{"id":6472,"date":"2020-06-29T19:16:32","date_gmt":"2020-06-29T21:16:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6472"},"modified":"2020-06-29T19:16:32","modified_gmt":"2020-06-29T21:16:32","slug":"o-caminho-direto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-caminho-direto\/","title":{"rendered":"O Caminho direto"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/TulkuThondup-1500.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/TulkuThondup-1500.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1030\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6461\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/TulkuThondup-1500.jpg 1500w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/TulkuThondup-1500-300x206.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/TulkuThondup-1500-768x527.jpg 768w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/TulkuThondup-1500-1024x703.jpg 1024w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/TulkuThondup-1500-437x300.jpg 437w\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><a name=\"inicio\"><\/p>\n<div style=\"text-align:center\"><font size=\"4\"><b>O Caminho direto<\/b><\/font><\/div>\n<p><\/a> <\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b>Thondup Rinpoche<\/b><br \/>compila&ccedil;&atilde;o comentada e resumida <br \/>por Lama Padma Samten<sup>(*)<\/sup><\/i><\/div>\n<p><i><font face=\"verdana\" size=\"1\" color=\"#800000\"><b><\/p>\n<p align=\"justify\">H&aacute; um debate especial na hist&oacute;ria do budismo no Tibete, entre Kamalasita e H&aacute;-Shang Mahayana, ao fim do qual este foi proibido de ensinar e praticar e teve que deixar o Tibete junto com seus seguidores. H&aacute;-shang foi um sucessor da escola Ch\u00b4an (Zen) de Bodhidharma, do budismo chin&ecirc;s.<\/p>\n<p align=\"justify\">O texto que se segue &eacute; uma compila&ccedil;&atilde;o comentada e resumida do estudo do Thondup Rinpoche<sup>(1) <\/sup>sobre as diversas vers&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es com respeito ao pensamento de H&aacute;-Shang Mahayana e tem por objetivo, ao examinar fragmentos e coment&aacute;rios sobre o ensinamento do mestre chin&ecirc;s, alertar para as dificuldades de abordagem que podem surgir aos praticantes com respeito &agrave; pr&aacute;tica do caminho e &agrave; medita&ccedil;&atilde;o. Ap&oacute;s an&aacute;lise do texto-base, examinam-se fragmentos do pensamento de mestres Zen hist&oacute;ricos como Bodhidharma, Dogen, Koun Ejo, e do mestre contempor&acirc;neo Kodo Sawaki; cita-se paralelamente fragmentos de ensinamentos sobre a Natureza da Mente na tradi&ccedil;&atilde;o tibetana.  <\/p>\n<p><\/b><\/font><\/i><\/font><\/p>\n<div style=\"text-align:justify\">\n<p align=\"JUSTIFY\"><b>Thondup Rinpoche<\/b> come&ccedil;a seu estudo com as seguintes observa&ccedil;&otilde;es:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&quot;Alguns eruditos tibetanos que refutam o dzogpa chenpo<sup>(2),<\/sup> alegam que este ensinamento &eacute; muito pr&oacute;ximo ou mesclado com a vis&atilde;o de Ha-shang Mahaiana, porque tamb&eacute;m propaga o enfoque da &#8220;ilumina&ccedil;&atilde;o instant&acirc;nea&#8221; e repouso no &#8220;n&atilde;o-pensamento&#8221;. O estudo que se segue, sobre a abordagem de Ha-shang Mahaiana, est&aacute; baseado em fontes tibetanas. &#8220;Ha-shang Mahaiana (chin&ecirc;s: Ho-shang Mo-ho-yen) foi um mestre da escola ch\u00b4an do budismo chin&ecirc;s, fundada por Bodidarma no sexto s&eacute;culo d.C. De acordo com Lobzang Chokyi Nyima (1737-1802), Bodidarma foi o vig&eacute;simo oitavo na linhagem de transmiss&atilde;o da &Uacute;ltima Ess&ecirc;ncia<sup>(3)<\/sup> desde Kasyapa (Makakasho Daiosho no zen japon&ecirc;s), o principal disc&iacute;pulo do Buda.&quot;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nub Sangye Yeshey (9\u00b0s&eacute;culo d.C.) fez um breve relato da hist&oacute;ria de Bodidarma: &#8220;A tradi&ccedil;&atilde;o da escola instantane&iacute;sta (Chig-Char-Ba) veio atrav&eacute;s da linhagem de Kasyapa e Dharmottara. Bodidarma foi para a China vindo do leste da &Iacute;ndia, por mar. Quando chegou a Ledkug, na China, onde encontrou-se com o imperador Seu-yan-ang<sup>(4)<\/sup>, percebeu que o imperador ainda n&atilde;o havia compreendido a &uacute;ltima verdade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Assim, foi para Khar Lag-chu, onde despertou inveja de alguns monges que repetidas vezes tentaram envenen&aacute;-lo, sem sucesso. Ap&oacute;s ter transmitido seus ensinamentos a um verdadeiro disc&iacute;pulo (Taisso Eka), morreu na China, onde seus funerais foram ent&atilde;o realizados. Ocorre que um mercador de nome &quot;Un&quot; foi a Tong na &Iacute;ndia e em Ramatingilaka encontrou Bodidarma, que tinha em sua m&atilde;o um p&eacute; de sand&aacute;lia. &#8220;Un&#8221; teve uma detalhada conversa com o mestre. Em seu retorno, &quot;Un&quot; relatou o que ocorrera na &Iacute;ndia; as pessoas abriram a tumba de Bodidarma e encontram apenas uma sand&aacute;lia do par&#8230; Todos concordam que ele foi um Buda totalmente iluminado.&#8221;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">De acordo com Nub San e Yeshe, Ha-shan pode ter sido o s&eacute;timo na linhagem de transmiss&atilde;o desde Bodidarma. As informa&ccedil;&otilde;es sobre a vida de Ha-shang s&atilde;o consideradas muito vagas, de qualquer forma, ele foi tido como um not&aacute;vel professor chin&ecirc;s de budismo no Tibete, durante o reinado de Thrisong Deu-tsan (790-858 d.C.). Uma vez que Ha-shang era um seguidor da escola Instantane&iacute;sta, defrontou-se com a oposi&ccedil;&atilde;o dos seguidores dos mestres indianos, que ensinavam a ilumina&ccedil;&atilde;o gradual.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ao final foi derrotado pelo mestre indiano Kamalasita em um debate p&uacute;blico e foi proibido de ensinar no Tibete. O grande mestre Nyingma Longchen Rabjam diz que Ha-shang Mahaiana transmitiu de mem&oacute;ria, no Tibete, muitos sutras importantes como Avatamsaka, Maha-parinirvana e Vinayagama, que haviam sido traduzidos ao chin&ecirc;s antes de terem sido queimados pelos mu&ccedil;ulmanos durante a destrui&ccedil;&atilde;o do monast&eacute;rio de Nalanda (em Bodhgaya, &Iacute;ndia, local da ilumina&ccedil;&atilde;o do Buda).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os eruditos tradicionais tibetanos unanimemente acreditam que, em seu enfoque, Ha-shang rejeita todas as a&ccedil;&otilde;es virtuosas como m&eacute;todo, e ensina que a pr&aacute;tica se resume apenas em permanecer na aus&ecirc;ncia de pensamentos. Com pequenas diferen&ccedil;as de palavras, os relatos tibetanos sobre o &quot;Debate de Samye&quot; citam que Ha-shang teria dito o seguinte: &quot;Como tudo &eacute; criado pelos conceitos da mente, atrav&eacute;s dos carmas das a&ccedil;&otilde;es virtuosas e n&atilde;o-virtuosas (processos de causalidade), a pessoa experimenta os frutos dos &acirc;mbitos superiores e inferiores, e vagueia sem rumo em samsara. Aquele que se abst&eacute;m do  pensamento em sua mente, e nada faz, estar&aacute; totalmente liberado de samsara. Portanto, interrompa os pensamentos. As dez virtudes (copiar escrituras, fazer oferendas, ouvir os ensinamentos do Darma, memorizar escrituras, ler escrituras, ensinar o Darma, recitar escrituras e refletir sobre os significados do Darmna) s&atilde;o ensinados para os de intelecto inferior, de faculdades embotadas, que n&atilde;o t&ecirc;m um fluxo de carma virtuoso. Para os que previamente refinaram suas  mentes e possuem intelecto agu&ccedil;ado, as a&ccedil;&otilde;es virtuosas e n&atilde;o-virtuosas s&atilde;o vistas como obscuridades, uma vez que tanto as nuvens brancas como as escuras obscurecem o sol. Assim, n&atilde;o pensar, n&atilde;o conceitualizar, n&atilde;o analisar seja o que for, &eacute; a liberdade das conceitualiza&ccedil;&otilde;es. Essa &eacute; a ilumina&ccedil;&atilde;o repentina, o d&eacute;cimo est&aacute;gio dos bodisatvas, o &uacute;ltimo est&aacute;gio de ilumina&ccedil;&atilde;o do caminho&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Jigmed Lingpa distingue assim a vis&atilde;o atribu&iacute;da a Ha-shang Mahaiana e a vis&atilde;o Dzogpa chenpo: &quot;De acordo com as suposi&ccedil;&otilde;es populares com respeito ao que teriam sido os ensinamentos e a vis&atilde;o de Ha-shang Mahaiana, pode-se concluir que ele n&atilde;o teve meios de distinguir entre os conceitos mentais objetivos (Yul Sems rTog) e a completitude mental sem objeto (Yul-Med Zang-Ka-Ma). Se for essa a situa&ccedil;&atilde;o, ele cai na cogni&ccedil;&atilde;o de um estado mental que n&atilde;o distingue  entre a mente e a consci&ecirc;ncia intr&iacute;nseca. Esse &eacute; um estado de extrema ignor&acirc;ncia, semelhante ao sono profundo e inconsci&ecirc;ncia, no  qual todos os pensamentos e mem&oacute;rias cessam. No dzogpa chenpo a sabedoria primordial sem objeto n&atilde;o analisa conceitos mentais objetivos (Yul Sems rTog). Todos os conceitos subsistem (Bag-La Zha)  no estado de imaculada e cristalina recolec&ccedil;&atilde;o da autoconsci&ecirc;ncia.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em sua ess&ecirc;ncia n&atilde;o h&aacute; acr&eacute;scimos, decr&eacute;scimos ou mudan&ccedil;as. Isto &eacute; repousar na vis&atilde;o (dGongs-Pa) da grande vastid&atilde;o, livre dos extremos. Assim, n&atilde;o h&aacute; modo de harmonizar essas duas vis&otilde;es&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No &#8220;Samten Migdron&#8221;, um texto de Nub Sangye Yeshey (9\u00b0 s&eacute;culo d.C.), que foi um dos vinte e cinco principais disc&iacute;pulos de Padmasambhava, diferentes escolas s&atilde;o apresentadas e comentadas e a vis&atilde;o sobre os ensinamentos de Ha-shang &eacute; diferente:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">a) Na escola gradualista (Tsen-Men), abandona-se os quatro conceitos de caracter&iacute;sticas, como o conceito de natureza, de ant&iacute;dotos, de talidade, e de est&aacute;gios atingidos, gradualmente penetrando a liberdade frente as conceitualiza&ccedil;&otilde;es&#8230;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">b) Na escola instantane&iacute;sta (sTon-Mun), desde o in&iacute;cio, sem outras alternativas, treina-se imediatamente com respeito &agrave; natureza &uacute;ltima n&atilde;o-nascida&#8230; O abade Ha-shang Mahaiana afirma: &quot;Contemplem a natureza &uacute;ltima inconceb&iacute;vel (Chos-Nyid, Darmata em s&acirc;nscrito) sem quaisquer conceitos&quot;. N&atilde;o h&aacute; aqui qualquer gradual, entra-se na condi&ccedil;&atilde;o de Buda instantaneamente, desde o in&iacute;cio. Isso &eacute; chamado de &#8220;treinamento sem treino&#8230;&quot; Aqui, diferentemente dos praticantes Tsen-men, nada h&aacute; a abandonar. A consci&ecirc;ncia intr&iacute;nseca da contempla&ccedil;&atilde;o no vazio completa as acumula&ccedil;&otilde;es de m&eacute;rito e sabedoria. N&atilde;o h&aacute; a necessidade de purifica&ccedil;&atilde;o, da mesma forma que n&atilde;o h&aacute; apreens&otilde;es e apegos. Todas as exist&ecirc;ncias fenomenais do &#8220;eu&#8221; e dos &#8220;outros&#8221; s&atilde;o n&atilde;o-nascidas desde os tempos primordiais, e buscar &#8220;algo&#8221; que seja n&atilde;o-nascido &eacute; iludir a mente. Atrav&eacute;s dessa busca nunca se chegar&aacute; ao grande significado. &Eacute; semelhante ao oceano &#8211; que nunca ser&aacute; agitado pelo poder de um galo. Nessa escola &eacute; afirmado que penetra-se na natureza &uacute;ltima (Chos-Nyid) ao deixar-se, enfim, de pensar&#8230; O caminho gradual &eacute; ensinado para pessoas de intelecto inferior.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">c) De acordo com as escrituras do Mahayoga Tantra, toda a exist&ecirc;ncia fenomenal &eacute; luminosa em si mesmo, como a consci&ecirc;ncia intr&iacute;nseca. &Eacute; a indivisibilidade das duas verdades: a luminosidade total n&atilde;o criada por um criador e a indivisibilidade da sabedoria primordial com a &uacute;ltima esfera&#8230;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">d) Ati-yoga (Dzogpa chenpo), a Yoga extraordin&aacute;ria: Na talidade atingida espontaneamente, toda a exist&ecirc;ncia fenomenal &eacute; primordialmente clara-radiante na vasta extens&atilde;o da sabedoria primordial totalmente pura e espontaneamente surgida. Causa e resultado s&atilde;o aperfei&ccedil;oados sem busc&aacute;-los separadamente (ou sem esfor&ccedil;os grosseiros; Ril Ma-btsal-Bar Lhun-Gyis rDzogs-Pa).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para comparar com as an&aacute;lises apresentadas, Thondup Rinpoche cita as seguintes passagens do pensamento do sexto patriarca do ch\u00b4an na China, Hui Neng: &quot;No Darma n&atilde;o h&aacute; caminho repentino ou gradual, mas entre as pessoas existem os embotados e os de mente aguda. Os confusos recomendam o caminho gradual, os iluminados, os ensinamentos do caminho repentino&#8230; Vejam por si mesmos a pureza de suas pr&oacute;prias naturezas, pratiquem e atinjam por si mesmos os resultados.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Sua pr&oacute;pria natureza &eacute; o Darmakaia e sua pr&aacute;tica &eacute; a pr&aacute;tica do Buda; pelo pr&oacute;prio esfor&ccedil;o de voc&ecirc;s mesmos &eacute; que podem atingir o Caminho do Buda&#8230; Apesar de no ensinamento n&atilde;o haver o que seja repentino ou gradual, na ilus&atilde;o do despertar h&aacute; rapidez e lentid&atilde;o. Ao estudar o ensinamento da doutrina repentina, as pessoas ignorantes n&atilde;o podem compreender completamente&#8230; A mente-base afastada do erro &eacute; o preceito (<i>sila<\/i>) da natureza pr&oacute;pria; a mente-base n&atilde;o perturbada &eacute; a medita&ccedil;&atilde;o (<i>dhyana<\/i>) da natureza pr&oacute;pria; a mente-base n&atilde;o-dual &eacute; a sabedoria (<i>prajna<\/i>) da natureza pr&oacute;pria&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ao final, Thondup Rinpoche conclui: &quot;Se Ha-shan Mahaiana ensinou permanecer na mera aus&ecirc;ncia de pensamentos (como interpretado por eruditos tibetanos como Ba, Buton e Tsuglag Threngwa), ent&atilde;o n&atilde;o ensinou o que os textos mahaiana e dzogpa chenpo afirmam. Se ele afirmou (como interpreta Nub Sangye Yeshey) que, ap&oacute;s compreender o significado da natureza &uacute;ltima (Chos-Nyid), deve-se sempre permanecer a&iacute;, sem pensamentos duais, uma vez que esses pensamentos seriam apenas obstru&ccedil;&otilde;es que impediriam a viv&ecirc;ncia do estado de realiza&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o n&atilde;o h&aacute; conflito com os ensinamentos dzogpa chenpo, mas essa abordagem &eacute; apenas para os que atingiram esse est&aacute;gio e n&atilde;o para as pessoas de mentes, vidas, emo&ccedil;&otilde;es e vis&otilde;es comuns, como muitos de n&oacute;s. No mahaiana e especialmente nos tantras e no dzogpa chenpo, h&aacute; a  realiza&ccedil;&atilde;o instant&acirc;nea, mas apenas para aquelas pessoas que j&aacute; atingiram uma maturidade em suas mentes, solidificaram seus carmas virtuosos e energias positivas por meio de treinamentos anteriores  nesta vida e em vidas passadas. Se Ha-shang Mahaiana pensava assim, por que pregou publicamente seus ensinamentos, ensinando de forma indistinta aos maduros e aos de intelecto inferior?&quot;<\/p>\n<p><b><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O Zen de Bodaidaruma, Eihei Dogen e Koun Ejo<\/p>\n<p><\/i><\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Sendo Ha-shang Mahaiana um mestre ch\u00b4an (zen), sucessor de Bodidarma e de Hui Neng, &eacute; natural que surja entre os praticantes do zen o interesse em aprofundar a quest&atilde;o e examinar se sua pr&oacute;pria linhagem n&atilde;o est&aacute; praticando algo inadequado e incorreto. Seriam os ensinamentos de Bodidarma, Tendo Nyojo, Eihei Dogen, Koun Ejo incorretos, inadequados, inconvenientes, perigosos? Inicialmente vamos resumir as cr&iacute;ticas a Ha-shang Mahaiana e, ap&oacute;s, vamos examinar como os ensinamentos do zen se colocam frente a estas quest&otilde;es.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Entre os aspectos criticados atribu&iacute;dos a Ha-shang Mahaiana vamos encontrar dois grupos principais: a) a insuficiente compreens&atilde;o do Darma que levaria &agrave; confus&atilde;o entre liberta&ccedil;&atilde;o de samsara e supress&atilde;o pura e simples da atividade mental, e b) admitindo que Ha-shang possu&iacute;a a compreens&atilde;o completa do Darma, seu m&eacute;todo de pr&aacute;tica direta da natureza &uacute;ltima seria adequado apenas a um n&uacute;mero muito pequeno de mentes j&aacute; maduras e n&atilde;o deveria ser pregado indistintamente como ele teria feito.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A primeira critica &eacute; de grande import&acirc;ncia pois os que iniciam na pr&aacute;tica do zen ou da medita&ccedil;&atilde;o silenciosa em outras tradi&ccedil;&otilde;es podem  facilmente confundir o objetivo de interrup&ccedil;&atilde;o das opera&ccedil;&otilde;es mentais com a liberta&ccedil;&atilde;o na natureza &uacute;ltima. O que teriam os mestres zen a dizer sobre isso?  Vamos examinar dois pontos, a natureza do estado final e o tipo de pr&aacute;tica de medita&ccedil;&atilde;o que seria o zazen (medita&ccedil;&atilde;o zen).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Com respeito ao significado da liberta&ccedil;&atilde;o de samsara retomando o Lankavatara Sutra, texto b&aacute;sico de leitura e estudo recomendado e utilizado por Bodidarma (Bodaidaruma Daiosho), vemos que o car&aacute;ter geral do texto n&atilde;o permite a confus&atilde;o com a mera supress&atilde;o da atividade mental. Em uma parte Buda Sakiamuni diz especificamente que &quot;os yogues, ainda que entrando no estado de tranq&uuml;iliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o est&atilde;o conscientes da opera&ccedil;&atilde;o da sutil energia-de-h&aacute;bito no interior de si mesmos, pois pensam que entram nesse est&aacute;gio pela extin&ccedil;&atilde;o da mente discriminativa; mas isso n&atilde;o se d&aacute; e t&atilde;o pronto retomam o contato com o mundo externo, esse readquire o mesmo sentido equivocado e condicionado de antes. A liberta&ccedil;&atilde;o &eacute; a n&atilde;o-opera&ccedil;&atilde;o das energias-de-h&aacute;bito <i>(carma<\/i>) que produzem os sentidos condicionados invasivos de samsara&quot;. Como &eacute; que ele chega a isso? &quot;Chega reconhecendo (o vazio) que esse mundo tr&iacute;plice nada mais &eacute; do que a pr&oacute;pria Mente, destitu&iacute;da de um ego e suas caracter&iacute;sticas, sem esfor&ccedil;os, sem idas-e-vindas; que esse mundo tr&iacute;plice &eacute; manifestado e imaginado como real sob a influ&ecirc;ncia da energia-de-h&aacute;bito acumulada desde tempos-sem-in&iacute;cio pelo falso racioc&iacute;nio e imagina&ccedil;&atilde;o e com a multiplicidade de objetos e a&ccedil;&otilde;es em &iacute;ntima proximidade, e em conformidade com id&eacute;ias discriminativas tais como corpo, qualidades e localizabilidade. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Assim, Maha-mati, o bodisatva-mahasatva adquire um entendimento inteiramente claro com respeito ao que &eacute; visto da pr&oacute;pria Mente.&quot;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Com respeito ao vazio, ainda no Lankavatara Sutra: &quot;Mahamati, esse &eacute; um termo cuja natureza-pr&oacute;pria &eacute; a imagina&ccedil;&atilde;o. Devido ao apego a falsa imagina&ccedil;&atilde;o, Mahamati, n&oacute;s temos que falar de vazio, n&atilde;o-nascimento, n&atilde;o-dualidade, e aus&ecirc;ncia-de-natureza-pr&oacute;pria. Ao atingir a realiza&ccedil;&atilde;o interna por meio da nobre sabedoria, n&atilde;o h&aacute; tra&ccedil;o de energia-de-h&aacute;bito gerada por todas as concep&ccedil;&otilde;es err&ocirc;neas.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Por essa raz&atilde;o tu deverias te disciplinar na pr&aacute;tica de vazio, n&atilde;o-dualidade e n&atilde;o-natureza-pr&oacute;pria&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mestre Dogen<sup>(5),<\/sup> no Fukanzazengi, descreve a pr&aacute;tica de medita&ccedil;&atilde;o zen, o zazen; desse texto retiramos pequenos trechos:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&quot;Sente de forma est&aacute;vel em samadi. Pense sem pensar. Como se pensa sem pensar? Pensando al&eacute;m de pensar e n&atilde;o-pensar&#8230;&quot; O zazen a que me refiro n&atilde;o &eacute; aprender medita&ccedil;&atilde;o passo a passo, &eacute; simplesmente a porta de entrada do Darma em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; paz e contentamento (<i>nirvana<\/i>). &Eacute; a pr&aacute;tica de ilumina&ccedil;&atilde;o do caminho mais elevado. Praticando assim voc&ecirc; &eacute; como um drag&atilde;o na &aacute;gua, como um tigre na montanha. Voc&ecirc; deve saber que o verdadeiro Darma manifesta-se por si mesmo em zazen e que, antes de tudo, o embotamento e a distra&ccedil;&atilde;o s&atilde;o eliminados. N&atilde;o avalie se voc&ecirc; &eacute; inteligente ou est&uacute;pido, se &eacute; superior ou inferior, quando estiver praticando de todo o cora&ccedil;&atilde;o, esta &eacute; a verdadeira pr&aacute;tica do Caminho. A pr&aacute;tica-ilumina&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se degrada. Fazer o esfor&ccedil;o para praticar, isto mesmo j&aacute; &eacute; a manifesta&ccedil;&atilde;o do caminho em sua vida di&aacute;ria. Os Budas e patriarcas, tanto neste como em outros mundos, preservaram o selo de Buda dessa mesma maneira e expressaram livremente o caminho. Ainda que a seu modo, apenas sentaram e foram protegidos pelo zazen. Se voc&ecirc; praticar a talidade<sup>(6)<\/sup> continuamente, voc&ecirc; se tornar&aacute; a talidade; a casa do tesouro se abrir&aacute; por si mesma e voc&ecirc; ser&aacute; capaz de us&aacute;-lo como lhe for conveniente&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Sobre a pr&aacute;tica e experi&ecirc;ncia de Koun Ejo Zenji<sup>(7), <\/sup>uma breve compila&ccedil;&atilde;o do &#8220;Samadi do Tesouro da Luz Radiante&#8221;:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&quot;Tenho um conselho aos que sinceramente aspiram praticar. N&atilde;o se deixem levar por um particular estado mental ou por um objeto. N&atilde;o repousem no intelecto ou na sabedoria. N&atilde;o levem em suas m&atilde;os aquilo que ouviram na sala de palestras. Coloquem seu corpo e mente firmes no Grande Komyozo<sup>(8)<\/sup> e nunca olhem para tr&aacute;s. Nem busquem a ilumina&ccedil;&atilde;o nem afastem a ilus&atilde;o. Nem rejeitem o fluxo mental e nem se apeguem a pensamentos identificando-se com eles. Apenas sentem de forma calma e est&aacute;vel. Mesmo que oitenta e quatro mil pensamentos equivocados surjam, todos e cada um podem se tornar a Luz de prajna (pensamento n&atilde;o-discriminativo) se n&atilde;o for colocada aten&ccedil;&atilde;o neles e simplesmente deixar que se v&atilde;o. N&atilde;o apenas ao sentar, mas cada passo que der &eacute; um movimento da Luz. Passo a passo, sem discrimina&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&quot;Mesmo em meio &agrave;s mudan&ccedil;as, a Luz n&atilde;o &eacute; afetada. Florestas, grama, flores e folhas, seres humanos ou animais, grande ou pequeno, longo ou curto, quadrado ou redondo, todos se manifestam simultaneamente, independentemente de pensamentos discriminativos ou mudan&ccedil;as. A Luz ilumina por si mesma, independe do poder da mente. Desde o in&iacute;cio a Luz n&atilde;o repousa. Mesmo quando os Budas aparecem neste universo, a Luz n&atilde;o aparece, quando os Budas entram em nirvana, a Luz n&atilde;o entra em nirvana. Quando voc&ecirc; nasce a Luz n&atilde;o nasce, quando voc&ecirc; morre a Luz n&atilde;o morre. Ela n&atilde;o aumenta com os Budas e n&atilde;o decresce com os seres sensoriais. Nem &eacute; confundida quando voc&ecirc; &eacute;, e nem &eacute; iluminada se voc&ecirc; for. N&atilde;o tem posi&ccedil;&atilde;o, apar&ecirc;ncia, nome. &Eacute; a ess&ecirc;ncia de todos os fen&ocirc;menos. Voc&ecirc; n&atilde;o pode conceb&ecirc;-la, n&atilde;o pode rejeit&aacute;-la. &Eacute; inating&iacute;vel. Desde o c&eacute;u mais elevado at&eacute; o inferno mais degradado, todos os lugares s&atilde;o perfeitamente iluminados dessa forma. &Eacute; a Luz divina, inconceb&iacute;vel, espiritual. Se voc&ecirc; abrir-se e compreender o sentido profundo dessas palavras, voc&ecirc; n&atilde;o precisar&aacute; perguntar a mais ningu&eacute;m sobre o que &eacute; verdadeiro ou falso. Desde o in&iacute;cio esse samadi &eacute; o dojo (local de pr&aacute;tica de zazen), que &eacute; o oceano da condi&ccedil;&atilde;o de Buda. Isto &eacute; zazen, &eacute; o sentar do Buda, a pr&aacute;tica do Buda, fielmente transmitida. Nunca sente como os habitantes dos infernos, ou como dem&ocirc;nios famintos, animais, esp&iacute;ritos hostis, seres humanos, seres celestiais<sup>(9),<\/sup> sravakas ou pratyekabuddhas<sup>(10).<\/sup> N&atilde;o desperdice seu tempo. Esse &eacute; o komyozo-zanmay, a libera&ccedil;&atilde;o inconceb&iacute;vel&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Especificamente sobre a pr&aacute;tica de zazen, falou Koun Ejo:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&quot;O zazen permite a pessoa clarificar a base de sua mente e residir confortavelmente na natureza original. Isso &eacute; chamado revelar a natureza e a paisagem original. Zazen &eacute; entrar diretamente no oceano-da-natureza-de-Buda e manifestar o corpo de Buda. A mente inerentemente pura e clara torna-se presente; a luz original penetra em todas as dire&ccedil;&otilde;es. Isso nada mais &eacute; do que o &#8220;Samadi da Natureza de Buda&#8221; (Jijuyu-zanmai) de todos os Budas. Se praticar isso, mesmo que por um curto intervalo, sua base mental ser&aacute; diretamente clarificada. Essa &eacute; a verdadeira porta do caminho do Buda. Zazen &eacute; como voltar para casa e sentar em paz. Quando objetos ilus&oacute;rios desaparecem, a mente ilus&oacute;ria tamb&eacute;m desaparece. Quando essa mente desaparece, a realidade imut&aacute;vel manifesta-se e estamos sempre claramente conscientes. Isso n&atilde;o &eacute; extin&ccedil;&atilde;o, isso tampouco &eacute; atividade.&quot;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">As reflex&otilde;es e recomenda&ccedil;&otilde;es de Kodo Sawaki Roshi sobre o zen e sobre o zazen<sup>(11)<\/sup> s&atilde;o tamb&eacute;m muito claras:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&quot;Sente im&oacute;vel, al&eacute;m dos padr&otilde;es de superioridade e inferioridade dos seres humanos&quot;. Apesar de cada um de n&oacute;s ter um carma diferente, &eacute; importante ser conduzido pelo Buda da mesma forma: &quot;Abandonar corpo e mente (shinjin datsuraku) &eacute; abandonar o egocentrismo, &eacute; acreditar no Buda, &eacute; ser conduzido pelo Buda&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&quot;Praticar zazen &eacute; tornar-se &iacute;ntimo do seu pr&oacute;prio interior. Quando voc&ecirc; discute com sua esposa, n&atilde;o percebe que foi envolvido pelo engano, mas quando senta em zazen voc&ecirc; v&ecirc; que isso foi apenas ilus&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">As pessoas hoje tentam criar grupos e tornar-se membros dele; cada uma dessas pessoas est&aacute; afetada por uma esp&eacute;cie de estupidez grupal.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A cria&ccedil;&atilde;o de subgrupos e seitas &eacute; at&eacute; mesmo mais representativa dessa estupidez grupal &#8211; interrompa esse tipo de estupidez grupal e torne-se o que voc&ecirc; &eacute; solit&aacute;rio em zazen. O que &eacute; o verdadeiro &#8220;eu&#8221;?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em lugar de uma folha branca de papel, um c&eacute;u azul brilhante; o verdadeiro &#8220;eu&#8221; &eacute; indivis&iacute;vel e uno com tudo&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&quot;O c&eacute;u e a terra fazem oferendas. O ar, a &aacute;gua, plantas, animais, seres humanos; todos fazem oferendas uns aos outros. &#8211; N&oacute;s s&oacute; vivemos fazendo oferendas uns aos outros. N&atilde;o se trata de saber se voc&ecirc; &eacute; ou n&atilde;o grato. Ofere&ccedil;a, a todo universo, a atitude de n&atilde;o ser ganancioso&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nada pode ser maior do que essa oferenda. Se voc&ecirc; imitar Ishikawa Goemon<sup>(12)<\/sup> voc&ecirc; entrar&aacute; diretamente no reino dos ladr&otilde;es; se voc&ecirc; imitar Sakiamuni, sentando em zazen, voc&ecirc; entrar&aacute; diretamente no reino dos Tatagatas. A n&atilde;o ser que voc&ecirc; reexamine os seres humanos sob um ponto de vista que est&aacute; al&eacute;m da condi&ccedil;&atilde;o humana, voc&ecirc; n&atilde;o poder&aacute; ver o que os seres humanos realmente s&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p><b><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os Ensinamentos Sobre a Natureza da Mente na Tradi&ccedil;&atilde;o Tibetana<\/p>\n<p><\/i><\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Quando examinamos os textos com os ensinamentos na tradi&ccedil;&atilde;o tibetana sobre a natureza da mente, como os ensinamentos de dzogpa chenpo oferecidos por Longchen Rabjam (1308-1363)<sup>(13) <\/sup>ou os ensinamentos mahamudra de Lama Yeshe<sup>(14),<\/sup> ou os ensinamentos de Uttara Tantra Shastra de Maitreya<sup>(15),<\/sup> vemos grande proximidade aos ensinamentos zen, mesmo com toda sua not&oacute;ria radicalidade. Do ensinamento mahamudra de Lama Yeshe temos, por exemplo:&#8221;&#8230; Assim, antes que toquemos a claridade da consci&ecirc;ncia fundamental, n&oacute;s sempre interrompemos os n&iacute;veis grosseiros, o pensamento intelectual. Por essa raz&atilde;o, quando meditamos em mahamudra, vamos al&eacute;m do pensamento intelectual. Isso significa que, nesse est&aacute;gio, nem h&aacute; doutrina, nem pensamento teol&oacute;gico, nem filos&oacute;fico, nem mesmo Buda ou Deus; apenas estar, totalmente experi&ecirc;ncia. Assim, indo al&eacute;m de nomes, indo al&eacute;m da compaix&atilde;o, al&eacute;m dos parentes e amigos, al&eacute;m da imagem de natureza pr&oacute;pria &#8211; porque a claridade da consci&ecirc;ncia &eacute; a natureza da clara luz, sua natureza &eacute; energia infinita al&eacute;m de forma e cor &#8211; assim podemos viver a experi&ecirc;ncia do universal&#8230;&#8221;<sup>(16)<\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Do texto &quot;A Mente Naturalmente Liberada, a Grande Perfei&ccedil;&atilde;o&quot; de Longchen Rabjam<sup>(17),<\/sup> uma j&oacute;ia de grande preciosidade, extra&iacute;mos esta pequena passagem:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&quot;A vis&atilde;o inteiramente pura n&atilde;o tem extremos nem centro. N&atilde;o pode ser apontada dizendo-se &quot;l&aacute; est&aacute;&quot;, nem h&aacute; nela qualquer distin&ccedil;&atilde;o de altura ou largura. Transcende eternalismo e niilismo e est&aacute; livre da contamina&ccedil;&atilde;o dos extremos. Procurada, n&atilde;o &eacute; encontrada; olhada, n&atilde;o &eacute; vista. Afastada est&aacute; de dire&ccedil;&otilde;es e parcialidades, e transcende todos os objetos de concep&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o tem pontos de vista, nem vazio, nem n&atilde;o- vazio. Todos os fen&ocirc;menos s&atilde;o primordialmente puros e iluminados; assim, &eacute; n&atilde;o-nascida, inconceb&iacute;vel e inexprim&iacute;vel&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&quot;Na &uacute;ltima esfera pureza e impureza s&atilde;o naturalmente puras e os fen&ocirc;menos s&atilde;o a grande e igual perfei&ccedil;&atilde;o, livre dos conceitos. Uma vez que n&atilde;o h&aacute; v&iacute;nculos ou &#8211; libera&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; ir, vir ou ficar. A felicidade e sofrimento de samsara e nirvana s&atilde;o semelhantes a sonhos bons e maus&#8230;&quot;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&quot;N&atilde;o conceitualize sejam quais forem as apar&ecirc;ncias que venham a surgir, esses objetos s&atilde;o apenas reflex&otilde;es da mente, s&atilde;o como a face e sua apar&ecirc;ncia no espelho. A mente e seus sonhos n&atilde;o s&atilde;o separados&#8230;&quot;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No Uttara Tantra Shastra, como explicado por Thrangu Rinpoche, toma-se o ref&uacute;gio de frui&ccedil;&atilde;o. O que significa isso? Significa que se toma ref&uacute;gio no pr&oacute;prio estado de Buda e n&atilde;o, como no ref&uacute;gio de causa&ccedil;&atilde;o, no Buda como um mestre externo. Ou seja, como m&eacute;todo, toma-se diretamente a pr&aacute;tica da condi&ccedil;&atilde;o natural da mente, o pr&oacute;prio estado de Buda. No zen, como se pode ver pelos ensinamentos dos mestres, busca-se tamb&eacute;m, como m&eacute;todo, diretamente, o estado natural como a pr&aacute;tica b&aacute;sica, o zazen. Assim, a compreens&atilde;o do zen pelos praticantes das tradi&ccedil;&otilde;es tibetanas tem a mesma dificuldade que a compreens&atilde;o do m&eacute;todo do dzogpa chenpo e mahamudra por esses mesmos praticantes. Um aluno perguntou a Thrangu Rinpoche: &quot;Poderia Rinpoche explicar como os cinco caminhos do ve&iacute;culo mahaiana se correlacionam com os cinco caminhos do vajraiana e com as quatro iogas de mahamudra?&quot; Ao que Rinpoche responde: &#8220;Os cinco caminhos, sejam eles mahaiana ou vajraiana, n&atilde;o possuem grandes diferen&ccedil;as; em ambos os casos &eacute; o mesmo princ&iacute;pio de progresso gradual. Entretanto, como o mahamudra &eacute; simplesmente permanecer em repouso na condi&ccedil;&atilde;o natural, n&atilde;o existem de fato categorias como caminhos e n&iacute;veis. Comumente, as quatro yogas come&ccedil;am com as pr&aacute;ticas de shamatha e vipashyana, e culminam com n&atilde;o-medita&ccedil;&atilde;o, a completa ilumina&ccedil;&atilde;o.&quot;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esse m&eacute;todo &eacute; em tudo semelhante ao que ocorre com os praticantes de zazen. A diferen&ccedil;a &eacute; que no zen como dizem os mestres todos, n&atilde;o h&aacute; etapas preparat&oacute;rias como nas tradi&ccedil;&otilde;es tibetanas. H&aacute; um grande m&eacute;rito no zen, por ser um caminho direto; &eacute; algo muito especial, milagroso mesmo, como m&eacute;todo, repousar, j&aacute; de in&iacute;cio, apenas na viv&ecirc;ncia pura e simples da natureza de Buda, sem qualquer etapa preparat&oacute;ria. Quando examinamos o zen, vemos os praticantes, os templos, os dojos, os mosteiros, sua seriedade e simplicidade, devemos nos dar conta deste extraordin&aacute;rio milagre, desta grande preciosidade e delicadeza. Isso, no entanto, pode parecer muito estreito e dif&iacute;cil para os que n&atilde;o conseguem uma experi&ecirc;ncia proveitosa enquanto tentam praticar o &#8220;sentar apenas&#8221; (shikantaza).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Especulativamente, talvez tenha sido essa a origem das dificuldades de Ha-shang Mahaiana tantos anos atr&aacute;s. Ali&aacute;s, essas dificuldades est&atilde;o historicamente presentes no zen e podem ser vistas no relato do pr&oacute;prio mestre Dogen quando, no Shobogenzo-Zuimonki, diz que por longo tempo n&atilde;o p&ocirc;de encontrar um verdadeiro professor e nem mesmo um verdadeiro companheiro de esfor&ccedil;os no Jap&atilde;o, e mesmo na China, onde poucos lugares efetivamente praticavam o verdadeiro  zen<sup>(18).<\/sup> Essas dificuldades tamb&eacute;m podem ser apontadas na vida do sexto patriarca do zen na China, Hui Neng (Daikan Eno), que, tendo encontrado seu mestre em Daiman Konin (o quinto patriarca), ap&oacute;s receber a transmiss&atilde;o de forma secreta, n&atilde;o p&ocirc;de permanecer no mosteiro devido ao risco de vida que corria, em fun&ccedil;&atilde;o da inveja que despertou na comunidade de 1000 monges.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em um funil, o zen poderia ser visto como o gargalo, juntamente com o mahamudra e dzogpa chenpo; para os que n&atilde;o conseguem chegar diretamente ao gargalo e precisam ensinamentos pr&eacute;vios &eacute; que existe a amplid&atilde;o do funil. Devido a exist&ecirc;ncia desses seres, t&atilde;o numerosos, Avalokitesvara desenvolveu seus 1000 bra&ccedil;os e o Buda Sakiamuni deu a diversidade de seus 84 mil ensinamentos. Sua Santidade o Dalai Lama amplia essa abordagem e diz que devido &agrave; diversidade de mentes dos seres sensoriais todas as religi&otilde;es s&atilde;o n&atilde;o apenas importantes e necess&aacute;rias, como indispens&aacute;veis.<\/p>\n<p><dir><sub><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">(*) Quando publicou este texto pela primeira vez em 1993, Alfredo Aveline era professor, f&iacute;sico, praticante zen e presidente do Centro de Estudos Budistas de Porto Alegre. Em 1996 foi ordenado lama por sua Emin&ecirc;ncia Chagdud Tulku Rinpoche, sendo o primeiro lama da linhagem Ningmapa ordenado no Brasil.<\/p>\n<p><\/sub><\/dir><b><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<hr align=\"LEFT\" width=\"43%\" size=1\/>\n<p align=\"JUSTIFY\">Notas:<\/p>\n<p><dir><\/dir><\/i><\/b><sub><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">1. Dzogpa Chenpo and Ha-shang Mahaiana, in &#8220;The Practice of Dzogchen&#8221; (Anteriormente entitulado &#8220;Buddha Mind&#8221;), Longchen Rabjam, Tulku Thondup Rinpoche, Snow Lion, 1989, pag. .112-122.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">2. A &#8220;Grande Perfei&ccedil;&atilde;o&#8221;, em tibetano &#8220;rDzogs-Pa Chen-Po&#8221;, em s&acirc;nscrito mahasandhi, &eacute; o mais profundo treinamento budista esot&eacute;rico, preservado e praticado at&eacute; os dias de hoje pelos seguidores da escola Nyingma (rNying-Ma) do Tibete.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">3. sNying-Po Don-Gyi brGyud-Pa<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">4. Liang U-dhi: Wu-ti (502-550 d.C.) da dinastia Liang.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">5. Eihei Dogen Zenji (1200-1253) &#8211; Uma das maiores figuras na hist&oacute;ria do zen. Nascido no Jap&atilde;o em 1200, viveu 53 anos. Dogen &eacute; tamb&eacute;m conhecido no Jap&atilde;o como Koso Joyo Daishi, t&iacute;tulo que recebeu do imperador do Jap&atilde;o. Filho de fam&iacute;lia aristocr&aacute;tica do per&iacute;odo Kamakura, perdeu a m&atilde;o quando tinha 7 anos de idade. Dizem alguns historiadores que ao ver a fuma&ccedil;a de incenso queimando ao lado do corpo da m&atilde;e, durante as cerim&ocirc;nias f&uacute;nebres, ele claramente se conscientizou da imperman&ecirc;ncia de tudo. Aos 13 anos de idade &eacute; ordenado monge no templo de Hieizan, sede da escola budista Tendai, em Kyoto, onde o mestre da escola Rinzai, Eisai Zenji, era o abade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nessa &eacute;poca encontra seu companheiro de viagens, Menzan Zuiho Osho. Quando Dogen tinha 23 anos, segue com Menzan para a China onde desenvolveu a pr&aacute;tica de zazen na escola Soto (Tsao Tung), de mnde voltou ap&oacute;s 4 anos para fundar a escola Soto no Jap&atilde;o. &Eacute; l&aacute; que encontra seu mestre verdadeiro na figura do abade Tendo Nyojo, que passa a chamar de &#8220;Antigo Buda&#8221;. Em 1233 inaugura Koshoji, o primeiro mosteiro Soto no Jap&atilde;o, na cidade de Uji. Mais tarde  constr&oacute;i o templo de Daibutsuji, em Fukui, que em 1246 passa a se chamar Eiheiji. A escola Soto tornou-se a maior em seu pa&iacute;s, com 15.000 templos e 7 milh&otilde;es de membros. Dogen escreveu seus ensinamentos de orienta&ccedil;&atilde;o aos disc&iacute;pulos, sendo sua principal obra, &#8220;Shobogenzo&#8221;, o &#8220;Olho da Verdadeira Lei&#8221;, considerado um cl&aacute;ssico em termos de filosofia, religi&atilde;o e literatura.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">6. Compreens&atilde;o n&atilde;o-condicionada, natural, sem apego ou rejei&ccedil;&atilde;o, sem dualidade, compreens&atilde;o (naturalmente liberta) da forma como a inseparabilidade de manifesta&ccedil;&atilde;o e vazio.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">7. Compila&ccedil;&atilde;o de Komyozo-Zanmai (Samadhi of the Treasury of the Radiant Light), by Koun Ejo Zenji, in &#8220;Shikantaza&#8221;, ed. Shohaku Okumura, Kyoto Soto Zen Center, 1985, Jap&atilde;o. (Zanmai significa samadi.)<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Koun Ejo Zenji (1 198-1280) &#8211; Nasceu em Kyoto. Foi ordenado aos 21 anos de idade como um monge Tendai. Mais tarde aprendeu o Budismo Terra-Pura com Shoku Shonin e praticou o zen com Kakuan Shonin.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Quando Eihei Dogen retornou da China, Ejo visitou-o em Kenninji. Ap&oacute;s a funda&ccedil;&atilde;o de Koshoji, Ejo juntou-se &agrave; Sanga. Desde essa &eacute;poca ele praticou como assessor direto de Dogen at&eacute; a morte do mestre, quando ent&atilde;o passou a ser o segundo abade de Eiheiji. Ejo devotou-se a auxiliar Dogen e transmitir seus ensinamentos &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es futuras. Komyozo-zanmai &eacute; o &uacute;nico trabalho escrito assinado por Ejo.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">8. O Grande Komyozo, o Tesouro da Luz Radiante &eacute; o corpo-Darma do Tatagata. &Eacute; a mente verdadeira do &#8220;eu&#8221;, a natureza-de-Buda, assim chamada porque ali reside a Luz da sabedoria que rompe a escurid&atilde;o da ignor&acirc;ncia e ilumina a realidade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">9. Basicamente os seres dos seis mundos condicionados, os seja, seres que praticam mentes condicionadas. &#8220;Sentar como eles&#8221; significa praticar suas formas de condicionamento mental enquanto buscando praticar zazen.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">10. Os &#8220;Sravakas&#8221; e &#8220;Pratyekabuddhas&#8221; praticam mantendo a vis&atilde;o separatista de um eu, movidos por motiva&ccedil;&atilde;o eg&oacute;ica. &#8211;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">11. Compila&ccedil;&atilde;o do texto &#8220;The Darma-words of Homeless Kodo&#8221; in &#8220;Shikantaza&#8221;, ed. Shohaku Okumura, Kyoto Soto Zen Center, 1985, Jap&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">12. Lend&aacute;rio caudilho japon&ecirc;s.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">13. Kunkhyen Longchn Rabjam, mestre Nyingma, ver &#8220;Buddha Mind &#8211; Na Anthology of Longchen Rabjam Writings on Dzogpa Chenpo&#8221; (a Segunda edi&ccedil;&atilde;o, de 1996, &eacute; entitulada &#8220;The Practice of Dzogchen&#8221;), Tulku Thondup Rinpoche, Snow Lion 1989.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">14. Lama contempor&acirc;neo, da linhagem Gelug; &#8220;Mahamudra&#8221;, Lama Thubten Yeshe, Wisdom, 1985.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">15. Ver o livro &#8220;Buddha Nature&#8221; de Thrangu Rinpche, da linhagem Karma Kagyu, onde esses ensinamentos s&atilde;o apresentados e comentados.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">16. Op. cit. pag. 69-70.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">17. &#8220;Naturally Liberated Mind, the Great Perfection&#8221;, in &#8220;Buddha Mind&#8221;, op. cit., pag.3l6.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">18 &#8220;Dogen Zen&#8221;, ed. Shohaku Okumura e Tom Writght, Kyoto Soto Zen Center, Jap&atilde;o, 1988.<\/p>\n<p><\/sub><\/div>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<hr \/>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Caminho direto Thondup Rinpochecompila&ccedil;&atilde;o comentada e resumida por Lama Padma Samten(*) H&aacute; um debate especial na hist&oacute;ria do budismo no Tibete, entre Kamalasita e H&aacute;-Shang Mahayana, ao fim do qual este foi proibido de ensinar e praticar e teve &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-caminho-direto\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6461,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,93],"tags":[62],"class_list":["post-6472","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-tibetano","tag-philip-kapleau"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6472","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6472"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6472\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6473,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6472\/revisions\/6473"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6461"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6472"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6472"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6472"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}