{"id":6605,"date":"2020-07-02T17:14:17","date_gmt":"2020-07-02T19:14:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6605"},"modified":"2020-07-02T17:14:17","modified_gmt":"2020-07-02T19:14:17","slug":"shobogenzo-zuimonki-capitulo-1","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/shobogenzo-zuimonki-capitulo-1\/","title":{"rendered":"Shobogenzo Zuimonki-Cap\u00edtulo 1"},"content":{"rendered":"<p><font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:justify\">\n<a NAME=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki.jpg\" alt=\"\" width=\"314\" height=\"500\" class=\"alignleft size-full wp-image-6594\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki.jpg 314w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki-188x300.jpg 188w\" sizes=\"auto, (max-width: 314px) 100vw, 314px\" \/><\/a><br \/>\n<font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:justify\"> <a NAME=\"inicio\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:center\"><font SIZE=\"4\"><b>Shobogenzo Zuimonki<br \/><font SIZE=\"2\">Cap\u00edtulo 1<\/font><\/b><\/font><\/div>\n<p><\/a> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><font SIZE=\"1\"><i><b>de <a href=\"default.asp?menu=122\" class=\"broken_link\"><font SIZE=\"1\">Eihei Dogen Zenji <\/font><\/a><br \/>Adaptado da tradu\u00e7\u00e3o do monge Ryokyu Marcos Beltr\u00e3o<\/b><\/i><\/font><\/div>\n<p> <\/p>\n<p>[1] Um dia meu Mestre, Dogen Zenji, disse:<\/p>\n<p>&#8220;No livro de <i>Suh-Kao-San-Chuen<\/i><small><sup>1<\/sup><\/small> conta-se a seguinte hist\u00f3ria: &#8216;Dentre os disc\u00edpulos de um mestre Zen<small><sup>2<\/sup><\/small>, havia um monge que, em seu zelo extremo por uma imagem dourada e pelas cinzas sagradas do Buddha Shakyamuni<small><sup>3<\/sup><\/small>, venerava-as, e ante elas queimava incenso, mesmo entre seus amigos, no sal\u00e3o dos monges<small><sup>4<\/sup><\/small>. Um dia seu mestre lhe chamou a aten\u00e7\u00e3o: &#8216;Esta est\u00e1tua e rel\u00edquias do Buddha Shakyamuni ser\u00e3o daninhas para voc\u00ea, apesar de sua sinceridade not\u00e1vel.&#8217; Mas o monge n\u00e3o deu tento a este conselho bondoso. Vendo isto, seu mestre falou: &#8216;Isto \u00e9 uma coisa diab\u00f3lica<small><sup>5<\/sup><\/small>. Pare agora mesmo com isto.&#8217; Seu mestre, vendo-o partir num repente de \u00f3dio, chamou-o de volta: &#8216;Abra a caixa e verifique o que tem dentro.&#8217; Quando o monge, furioso, abriu a caixa, ali viu uma cobra venenosa enrodilhada.<\/p>\n<p>&#8220;Desta hist\u00f3ria deduzimos que, se bem que tenhamos que respeitar a est\u00e1tua e as rel\u00edquias do Buddha Shakyamuni, se o fizermos tentando obter a ilumina\u00e7\u00e3o, nada poderia estar mais equivocado. Assim age um dem\u00f4nio celeste e uma cobra venenosa. Contudo, est\u00e1 escrito nos sutras que a rever\u00eancia \u00e9 um ato merit\u00f3rio, que trar\u00e1 infalivelmente felicidade a quem o fizer sinceramente, assim como reverenciar o Buddha Shakyamuni em pessoa o faria. De qualquer maneira, o culto dos Tr\u00eas Tesouros<small><sup>6<\/sup><\/small> extingue as faltas cometidas e acumula m\u00e9rito, ou melhor, livra-nos da sina de tombarmos nos tr\u00eas mundos maus,<small><sup>7<\/sup><\/small> e de quebra nos garante o renascimento feliz nos mundos humano e celeste. Mas \u00e9 um grande erro acharmos que podemos ganhar a ilumina\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s deste tipo de coisa.<\/p>\n<p>&#8220;Somos chamados de disc\u00edpulos de Buddha porque tentamos alcan\u00e7ar imediatamente o estado de Buddha seguindo seus ensinamentos. Devemos pois praticar o Caminho seguindo apenas o ensinamento de Buddha. A verdadeira pr\u00e1tica buddhista \u00e9 a pr\u00e1tica incessante de zazen. Este \u00e9 o primeiro princ\u00edpio de um monast\u00e9rio Zen. Devemos pensar nisto.&#8221;<\/p>\n<p>[2] Novamente meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Devemos observar os preceitos de Buddha e manter nossa mente pura, mas estejamos de sobreaviso que isto seja fundamental e o \u00fanico Caminho para a ilumina\u00e7\u00e3o<small><sup>8<\/sup><\/small>. S\u00e3o seguidos apenas por serem costumeiros a monges Zen e disc\u00edpulos de Buddha. Mas n\u00e3o se deve acreditar que sejam fundamentais porque seja bom segui-los. Com isto n\u00e3o quero dizer que podemos ser auto-indulgentes e transgredir contra o Buddha Shakyamuni. Se estivermos achando isto, ser\u00e1 j\u00e1 um equ\u00edvoco. Observamos os preceitos e mantemos nossa mente pura por que isto \u00e9 costumeiro num monast\u00e9rio Zen, e \u00e9 o Caminho de monges. Enquanto eu vivia e praticava nos monast\u00e9rios Zen da China<small><sup>9<\/sup><\/small>, nunca vi monges que achassem que isto fosse muito importante.<\/p>\n<p>&#8220;O zazen com todas as nossas for\u00e7as \u00e9 o verdadeiro Caminho a ser seguido para ganharmos a ilumina\u00e7\u00e3o. Este zazen nada mais \u00e9 do que o Caminho transmitido de Buddha para Buddha<small><sup>10<\/sup><\/small>. Por isto meu amigo Gogenbo, disc\u00edpulo do falecido mestre Eisai<small><sup>11<\/sup><\/small>, foi dissuadido de ficar lendo o &#8216;Sutra dos Preceitos do Bodhisattva&#8217;<small><sup>12<\/sup><\/small> o dia inteiro, para tentar manter sua mente estritamente pura no monast\u00e9rio T&#8217;ang.&#8221;<\/p>\n<p>[3] Eu, Ejo<small><sup>13<\/sup><\/small>, perguntei:<\/p>\n<p>&#8220;No monast\u00e9rio Zen, a pr\u00e1tica deve ser regida pelos preceitos de Pai-Chang<small><sup>14<\/sup><\/small>. Ele nos aconselha a, em primeiro lugar, aceitar e guardar os preceitos de Buddha. E s\u00e3o estes preceitos fundamentais<small><sup>15<\/sup><\/small> que os monges novatos ordenados recebem. Mesmo na transmiss\u00e3o informal de mestre para disc\u00edpulo, os preceitos de Bodhidharma<small><sup>16<\/sup><\/small> s\u00e3o transmitidos aos monges. S\u00e3o estes os preceitos do bodhisattva, com os quais estamos bem familiarizados. E o &#8216;Sutra dos Preceitos do Bodhisattva&#8217; diz literalmente: &#8216;Cantemos este Sutra dia e noite sem parar.&#8217; Porque dissuadiram Gogenbo, disc\u00edpulo de Mestre Eisai, de faz\u00ea-lo?&#8221;<\/p>\n<p>Meu mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Est\u00e1s coberto de raz\u00e3o. Os praticantes Zen devem observar estritamente os preceitos de Pai-chang. Mas estes mandamentos nos instam, resumindo-os em ess\u00eancia, a somente praticarmos zazen. Cantar o &#8216;Sutra dos Preceitos do Bodhisattva&#8217; o dia todo, e manter os preceitos \u00e9, em outras palavras, fazer o zazen com todas as tuas energias, como faziam os velhos mestres. A pr\u00e1tica de zazen inclui toda a sorte de preceitos e m\u00e9ritos<small><sup>17<\/sup><\/small>. Todas as pr\u00e1ticas dos velhos mestres Zen tinham um significado profundo. Portanto, devemos praticar o Caminho seguindo seus exemplos excelentes, n\u00e3o com nossas opini\u00f5es particulares ou desejos, mas junto com outros monges.&#8221;<\/p>\n<p>[4] Um dia meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Dentre os disc\u00edpulos do mestre Zen Fu-chao<small><sup>18<\/sup><\/small>, um deles caiu de certa feita doente, e teve ent\u00e3o o desejo de comer carne. Seu mestre permitiu que o fizesse. Uma noite, quando seu mestre foi lhe visitar no ambulat\u00f3rio, vislumbrou seu disc\u00edpulo comendo carne debaixo de uma lamparina, mas quem comia a carne era um dem\u00f4nio sentado em sua cabe\u00e7a. A carne era comida pelo dem\u00f4nio, mas o monge achava que era ele quem a comia! Da\u00ed em diante o mestre passou a permitir a monges doentes comerem carne, achando que a raz\u00e3o por que tinham necessidade disto, era que estavam possu\u00eddos por um dem\u00f4nio.<\/p>\n<p>&#8220;Portanto deve haver a necess\u00e1ria flexibilidade, ao permitimos ou n\u00e3o a monges doentes comerem carne. Dizem que um disc\u00edpulo do Mestre Zen Fa-yen<small><sup>19<\/sup><\/small> tamb\u00e9m consumia carne. Todos os velhos mestres Zen eram profundamente discretos a este respeito.&#8221;<\/p>\n<p>[5] Um dia meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Quando nascemos em uma fam\u00edlia de determinada classe social e seguimos a profiss\u00e3o praticada naquela fam\u00edlia, crucial \u00e9 que o fa\u00e7amos bem diante de todos. Contudo, devemos evitar fazer coisas indignas de n\u00f3s. Agora que nos tornamos monges e nos juntamos \u00e0 Sangha como monges de Buddha, devemos nos comportar como tal. Observar os preceitos de monges \u00e9 abandonar o apego a n\u00f3s mesmos, e seguir os ensinamentos dos mestres Zen. Fundamental \u00e9 nos livrarmos de ambicionar coisas. Desapegarmo-nos de n\u00f3s mesmos \u00e9 um ponto chave para perceber que tudo \u00e9 impermanente.<\/p>\n<p>&#8220;Todos querem que outros falem bem de n\u00f3s. Mas tais esperan\u00e7as no mais das vezes v\u00e3o por \u00e1gua abaixo. Logo, devemos abandonar o quanto antes este apego a n\u00f3s mesmos e seguir com todas as for\u00e7as as diretivas de nosso mestre, e praticaremos o Caminho como ele deve ser praticado. Mas diremos: &#8216;O que este mestre diz tem um fundo de verdade, mas de tal e tal eu n\u00e3o desisto de forma nenhuma!&#8217; E se estivermos apegados a nossa forma de fazer as coisas, tanto mais nos veremos atolados no oceano da ilus\u00e3o. A melhor maneira de melhorar monges Zen \u00e9 faz\u00ea-los praticar zazen de todo o cora\u00e7\u00e3o. A pr\u00e1tica incessante de zazen os melhorar\u00e1 a todos, n\u00e3o importa qual seja sua habilidade.&#8221;<\/p>\n<p>[6] Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o devemos ler variedades para de tudo estarmos informados. Desistamos de tal expeditamente. Devemos nos concentrar em uma s\u00f3 pr\u00e1tica e analisar as a\u00e7\u00f5es excelentes dos velhos mestres Zen. Devemos evitar nos comportar como l\u00edderes ou mestres iluminados.&#8221;<\/p>\n<p>[7] Uma vez eu perguntei: &#8220;O que vem a ser a causalidade buddhista?&#8221; Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Ela \u00e9 inflex\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Como podemos atenuar os seus efeitos?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A causalidade \u00e9 transparente. N\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre causa e efeito.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Neste caso, o que vem primeiro, a causa ou o efeito?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Para responder a isto, lembra-te do k\u00f4an de Nan-Ch&#8217;uan<small><sup>20<\/sup><\/small>, quando ele cortou o gato ao meio. Nan Ch&#8217;uan, vendo seus monges incapazes de responder \u00e0 pergunta sobre a natureza de Buddha do gato, finalmente cortou o gato ao meio com uma faca. Mais tarde Chao-Chou<small><sup>21<\/sup><\/small> chegou e, inteirando-se do ocorrido, n\u00e3o consolou seu mestre, mas, colocando suas sand\u00e1lias na cabe\u00e7a, retirou-se do quarto. Chao-chou expressou sua compreens\u00e3o do buddhismo atrav\u00e9s desta a\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Meu Mestre prosseguiu:<\/p>\n<p>&#8220;Tivera eu sido Nan Ch&#8217;uan, teria dito: &#8216;Matarei o gato, quer voc\u00eas me respondam ou n\u00e3o. Quem \u00e9 aquele que briga pela posse do gato? Quem \u00e9 aquele que deseja salv\u00e1-lo?&#8217; Se eu estivesse no lugar dos monges, teria replicado: &#8216;Todos n\u00f3s aqui presentes estamos iluminados<small><sup>22<\/sup><\/small>, logo n\u00e3o podemos te responder. Por favor, Mestre, mate o gato.&#8217; Ou: &#8216;Qui\u00e7\u00e1 saibas cortar o gato ao meio com um golpe de tua faca, mas sabe-lo-\u00e1s cortar em um?'&#8221;<\/p>\n<p>Eu perguntei: &#8220;Que significa tudo isto?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Quer dizer que deixamos o gato ir embora. Tivera eu sido Nan Ch&#8217;uan, e visto os monges embasbacados e estupefatos, teria largado o gato de pronto, e dito: &#8216;Monges, voc\u00eas n\u00e3o me podem responder, eu sei, porque todos voc\u00eas trilham o Caminho inef\u00e1vel.&#8217; Um velho mestre Zen disse: &#8216;Quando aparece a fun\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do Caminho, estamos livres de todas as regras e mandamentos.'&#8221;&nbsp;<\/p>\n<p>Meu Mestre prosseguiu:<\/p>\n<p>&#8220;Matando o gato com a faca, Nan-Ch&#8217;uan mostrou a grande fun\u00e7\u00e3o do Caminho, e as palavras &#8216;matar o gato&#8217; nos mostram a ilumina\u00e7\u00e3o, como se fossem uma virada<small><sup>23<\/sup><\/small>. De outra forma n\u00e3o poder\u00edamos dizer que as montanhas, os rios e a grande terra fossem a manifesta\u00e7\u00e3o da Mente Suprema e Pura de Buddha, nem que nossa mente seja, tal qual est\u00e1, o Buddha. Ouvindo esta frase de virada, devemos perceber que o gato \u00e9, como ele \u00e9, o Buddha mesmo. E os praticantes Zen devem procurar compreender o significado profundo desta palavra.&#8221;<\/p>\n<p>Concluindo, meu Mestre afirmou:<\/p>\n<p>&#8220;Esta a\u00e7\u00e3o de matar o gato \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o de Buddha<small><sup>24<\/sup><\/small>.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Qual o peso de uma tal a\u00e7\u00e3o?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Digamos que seja o assassinato de um gato.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Isto \u00e9, ou n\u00e3o \u00e9, um pecado?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0s vezes a a\u00e7\u00e3o de Buddha \u00e9 uma coisa, e um pecado outra diferente. E \u00e0s vezes s\u00e3o id\u00eanticas.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Foi isto que ocorreu com Pratimokhsa?<sup><small>25<\/small><\/sup>&#8220;<\/p>\n<p>&#8220;Exatamente.&#8221;<\/p>\n<p>Meu Mestre acrescentou:<\/p>\n<p>&#8220;Embora esteja correta esta id\u00e9ia de mostrar o cerne do Caminho aos praticantes matando um gato, \u00e9 melhor desistirmos disto, porque logo surgir\u00e3o abusos.&#8221;<\/p>\n<p>[8] Eu perguntei: &#8220;As palavras quebra dos preceitos de Buddha se aplicam aos monges antes de sua ordena\u00e7\u00e3o buddhista, ou depois desta?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Depois da ordena\u00e7\u00e3o buddhista.&#8221;<\/p>\n<p>Meu Mestre prosseguiu:<\/p>\n<p>&#8220;Nenhuma viola\u00e7\u00e3o antes da ordena\u00e7\u00e3o buddhista infringe os preceitos buddhistas. \u00c9 somente um aspecto e um ato pecaminoso.&#8221;<\/p>\n<p>Eu indaguei: &#8220;O Sutra dos quarenta e oito preceitos menores diz: &#8216;Se a pessoa quebra os preceitos antes da ordena\u00e7\u00e3o buddhista, est\u00e1 violando os preceitos de Buddha.&#8217; Isto n\u00e3o est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com o que acabas de dizer?&#8221;<\/p>\n<p>Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 assim que isso deve ser interpretado. Isto significa que na ordena\u00e7\u00e3o buddhista o iniciado se arrepende de viola\u00e7\u00f5es passadas, tais como viola\u00e7\u00f5es dos Dez Preceitos Proibidos<small><sup>26<\/sup><\/small> ou dos Quarenta e Oito Preceitos Menores. Nenhuma viola\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o buddhista \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o dos preceitos.&#8221;<\/p>\n<p>Eu perguntei: &#8220;Na ordena\u00e7\u00e3o buddhista a pessoa \u00e9 solicitada a recitar os Dez Preceitos Proibidos ou os Quarenta e Oito Preceitos Menores, para que possa se arrepender de ignor\u00e2ncias e transgress\u00f5es passadas, como est\u00e1 escrito no Sutra dos Preceitos do Bodhisattva. Mas na passagem seguinte nos deparamos com a seguinte afirma\u00e7\u00e3o: &#8216;N\u00e3o mostrem o Sutra dos Preceitos do Bodhisattva para qualquer desconhecido.&#8217; Como voc\u00ea explica a diferen\u00e7a entre estas duas passagens?&#8221;<\/p>\n<p>Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Receber os preceitos \u00e9 uma coisa. Recit\u00e1-los \u00e9 outra. Ler o Sutra dos Preceitos do Bodhisattva como arrependimento de transgress\u00f5es passadas nada mais \u00e9 do que recordarmos o Sutra. Qualquer um pode recit\u00e1-lo. Neste caso n\u00e3o h\u00e1 nada de mal ensinar-lhe o Sutra. Esta outra passagem \u2014 &#8216;N\u00e3o mostrem o Sutra dos Preceitos do Bodhisattva para qualquer desconhecido&#8217; \u00e9 uma tentativa de preservar os ensinamentos da mente cobi\u00e7osa, t\u00e3o caracter\u00edstica do comum da humanidade. \u00c9 muito importante expor os preceitos para que todos os que quiserem possam se arrepender de transgress\u00f5es que tenham cometido.&#8221;<\/p>\n<p>Eu perguntei: &#8220;Um monge que tenha cometido nem que seja uma s\u00f3 das Sete Transgress\u00f5es Trai\u00e7oeiras n\u00e3o est\u00e1 mais qualificado a receber os preceitos. Mas o Sutra dos Preceitos do Bodhisattva diz que os que quebraram quaisquer das Sete Transgress\u00f5es Trai\u00e7oeiras devem se arrepender delas. Qual curso de a\u00e7\u00e3o achas mais apropriado?&#8221;<\/p>\n<p>Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;O arrependimento da ignor\u00e2ncia \u00e9 tudo que \u00e9 necess\u00e1rio. A primeira cita\u00e7\u00e3o nada mais \u00e9 do que um aviso contra estas transgress\u00f5es. Quer dizer que quem violar algum dos preceitos poder\u00e1 se recuperar ou os receber de novo. Este arrependimento os absolver\u00e1 de poss\u00edveis transgress\u00f5es. O que n\u00e3o se passa com pessoas de fora.&#8221;<\/p>\n<p>Eu perguntei: &#8220;Quando se permite a monges se arrependerem das Sete Transgress\u00f5es Trai\u00e7oeiras<small><sup>27<\/sup><\/small> que acaso tenham cometido, podem esses receber os preceitos novamente?&#8221;<\/p>\n<p>Meu Mestre respondeu:<\/p>\n<p>&#8220;Naturalmente que sim. Sobre este assunto, meu falecido mestre Eisai mesmo falou. Uma vez que a pessoa esteja arrependida, deve receber novamente os preceitos de Buddha. O mestre deve ent\u00e3o conferi-los a ele novamente, mesmo que ele tenha cometido as poss\u00edveis transgress\u00f5es trai\u00e7oeiras. Mais ainda, devem bodhisattvas permitirem a outros que de novo tomem os preceitos se os tiverem infringido.&#8221;<\/p>\n<p>[9] Numa palestra \u00e0 noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Nunca ralhe ou rispidamente repreenda outros monges. Nenhum monge confuso deve ser repreendido ou mal falado, sem uma base s\u00f3lida de motivos justos. Quando mais de quatro monges se juntam, formam j\u00e1 a Sangha<small><sup>28<\/sup><\/small> \u2014 o tesouro mais valioso de um pa\u00eds, e objeto de respeito e venera\u00e7\u00e3o. Quer seja um mestre ou um veterano encarregado, deve conduzir seus praticantes, se por acaso cometerem erros, com compaix\u00e3o e bondade. Neste caso \u00e9 poss\u00edvel repreender e chamar aten\u00e7\u00e3o, se indispens\u00e1vel, mas a cr\u00edtica voluntariosa \u00e9 imperdo\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8220;Quando meu falecido mestre J\u00fc-tsung<small><sup>29<\/sup><\/small> era superior do monast\u00e9rio de T&#8217;ien-T&#8217;ung, ele costumava sacudir e bater nos monges dorminhocos durante a medita\u00e7\u00e3o<small><sup>30<\/sup><\/small>. Mas todos apreciavam e admiravam este tratamento que n\u00e3o os poupava. De certa feita ele deu uma palestra de improviso: &#8216;Eu agora j\u00e1 estou ficando velho, e j\u00e1 tenho bastante idade para me aposentar e me retirar daqui. Mas para ajudar monges iludidos e incutir-lhes o Caminho, permane\u00e7o ainda neste monast\u00e9rio, como mestre daqui. Para conseguir este objetivo tenho repreendido e batido em voc\u00eas<small><sup>31<\/sup><\/small>, mas isto me tem me do\u00eddo muito. Mas o fa\u00e7o para que voc\u00eas alcancem o estado de Buddha. Amigos! Tenham d\u00f3 de mim!&#8217; Ouvindo suas palavras, todos os presentes choraram.<\/p>\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m, exceto um tal mestre, pode ter a responsabilidade de conduzir monges iludidos. \u00c9 um crasso erro, meramente por que a pessoa est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o de autoridade, ficar mandando em monges que lhe s\u00e3o inferiores hier\u00e1rquicos, e os repreendendo voluntariosamente como se fossem seus disc\u00edpulos \u2014 e o pior de tudo \u00e9 falar mal e criticar outros quando n\u00e3o se est\u00e1 em posi\u00e7\u00e3o para tal. Tenhamos bastante cautela com isto.<\/p>\n<p>&#8220;Se formos compassivos com os outros em grau suficiente, devemos lhes dar sugest\u00f5es veladas sobre seus poss\u00edveis deslizes, a menos que se irritem.&#8221;<\/p>\n<p>[10] Uma vez meu Mestre me contou a seguinte hist\u00f3ria:<\/p>\n<p>&#8220;Minamoto Yoritomo<small><sup>32<\/sup><\/small>, o falecido General em Chefe, era um mero funcion\u00e1rio p\u00fablico que atendia pelo nome de Hyoenosake<small><sup>33<\/sup><\/small>. Um dia, estando ele presente numa reuni\u00e3o formal da corte, uma certa pessoa come\u00e7ou um bate-boca.<\/p>\n<p>&#8220;O ent\u00e3o Conselheiro Chefe do Estado ordenou que Yoritomo dominasse e prendesse o causador do tumulto.<\/p>\n<p>&#8220;Yoritomo disse: &#8216;Gostaria, por favor, que tal incumb\u00eancia reca\u00edsse sobre Taira-no-Kiyomori o Comandante Supremo do cl\u00e3 Keike.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;O Conselheiro insistiu: &#8216;Mas voc\u00ea \u00e9 meu segundo em comando.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;&#8216;N\u00e3o estou qualificado para este tipo de coisa&#8217;, encerrou Yoritomo.<\/p>\n<p>&#8220;Esta resposta \u00e9 perfeitamente equ\u00e2nime.<\/p>\n<p>&#8220;Mais tarde, com este senso de Justi\u00e7a, Yoritomo reinou sobre todo o pa\u00eds. O mesmo deve se passar com os praticantes de hoje em dia. N\u00e3o devemos condenar outros por seus deslizes quando n\u00e3o estamos em posi\u00e7\u00e3o para tal.&#8221;<\/p>\n<p>[11] Numa conversa \u00e0 noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;O General Lu-chung-lien<small><sup>34<\/sup><\/small> vivia no pa\u00eds de Chai. Era conhecido por seus feitos militares, a servi\u00e7o do ent\u00e3o Imperador Ping-yuan-chun<small><sup>35<\/sup><\/small>. Ping-yuan-chun ia lhe cobrir de ricas recompensas por seus her\u00f3icos atos de bravura, mas dizem que ele declinou recompensas, dizendo: &#8216;Derrotei o inimigo porque sou um general, n\u00e3o porque quisesse ganhar bens ou vantagens com isto.&#8217; Esta not\u00e1vel hist\u00f3ria \u00e9 bem conhecida como exemplo da integridade de Lu-chung-lien.<\/p>\n<p>&#8220;Os s\u00e1bios, mesmo no caso de leigos, far\u00e3o seu dever sem cobi\u00e7ar lucros. Tal deve ser o caso com os praticantes Zen. Ao nos tornarmos monges, n\u00e3o devemos procurar recompensas por nossa pr\u00e1tica e austeridade. Liberdade de ganho \u00e9 o ensinamento universal que achamos no buddhismo e fora dele.<\/p>\n<p>[12] Numa palestra que versava sobre o buddhismo, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um equ\u00edvoco travarmos batalhas de l\u00f3gica para refutarmos e derrotarmos outros, mesmo que estejamos certos e os outros n\u00e3o. Ao mesmo tempo, n\u00e3o devemos ser precipitados, batendo em retirada no caso de estarmos com a raz\u00e3o, dizendo, &#8216;Estamos errados&#8217;. O melhor \u00e9 deixar a quest\u00e3o como est\u00e1, nem refutando os outros, nem admitindo nossos erros. Fa\u00e7amos ouvidos moucos aos argumentos dos outros e esque\u00e7amo-los, e os outros esquecer\u00e3o os nossos, e n\u00e3o ficar\u00e3o zangado. Tudo isto \u00e9 um pr\u00e9-requisito ao debate de id\u00e9ias.&#8221;<\/p>\n<p>[13] Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Hoje aqui, amanh\u00e3 desaparecidos! A quest\u00e3o da vida e da morte \u00e9 o mais importante para n\u00f3s! Se quisermos aprender ou praticar o que seja nesta vida que se esvai a cada momento, devemos praticar o Caminho. A prosa e a poesia s\u00e3o de uma inutilidade absoluta, para n\u00f3s praticantes Zen. \u00c9 melhor desistirmos dessas coisas o quanto antes! Estudando o buddhismo, n\u00e3o devemos nos enfronhar em muitos assuntos, menos ainda em quaisquer ensinamentos, esot\u00e9ricos ou exot\u00e9ricos<small><sup>36<\/sup><\/small>. Isto tamb\u00e9m vale para as palavras dos buddhas e ancestrais<small><sup>37<\/sup><\/small>.<\/p>\n<p>&#8220;Um camarada inatamente incapaz n\u00e3o consegue nem ao menos se dedicar a uma s\u00f3 coisa, que dir\u00e1 a muitas, para tentar controlar uma mente perdida e confusa.&#8221;<\/p>\n<p>[14] &#8220;\u00c9 universalmente admirada a hist\u00f3ria do mestre Zen Chieh-chueh<small><sup>38<\/sup><\/small>, que se iluminou e se tornou monge. Era a princ\u00edpio um funcion\u00e1rio do governo, honesto e s\u00e1bio. Quando ocupou o cargo de governador da prov\u00edncia, roubava dinheiro do governo e dava aos pobres. Um de seus colegas delatou isto ao imperador. Qual n\u00e3o foi o espanto do imperador e sua corte ao se inteirarem deste fato. Finalmente ficou decidido que Chieh-Chueh seria condenado \u00e0 pena capital por seus desvios de verbas.<\/p>\n<p>&#8220;Neste momento, ap\u00f3s prudente consulta com seus conselheiros, o imperador decretou: &#8216;Este funcion\u00e1rio cometeu este crime a despeito de sua intelig\u00eancia e sabedoria. Desconfio que tenha perpetrado tal ato com alguma inten\u00e7\u00e3o boa. Que seja decapitado somente se parecer triste quando prestes \u00e0 execu\u00e7\u00e3o. Do contr\u00e1rio, talvez tenha cometido esta falta por alguma boa raz\u00e3o. Neste caso n\u00e3o deve ser executado.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;O enviado imperial prendeu o funcion\u00e1rio e preparou-se para a execu\u00e7\u00e3o. Nada havia de pesaroso no r\u00e9u, contudo, apenas algo de jubiloso. O funcion\u00e1rio pensava: &#8216;Darei esta minha vida para todos os seres.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Muito surpreso, o carrasco regressou ao imperador e relatou os fatos. &#8216;Bem,&#8217; disse o imperador, &#8216;ele deve ter cometido tal a\u00e7\u00e3o por seu senso de justi\u00e7a, como eu j\u00e1 suspeitava.&#8217; Ent\u00e3o o imperador perguntou ao funcion\u00e1rio porque havia cometido uma a\u00e7\u00e3o t\u00e3o conden\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8220;O funcion\u00e1rio replicou: &#8216;Gostaria de deixar o servi\u00e7o governamental e ajudar a todas as criaturas, para assim ficar estreitamente unido a elas. Na minha pr\u00f3xima exist\u00eancia pretendo estudar o Caminho extremamente, como monge buddhista.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Profundamente tocado com este hero\u00edsmo, o imperador comutou a pena do funcion\u00e1rio e lhe permitiu que ingressasse num monast\u00e9rio. Ele o fez, e foi-lhe dado o nome &#8216;Yen-Shou&#8217;, que significa &#8216;aquele que foi absolvido da pena capital&#8217;.<\/p>\n<p>&#8220;Esta nobreza de atitude n\u00f3s monges devemos ter ao menos uma vez em nossas vidas. Indo al\u00e9m de n\u00f3s mesmos e com grande compaix\u00e3o para com todos os seres, devemos nos dedicar ao buddhismo. Se j\u00e1 experimentamos isto alguma vez, devemos procurar mant\u00ea-lo. A menos que sejamos assim ao menos uma vez em nossas vidas, n\u00e3o seremos capazes de nos iluminar.&#8221;<\/p>\n<p>[15] Numa palestra durante a noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;No buddhismo, o m\u00e9todo de compreender o ensinamento do mestre \u00e9 ir mudando nosso primeiro conhecimento aos poucos, sob a tutela do mestre Zen. De fato, os conceitos de Buddha que acalentamos at\u00e9 o momento podem ser:<\/p>\n<p>&#8220;O Buddha quer dizer Shakyamuni Buddha, ou o Buddha Amitabha<small><sup>39<\/sup><\/small>, que s\u00e3o dotados de variados poderes e brilhos, ou que fazem serm\u00f5es caridosos para todos os seres. Mas se nossos mestres nos disserem: &#8216;Buddha \u00e9 um sapo, ou uma minhoca&#8217;, devemos trocar nossa consci\u00eancia, que proveio de nosso primeiro conhecimento, e piamente crer nisto. Se, por outro lado, come\u00e7armos a crer que a minhoca ou o sapo estejam dotados de v\u00e1rios brilhos, m\u00e9ritos ou for\u00e7as de Buddha, isto significa que nossa apreens\u00e3o da verdade ainda n\u00e3o foi completa. O que vemos agora diante de n\u00f3s \u00e9 o Buddha. Se procurarmos abandonar nossa maneira preconceituosa de discrimina\u00e7\u00e3o, e nossos habituais apegos, como nossos mestres bondosamente nos aconselham, nos identificaremos aos poucos com o Caminho.<\/p>\n<p>&#8220;Contudo, o que constatamos hoje em dia \u00e9 que praticantes Zen se apegam \u00e0s suas opini\u00f5es ego\u00edstas e auto centradas, oriundas apenas de id\u00e9ias das quais eles nem conhecem a origem, e voluntariosamente ficam imaginando o Buddha de uma maneira literal; e quando se deparam com conceitos diferentes dos seus, acham que estes \u00faltimos s\u00e3o ilus\u00f5es, mas que eles pr\u00f3prios s\u00e3o os donos da verdade. Procurando em seguida companheiros com as mesmas opini\u00f5es suas, negligenciam a parte mais importante e vital da pr\u00e1tica e disciplina do Caminho.<\/p>\n<p>&#8220;Se seus mestres lhes dizem, &#8216;D\u00eaem um passo al\u00e9m de um mastro de 100 metros&#8217;, nunca seguir\u00e3o este conselho excelente, dizendo: &#8216;Se morrermos dando este passo al\u00e9m do mastro de 100 metros, n\u00e3o haver\u00e1 mais pr\u00e1tica do Caminho para n\u00f3s.&#8217; Devemos estudar este ponto.&#8221;<\/p>\n<p>[16] Numa palestra \u00e0 noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Em vez de estudarmos em v\u00e3o muitas coisas, devemos, mesmo que sejamos leigos, dedicar-nos a uma s\u00f3 coisa, e faz\u00ea-la bem diante dos demais. O buddhismo, ent\u00e3o, que vai al\u00e9m do mundo, \u00e9 muito mais dif\u00edcil ainda de praticar, e sempre foi, e mesmo agora est\u00e1 consideravelmente longe de n\u00f3s. Al\u00e9m disto, somos por natureza limitados na pr\u00e1tica buddhista. O buddhismo \u00e9 t\u00e3o elevado e insond\u00e1vel que, mesmo que quis\u00e9ssemos, n\u00e3o poder\u00edamos dominar uma s\u00f3 de suas doutrinas, que dir\u00e1 muitas. Para uma pessoa de pouca capacidade \u00e9 muito dif\u00edcil se dedicar a um s\u00f3 assunto em sua vida, mais dif\u00edcil ainda dominar este assunto. Praticantes Zen devem se dedicar a uma s\u00f3 coisa.&#8221;<\/p>\n<p>Eu disse: &#8220;O que \u00e9 isto a que dever\u00edamos nos dedicar no buddhismo?&#8221;<\/p>\n<p>Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Ao que dever\u00edamos nos dedicar depende de nossa habilidade e capacidade. \u00c9 ao zazen que os seguidores de Bodhidharma t\u00eam se dedicado intensamente como o Caminho \u00fanico transmitido de Buddha para Buddha. A pr\u00e1tica de zazen est\u00e1 aberta para todos n\u00f3s, sejamos de capacidade alta, m\u00e9dia ou pouca.<\/p>\n<p>&#8220;Quando praticava com meu falecido mestre J\u00fc-tsung na China, interei-me desta pr\u00e1tica, e da\u00ed em diante era tudo o que eu fazia, zazen dia e noite, sem parar. Durante a \u00e9poca de calor ou frio extremos, muitos monges detinham suas pr\u00e1ticas por certo tempo, para n\u00e3o ficarem doentes. A\u00ed eu pensava: &#8216;Mesmo que eu venha a falecer, praticarei o zazen com todas as minhas for\u00e7as. Que adianta negligenciar o zazen e cuidar do corpo, quando n\u00e3o estamos sequer doentes.&#8217; Era meu prop\u00f3sito ficar doente e morrer depois de praticar o zazen. &#8216;Caso eu morra buscando o zazen, este meu excelente mestre Zen aqui na China,<small><sup>40<\/sup><\/small> me far\u00e1 uma cerim\u00f4nia f\u00fanebre, e com isto eu estarei intimamente conectado com o buddhismo. Se eu morresse no Jap\u00e3o, onde encontraria l\u00e1 um tal mestre Zen, que soubesse fazer esta cerim\u00f4nia? Se eu mantiver minha pr\u00e1tica de zazen e vier a morrer antes de me iluminar, eu renascerei como monge gra\u00e7as a isto. Que adianta viver muito, sem o zazen? Mais ainda, seria um desperd\u00edcio morrer de repente ou naufragar no oceano tentando preservar inutilmente nossa sa\u00fade.&#8217; Depois destas considera\u00e7\u00f5es eu fiz zazen com todas as for\u00e7as, dia e noite, mas me vi completamente saud\u00e1vel e livre de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8220;&#8216;Agora voc\u00eas se animem para praticar zazen com toda a determina\u00e7\u00e3o, e todos se iluminar\u00e3o.&#8217; Assim falava meu falecido mestre J\u00fc-tsung.&#8221;<\/p>\n<p>[17] Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Sacrificar sua vida por algo \u00e9 tanto mais f\u00e1cil porque requer grande ostenta\u00e7\u00e3o. Com freq\u00fc\u00eancia encontro pessoas que assim fazem por causa de seu desejo de enriquecer ou obter reputa\u00e7\u00e3o, ou porque estejam profundamente apegadas a algo. Mas o dif\u00edcil na realidade \u00e9 controlar nossa mente de acordo com as circunst\u00e2ncias, quando algo de inesperado ocorre. Praticantes buddhistas devem em primeiro lugar ter a firme inten\u00e7\u00e3o de dar suas vidas pelo Caminho; em seguido pesar se suas palavras e a\u00e7\u00f5es s\u00e3o razo\u00e1veis. Se s\u00e3o razo\u00e1veis, praticantes devem dizer e praticar isto.&#8221;<\/p>\n<p>[18] Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Praticantes Zen n\u00e3o devem se inquietar numa busca incessante de comida e roupa, mas apenas se dedicar ao treinamento buddhista. O Buddha disse: &#8216;A roupa de um monge \u00e9 um <i>funzoe<\/i><small><sup>41<\/sup><\/small> e sua comida \u00e9 obtida atrav\u00e9s da mendiga\u00e7\u00e3o di\u00e1ria.&#8217; Estas duas pr\u00e1ticas estar\u00e3o conosco sempre, em quaisquer mundos que estejamos. N\u00e3o devemos buscar em v\u00e3o coisas externas, nem assuntos mundanos, lembrando-nos do dito: &#8216;Hoje estamos aqui, amanh\u00e3 desaparecidos.&#8217; Enquanto estivermos vivos, n\u00e3o importa qu\u00e3o impermanentemente, devemos nos aplicar ao Caminho.&#8221;<\/p>\n<p>[19] &#8220;Um certo monge disse: &#8216;Tanto a reputa\u00e7\u00e3o p\u00fablica quanto a influ\u00eancia do dinheiro t\u00eam o seu atrativo, mas se constituem em obst\u00e1culos \u00e0 pr\u00e1tica do caminho. Ent\u00e3o n\u00e3o posso me desligar disto. Mas a comida e a roupa ao menos s\u00e3o absolutamente vitais aos monges Zen, apesar de menores em valor do que a reputa\u00e7\u00e3o e a influ\u00eancia. Um <i>funzoe<\/i> e a mendiga\u00e7\u00e3o s\u00e3o ambas pr\u00e1ticas de todos os mestres, e s\u00e3o tamb\u00e9m caracter\u00edsticas da pr\u00e1tica do buddhismo primitivo na \u00cdndia. Os monast\u00e9rios Zen na China possuem uma infra-estrutura, o que livra praticantes e monges de terem que se preocupar para comer e vestir. Nossos monast\u00e9rios Zen, contudo, n\u00e3o possuem tais recursos, e ningu\u00e9m mais quer fazer mendiga\u00e7\u00e3o. Minha capacidade \u00e9, reconhe\u00e7o, bastante limitada. Que hei de fazer? Se me derem doa\u00e7\u00f5es, ficarei aflito de ter me julgado digno de receber. Mas trabalhar, como as pessoas das diversas classes sociais, n\u00e3o \u00e9 o meio ideal de vida para monges Zen. Se deixarmos nossa sorte ao l\u00e9u, seremos miser\u00e1veis no final das contas. Quando a fome e o frio apertarem, ficaremos t\u00e3o aflitos que at\u00e9 esqueceremos de praticar o Caminho. Algu\u00e9m me aconselhou: &#8216;N\u00e3o sejas t\u00e3o duro contigo mesmo. Pareces estar em desarmonia contigo mesmo, e hoje em dia ningu\u00e9m mais faz estas coisas. Somos s\u00f3 gente comum. Estamos na \u00e9poca do buddhismo decadente<small><sup>42<\/sup><\/small>. Do jeito que est\u00e1s indo, nunca chegar\u00e1s a parte alguma. Deves te cuidar e achar um doador piedoso que te sustente, para poderes praticar o Caminho, livre de preocupa\u00e7\u00f5es com a sobreviv\u00eancia. Isto n\u00e3o significa necessariamente que procures reputa\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia, mas que podes te dedicar mais ao Caminho, depois de solucionares tua base de sustenta\u00e7\u00e3o.&#8217; Ainda estou em d\u00favida sobre este seu conselho. Qual a melhor forma de resolver este enigma?&#8221;<\/p>\n<p>Em resposta a tal, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Monges Zen devem trilhar o Caminho dos buddhas e ancestrais. Seus caminhos variam, da \u00cdndia para a China e para o Jap\u00e3o, mas onde quer que seja, os verdadeiros praticantes nunca planejam obter quaisquer bases de sustenta\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia. Apenas estejamos livres de assuntos mundanos e estudemos o Caminho com muita aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O Buddha disse: &#8216;Nada devemos possuir exceto tr\u00eas mantos quadrados e uma tigela de mendiga\u00e7\u00e3o, mas entregar \u00e0queles que est\u00e3o com fome o resto dos nossos donativos.&#8217; Mesmo que ganhemos muitos donativos, nada devemos guardar do que sobrar, e muito menos devemos procurar o que comer.<\/p>\n<p>&#8220;Um livro n\u00e3o-buddhista \u2014 os Comp\u00eandios de Conf\u00facio\u2014 nos diz que, se ouvirmos a verdade de manh\u00e3, podemos morrer tranq\u00fcilamente \u00e0 tarde. Mesmo que tombemos na pr\u00f3xima esquina de frio e fome, devemos praticar, que seja s\u00f3 por um dia, ou um momento. Deve-se inteiramente \u00e0 nossa cegueira, proveniente do apego ao mundo, repetirmos o ciclo de nascimentos e mortes, com nossas id\u00e9ias preconcebidas, em per\u00edodos infind\u00e1veis de tempo. Seria a alegria eterna, se vi\u00e9ssemos a perecer nesta vida seguindo o Caminho de Buddha. Acrescente-se a isto que, em todo o tesouro das escrituras buddhistas, nunca houve um caso registrado na \u00cdndia, na China ou no Jap\u00e3o, de algu\u00e9m que tivesse morrido de fome e frio enquanto estivesse praticando o buddhismo. Comida e roupa, as necessidades b\u00e1sicas, s\u00e3o j\u00e1 direitos nossos de nascimento, n\u00f3s j\u00e1 viemos ao mundo com esses. N\u00e3o depende do afinco com que os busquemos, que os tenhamos ou n\u00e3o. Abandonemo-los ao destino! N\u00e3o nos preocupemos nem um instante que seja com isto. Se n\u00e3o despertarmos para a mente que busca o Caminho nesta vida, sob o pretexto de que estamos agora na \u00e9poca do buddhismo decadente, quando, em que exist\u00eancia o faremos? Devemos nos aplicar ao Caminho, apesar de n\u00e3o sermos os iguais a tais figuras como Subhuti<small><sup>43<\/sup><\/small> ou Mahakashyapa<small><sup>44<\/sup><\/small>.<\/p>\n<p>&#8220;Um livro n\u00e3o-buddhista afirma: &#8216;Um homem apaixonado ama uma mulher, mesmo que ela n\u00e3o seja t\u00e3o bonita quanto Si-shih<small><sup>45<\/sup><\/small> ou Mao-ch&#8217;ang. Quem tem um cavalo gosta dele, mesmo que n\u00e3o seja t\u00e3o r\u00e1pido quanto Fei-tu<small><sup>46<\/sup><\/small> ou Lu-erh. Um epicurista ama um manjar, ainda que possa n\u00e3o ser t\u00e3o delicioso quanto o f\u00edgado de um drag\u00e3o, ou a medula de um f\u00eanix. Todo homem apenas aproveita ao m\u00e1ximo aquilo de que \u00e9 dotado. Isto se passa com leigos, mais ainda deve ocorrer com monges.<\/p>\n<p>&#8220;Acrescente-se a isto o fato de que o Buddha Shakyamuni tirou vinte anos de sua longevidade de cem anos e deu o tempo \u00e0s gera\u00e7\u00f5es que se seguiram, como uma oferenda, prevendo a \u00e9poca do buddhismo decadente. Gra\u00e7as a essa sua d\u00e1diva, o monast\u00e9rio Zen recebe doa\u00e7\u00f5es de seres humanos e celestes o bastante para sobreviver. O Tathagata, embora dotado com poderes sobrenaturais suficientes para conseguir boa fortuna quanto quisesse neste mundo, comeu ra\u00e7\u00e3o de cavalos e se submeteu ao per\u00edodo de treinamento regulamentar de noventa dias. Nesta \u00e9poca de buddhismo decadente, n\u00f3s monges n\u00e3o devemos nunca deixar de seguir o seu caminho.&#8221;<\/p>\n<p>[20] Eu indaguei: &#8220;Alguns monges pecam mais do que leigos, embora recebam doa\u00e7\u00f5es de todos no mundo, e de seres celestes; e agregue-se a isto, que n\u00e3o t\u00eam uma mente que busca o Caminho: em suma, desperdi\u00e7am todos os favores deixados pelo Buddha. Eu acho que deveriam voltar a ser leigos e gozar de longa vida para poder chegar ao Caminho. Que pensas a respeito?&#8221;<\/p>\n<p>Meu Mestre retorquiu:<\/p>\n<p>&#8220;Quem nos disse para sermos pecadores e deixarmos de despertar para a mente que busca o Caminho? Devemos decididamente despertar para a ilumina\u00e7\u00e3o e praticar o Caminho. Mais ainda nos garantem os mestres, que os favores do Tathagata<small><sup>47<\/sup><\/small> s\u00e3o dados igualmente a todos, quer sejam pecadores ou n\u00e3o, quer sejam principiantes ou veteranos na pr\u00e1tica. Contudo, n\u00e3o est\u00e1 escrito em nenhum Sutra que devemos voltar a ser leigos se pecadores, nem que n\u00e3o devamos praticar o Caminho, se nunca despertamos para a mente que busca o Caminho. Quem acaso poderia despertar para a mente do Caminho desde o come\u00e7o? Se apenas despertarmos para a mente que busca o Caminho e praticarmos o buddhismo, conquanto \u00e1rduo possa ser, faremos progresso constante em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o. Todos temos a natureza do Buddha. Logo, n\u00e3o devemos nos humilhar.<\/p>\n<p>&#8220;O Wen-hsuan<small><sup>48<\/sup><\/small> relata: &#8216;A prosperidade de um pa\u00eds depende de um s\u00e1bio, mas as boas a\u00e7\u00f5es que o s\u00e1bio realizou durante sua vida podem vir a ser arruinadas por um idiota no futuro.&#8217; Isto demonstra que um pa\u00eds prosperar\u00e1 se vier um s\u00e1bio, mas tudo pode vir a ser arruinado no futuro por um tolo. Avaliemos este ponto com cuidado.&#8221;<\/p>\n<p>[21] Numa palestra, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;No mundo, a maior parte das pessoas adora contar hist\u00f3rias maliciosas, achando-as muito picantes e divertidas. \u00c9 verdade, tais hist\u00f3rias podem ajudar a passar o tempo, ou ajudam a debelar o t\u00e9dio de nossas vidas. Mas monges Zen est\u00e3o estritamente proibidos de aderir a este tipo de coisa. N\u00e3o durante uma conversa s\u00e9ria e cordial, com um leigo sincero e respeitoso, mas durante a beberagem e a displic\u00eancia aparecem estas hist\u00f3rias. Claro que monges Zen devem pensar apenas no Caminho. Historinhas maliciosas s\u00e3o contadas apenas por alguns monges exc\u00eantricos.<\/p>\n<p>&#8220;Este tipo de conversa n\u00e3o era tolerada ou encontrada nos monast\u00e9rios Zen na China Sung. Tamb\u00e9m em nosso pa\u00eds, enquanto o Mestre Eisai era vivo, at\u00e9 recentemente, este tipo de hist\u00f3ria n\u00e3o vinha \u00e0 tona, nem mesmo depois de sua morte, enquanto alguns de seus disc\u00edpulos controlavam o lugar. Mas nos \u00faltimos sete ou oito anos, tenho ouvido monges novatos falando estas besteiras. Que lastim\u00e1vel!<\/p>\n<p>&#8220;O Buddha disse: &#8216;Palavras \u00e1speras e ferinas \u00e0s vezes nos levam \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o, enquanto que uma conversa in\u00fatil pode se tornar em um grande obst\u00e1culo ao Caminho.&#8217; Assim, mesmo uma s\u00f3 exclama\u00e7\u00e3o ou uma s\u00f3 palavra in\u00fatil, \u00e9 uma topada para praticantes. Mais ainda, uma hist\u00f3ria maliciosa nos induz a uma cabe\u00e7a licenciosa. Isto requer a nossa aten\u00e7\u00e3o mais detida. Uma vez que percebamos o erro dos nossos caminhos, devemos tentar controlar este mau h\u00e1bito aos poucos, mas discretamente, n\u00e3o precisamos divulgar o fato aos outros.&#8221;<\/p>\n<p>[22] Numa conversa \u00e0 noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Ao fazer o bem, todos querem divulgar o fato aos quatro ventos; ao fazer o mal, todos procuram esconder suas a\u00e7\u00f5es. Logo, esta a\u00e7\u00e3o ego\u00edsta n\u00e3o encontra ecos nas entidades protetoras invis\u00edveis da pessoa, que tudo v\u00eaem. Logo, ao fazerem o bem, as pessoas n\u00e3o recebem benef\u00edcios ligados ao bem que fizeram, e ao fazerem o mal s\u00e3o castigadas pelo mal que cometeram. N\u00e3o compreendendo isto, lamentam-se futilmente: &#8216;As boas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o acompanhadas de bons efeitos. O m\u00e9rito do buddhismo tamb\u00e9m \u00e9 nulo.&#8217; Esta mentalidade err\u00f4nea h\u00e1 que se endireitar.<\/p>\n<p>&#8220;Devemos fazer o bem sem sermos notados, e do mal que por acaso tivermos feito por engano devemos nos arrepender diante do Buddha; e nossas a\u00e7\u00f5es secretas nunca deixar\u00e3o de encontrar eco nas divindades protetoras invis\u00edveis, e nossos erros, que os mostramos desta forma, em vez de ocult\u00e1-los, ser\u00e3o saneados completamente. Assim, naturalmente seremos aben\u00e7oados com bons frutos na exist\u00eancia seguinte, bem como na presente.&#8221;<\/p>\n<p>[23] Veio um leigo ent\u00e3o, e perguntou: &#8220;N\u00f3s leigos recentemente demos mundos e fundos aos monges, e nos dedicamos ao buddhismo, mas vimos coisas estranhas entre os monges. Com isto n\u00e3o queremos mais nos dedicar aos Tr\u00eas Tesouros \u2014 Buddha, Dharma e Sangha. Que achas a respeito?&#8221;<\/p>\n<p>Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;A culpa disto n\u00e3o se deve aos monges, mas a voc\u00eas leigos mesmos. Porque voc\u00eas discriminam entre aqueles monges que aparentemente levam vida pura e observam os preceitos de Buddha, e aqueles licenciosos, que bebem vinho e comem carne, achando que eles s\u00e3o impuros e n\u00e3o t\u00eam m\u00e9rito para receberem suas doa\u00e7\u00f5es. Esta discrimina\u00e7\u00e3o \u2014 respeito e desprezo \u2014 \u00e9 contra a vontade de Buddha. Por isto estes mundos e fundos que voc\u00eas doaram n\u00e3o lhes trazem qualquer benef\u00edcio espiritual. No &#8216;Sutra dos Quarenta e Oito Pequenos Preceitos&#8217; encontramos v\u00e1rios trechos que condenam tal discrimina\u00e7\u00e3o. Devemos doar a todos os monges, quer sejam virtuosos ou n\u00e3o, e especialmente devemos estar avisados de n\u00e3o julgarmos sua virtude apenas pela sua apar\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Monges, nesta \u00e9poca do buddhismo decadente, embora pare\u00e7am bons, s\u00e3o homens maus. Logo, se nos dedicarmos e doarmos aos monges, n\u00e3o fazendo diferencia\u00e7\u00e3o entre estes e os disc\u00edpulos de Buddha, nem entre bons e maus monges, estaremos seguros de receber um retorno para nossa doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m disto, lembremo-nos dos quatro tipos de integra\u00e7\u00e3o entre todos os seres, e os buddhas, ou bodhisattvas:<\/p>\n<ol>\n<li>&#8220;uma boa a\u00e7\u00e3o feita no passado nos \u00e9 retribu\u00edda desapercebidamente; <\/li>\n<li>&#8220;uma boa a\u00e7\u00e3o feita no passado nos \u00e9 retribu\u00edda, e nos apercebemos disto; <\/li>\n<li>&#8220;uma boa a\u00e7\u00e3o feita no presente nos \u00e9 retribu\u00edda, e isto n\u00f3s percebemos; <\/li>\n<li>&#8220;uma boa a\u00e7\u00e3o feita no presente nos \u00e9 retribu\u00edda desapercebidamente. <\/li>\n<\/ol>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m existem os tr\u00eas per\u00edodos de tempo, quando boas e m\u00e1s a\u00e7\u00f5es nos s\u00e3o devolvidas: boas&nbsp;<br \/>a\u00e7\u00f5es feitas no presente nos s\u00e3o devolvidas nesta, na pr\u00f3xima ou na terceira exist\u00eancia. Isto devemos compreender cuidadosamente.&#8221;<\/p>\n<p>[24] Numa conversa \u00e0 noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Se algu\u00e9m te procurar para ajudar a escrever um pedido para a corte, ou algo do g\u00eanero, poderias qui\u00e7\u00e1s declinar o pedido, dizendo: &#8216;Eu sou monge. Sa\u00ed do mundo e moro num monast\u00e9rio. N\u00e3o me misturo com assuntos mundanos.&#8217; De fato esta resposta parece maravilhosa, falando como um monge mesmo; mas ao sondar bem a resposta, vemos ainda aqui o apego a si mesmo a aquela consci\u00eancia da reputa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, coisas t\u00e3o caracter\u00edsticas das pessoas mundanas. Recusaste o pedido porque julgaste indigno para um monge se envolver com coisas mundanas. Mas ap\u00f3s exame da situa\u00e7\u00e3o, deves fazer o bem, mesmo que pequeno, a um ser humano diante de ti, sem te importares com o que pensa aquele que receber a carta. E se o recebedor da carta te odiar e cortar rela\u00e7\u00f5es contigo por uma tal a\u00e7\u00e3o indigna de monge? Melhor assim, n\u00e3o vale a pena ter rela\u00e7\u00f5es com uma pessoa t\u00e3o mesquinha. Resumindo, pode parecer indigno de ti, mas o mais importante \u00e9 abandonar o apego a ti mesmo e n\u00e3o ligar para a reputa\u00e7\u00e3o mundana.<\/p>\n<p>&#8220;Os buddhas e bodhisattvas quando solicitados s\u00e3o bondosos o bastante, para at\u00e9 cortarem partes de si mesmos, para darem a outros. Se te pediram apenas que escrevas uma mera cartinha, estar\u00e1s profundamente apegado a ti mesmo se recusares, considerando tua reputa\u00e7\u00e3o acima de tudo. O recebedor da carta pode te desprezar dizendo: &#8216;Existem t\u00e3o poucos s\u00e1bios. Esta conduta n\u00e3o \u00e9 digna de um monge.&#8217; Mas tua parte consiste apenas em fazer o bem ao teu pr\u00f3ximo, teu amigo, sem ligar para o que venham a pensar de ti. Assim, tua a\u00e7\u00e3o ser\u00e1 verdadeira e aut\u00eantica. Antigamente parece que eles pensavam assim tamb\u00e9m. Eu, crendo estar certo, fa\u00e7o um favor a amigos ou doadores, se me pedirem, conquanto inadequado eu possa ser. Para mim isto \u00e9 muito simples.&#8221;<\/p>\n<p>Eu perguntei: &#8220;Pode ser verdade, contanto que digamos a nossos amigos algo de bom ou \u00fatil. Mas, e se o nosso amigo quiser privar outrem de sua propriedade, ou prejudicar os demais? O que achas disto?&#8221;<\/p>\n<p>Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Para mim tanto faz. Neste caso, toma provid\u00eancias para avisares ao receptor da carta sobre o conte\u00fado dela, e que somente a escreveste instado pelo remetente da mesma. Depende, contudo, da discri\u00e7\u00e3o do receptor, se a missiva \u00e9 aceit\u00e1vel, ou n\u00e3o. Ele \u00e9 quem tem que decidir. Tamb\u00e9m estaria errado escrever algo absurdo al\u00e9m das medidas. Al\u00e9m disto, pode haver o caso que te pe\u00e7am para escrever algo a algu\u00e9m que te respeite o bastante para aceder ao pedido da carta, em defer\u00eancia a ti, seja o conte\u00fado da carta bom ou ruim. Neste caso, notifica o receptor: &#8216;S\u00f3 escrevi esta carta porque insistiram que o fizesse.&#8217; Assim fazendo, ser\u00e1 bom para todos. Nenhum dos dois pode te desejar mal. Deves pesar estas coisas com cuidado, dependendo das circunst\u00e2ncias ou pessoas. Mas deves ficar livre de preocupa\u00e7\u00f5es com tua reputa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e te livrar imediatamente do apego a ti mesmo.&#8221;<\/p>\n<p>[25] Numa palestra \u00e0 noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Hoje em dia a maioria das pessoas, leigos e monges, querem ficar famosos por suas boas a\u00e7\u00f5es, e com isto acobertam as suas a\u00e7\u00f5es mais vergonhosas e erradas. Assim, h\u00e1 um abismo entre a realidade, e o que aparece. Devem, contudo, fazer todos os esfor\u00e7os diligentemente para obliterarem este abismo, arrependendo-se dos seus erros e ocultando suas boas a\u00e7\u00f5es, atribuindo as boas a\u00e7\u00f5es aos demais e as erradas a si mesmos.&#8221;<\/p>\n<p>Uma pessoa perguntou a meu Mestre: &#8220;Muito bem, escondemos nossa virtude e n\u00e3o a demonstramos \u00e0 p\u00fablico. Mas buddhas e ancestrais cr\u00eaem que o primordial \u00e9 salvar todas as criaturas com grande compaix\u00e3o. Se monges ou leigos falarem mal de alguns monges por sua apar\u00eancia miser\u00e1vel, ter\u00e3o que pagar caro por isto, por caluniarem monges, um dos Tr\u00eas Tesouros. N\u00e3o ser\u00e1 bom, por acaso, respeitarmos outros por suas apar\u00eancias externas, apesar de n\u00e3o estarmos cientes de seus estados espirituais verdadeiros? Ser\u00e1 que a apar\u00eancia n\u00e3o conta um pouco? Que achas disto?&#8221;<\/p>\n<p>Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;De que adianta ser indulgente? Isto est\u00e1 ainda longe da verdade. \u00c9 uma grosseira viola\u00e7\u00e3o dos mandamentos fazeres o mal diante dos leigos, para ocultar tua verdadeira virtude, ou estares alucinado para demonstrares a outros como \u00e9s um dos buddhistas mais raros e elevados que j\u00e1 existiram, enquanto tentas ocultar os teus erros dos outros, n\u00e3o percebendo que as entidades celestes protetoras,<small><sup>49<\/sup><\/small> ou os Tr\u00eas Tesouros logo desmascaram o grande teatro que queres montar. Portanto, eu te advirto a teres vergonha de tais a\u00e7\u00f5es, e a n\u00e3o quereres obter o apoio e doa\u00e7\u00f5es de leigos. Deves tomar medidas variadas para adiantares tua pr\u00e1tica e para ajudares aos demais. Dizem que devemos agir apenas ap\u00f3s exame cuidadoso da situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o precipitadamente. A verdade deve sempre a primeira coisa em nossos objetivos.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se torna necess\u00e1rio demonstrar que o tempo nunca para \u2014 &#8216;Hoje aqui, amanh\u00e3 desaparecidos.&#8217; Para a compreens\u00e3o deste fato n\u00e3o necessitamos de mestres ou sutras. \u00c9 auto-evidente. &#8216;Agora&#8217; \u00e9 tudo para n\u00f3s. Nunca esperes pelo amanh\u00e3. O amanh\u00e3 \u00e9 incerto demais e at\u00e9 l\u00e1 tudo j\u00e1 mudou, ent\u00e3o devemos procurar ganhar o Caminho neste momento vivente \u2014 de praticar v\u00e1rios meios intensamente, de avan\u00e7ar o buddhismo e ajudar os demais seres.&#8221;<\/p>\n<p>Eu perguntei: &#8220;\u00c9 obrigat\u00f3rio praticar a mendic\u00e2ncia e coisas deste tipo, como nos insta o buddhismo?&#8221;<\/p>\n<p>Meu Mestre respondeu:<\/p>\n<p>&#8220;Sim, mas deves faz\u00ea-lo de acordo com os costumes locais. Porque afinal o objetivo \u00e9 ajudares as pessoas e levares a cabo tua pr\u00f3pria pr\u00e1tica. Se formos mendigando por a\u00ed, com nossos h\u00e1bitos compridos de monges, nossas roupas ficar\u00e3o enlameadas e imundas. E se as pessoas no local forem pobres, n\u00e3o vamos ficar batendo de porta em porta, pedindo doa\u00e7\u00f5es. Se ousarmos faz\u00ea-lo, nossa pr\u00e1tica ter\u00e1 um efeito retroativo, e prejudicaremos outros, em vez de os ajudarmos. Temos que praticar o Caminho razoavelmente, de acordo com os costumes e condi\u00e7\u00f5es locais, e as pessoas ricas e pobres nos oferecer\u00e3o coisas de livre e espont\u00e2nea vontade. Assim, realizaremos tanto nossa pr\u00e1tica quanto boas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Estas coisas t\u00eam que ser avaliadas de acordo com a situa\u00e7\u00e3o, sem ligarmos para o nosso proveito e a reputa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, vendo que tudo afinal contribua para a pr\u00e1tica e ajude um pouco aos demais.&#8221;<\/p>\n<p>[26] Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Praticantes Zen devem renunciar a sentimentos mundanos. Sobre isto, h\u00e1 algo que devemos ponderar: Devemos deixar o mundo, lar, corpo e mente:<\/p>\n<p>&#8220;Alguns monges, renunciando ao mundo e habitando fundo nas montanhas, pensam na manuten\u00e7\u00e3o de suas casas ancestrais, ou no bem estar de suas fam\u00edlias e parentes.<\/p>\n<p>&#8220;Outros, escapando longe de tudo, j\u00e1 deixaram parentes e fam\u00edlias, mas inquietos por suas sa\u00fades, querem sofrer t\u00e3o pouco quanto poss\u00edvel, n\u00e3o praticando sequer o Caminho para n\u00e3o ficarem doentes. N\u00e3o abandonaram seus corpos ainda.<\/p>\n<p>&#8220;Alguns outros, absorvidos em austeridades ao custo de suas sa\u00fades, n\u00e3o chegam a dedicar suas mentes ao Caminho, e nada fazem contra suas vontades, ainda que estando indicado na pr\u00e1tica buddhista. Ainda n\u00e3o abandonaram suas mentes.&#8221;<\/p>\n<h3>Notas<\/h3>\n<p><font size=1> <\/p>\n<p>1.&#8221;Biografia dos Grandes Mestres&#8221;, continua\u00e7\u00e3o, 30 volumes: compilado por Tao-Hsuan (597-667) da China Tang, na qual se incluem as biografias de 331 Grandes Mestres, cobrindo 144 anos, desde o Imperador Wu de Liang.<br \/>2. Mestre Zen \u2014 um monge perito em medita\u00e7\u00e3o.<br \/>3. Buddha Shakyamuni \u2014 o pr\u00edncipe herdeiro do rei Shuddhodana. Dizem que deixou seu lar aos 29 anos, iluminou-se aos 35 anos, pregou durante 46 anos, e faleceu aos 80 anos.<br \/>4. Sal\u00e3o de monges \u2014 Um sal\u00e3o onde praticantes l\u00eaem sutras. No meio h\u00e1 uma est\u00e1tua de Avalokiteshvara.<br \/>5. Diabo celeste \u2014 um dos quatro diabos, a saber: da ilus\u00e3o, do corpo e mente, da morte e dos c\u00e9us.<br \/>6. Os Tr\u00eas Tesouros: Buddha, Dharma e Sangha.<br \/>7. Os Tr\u00eas Mundos Maus: Inferno, Mundo dos dem\u00f4nios famintos, e Mundo das criaturas bestiais.<br \/>8. O melhor caminho para a ilumina\u00e7\u00e3o: o zazen.<br \/>9. Mestre Dogen foi \u00e0 China aos 24 anos de idade, iluminou-se sob o Mestre J\u00fc-tsung aos 26 anos, e voltou para o Jap\u00e3o aos 28 anos.<br \/>10. Buddha e ancestrais. buddhas s\u00e3o ditos serem 3.000 em n\u00famero, inclusive o Buddha Shakyamuni. Os ancestrais s\u00e3o, o Vener\u00e1vel Mahakashyapa, disc\u00edpulos de Buddha e os muitos outros sucessores.<br \/>11. Mestre Eisai (1141-1215) \u2014 Fundador da escola Rinzai no Jap\u00e3o. Foi duas vezes \u00e0 China, voltou aos 54 anos de idade, e mais tarde fundou o templo de Kennin-ji em Kyoto.<br \/>12. O Sutra dos Preceitos do Bodhisattva (<i>Bommokyo<\/i>), 2 volumes, traduzido por Kumarajiva, e considerado o mais importante Sutra Vinaya para bodhisattvas.&nbsp;<br \/>13. Mestre Ejo (1198-1280) \u2014 disc\u00edpulo do Mestre Dogen, e autor deste livro presente, o <i>Shobogenzo Zuimonki<\/i>. Autor tamb\u00e9m do <i>Komyozo Zammai<\/i>.<br \/>14. Pai \u2014 Chang Huai-Tai (726-814), sucessor de Dharma de Ma-Tsu Tao-i (&#8230;-788), o primeiro organizador de regulamentos na vida mon\u00e1stica na China.<br \/>15. Os Preceitos Fundamentais \u2014 s\u00e3o 15:<\/p>\n<p><\/font> <\/p>\n<ol>\n<li><font size=2>dedicar-se ao Buddha;<\/font> <\/li>\n<li><font size=2>dedicar-se ao Dharma;<\/font> <\/li>\n<li><font size=2>dedicar-se \u00e0 Sangha;<\/font> <\/li>\n<li><font size=2>observar os preceitos;<\/font> <\/li>\n<li><font size=2>fazer boas a\u00e7\u00f5es;<\/font> <\/li>\n<li><font size=2>ajudar a todos os seres;<\/font> <\/li>\n<li><font size=2>n\u00e3o tirar a vida;<\/font> <\/li>\n<li><font size=2>n\u00e3o tirar o que n\u00e3o foi oferecido;<\/font> <\/li>\n<li><font size=2>n\u00e3o cometer adult\u00e9rio;<\/font> <\/li>\n<li><font size=2>n\u00e3o mentir;<\/font> <\/li>\n<li><font size=2>n\u00e3o vender o licor das ilus\u00f5es;<\/font> <\/li>\n<li><font size=2>n\u00e3o criticar outros;<\/font> <\/li>\n<li><font size=2>n\u00e3o ser orgulhoso demais para elogiar outros;<\/font> <\/li>\n<li><font size=2>n\u00e3o deixar de divulgar os ensinamentos;<\/font> <\/li>\n<li><font size=2>n\u00e3o caluniar os Tr\u00eas Tesouros.<\/font> <\/li>\n<\/ol>\n<p><font size=2>16. Bodhidharma (?-528) \u2014 o vig\u00e9simo oitavo ancestral da \u00cdndia que veio \u00e0 China, tendo ali chegado no dia 21 de Setembro de 519.<br \/>17. De acordo com Mestre Dogen, n\u00e3o existem diferen\u00e7as entre os preceitos e o zazen.<br \/>18. Fu-Chao (?- 1203) \u2014 um herdeiro de Dharma de Ta-hui.<br \/>19. Fa-Yen (?- 1104) \u2014 um herdeiro de Dharma de Pai-Yung.<br \/>20. Nan-Ch&#8217;uan Fu-Yuan (748-834) \u2014 um herdeiro de Dharma de Ma-Tsu Tao-i (?- 788).<br \/>21. Chao-Chou Ts&#8217;ung-Shen (778-897) \u2014 um herdeiro de Dharma de Fu-Yuan, ordenou-se aos 60 anos e faleceu aos 120.<br \/>22. A apreens\u00e3o total do Caminho est\u00e1 al\u00e9m de nossa compreens\u00e3o.<br \/>23. Frase de virada. Um k\u00f4an, t\u00e9cnica usada pelos mestres Zen para irmos al\u00e9m de nossa mente discriminat\u00f3ria.<br \/>24. O gato tem ou n\u00e3o tem a natureza de Buddha \u00e9 um k\u00f4an de Mestre Nansen.<br \/>25. Pratimoksha\u2014 preceitos observados pelos monges para se livrarem do mau karma no comportamento, discurso e mente.<br \/>26.Sutra dos Preceitos do Bodhisattva, conforme nota 12.<br \/>27. Sete Pecados Trai\u00e7oeiros:<\/font><\/p>\n<ol>\n<li><font size=1>causar sangramento no corpo do Buddha;<\/font> <\/li>\n<li><font size=1>matar nosso pai;<\/font> <\/li>\n<li><font size=1>matar nossa m\u00e3e;<\/font> <\/li>\n<li><font size=1>matar o mestre de preceitos;<\/font> <\/li>\n<li><font size=1>matar mestres principais;<\/font> <\/li>\n<li><font size=1>destruir a harmonia entre os monges;<\/font> <\/li>\n<li><font size=1>matar pessoas vener\u00e1veis.<\/font> <\/li>\n<\/ol>\n<p> <font size=1> <\/p>\n<p>28. Sangha \u2014 comunidade de praticantes.<br \/>29. J\u00fc-tsung (1163-1228) \u2014 um herdeiro buddhista de Hsueh-Tu, que dirigia o monast\u00e9rio de T&#8217;ien T&#8217;ung.<br \/>30. Sal\u00e3o de Medita\u00e7\u00e3o \u2014 onde se faz o zazen, come-se e dorme-se. No meio do Sangha \u2014 comunidade de praticantes.<br \/>29. J\u00fc-tsung (1163-1228) \u2014 um herdeiro buddhista de Hsueh-Tu, que dirigia o monast\u00e9rio de T&#8217;ien T&#8217;ung.<br \/>30. Sal\u00e3o de Medita\u00e7\u00e3o \u2014 onde se faz o zazen, come-se e dorme-se. No meio do sal\u00e3o h\u00e1 uma est\u00e1tua de Manjushri.<br \/>31. Chippei \u2014 bast\u00e3o de bambu, em forma de arco, com o qual se encoraja praticantes durante o zazen.<br \/>32. Minamoto Yoritomo (1147-1199) \u2014 o primeiro Shogun do Governo de Kamakura e fundador do sistema de governo da classe militar no Jap\u00e3o.<br \/>33. Hyoenosuke \u2014 um secret\u00e1rio assistente do departamento militar na Corte Imperial.<br \/>34. Lu-Chiang-Lien \u2014 conhecido por sua integridade durante a &#8216;Era Turbulenta&#8217; da China antiga.<br \/>35. Ping-Yuan-Chun \u2014 nobre que ajudava pessoas carentes durante a &#8216;era turbulenta&#8217; na China.<br \/>36. Esot\u00e9rico (Que tem um sentido transcendente) em contraposi\u00e7\u00e3o a Exot\u00e9rico (Que n\u00e3o tem tal sentido).<br \/>37. Buddhas e ancestrais, conforme nota 10.<br \/>38. Chih-Chueh (904-975) \u2014 Terceiro ancestral da escola Hogen na China.<br \/>39. Buddha Amitabha \u2014 Tornou-se Buddha da Terra Pura ap\u00f3s fazer 48 promessas e praticar o Caminho.<br \/>40. Isto se refere ao mestre J\u00fc-tsung.<br \/>41. Funzoe \u2014 mantos do monge, feitos com materiais descartados e jogados fora.<br \/>42. \u00c9poca do buddhismo decadente \u2014 1.000 anos em seguida \u00e0 morte do Buddha Shakyamuni, seria a \u00e9poca do buddhismo correto (h\u00e1 ensinamentos, pr\u00e1tica e ilumina\u00e7\u00e3o); os 100 anos seguintes seriam a \u00e9poca da buddhismo formal (h\u00e1 pr\u00e1tica e ensinamentos); os \u00faltimos 10.000 anos seriam a \u00e9poca do buddhismo decadente (h\u00e1 somente ensinamentos).<br \/>43. Subhuti \u2014 Um dos dez disc\u00edpulo excelentes do Buddha.<br \/>44. Mahakashyapa \u2014 conforme nota 10.<br \/>45. Si-Shih e Mao-Ch&#8217;ang \u2014 ditas serem mulheres bel\u00edssimas na China antiga.<br \/>46. Pai tu, Ju-Erh \u2014 ditos serem cavalos capazes de correr muito r\u00e1pido, na China antiga.<br \/>47. Tathagata \u2014 um nome do Buddha: quer dizer &#8216;Aquele que vem como vem&#8217;.<br \/>48.&#8221;Wen-hsuan&#8221;, 30 ou 60 volumes \u2014 Uma cole\u00e7\u00e3o de poesias das dinastias Chou-chin a Liang.<br \/>49. Divindades celestes \u2014 Sakra Devanam, Indra, BrahmaDeva ou Yama raja etc.<\/p>\n<p><\/font> <\/p>\n<p ALIGN=\"right\"><i><font SIZE=\"1\"><b>Extra\u00eddo do site www.dharmanet.com.br<\/b><\/font><\/i><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><\/font> <\/p>\n<hr \/><\/div>\n<p><\/font> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><a HREF=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Shobogenzo ZuimonkiCap\u00edtulo 1 de Eihei Dogen Zenji Adaptado da tradu\u00e7\u00e3o do monge Ryokyu Marcos Beltr\u00e3o [1] Um dia meu Mestre, Dogen Zenji, disse: &#8220;No livro de Suh-Kao-San-Chuen1 conta-se a seguinte hist\u00f3ria: &#8216;Dentre os disc\u00edpulos de um mestre Zen2, havia um &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/shobogenzo-zuimonki-capitulo-1\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1276,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,40],"tags":[62,64],"class_list":["post-6605","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-zen","tag-philip-kapleau","tag-yasutani-hakunn"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6605","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6605"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6605\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6607,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6605\/revisions\/6607"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1276"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6605"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}