{"id":6570,"date":"2020-07-01T19:19:23","date_gmt":"2020-07-01T21:19:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6570"},"modified":"2020-07-01T19:20:42","modified_gmt":"2020-07-01T21:20:42","slug":"as-cinco-variedades-do-zen","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/as-cinco-variedades-do-zen\/","title":{"rendered":"As cinco variedades do Zen"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Yasutani-Hakunn.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Yasutani-Hakunn.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"662\" class=\"alignleft size-full wp-image-6564\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Yasutani-Hakunn.jpg 500w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Yasutani-Hakunn-227x300.jpg 227w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><br \/>\n<\/font><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/hakuun-ryoko-yasutani\/\"><font size=\"2\"><b>Yasutani Hakunn<\/b><\/font><\/a><br \/><i><font size=\"1\">Texto extra\u00eddo de <br \/>&#8220;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/os-tres-pilares-do-zen\/\">Os tr\u00eas pilares do Zen<\/a>&#8220;<br \/> de <\/font><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/philip-kapleau\/\"><font size=\"1\">Philip Kapleau<\/font><\/a><\/i><\/div>\n<div STYLE=\"text-align:justify\">\n<div STYLE=\"text-align:justify\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#9;&#9;Vou agora enumerar as diferentes formas de Zen. A n&atilde;o ser que aprendam a distingui-las, voc&ecirc;s estar&atilde;o fadados a se enganar em pontos decisivos, tais como se o satori &eacute; ou n&atilde;o necess&aacute;rio ao Zen, se o Zen envolve a aus&ecirc;ncia completa do pensamento discursivo, e assim por diante. A verdade &eacute; que, nos muitos tipos de Zen, existem alguns que s&atilde;o profundos e outros superficiais, alguns que levam &agrave; ilumina&ccedil;&atilde;o e outros que n&atilde;o levam. Diz-se que nos tempos de Buda existiam noventa e cinco escolas de filosofia e religi&atilde;o. Cada escola tinha seu m&eacute;todo particular de Zen, e cada um era ligeiramente diferente dos outros.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Todas as grandes religi&otilde;es abra&ccedil;am algum m&eacute;todo Zen, visto que a religi&atilde;o precisa de ora&ccedil;&atilde;o e a ora&ccedil;&atilde;o necessita .de concentra&ccedil;&atilde;o da mente. Os ensinamentos de Conf&uacute;cio e de Mencius, de Lao-Tzu e de Chuang-Tzu, todos eles t&ecirc;m seus pr&oacute;prios elementos do Zen. Em verdade, o Zen se estende a muitas e diferentes atividades da vida, tais como a cerim&ocirc;nia do ch&aacute;, o Noh, o kendo, o jud&ocirc;. No Jap&atilde;o., a partir da Restaura&ccedil;&atilde;o Meiji, h&aacute; menos de cem anos atr&aacute;s, e continuando at&eacute; hoje, espalhou-se um grande n&uacute;mero de ensinamentos e de disciplinas que cont&ecirc;m elementos do Zen. Entre outros, lembro o sistema de Okada do sentar-se tranq&uuml;ilo e o m&eacute;todo de Emma do Cultivo da Mente e do Corpo. Recentemente certo Tempu Nakamura tem advogado insistentemente uma forma de Ioga Zen hindu. Todos estes diferentes m&eacute;todos de concentra&ccedil;&atilde;o quase ilimitados em seu n&uacute;mero, v&ecirc;m sob um amplo t&iacute;tulo de Zen. Em lugar de tentar especific&aacute;-los, vou expor as cinco principais divis&otilde;es do Zen como foi classificado por Keiho-zenji, um dos primeiros mestres Zen na China, cujas categorias penso que s&atilde;o ainda v&aacute;lidas e &uacute;teis. Exteriormente estas cinco formas de Zen quase n&atilde;o diferem uma da outra. Poder&aacute; haver pequenas varia&ccedil;&otilde;es na forma de cruzar as pernas, de entrela&ccedil;ar as m&atilde;os, ou regular a respira&ccedil;&atilde;o, mas s&atilde;o comuns a todos estes tr&ecirc;s elementos b&aacute;sicos: sentar-se com postura ereta, controle correto da respira&ccedil;&atilde;o e concentra&ccedil;&atilde;o (unifica&ccedil;&atilde;o) da mente. Os principiantes t&ecirc;m de guardar na mem&oacute;ria, por&eacute;m, que na <i>subst&acirc;ncia <\/i>e na <i>finalidade <\/i>destas v&aacute;rias esp&eacute;cies existem diferen&ccedil;as distintivas. Estas diferen&ccedil;as s&atilde;o cruciais para voc&ecirc;s quando chegarem diante de mim, individualmente, para me declararem sua aspira&ccedil;&atilde;o, pois, quanto mais permitirem elas que voc&ecirc;s definam seus objetivos claramente, melhor poderei orientar sua pr&aacute;tica de modo apropriado.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O primeiro destes tipos poder&aacute; ser chamado de <i>bompu <\/i>ou de Zen ordin&aacute;rio, em oposi&ccedil;&atilde;o aos outros quatro, pois cada um destes poder&aacute; ser considerado como um tipo especial de Zen adapt&aacute;vel &agrave;s finalidades particulares dos diferentes indiv&iacute;duos. O Zen bompu, sendo livre de qualquer conte&uacute;do filos&oacute;fico ou religioso &eacute; para qualquer pessoa e para todo mundo. &Eacute; um Zen que se pratica simplesmente, acreditando que melhora tanto a sa&uacute;de f&iacute;sica como a mental. Como &eacute; quase certo que n&atilde;o pode ter efeitos nocivos, qualquer pessoa poder&aacute; faz&ecirc;-lo, seja qual for sua cren&ccedil;a religiosa ou mesmo se n&atilde;o tiver cren&ccedil;a alguma. O Zen bompu &eacute; empregado na elimina&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as de natureza psicossom&aacute;ticas e para melhorar a sa&uacute;de em geral.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Pela pr&aacute;tica do Zen-bompu voc&ecirc;s aprendem a concentrar e a controlar a mente. N&atilde;o ocorre &agrave; maioria das pessoas procurar um controle mental, e infelizmente este treinamento b&aacute;sico &eacute; posto de lado pela educa&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea, n&atilde;o sendo inclu&iacute;do no que se chama de aquisi&ccedil;&atilde;o de conhecimentos. Entretanto, sem isto o que se aprende &eacute; dif&iacute;cil de ser guardado, porque aprendemos de forma inadequada, gastando muita energia no processo. Na verdade, somos virtualmente inv&aacute;lidos se n&atilde;o sabemos reter nossos pensamentos e concentrar nossas mentes. Al&eacute;m disto, praticando este excelente m&eacute;todo de treinamento da mente, voc&ecirc;s estar&atilde;o cada vez mais capazes de resistir a tenta&ccedil;&otilde;es, em que ca&iacute;ram antes, e a apegos excessivos que h&aacute; muito os mantinham escravizados. Seguem-se inevitavelmente um enriquecimento da personalidade e um fortalecimento do car&aacute;ter, desde que os tr&ecirc;s elementos b&aacute;sicos da mente \u2014 isto &eacute;, o intelecto, sentimento e a vontade \u2014 se desenvolvem harmoniosamente. O sentar-se quietista praticado no confucionismo parece ter posto em evid&ecirc;ncia principalmente este efeito da concentra&ccedil;&atilde;o da mente. Entretanto, permanece o fato de que o Zen-bompu, embora muito mais ben&eacute;fico para o cultivo da mente do que a leitura de livros incont&aacute;veis sobre &eacute;ticas e filosofias, &eacute; incapaz de resolver o problema fundamental do homem e sua rela&ccedil;&atilde;o com o universo. Por qu&ecirc;? Porque ele n&atilde;o pode penetrar na ilus&atilde;o que o homem comum tem sobre si mesmo como um outro, distinto do universo.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">A segunda das cinco formas de Zen &eacute; chamada <i>gedo. Gedo <\/i>significa literalmente &#8220;um caminho por fora&#8221; e compreende assim, do ponto de vista budista, outros ensinamentos que n&atilde;o s&atilde;o budistas. Aqui temos um Zen relacionado com religi&atilde;o e com filosofia, mas ainda n&atilde;o Zen-budista. A ioga hindu, o sentar-se quietista do confucionismo, a contempla&ccedil;&atilde;o praticada pelo cristianismo, tudo isso pertence &agrave; categoria do Zen-gedo.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Outra caracter&iacute;stica do Zen-gedo &eacute; ser geralmente praticado com o fim de cultivar as diversas for&ccedil;as e aptid&otilde;es supra normais, ou de orientar certas artes que est&atilde;o al&eacute;m do alcance do homem comum. Um bom exemplo disto &eacute; Tempu Nakamura, o homem que j&aacute; mencionei antes. Conta-se que pode fazer pessoas agirem sem que ele pr&oacute;prio mova um m&uacute;sculo ou diga urna palavra. A finalidade do m&eacute;todo Emma &eacute; realizar proezas tais como andar de p&eacute;s descal&ccedil;os sobre l&acirc;minas de espadas afiadas ou paralisar uma aranha sob o olhar nela fixado. Todas estas fa&ccedil;anhas miraculosas s&atilde;o conseguidas atrav&eacute;s do cultivo do <i>\/oriki, <\/i>a for&ccedil;a e o poder particulares que adv&eacute;m da pr&aacute;tica tenaz da concentra&ccedil;&atilde;o da mente, e daquilo de que falarei mais adiante com grande min&uacute;cia. Aqui apenas lembro que o Zen que tem apenas como finalidade o cultivo do joriki, e a&iacute; termina, n&atilde;o &eacute; Zen-budismo.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Outra meta visada pelo Zen-gedo &eacute; o renascimento nos v&aacute;rios c&eacute;us. Algumas seitas hindus que conhecemos praticam o Zen para renascerem no c&eacute;u. N&atilde;o &eacute; esta a finalidade do Zen-budismo. Ainda que o Zen,budista n&atilde;o lute contra a id&eacute;ia das diversas camadas de c&eacute;u e a cren&ccedil;a de que se possa renascer nelas atrav&eacute;s da execu&ccedil;&atilde;o de dez formas de atos merit&oacute;rios, ele mesmo n&atilde;o suspira pelo renascimento no c&eacute;u. As condi&ccedil;&otilde;es ali s&atilde;o por demais agrad&aacute;veis e confort&aacute;veis e por isso poder&aacute; facilmente ser seduzido a abandonar o zazen. Al&eacute;m disto, quando seu m&eacute;rito no c&eacute;u terminar poder&aacute; facilmente aterrissar no inferno. Por este motivo os Zen-budistas cr&ecirc;em que &eacute; prefer&iacute;vel nascer neste mundo humano e praticar o zazen com o objetivo de finalmente se tornar um Buda.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Vou terminar aqui e na pr&oacute;xima confer&ecirc;ncia concluirei os cinco tipos de Zen.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Agora discuti com voc&ecirc;s as duas primeiras formas de Zen, chamadas de bompu e de gedo. Antes de passar para os outros tr&ecirc;s tipos vou lhes dar uni novo m&eacute;todo de concentra&ccedil;&atilde;o: seguir a respira&ccedil;&atilde;o com os olhos da mente. Por enquanto parem de contar sua respira&ccedil;&atilde;o e ao inv&eacute;s disto concentrem-se inteiramente seguindo suas inspira&ccedil;&otilde;es e expira&ccedil;&otilde;es, e tentando visualiz&aacute;-las claramente, dever&atilde;o continuar este exerc&iacute;cio at&eacute; voltarem novamente diante de mim.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O&#9;terceiro tipo de Zen &eacute; o <i>shojo, <\/i>significando literalmente &#8220;Pequeno Ve&iacute;culo&#8221; (Hinayana). &Eacute; este o ve&iacute;culo ou o ensinamento que passa a pessoa de um estado mental (de ilus&atilde;o) para outro (de ilumina&ccedil;&atilde;o). Este pequeno ve&iacute;culo &eacute; assim chamado porque &eacute; desenhado para acomodar apenas seu pr&oacute;prio eu. Poderemos talvez compar&aacute;-lo a uma bicicleta. O ve&iacute;culo maior (Mahayana), por outro lado, &eacute; mais como um carro ou um &otilde;nibus: leva tamb&eacute;m outras pessoas. Assim o shojo &eacute; um Zen que busca apenas a paz de esp&iacute;rito de uma pessoa.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Aqui temos um Zen que &eacute; budista, mas que n&atilde;o est&aacute; de acordo com os ensinamentos mais sublimes de Buda. &Eacute;<b> <\/b>antes um Zen expediente para aqueles que s&atilde;o incapazes de compreender o sentido mais profundo da ilumina&ccedil;&atilde;o de Buda, isto &eacute;, que a exist&ecirc;ncia &eacute; um todo insepar&aacute;vel, cada um de n&oacute;s abra&ccedil;ando o cosmos na sua totalidade. Sendo isto verdade, n&atilde;o podemos consequentemente atingir a genu&iacute;na paz da mente apenas pela busca de nossa salva&ccedil;&atilde;o, ficando indiferentes &agrave; felicidade dos outros.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Existem alguns, entretanto (e alguns dos que me ouvem agora, poder&atilde;o estar entre eles), que n&atilde;o podem simplesmente ser levados a acreditar na realidade de tal mundo. N&atilde;o importa qu&atilde;o freq&uuml;entemente lhes ensinem que o mundo relativo das distin&ccedil;&otilde;es e oposi&ccedil;&otilde;es ao qual se apegam &eacute; ilus&oacute;rio, produto de suas vis&otilde;es err&ocirc;neas, n&atilde;o podem deixar de crer em outra coisa. Para tais pessoas o inundo poder&aacute; apenas parecer intrinsecamente ruim, cheio de pecado, de conflito e sofrimento, de matar e ser morto, e em seu desespero anseiam por escapar dele. Na verdade, a morte parece at&eacute; prefer&iacute;vel &agrave; vida. O pecado mais insuport&aacute;vel de todos &eacute; o de tirar a vida, seja de que forma ou em que circunst&acirc;ncia for, pois isto os condena a um sofrimento intermin&aacute;vel, encarnados como animais ou dem&ocirc;nios em futuras e incont&aacute;veis exist&ecirc;ncias, por causa da inexor&aacute;vel lei do karma. De modo que a simples morte n&atilde;o &eacute; o fim. Assim o que procuram &eacute; uma forma de evitar a reencarna&ccedil;&atilde;o, um m&eacute;todo de morrer sem renascer.<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O Zen-shojo <\/p>\n<p><\/i>responde a esta necessidade. Tem como fim deter todos os pensamentos, de maneira que a mente se torna completamente vazia e entra<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">num estado chamado mushinjo, uma condi&ccedil;&atilde;o em que todas as fun&ccedil;&otilde;es dos sentidos s&atilde;o eliminadas e a faculdade da consci&ecirc;ncia interrompida. Com a pr&aacute;tica, tal for&ccedil;a poder&aacute; ser cultivada por qualquer pessoa. No caso em que n&atilde;o tenha desejo de morrer, a pessoa pode entrar neste estado semelhante a um transe por um per&iacute;odo limitado \u2014 por exemplo uma nora ou duas, ou um ou dois dias, ou a pessoa poder&aacute; permanecer nele indefinidamente, seguindo&#8211;se a morte naturalmente e sem sofrimento, e sem \u2014 e isto &eacute; o mais importante \u2014 renascimento. Todo este processo de morte sem reencarna&ccedil;&atilde;o &eacute; apresentado em grandes detalhes num trabalho filos&oacute;fico budista chamado o <i>kusharon.<\/i><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">A quarta classifica&ccedil;&atilde;o &eacute; chamada de <i>daijo, <\/i>o Zen do &#8220;Grande Ve&iacute;culo&#8221; Mahayana e este &eacute; o verdadeiro Zen-budista, pois tem como finalidade central o <i>kensho-godo, <\/i>isto &eacute;, ver por dentro de nossa natureza essencial e realizar o Caminho na vida cotidiana. Para os que s&atilde;o capazes de compreender a import&acirc;ncia da experi&ecirc;ncia de ilumina&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio Buda e desejam romper com seus conceitos ilus&oacute;rios sobre o universo e a experi&ecirc;ncia absoluta, a Realidade indiferenciada, foi que Buda ensinou esse m&eacute;todo do Zen. O budismo &eacute; essencialmente a religi&atilde;o da ilumina&ccedil;&atilde;o. Buda, depois de sua experi&ecirc;ncia do satori, passou cinq&uuml;enta anos ensinando a pessoas como poderiam elas mesmas realizar seu Eu-natureza. Desde essa &eacute;poca seus m&eacute;todos t&ecirc;m sido transmitidos de mestre a disc&iacute;pulos at&eacute; o momento presente. Ent&atilde;o poder-se-&aacute; dizer que um Zen que ignora ou nega ou despreza o satori n&atilde;o &eacute; verdadeiro daijo Zen-budista.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Na pr&aacute;tica do daijo-Zen o objetivo inicial &eacute; despertar para a sua Verdadeira-natureza mas, quando chegam &agrave; ilumina&ccedil;&atilde;o, voc&ecirc;s compreendem que o zazen &eacute; mais do que um meio de ilumina&ccedil;&atilde;o \u2014 &eacute; a atualiza&ccedil;&atilde;o de sua verdadeira natureza. Neste tipo de Zen, que tem como objetivo o despertar-satori, &eacute; f&aacute;cil olhar erradamente o zazen como sendo apenas um meio. Um mestre s&aacute;bio, entretanto, procurar&aacute; salientar desde o inicio que o zazen &eacute; de fato a atualiza&ccedil;&atilde;o da natureza-Buda inata e n&atilde;o apenas uma t&eacute;cnica de atingir a ilumina&ccedil;&atilde;o. Se o zazen fosse nada mais que uma t&eacute;cnica, poder-se-ia concluir que depois do satori o zazen seria desnecess&aacute;rio. Mas, como o zenji-Dogen mesmo salientou, a verdade &eacute; exatamente o contr&aacute;rio, quanto mais profunda &eacute; sua experi&ecirc;ncia do satori, mais voc&ecirc;s compreendem a necessidade da pr&aacute;tica.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O <i>Zen-saijojo <\/i>o &uacute;ltimo dos cinco tipos, &eacute; o ve&iacute;culo mais alto, o cume e a coroa do Zen-budista. Este Zen foi praticado por todos os Budas do passado \u2014 como por exemplo Shakyamuni e Amida &eacute; a express&atilde;o da Vida Absoluta, a vida em sua forma mais pura. &Eacute; o zazen que Dogen-zenji preconizava em primeiro lugar e n&atilde;o envolve qualquer esfor&ccedil;o pelo satori ou por outra meta. Chamamo-lo de shikan-taza, e desta falarei com maiores detalhes numa confer&ecirc;ncia subseq&uuml;ente.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Nesta forma mais sublime os meios e o fim fundem-se. O Zen daijo e o Zen saijojo s&atilde;o, na realidade, complementares. A seita Rinzai coloca o daijo como o mais sublime e o saijojo abaixo, enquanto a seita Soto faz o inverso. No saijojo, quando praticado corretamente, voc&ecirc;s se sentam na plena convic&ccedil;&atilde;o de que o zazen &eacute; a atualiza&ccedil;&atilde;o de sua Verdadeira-natureza imaculada, <i>e ao mesmo tempo se sentam com a f&eacute; total de que chegar&aacute; o dia em que exclamando, &#8220;Oh! &eacute; isto!&#8221; voc&ecirc;s, sem erro algum realizar&atilde;o sua Verdadeira-natureza. <\/i>Por isso n&atilde;o precisar&atilde;o lutar conscientemente pela ilumina&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#9;Hoje muitos da seita Soto acham que, visto sermos todos iludas inatos, o satori n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio. Um erro t&atilde;o flagrante como este reduz o shikan-taza, que &eacute; em verdade a mais alta forma do sentar-se, a nada mais que um Zen-bompu, o primeiro dos cinco tipos. Com este, completo meu relato sobre as cinco variedades de Zen, mas, se n&atilde;o lhes falar agora sobre os tr&ecirc;s objetivos do zazen, minha apresenta&ccedil;&atilde;o destes cinco tipos, especialmente dos dois &uacute;ltimos, ficar&aacute; incompleta.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><\/font><\/p>\n<hr \/>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><a HREF=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Yasutani HakunnTexto extra\u00eddo de &#8220;Os tr\u00eas pilares do Zen&#8220; de Philip Kapleau &#9;&#9;Vou agora enumerar as diferentes formas de Zen. 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