o, usando a ira como ant\u00eddoto para cortar a raiva que existe na sua mente. Nas pr\u00e1ticas com deidades iradas, visualizamos seres irados, manifesta\u00e7\u00f5es de sabedoria, com duas, quatro ou muitas pernas pisoteando seres negativos, soltando fa\u00edscas e brandindo armas. Aqueles que s\u00e3o destru\u00eddos n\u00e3o s\u00e3o seres externos, mas nossos pr\u00f3prios venenos, nossos verdadeiros inimigos e dem\u00f4nios. O apego ao eu \u00e9 encarnado por Rudra, um ser muito poderoso, o \u201cdono\u201d do samsara, que \u00e9 reprimido por seres que personificam a sabedoria. Em todas essas imagens iradas, assistimos ao desenrolar de uma guerra interna: a sabedoria destr\u00f3i a raiva, apego e ignor\u00e2ncia. Uma pessoa raivosa conquista e libera seus pensamentos raivosos e negatividades com os m\u00e9todos irados de maha yoga. <\/p>\n<p>Se voc\u00ea manifesta desejo muito intenso, em vez de abandon\u00e1-lo, pode fazer dele seu caminho, trabalhando com os canais e ventos do corpo sutil, bem como com as fontes de calor e prazer internos, treinando-se com as energias de seu corpo. As deidades representadas em uni\u00e3o com suas \u2018consortes&#8217; n\u00e3o correspondem a desejo ordin\u00e1rio nem a relacionamento homem\/mulher convencional, mas, sim, \u00e0 inseparabilidade de vacuidade e felicidade sublime. No n\u00edvel interno de uni\u00e3o, os canais sutis do corpo s\u00e3o masculinos e os ventos ou energias sutis s\u00e3o femininos; o calor interno \u00e9 feminino e a felicidade ou prazer interno, masculino. A uni\u00e3o dos dois produz felicidade n\u00e3o ordin\u00e1ria, mas inexaur\u00edvel. Atrav\u00e9s do desejo, o praticante de anu yoga se conecta com o prazer, compreendendo e vivenciando a inseparabilidade de grande prazer ou felicidade sublime e vacuidade \u2013 sabedoria. Por meio dessa pr\u00e1tica, purificamos carma, acumulamos m\u00e9rito e revelamos sabedoria. <\/p>\n<p>Os caminhos de maha yoga e anu yoga requerem esfor\u00e7o, dilig\u00eancia e consist\u00eancia. Aqueles cujo veneno predominante da mente \u00e9 a ignor\u00e2ncia e que s\u00e3o pregui\u00e7osos praticam um terceiro caminho, a grande per\u00acfei\u00e7\u00e3o ou ati yoga. Nesse caminho, repousamos sem esfor\u00e7o no reconhecimento sutil da natureza da mente. Ele \u00e9 chamado o caminho do esfor\u00e7o sem esfor\u00e7o. To\u00acdos os ensinamentos e n\u00edveis de pr\u00e1tica que levam at\u00e9 a grande perfei\u00e7\u00e3o trabalham com conceitos ordin\u00e1rios, intelig\u00eancia ordin\u00e1ria e esfor\u00e7o ordin\u00e1rio. Na grande perfei\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, a consci\u00eancia intr\u00ednseca primordial, ela pr\u00f3pria, \u00e9 o caminho. Os praticantes da grande per\u00acfei\u00e7\u00e3o utilizam o m\u00e9todo da deidade absoluta, sua pr\u00f3\u00acpria consci\u00eancia intr\u00ednseca. <\/p>\n<p>Todos esses tr\u00eas caminhos purificam obscurecimen\u00actos. Qual deles vamos usar \u00e9 algo que depender\u00e1 do veneno predominante em nossa mente: ele ser\u00e1 a porta para a pr\u00e1tica que estar\u00e1 mais pr\u00f3xima de n\u00f3s. Aquele que for o mais forte para n\u00f3s e o mais familiar passa a ser o meio pelo qual removemos todos os obscureci\u00acmentos da mente.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s dos v\u00e1rios m\u00e9todos do caminho vajra, trazemos tr\u00eas elementos para nossa pr\u00e1tica: a purifica\u00e7\u00e3o dos obscurecimentos, o amadurecimento da mente e o fortalecimento das qualidades positivas dela. Por esses meios, temos condi\u00e7\u00f5es de rapidamente purificar a experi\u00eancia sams\u00e1rica e realizar o fruto que est\u00e1 al\u00e9m do samsara e do nirvana: os tr\u00eas kayas, nossa natureza b\u00e1sica na qual tudo est\u00e1 inclu\u00eddo. Atrav\u00e9s desses m\u00e9todos, a sabedoria n\u00e3o nasce em n\u00f3s \u2013 seria mais exato dizer que ela se torna \u00f3bvia, apoiando e amadurecendo nossa pr\u00e1tica. <\/p>\n<p>Do livro: Port\u00f5es da Pr\u00e1tica Budista de<br \/>\nChagdud Tulku Rinpoche<\/p><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os 84.000 m\u00e9todos ensinados pelo Buda Sakiamuni se enquadram em tr\u00eas categorias principais. 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