{"id":6577,"date":"2020-07-01T19:27:48","date_gmt":"2020-07-01T21:27:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6577"},"modified":"2020-07-01T19:27:48","modified_gmt":"2020-07-01T21:27:48","slug":"comentarios-sobre-o-koan-mu","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/comentarios-sobre-o-koan-mu\/","title":{"rendered":"Coment\u00e1rios sobre o koan Mu"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Yasutani-Hakunn.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Yasutani-Hakunn.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"662\" class=\"alignleft size-full wp-image-6564\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Yasutani-Hakunn.jpg 500w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Yasutani-Hakunn-227x300.jpg 227w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><br \/>\n<\/font><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/hakuun-ryoko-yasutani\/\"><font size=\"2\"><b>Yasutani Hakunn<\/b><\/font><\/a><br \/><i><font size=\"1\">Texto extra\u00eddo de <br \/>&#8220;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/os-tres-pilares-do-zen\/\">Os tr\u00eas pilares do Zen<\/a>&#8220;<br \/> de <\/font><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/philip-kapleau\/\"><font size=\"1\">Philip Kapleau<\/font><\/a><\/i><\/div>\n<div STYLE=\"text-align:justify\">\n<b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">INTRODU&Ccedil;&Atilde;O DO ORGANIZADOR<\/p>\n<p><\/b> <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Desde que Joshu, um dos mais importantes mestres do Zen chin&ecirc;s da era T\u2019ang, retorquiu &#8220;MU&#8221; para um monge que lhe perguntara se os cachorros tinham a natureza-Buda, a repercuss&atilde;o deste incidente tem ecoado atrav&eacute;s das paredes dos mosteiros e templos Zens atrav&eacute;s dos s&eacute;culos. Mesmo nos dias de hoje nenhum koan &eacute; mais freq&uuml;entemente prescrito para os novi&ccedil;os. Os mestres japoneses est&atilde;o de comum acordo em consider&aacute;-lo insubstitu&iacute;vel para quebrar a dist&acirc;ncia que separa a mente da ignor&acirc;ncia da abertura dos olhos para a Verdade. Uma leitura cuidadosa desta parte e das partes III e V explicar&aacute; por qu&ecirc;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">At&eacute; agora nenhuma tradu&ccedil;&atilde;o de um coment&aacute;rio formal (teisho) sobre o koan-Mu apareceu em ingl&ecirc;s. O presente coment&aacute;rio foi feito pelo mestre Zen Yasutani, sem notas, para uns trinta e cinco leigos num sesshin em 1961. Est&aacute; aqui reproduzido numa tradu&ccedil;&atilde;o exata, com exce&ccedil;&atilde;o de algumas express&otilde;es menos importantes repetidas ou inadequadas, que inevitavelmente surgem no discurso improvisado e foram supressas para fins de publica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Na sua clareza e penetra&ccedil;&atilde;o, na inspira&ccedil;&atilde;o, encorajamento e orienta&ccedil;&atilde;o que oferece tanto ao novi&ccedil;o como ao disc&iacute;pulo adiantado, permanece como um coment&aacute;rio magistral deste koan, honrado atrav&eacute;s dos s&eacute;culos.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">No <i>Mumonkan <\/i>(a Barreira sem Port&atilde;o), compilado por Mumon Ekai, que era mestre Zen, o Mu encabe&ccedil;a a cole&ccedil;&atilde;o de quarenta e oito koans. Ainda que algumas tradu&ccedil;&otilde;es do Mumonkan aparecessem, deixam elas muito a desejar porque comumente, ao inv&eacute;s de revelarem o esp&iacute;rito essencial do koan, elas o obscurecem. &Eacute; mais uma prova eloq&uuml;ente da rever&ecirc;ncia mal orientada que o Zen engendrou nas mentes de muitos, pois, quanto mais &#8220;m&iacute;stico&#8221; ou absolutamente incompreens&iacute;vel o koan lhes parece em ingl&ecirc;s, mais profundo &eacute; considerado.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Cada koan &eacute; uma express&atilde;o singular de viv&ecirc;ncia da indivis&iacute;vel natureza-Buda que n&atilde;o pode ser compreendida pela bifurca&ccedil;&atilde;o do intelecto. Os koans parecem desnorteadores, para pessoas que gostam mais da letra do que do esp&iacute;rito. Os que percebem seu esp&iacute;rito sabem que os koans, apesar da incongru&ecirc;ncia de seus v&aacute;rios elementos s&atilde;o profundamente significativos. Todos apontam para a Face do homem antes que seus pais fossem nascidos, para o seu verdadeiro ser.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">A finalidade de cada koan &eacute; libertar a mente das ciladas da linguagem, &#8220;que cabe na experi&ecirc;ncia como uma roupa apertada&#8221;. Os koans s&atilde;o de tal modo expressos, que jogam deliberadamente areia nos olhos para nos for&ccedil;ar a abrir os olhos da mente e ver o mundo e tudo nele sem distor&ccedil;&atilde;o.&#9;<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Os koans tomam como seus assuntos reais objetos tais como um cachorro, um rosto, um dedo, que nos fazem ver, por um lado, que cada objeto tem valor absoluto, e por outro, freiar a tend&ecirc;ncia do intelecto de ancorar-se nos conceitos abstratos. Mas o que cada koan quer dizer &eacute; sempre a mesma coisa: que o mundo &eacute; um todo interdependente e cada um de n&oacute;s separado somos este TODO. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Os mestres Zen chineses, esses g&ecirc;nios espirituais que criaram os di&aacute;logos paradoxais, n&atilde;o hesitaram em se debru&ccedil;arem sobre a l&oacute;gica e o senso comum, para fazerem suas maravilhosas cria&ccedil;&otilde;es. Levando habilmente o intelecto a tentar solu&ccedil;&otilde;es imposs&iacute;veis a ele, o koan revela-nos as limita&ccedil;&otilde;es inerentes ao pensamento l&oacute;gico como instrumento para conseguir a Verdade final. No processo nos questionam de forma livre sobre nossos dogmas e preconceitos guardados com rigor, nos despojam de nossas tend&ecirc;ncias a discriminar o bem do mal e nos esvaziam da no&ccedil;&atilde;o falsa de si-e-do-outro, com a finalidade de nos levar um dia a perceber que o mundo da Perfei&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; de fato diferente daquele no qual comemos e eliminamos, rimos e choramos.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O grande m&eacute;rito dos koans, que se distribuem atrav&eacute;s da vasta &aacute;rea dos ensinamentos Mahayana, &eacute; nos impelir, de modo engenhoso e muitas vezes dram&aacute;tico, a aprender essas doutrinas, n&atilde;o simplesmente com nossa cabe&ccedil;a, mas com todo o nosso ser, n&atilde;o nos permitindo permanecer inativos, especulando indefinidamente sobre eles de forma abstrata.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O que Heinrich Zimmer diz sobre certos tipos de medita&ccedil;&atilde;o &eacute; especialmente verdade com os koans, cujo esp&iacute;rito dever&aacute; ser demonstrado diante do roshi e n&atilde;o apenas explicado: &#8220;o conhecimento &eacute; a recompensa da a&ccedil;&atilde;o. . . Pois &eacute; fazendo as coisas que algu&eacute;m se transforma&#8221;. Executando um gesto simb&oacute;lico, vivendo realmente em profundidade at&eacute; o limite m&aacute;ximo, uma fun&ccedil;&atilde;o particular, chega-se a realizar a verdade inerente a esta fun&ccedil;&atilde;o. Suportando suas conseq&uuml;&ecirc;ncias, a pessoa aprofunda e esgota a ess&ecirc;ncia dela&#8221;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">A solu&ccedil;&atilde;o completa de um koan envolve o movimento da mente de um est&aacute;gio de Ignor&acirc;ncia (ilus&atilde;o) para a consci&ecirc;ncia interior vibrante de viver a Verdade. Implica isto no mergulhar dentro do campo da consci&ecirc;ncia da mente-Bodhi imaculada, que &eacute; o reverso da ilus&atilde;o. A determina&ccedil;&atilde;o de lutar com o koan &eacute; em primeiro lugar gerada pela f&eacute; na realidade da mente-Bodhi, sendo esta luta em si mesma o esfor&ccedil;o dessa Mente para deitar fora os grilh&otilde;es da Ignor&acirc;ncia e chegar ao seu auto-conhecimento.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Agora, qual &eacute; a origem do poder do Mu, o que foi que lhe permitiu tornar-se o primeiro da lista entre koans de mais de mil anos? Considerando que koans tais como: &#8220;Qual &eacute; o som das palmas que algu&eacute;m bate com as m&atilde;os?&#8221; e &#8220;Qual era sua Face, antes que seus pais nascessem?&#8221; persigam o pensamento discursivo e excitem a imagina&ccedil;&atilde;o, o Mu se mant&eacute;m friamente afastado tanto do intelecto como da imagina&ccedil;&atilde;o. Procurem tanto quanto poss&iacute;vel ver que o racioc&iacute;nio n&atilde;o pode conseguir nenhum meio para solucionar o Mu. De fato, tentar resolver o Mu racionalmente, dizem os mestres, &eacute; como &#8220;tentar atravessar uma parede de ferro dando socos com o punho&#8221;. Porque o Mu &eacute; inteiramente impenetr&aacute;vel &agrave; l&oacute;gica e &agrave; raz&atilde;o e al&eacute;m disto &eacute; f&aacute;cil de enunciar, tem dado provas de ser um bisturi manej&aacute;vel para a extirpa&ccedil;&atilde;o da mais profunda inconsci&ecirc;ncia e impedir o crescimento maligno do &#8220;n&atilde;o-EU&#8221; que envenena a pureza intr&iacute;nseca da Mente, diminuindo sua santidade fundamental.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Um coment&aacute;rio vivo e penetrante (al&eacute;m dos coment&aacute;rios que acompanham os koans) &eacute; de grande valor para qualquer aspirante que deseja utilizar um koan como seu exerc&iacute;cio espiritual. Al&eacute;m de familiariz&aacute;-lo com os planos de fundo do &#8220;dramatis personae&#8221; e expondo em idioma contempor&acirc;neo termos obscuros e alus&otilde;es metaf&oacute;ricas comuns &agrave; l&iacute;ngua da antiga China na qual os koans e os coment&aacute;rios est&atilde;o redigidos, projeta diante dele, em linguagem concisa e vigorosa, o esp&iacute;rito do koan. Faltando esta orienta&ccedil;&atilde;o, seria prov&aacute;vel julgar o koan alienante, se n&atilde;o bizarro.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Uma vez que o teisho n&atilde;o &eacute; uma palestra comum ou um serm&atilde;o dirigido a toda gente, mas uma parte integral do treinamento Zen, em geral s&oacute; &eacute; dado num sesshin e essencialmente em benef&iacute;cio daqueles que v&ecirc;m para praticar o zazen. No mosteiro o teisho, que se realiza pelo menos uma vez e freq&uuml;entemente duas vezes por dia, &eacute; anunciado pelo badalar solene do <i>hansho, <\/i>um instrumento no conjunto de tambores, sinos e gongos usados pelo Zen. Ao seu sinal todos se p&otilde;em em fila e andam da sala do zazen para o sal&atilde;o principal e, dividindo-se em dois grupos, um diante do outro em &acirc;ngulos retos com o altar, sentam-se nas esteiras de tatami na meia-postura ou na postura do lotus inteira, ou na posi&ccedil;&atilde;o tradicional do sentar japon&ecirc;s. O roshi aparece ent&atilde;o escoltado por um assistente que carrega seu livro de koans<sup> <\/sup>enrolado num peda&ccedil;o de pano cerimonial de seda, como sinal de respeito e para proteg&ecirc;-lo. Todos os presentes inclinam a cabe&ccedil;a com humildade diante do mestre &agrave; medida que ele se dirige ao butsudan (altar) para acender o pau de incenso e coloca-lo diante da imagem de Buda. Ent&atilde;o, guiados pelo roshi, todos se levantam, viram-se para o butsudan, e se prostram tr&ecirc;s vezes. Terminadas estas express&otilde;es devocionais de gratid&atilde;o, rever&ecirc;ncia e humildade para com Buda e os Patriarcas, o roshi senta-se numa grande almofada sobre um tablado diante do butsudan, cruza suas pernas na postura do lotus, e dirige o canto do grupo, uma pequena sele&ccedil;&atilde;o de um sutra. Agora esta pronto para come&ccedil;ar seu teisho.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Como o sutra cantado que o precede, o teisho &eacute; uma oferta a Buda, e de fato &eacute; este o sentido do roshi se colocar diante do butsudan e n&atilde;o dos seus ouvintes durante o pronunciamento de seu coment&aacute;rio. Dirigindo-se a Buda, o roshi com efeito esta dizendo: &#8220;Esta &eacute; minha express&atilde;o da verdade de vossos ensinamentos. Ofere&ccedil;o-vos isto, na esperan&ccedil;a de que o acheis satisfat&oacute;rio&#8221;. O teisho n&atilde;o &eacute; um discurso erudito sobre o &#8220;sentido&#8221; do koan, pois o roshi sabe que as explica&ccedil;&otilde;es, seja qual for sua sutileza e dificuldade, n&atilde;o levam &agrave; compreens&atilde;o profunda que &eacute; a &uacute;nica coisa que torna algu&eacute;m capaz de demonstrar o esp&iacute;rito do koan com certeza e convic&ccedil;&atilde;o. De fato, os mestres Zen consideram as meras defini&ccedil;&otilde;es e exclama&ccedil;&otilde;es secas e sem vida, acabando por desorientar porque s&atilde;o intrinsecamente limitadas. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">A &uacute;nica palavra &#8220;Imbecil&#8221;, sa&iacute;da das entranhas, transmite mais do que uma centena de palavras definindo-a. Nem tampouco o roshi sobrecarrega seus ouvintes com confer&ecirc;ncias puramente filos&oacute;ficas sobre a doutrina budista ou sobre a natureza metaf&iacute;sica da realidade final.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Profundamente consciente dos diferentes n&iacute;veis de compreens&atilde;o de seus ouvintes, ele coloca seu coment&aacute;rio de tal forma, que cada um o recebe de acordo com sua capacidade de compreens&atilde;o, mesmo quando ele relaciona o esp&iacute;rito do koan com as experi&ecirc;ncias da vida comum dos ouvintes. Na linguagem pr&oacute;pria do Zen, o roshi &#8220;bate&#8221; o koan na sua <i>hara, <\/i>confiando que as centelhas de verdade emitidas iluminar&atilde;o as mentes dos seus ouvintes.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Literalmente, hara designa o est&ocirc;mago e o abd&ocirc;mem e as fun&ccedil;&otilde;es da digest&atilde;o, absor&ccedil;&atilde;o e elimina&ccedil;&atilde;o ligadas a eles. Mas tem um significado paralelo ps&iacute;quico<sup> <\/sup>e espiritual. De acordo com os sistemas yogas hindu e budista, h&aacute; no corpo muitos centros ps&iacute;quicos, atrav&eacute;s dos quais a for&ccedil;a vital c&oacute;smica ou a energia flui. Dois destes centros est&atilde;o encerrados dentro da hara, um &eacute; associado ao plexo solar, cujo sistema nervoso governa os processos digestivos e os &oacute;rg&atilde;os de elimina&ccedil;&atilde;o. A hara &eacute; portanto uma fonte inesgot&aacute;vel de energias ps&iacute;quicas vitais.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Harada-roshi, um dos mais c&eacute;lebres mestres Zen dos seus dias, ao estimular seus disc&iacute;pulos a concentrarem seu olho da mente<sup> <\/sup>(isto &eacute;, a <i>aten&ccedil;&atilde;o, <\/i>o ponto central do ser total) em sua hara, teria dito: &#8220;Voc&ecirc;s devem realizar&#8221;\u2014 isto &eacute; tornar real \u2014 &#8220;que o centro do universo &eacute; o orif&iacute;cio de sua barriga!&#8221;<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Para facilitar sua experi&ecirc;ncia desta verdade fundamental, ensina-se o novi&ccedil;o Zen a focalizar sua mente constantemente na extremidade de sua hara (em espec&iacute;fico, entre o umbigo e a p&eacute;lvis) e irradiar todas as atividades mentais e f&iacute;sicas desta regi&atilde;o. Com o equil&iacute;brio corpo-mente centrado na hara, gradualmente um sentar de conscientiza&ccedil;&atilde;o, um foco de energia vital, estabelece-se ali, influenciando todo o organismo.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Esta consci&ecirc;ncia de forma alguma se limita ao c&eacute;rebro, como mostra Lama Govinda, que escreve o seguinte: &#8220;Ainda que, baseado nas concep&ccedil;&otilde;es ocidentais, o c&eacute;rebro seja o centro exclusivo da consci&ecirc;ncia, a experi&ecirc;ncia y&oacute;guica demonstra que nosso c&eacute;rebro-consci&ecirc;ncia &eacute; apenas <i>uma <\/i>dentre um n&uacute;mero de formas poss&iacute;veis de consci&ecirc;ncia, e que estas, de acordo com suas fun&ccedil;&otilde;es e natureza, podem ser localizadas ou centradas em v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os do corpo. Estes &#8220;&oacute;rg&atilde;os&#8221;, que re&uacute;nem, transformam e distribuem as energias que correm atrav&eacute;s deles, s&atilde;o chamados <i>&ccedil;akras, <\/i>ou centros de energia. De outros irradiam-se correntes secund&aacute;rias da for&ccedil;a ps&iacute;quica, compar&aacute;veis aos raios de uma roda, &agrave;s varetas de um guarda-chuva, ou &agrave;s p&eacute;talas de um lotus. Noutras palavras, estes cakras s&atilde;o pontos onde as forcas ps&iacute;quicas e as fun&ccedil;&otilde;es corporais se fundem umas nas outras, ou se interpenetram. S&atilde;o pontos focais onde as energias c&oacute;smicas e ps&iacute;quicas se cristalizam em qualidades corporais e nas quais qualidades corporais se dissolvem e se mudam novamente em for&ccedil;as ps&iacute;quicas&#8221;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Fixando o centro de gravidade do corpo abaixo do umbigo, isto &eacute;, estabelecendo um centro de consci&ecirc;ncia na hara, automaticamente se relaxam as tens&otilde;es advindas do encurvamento habitual dos ombros, de deforma&ccedil;&atilde;o do pesco&ccedil;o e da compress&atilde;o do est&ocirc;mago. Toda esta rigidez desaparece, a vitalidade aumenta e uma nova sensa&ccedil;&atilde;o de liberdade &eacute; experimentada por todo o corpo e a mente, que mais e mais se sentem em unidade.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O zazen j&aacute; demonstrou claramente que, com os olhos da mente centrados na hara a prolifera&ccedil;&atilde;o de id&eacute;ias casuais diminui e se atinge mais depressa a fixa&ccedil;&atilde;o num ponto determinado, pois a superabund&acirc;ncia de sangue da cabe&ccedil;a &eacute; orientada para o abd&ocirc;men, &#8220;refrescando&#8221; o c&eacute;rebro e acalmando o sistema nervoso aut&ocirc;nomo. Por sua vez, isto leva a um grau maior de estabilidade mental e emocional. Algu&eacute;m que funciona atrav&eacute;s de sua hara, por isso mesmo n&atilde;o se perturba facilmente. &Eacute; ainda mais capaz de agir rapidamente e com decis&atilde;o numa emerg&ecirc;ncia, pelo fato de que sua mente, ancorada na hara, n&atilde;o vacila.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Com a mente na hara os pensamentos med&iacute;ocres e egoc&ecirc;ntricos s&atilde;o substitu&iacute;dos por uma amplitude de vis&atilde;o e um esp&iacute;rito de magnanimidade. Isto porque o pensamento, partindo do centro da hara vital e livre da media&ccedil;&atilde;o do limitado intelecto discursivo, &eacute; espont&acirc;neo e universal. A percep&ccedil;&atilde;o a partir da hara tende para a integra&ccedil;&atilde;o e a unidade, mais do que para divis&atilde;o e fragmenta&ccedil;&atilde;o. Em poucas palavras &eacute; um pensar que v&ecirc; as coisas est&aacute;veis e totais. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">A figura do Buda sentado no seu trono de lotus-sereno, est&aacute;vel tudo&#8211;conhecendo e tudo-abrangendo, irradiando uma luz infinita e compaix&atilde;o \u2014 &eacute; o mais perfeito exemplo da hara expressa atrav&eacute;s da perfeita ilumina&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O&#9;&#8221;Pensador&#8221; de Rodin, por outro lado, uma figura solit&aacute;ria, &#8220;perdida&#8221; em pensamentos com o corpo contorcido, afastado e isolado do seu Eu, manifesta o estado contr&aacute;rio.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&Eacute;<i> <\/i>importante reconhecer que a habilidade de pensar e de agir atrav&eacute;s da hara &eacute;, como o joriki s&oacute; indiretamente relacionado com o satori e n&atilde;o seu sin&ocirc;nimo, O satori &eacute; uma &#8220;virada&#8221; da mente, uma experi&ecirc;ncia psicol&oacute;gica que confere um conhecimento &iacute;ntimo, enquanto a hara nada &eacute; al&eacute;m do que j&aacute; foi indicado. Os mestres das artes tradicionais japonesas s&atilde;o todos realizados no pensar e no agir pela hara \u2014 n&atilde;o mereceriam o t&iacute;tulo de &#8220;mestre&#8221; se n&atilde;o o fossem \u2014 mas poucos atingiram o satori sem o treinamento Zen. Por que n&atilde;o?<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Porque o seu cultivo da hara &eacute; essencial para a perfei&ccedil;&atilde;o de sua arte e n&atilde;o o satori, cuja conquista pressup&otilde;e, como Yasutani-roshi p&otilde;e em evid&ecirc;ncia nas suas confer&ecirc;ncias introdut&oacute;rias, a f&eacute; na realidade da ilumina&ccedil;&atilde;o de Buda e na sua pr&oacute;pria natureza-Buda imaculada.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&Eacute;<i>, <\/i>portanto do hara que o roshi deve expor seu coment&aacute;rio, se &eacute; para brilhar intensamente com o esp&iacute;rito e a for&ccedil;a de todo o seu ser, e &eacute; igualmente em suas haras que seus ouvintes devem focalizar suas mentes, se devem compreender e absorver diretamente e toda inteira a verdade palpitante que lhes est&aacute; arremessando. Escutando o teisho, que &eacute; na verdade outra forma de zazen, isto &eacute;, um estado de concentra&ccedil;&atilde;o ininterrupta que leva &agrave; total absor&ccedil;&atilde;o. Por esse motivo a mente concentrada n&atilde;o deve ser interrompida tomando-se apontamentos durante o teisho ou ent&atilde;o desviando o olhar das suas posturas &#8220;sentadas&#8221; firmes. Num mosteiro onde a disciplina &eacute; severa, o superior dos monges chamar&aacute; a aten&ccedil;&atilde;o dos principiantes que tentam tomar notas ou cujos olhos vagueiam por toda a sala para ver os outros sentados.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Particularmente para o devoto cujo exerc&iacute;cio espiritual &eacute; o koan, o teisho, fornecendo numerosas &#8220;pistas&#8221;, apresenta uma oportunidade sem igual para se obter um &#8220;insight&#8221; direto para dentro do sentido essencial do koan. Se ele foi bem sucedido em exaurir seus pensamentos atrav&eacute;s da concentra&ccedil;&atilde;o com a mente fixada num ponto e conseguiu absoluta unidade com seu koan, uma frase eficaz dita pelo roshi poder&aacute; ser a flecha de ouro que, repentina e imprevis&iacute;vel, encontra seu alvo, rompendo o mais &iacute;ntimo manto da escurid&atilde;o e espalhando por toda a mente, luz, compreens&atilde;o interiores. Para algu&eacute;m cuja mente ainda n&atilde;o est&aacute; madura em outras palavras, est&aacute; ainda envolvida por pensamentos ilus&oacute;rios \u2014 o teisho &eacute; uma fonte rica de indicadores para futura pr&aacute;tica. Mas para todos, n&atilde;o importando qual o estado de suas mentes, um teisho decisivo fornece inspira&ccedil;&atilde;o e encorajamento.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Terminando o teisho, o mestre tranq&uuml;ilamente fecha o livro dos koans e todos se re&uacute;nem a ele no Canto dos Quatro Votos. Em momento algum durante ou depois do teisho ele solicita ou encoraja perguntas. Os mestres Zen manifestam desagrado diante de toda pergunta te&oacute;rica que n&atilde;o conduza a uma experi&ecirc;ncia da verdade direta e de primeira m&atilde;o. Esta atitude poder&aacute; ser remontada &agrave;s origens com Buda, que mantinha um &#8220;nobre sil&ecirc;ncio&#8221; sempre que algu&eacute;m lhe fazia perguntas tais como &#8220;O universo e a alma s&atilde;o finitos ou infinitos? O santo existe depois da morte ou n&atilde;o?&#8221; E o Zen-budismo, que &eacute; a quinta-ess&ecirc;ncia dos ensinamentos de Buda, do mesmo modo recusa tratar de perguntas que n&atilde;o t&ecirc;m uma resposta definitiva, ou de perguntas cujas respostas s&oacute; podem ser compreendidas por uma mente banhada pela luz da plena consci&ecirc;ncia, isto &eacute;, na perfeita ilumina&ccedil;&atilde;o. Quando perguntas abstratas e te&oacute;ricas s&atilde;o feitas durante o dokusan (como algumas vezes acontece) o roshi freq&uuml;entemente as lan&ccedil;a de volta a quem fez a pergunta, para tentar faz&ecirc;-lo ver a Fonte de onde brotam e relacion&aacute;-lo com esta Fonte.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Mas h&aacute; ainda outras raz&otilde;es pelas quais perguntas abstratas s&atilde;o encaradas com desagrado. A preocupa&ccedil;&atilde;o com elas n&atilde;o somente tende a tomar o lugar do zazen e da compreens&atilde;o que somente ele poder&aacute; dar, mas pelo titilar do intelecto tornam incomensuravelmente mais dif&iacute;cil a aquieta&ccedil;&atilde;o e o esvaziamento da mente essenciais ao kensho. A resposta cl&aacute;ssica de Buda a um monge que amea&ccedil;ou deixar a vida religiosa se Buda n&atilde;o respondesse suas perguntas sobre se os santos existem depois da morte ou n&atilde;o, vale a pena ser repetida.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;&Eacute; como se um homem tivesse sido ferido por uma flecha bem untada com veneno, e seus amigos, seus companheiros e seus parentes tenham ido procurar para ele um m&eacute;dico ou cirurgi&atilde;o, e o doente dissesse: &#8220;N&atilde;o consentirei que seja retirada esta flecha enquanto n&atilde;o souber se o homem que me feriu pertence &agrave; casta dos soldados ou &agrave; casta dos br&acirc;manes.. . souber se ele era alto, baixo, ou de altura m&eacute;dia, se era preto, escuro ou de pele amarela; se desta ou daquela vila, aldeia ou cidade;&#8230;se era uma flecha ordin&aacute;ria ou uma flecha de cabe&ccedil;a em garra&#8230; Este homem morreria sem nunca chegar a saber destas coisas&#8221;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Noutro di&aacute;logo declarou Buda: &#8220;A vida religiosa n&atilde;o depende do dogma de que o mundo seja eterno ou n&atilde;o, infinito ou finito, de que a alma e o corpo sejam id&ecirc;nticos ou diferentes, ou do dogma de que o santo existe ou n&atilde;o existe depois da morte. De nada aproveita, nada tem a ver com as bases da religi&atilde;o, nem leva &agrave; aus&ecirc;ncia da paix&atilde;o. . . &agrave; suprema sabedoria, e ao Nirvana&#8221;.<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O COMENT&Aacute;RlO <\/p>\n<p><\/b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Hoje vou tratar do primeiro caso em <i>Mumonkan, <\/i>intitulado &#8220;Joshu (sobre a natureza inerente a um) cachorro&#8221;. Lerei o pr&oacute;prio koan e depois o coment&aacute;rio de Mumon.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Um monge com muita seriedade perguntou a Joshu: &#8220;O cachorro tem natureza-Buda ou n&atilde;o?&#8221; Joshu respondeu: &#8220;Mu!&#8221;<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">COMENT&Aacute;RIO DE MUMON<\/p>\n<p><\/b>: Na pr&aacute;tica do Zen voc&ecirc;s dever&atilde;o atravessar o port&atilde;o-barreira<sup> <\/sup>colocado pelos Patriarcas. Para conseguir a coisa maravilhosa chamada ilumina&ccedil;&atilde;o, deve-se olhar para a fonte de seus pensamentos, e por este meio extermin&aacute;-los. Se n&atilde;o conseguem atravessar a barreira, isto &eacute;, impedir o surgimento de pensamentos, voc&ecirc;s s&atilde;o como um fantasma, aderente &agrave;s &aacute;rvores e &agrave; grama.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Qual &eacute; ent&atilde;o esta barreira colocada pelos Patriarcas? &Eacute; o Mu, a barreira &uacute;nica do ensinamento supremo. Afinal &eacute; uma barreira que n&atilde;o &eacute; barreira. Algu&eacute;m que a atravessou n&atilde;o somente poder&aacute; ver Joshu face a face, como pode andar de m&atilde;os dadas com toda a fileira dos Patriarcas. Na verdade, pode, de p&eacute;, sobrancelha contra sobrancelha, escutar com os mesmos ouvidos e ver com os mesmos olhos.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Que maravilha! Quem n&atilde;o desejaria ultrapassar esta barreira? Para isto voc&ecirc;s precisar&atilde;o se concentrar dia e noite, questionando-se sobre cada um dos seus 360 ossos e 84.000 poros. N&atilde;o interpretem o Mu como o Nada e n&atilde;o o concebam em termos de exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o exist&ecirc;ncia. Voc&ecirc;s dever&atilde;o atingir o ponto em que experimentam como se tivessem engolido uma bola de ferro incandescente que n&atilde;o podem expelir apesar de todo o esfor&ccedil;o. Quando tiverem dissolvido toda ilus&atilde;o e amadurecido para a pureza, depois de muitos anos, a ponto de ser por dentro e por fora como um, voc&ecirc;s saborear&atilde;o profundamente seu sublime estado da mente mas, como um mundo que teve um sonho, e ser&atilde;o incapazes de falar dele.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Uma vez que irromperem na ilumina&ccedil;&atilde;o, surpreender&atilde;o os c&eacute;us e mover&atilde;o a terra. Como se tivessem capturado a espada afiada do General Kuan, voc&ecirc;s ser&atilde;o capazes de matar Buda se o encontrarem (e ele os impedir) e de executar todos os Patriarcas que encontrarem (se eles puserem obst&aacute;culos a voc&ecirc;s). Livres (de todo cativeiro) do nascimento e da morte, voc&ecirc;s ser&atilde;o capazes de mover-se por todos os Seis Dom&iacute;nios da Exist&ecirc;ncia e pelos Quatro Modos de nascimento num samadhi de inocente gozo.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Como, ent&atilde;o, concentrar-se no Mu? Devotem-se a isto energicamente e com todo o cora&ccedil;&atilde;o. Se continuarem assim, sem interrup&ccedil;&atilde;o, sua mente, como uma luz acesa no escuro, de repente ficar&aacute; iluminada. &Eacute; realmente maravilhoso!<b> <\/b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O Verso de Mumon:<\/p>\n<p><b><i><\/p>\n<p ALIGN=\"CENTER\">Um cachorro, natureza-Buda!<br \/>\nEsta &eacute; a apresenta&ccedil;&atilde;o do todo, o absoluto imperativo!<br \/>\nUma vez que come&ccedil;ar a pensar &#8220;tem&#8221; ou &#8220;n&atilde;o tem&#8221;<br \/>\nSua (unidade com) a vida ser&aacute; perdida.<\/p>\n<p><\/i><\/b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O protagonista deste koan &eacute; Joshu, um famoso chin&ecirc;s mestre Zen. Penso que seria melhor referir-se a ele como o Patriarca Joshu. Omitirei o relato dos fatos da vida de Joshu. &Eacute;<i> <\/i>suficiente dizer-lhes, como todos voc&ecirc;s sabem, que ele era um grande Patriarca Zen. Como existem muitos koans centrados &agrave; sua volta, sem nenhuma d&uacute;vida &eacute; este o melhor dentre os mais conhecidos, O mestre Mumon trabalhou zelosamente nele durante seis anos e finalmente chegou &agrave; Autopercep&ccedil;&atilde;o. Evidentemente, causou-lhe uma profunda impress&atilde;o, pois o colocou como o primeiro na cole&ccedil;&atilde;o dos seus quarenta e oito koans. Na realidade n&atilde;o h&aacute; um motivo especial que explique por que este koan devesse ficar no primeiro lugar \u2014 qualquer um dos outros poderia encabe&ccedil;ar a lista t&atilde;o bem quanto ele \u2014 mas Mumon apreciou-o t&atilde;o profundamente que naturalmente o colocou logo no in&iacute;cio. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Na primeira linha l&ecirc;-se: &#8220;Um monge <i>com toda a seriedade <\/i>perguntou a Joshu&#8221;. Isto &eacute;, sua pergunta n&atilde;o foi nem fr&iacute;vola nem casual, mas profundamente considerada.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">A outra parte: &#8220;Um cachorro tem natureza-Buda ou n&atilde;o?&#8221; suscita a pergunta: O que &eacute; natureza-Buda? Uma passagem muito conhecida no sutra Nirvana declara que todo ser dotado de sensa&ccedil;&atilde;o tem natureza-Buda.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">A express&atilde;o &#8220;todo ser dotado de sensa&ccedil;&atilde;o&#8221; significa toda a exist&ecirc;ncia. N&atilde;o somente os seres humanos, mas animais, at&eacute; mesmo plantas, s&atilde;o seres dotados de sensa&ccedil;&atilde;o. Portanto um cachorro, um macaco, uma lib&eacute;lula, um verme tamb&eacute;m t&ecirc;m natureza-Buda de acordo com o sutra do Nirvana. No contexto deste koan, entretanto, pode-se considerar o termo como se referindo apenas aos animais.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O que &eacute;, ent&atilde;o, a natureza-Buda? Em poucas palavras, a natureza de todas as coisas &eacute; tal que se pode transformar em Buda. Agora, alguns de voc&ecirc;s, pensando que existe algo chamado a<i><u> <\/u><\/i>natureza-Buda, escondida dentro de n&oacute;s, poder&atilde;o perguntar mais ou menos em que lugar fica esta natureza&#8211;Buda. Podem tender a identifica-la com a consci&ecirc;ncia, que todos, mesmos os mais perversos, possuem, como se presume. Voc&ecirc;s nunca compreender&atilde;o a verdade da natureza-Buda enquanto ancorarem em pontos de vista t&atilde;o capciosos. O Patriarca Dogen interpretou esta express&atilde;o do sutra Nirvana, como significando que aquilo que &eacute; intr&iacute;nseco a todos os seres dotados de sensa&ccedil;&atilde;o &eacute; a natureza-Buda, e n&atilde;o que todo ser dotado de sensa&ccedil;&atilde;o tenha algo chamado de <i>a <\/i>natureza-Buda. Portanto, na vis&atilde;o de Dogen s&oacute; existe natureza-Buda e nada mais.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">No budismo a &#8220;natureza-Buda&#8221; &eacute; uma express&atilde;o particular e a &#8220;natureza-Dharma&#8221; &eacute; uma express&atilde;o impessoal. Mas, quer digamos natureza-Buda ou Dharma, a subst&acirc;ncia &eacute; a mesma. Aquele que se torna iluminado pelo Dharma &eacute; um Buda, portanto o Buda surge do Dharma. O sutra do Diamante diz que todos os Budas e suas ilumina&ccedil;&otilde;es fluem do Dharma. O Dharma, conseq&uuml;entemente, &eacute; a m&atilde;e do ser Buda. Na verdade n&atilde;o existe nem m&atilde;e nem filho, pois, como disse, &eacute; a mesma coisa, quer se diga Buda ou Dharma.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O que &eacute; o Dharma da natureza-Dharma? Dharma significa (tamb&eacute;m) fen&ocirc;meno. [Mas Dharma &eacute; principalmente o ensinamento de Budha]<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O que de ordin&aacute;rio chamamos de fen&ocirc;meno \u2014 isto &eacute;, o que &eacute; evidente aos sentidos \u2014 no budismo se chama Dharma. A palavra &#8220;fen&ocirc;meno&#8221; visto relacionar-se somente com as caracter&iacute;sticas observ&aacute;veis, sem incluir aquilo que determina sua evid&ecirc;ncia, tem uma conota&ccedil;&atilde;o limitada. Esses fen&ocirc;menos chamam-se Dharma (ou Lei) simplesmente porque n&atilde;o aparecem por acaso nem pela vontade de um agente especial que superintende o universo. Todos os fen&ocirc;menos s&atilde;o resultados da lei da causa e do efeito. Surgem quando as causas e condi&ccedil;&otilde;es que as governam amadurecem. Quando uma destas causas ou condi&ccedil;&otilde;es fica alterada, estes fen&ocirc;menos mudam conseq&uuml;entemente. Quando a combina&ccedil;&atilde;o das causas e condi&ccedil;&otilde;es se desintegram completamente a forma em si desaparece. Toda exist&ecirc;ncia sendo express&atilde;o da lei da causa e do efeito, todos os fen&ocirc;menos s&atilde;o do mesmo modo essa lei, esse Dharma. Ora, como h&aacute; uma multiplicidade de modos de existir, assim s&atilde;o m&uacute;ltiplos os dharmas correspondentes a estas exist&ecirc;ncias. A subst&acirc;ncia desses dharmas multiformes chamamos natureza-Dharma. Quer digamos natureza-Dharma ou usemos o termo mais pessoall natureza-Buda, estas express&otilde;es referem-se &agrave; mesma realidade. Apresentado de modo diferente, <b>todos os fen&ocirc;menos s&atilde;o transforma&ccedil;&otilde;es de Buda<\/b> \u2014 ou da natureza-Dharma. Todas as coisas, por causa de sua pr&oacute;pria natureza, est&atilde;o sujeitas ao processo da infinita transforma&ccedil;&atilde;o \u2014 &eacute; isto seu Buda \u2014 ou sua natureza-Dharma.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Qual &eacute; a subst&acirc;ncia deste Buda ou natureza-Dharma? No budismo se chama <i>Ku (shunyata<\/i>, Vazio).<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Ora, o <i>Ku<\/i> n&atilde;o &eacute; apenas o esvaziamento. &Eacute; aquilo que est&aacute; vivendo, din&acirc;mico, carente de volume, n&atilde;o fixo, para al&eacute;m da individualidade ou da personalidade \u2014 a matriz de todo fen&ocirc;meno. Temos aqui o princ&iacute;pio fundamental ou a doutrina ou a filosofia budista.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Para Buda Shakyamuni, isto n&atilde;o era uma mera teoria, mas a verdade que ele diretamente concebeu. Com a experi&ecirc;ncia da ilumina&ccedil;&atilde;o, que &eacute; a fonte de toda doutrina budista, voc&ecirc;s percebem o mundo de <i>Ku<\/i>. Este mundo \u2014&#9;n&atilde;o fixo, carente de volume, para al&eacute;m da realidade ou da personalidade \u2014 existe fora do dom&iacute;nio da imagina&ccedil;&atilde;o. De acordo com isto, a verdadeira subst&acirc;ncia das coisas, isto &eacute;, sua natureza-Buda ou Dharma, &eacute; inconceb&iacute;vel e inescrut&aacute;vel. Uma vez que tudo imagin&aacute;vel compartilha da forma ou da cor, seja o que for que se imagine ser&aacute; natureza-Buda, dever&aacute; necessariamente ser irreal. Certamente, aquilo que pode ser concebido &eacute; apenas uma figura da natureza-Buda n&atilde;o a natureza-Buda em si mesma. Mas, ainda que a natureza-Buda esteja al&eacute;m de qualquer concep&ccedil;&atilde;o e imagina&ccedil;&atilde;o, porque todos n&oacute;s somos intrinsecamente natureza-Buda, &eacute; poss&iacute;vel a n&oacute;s despertar para ela. Somente atrav&eacute;s da experi&ecirc;ncia da ilumina&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m,<b> <\/b>podemos firm&aacute;-la no cora&ccedil;&atilde;o. A ilumina&ccedil;&atilde;o &eacute;, portanto o Tudo.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quando voc&ecirc;s passarem a perceber o mundo de <i>Ku<\/i>, prontamente compreender&atilde;o a natureza do mundo fenomenal e cessar&atilde;o de aderir a ele. O que vemos &eacute; ilus&oacute;rio e sem subst&acirc;ncia, como os fantoches grotescos num <i>filme. <\/i>Voc&ecirc;s t&ecirc;m medo de morrer? N&atilde;o precisam t&ecirc;-lo. Pois, quer sejam mortos ou fale&ccedil;am naturalmente, a morte n&atilde;o tem substancialmente nada mais al&eacute;m dos movimentos daqueles fantoches. Usando outras palavras, ela n&atilde;o &eacute; mais real do que cortar o ar com uma faca, ou arrebentar bolhas de sab&atilde;o que reaparecem sempre, n&atilde;o importa quantas vezes s&atilde;o arrebentadas.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Uma vez que percebemos o mundo da natureza-Buda, somos indiferentes &agrave; morte, pois sabemos que renasceremos atrav&eacute;s da uni&atilde;o de um pai com uma m&atilde;e. Renascemos quando nossas rela&ccedil;&otilde;es c&aacute;rmicas nos impelem a isto. Morremos quando nossas rela&ccedil;&otilde;es c&aacute;rmicas decretam que morreremos. Somos mortos quando nossas rela&ccedil;&otilde;es c&aacute;rmicas nos levam a ser mortos. Somos a manifesta&ccedil;&atilde;o de nossas rela&ccedil;&otilde;es c&aacute;rmicas em qualquer momento dado, e quando elas se modificam n&oacute;s tamb&eacute;m conseq&uuml;entemente mudamos, O que chamamos de vida n&atilde;o &eacute; nada mais do que uma seq&uuml;&ecirc;ncia de transforma&ccedil;&otilde;es. Se n&atilde;o mudamos, &eacute; porque estamos mortos. Se n&oacute;s crescemos e envelhecemos &eacute; porque estamos vivos. A evid&ecirc;ncia de que vivemos &eacute; o fato de morrermos porque estamos vivos. Viver significa nascer e morrer. Cria&ccedil;&atilde;o e destrui&ccedil;&atilde;o significam vida.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quando voc&ecirc;s acreditarem verdadeiramente neste princ&iacute;pio fundamental, n&atilde;o ficar&atilde;o preocupados com sua vida ou sua morte; ter&atilde;o conquistado uma mente inabal&aacute;vel e ser&atilde;o felizes na sua vida quotidiana. Mesmo que o c&eacute;u e a terra virassem de cabe&ccedil;a para baixo, voc&ecirc;s n&atilde;o teriam medo. E se uma bomba at&ocirc;mica ou de hidrog&ecirc;nio explodisse, n&atilde;o estremeceriam de pavor. Na medida em que voc&ecirc;s se tornam um com a bomba, que motivo teriam para medo?<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Imposs&iacute;vel!&#8221;, dir&atilde;o. Quisessem ou n&atilde;o, voc&ecirc;s for&ccedil;osamente se tornariam um com ela, n&atilde;o &eacute; verdade? Do mesmo modo, se fossem apanhados num holocausto, inevitavelmente seriam queimados. Por conseguinte, tornem-se um com o fogo quando n&atilde;o h&aacute; possibilidade de escapar! Se ca&iacute;rem na pobreza, vivam desta forma sem murmura&ccedil;&atilde;o e ent&atilde;o a pobreza n&atilde;o ser&aacute; um fardo para voc&ecirc;s. Igualmente, se forem ricos, vivam com suas riquezas, tudo isto &eacute; o funcionamento da natureza Buda. Resumindo, a natureza-Buda tem a qualidade de ser infinitamente adapt&aacute;vel.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Voltando ao koan, devemos abordar a pergunta: &#8220;Um cachorro tem a natureza-Buda ou n&atilde;o?&#8221; com precau&ccedil;&atilde;o, uma vez que n&atilde;o sabemos se o monge &eacute; ignorante ou est&aacute; simulando ignor&acirc;ncia a fim de experimentar a Joshu. Quer Joshu responda &#8220;tem&#8221; ou &#8220;n&atilde;o tem&#8221;, ser&aacute; abatido. Voc&ecirc;s v&ecirc;em por qu&ecirc;? Porque o que est&aacute; envolvido n&atilde;o &eacute; quest&atilde;o de &#8220;ter&#8221; ou &#8220;n&atilde;o ter&#8221;. Sendo tudo natureza-Buda, qualquer uma das duas respostas seria absurda. Mas isto &eacute; um &#8220;combate do Dharma&#8221;. Joshu deve se desviar do golpe. Ele assim o faz retorquindo repentinamente: &#8220;MU!&#8221;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Aqui termina o di&aacute;logo.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Em outras vers&otilde;es do mesmo koan, o monge continua perguntando:<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Por que o cachorro n&atilde;o tem uma natureza-Buda, quando o sutra do Nirvana diz que todos os seres dotados de sensa&ccedil;&atilde;o a t&ecirc;m?<sup>14<\/sup>. Joshu rebateu com: &#8220;Tem seu karma pr&oacute;prio&#8221;. Isto significa que a natureza-Buda do cachorro n&atilde;o &eacute; diferente do karma. Os atos realizados com uma mente iludida produzem resultados dolorosos. Isto &eacute; um karma. Em palavras mais claras, um cachorro &eacute; um cachorro como resultado do seu karma passado que o condiciona a <i>ser cachorro. <\/i>&Eacute;<i> <\/i>o funcionamento da natureza-Buda Portanto n&atilde;o falem como se houvesse uma coisa particular chamada &#8220;natureza-Buda&#8221;. &Eacute; isto o que se deduz do Mu de Joshu. &Eacute; claro, ent&atilde;o, que o Mu nada tem que ver com a exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o exist&ecirc;ncia da natureza-Buda, mas &eacute; ele mesmo a natureza-Buda. A resposta &#8220;MU!&#8221; exp&otilde;e e ao mesmo tempo projeta inteiramente diante de n&oacute;s a natureza-Buda. Agora, ainda que voc&ecirc;s sejam totalmente incapazes de compreender o que estou dizendo, n&atilde;o se extraviar&atilde;o se interpretarem a natureza-Buda desta forma.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">A natureza-Buda n&atilde;o pode ser compreendida pelo intelecto. Para experiment&aacute;-la diretamente dever&atilde;o explorar suas mentes com a maior devo&ccedil;&atilde;o at&eacute; que estejam absolutamente convencidos de sua exist&ecirc;ncia, pois afinal de contas, s&atilde;o voc&ecirc;s mesmo esta natureza-Buda. Quando lhes disse antes que a, natureza-Buda era <i>Ku <\/i>\u2014 impessoal, destitu&iacute;da de volume, n&atilde;o fixa, e capaz de infinitas transforma&ccedil;&otilde;es, apenas lhes apresentei uma figura dela. &Eacute;<i> <\/i>poss&iacute;vel pensar na natureza-Buda nestes termos, mas voc&ecirc;s dever&atilde;o compreender quer seja o que for o<b> <\/b>que pensem ou imaginem, ser&aacute; necessariamente irreal. Portanto, n&atilde;o h&aacute; outro meio sen&atilde;o experimentar a verdade em sua pr&oacute;pria mente. Este caminho foi mostrado com a maior delicadeza por Mumon.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Consideremos agora o coment&aacute;rio de Mumon. Ele come&ccedil;a dizendo:<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Na pr&aacute;tica do zazen&#8230;&#8221;O zazen, recebendo o dokusan (isto &eacute;, as instru&ccedil;&otilde;es em particular), ouvindo o teisho \u2014 todas estas s&atilde;o pr&aacute;ticas do Zen. Ficar atento aos detalhes da vida cotidiana &eacute; tamb&eacute;m treinamento do Zen. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quando sua vida e o Zen forem uma s&oacute; coisa, voc&ecirc;s estar&atilde;o verdadeiramente vivendo o Zen. A n&atilde;o ser que concorde com suas atividades cotidianas, o Zen &eacute; apenas um ornamento. Devem ter cuidado de n&atilde;o ostentarem o Zen, mas fundi-lo despretensiosamente com sua vida. Para dar um exemplo concreto de aten&ccedil;&atilde;o: quando voc&ecirc;s tiram as sand&aacute;lias no p&oacute;rtico ou na cozinha ou deixam os chinelos antes de entrar no banheiro, devem ter o cuidado de deix&aacute;-los bem arrumados, de modo que a pr&oacute;xima pessoa possa us&aacute;-los prontamente, mesmo que seja no escuro. Tal presen&ccedil;a de esp&iacute;rito &eacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica do Zen. Se voc&ecirc;s p&otilde;em suas sand&aacute;lias ou sapatos distraidamente, n&atilde;o est&atilde;o atentos. Quando andam, devem dar os passos prestando aten&ccedil;&atilde;o para n&atilde;o trope&ccedil;arem nem ca&iacute;rem. N&atilde;o sejam negligentes!<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Mas estou fazendo uma digress&atilde;o. Para continuar: &#8220;&#8230; voc&ecirc;s devem atravessar o port&atilde;o-barreira colocado pelos Patriarcas&#8221;. O Mu &eacute; exatamente esta tal barreira, j&aacute; lhes mostrei, de in&iacute;cio, n&atilde;o existe barreira alguma. Sendo tudo natureza-Buda, n&atilde;o existe port&atilde;o atrav&eacute;s do qual se entra ou sai. Mas, a fim de nos despertar para a verdade de que tudo &eacute; natureza-Buda, os Patriarcas com relut&acirc;ncia colocaram barreiras e nos incitaram a atravess&aacute;-las. Condenam nossa pr&aacute;tica defeituosa e rejeitam nossas respostas incompletas. &Agrave; medida que se vai crescendo em sinceridade, um dia repentinamente chegar-se-&aacute; &agrave; Autopercep&ccedil;&atilde;o. Quando isto acontecer voc&ecirc;s ser&atilde;o capazes de atravessar facilmente o port&atilde;o-barreira.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O Mumonkan &eacute; um livro que cont&eacute;m quarenta e oito dessas barreiras. A linha seguinte come&ccedil;a:<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Para que se realize esta coisa <i>extraordin&aacute;ria <\/i>chamada ilumina&ccedil;&atilde;o&#8230; Notem a palavra extraordin&aacute;ria&#8221;. Porque a ilumina&ccedil;&atilde;o &eacute; inexplic&aacute;vel e inconceb&iacute;vel, &eacute; descrita como extraordin&aacute;ria. &#8220;&#8230; voc&ecirc;s devem olhar no interior, na pr&oacute;pria fonte de seus pensamentos e assim extermin&aacute;-los&#8221;. Isto significa que &eacute; in&uacute;til abordar o Zen do ponto de vista l&oacute;gico ou da hip&oacute;tese. Voc&ecirc;s nunca chegar&atilde;o &agrave; ilumina&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da infer&ecirc;ncia, cogni&ccedil;&atilde;o ou conceptualiza&ccedil;&atilde;o. Deixem de se apegar a todas as formas de pensamento! Saliento isto porque &eacute; o ponto central da pr&aacute;tica Zen. E em particular, n&atilde;o cometam o erro de pensar que ilumina&ccedil;&atilde;o deve ser isto ou aquilo.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Se n&atilde;o puderem atravessar a barreira, isto &eacute;, eliminar o surgimento de pensamentos, voc&ecirc;s s&atilde;o como um fantasma, apegando-se &agrave;s &aacute;rvores, e &agrave; grama&#8221;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Os fantasmas n&atilde;o aparecem abertamente em dia claro, mas diz-se que chegam furtivamente depois que est&aacute; escuro, abra&ccedil;ando a terra e colando-se aos salgueiros. Eles dependem desses suportes para existirem. De certa forma as pessoas humanas s&atilde;o tamb&eacute;m como os fantasmas, porque a maioria de n&oacute;s n&atilde;o pode atuar independentemente do dinheiro, do &#8220;status&#8221; social da honra, do companheirismo, e da autoridade; ou ent&atilde;o sentimos necessidade de nos identificarmos com uma organiza&ccedil;&atilde;o ou uma ideologia. Se voc&ecirc;s fossem verdadeiramente homens de valor e n&atilde;o fantasmas, deveriam ser capazes de andar eretos por voc&ecirc;s mesmos, n&atilde;o dependendo de coisa alguma. Quando voc&ecirc;s acolhem conceitos filos&oacute;ficos ou cren&ccedil;as religiosas ou id&eacute;ias ou teorias de uma esp&eacute;cie ou de outra, voc&ecirc;s tamb&eacute;m s&atilde;o fantasmas, porque inevitavelmente ficam escravos delas. S&oacute; quando sua mente estiver vazia de tais abstra&ccedil;&otilde;es voc&ecirc;s ser&atilde;o verdadeiramente livres e independentes.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">L&ecirc;-se nas duas frases seguintes: &#8220;Quais s&atilde;o ent&atilde;o estas barreiras colocadas pelos Patriarcas? &Eacute; o Mu, a &uacute;nica barreira do ensinamento supremo&#8221;. O supremo ensinamento n&atilde;o &eacute; um sistema de moral, mas &eacute; o que est&aacute; na raiz de todos estes sistemas, principalmente no Zen. Somente aquilo que &eacute; de imaculada pureza, livre de supersti&ccedil;&otilde;es ou do sobrenatural, poder&aacute; ser chamado raiz de todos os ensinamentos e, portanto supremo. No budismo, o Zen &eacute; o &uacute;nico ensinamento que n&atilde;o &eacute; num ou noutro grau contaminado por elementos do sobrenatural \u2014 assim somente o Zen poder&aacute; ser chamado o supremo ensinamento e Mu &eacute; a &uacute;nica barreira deste supremo ensinamento. Voc&ecirc;s poder&atilde;o compreender &#8220;&uacute;nica barreira&#8221; como a barreira sozinha ou uma dentre muitas. No final, n&atilde;o h&aacute; barreiras. &#8220;Aquele que atravess&aacute;-la n&atilde;o s&oacute; ver&aacute; Joshu face a face&#8230;) uma vez que vivemos numa nova era, naturalmente n&atilde;o podemos ver fisicamente Joshu. &#8220;Ver Joshu face a face&#8221; significa compreender sua Mente&#8230;) poder&aacute; andar de m&atilde;os dadas com toda a linha dos Patriarcas&#8221;. A linha dos Patriarcas come&ccedil;a com Mahakashyapa que sucedeu a Buda, e vai at&eacute; Bodhidharma, o vig&eacute;simo oitavo, e continua at&eacute; os presentes dias. &#8220;&#8230;sobrancelha com sobrancelha&#8230;&#8221; &eacute; a figura de ret&oacute;rica que exprime uma grande intimidade&#8230; &#8220;&#8230; ouvindo com os mesmos ouvidos e vendo com os mesmos olhos&#8221; conota a habilidade de olhar as coisas no mesmo ponto de vista que Buda e Bodhidarma. Implica, naturalmente, em que eu j&aacute; tenha compreendido com clareza o mundo da ilumina&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Que extraordin&aacute;rio!&#8221; Verdadeiramente maravilhoso! Somente os que reconhecem a sublimidade de Buda, o Dharma e os Patriarcas podem apreciar tal exclama&ccedil;&atilde;o. Sim, como &eacute; verdadeiramente maravilhoso! Aqueles que n&atilde;o se importam com Buda e com o Dharma poder&atilde;o sentir tudo, menos maravilhar-se, mas nada podem fazer.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Quem n&atilde;o desejaria atravessar a barreira? \u2014 Esta frase deseja estimul&aacute;-los na busca da verdade dentro de voc&ecirc;s mesmos. &#8220;Para isto dever&atilde;o concentrar-se dia e noite, questionando-se sobre o Mu, sobre cada um dos seus trezentos e sessenta ossos e oitenta e quatro mil poros&#8221;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Estas figuras refletem o pensamento dos anci&atilde;os que julgavam que o corpo era formado desta maneira. De qualquer modo, isto remete-os ao seu corpo inteiro. Deixem-se ser, por inteiro, um mont&atilde;o de d&uacute;vidas e questionamentos. Concentrem e penetrem totalmente no Mu. Penetrar no Mu significa conseguir a absoluta unidade com ele. Como poder&atilde;o alcan&ccedil;ar esta unidade? Guardando o Mu tenazmente dia e noite! N&atilde;o se separem dele em circunst&acirc;ncia alguma! Focalizem suas Mentes constantemente nele. &#8220;N&atilde;o interpretem o Mu como um nada e n&atilde;o o concebam em termos de exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o exist&ecirc;ncia&#8221;. N&atilde;o devem, noutras palavras, pensar no Mu como um problema que envolve a exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o exist&ecirc;ncia da natureza-Buda. Ent&atilde;o, que far&atilde;o voc&ecirc;s? Parem de especular e concentrem-se totalmente no Mu \u2014 s&oacute;mente no Mu!<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">N&atilde;o percam tempo, pratiquem com toda a sua energia. (&#8220;Precisam atingir o ponto em que experimentam) como se tivessem engolido uma bola de ferro incandescente. &#8220;&Eacute; uma hip&eacute;rbole, naturalmente, falar-se de engolir uma bola de ferro incandescente. Entretanto, muitas vezes acontece que descuidadamente engulamos um bolo de arroz quente, que se localiza na garganta causando um desconforto terr&iacute;vel. Logo que engolirem o Mu, da mesma forma sentir&atilde;o um desconforto intenso, ir&atilde;o desesperadamente tentar desaloj&aacute;-lo, &#8220;&#8230; e n&atilde;o v&atilde;o poder vomit&aacute;-lo apesar de todo o esfor&ccedil;o que fizerem&#8221; \u2014 assim descreve o estado daqueles que trabalham neste koan. Porque a Autopercep&ccedil;&atilde;o &eacute; uma perspectiva t&atilde;o torturante que n&atilde;o se pode abandonar; nem se pode perceber prontamente o significado do Mu. Ent&atilde;o n&atilde;o h&aacute; outro caminho para eles sen&atilde;o o de se concentrarem no Mu at&eacute; que &#8220;seus rostos fiquem azuis&#8221;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">A compara&ccedil;&atilde;o com a bola de ferro incandescente &eacute; adequada. Voc&ecirc;s devem fundir suas ilus&otilde;es na bola de ferro incandescente do Mu, presa nas suas gargantas. As opini&otilde;es que conservam e seus conhecimentos mundanos s&atilde;o suas ilus&otilde;es. Tamb&eacute;m est&atilde;o inclu&iacute;dos a&iacute; os conceitos morais e filos&oacute;ficos, n&atilde;o importando qu&atilde;o sublimes sejam eles, assim como as cren&ccedil;as religiosas e os dogmas, para n&atilde;o mencionar os pensamentos inocentes corriqueiros. Em poucas palavras, todas as id&eacute;ias conceb&iacute;veis est&atilde;o inclu&iacute;das dentro deste termo &#8220;ilus&otilde;es&#8221; e como tal s&atilde;o obst&aacute;culos &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de sua natureza-Essencial. Ent&atilde;o, dissolvam-nas com a bola de fogo do Mu!<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">N&atilde;o devem praticar irregularmente. Nunca ser&atilde;o bem sucedidos se fizerem o zazen somente conforme o capricho e o abandonarem facilmente. Devem levar avante com const&acirc;ncia por um, dois, tr&ecirc;s e mesmo cinco anos sem interrup&ccedil;&atilde;o, constantemente vigilantes. Assim gradualmente ir&atilde;o progredindo na pureza. No princ&iacute;pio n&atilde;o ser&atilde;o capazes de entrar sinceramente no Mu. Escapar&atilde;o com rapidez porque suas mentes come&ccedil;ar&atilde;o a divagar. Ter&atilde;o de se concentrar ainda mais \u2014 somente &#8220;Mu! Mu! Mu!&#8221; Novamente evadir-se-&atilde;o. Mais uma vez tentar&atilde;o focalizar nele e ser&atilde;o ainda frustrados. &Eacute;<i> <\/i>este o padr&atilde;o comum nos primeiros est&aacute;gios da pr&aacute;tica. Mesmo quando o Mu n&atilde;o escapole, sua concentra&ccedil;&atilde;o se interrompe por causa das v&aacute;rias contamina&ccedil;&otilde;es da mente. Estas m&aacute;culas desaparecem com o tempo, mas enquanto n&atilde;o tiverem conquistado a unidade com o Mu, voc&ecirc;s est&atilde;o longe da maturidade. A absoluta unidade com o Mu, a absor&ccedil;&atilde;o impensada no Mu \u2014 isto &eacute; madureza.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Atingindo este est&aacute;gio de pureza, tanto o seu interior como o exterior naturalmente se fundem. &#8220;O interior e o exterior&#8221; t&ecirc;m diversos coloridos no seu sentido. Poder&atilde;o ser compreendidos como exprimindo a subjetividade e a objetividade, ou a mente e o corpo. Quando voc&ecirc;s absorvem plenamente a voc&ecirc;s mesmos no Mu, o interior e o exterior mergulham numa mesma unidade. Mas incapazes de falar sobre isto, ser&atilde;o como &#8220;um mudo que teve um sonho&#8221;. Um mudo n&atilde;o &eacute; capaz de falar sobre seu sonho da noite anterior. Da mesma forma voc&ecirc;s saborear&atilde;o o gosto do samadhi cada um consigo mesmo, mas ser&atilde;o incapazes de falar a outros sobre isto.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Neste est&aacute;gio a Autopercep&ccedil;&atilde;o vir&aacute; abruptamente. Instantaneamente! &#8220;Irromper a ilumina&ccedil;&atilde;o&#8221; &eacute; s&oacute; quest&atilde;o de um instante. &Eacute; como se ocorresse uma explos&atilde;o. Quando acontece isto, voc&ecirc;s experimentam muita coisa! &#8220;Surpreender&atilde;o os c&eacute;us e mover&atilde;o a terra&#8221;. Tudo parecer&aacute; t&atilde;o mudado que pensar&atilde;o que o c&eacute;u e a terra sofreram uma reviravolta. Naturalmente, nada desaba no sentido literal da palavra. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Com a ilumina&ccedil;&atilde;o ver&atilde;o o mundo como natureza-Buda, o que n&atilde;o significa que tudo se torna irradiante como uma aur&eacute;ola. Antes, cada coisa <i>exatamente como <\/i>&eacute; passa a ter um sentido e um valor completamente novos. Miraculosamente, tudo &eacute; radicalmente transformado, embora permanecendo como &eacute;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&Eacute; assim que Mumon o descreve:<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;&Eacute; como se voc&ecirc; tivesse capturado uma longa espada do General Kuan&#8221;. O General Kuan foi um corajoso militar, invenc&iacute;vel no combate com sua espada do &#8220;drag&atilde;o azul&#8221;. Portanto, Mumon diz que voc&ecirc;s se tomar&atilde;o t&atilde;o poderosos quanto aquele que conseguir apossar-se da espada do &#8220;drag&atilde;o azul&#8221; do General Kuan. O que significa que coisa alguma desfavor&aacute;vel poder&aacute; lhes acontecer. Pela Autopercep&ccedil;&atilde;o adquire-se uma confian&ccedil;a em si mesmo e uma paci&ecirc;ncia eminentes. Quando algu&eacute;m se coloca diante do roshi suas maneiras significam: &#8220;Prove-me como quiser&#8221;, e &eacute; tal sua seguran&ccedil;a que poderia sobrepujar o Mestre.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#9;&#8221;&#8230; seriam capazes de matar Buda se o encontrassem e de se desfazerem de todos os Patriarcas se com eles estivessem&#8221;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Os t&iacute;midos ficar&atilde;o espantados quando escutarem isto e denunciar&atilde;o o Zen como um instrumento do dem&ocirc;nio. Outros, menos exigentes, por&eacute;m, igualmente incapazes de compreender o esp&iacute;rito destas palavras sentir-se-&atilde;o pouco &agrave; vontade. Seguramente, o budismo nos inspira o maior respeito por todos os Budas. Mas, ao mesmo tempo, nos adverte de que eventualmente ser&aacute; preciso nos libertarmos do apego a eles. Quando experimentamos a mente de Buda Shakyamuni e cultivamos suas virtudes incompar&aacute;veis, realizamos os objetivos mais altos do budismo. Ent&atilde;o nos despedimos dele, assumindo a tarefa de propagar seus ensinamentos. Eu nunca ouvi falar de tal atitude na religi&atilde;o que ensina a crer em Deus. Embora o objetivo do budismo seja realizar Buda, mesmo assim, para diz&ecirc;-lo rudemente, voc&ecirc;s podem matar Buda e todos os Patriarcas. Voc&ecirc;s que realizam a ilumina&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o capazes de dizer: &#8220;Se aparecessem o glorioso Shakyamuni e o grande Bodhidharma, eu os mataria imediatamente, perguntando: &#8220;Por que voc&ecirc;s v&ecirc;m abalar-me? N&atilde;o preciso mais de voc&ecirc;s! &#8220;Tal ser&aacute; a sua coragem.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Livre dos grilh&otilde;es do nascimento e da morte, ser&atilde;o capazes de mover-se pelos Seis Dom&iacute;nios da Exist&ecirc;ncia e pelos Quatro Modos de Nascimento num samadhi de inconsciente deleite. &#8220;Voc&ecirc;s ser&atilde;o capazes de encarar a morte e o renascimento sem ansiedade. Os Seis Dom&iacute;nios s&atilde;o os reinos de maya, isto &eacute;, do inferno, do mundo dos pretas (dos fantasmas esfomeados), das feras, dos asuras (dem&ocirc;nios lutadores), dos seres humanos e dos devas (seres celestes). Os Quatro Modos de Nascimento s&atilde;o nascimento atrav&eacute;s do &uacute;tero, nascimento atrav&eacute;s do ovo chocado fora do corpo, nascimento atrav&eacute;s da humidade e nascimento atrav&eacute;s da metamorfose. Nascer no c&eacute;u ou no inferno, uma vez que n&atilde;o exige progenitores f&iacute;sicos, &eacute; nascimento por metamorfose. Quem j&aacute; ouviu falar de um ser celeste que tivesse de se submeter ao trauma do nascimento? N&atilde;o h&aacute; parteiros ou obstetras no c&eacute;u ou no inferno. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Onde quer que voc&ecirc;s possam nascer, e seja de que forma for, ser&atilde;o capazes de viver com a espontaneidade e a alegria de uma crian&ccedil;a brincando \u2014 &eacute; isto o que significa &#8220;samadhi de inocente deleite&#8221;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Samadhi &eacute; completa absor&ccedil;&atilde;o. Desde que estiverem iluminados, voc&ecirc;s poder&atilde;o descer ao mais fundo dos infernos ou subir ao mais a&Iacute;to dos c&eacute;us com liberdade e arrebatamento.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Como ent&atilde;o se concentrar no MU?&#8221; Atrav&eacute;s do zazen. &#8220;Devotem-se a isto energicamente e com toda a sinceridade&#8221;. Perseverem com toda a for&ccedil;a do seu corpo e esp&iacute;rito. &#8220;Se continuarem assim sem interrup&ccedil;&atilde;o&#8230; N&atilde;o se pode come&ccedil;ar e depois abandonar. Deve-se levar avante at&eacute; o extremo fim, como uma galinha chocando seus ovos at&eacute; que saiam da casca.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Devem-se concentrar no Mu resolutamente, com firme determina&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o o abandonar, at&eacute; obterem o kensho. [ilumina&ccedil;&atilde;o]<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;&#8230; sua mente, como uma l&acirc;mpada que se acende na escurid&atilde;o, de repente ficar&aacute; iluminada. Que coisa extraordin&aacute;ria!&#8221; repete-se, pois nada poderia ser mais extraordin&aacute;rio.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Na primeira linha do verso de Mumon l&ecirc;-se: &#8220;Um cachorro, natureza-Buda&#8221;. \u2014 N&atilde;o h&aacute; necessidade da &#8220;natureza&#8221;. &#8220;Um cachorro &eacute; Buda&#8221; \u2014 o &#8220;&eacute;&#8221; &eacute; sup&eacute;rfluo. &#8220;Um cachorro, Buda!&#8221; Voc&ecirc; fala demais quando diz &#8220;Um cachorro &eacute; Buda&#8221;. &#8220;Cachorro!&#8221; \u2014 basta isto. &Eacute; completamente Buda.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Isto &eacute; o&#8230; todo, o imperativo absoluto!&#8221; Isto significa que &eacute; o aut&ecirc;ntico decreto de Buda Shakyamuri \u2014 &eacute; o Dharma correto. Voc&ecirc;s s&atilde;o este Dharma para a perfei&ccedil;&atilde;o! N&atilde;o est&aacute; sendo concedido de m&aacute; vontade \u2014 est&aacute; sendo plenamente revelado!<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Uma vez que come&ccedil;am a pensar &#8220;tem&#8221; ou &#8220;n&atilde;o tem&#8221; suas vidas estar&atilde;o perdidas. O que &eacute; que &#8220;suas vidas estar&atilde;o perdidas&#8221; significa? Simplesmente que sua preciosa vida de Buda (de unidade) desaparecer&aacute;.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p><\/font><\/p>\n<hr \/>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><a HREF=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Yasutani HakunnTexto extra\u00eddo de &#8220;Os tr\u00eas pilares do Zen&#8220; de Philip Kapleau INTRODU&Ccedil;&Atilde;O DO ORGANIZADOR Desde que Joshu, um dos mais importantes mestres do Zen chin&ecirc;s da era T\u2019ang, retorquiu &#8220;MU&#8221; para um monge que lhe perguntara se os cachorros &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/comentarios-sobre-o-koan-mu\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1941,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,40],"tags":[62,64],"class_list":["post-6577","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-zen","tag-philip-kapleau","tag-yasutani-hakunn"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6577","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6577"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6577\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6578,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6577\/revisions\/6578"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1941"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6577"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6577"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6577"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}