{"id":6608,"date":"2020-07-02T17:16:12","date_gmt":"2020-07-02T19:16:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6608"},"modified":"2020-07-02T17:16:12","modified_gmt":"2020-07-02T19:16:12","slug":"shobogenzo-zuimonki-capitulo-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/shobogenzo-zuimonki-capitulo-2\/","title":{"rendered":"Shobogenzo Zuimonki-Cap\u00edtulo 2"},"content":{"rendered":"<p><font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:justify\">\n<a NAME=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki.jpg\" alt=\"\" width=\"314\" height=\"500\" class=\"alignleft size-full wp-image-6594\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki.jpg 314w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki-188x300.jpg 188w\" sizes=\"auto, (max-width: 314px) 100vw, 314px\" \/><\/a><br \/>\n<font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:justify\"> <a NAME=\"inicio\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:center\"><font SIZE=\"4\"><b>Shobogenzo Zuimonki<br \/><font SIZE=\"2\">Cap\u00edtulo 2<\/font><\/b><\/font><\/div>\n<p><\/a> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><font SIZE=\"1\"><i><b>de <a href=\"default.asp?menu=122\" class=\"broken_link\"><font SIZE=\"1\">Eihei Dogen Zenji <\/font><\/a><br \/>Adaptado da tradu\u00e7\u00e3o do monge Ryokyu Marcos Beltr\u00e3o<\/b><\/i><\/font><\/div>\n<p> <\/p>\n<p>[1] &#8220;Se praticantes Zen tiverem, em primeiro lugar, a prud\u00eancia de controlarem suas mentes, tanto mais f\u00e1cil ser-lhes-\u00e1 deixar a si mesmos, e ao mundo renunciar. Mas isto n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil. Monges h\u00e1, que por exemplo, cientes da reputa\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o far\u00e3o coisas ruins, dizendo: &#8220;Como isto est\u00e1 errado, \u00e9 poss\u00edvel que outros nos julguem mal.&#8221; Procuram ent\u00e3o fazer o bem ao serem observados, crendo piamente que todos os demais lhes admirar\u00e3o muito com isto. Contudo, estas s\u00e3o meramente opini\u00f5es comuns e mundanas. Existe, contudo, o outro lado da moeda, como aqueles que se comportam como bem entendem, e estes s\u00e3o vil\u00f5es de verdade! O fato \u00e9 que monges devem praticar o buddhismo pelo buddhismo, esquecidos de seus corpos de apego e impermanentes. Devem lidar com as situa\u00e7\u00f5es de acordo com o momento. Principiantes no Caminho devem abster-se de fazer o mal e fazer o bem, quer seja por vontade pr\u00f3pria ou por moralidade. A isto se chama deixar cair corpo e mente.&#8221;<\/p>\n<p>[2] Meu mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Eisai, meu mestre j\u00e1 falecido, enquanto morava no monast\u00e9rio de Kennin-ji, uma vez se deparou com uma situa\u00e7\u00e3o inusitada, quando l\u00e1 apareceu uma pessoa passando fome, e lhe pediu dinheiro: &#8220;Estou passando necessidades, e eu e minha fam\u00edlia nada comemos nestes dias recentes. Todos vamos morrer de inani\u00e7\u00e3o. Podes fazer algo por n\u00f3s?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Naquele momento nada havia no monast\u00e9rio que pudesse ser dado ao pobre, fosse comida ou dinheiro. Mestre Eisai pensou numa solu\u00e7\u00e3o debalde. Finalmente lhe ocorreu que haviam algumas folhas de cobre batido que seriam utilizadas para fazer uma est\u00e1tua buddhista. Ele as tomou, dobrou numa pilha, e as deu ao esfomeado, dizendo: &#8220;Venda isto e trate de comer.&#8221; O pobre, muito agradecido, as pegou e foi embora.<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o os disc\u00edpulos do Mestre Eisai ficaram aborrecidos com ele: &#8220;Como pudeste entregar este material car\u00edssimo, que era para fazer a aur\u00e9ola de um santo buddhista<small><sup>1<\/sup><\/small>, para um mendigo desta forma? N\u00e3o ter\u00e1s cometido com isto o pecado de usar de forma particular a propriedade de um monast\u00e9rio buddhista? Que achas a respeito?&#8221;<\/p>\n<p>O mestre respondeu: &#8220;Todos tendes raz\u00e3o! Mas falando da vontade de Buddha, ele foi sempre bondoso bastante para doar tudo que era seu para todas as criaturas, e quando nada mais tinha, cortava de sua pr\u00f3pria carne, m\u00e3os e p\u00e9s. Mesmo que eu tivesse entregue o corpo todo do Buddha para algu\u00e9m passando fome na minha frente, isto estaria de acordo com a vontade de Buddha. Mesmo que eu ca\u00edsse no inferno com esta a\u00e7\u00e3o, teria com isto salvo todos os seres da fome.<small><sup>1<\/sup><\/small> Que praticantes Zen tratem de avaliar esta maravilhosa perspectiva deste veterano Mestre iluminado, e que n\u00e3o a esque\u00e7am jamais!&#8221;<\/p>\n<p>[3] Noutro dia, os disc\u00edpulos do Mestre Eisai comentaram com ele: &#8220;Cremos estar a localiza\u00e7\u00e3o deste monast\u00e9rio perto demais do Rio Kano, se houver uma inunda\u00e7\u00e3o isto atingir\u00e1 nosso monast\u00e9rio tamb\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<p>Sobre isto, o Mestre teve algo a comentar: &#8220;Porque se preocupar com futuras calamidades? Por exemplo, do monast\u00e9rio de Jetavana<small><sup>2<\/sup><\/small> na \u00cdndia sobram t\u00e3o somente os alicerces. Contudo, nem por tal raz\u00e3o qualquer m\u00e9rito de sua constru\u00e7\u00e3o foi perdido. Que enorme n\u00e3o ser\u00e1 o m\u00e9rito de aqui praticarmos, seja ao menos um, ou meio ano!&#8221;<\/p>\n<p>Desta conversa \u00e9 poss\u00edvel chegar \u00e0 conclus\u00e3o que, sendo seguramente levantar um monast\u00e9rio o empreendimento mais importante de nossa vida, devemos nos preocupar com calamidades futuras. Por\u00e9m, mesmo sabendo disto, o Mestre estava ciente do verdadeiro sentido de se erigir um monast\u00e9rio. Avaliemos ent\u00e3o as palavras de Mestre Eisai.&#8221;<\/p>\n<p>[4] Numa conversa certa noite, meu Mestre frisou: &#8220;Durante o reino do Imperador Tai-t&#8217;sung<small><sup>3<\/sup><\/small> da Dinastia T&#8217;ang, Wei-cheng<small><sup>4<\/sup><\/small> se dirigiu ao Imperador da seguinte forma: &#8216;Ou\u00e7o coment\u00e1rios negativos a vosso respeito.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;O Imperador retrucou: &#8216;Se mal falado a despeito de minhas boas a\u00e7\u00f5es, nada tenho com que me preocupar. Se contudo, em me faltando bondade, for mesmo assim bem considerado, \u00e9 o caso, ent\u00e3o sim, de me inquietar deveras.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Tal deve tamb\u00e9m se passar com praticantes Zen e leigos. Se possu\u00edmos compaix\u00e3o, ou uma sincera inten\u00e7\u00e3o pelo Caminho, n\u00e3o precisamos nos inquietar com fofocas. Contudo, se n\u00e3o tivermos tais virtudes, devemos estar sinceramente envergonhados de sermos considerados grandes e virtuosos praticantes do Caminho.&#8221;<\/p>\n<p>[5] Meu Mestre ensinou assim:<\/p>\n<p>&#8220;O Imperador Wen<small><sup>5<\/sup><\/small> da Dinastia Sui disse: &#8216;Quem \u00e9 Imperador deve secretamente cultivar suas virtudes, at\u00e9 que sua for\u00e7a moral interna esteja plenamente estabelecida e estruturada.&#8217; Isto significa que o Imperador deve se apiedar de seu povo apenas ap\u00f3s estar bem estabelecido em suas virtudes internas. Tenhamos n\u00f3s cuidado, para n\u00e3o esquecermos disto. Praticando o Caminho escondidos, este m\u00e9rito aparecer\u00e1 naturalmente. Assim, devemos praticar o Caminho dos buddhas e ancestrais sem esperar que outros disto se inteirem: desta forma os demais praticar\u00e3o com naturalidade o buddhismo. Mas, \u00e9 claro, queremos sempre sermos apreciados, e recebermos vultuosas doa\u00e7\u00f5es por nossas pr\u00e1ticas: este pensamento apenas significa estarmos com um dem\u00f4nio no corpo. Nos tr\u00eas pa\u00edses<small><sup>6<\/sup><\/small>, nunca ouvi falar que o respeito de imbecis tivesse tornado algu\u00e9m um praticante leg\u00edtimo do Caminho, nem que tivessem adquirido muitos bens materiais.<\/p>\n<p>&#8220;Naqueles pa\u00edses, s\u00e3o considerados verdadeiros praticantes de medita\u00e7\u00e3o, aqueles que levam vidas duras e simples, preocupados em cultivar suas mentes do Caminho, e compassivos com os demais.<\/p>\n<p>&#8220;Os efeitos da pr\u00e1tica n\u00e3o querem jamais dizer que nos envaidecemos de receber doa\u00e7\u00f5es, ou que achemos que riquezas sejam medida de virtudes. Existem tr\u00eas tipos de virtudes:<\/p>\n<ol>\n<li>&#8220;Ficam sabendo que a pessoa est\u00e1 presentemente praticando o Caminho <\/li>\n<li>&#8220;Outros v\u00eaem querendo praticar aquele Caminho tamb\u00e9m; <\/li>\n<li>&#8220;Outros estudam e praticam junto com aquela pessoa.&#8221; <\/li>\n<\/ol>\n<p>[6] Numa palestra \u00e0 noite, disse meu mestre:<\/p>\n<p>&#8220;Quem pratica Zen deve estar livre de sentimentos mundanos. Isto significa que devemos praticar os ensinamentos buddhistas tais quais s\u00e3o. Quem \u00e9 leigo fica tentando distinguir o bem do mal, devido a seus preconceitos ego\u00edstas, e discriminando o certo do errado, querendo isto e deixando de lado aquele outro. Quando primeiro nos familiarizamos com o Caminho, devemos logo tentar deixar para tr\u00e1s sentimentos mundanos e auto-centradas id\u00e9ias de moralidade longamente acalentadas, bem como nossa pr\u00f3pria conveni\u00eancia e forma de ver o mundo. Devemos tentar aplicar as palavras do Buddha, quer as creiamos certas ou erradas.<\/p>\n<p>&#8220;Aquilo que n\u00f3s e leigos acreditamos ser bom n\u00e3o o \u00e9 necessariamente. Logo, sigamos os ensinamentos de Buddha sem ligarmos para a opini\u00e3o do vulgo e renunciemos \u00e0 nossa pr\u00f3pria forma de ver o mundo. Mesmo que por vezes nos sintamos desanimados e inquietos, devemos mesmo assim procurar assimilar as a\u00e7\u00f5es excelentes dos buddhas e ancestrais, e de nossos praticantes mais veteranos, e isto porque devemos viver com corpo e mente deitados fora. Nenhuma a\u00e7\u00e3o ou empreendimento deve ser levado a cabo, com exce\u00e7\u00e3o daquelas dos buddhas e ancestrais. Por mais que queiramos realizar aquelas a\u00e7\u00f5es e empreendimentos, e por mais que elas pare\u00e7am harmonizar-se com o Caminho. Assim devemos enfocar o significado da pr\u00e1tica no buddhismo. Deixando de lado id\u00e9ias longamente acalentadas que possamos ter sobre o que \u00e9 o buddhismo, devemos aos poucos dirigir nossa mente \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es daquele ancestral com o qual estivermos ora seguindo o Caminho. Desta forma come\u00e7aremos a penetrar na sabedoria e a iluminar nossas mentes.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo aos sutras buddhistas que tenhamos estudado at\u00e9 o presente n\u00e3o devemos ficar apegados, e se boa raz\u00e3o houver para tal, desistamos deles e sigamos o Caminho como demonstrado por nosso Mestre. A raz\u00e3o pela qual estudamos o buddhismo, \u00e9 claro, \u00e9 para nos livramos da ilus\u00e3o e chegarmos a uma compreens\u00e3o correta dos fatos. Se ficarmos pensando que este conhecimento que at\u00e9 o momento obtivemos foi ganho a duras custas no decurso de v\u00e1rios anos, e disto n\u00e3o podemos desistir assim \u00e0 toa, isto significa que estamos apegados ao ciclo da vida e da morte. Isto vale nossa ass\u00eddua considera\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>[7] Numa conversa certa noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;A um monge-leigo, Minamoto-Akikane<small><sup>7<\/sup><\/small>, Segundo Conselheiro do Estado, foi requisitado que escrevesse a biografia do Mestre Eisai, do templo de Kennin-ji, rec\u00e9m falecido. Ele decididamente declinou este pedido, n\u00e3o sem antes explicar suas raz\u00f5es: &#8216;Melhor pedir que um escritor profissional Confucionista o fa\u00e7a, pois como estuda literatura desde a tenra inf\u00e2ncia, por certo n\u00e3o cometer\u00e1 tantos erros ao escrever. Para mim a \u00fanica coisa que tem import\u00e2ncia \u00e9 me dedicar aos meus afazeres de estado, e n\u00e3o ficar escrevendo biografias. Eu cometeria muitos erros, se o tentasse fazer.&#8217; Disto podemos seguramente deduzir que em tempos antigos as pessoas se dedicavam at\u00e9 a livros que n\u00e3o tivessem nada a ver com o buddhismo.&#8221;<\/p>\n<p>[8] Novamente, disse meu Mestre:<\/p>\n<p>&#8220;Mestre Koin<small><sup>8<\/sup><\/small>, j\u00e1 falecido, disse: &#8220;A mente que busca o Caminho significa que nos lembramos, na vida cotidiana, da doutrina Tendai<small><sup>9<\/sup><\/small>. Uma s\u00f3 recorda\u00e7\u00e3o cobre tr\u00eas mil mundos e possibilidades, e assim por diante. Aqueles que andam mecanicamente pelo mundo vestidos de monges, com seus chap\u00e9us de bambu na cabe\u00e7a s\u00e3o pessoas ditas possu\u00eddas por dem\u00f4nios.&#8221;<\/p>\n<p>[9] Numa conversa \u00e0 noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Mestre Eisai, recentemente falecido, costumava afirmar: &#8216;Monges, voc\u00eas devem compreender que eu n\u00e3o dei a voc\u00eas uma s\u00f3 destas pe\u00e7as de roupa que voc\u00eas est\u00e3o a usar, nem a comida que voc\u00eas consomem, mas tudo isto lhes foi providenciado pelas entidades protetoras celestes, sendo eu apenas seus intermedi\u00e1rios. Cada um de voc\u00eas j\u00e1 chegou nesta vida com a quantidade de comida e roupa necess\u00e1rias \u00e0 sobreviv\u00eancia. N\u00e3o procurem pois, quantidades excessivas destes artigos, nem imaginem que eu seja caridoso e tenha dado isto a voc\u00eas.&#8217; Eu acho esta palestra maravilhosa.&#8221;<\/p>\n<p>[10] &#8220;No monast\u00e9rio T&#8217;ien-t&#8217;ung na China Grande Sung, cujo mestre era Hung-chih<small><sup>10<\/sup><\/small>, haviam provis\u00f5es suficientes para mil monges, sendo setecentos destes, dentro do <i>Shodo<\/i> (sal\u00e3o de medita\u00e7\u00e3o), e trezentos fora dele. A fama da excel\u00eancia de Hung-chih como mestre logo se espalhou por todo pa\u00eds, e come\u00e7aram a chegar uma n\u00famero tremendo de monges e praticantes, mil no Shodo e seiscentos fora dele.<\/p>\n<p>Os monges-chiji<small><sup>11<\/sup><\/small> choramingaram, reclamando a Hung-chih: &#8220;Mestre, temos o necess\u00e1rio apenas para mil monges, mas nem para mais um s\u00f3 que seja. N\u00f3s te rogamos, Mestre, que tome provid\u00eancias para dispensar o resto.&#8221;<\/p>\n<p>Assim respondeu o Mestre:<\/p>\n<p>&#8220;Todos os monges j\u00e1 s\u00e3o naturalmente agraciados com comida. N\u00e3o se meta onde n\u00e3o foi chamado. E n\u00e3o me traga mais lamenta\u00e7\u00f5es deste calibre.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Disto deduzimos que j\u00e1 nos encontramos agraciados com comida e roupa, n\u00e3o sendo tais que as possamos obter querendo, nem deixar de obter n\u00e3o querendo. At\u00e9 mesmo os leigos n\u00e3o d\u00e3o a mais m\u00ednima considera\u00e7\u00e3o para de onde vem suas comidas, deixando isto ao destino, e procuram apenas manter a lealdade e a obedi\u00eancia filial. Muito menos ainda devem monges praticar o que for, exceto o buddhismo. Foram agraciados com vinte anos de favores deixados pelo Buddha Shakyamuni, em forma de comida e roupa ofertadas pelas entidades protetoras celestes. E possuem igualmente aqueles materiais necess\u00e1rios \u00e0s suas vidas, mesmo que n\u00e3o se esforcem para obt\u00ea-los. Mesmo que procurem ganhar dinheiro, que fariam com isto se viessem a falecer subitamente? Logo, praticantes Zen devem se concentrar apenas no buddhismo.&#8221;<\/p>\n<p>[11] Noutra ocasi\u00e3o, algu\u00e9m arriscou um palpite: &#8220;Estamos atravessando a \u00e9poca do buddhismo decadente. Vivemos no Jap\u00e3o, longe da \u00cdndia onde vivia o Buddha Shakyamuni. Neste caso, creio que a melhor maneira de praticar o buddhismo \u00e9 assegurar um lugar, que pela sua calma e seguran\u00e7a, nos livre da preocupa\u00e7\u00e3o onipresente de comer e vestir.&#8221;<\/p>\n<p>Quanto a isto, meu Mestre se manifestou assim:<\/p>\n<p>&#8220;Na minha opini\u00e3o, isto n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido. Um verdadeiro praticante n\u00e3o pode ser encontrado entre monges apegados a pontos de vista dualistas e ego\u00edstas. Um ajuntamento de pessoas, sequiosas de status e dinheiro, \u00e9 algo de bem pior que nenhum ajuntamento de cobi\u00e7osos. Estas pessoas n\u00e3o possuem capacidade de estudar o buddhismo, pois seus graves erros, que causaram suas quedas nos tr\u00eas mundos maus, os impedem de tal. Enquanto estudarmos o buddhismo levando uma vida dura e pobre, mendigando ou nos alimentando de frutas e nozes silvestres, algum candidato haver\u00e1, que a n\u00f3s venha procurando o buddhismo. Seremos ent\u00e3o verdadeiros praticantes e com isto o buddhismo crescer\u00e1. Vamos supor que ningu\u00e9m pratique o Caminho devido \u00e0 agruras e pobreza extremas, e suponhamos por outro lado que haja uma enorme quantidade de comida e roupa, mas tamb\u00e9m nenhuma pr\u00e1tica do Caminho. Neste caso, ambos s\u00e3o perfeitamente equivalentes em suas completas inutilidades.&#8221;<\/p>\n<p>[12] Assim disse meu Mestre, em certa ocasi\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8220;Hoje em dia \u00e9 opini\u00e3o corrente que erigir imagens de Buddha ou construir templos \u00e9 um seguro ind\u00edcio do crescimento do buddhismo. Ledo engano! Nenhuma casa soberba, com uma bela fachada, e al\u00e9m do mais decorada de j\u00f3ias ou folheada a ouro, pode nos ser de qualquer utilidade para obter a ilumina\u00e7\u00e3o. Aqui existe apenas o sentimento de felicidade que leigos derivam de colocar suas riquezas dentro do mundo de Buddha. Tais a\u00e7\u00f5es, quer sejam grandes ou pequenas, s\u00e3o decerto de grande efeito para leigos; para monges nada valem. N\u00e3o ajudam absolutamente no crescimento do buddhismo. Meditando nas palavras do Buddha, ou fazendo zazen, mesmo que por um breve per\u00edodo de tempo, numa choupana de palha humilde, ou debaixo de uma \u00e1rvore, isto pode causar o crescimento do buddhismo. Com o objetivo de levantar um monast\u00e9rio, estou agora angariando contribui\u00e7\u00f5es entre amigos e praticantes, com o melhor de minha habilidade. Mas n\u00e3o creio que isto v\u00e1 necessariamente auxiliar o crescimento do buddhismo. N\u00e3o tendo muitos praticantes e estando muito ocupado agora com estas coisas, acho que estou ora desperdi\u00e7ando tempo. Gostaria de fazer algo de mais significativo, para que efetivamente este monast\u00e9rio pudesse ajudar a pessoas iludidas a travarem contato com o buddhismo, e para que praticantes pudessem fazer zazen. Mesmo que minha inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o se concretize, n\u00e3o ficarei triste com isto. Se puder levantar nem que seja um pilar apenas, terei lembrado a meus descendentes de minha esperan\u00e7a n\u00e3o realizada. Mas, na verdade, n\u00e3o estou muito preocupado com isto.&#8221;<\/p>\n<p>[13] Um certo monge pediu que meu Mestre fosse \u00e0 Prov\u00edncia de Kanto, para l\u00e1 auxiliar na divulga\u00e7\u00e3o do buddhismo. Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;De forma nenhuma! Quem procura sinceramente o buddhismo vir\u00e1 a mim por sobre montanhas e at\u00e9 atravessar\u00e1 os mares, enquanto \u00e0quele a quem esta determina\u00e7\u00e3o falta, n\u00e3o me ouvir\u00e1 por mais que lhe tente transmitir algo. Irei eu at\u00e9 este lugar para perturbar e intrigar os outros, ou para ganhar dinheiro? S\u00f3 vou me cansar com isto. N\u00e3o creio que seja uma boa id\u00e9ia me deslocar at\u00e9 l\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p>[14] Noutro dia meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Praticantes Zen n\u00e3o devem estudar livros, quer sejam eles buddhistas ou n\u00e3o. Podem, se indispens\u00e1vel, analisar as biografias dos mestres. Por ora, contudo, devem deixar de lado outros tipos de livros. Hoje em dia , a maioria dos monges Zen t\u00eam pendores liter\u00e1rios, e tentam compor poesia ou dissertar sobre teorias buddhistas. Isto \u00e9 um crasso equ\u00edvoco. Em vez de se preocuparem com a qualidade liter\u00e1ria, devem procurar expressar seus pensamentos ou esmiu\u00e7ar doutrinas Zen. \u00c0queles a quem falta o despertar para o Caminho a tal ponto que n\u00e3o compreendam isto, ir\u00e3o, \u00e9 claro, se distrair com palavras e ser\u00e3o impotentes de chegar at\u00e9 a verdade, por melhores que sejam suas express\u00f5es liter\u00e1rias. Quanto a mim, sempre apreciei literatura, desde a mais tenra idade, e mesmo agora fico fascinado pelas belas express\u00f5es de obras cl\u00e1ssicas, e leio o Monzen, etc. Mas creio ser tudo isto in\u00fatil. Ent\u00e3o estou formando uma forte decis\u00e3o para deixar tudo isto de lado.&#8221;<\/p>\n<p>[15] Um dia meu Mestre disse:<\/p>\n<p>Durante minha perman\u00eancia na China Sung, estava de certa feita em meu quarto lendo as vidas dos velhos Mestres Zen, quando um monge colega meu, um verdadeiro praticante, de Shi-Chuan<small><sup>12<\/sup><\/small>, perguntou-me: &#8220;Porque raz\u00e3o estudas as biografias?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Eu respondi: &#8216;Para me inteirar das a\u00e7\u00f5es dos velhos mestres Zen!'&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Para que?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Para ajudar meu povo, quando voltar para o Jap\u00e3o!&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Sim, mas com que finalidade?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Para a melhoria de todos os seres.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;E da\u00ed, para que tudo isto, no final das contas?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Calmamente raciocinando sobre este di\u00e1logo mais tarde, cheguei \u00e0 conclus\u00e3o que seria de uma inutilidade total me aplicar a estas coisas para liderar outros, atrav\u00e9s de um conhecimento intelectual das a\u00e7\u00f5es dos velhos Mestres Zen, com seus k\u00f4an<small><sup>13<\/sup><\/small>. Se, pelo contr\u00e1rio, eu me dedicasse ao zazen, e esclarecesse com isto o foro de meu pr\u00f3prio ser, mais tarde n\u00e3o teria a menor dificuldade de transmitir isto, mesmo n\u00e3o tendo conhecimento de um s\u00f3 ideograma chin\u00eas. Por isto este meu amigo me indagava: &#8220;Porque, porque, afinal das contas? &#8220;Convencido desta verdade, desisti de ler as vidas dos Mestres Zen e me dediquei exclusivamente \u00e0 pr\u00e1tica de zazen, at\u00e9 conseguir obter o \u00e2mago da quest\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>[16] Numa conversa, certa noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Sem uma aut\u00eantica virtude interna, as outras pessoas n\u00e3o nos respeitariam. No nosso pa\u00eds freq\u00fcentemente as pessoas respeitam outros, n\u00e3o devido as suas virtudes internas, mas por causas de suas apar\u00eancias; em conseq\u00fc\u00eancia do que, monges que s\u00e3o dotados de um sincero desejo pelo Caminho, logo se perdem, tornando-se seguidores de dem\u00f4nios. Ser respeitado apenas pela sua apar\u00eancia \u00e9 muito f\u00e1cil. Divulgamos aos quatro ventos termos renunciado ao mundo e abandonado nossa vida costumeira. Mas este \u00e9 um caminho de extrema superficialidade e fragilidade. Aquele que verdadeiramente aspira \u00e0 sabedoria \u00e9 aquele que por fora parece uma pessoa comum, mas que por dentro tenta controlar sua mente iludida sem que outros se apercebam de tal.<\/p>\n<p>&#8220;Por isto dizia um velho Mestre: &#8216;Por dentro vazios, por fora obedientes aos outros.&#8217; Isto significa que por dentro n\u00e3o somos ego\u00edstas, e que por fora n\u00e3o criamos problemas com outros. Completamente livres do apego a nosso corpo e mente, praticamos o buddhismo de acordo com os regulamentos de Buddha, e tal coisa nos ser\u00e1 ben\u00e9fica no presente bem como no futuro.<\/p>\n<p>&#8220;Se trata de um redondo equ\u00edvoco que deixemos de realizar aquilo que dever\u00edamos, s\u00f3 porque existe uma doutrina no buddhismo que nos diz para abandonarmos, e renunciarmos ao mundo. Aqui no Jap\u00e3o alguns se auto-declaram monges ou praticantes Zen, e com isto encontram um pretexto para se comportarem desleixadamente, trombeteando contudo aos quatro ventos: &#8216;Renunciamos ao nosso corpo para o buddhismo.&#8217; E ficam por a\u00ed, para cima e para baixo, andando molhados debaixo da chuva, explicando que isto se deve ao fato que est\u00e3o acima de sentimentos mundanos. Tal comportamento \u00e9 de uma idiotice completa, tanto nas a\u00e7\u00f5es quanto na mentalidade, mas leigos apressadamente julgam este tipo de monges maravilhosos, crendo suas a\u00e7\u00f5es provarem estar eles livres de sentimentos mundanos, como uma mostra de autenticidade, enquanto que friamente desprezam aqueles que observam os preceitos de Buddha, conhecem os mandamentos, e ainda em suas a\u00e7\u00f5es estejam de acordo com as regras de Buddha, sem ego\u00edsmo em suas pr\u00e1ticas. Cr\u00eaem que estes \u00faltimos est\u00e3o procurando status e ganho mundano. Mas eles mesmos est\u00e3o identificados com o buddhismo e possuem virtudes em seus corpos e mentes.&#8221;<\/p>\n<p>[17] Numa conversa \u00e0 noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;De nada poderia servir a praticantes Zen ser eruditos e cultivados intelectualmente. Devemos passar o que soubermos dos ensinamentos, nem que seja a um s\u00f3 monge, contanto que ele seja um aut\u00eantico aspirante ao Caminho dos buddhas e ancestrais, com o qual estamos familiarizados. At\u00e9 mesmo a algu\u00e9m que uma vez tenha tentado nos matar, devemos dizer a verdade sinceramente desejando lhe ajudar, caso ele honestamente chegue a nos pedir tal. Afora isto, n\u00e3o devemos nunca querer acumular conhecimentos sobre ensinamentos e doutrinas esot\u00e9ricas ou exot\u00e9ricas, livros buddhistas ou n\u00e3o-buddhistas. Se algu\u00e9m nos indagar sobre eles, seguramente poderemos declarar nossa plena e integral ignor\u00e2ncia sobre o assunto. Mas, se ao contr\u00e1rio, estudarmos extensivamente, ou quisermos obter informa\u00e7\u00e3o suplementar, n\u00e3o somente sobre assuntos mundanos, mas tamb\u00e9m sobre assuntos buddhistas ou fora do buddhismo, receosos de nos considerarem desinformados ou ignorantes, e querendo obter conhecimento extra, nada poderia ser mais equivocado. Isto \u00e9 de uma inutilidade total para aqueles que quiserem terem qualquer coisa que seja de liga\u00e7\u00e3o com o Caminho. Contudo, in\u00fatil tamb\u00e9m \u00e9 pretendermos ignorar algo apesar de estarmos inteirados do assunto, pois um ar t\u00e3o negligente assim torna os outros infelizes. A ignor\u00e2ncia desde o come\u00e7o \u00e9 o que h\u00e1 de melhor. Quando eu era mo\u00e7o, gostava de ler livros mundanos. Mais tarde, antes de minha viagem \u00e0 China e retorno ao Jap\u00e3o, para transmitir o Caminho, eu me familiarizei com muitas obras, buddhistas e fora do buddhismo, e com certos dialetos chineses. Para mim isto tem sido hoje em dia de suma import\u00e2ncia, especialmente na condu\u00e7\u00e3o de assuntos que requerem especializa\u00e7\u00e3o dentro do mundo. Realmente, tem sido uma quest\u00e3o t\u00e3o necess\u00e1ria, que algumas pessoas a consideram fora do comum. Mas agora, ao consider\u00e1-lo friamente, constato que se constitui em um obst\u00e1culo \u00e0 pr\u00e1tica do Caminho. Lendo um Sutra sagrado, se tentamos apreend\u00ea-lo pouco a pouco, esmiu\u00e7ando-o, seremos capazes de compreender a verdade exposta ali. Mas examinando uma frase, primeiro ficamos interessados na rima e na m\u00e9trica, depois observamos a corre\u00e7\u00e3o da express\u00e3o; e somente em \u00faltimo lugar tentamos lhe compreender o significado: neste caso, melhor seria tentarmos compreender o significado desde o in\u00edcio, em vez de nos preocuparmos com a forma. Ao escrevermos ensinamentos buddhistas, se ficamos preocupados em primeiro lugar com quest\u00f5es gramaticais, nos atrapalhamos com a rima e com a m\u00e9trica. Tudo isto \u00e9 sup\u00e9rfluo e uma ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&#8220;Devemos procurar expressar o que achamos correto com franqueza, n\u00e3o ligando para o estilo e a forma. Mesmo que aqueles de gera\u00e7\u00f5es vindouras n\u00e3o aprovem isto, basta para o Caminho que nos tenhamos feito compreender. Com outros talentos e estudos o mesmo deve ocorrer.<\/p>\n<p>&#8220;Dizem que Ku-Amidabutsu<small><sup>14<\/sup><\/small> do Monte Koya, j\u00e1 falecido, era no come\u00e7o um monge preparad\u00edssimo, muito culto, que dominava os ensinamentos esot\u00e9ricos e exot\u00e9ricos. Ao entrar para a escola Nembustu<small><sup>15<\/sup><\/small>, abandonou estes ensinamentos. Mais tarde um monge da escola Shingon veio at\u00e9 ele, e lhe perguntou sobre alguns ensinamentos esot\u00e9ricos, e ele replicou: &#8216;Eu os esqueci a todos. Nada consigo recordar destes assuntos, seja l\u00e1 o que for.&#8217; A\u00ed est\u00e1 sem tirar nem por a pr\u00f3pria mente que busca o Caminho. Uma tal ignor\u00e2ncia mostrada por uma pessoa de t\u00e3o alta capacidade! Como poderia isto ser verdade? Ele por\u00e9m nada falou, crendo ser in\u00fatil. Eu acho que ele assim o fez no dia mesmo que come\u00e7ou a cantar o nome de Amida de todo cora\u00e7\u00e3o. Esta perspectiva mental \u00e9 absolutamente indispens\u00e1vel a praticantes Zen. Devem desistir de seus conhecimentos, qual seja, das escolas. Menos ainda devem pretender ter qualquer conhecimento adicional dos ensinamentos. Um verdadeiro praticante n\u00e3o l\u00ea sequer as biografias das vidas dos Mestres Zen. O mesmo vale para toda outra literatura.&#8221;<\/p>\n<p>[18] Numa conversa certa noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Os monges de hoje em dia no Jap\u00e3o s\u00e3o muito atilados e s\u00e3o capazes de escolher o certo e o errado em suas a\u00e7\u00f5es e palavras, estando cientes de suas reputa\u00e7\u00f5es mundanas, sabendo que ganham cr\u00e9dito p\u00fablico com tal a\u00e7\u00e3o e descr\u00e9dito com aquela outra. Tudo isto \u00e9 um crasso erro. O que o mundo acha certo nem sempre o est\u00e1. Sem ligarmos para o que o mundo possa vir a achar de n\u00f3s, como nos considerar por exemplo loucos, devemos ir levando nossas vidas, fazendo aquilo que \u00e9 coincidente com o Caminho, e deixando de fazer o que n\u00e3o \u00e9. Ent\u00e3o quaisquer opini\u00f5es dos outros nada ser\u00e3o para n\u00f3s.<\/p>\n<p>&#8220;Deixar o mundo \u00e9 ser livre da opini\u00e3o do mundo. Estudando apenas as a\u00e7\u00f5es dos buddhas e ancestrais, ou a compaix\u00e3o dos bodhisattvas, e tendo consci\u00eancia que nossas a\u00e7\u00f5es m\u00e1s s\u00e3o percebidas pelas entidades celestes, devemos praticar de acordo com os regulamentos de Buddha. Ent\u00e3o nenhuma cr\u00edtica do mundo nos causar\u00e1 empecilhos. Mas tamb\u00e9m est\u00e1 errado n\u00e3o ligarmos para a cr\u00edtica alheia, sendo de uma total auto-indulg\u00eancia, cometendo a\u00e7\u00f5es erradas, sem a menor vergonha. Devemos treinar de acordo com o buddhismo, sem ligar para a reputa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. No buddhismo, tal auto-indulg\u00eancia e a\u00e7\u00f5es vergonhosas s\u00e3o estritamente proibidas.<\/p>\n<p>[19] Meu Mestre frisou de certa feita:<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo a educa\u00e7\u00e3o comum do mundo nos adverte quando por exemplo trocamos de roupa em quartos escuros, ou lugares secretos, sentados ou deitados, devemos mesmo ent\u00e3o ter o cuidado de ocultar nossas partes \u00edntimas. Se n\u00e3o o fizermos, seremos criticados com justi\u00e7a por falta de educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 um comportamento impolido, que n\u00e3o tem vergonha da cr\u00edtica das entidades celestes e de dem\u00f4nios. Devemos tratar de cobrir aquelas partes de nossos corpos que devem permanecer cobertas, e ter vergonha de coisas descorteses, como se todos nos estivessem observando. O mesmo vale para os preceitos de Buddha. Logo, praticantes buddhistas n\u00e3o devem fazer o mal, mesmo longe da vista de outros; e devem se lembrar dos regulamentos de Buddha, tanto dentro de casa como fora dela, quando estiverem no escuro e no claro.&#8221;<\/p>\n<p>[20] Um dia, um praticante disse a meu Mestre: &#8220;Eu tenho me dedicado ao \u00e1rduo treinamento buddhista por muitos anos, mas o fato \u00e9 que ainda n\u00e3o pude alcan\u00e7ar meu objetivo, a ilumina\u00e7\u00e3o. A maioria dos velhos mestres afirmam: &#8216;Para ganhar o Caminho, n\u00e3o necessitamos de faculdades de perspic\u00e1cia mental, sabedoria excessiva, senso comum ou mesmo intelig\u00eancia.&#8217; Ent\u00e3o creio eu n\u00e3o existir a menor necessidade de me sentir constrangido por minha estupidez ou falta de habilidade. Se \u00e9 que existe algum ensinamento tradicional sobre este assunto, gostaria de me inteirar dele.&#8221;<\/p>\n<p>Meu Mestre disse: &#8220;Est\u00e1s coberto de raz\u00e3o. De fato, para se obter a ilumina\u00e7\u00e3o n\u00e3o se necessita de perspic\u00e1cia, muita sabedoria, senso comum, ou uma intelig\u00eancia muito desenvolvida. Esta \u00e9 a verdadeira pr\u00e1tica do Caminho. Mas alguns possuem uma id\u00e9ia equivocada a respeito disto e acham que praticar o Caminho \u00e9 ser como os cegos, surdos ou idiotas. Claro que nada se distancia mais da realidade, que um tal absurdo. A pr\u00e1tica do Caminho n\u00e3o requer um conhecimento diversificado ou talentos excepcionais, ent\u00e3o n\u00e3o devemos menosprezar outros por causa de suas vis\u00f5es limitadas, ou falta de arg\u00facia mental. \u00c0 verdadeira pr\u00e1tica do Caminho n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de se submeter.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo nos monast\u00e9rios Zen da Grande Sung, dentre centenas de milhares de monges treinando com um mestre Zen, somente um ou dois realmente sabem o que est\u00e3o fazendo ali. Logo, \u00e9 natural que algumas regras ou mandamentos tradicionais tenham sido estabelecidos, para controlar tal multid\u00e3o. Agora que pensei no caso, creio que depende de nosso sincero desejo pelo Caminho, o podermos nos iluminar ou n\u00e3o. Eu nunca ouvi falar de algu\u00e9m que deixasse de se iluminar, quando realmente estivesse possuindo este sincero desejo pelo Caminho. Para tal fim, devemos ser de uma dedica\u00e7\u00e3o exclusiva, e progredir diariamente na nossa pr\u00f3pria pr\u00e1tica do Caminho. Resumindo, eis o que devemos praticar:<\/p>\n<p>&#8220;Primeiramente, necess\u00e1rio \u00e9 que sejamos sinceros e por completo absortos em nosso desejo pelo Caminho. Por exemplo, algu\u00e9m que tenha a firme inten\u00e7\u00e3o de surripiar um tesouro valios\u00edssimo, ou de derrotar um inimigo forte, ou seduzir uma mulher extremamente bela, fica totalmente voltado para seu objetivo, aguardando um momento certo para consegui-lo em todas suas a\u00e7\u00f5es di\u00e1rias. Suas inten\u00e7\u00f5es certamente se concretizar\u00e3o se ele tiver concentra\u00e7\u00e3o. Se tivermos este tipo de desejo em nosso desejo pelo Caminho, simplesmente quando fizermos zazen, ou ao lermos os k\u00f4an dos velhos mestres Zen, ou ao nos entrevistarmos com um mestre, ou ao praticarmos o Caminho seriamente, com certeza alcan\u00e7aremos nosso objetivo, por mais profundo que possa se encontrar. Sem este sincero desejo, como chegaremos a nos desapegar do ciclo da vida e morte e conseguir a ilumina\u00e7\u00e3o? Com tal potente desejo nunca deixaremos de nos iluminar, sejamos limitados de entendimento, ou em habilidade, est\u00fapidos ou maus.<\/p>\n<p>&#8220;Em segundo lugar, devemos entender perfeitamente que tudo \u00e9 impermanente. Esta id\u00e9ia \u00e9 o que nos impulsiona para entendermos a mente que busca o Caminho. A imperman\u00eancia de todas as coisas n\u00e3o deve ser compreendida intelectualmente ou filosoficamente<small><sup>16<\/sup><\/small>, nem atrav\u00e9s de uma concep\u00e7\u00e3o vision\u00e1ria. Este \u00e9 de verdade um fato cru ante a n\u00f3s. Para compreendermos isto, n\u00e3o precisamos depender de ensinamentos ou de filosofias, de passagens de sutras sagrados, ou de intermedi\u00e1rios para nossa ilumina\u00e7\u00e3o. Alguns nascem de manh\u00e3 e morrem \u00e0 noite: algu\u00e9m que vimos ontem, hoje se foi. Tantas vezes vemos e ouvimos falar que outros t\u00eam que se curvar ante a lei da imperman\u00eancia. Refletindo sobre minha pr\u00f3pria sorte, vejo que, muito embora possa viver at\u00e9 os setenta ou oitenta anos, estou condenado \u00e0 morte. Baseando-nos nesta reflex\u00e3o podemos controlar o prazer e a dor, o \u00f3dio e a hostilidade, todos quando corretamente enfocados, podem ser dominados. Ent\u00e3o devemos ter confian\u00e7a no Caminho e procurar atingir o estado de compreens\u00e3o dos fen\u00f4menos. Mais ainda, um homem que j\u00e1 tenha passado da metade da vida, deve ser maximamente esfor\u00e7ado em sua pr\u00e1tica do Caminho, seus dias estando contados. Mas mesmo esta maneira de considerar as coisas \u00e9 por demais indulgente. Devemos considerar agora mesmo o Caminho e assuntos mundanos da seguinte forma: hoje ou amanh\u00e3 podemos ficar doentes ou morrermos de repente, odiados por dem\u00f4nios, ou mortos por ladr\u00f5es ou inimigos jurados. Nossa vida realmente est\u00e1 por um fio, e quanto mais de vida temos, uma total inc\u00f3gnita. Que est\u00fapido seria nesta vida incerta e impermanente, desperdi\u00e7ar tempo, esperando em v\u00e3o viver muito, e nos preocupando com nossa forma de ganhar a vida, a al\u00e9m do mais querendo mal a outros.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um fato cru ante nossos olhos a incerteza da vida. O Buddha sempre mencionou isto em seus ensinamentos , bem como os ancestrais em seus serm\u00f5es e ensinamentos. Hoje em dia, ao fazer uma prele\u00e7\u00e3o, ou quando indagado algo por algum praticante, o mestre diz o seguinte: &#8216;Hoje aqui, amanh\u00e3 desaparecido. A quest\u00e3o da vida e da morte \u00e9 vital para n\u00f3s!&#8217; Devemos procurar absorver isto e nos dedicarmos de forma total \u00e0 pr\u00e1tica do Caminho. N\u00e3o devemos jamais desperdi\u00e7ar nosso tempo, cientes deste dia e momento apenas. Ent\u00e3o acharemos a pr\u00e1tica do Caminho bastante f\u00e1cil. N\u00e3o \u00e9 pois uma quest\u00e3o de sermos privilegiados ou n\u00e3o com dons naturais, ou capacidade intelectual.&#8221;<\/p>\n<p>[21] Numa conversa \u00e0 noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;A maioria das pessoas hesita quando chega a hora de renunciar ao mundo. Aparentemente valorizam muito suas vidas, mas na realidade vivem se humilhando. Falta-lhes o pensamento profundo, e nunca se encontraram cara a cara com um mestre Zen excelente. Quanto \u00e0 recompensas e doa\u00e7\u00f5es, devemos procurar pelas recompensas da vida eterna e de doa\u00e7\u00f5es dos drag\u00f5es protetores e outros seres celestes; quanto \u00e0 fama, ao ganharmos o nome de buddhas e ancestrais, ou Mestres virtuosos, s\u00e1bios em gera\u00e7\u00f5es vindouras n\u00e3o deixar\u00e3o de nos reverenciar.&#8221;<\/p>\n<p>[22] Numa conversa \u00e0 noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Um velho Mestre disse: &#8216;Ouvindo a verdade de manh\u00e3, podemos calmamente morrer \u00e0 noite.&#8217; Praticantes Zen devem procurar emular este ponto de vista. Depois de termos em v\u00e3o repetido nascimentos e mortes durante per\u00edodos longu\u00edssimos de exist\u00eancia, nascemos desta feita num corpo humano, com uma excelente oportunidade de nos enfronharmos no buddhismo. Em que outra exist\u00eancia poder\u00edamos ganhar a ilumina\u00e7\u00e3o, exceto nesta mesma? Mesmo que preservemos caramente nossas vidas e as desejemos manter, mesmo ent\u00e3o n\u00e3o podemos determinar quanto tempo viver\u00edamos. Praticar o buddhismo nesta vida impermanente, n\u00e3o importa qu\u00e3o brevemente, um dia nos leva \u00e0 felicidade mais elevada. Que lament\u00e1vel seria jogarmos fora nosso tempo, apegados ao amanh\u00e3 e ao futuro t\u00e3o profundamente, que n\u00e3o possamos deixar o mundo como dever\u00edamos, nem praticar o Caminho como temos capacidade de faz\u00ea-lo. Ousemos morrer de fome e frio, se n\u00e3o tivermos mais com que sobreviver! Este \u00e9 o primeiro ponto, devemos ter tal inten\u00e7\u00e3o resoluta, que alegremente possamos morrer, cumprindo a vontade de Buddha, se pud\u00e9ssemos hoje realizar o Caminho. Dotados de tal determina\u00e7\u00e3o, certamente poderemos alcan\u00e7ar nosso objetivo.<\/p>\n<p>&#8220;Sem esta vontade forte, mesmo algu\u00e9m que pare\u00e7a ter renunciado ao mundo e seguir o Caminho, pode vacilar. Mesmo se vivermos muito tempo, n\u00e3o seremos capazes de nos iluminar, se praticarmos o buddhismo nos preocupando com o que usar durante o ver\u00e3o e inverno, ou como ganhar nosso sustento de amanh\u00e3 ou do ano que vem. Pode at\u00e9 existir algu\u00e9m que se ilumine assim, mas tanto quanto eu saiba, nenhum Buddha ou ancestral disse jamais que isto estivesse certo.&#8221;<\/p>\n<p>[23] Numa conversa \u00e0 noite, meu Mestre disse: &#8220;Quem pratica Zen deve aceitar que morreremos inevitavelmente. A morte \u00e9 uma coisa absolutamente certa. Al\u00e9m desta id\u00e9ia da morte, devemos procurar n\u00e3o desperdi\u00e7ar tempo, mas levar uma vida significante. Devemos compreender que nada \u00e9 mais importante, que as a\u00e7\u00f5es dos buddhas e ancestrais: tudo o mais \u00e9 in\u00fatil para n\u00f3s.&#8221;<\/p>\n<p>[24] Um dia eu indaguei a meu Mestre: &#8220;Se monges Zen ficarem remendando suas roupas, em vez de jog\u00e1-las fora, parecem sovinas. Se por outro lado ficarem comprando roupas novas em vez de usarem as velhas, parecem estar querendo andar muito na moda. Em ambos os casos estariam equivocados. Afinal, o que devem fazer?&#8221; Meu Mestre disse: &#8220;Devem abandonar seus desejos por coisas<small><sup>17<\/sup><\/small>, e n\u00e3o estar\u00e3o equivocados n\u00e3o importa como ajam. Devem remendar seus mantos gastos e us\u00e1-los o quanto poss\u00edvel, sem desejarem roupas novas.&#8221;<\/p>\n<p>[25] Numa conversa \u00e1 noite, eu perguntei: &#8220;Monges t\u00eam que observar a obedi\u00eancia devida aos pais?&#8221; Meu Mestre respondeu: &#8220;A obedi\u00eancia filial \u00e9 a coisa mais importante. Mas a obedi\u00eancia filial dos monges difere daquela dos leigos. Dizem que leigos devem servir seus pais durante suas vidas e depois de suas mortes, de acordo com o Livro da Piedade Filial<small><sup>18<\/sup><\/small>. N\u00f3s monges, por outro lado, seguimos o Caminho, deixando de lado as obriga\u00e7\u00f5es para com nossos pais. Desta forma, o objeto de nossa gratid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas nossos pais, mas todas as criaturas. Considerando todas as criaturas t\u00e3o benevolentes quanto nossos pais, devemos ser compassivos para com elas. Se formos agradecidos apenas a nossos pais nesta vida, estaremos indo contra o Caminho. A verdadeira piedade filial consiste em praticar o caminho apenas, a cada dia, e a cada momento. Leigos habitualmente celebram uma cerim\u00f4nia em mem\u00f3ria de seus pais a cada semana, durante 49 dias ap\u00f3s o falecimento dos mesmos. Do ponto de vista buddhista, devemos compreender que a benefic\u00eancia de nossos pais \u00e9 profunda. O mesmo vale tamb\u00e9m para todas as outras d\u00edvidas de gratid\u00e3o. \u00c9 contra a vontade de Buddha que celebremos cerim\u00f4nias em mem\u00f3ria de membros falecidos de nossa fam\u00edlia. Cerim\u00f4nias para pais falecidos s\u00e3o encomendadas principalmente por leigos. Nos monast\u00e9rios Zen da Grande Sung, os monges celebram uma cerim\u00f4nia em mem\u00f3ria de seus mestres falecidos, mas parecem n\u00e3o o fazer para seus pais.&#8221;<\/p>\n<p>[26] Um dia meu Mestre disse: &#8220;\u00c9 antes de despertarmos para o Caminho que somos ditos ser espertos ou n\u00e3o. Quando se cai de um cavalo, antes de atingirmos o ch\u00e3o muitas id\u00e9ias passam pela nossa cabe\u00e7a. Quando algo de s\u00e9rio como um acidente, ou morte, acontecem conosco, todos n\u00f3s, sejamos espertos ou tolos, pensaremos sobre o caso. Assim, preparados para o pior a cada momento, devemos nos concentrar na pr\u00e1tica do Caminho como se nos fossemos deparar com uma coisa inesperada; no que fazendo, n\u00e3o deixaremos nunca de nos iluminar. Aqueles que s\u00e3o est\u00fapidos mas sinceros pelo Caminho, podem se iluminar mais rapidamente que aqueles dotados de grande capacidade mental, e muita esperteza. Na \u00e9poca do Tathagata, Chupadanthaka mal era capaz de lembrar uma s\u00f3 linha de ensinamento; mas, devido ao seu not\u00e1vel esfor\u00e7o pelo Caminho, se iluminou nos noventa dias<small><sup>19<\/sup><\/small> que constituem a pr\u00e1tica de ver\u00e3o. Apenas neste momento nossa vida existe. Desejosos de nos iluminarmos antes de chegarmos a morrer, devemos praticar o buddhismo \u2014 e cada um de n\u00f3s alcan\u00e7ar\u00e1 seu objetivo&#8221;.<\/p>\n<p>[27] Numa palestra \u00e0 noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Nos monast\u00e9rios Zen da Grande Sung, os monges separavam o arroz bom do ruim para a refei\u00e7\u00e3o. Sobre isto um mestre Zen comentou: &#8216;Jamais deveis separar o arroz de boa qualidade do de qualidade inferior, mesmo que venhais a morrer!&#8217; Comp\u00f4s um verso sobre este ensinamento e com isto advertiu aqueles que consigo praticavam sobre o equ\u00edvoco de uma tal a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Isto quer dizer que monges n\u00e3o devem ficar separando a comida boa da ruim, mas aceitar agradecidos toda comida, seja ela de boa qualidade, ou n\u00e3o. Tendo apenas doa\u00e7\u00f5es de pessoas bondosas, ou comida preparada no monast\u00e9rio, temos apenas que n\u00e3o passar fome e nos dedicar \u00e0 pr\u00e1tica do Caminho. N\u00f3s monges n\u00e3o devemos separar a comida de boa e de m\u00e1 qualidade, apenas devido ao seu sabor. Que todos aqui prestem aten\u00e7\u00e3o a isto tamb\u00e9m&#8221;.<\/p>\n<p>[28] Um dia eu perguntei: &#8220;Se n\u00f3s praticantes Zen, crendo firmemente nas palavras \u2014 N\u00f3s mesmos somos o buddhismo, e assim n\u00e3o precisamos procur\u00e1-lo fora de n\u00f3s \u2014 com isto desistirmos da pr\u00e1tica e passarmos a vida fazendo o que bem entendermos, o bem e o mal, o que acharias a respeito?&#8221;<\/p>\n<p>Meu Mestre respondeu:<\/p>\n<p>&#8220;Isto demonstra uma grande diferen\u00e7a entre as palavras e o que as palavras significam. Se, com o pretexto que n\u00e3o precisamos procurar o buddhismo fora de n\u00f3s mesmo, n\u00e3o nos submetemos \u00e0 disciplina f\u00edsica e mental do buddhismo, procuramos algo, negligenciando-o. Mas com isto n\u00e3o quero dizer que n\u00e3o devemos buscar o Caminho. Compreendendo que a pr\u00e1tica \u00e9 originalmente o buddhismo mesmo, devemos nos refrear de fazer o mal, sem buscar recompensas por isto, ou de participar de assuntos mundanos mesmo que queiramos. E nunca nos aborrecendo com nossa pr\u00e1tica, devemos praticar o Caminho de todo cora\u00e7\u00e3o. Podemos \u00e0s vezes obter os frutos da mesma, mas devemos manter a pr\u00e1tica livre da id\u00e9ia de obter algo em troca. Este \u00e9 o verdadeiro significado do dito acima, isto \u00e9, que &#8216;n\u00e3o necessitamos procurar o buddhismo fora de n\u00f3s mesmos&#8217;.<\/p>\n<p>&#8220;Nan-yueh<small><sup>20<\/sup><\/small> esfregou um tijolo na presen\u00e7a de seu disc\u00edpulo Ma-tsu <small><sup>21<\/sup><\/small> e disse: &#8216;Vou esfreg\u00e1-lo at\u00e9 que se torne um espelho&#8217;. Com esta observa\u00e7\u00e3o ele queria advertir Ma-tsu contra seu desejo de se tornar Buddha atrav\u00e9s da pr\u00e1tica de zazen, n\u00e3o de dissuadi-lo de praticar zazen.<\/p>\n<p>&#8220;Praticar zazen \u00e9 fazer a a\u00e7\u00e3o de Buddha \u2014 a a\u00e7\u00e3o absoluta, a apari\u00e7\u00e3o de nossa verdadeira identidade. Onde mais podemos procurar o Caminho exceto neste zazen?&#8221;<\/p>\n<p>[29] Um dia, numa palestra que lhe foi solicitada, meu Mestre falou assim:<\/p>\n<p>&#8220;Hoje em dia a maioria dos monges insiste em seguir costumes mundanos. Na minha opini\u00e3o isto \u00e9 um equ\u00edvoco. Mesmo os s\u00e1bios entre os leigos odeiam os costumes deste mundo, constatando sua contamina\u00e7\u00e3o inerente. Por exemplo, Chu-yuan<small><sup>22<\/sup><\/small> deixou de seguir as regras do mundo, afirmando: &#8216;O mundo inteiro se dedica a id\u00e9ias erradas, e eu apenas estou correto&#8217; e pensando assim, finalmente decidiu se afogar num rio.<\/p>\n<p>&#8220;Mais ainda pode ser observados uma grande diferen\u00e7a entre os costumes dos monges e aqueles dos leigos. Leigos deixam seus cabelos crescerem, enquanto que monges raspam a cabe\u00e7a; os primeiros comem um sem n\u00famero de vezes por dia, enquanto que monges consomem apenas uma refei\u00e7\u00e3o por dia. T\u00e3o grande \u00e9 a diferen\u00e7a entre os dois. Mas estes costumes diferentes dos monges os levar\u00e3o um dia \u00e0 mais elevada felicidade. Desta forma, monges e leigos s\u00e3o completamente diferentes.&#8221;<\/p>\n<p>[30] Um dia meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Quando todos, do imperador at\u00e9 o \u00faltimo campon\u00eas, fazem o melhor poss\u00edvel em seus postos respectivos, o pa\u00eds inteiro estar\u00e1 em paz. Quando o incompetente ocupa um cargo, dizemos que ele &#8216;\u00e9 um obst\u00e1culo \u00e0 vontade dos c\u00e9us&#8217;. Quando o governo \u00e9 uno com a vontade dos c\u00e9us, o mundo fica calmo e o povo est\u00e1 em paz. Assim, o imperador tem que se levantar cedo, \u00e0 uma hora da manh\u00e3, para come\u00e7ar a governar. N\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil. O buddhismo difere disto apenas na ocupa\u00e7\u00e3o e no tipo de trabalho. Quando o imperador pensa no bem-estar de seu povo, segue os regulamentos estabelecidos, procura as pessoas merecedoras entre o povo, seu governo \u00e9 uno com a vontade do C\u00e9u. Este \u00e9 o tipo de governo que conduz o pa\u00eds \u00e0 paz. De outra forma seu governo estar\u00e1 indo contra a vontade do c\u00e9u e conduzir\u00e1 o pa\u00eds inteiro e seu povo a uma enorme confus\u00e3o e sofrimento.<\/p>\n<p>&#8220;O imperador, senhores feudais, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, guerreiros ou pessoas comuns \u2014 todos t\u00eam suas pr\u00f3prias fun\u00e7\u00f5es. Se forem cuidadosos e aplicados em seus cargos, ser\u00e3o chamados pessoas competentes. Se n\u00e3o, incorrem no furor do C\u00e9u, por irem contra a vontade das entidades celestes.<\/p>\n<p>&#8220;Logo, praticantes Zen n\u00e3o devem sequer sonhar com uma disciplina mais branda somente porque deixaram o mundo ou suas fam\u00edlias. No come\u00e7o, a\u00e7\u00f5es indolentes parecem ben\u00e9ficas, mas um pouco mais adiante ser\u00e3o vistos os malef\u00edcios de tal. N\u00f3s, monges devemos nos dedicar totalmente a nosso Caminho, seguindo o tipo de vida de monges.<\/p>\n<p>&#8220;De fato, um governo no mundo \u00e9 confuso, porque n\u00e3o existem regras claras deixadas por s\u00e1bios de gera\u00e7\u00f5es passadas. Mas os disc\u00edpulos de Buddha possuem regulamentos bem transmitidos, e tamb\u00e9m os exemplos de mestres Zen, que os herdaram por sua vez de mestres passados. Se, como eu vejo as coisas, mantivermos os regulamentos dos velhos mestres em cada uma de nossas a\u00e7\u00f5es, andando, parando, sentando e deitando e al\u00e9m disto praticarmos o Caminho de acordo com os praticantes mais veteranos, nunca deixaremos de nos iluminar. Leigos querem estar afinados com a vontade dos c\u00e9us, enquanto que monges com a vontade de Buddha. Buscando o Caminho, monges e leigos s\u00e3o iguais, mas os monges s\u00e3o muito melhores em obter os frutos da pr\u00e1tica. Assim, se obtivermos o fruto de Buddha, nunca o perderemos. Para gozarem de grande contentamento, praticantes Zen devem treinar assiduamente, e seguir a vontade de Buddha. Depende apenas de sua vontade se podem atingir este objetivo ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Mas o buddhismo nunca aconselha ningu\u00e9m a mortificar cegamente seu corpo, ou a fazer o imposs\u00edvel. Se seguirmos os preceitos de Buddha, ficaremos confort\u00e1veis; nossa maneira calma far\u00e1 tamb\u00e9m com que aqueles ao redor de n\u00f3s fiquem calmos. Lembrando disto, devemos alijar uma vis\u00e3o do prazer ego\u00edsta e f\u00fatil, e seguir os preceito de Buddha de todo cora\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>[31] Noutro dia meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Quando treinava no monast\u00e9rio Zen, da montanha de T&#8217;ien-t&#8217;ung na, China da dinastia Sung, meu mestre J\u00fc-tsung costumava praticar at\u00e9 as onze horas da noite, e iniciava sua pr\u00e1tica matinal \u00e0s duas e quarenta ou tr\u00eas da manh\u00e3. Eu praticava junto dele, sem faltar uma s\u00f3 noite. Muitos dos monges n\u00e3o ag\u00fcentavam e dormiam em seus <i>zafus<\/i> (almofadas de medita\u00e7\u00e3o). Ele ent\u00e3o descia de seu assento de medita\u00e7\u00e3o, para verificar a pr\u00e1tica dos demais, e batia nos monges dorminhocos com seu punho, ou com o <i>kyosaku<\/i> (bast\u00e3o de advert\u00eancia) para anim\u00e1-los e despert\u00e1-los. Quando ainda permaneciam sonolentos, ele ia ao <i>shodo<\/i><small><sup>23<\/sup><\/small>, batia o sino, pedia que seu assistente acendesse uma vela, e dava uma palestra de improviso:<\/p>\n<p>&#8220;&#8216;Do que adianta tanta indol\u00eancia e dormir desta forma sentados nesta sala de medita\u00e7\u00e3o? Porque sa\u00edram de suas casas e entraram no monast\u00e9rio? Que imperadores ou trabalhadores no mundo levam vidas t\u00e3o frouxas assim? O imperador administra os assuntos de estado, os s\u00faditos s\u00e3o leais a seus superiores hier\u00e1rquicos, e as pessoas comuns cultivam suas terras com suas enxadas. Qual deles deixa de trabalhar? Agora voc\u00eas deixaram este trabalho duro, e se encontram aqui neste monast\u00e9rio Zen. De que adianta desperdi\u00e7ar suas vidas t\u00e3o inutilmente assim? A quest\u00e3o da vida e morte tem que ser resolvida por voc\u00eas, e n\u00e3o se esque\u00e7am do ditado: &#8216;O que hoje est\u00e1 aqui, amanh\u00e3 pode estar desaparecido&#8217;. Este \u00e9 um ditado comum usado por fil\u00f3sofos buddhistas ou monges Zen. Voc\u00eas podem morrer hoje ou amanh\u00e3. Podem ficar doentes. Como \u00e9 est\u00fapido nesta vida, que se esvai, desperdi\u00e7ar o tempo dormindo, negligenciando o zazen! O decl\u00ednio do buddhismo a isto se deve, seguramente. Nos dias em que o buddhismo estava em seu apogeu em todo o pa\u00eds, os monges nos monast\u00e9rios Zen se dedicavam \u00e0 medita\u00e7\u00e3o, enquanto que nos dias correntes, sem mestres que advoguem a pr\u00e1tica de zazen em parte alguma, vemos apenas o decl\u00ednio do buddhismo.<\/p>\n<p>&#8220;Desta forma ele aconselhava seus praticantes a fazerem zazen. Eu fui testemunha ocular disto. Praticantes de hoje em dia devem aspirar a esta sua disciplina.<\/p>\n<p>&#8220;Um dia, um monge assistente disse: &#8216;Alguns monges na sala de medita\u00e7\u00e3o acabam ficando cansados, e adormecem com isto. Alguns certamente tombam doentes ou perdem seus desejos de ganhar o Caminho. Temo que isto esteja ocorrendo porque o per\u00edodo de zazen seja longo demais. Sugiro a redu\u00e7\u00e3o da dura\u00e7\u00e3o do tempo de medita\u00e7\u00e3o&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Ouvindo tal, o mestre ficou deveras preocupado, e comentou: &#8216;Creio que nunca ouvi algo de t\u00e3o equivocado, quanto o que acabaste de dizer. Quando os monges n\u00e3o t\u00eam desejo pelo Caminho, dormir\u00e3o onde puderem, enquanto que os praticantes sinceros praticar\u00e3o tanto mais, quanto maior for a dura\u00e7\u00e3o do zazen. Quando eu era jovem e visitava mestres Zen pelo pa\u00eds inteiro, um deles me aconselhou a ser severo com os praticantes, dizendo: &#8216;Quando eu era jovem, batia nos praticantes dorminhocos com tanta pot\u00eancia, que quase destroncava meu pulso; mas agora estou velho e fraco, e n\u00e3o posso mais fazer isto, logo n\u00e3o surgem mais monges excelentes. Al\u00e9m disto, outros mestres Zen pelo pa\u00eds afora s\u00e3o lenientes com seus praticantes, n\u00e3o os encorajando para a pr\u00e1tica do zazen. Eis a\u00ed a raz\u00e3o por que o buddhismo est\u00e1 t\u00e3o decadente hoje em dia&#8217;. Ent\u00e3o tenha certeza que eu vou ser cada vez mais exigente e quando eu bater agora vai ser com cada vez mais for\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>[32] Um dia meu mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Nos iluminamos atrav\u00e9s do que, corpo ou mente? Eruditos e intelectuais buddhistas afirmam com freq\u00fc\u00eancia: &#8216;N\u00e3o h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o entre corpo e mente&#8217;, ou: &#8216;Captamos o Caminho atrav\u00e9s de nosso corpo, por que corpo e mente s\u00e3o o mesmo&#8217;. Por\u00e9m nunca dizem especificamente: &#8216;Ganhamos o Caminho atrav\u00e9s de nosso corpo&#8217;. Entretanto no buddhismo Zen, nos iluminamos pelo nosso corpo e mente. Enquanto insistirmos em obter o Caminho apenas pela nossa mente, seremos incapazes de tal, mesmo em incont\u00e1veis renascimentos. Quando renunciamos a esta mente conceptual, e desistimos de apreender o Caminho atrav\u00e9s do conhecimento e via intelectual, podemos ent\u00e3o ganhar o Caminho. Foi atrav\u00e9s de seu corpo que Ling-yun<small><sup>24<\/sup><\/small> se iluminou observando as flores de ameixa; e Hsang-yen tamb\u00e9m, ouvindo o som de uma pedra batendo no bambu.<\/p>\n<p>&#8220;Ganhamos pois o caminho atrav\u00e9s da concentra\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica do zazen. Por isto \u00e9 que eu insisto que praticantes se dediquem integralmente ao zazen.&#8221;<\/p>\n<h3>Notas<\/h3>\n<p><font size=1> <\/p>\n<p>1. Buddha: Bhaisajyaguru Buddha \u2014 Dito ter feito doze promessas para livrar todas as criaturas de suas doen\u00e7as e ilus\u00f5es.<br \/>2. Jetavana, monast\u00e9rio de \u2014 erigido por Sudatta, homem rico do Estado de Sravasti, para o Buddha Shakyamuni e seus disc\u00edpulos.<br \/>3. Tai-tsung (598-649), chamado Li-shih-min \u2014 Segundo pr\u00edncipe herdeiro e filho do Imperador Kao-tsu , conhecido como um imperador de virtude.<br \/>4. Wei-cheng (580-643) \u2014 S\u00fadito s\u00e1bio do Imperador Tai-tsung, compilou um livro de hist\u00f3ria.<br \/>5. Wen-ti (541-604) \u2014 O primeiro Imperador da Dinastia Sui, governou seu pa\u00eds por 24 anos.<br \/>6. Os tr\u00eas pa\u00edses: \u00cdndia, China e Jap\u00e3o.<br \/>7. Minamoto-Akikane (? -1215) \u2014 monge leigo; monge leigo quer dizer algu\u00e9m que usa o manto de monge mas que vive em sua pr\u00f3pria casa.<br \/>8. Bispo Koin (? -1216) \u2014 monge chefe do templo de Onjoji, na cidade de Otsu. Mais tarde ele entrou na escola Nembutsu, fundada pelo Reverendo Honen, e morreu com a idade de 72 anos.<br \/>9. Doutrina Tendai \u2014 a doutrina da escola Tendai, cujo fundador foi Chih-chi (538-597), e cujo Sutra principal \u00e9 o Saddharmapundarika-Sutra.<br \/>10. Hung-chi (1091-1157) \u2014 monge cuja fama est\u00e1 ligada \u00e0quela de Tai-hui (1088-1163), da escola Rinzai, na China. A biografia de Hung-chi \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o de seus ditos.<br \/>11. Monges-chiji \u2014 seis monges veteranos encarregados da administra\u00e7\u00e3o do monast\u00e9rio.<br \/>12. Shi-chuan \u2014 localizado na parte sudoeste da China.<br \/>13. K\u00f4an. Os 1.700 ditos dos Mestres Zen.<br \/>14. Ku Amidabutsu (1142-1224). Anteriormente um monge da escola Shingon, mais tarde se dedicou ao Nembutsu (Cantar o nome do Buddha Amitabha), escola do reverentdo Honen.<br \/>15. A escola Nembutsu. eEcola que se dedica a cantar o nome de Amitabha.<br \/>16. As maneiras simples e tempor\u00e1ria de observar a verdade de todas as coisas: Praticar medita\u00e7\u00e3o e perceber que nossa mente \u00e9 impermanente, nossa sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 sofrimento, todas as coisas s\u00e3o vaidade e nosso corpo \u00e9 impuro.<br \/>17. Remendar ou usar um manto gasto ou comprar um novo.<br \/>18. O Livro da Piedade Filial (<i>Hsiao-ching<\/i>), 1 volume. Dito ser os coment\u00e1rios sobre a piedade filial que Conf\u00facio mostrou a seu disc\u00edpulo Tseng-san.<br \/>19. 90 dias de pr\u00e1tica de ver\u00e3o. No per\u00edodo que vai de 16 de abril a 15 de Julho, monges praticam o Caminho num monast\u00e9rio Zen, sem poder dali se removerem, isolados do mundo.<br \/>20. Nan-yueh Huai-jang (677-744). Um herdeiro buddhista de Hui-neng (638-714). Sua fama est\u00e1 ligada com aquela de Ch&#8217;ing-yuan (?-740). A hist\u00f3ria que Nan-yueh poliu um tijolo na presen\u00e7a de Ma-tsu \u00e9 a seguinte:<br \/>Nan-yuen, percebendo que Ma-tsu era excelente em sua compreens\u00e3o do buddhismo, veio at\u00e9 ele e disse, &#8220;Para que praticas zazen?&#8221; Ma-tsu disse, &#8220;Para me tornar um Buddha&#8221;. Ent\u00e3o Nan-yueh pegou um tijolo e come\u00e7ou a poli-lo em uma pedra na frente do monast\u00e9rio. Ma-tsu disse, &#8220;Que fazes?&#8221; Nan-yueh disse, &#8220;Vou poli-lo at\u00e9 que se torne um espelho&#8221;&#8216;. Ma-tsu disse, &#8220;Como podes fazer com que se torne um espelho?&#8221; Nan-yueh arrematou, &#8220;Como podes se tornar um Buddha atrav\u00e9s do zazen?&#8221;<br \/>21. Ma-tsu Tai-i (707-785) \u2014 Herdeiro buddhista de Nan-yueh.<br \/>22. Chu-yuan (AC 343-385) \u2014 homem nobre do Estado de Chiu. Ele tentou em v\u00e3o reconquistar sua prosperidade na terra natal. Finalmente se afogou no Rio Mi. Dito ser o poeta mais antigo da China.<br \/>23. Shodo \u2014 um sal\u00e3o atr\u00e1s do sal\u00e3o de medita\u00e7\u00e3o. Tem uma abertura em cima que deixa entrar luz, de onde vem o nome <i>shodo<\/i> \u2014 sal\u00e3o brilhante. Aqui um dos monges principais pode dar um serm\u00e3o em lugar de seu mestre.<br \/>24. Ling-yun, Hsiang-yen \u2014 disc\u00edpulos de Kuei-shan (711-853). <\/p>\n<p><\/font> <\/p>\n<p ALIGN=\"right\"><i><font SIZE=\"1\"><b>Extra\u00eddo do site www.dharmanet.com.br<\/b><\/font><\/i><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><\/font> <\/p>\n<hr \/><\/div>\n<p><\/font> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><a HREF=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Shobogenzo ZuimonkiCap\u00edtulo 2 de Eihei Dogen Zenji Adaptado da tradu\u00e7\u00e3o do monge Ryokyu Marcos Beltr\u00e3o [1] &#8220;Se praticantes Zen tiverem, em primeiro lugar, a prud\u00eancia de controlarem suas mentes, tanto mais f\u00e1cil ser-lhes-\u00e1 deixar a si mesmos, e ao mundo &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/shobogenzo-zuimonki-capitulo-2\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1276,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,40],"tags":[62,64],"class_list":["post-6608","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-zen","tag-philip-kapleau","tag-yasutani-hakunn"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6608","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6608"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6608\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6609,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6608\/revisions\/6609"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1276"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6608"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6608"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6608"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}