{"id":643,"date":"2013-05-23T18:01:28","date_gmt":"2013-05-23T20:01:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=643"},"modified":"2018-02-11T17:14:52","modified_gmt":"2018-02-11T19:14:52","slug":"madhyamaka","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/madhyamaka\/","title":{"rendered":"Madhyamaka"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1566\" rel=\"attachment wp-att-1566\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/shakyamuni.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"296\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1566\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/shakyamuni.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/shakyamuni-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<strong>A Vis\u00e3o do Caminho do Meio<\/strong><\/p>\n<p>Ao enfocarmos o tema Madhyamaka, ou U-ma, como \u00e9 chamado em tibetano, devemos primeiro compreender seu significado.<br \/>\nA palavra U-ma significa \u201cO Meio\u201d. \u00c9 assim chamada porque evita os extremos contidos nas no\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia e \u201caus\u00eancia de exist\u00eancia [1]\u201d.<br \/>\nO real significado de Madhyamaka \u00e9 a vis\u00e3o direta e frontal que n\u00e3o resvala para qualquer extremo; uma vis\u00e3o que, a princ\u00edpio, \u00e9 muito dif\u00edcil de ser alcan\u00e7ada. Os coment\u00e1rios sobre a Madhyamaka s\u00e3o feitos justamente devido a, originalmente n\u00e3o possuirmos tal vis\u00e3o. As instru\u00e7\u00f5es sobre a \u201creta vis\u00e3o\u201d foram inicialmente ensinadas pelo Budha Shakyamuni e posteriormente, comentadas por v\u00e1rios mestres iluminados. Os tratados destes comentaristas s\u00e3o apontados como \u201cOs coment\u00e1rios sobre a Madhyamika\u201d (Madhyamika Shastras).<br \/>\nOs ensinamentos dados a seguir, dizem respeito a tais coment\u00e1rios.<br \/>\nO ensino \u00e9 dado de modo a permitir que os disc\u00edpulos possam compreender a \u201cNatureza Fundamental da Realidade\u201d, praticar o caminho da realiza\u00e7\u00e3o e, assim, alcan\u00e7ar a liberdade sobre o sofrimento.<\/p>\n<p>OS TR\u00caS GIROS DA RODA DO DHARMA<\/p>\n<p>O Budha apresentou a \u201cVis\u00e3o do caminho do Meio\u201d muitas vezes, de maneiras diferentes, as quais se acham sumarizadas nos \u201cTr\u00eas Giros da Roda do Dharma\u201d. Ele ensinou primeiramente em Sarnath, pouco ap\u00f3s sua ilumina\u00e7\u00e3o, a um grupo de seres que n\u00e3o tinham nem grande energia, nem mentes expansivas. Ministrou-lhes as \u201cQuatro Nobres Verdades\u201d: ensinou que toda exist\u00eancia comum \u00e9 sofrimento, que tal sofrimento resulta de nosso pr\u00f3prio carma e que este carma \u00e9 gerado atrav\u00e9s do condicionamento degradado de nossas pr\u00f3prias mentes.<br \/>\nA mente degradada, afirmou, prov\u00e9m de nosso apego \u00e0 no\u00e7\u00e3o de uma individualidade, ou ego. Assim, o Budha demonstrou a natureza sofredora da exist\u00eancia no mundo e suas causas. Em seguida, mostrou a possibilidade da libera\u00e7\u00e3o do sofrimento ao alcan\u00e7armos o Nirvana.<br \/>\nPara se alcan\u00e7ar o Nirvana, n\u00e3o \u00e9 suficiente ter inclina\u00e7\u00e3o moral, ou o sentimento de poder alcan\u00e7\u00e1-lo: deve-se estar compelido a praticar o caminho a fim de atingir a completa cessa\u00e7\u00e3o das degrada\u00e7\u00f5es e do conseq\u00fcente sofrimento; cessa\u00e7\u00e3o esta que \u00e9 o Nirvana. Neste contexto, \u201co caminho\u201d significa contra-agir ao apego \u00e0 no\u00e7\u00e3o de ego e auto-exist\u00eancia.<br \/>\nAssim procedendo, podemos nos livrar das degrada\u00e7\u00f5es de nossas mentes, da necessidade de gerar carma e, desta forma, sermos dispensados da necessidade de gerar carma e, desta forma, sermos dispensados da necessidade de continuadas passagens pelo mundo.<br \/>\nNo \u201cPrimeiro Giro da Roda do Dharma\u201d, o Shakyamuni n\u00e3o ensinou especificamente a Vacuidade, embora tenha sugerido indiretamente.<br \/>\nA aus\u00eancia de ego que ele proclamou naquela oportunidade n\u00e3o era a aus\u00eancia de individualidade num sentido \u00faltimo, mas no sentido mais simples de que n\u00e3o existe nenhum ego, ou auto-natureza, permanente e solidamente individual.<br \/>\nPosteriormente, em Rajgir, ele transmitiu o \u201cSegundo Giro da Roda do Dharma\u201d, os ensinamentos a respeito da aus\u00eancia de caracter\u00edsticas fundamentais. Ensinou-nos as dezesseis modalidades de Vacuidade: as apar\u00eancias externas s\u00e3o vazias, o mundo interior dos pensamentos \u00e9 vazio; tanto as coisas externas quanto internas, em conjunto, s\u00e3o vazias; e, assim por diante, em dezesseis est\u00e1gios. Desta maneira, ele demonstrou que n\u00e3o existe nenhum ego, n\u00e3o apenas no sentido comum, mas, ainda, que nenhuma realidade inerente pode ser encontrada em coisa alguma, seja l\u00e1 onde investiguemos.<br \/>\nMais tarde, em Sravasti, Budha ensinou o \u201cTerceiro Giro da roda\u201d, no qual revela que a Vacuidade n\u00e3o \u00e9 meramente vazia, mas d\u00e1 origem a todos os fen\u00f4menos e \u00e9 continuamente expressiva. Este terceiro giro inclui li\u00e7\u00f5es sobre a \u201cFonte dos Tath\u00e1gatas2\u201d (Tath\u00e1gata Garba), o ensinamento b\u00e1sico sobre o qual a filosofia da Escola \u201cMente \u00danica\u201d ou escola \u201cSomente Consci\u00eancia\u201d (Vijnanavada) foi fundada.<br \/>\nA distin\u00e7\u00e3o entre o segundo e o terceiro giros \u00e9 que, nos ensinamentos de Rajgir, o Budha pregou a Vacuidade como sendo uma fun\u00e7\u00e3o da apar\u00eancia, isto \u00e9, a mais alta qualidade da apar\u00eancia (a sua falta de verdadeira exist\u00eancia), enquanto que, em Sravasti, ensinou-nos a Vacuidade como uma esp\u00e9cie de funda\u00e7\u00e3o a partir da qual tudo \u00e9 expresso.<br \/>\nOs tr\u00eas Giros, ent\u00e3o, comp\u00f5e o ensinamento da \u201cVis\u00e3o Correta\u201d.<br \/>\nBudha ensinou tamb\u00e9m, muitos m\u00e9todos para o reconhecimento da Natureza Fundamental e para a pr\u00e1tica do caminho segundo os ensinamentos do Mahamudra (Supremo Gesto) e as li\u00e7\u00f5es sobre Maha Sandhi, ou Dzogchen (A Grande Perfei\u00e7\u00e3o), m\u00e9todos para a pr\u00e1tica e alcance da realiza\u00e7\u00e3o, os quais n\u00e3o diferem do enfoque da Vis\u00e3o do Caminho do Meio (Madhyamaka).<br \/>\nO \u201cPrimeiro Giro da roda do Dharma\u201d, o primeiro ensinamento sobre as Quatro Nobres Verdades, etc, geralmente diz respeito ao Hinayana.<br \/>\nOs ensinamentos do \u201cSegundo Giro\u201d, sobre os dezesseis aspectos da Vacuidade, etc, foram desdobrados por Nagarjuna no seu Prajna Nama Mula Madhyamaka Karika e, mais tarde, por Chandrakirti no Madhyamaka Vatara, por Shantirakshita no Madhyamaka Lankara e por Aryadeva nas Quatrocentas Estrofes Sobre a Madhyamaka. Estes quatro coment\u00e1rios (shastras) clarearam a vis\u00e3o da Vacuidade, bem como da Verdadeira Natureza da fenomenalidade.<br \/>\nMaitreinatha deu a Asanga cinco coment\u00e1rios em versos sobre o \u201cTerceiro Giro da Roda do Dharma\u201d, referentes \u00e0 \u201cFonte dos Tath\u00e1gatas\u201d e Asanga fez coment\u00e1rios sobre tais versos. A partir dessas explica\u00e7\u00f5es, se deriva a linhagem de vis\u00e3o do \u201cTerceiro Giro\u201d.<br \/>\nA explica\u00e7\u00e3o da Vacuidade de acordo com o \u201cSegundo Giro\u201d, os ensinamentos de Nagarjuna, Aryadeva, etc, s\u00e3o chamados em tibetano de Rangtong, o que, basicamente, significa que toda apar\u00eancia \u00e9 vazia.<br \/>\nA explica\u00e7\u00e3o da Vacuidade de acordo com o \u201cTerceiro Giro\u201d, o ensinamento de Asanga, \u00e9 conhecido como Shentong, que significa que a Vacuidade em si mesma n\u00e3o \u00e9 meramente vazia, mas expressa as qualidades b\u00fadicas.<br \/>\nOs verdadeiros meios para se chegar ao reconhecimento da Natureza Fundamental n\u00e3o s\u00e3o diferentes nos dois sistemas. A \u00fanica distin\u00e7\u00e3o diz respeito apenas \u00e0 maneira pela qual a Vacuidade \u00e9 explicada.<\/p>\n<p>IMPERMAN\u00caNCIA, CARMA E VACUIDADE<\/p>\n<p>Em geral, se considerarmos nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia, concluiremos que temos corpo, sentimentos, id\u00e9ias, impulsos e consci\u00eancia. Ao examinarmos tais agregados, verificaremos que nenhum deles \u00e9 permanente. Nossos corpos, por exemplo, eram muito pequenos quando nascemos e foram crescendo gradualmente. Est\u00e3o envelhecendo agora e, eventualmente, se deteriorar\u00e3o e perecer\u00e3o.<br \/>\nAssim, podemos facilmente ver que o corpo \u2013 e, similarmente, os sentimentos, etc \u2013 s\u00e3o impermanentes.<br \/>\nExistem muitas id\u00e9ias diferentes acerca de como nascemos dentro desta modalidade de estrutura impermanente.<br \/>\nAlguns pensam que h\u00e1 um indiv\u00edduo onipresente que a tudo conduz, fazendo com que as pessoas nas\u00e7am aqui ou ali, nesta ou naquela forma. Outros sentem que for\u00e7as externas ao mundo produzem os nascimentos em lugares diferentes e sob v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es.<br \/>\nO Budismo, por\u00e9m, prop\u00f5e uma teoria absolutamente distinta. De acordo com o Budismo, tudo ocorre devido ao carma que n\u00f3s pr\u00f3prios geramos.<br \/>\nNasci no Tibet devido \u00e0 for\u00e7a do carma gerado em vidas anteriores.  Todos voc\u00eas nasceram no Ocidente devido ao carma gerado em exist\u00eancias passadas. N\u00f3s nascemos numa \u00e9poca de particular instabilidade, devido ao poder do nosso carma.<br \/>\nAssim, embora eu tenha nascido mo Tibet, meu carma produziu meu nascimento numa \u00e9poca em que as condi\u00e7\u00f5es l\u00e1 eram muito inst\u00e1veis e me for\u00e7aram a vir para a \u00cdndia. Similarmente, embora voc\u00eas tenham nascido no Ocidente, as condi\u00e7\u00f5es do carma os trouxeram at\u00e9 aqui. Nosso nascimento e v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es a que nos submetemos s\u00e3o um produto do pr\u00f3prio carma.<br \/>\nA raz\u00e3o para a gera\u00e7\u00e3o de todas estas forma\u00e7\u00f5es c\u00e1rmicas, que trazem \u00e0 tona nossa situa\u00e7\u00e3o existencial, \u00e9 que, mentalmente, estamos continuamente agindo a partir de impulsos degradantes \u2013 de agress\u00e3o, desejo, orgulho, inveja, ci\u00fame, etc.<br \/>\nTemos agido impulsivamente porque temos nos mantido apegados \u00e0 no\u00e7\u00e3o de individualidade, de auto-exist\u00eancia.3 Esta falsa suposi\u00e7\u00e3o de um ego nos tem compelido de uma a outra condi\u00e7\u00e3o, conduzindo-nos ao sofrimento. Somente poderemos nos libertar desta continua situa\u00e7\u00e3o compulsiva pelo reconhecimento e compreens\u00e3o da realidade, na qual n\u00e3o h\u00e1 a suposi\u00e7\u00e3o de um ego.<br \/>\nAo considerarmos a Natureza Fundamental, podemos ver que ela deve sempre ser justamente como \u00e9. O fato de n\u00e3o reconhecermos a Natureza da Realidade, devido \u00e0 nossa ignor\u00e2ncia, em absoluto pode afet\u00e1-la. A Natureza Fundamental da Realidade tem sido como \u00e9 desde os prim\u00f3rdios dos prim\u00f3rdios.<br \/>\nJ\u00e1 que podemos estar enganados quanto \u00e0 Natureza da Realidade, indagamos: \u201cAp\u00f3s reconhecermos a Natureza da Realidade, seria poss\u00edvel voltarmos novamente ao equ\u00edvoco e recairmos em falsa compreens\u00e3o?\u201d<br \/>\nTal n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, uma vez que, vagar novamente pelo engano, requereria o impulso b\u00e1sico da ignor\u00e2ncia. Teria de haver alguma esp\u00e9cie de sentimento segundo o qual a Vacuidade se mostrasse insatisfat\u00f3ria, ou irreal. Mas, tendo realmente reconhecido a Vacuidade, descobrimos que isso n\u00e3o ocorre.<br \/>\nA experi\u00eancia da Vacuidade \u00e9 plena de felicidade perene, \u00e9 cont\u00ednua e brilhantemente a express\u00e3o das qualidades b\u00fadicas. Atrav\u00e9s da experi\u00eancia da Vacuidade, nos libertamos dos sofrimentos do samsara e n\u00e3o resta qualquer impulso que nos leve novamente a vagar em meio \u00e0s percep\u00e7\u00f5es do falso entendimento. Quando, por uma vez que seja, tivermos realmente reconhecido tal Natureza Fundamental, passamos a nos situar al\u00e9m da possibilidade de revers\u00e3o, sejam quais forem as press\u00f5es exercidas pelas condi\u00e7\u00f5es ou pelos amigos.<br \/>\nSe a Natureza Fundamental estivesse sujeita a altera\u00e7\u00f5es, poderia ent\u00e3o haver alguma perda de realiza\u00e7\u00e3o. Mas, isso \u00e9 um absurdo. \u00c9 rid\u00edculo pensar em uma Natureza Fundamental que, por si mesma, seja pass\u00edvel de transforma\u00e7\u00f5es.<br \/>\nPor exemplo, seria absurdo pensar que n\u00e3o havia nenhuma auto-exist\u00eancia na individualidade no ano passado, mas que, agora, temos todos um ego auto-existente.<br \/>\nPodemos facilmente constatar que a Natureza Fundamental \u00e9 inalter\u00e1vel e que n\u00e3o pode haver revers\u00e3o ap\u00f3s a Ilumina\u00e7\u00e3o, o estado de Bhuda, o Estado de Ser Desperto.<br \/>\nH\u00e1 muitos exemplos ilustrativos de como o estado de Budha \u00e9 imperme\u00e1vel a todos os obst\u00e1culos e interfer\u00eancias conforme as hist\u00f3rias das vidas anteriores de Budha.<br \/>\nUm Bodhisatva certa vez nasceu como um rei chamado Mahadatta. Tinha alguma vis\u00e3o interior da Vacuidade e tal se expressava por um grande impulso de dar. Assim, Mahadatta estava sempre distribuindo coisas, fazendo grandes donativos, dando esmolas aos pobres, etc.<br \/>\nCerto dia, durante uma refei\u00e7\u00e3o, percebeu um mendigo tentando obter esmolas e imediatamente ordenou ao criado que lhe desse algum alimento. No entanto, antes que o criado pudesse alcan\u00e7ar a porta, o mendigo j\u00e1 se afastara. Ent\u00e3o o pr\u00f3prio Mahadatta ergueu-se subitamente e, empunhando seu prato de comida, precipitou-se porta afora para d\u00e1-lo ao mendigo.<br \/>\nEnquanto tentava alcan\u00e7ar o mendigo, experimentou uma vis\u00e3o demon\u00edaca: repentinamente se viu diante de um inferno muito quente, onde os habitantes sofriam grandemente. De um dos lados deste inferno havia um dem\u00f4nio que parecia infringir o sofrimento naqueles seres. Este, percebendo-o, perguntou a Mahadatta se ele sabia por que aqueles seres estavam sofrendo. Mahadatta respondeu que n\u00e3o tinha id\u00e9ia, mas que, certamente, sofriam terrivelmente. O dem\u00f4nio, ent\u00e3o, disse que todos aqueles seres haviam degradado as linhagens de suas fam\u00edlias ao esbanjar o patrim\u00f4nio e o \u00e1rduo trabalho de seus ancestrais. Por assim terem procedido, haviam nascido no inferno.<br \/>\nMahadatta parou e refletiu sobre isto por um minuto e, ent\u00e3o, inquiriu ao dem\u00f4nio:<br \/>\n\u201cOs bens que foram distribu\u00eddos ajudaram as pessoas que os receberam?\u201d<br \/>\nA esta pergunta s\u00f3 uma resposta \u00e9 poss\u00edvel: se doarmos algo, ajudamos algu\u00e9m e, assim, respondeu o dem\u00f4nio.<br \/>\n\u201cNaturalmente, aquilo que foi dado ajudou em muito aos benefici\u00e1rios, mas causou aos doadores o nascimento no inferno\u201d.<br \/>\nMahadatta, ent\u00e3o concluiu:<br \/>\n\u201cSe as coisas que dou ajudam as pessoas, mas podem me levar ao inferno, ent\u00e3o continuarei a distribu\u00ed-las. Se for para o inferno por ajudar aos outros, est\u00e1 tudo muito bem comigo\u201d. E a vis\u00e3o do dem\u00f4nio desapareceu.<br \/>\nEsta hist\u00f3ria mostra que, com a percep\u00e7\u00e3o da Vacuidade, nenhum obst\u00e1culo pode jamais prejudicar o entendimento b\u00e1sico de uma pessoa.<br \/>\nQuanto ao verdadeiro significado da Vacuidade, os seres est\u00e3o impossibilitados de reconhecer a \u201cVerdadeira Natureza\u201d devido as suas formas de obscurecimento, que s\u00e3o:<\/p>\n<p>1 \u2013 O obscurecimento das degrada\u00e7\u00f5es, tais como o apego, a avers\u00e3o e a ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>2 \u2013 O obscurecimento conceitual, a discrimina\u00e7\u00e3o artificial com rela\u00e7\u00e3o ao sujeito, ao objeto (e a conex\u00e3o entre eles)<\/p>\n<p>Com o fim de purificar-nos com rela\u00e7\u00e3o a estes dois tipos de obscurecimentos e reconhecermos as Duas Verdades (a verdade convencional e a Verdade \u00daltima), devemos conceber a falta de realidade da individualidade e a falta de realidade dos objetos cognosc\u00edveis.<\/p>\n<p>Do livro: \u201cA PORTA ABERTA PARA A VACUIDADE\u201d<br \/>\nVener\u00e1vel Kenchen Thrangu Rimpoche \u2013 Ed. Bodigaya<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p>1 \u2013 N\u00e3o-Ser.<\/p>\n<p>2 \u2013 Tath\u00e1gata: aquele que encontrou a Verdade. Tathata = Verdade, &#8211; \u00e1gata = alcan\u00e7ar, chegar.<\/p>\n<p>3 \u2013 Auto-exist\u00eancia, exist\u00eancia inerente, exist\u00eancia absoluta, auto-natureza, natureza pr\u00f3pria, etc, em geral s\u00e3o meras express\u00f5es para referir-se a um modo de exist\u00eancia  (te\u00f3rico-hipot\u00e9tico) de um objeto ou fen\u00f4meno que existe \u201cem si mesmo\u201d, isoladamente, absolutamente, independentemente de qualquer outro objeto ou fen\u00f4meno.<\/p>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Vis\u00e3o do Caminho do Meio Ao enfocarmos o tema Madhyamaka, ou U-ma, como \u00e9 chamado em tibetano, devemos primeiro compreender seu significado. 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