{"id":6444,"date":"2020-06-29T17:49:49","date_gmt":"2020-06-29T19:49:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6444"},"modified":"2020-06-29T17:49:49","modified_gmt":"2020-06-29T19:49:49","slug":"introducao-ao-budismo-tibetano","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/introducao-ao-budismo-tibetano\/","title":{"rendered":"Introdu\u00e7\u00e3o ao Budismo Tibetano"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Tenzin-Gyatzo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Tenzin-Gyatzo.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"326\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6414\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Tenzin-Gyatzo.jpg 200w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Tenzin-Gyatzo-184x300.jpg 184w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><\/p>\n<p><font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"><a NAME=\"inicio\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:center\"><font SIZE=\"4\"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o ao Budismo Tibetano<\/b><\/font><\/div>\n<p><\/a> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><font SIZE=\"1\"><b><i>de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/tenzin-gyatzo\/\"><font SIZE=\"1\"><i><b>S.S. o XlV Dalai Lama (*)<\/b><\/i><\/font><\/a><\/i><\/b><\/font><\/div>\n<p><\/font><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:justify\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Meus irm&atilde;os e irm&atilde;s espirituais, vou come&ccedil;ar fazendo uma ora&ccedil;&atilde;o &agrave;s Tr&ecirc;s J&oacute;ias do budismo. A primeira, o Buda Sakiamuni, uma ora&ccedil;&atilde;o de louvor a ele, ora&ccedil;&atilde;o que nos faz recordar sua sabedoria, sua compaix&atilde;o e sua energia. Ap&oacute;s, &agrave; segunda J&oacute;ia, o Darma, os ensinamentos do Buda Sakiamuni, e &agrave; terceira J&oacute;ia, a Sanga, os seus seguidores.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">As pessoas aqui presentes que porventura conhe&ccedil;am esta ora&ccedil;&atilde;o, por favor, juntem-se a mim. Aqueles que n&atilde;o a conhecem mas que se consideram budistas podem se recordar das qualidades do Buda enquanto a ora&ccedil;&atilde;o &eacute; feita. E, enfim, aqueles que n&atilde;o se consideram budistas, fiquem apenas assistindo. (&#8230;)<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Gostaria agora de poder cantar o Sutra do Cora&ccedil;&atilde;o, mas cantarei apenas o mantra que corresponde ao Sutra do Cora&ccedil;&atilde;o, pois n&atilde;o temos tempo suficiente para recit&aacute;-lo por inteiro. Este sutra &eacute; um dos mais importantes dentro da divis&atilde;o mahaiana do budismo, importante n&atilde;o apenas no Tibete, mas tamb&eacute;m na China, no Jap&atilde;o, na Cor&eacute;ia. Este sutra est&aacute; ligado ao significado da vacuidade e chama-se Prajna Paramita. (&#8230;)<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Com estas recita&ccedil;&otilde;es n&oacute;s procuramos criar uma motiva&ccedil;&atilde;o adequada. Todas as a&ccedil;&otilde;es humanas, quer positivas, quer negativas, dependem da motiva&ccedil;&atilde;o que a informam. Quando um ensinamento religioso &eacute; dado, tanto a pessoa que est&aacute; dando este ensinamento, quanto aquelas que est&atilde;o recebendo, devem primeiramente desenvolver uma motiva&ccedil;&atilde;o correta. Esta motiva&ccedil;&atilde;o deveria ser o altru&iacute;smo.(&#8230;)<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O Budismo &eacute; uma das antigas religi&otilde;es que apareceram na &Iacute;ndia. Dentre estas, vamos encontrar dos grupos: O primeiro grupo &eacute; o das religi&otilde;es que se voltaram basicamente para uma &uacute;nica exist&ecirc;ncia, num &uacute;nico per&iacute;odo de vida; o segundo grupo corresponde &agrave;s mais preocupadas com a sucess&atilde;o de vidas. Para estas religi&otilde;es do segundo grupo, era poss&iacute;vel a teoria do renascimento.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Dentre as religi&otilde;es que aceitavam a id&eacute;ia do ciclo sucessivo de vidas, vamos encontrar algumas que tamb&eacute;m apresentam a id&eacute;ia de um <i>Criador<\/i>, e outras que n&atilde;o aceitavam o conceito de <i>Criador<\/i>.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Dentre aquelas religi&otilde;es que n&atilde;o aceitam a id&eacute;ia de <i>Criador<\/i>, tamb&eacute;m vamos encontrar duas categorias. A primeira s&atilde;o aquelas que aceitam a exist&ecirc;ncia da alma como algo permanente, e a segunda, s&atilde;o aquelas que n&atilde;o aceitam esta proposi&ccedil;&atilde;o. O budismo &eacute; justamente aquela antiga religi&atilde;o indiana que n&atilde;o aceita nem o conceito de <i>Criador<\/i>, nem o conceito de exist&ecirc;ncia permanente da alma.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Esta presente era que n&oacute;s vivemos &eacute; chamada de &#8220;Era dos Mil Budas&#8221;. Dentro dela, tr&ecirc;s Budas j&aacute; vieram e j&aacute; se foram. O quarto Buda &eacute; o Buda Sakiamuni, que voc&ecirc;s provavelmente conhecem e cujos ensinamentos ainda permanecem vivos na Terra. Depois dele aparecer&atilde;o ainda novecentos e noventa e seis Budas.<\/p>\n<p ALIGN=\"CENTER\">A lei de causa-e-efeito tanto pode conduzirao sofrimento, quanto &agrave; felicidade<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Falando de uma perspectiva hist&oacute;rica, o Buda Sakiamuni era um pr&iacute;ncipe indiano. Na primeira parte de sua vida morava cercado de todos os confortos e prazeres que a vida &eacute; capaz de nos oferecer a um n&iacute;vel mundano. Tamb&eacute;m tinha uma esposa e um filho. Num dado momento de sua vida, tomou contato com alguns aspectos negativos da vida humana que o perturbaram intensamente: a velhice, a doen&ccedil;a e a morte. Tamb&eacute;m teve a oportunidade de ver alguns praticantes, algumas pessoas santificadas. Isso fez com que, ao passar do tempo, ele abandonasse a vida mundana, se tornasse monge, e por seis anos se dedicasse a pr&aacute;ticas meditativas extremamente rigorosas. Com isso p&ocirc;de atingir o estado b&uacute;dico, a ilumina&ccedil;&atilde;o. Come&ccedil;ou ent&atilde;o a ensinar, baseando-se em sua experi&ecirc;ncia pessoal.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Seu primeiro ensinamento foi dado na cidade de Sarnat, na &Iacute;ndia, e tratou das <i>Quatro Nobres Verdades<\/i>. Esses ensinamentos constituem o fundamento de todos os budistas que, sem distin&ccedil;&atilde;o, os aceitam integralmente.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Dentro do budismo, vamos encontrar diferentes escolas de pensamento. Temos a escola do Sul, a escola do Norte (ou hinaiana) e a escola mahaiana. Os tr&ecirc;s principais ensinamentos do Buda s&atilde;o chamados de os <i>Tr&ecirc;s Giros da Roda do Darma.<\/i><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">No primeiro giro tivemos os ensinamentos das Quatro Nobres Verdades, no segundo, os ensinamentos ligados ao <i>Prajna Paramita Sutra,<\/i> que &eacute; a perfei&ccedil;&atilde;o da sabedoria. O Prajna Paramita vai apresentar uma explica&ccedil;&atilde;o bastante elaborada da terceira das Quatro Nobres Verdades, a da <i>Cessa&ccedil;&atilde;o do Sofrimento.<\/i> No terceiro giro da Roda do Darma, vamos encontrar uma apresenta&ccedil;&atilde;o elaborada da Quarta Nobre Verdade, <i>o caminho que leva &agrave; cessa&ccedil;&atilde;o do sofrimento.<\/i> Vemos que o segundo e terceiro giros da Roda do Darma est&atilde;o ligados ao primeiro giro, que foi a apresenta&ccedil;&atilde;o das Quatro Nobres Verdades.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quais s&atilde;o estas Quatro Nobres Verdades? Temos a Verdade do Sofrimento, a Verdade das Causas do Sofrimento, a Verdade da Cessa&ccedil;&atilde;o do Sofrimento e a Verdade do Caminho a ser seguido para se alcan&ccedil;ar a Cessa&ccedil;&atilde;o Permanente do Sofrimento.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">E por que esses ensinamentos foram apresentados sob esta forma de Quatro Nobres Verdades? Porque todos os seres sencientes \u2014 dentre os quais n&oacute;s, humanos \u2014 almejam a felicidade e querem se afastar do sofrimento. Acontece, por&eacute;m, que tanto a felicidade quanto o sofrimento dependem de causas e condi&ccedil;&otilde;es: da <i>Lei de Causa-e-Efeito.<\/i><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">N&oacute;s , enquanto seres humanos, queremos afastar de n&oacute;s o sofrimento, mas para que possamos fazer isso precisamos conhecer as causas do sofrimento e, tamb&eacute;m, se &eacute; poss&iacute;vel super&aacute;-las, sem o que n&atilde;o teremos sucesso. Esse &eacute; o tema das duas primeiras Nobres Verdades: a <i>Verdade de Exist&ecirc;ncia do Sofrimento <\/i>e a <i>Verdade das Causas do Sofrimento.<\/i><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Para os budistas, a lei de causa-e-efeito &eacute; b&aacute;sica. O budista vai estudar essa lei e ver o seu aparecimento nos fen&ocirc;menos que constantemente surgem e desaparecem, na transforma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua de tudo. Essa transforma&ccedil;&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel porque as experi&ecirc;ncias baseiam-se em fatores, n&atilde;o surgem do nada, surgem sob depend&ecirc;ncia. Uma decorr&ecirc;ncia dessa teoria, para os que a aceitam, &eacute; a de que n&atilde;o existe um <i>Criador.<\/i> As coisas n&atilde;o acontecem por des&iacute;gnio de um <i>Criador,<\/i> e sim sob a depend&ecirc;ncia de suas causas e condi&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p ALIGN=\"CENTER\">Todas as a&ccedil;&otilde;es est&atilde;o ligadas &agrave;s motiva&ccedil;&otilde;es sutis cujo exame &eacute; essencial dentro do budismo.<\/p>\n<p><\/b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O Buda explicou que a lei de causa-e-efeito se manifesta tanto na vertente negativa, que leva ao sofrimento, quanto na vertente positiva, que leva &agrave; felicidade. Em ambos os casos, essa lei se manifesta dentro de um determinado padr&atilde;o, os <i>Doze Elos da Cadeia de Origina&ccedil;&atilde;o Interdependente;<\/i> cada elo influenciado e determinado pelo elo que o antecede. Percorrendo-os em um sentido, vamos ao sofrimento, no sentido inverso, &agrave; felicidade.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O primeiro elo da cadeia &eacute; a ignor&acirc;ncia, o segundo o carma, e assim vamos progredindo at&eacute; chegarmos ao d&eacute;cimo-primeiro \u2014 o nascimento \u2014 e ao d&eacute;cimo-segundo \u2014 a velhice e a morte. Se formos do primeiro ao d&eacute;cimo-segundo, isto nos leva ao sofrimento. Se viajamos de forma inversa, ou seja, para superar a velhice e morte, superamos o nascimento, e assim vamos superando a ignor&acirc;ncia. Mas como implementar em nossas vidas estas Quatro Verdades?<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Se queremos superar o sofrimento de forma permanente, precisamos fazer muito esfor&ccedil;o, o que exige determina&ccedil;&atilde;o. Para termos determina&ccedil;&atilde;o, precisamos clareza quanto a meta. Quando focamos a meta e reconhecemos os benef&iacute;cios que da&iacute; podem decorrer, adquirimos a determina&ccedil;&atilde;o e isso nos leva a envidar esfor&ccedil;os. No budismo, a compreens&atilde;o clara dos benef&iacute;cios da meta est&aacute; ligada &agrave; nossa pr&oacute;pria compreens&atilde;o, a vis&atilde;o das desvantagens, de toda a infelicidade de estar imerso nessa exist&ecirc;ncia sams&aacute;rica. Se convencidos disso, se examinamos o sofrimento, reconhecemos suas causas, entendemos a possibilidade de super&aacute;-lo e visualizamos claramente o estado de cessa&ccedil;&atilde;o do sofrimento \u2014 a felicidade permanente \u2014 ent&atilde;o vamos ter determina&ccedil;&atilde;o e, por conseq&uuml;&ecirc;ncia, vamos empreender todos os esfor&ccedil;os necess&aacute;rios para atingir esta meta.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Dentro desta perspectiva, &eacute; importante examinar e conhecer o sofrimento. Segundo o budismo, existem tr&ecirc;s tipos de sofrimento. O primeiro &eacute; o <i>sofrimento do sofrimento, <\/i>&eacute; o que todos conhecemos na forma de doen&ccedil;as f&iacute;sicas, dor de cabe&ccedil;a, desconfortos f&iacute;sicos, etc. O segundo tipo de sofrimento &eacute; chamado de <i>sofrimento da mudan&ccedil;a. <\/i>Muitas experi&ecirc;ncias que temos aqui no mundo, aparentemente s&atilde;o bastante prazerosas e elas nos atraem. Por&eacute;m, &agrave; medida que nos envolvemos com essas experi&ecirc;ncias, muitas vezes elas nos trazem frustra&ccedil;&atilde;o. Essas experi&ecirc;ncias, aparentemente atraentes, s&atilde;o, de alguma forma, permeadas pelo sofrimento, na medida em que seus aspectos se transformam. Este &eacute; <i>sofrimento da mudan&ccedil;a.<\/i> O terceiro tipo de sofrimento &eacute; o <i>nascimento<\/i>. Esse &eacute;, na verdade, a base, a causa de todos os tipos de sofrimento. Enquanto temos o nascimento influenciado pelo apego e ignor&acirc;ncia, temos uma exist&ecirc;ncia que vai estar sendo permeada de sofrimento.<\/p>\n<p ALIGN=\"CENTER\">&#8220;Vacuidade&#8221; n&atilde;o que dizer &#8220;vazio&#8221;, aquilo que &eacute; &#8220;oco&#8221;, mas interdepend&ecirc;ncia<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quanto &agrave;s causas, s&atilde;o de dois tipos. A primeira &eacute; o <i>carma<\/i>, que quer dizer <i>a&ccedil;&atilde;o<\/i>. De modo geral, para que as coisas aconte&ccedil;am neste mundo, &eacute; necess&aacute;rio uma a&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, se voc&ecirc; quer tomar ch&aacute;, precisa praticar v&aacute;rios atos que possibilitem isso: comprar a erva, arrumar uma x&iacute;cara, preparar a &aacute;gua, etc., at&eacute; que, enfim, esteja em condi&ccedil;&otilde;es de beb&ecirc;-lo. Essas a&ccedil;&otilde;es, como toda e qualquer a&ccedil;&atilde;o, tem seus resultados; esta &eacute; a <i>lei do carma.<\/i><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Existem a&ccedil;&otilde;es que frutificam de imediato; outras, por&eacute;m, frutificam em alguns meses ou anos, ou depois de v&aacute;rias vidas, ou mesmo depois de v&aacute;rias eras, mas apesar do tempo que possa mediar, sempre haver&aacute; uma correspond&ecirc;ncia entre a a&ccedil;&atilde;o e seu fruto.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">N&atilde;o h&aacute; tempo aqui para falar sobre os diferentes tipos de a&ccedil;&otilde;es e de causas. Na verdade, h&aacute; no budismo uma elabora&ccedil;&atilde;o detalhada e sofisticada disso. A grosso modo, no entanto, poderia dizer que existem dois tipos de a&ccedil;&atilde;o: as positivas e as negativas. As negativas s&atilde;o as que conduzem ao sofrimento; muitas vezes no Ocidente s&atilde;o chamadas de &#8220;pecados&#8221;. As a&ccedil;&otilde;es positivas s&atilde;o as que levam &agrave; felicidade.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Todas as a&ccedil;&otilde;es est&atilde;o ligadas &agrave;s motiva&ccedil;&otilde;es que lhe deram causa. O exame da motiva&ccedil;&atilde;o &eacute; essencial dentro do budismo. Se a motiva&ccedil;&atilde;o for o apego, a raiva, o &oacute;dio, a ignor&acirc;ncia, a inveja, a a&ccedil;&atilde;o que vai seguir tender&aacute; a ser uma a&ccedil;&atilde;o negativa. Mesmo ao praticarmos uma a&ccedil;&atilde;o aparentemente positiva, se a motiva&ccedil;&atilde;o n&atilde;o for correta, isto afeta a qualidade da a&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, uma pessoa tem f&eacute; no Buda, mas, na verdade, n&atilde;o conhece de fato a a&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, uma pessoa tem f&eacute;, ou seja, &eacute; ignorante. Se a sua motiva&ccedil;&atilde;o &eacute; a ignor&acirc;ncia, ela n&atilde;o vai poder colher frutos dessa f&eacute;, e vai ainda permanecer presa no ciclo de exist&ecirc;ncia \u2014 <i>samsara.<\/i> V&aacute;rios s&atilde;o os tipos de motiva&ccedil;&atilde;o negativa, mas todos esses tipos se originaram de uma &uacute;nica fonte, a ignor&acirc;ncia. Poder&iacute;amos dizer que, em &uacute;ltima an&aacute;lise, a ignor&acirc;ncia &eacute; o tipo de motiva&ccedil;&atilde;o que d&aacute; causa ao <i>samsara,<\/i> que d&aacute; causa a todo o sofrimento.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Conhecer a fundo a ignor&acirc;ncia &eacute; dif&iacute;cil, complexo, a ignor&acirc;ncia se apresenta de diferentes formas. Para conhec&ecirc;-la em suas formas mais sutis &eacute; necess&aacute;rio conhecer a natureza &uacute;ltima da realidade, que &eacute; tamb&eacute;m um conhecimento bastante sutil. Por isso, dentro do budismo encontramos textos como o <i>Prajna Paramita, <\/i>a Perfei&ccedil;&atilde;o da Sabedoria, que trata justamente disso. O conhecimento da ignor&acirc;ncia no seu n&iacute;vel mais sutil est&aacute; intimamente relacionado ao conhecimento da cessa&ccedil;&atilde;o do sofrimento e, portanto, para entendermos esses n&iacute;veis mais sutis da ignor&acirc;ncia, precisamos entender este conceito de cessa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Para conhecermos a fundo esta verdade, que &eacute; a Terceira Nobre Verdade, <i>a cessa&ccedil;&atilde;o do sofrimento, <\/i>&eacute; preciso examinar as apresenta&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o feitas pelas quatro principais escolas de pensamento budista, Vaibhashika, Sautrantika, Chittamatra e Madhyamika, e suas sub-escolas. De todas, a escola Madhyamika, e dentro desta a sub-escola Prasangika, parece-nos a mais profunda.<\/p>\n<p ALIGN=\"CENTER\">A qualidade unidirecionada da mente, &eacute; insepar&aacute;vel da conduta, &#8220;Sila&#8221;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Como poderemos chegar &agrave; completa elimina&ccedil;&atilde;o da ignor&acirc;ncia e &agrave; completa compreens&atilde;o da realidade &uacute;ltima da exist&ecirc;ncia, que propicia a cessa&ccedil;&atilde;o de todo sofrimento? Nessa busca come&ccedil;amos examinando a realidade &uacute;ltima da exist&ecirc;ncia, passamos &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es negativas e, por fim, &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o da ignor&acirc;ncia \u2014 o que vai nos apresentar esta verdade &uacute;ltima. Quando esse trabalho investigativo &eacute; realizado tendo por objetivo a verdadeira natureza da mente, ou seja, tomando por objeto a pr&oacute;pria natureza &uacute;ltima e n&atilde;o algum outro fator da exist&ecirc;ncia, focando a pr&oacute;pria mente, trilha-se o caminho da verdadeira cessa&ccedil;&atilde;o final de todo o sofrimento.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Falo aqui da natureza &uacute;ltima da exist&ecirc;ncia ou da verdade &uacute;ltima da exist&ecirc;ncia; dentro deste conceito vai surgir a no&ccedil;&atilde;o de <i>duas verdades,<\/i> a que corresponde &agrave; natureza &uacute;ltima da exist&ecirc;ncia, e a relativa que se contrap&otilde;e &agrave; primeira. Esta apresenta&ccedil;&atilde;o da verdade em dois n&iacute;veis n&atilde;o &eacute; particular do budismo, vamos encontr&aacute;-la em outras religi&otilde;es da &Iacute;ndia, e essa divis&atilde;o &eacute; aceita pelas quatro escolas de pensamento budista. Para o que segue vou utilizar o enfoque da escola que havia referido como sendo a mais profunda de todas, a escola Prasangika-Madhyamica.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Em poucas palavras, a <i>verdade &uacute;ltima da exist&ecirc;ncia<\/i>, segundo o budismo, &eacute;<i> Sunya<\/i>, ou a vacuidade. Por&eacute;m, &#8220;vacuidade&#8221; n&atilde;o quer dizer &#8220;vazio&#8221;, aquilo que &eacute; &#8220;oco&#8221;, mas sim que <i>todos os fen&ocirc;menos, todas as coisas, existem sob depend&ecirc;ncia ou interdependentemente, e n&atilde;o por si mesmas.<\/i> Por esse motivo, porque nada existe por si s&oacute; mas por depend&ecirc;ncia, cada fen&ocirc;meno, isoladamente considerado, &eacute;, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, vazio. Assim, <i>quando temos a aus&ecirc;ncia dessa independ&ecirc;ncia da exist&ecirc;ncia, temos a experi&ecirc;ncia da vacuidade.<\/i><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">De modo geral os seres n&atilde;o conhecem esses n&iacute;veis sutis de ignor&acirc;ncia; isso faz com que certas predisposi&ccedil;&otilde;es apare&ccedil;am e se tornem mais enf&aacute;ticas, vindo at&eacute; mesmo a aparecer de forma mais violenta, num ciclo sucessivo de renascimentos, at&eacute; que temos, a partir disso, estados mais n&eacute;scios de ignor&acirc;ncia. Por&eacute;m, a ignor&acirc;ncia, seja ela qual for, por mais s&oacute;lida que pare&ccedil;a aos nossos olhos, em &uacute;ltima an&aacute;lise &eacute; apenas ilus&atilde;o. A ignor&acirc;ncia est&aacute; constru&iacute;da sobre premissas falsas e, por isso, pode ser dissipada atrav&eacute;s da investiga&ccedil;&atilde;o e da medita&ccedil;&atilde;o. Ao mesmo tempo, n&atilde;o temos familiaridade com esses n&iacute;veis sutis de conhecimento, a compreens&atilde;o da ignor&acirc;ncia em seu n&iacute;vel mais sutil. Ainda que haja essa dificuldade, podemos fazer um esfor&ccedil;o para nos familiarizarmos com essa experi&ecirc;ncia, para investigarmos essas quest&otilde;es, para meditarmos sobre <i>sunya<\/i>, a vacuidade. Portanto, &eacute; como se houvesse uma balan&ccedil;a com dois pratos, o negativo e o positivo. &Agrave; medida que se vai cultivando o positivo, este prato vai subindo e o prato negativo vai descendo, at&eacute; chegar a uma situa&ccedil;&atilde;o em que toda a emo&ccedil;&atilde;o negativa, toda a vis&atilde;o equivocada vem a ser eliminada por completo. Esta &eacute; a <i>verdade da cessa&ccedil;&atilde;o.<\/i><\/p>\n<p><b><\/p>\n<p ALIGN=\"CENTER\">O budismo tibetano inclui o hinaiana, o mahaiana e o tantraiana<\/p>\n<p><\/b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Falando agora da Quarta Verdade, que &eacute; o <i>caminho que leva a cessa&ccedil;&atilde;o, <\/i>muitos m&eacute;todos existem no budismo; vou falar de dois, os principais. Antes de tudo precisamos desenvolver a compreens&atilde;o, a sabedoria que compreende a vacuidade, <i>Vipassana.<\/i> Para algu&eacute;m desenvolver isso, e adquirir os instrumentos para usar essa sabedoria, precisa desenvolver uma capacidade de concentra&ccedil;&atilde;o de mente, precisa ter uma mente unidirecionada. Hoje somos vassalos de nossa mente, ela nos controla, mas podemos nos desenvolver at&eacute; um ponto em que nossa mente fique na posi&ccedil;&atilde;o onde a coloquemos e que se torne poss&iacute;vel us&aacute;-la para a penetra&ccedil;&atilde;o profunda em um tema ou objeto de medita&ccedil;&atilde;o. Esta qualidade, este treinamento da mente se chama <i>&#8220;Shamatha&#8221;<\/i>. Para podermos desenvolver essa qualidade unidirecionada da mente, precisamos ter moralidade, auto-disciplina, a conduta &eacute; importante, &eacute; insepar&aacute;vel, o que &eacute; chamado <i>&#8220;Sila&#8221;<\/i>.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Essas Quatro Nobres Verdades comp&otilde;e a base do budismo, e s&atilde;o assim aceitas por todos os budistas, mas h&aacute; um segundo desenvolvimento no budismo, o <i>mahaiana<\/i>. O mahaiana se assenta sobre essa base, mas adiciona dois conceitos importantes: o conceito das <i>Seis Perfei&ccedil;&otilde;es e Bodhicitta, <\/i>o Altru&iacute;smo Universal. H&aacute; ainda um terceiro n&iacute;vel, o <i>mantraiana <\/i>ou <i>tantraiana <\/i>que, aceitando os dois primeiros n&iacute;veis, vai introduzir outras pr&aacute;ticas; pr&aacute;ticas que envolvem <i>visualiza&ccedil;&otilde;es, deidades e mandalas.<\/i><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O budismo tibetano como tal inclui esses tr&ecirc;s grandes grupos do budismo, o <i>hinaiana, <\/i>o <i>mahaiana <\/i>e o <i>tantraiana.<\/i><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">(*) O monge Tenzin Gyatzo, XIV Dalai Lama do Tibete, l&iacute;der espiritual e temporal do povo tibetano, Pr&ecirc;mio Nobel da Paz de 1989. No Brasil recebeu os t&iacute;tulos de Cidad&atilde;o da Cidade de S&atilde;o Paulo, Doutor Honoris Causa da PUC-SP e Cidad&atilde;o de Porto Alegre. Recebeu tamb&eacute;m a Medalha Irm&atilde;o Afonso da PUC-RS e a Medalha Pedro Ernesto da C&acirc;mara de Vereadores do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p ALIGN=\"right\"><font SIZE=\"1\"><b><i>Retirado do site www.bodisatva.com<\/i><\/b><\/font><\/p>\n<hr \/>\n<\/div>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><a HREF=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu&ccedil;&atilde;o ao Budismo Tibetano de S.S. o XlV Dalai Lama (*) Meus irm&atilde;os e irm&atilde;s espirituais, vou come&ccedil;ar fazendo uma ora&ccedil;&atilde;o &agrave;s Tr&ecirc;s J&oacute;ias do budismo. 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