{"id":6610,"date":"2020-07-02T17:17:29","date_gmt":"2020-07-02T19:17:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6610"},"modified":"2020-07-02T17:17:29","modified_gmt":"2020-07-02T19:17:29","slug":"shobogenzo-zuimonki-capitulo-3","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/shobogenzo-zuimonki-capitulo-3\/","title":{"rendered":"Shobogenzo Zuimonki-Cap\u00edtulo 3"},"content":{"rendered":"<p><font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:justify\">\n<a NAME=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki.jpg\" alt=\"\" width=\"314\" height=\"500\" class=\"alignleft size-full wp-image-6594\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki.jpg 314w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki-188x300.jpg 188w\" sizes=\"auto, (max-width: 314px) 100vw, 314px\" \/><\/a><br \/>\n<font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:justify\"> <a NAME=\"inicio\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:center\"><font SIZE=\"4\"><b>Shobogenzo Zuimonki<br \/><font SIZE=\"2\">Cap\u00edtulo 3<\/font><\/b><\/font><\/div>\n<p><\/a> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><font SIZE=\"1\"><i><b>de <a href=\"default.asp?menu=122\" class=\"broken_link\"><font SIZE=\"1\">Eihei Dogen Zenji <\/font><\/a><br \/>Adaptado da tradu\u00e7\u00e3o do monge Ryokyu Marcos Beltr\u00e3o<\/b><\/i><\/font><\/div>\n<p> <\/p>\n<p>[1] Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Quem pratica Zen deve se dedicar completamente ao Caminho.<\/p>\n<p>&#8220;Um velho monge disse: &#8216;Como podemos dar um passo al\u00e9m de um poste de cem metros?&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Quando chegamos em cima de um poste alto, tendemos a nos agarrar a ele, com medo de que, se largarmos, cairemos para nossa morte. Se corajosamente jogarmos fora nossas vidas ent\u00e3o, com a id\u00e9ia de que este avan\u00e7o al\u00e9m n\u00e3o nos ser\u00e1 prejudicial, da mesma forma devemos abandonar assuntos mundanos, e tamb\u00e9m nosso modo de viver. Enquanto estivermos apegados a estes, n\u00e3o podemos nos iluminar, n\u00e3o importa quanto nos esforcemos a dominar o Caminho. Ousemos apenas deixar cair corpo e mente!&#8221;<\/p>\n<p>[2] &#8220;Um dia, certa monja disse: &#8216;Leigas ou outras pessoas podem se esfor\u00e7ar em seu estudo de buddhismo. Comparadas a estas, uma mulher que raspou a cabe\u00e7a e se tornou monja, apesar de poder ter algum defeito, pode com certeza ser considerada iluminada.&#8217; Que achas disto?&#8221;<\/p>\n<p>Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o creio. Na verdade, leigas ou outras pessoas que praticam o buddhismo podem se iluminar como leigas. Mas n\u00f3s reclusos n\u00e3o podemos praticar o buddhismo sem uma mente fora do mundo. O buddhismo n\u00e3o discrimina contra ningu\u00e9m, mas alguns se recusam a aceitar o buddhismo. A forma de pensar de monges \u00e9 diferente daquela dos leigos. Leigos com mentalidade de monges podem se livrar da ilus\u00e3o; monges com mentalidade de leigos cometem um duplo erro. Em sua aspira\u00e7\u00e3o pelo Caminho, os monges devem ser muito diferentes de leigos. O Caminho n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de se praticar, mas \u00e9 dif\u00edcil faz\u00ea-lo bem. Todos que praticam o Caminho parecem se iluminar, mas poucos o fazem bem. A quest\u00e3o da vida e da morte \u00e9 muito importante. Todas as coisas mudam rapidamente. Nunca devemos ser ociosos. Uma vez tendo renunciado ao mundo, devemos faz\u00ea-lo de fato. N\u00e3o devemos de modo algum nos satisfazer com a ren\u00fancia pr\u00f3-forma.&#8221;<\/p>\n<p>[3] Em uma palestra realizada \u00e0 noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Ao observar o mundo, vejo que aqueles que s\u00e3o pr\u00f3speros, ou que recuperaram suas fam\u00edlias arruinadas, s\u00e3o ,em geral, bondosos e honestos com os demais. Mant\u00e9m bem suas fam\u00edlias, e seus filhos e netos tamb\u00e9m gozam de prosperidade. Por outro lado, aqueles que s\u00e3o maus e insolentes, se tornar\u00e3o afinal infelizes, embora momentaneamente pare\u00e7am felizes e que mant\u00eam bem suas fam\u00edlias. Mesmo que sendo afortunados durante suas vidas, seus descendentes e sua posteridade n\u00e3o gozar\u00e3o necessariamente de prosperidade.<\/p>\n<p>&#8220;Fazer o bem com a expectativa de fazer outra pessoa feliz \u00e9 melhor do que fazer mal, mas n\u00e3o \u00e9 realmente bom para a pessoa, pois \u00e9 feito com uma id\u00e9ia ego\u00edsta. Um homem realmente bom, faz o bem aos outros sem ser notado, sem se importar com pessoas espec\u00edficas, no futuro, bem como no presente. Monges Zen devem ter uma mentalidade mais exaltada ainda. Quando pensam em algu\u00e9m, n\u00e3o devem discriminar entre conhecido e n\u00e3o-conhecido: devem ter uma disposi\u00e7\u00e3o de ajud\u00e1-los igualmente, livres da id\u00e9ia de obterem benef\u00edcios, mundanos ou fora do mundo; devem tentar fazer o bem sinceramente a outros sem ligar que sejam notados ou n\u00e3o, tentando manter mesmo estas suas mentes oculta dos outros.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A chave para este tipo de vida \u00e9 primeiramente renunciarmos ao mundo e ao nosso ego. Ent\u00e3o n\u00e3o precisamos ficar preocupados com a reputa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Mas, a despeito disto, \u00e9 tamb\u00e9m contra a vontade de Buddha que fa\u00e7amos o mal como bem entendamos, sem que liguemos para a opini\u00e3o p\u00fablica. A melhor maneira de abandonarmos o apego a n\u00f3s mesmos, \u00e9 fazermos o bem a outros, e agindo n\u00e3o-egoistamente, sem qualquer expectativa de recompensa, ou de ganho de reputa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>&#8220;Em fazendo isto, devemos antes de tudo despertar para o fato de que tudo \u00e9 impermanente; a vida \u00e9 como um sonho vazio; o tempo voa como uma flecha; nossa vida \u00e9 transiente como uma gota de orvalho e f\u00e1cil de se perder; o tempo e as circunst\u00e2ncias n\u00e3o esperam por ningu\u00e9m. Portanto devemos tentar agir de acordo com o Caminho, e fazer o bem, por menor que seja, a outros, mesmo que por um curto espa\u00e7o de tempo.&#8221;<\/p>\n<p>[4] Numa conversa \u00e0 noite, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Praticantes Zen devem viver na pobreza completa. Observando o mundo, noto que os ricos n\u00e3o podem sen\u00e3o sofrer de vergonha e raiva. Se temos riquezas, outros tentam nos privar delas, e n\u00f3s de nossa parte tentamos n\u00e3o sermos privados delas. Ent\u00e3o n\u00f3s e os outros ficamos logo zangados, chegando \u00e0 discuss\u00e3o e ao confronto, at\u00e9 brigarmos de fato. Neste meio tempo, ficamos col\u00e9ricos, e nos desgra\u00e7amos. Quando somos pobres e sem cobi\u00e7a, estamos livres deste perigo, alegres e despreocupados. Disto podemos ver a prova bem debaixo de nossos olhos. N\u00e3o precisamos consultar um sutra para isto. Al\u00e9m disto, velhos s\u00e1bios e homens esclarecidos, repreendiam aqueles que procuravam acumular riquezas; e entidades celestes, buddhas e ancestrais, tamb\u00e9m o consideram vergonhoso. \u00c9 realmente rid\u00edculo quando um tolo acumula riquezas e fica muito zangado quando delas \u00e9 privado. Um desejo sincero pelo Caminho, na pobreza extrema, \u00e9 respeitado pelos antigos s\u00e1bios e admirado pelos buddhas e ancestrais.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um fato evidente que o buddhismo esteja agora em decl\u00ednio. Constatei mudan\u00e7as graduais, entre a primeira vez que entrei no monast\u00e9rio de Kennin-ji<small><sup>1<\/sup><\/small>, e a seguinte, sete ou oito anos depois: todo quarto do monast\u00e9rio estava equipado com moveis decorados; todo monge tinha sua pr\u00f3pria mob\u00edlia, gostava de boas roupas, acumulava tesouro, adorava contar piadinhas maliciosas, negligenciava as maneiras de sauda\u00e7\u00e3o e de culto. Da\u00ed eu posso facilmente deduzir as condi\u00e7\u00f5es dos outros monast\u00e9rios. Aos praticantes do Caminho, n\u00e3o lhes \u00e9 permitido ter nada, al\u00e9m de mantos e uma tigela como tesouros. Para que um tal m\u00f3vel decorado? N\u00e3o devemos possuir tanto tesouro que o tenhamos que ocultar de outros. Tentam faz\u00ea-lo com medo de que um ladr\u00e3o o possa surripiar! Abandonemo-lo e nos veremos livres de dificuldades. Quando estamos com medo de sermos mortos por outros, ficamos cansados fisicamente, e preocupados mentalmente. Mas quando resolvemos n\u00e3o matar outros, mesmo que haja perigo de sermos mortos, estamos livres de preocupa\u00e7\u00f5es. O mesmo pode ser dito do furto. Ent\u00e3o podemos viver tranq\u00fcilos o tempo todo.&#8221;<\/p>\n<p>[5] Um dia meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Quando o Mestre Hai-men<small><sup>2<\/sup><\/small> era o encarregado do monast\u00e9rio T&#8217;ien-T&#8217;ung na China, havia um monge muito graduado chamado Tuan, entre seus disc\u00edpulos. Estava familiarizado com o buddhismo, e era tamb\u00e9m iluminado. Na pr\u00e1tica do Caminho excedia seu Mestre Hai-men.<\/p>\n<p>&#8220;Uma noite ele foi ao quarto de seu Mestre, queimou incenso, e humildemente prosternou-se, dizendo: &#8216;Eu te rogo, Reverendo, que me permitas ser promovido a Hon-Tang Shou-Tsu?<small><sup>3<\/sup><\/small>&#8216;. Ouvindo isto, seu Mestre verteu l\u00e1grimas, e disse: &#8216;H\u00e1 muito tempo n\u00e3o ou\u00e7o um pedido para promo\u00e7\u00e3o, assim como o que fizeste. \u00c9 um crasso erro que tu, um praticante de Zen, queiras ser monge chefe, ou Shou-Tsu. Tua ilumina\u00e7\u00e3o est\u00e1 al\u00e9m da minha, e ainda assim pedes este posto t\u00e3o fervorosamente. Queres ser promovido? Se assim \u00e9, eu te darei os dois postos, monge-chefe e Chien-T&#8217;ang<small><sup>4<\/sup><\/small>. Mas teu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 verdadeiramente desprez\u00edvel. Deste pedido, depreendo logo como v\u00e3o as pr\u00e1ticas dos outros monges iludidos e constato a decad\u00eancia do buddhismo.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Envergonhado de sua pr\u00f3pria conduta, Tuan abdicou dela. Contudo, foi por fim nomeado Hon-Tang Shou-Tsu. Mais tarde ele deitou por escrito as palavras de seu Mestre, desgra\u00e7ando-se a si mesmo, e glorificando as excelentes palavras de seu Mestre. Quando considero esta hist\u00f3ria, vejo como desgracioso que monges queiram ser promovidos a cargos, como monge-chefe, ou veteranos influentes. Um monge nada deve almejar sen\u00e3o a apreens\u00e3o do Caminho.&#8221;<\/p>\n<p>[6] Uma noite, meu Mestre ensinou:<\/p>\n<p>&#8220;O Imperador Tai-Tsung<small><sup>5<\/sup><\/small>, da dinastia T&#8217;ang, vivia num pal\u00e1cio velho, que estava caindo aos peda\u00e7os, depois que ascendeu ao trono. O velho pal\u00e1cio estava t\u00e3o danificado, que o ar \u00famido, o vento frio e o nevoeiro penetravam em seu quarto, amea\u00e7ando abalar a sa\u00fade de Sua Majestade. Quando seus ministros lhe pediram que constru\u00edsse um pal\u00e1cio novo, o Imperador retrucou assim: &#8216;Agora estamos na \u00e9poca da colheita. Se o fizermos ser\u00e1 um grande transtorno para os lavradores. \u00c9 melhor deixarmos para o outono. Se for atacado pela umidade, ser\u00e1 porque estou contra a vontade das divindades terrestres, e se for fustigado pelo tempo, ser\u00e1 porque estou contra a vontade das divindades celestes. Contra estas divindades n\u00e3o posso manter minha sa\u00fade. Se n\u00e3o causar transtornos ao povo, naturalmente serei um com estas divindades, e ent\u00e3o n\u00e3o ficarei doente.&#8217; Assim dizendo, o Imperador n\u00e3o permitiu que um novo pal\u00e1cio fosse constru\u00eddo, e continuou a morar no antigo.<\/p>\n<p>&#8220;Assim, at\u00e9 um leigo amava mais seu povo que a si mesmo; mais ainda devemos n\u00f3s Budistas amar a todas as criaturas como se fossem nosso pr\u00f3prio filho, seguindo o Caminho de Buddha. N\u00e3o devemos desprezar quaisquer monges assistentes meramente por que sejam nossos disc\u00edpulos. Mais ainda, devemos respeitar nossos iguais no Dharma, ou monges veteranos, como se fossem o Tathagata, como est\u00e1 explicado no Sutra dos preceitos. Logo, n\u00f3s, praticantes Budistas, em nossos cora\u00e7\u00f5es, n\u00e3o devemos fazer diferen\u00e7a entre &#8216;elevado e med\u00edocre&#8217;, ou &#8216;\u00edntimo e estranho&#8217;; devemos tentar fazer o bem a outros mesmo que estes estejam despercebidos de nossas a\u00e7\u00f5es. N\u00e3o devemos nos intrometer na vida dos outros ao fazermos as coisas, sejam s\u00e9rias ou triviais.<\/p>\n<p>&#8220;No tempo do Tathagata, muitas pessoas falavam mal dele, ou o odiavam. Um de seus disc\u00edpulos lhe disse: &#8216;Por natureza \u00e9s dotado de compaix\u00e3o e gentileza. Ent\u00e3o todos deveriam te respeitar naturalmente. Por que te desobedecem tanto?&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Buddha disse: &#8216;Em vidas anteriores, quando tive muitos disc\u00edpulos, com freq\u00fc\u00eancia os admoestava severamente, ou os obrigava a se confessarem, para se emendarem. Por isso \u00e9 que hoje em dia tanto me resistem.&#8217; Assim diz o Vinaya.<\/p>\n<p>&#8220;Portanto, quando conduzirmos outros monges, como veteranos, n\u00e3o devemos repreend\u00ea-los com palavras ferinas por seus poss\u00edveis erros. Mesmo advertindo-os com palavras doces, nos obedecer\u00e3o somente se estivermos certos. Mais ainda, os praticantes Zen devem se abster de usar palavras \u00e1speras para ralhar com outrem, mesmo em se tratando de parentes ou irm\u00e3os. Devemos ter bastante cautela com isto.&#8221;<\/p>\n<p>[7] Outro dia, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Os monges Zen devem tentar seguir as a\u00e7\u00f5es dos buddhas e ancestrais.<\/p>\n<p>&#8220;Primeiramente, n\u00e3o devem desejar possuir riquezas. Pois o Tathagata tinha uma compaix\u00e3o imensuravelmente profunda. Todas as suas a\u00e7\u00f5es, as praticava para os outros, e n\u00e3o para si. Em nada prejudicava aos demais. E isto pela seguinte raz\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8220;O Buddha Shakyamuni era o pr\u00edncipe herdeiro do reino de <i>chakravartin<\/i> <small><sup>6<\/sup><\/small>, e portanto, houvesse ele ascendido ao trono, poderia ter reinado como bem lhe aprouvesse, dando seus tesouros aos disc\u00edpulos, ou os alimentando com suas possess\u00f5es. Mas deixou o trono e praticou a mendic\u00e2ncia. Por que? Renunciou \u00e0s riquezas e praticou a mendic\u00e2ncia desta forma porque achava isto bom para todas as criaturas na era do buddhismo decadente. Desde ent\u00e3o, todos os excelentes Mestres na China e na \u00cdndia, t\u00eam praticado a mendic\u00e2ncia na pobreza honesta.<\/p>\n<p>&#8220;Mais ainda, t\u00eam todos os ancestrais nos advertido para n\u00e3o acumularmos riquezas, ou tesouros. Admirando a escola Zen, fil\u00f3sofos Budistas, nos elogiam por nossa pobreza e tamb\u00e9m a registram em seus livros tradicionais. Eu nunca ouvi falar de pessoas ricas que praticassem o buddhismo. Todos os Budistas que se sobressa\u00edram, sempre usaram o manto quadrado<small><sup>7<\/sup><\/small>, e sempre foram pobres, praticando a mendic\u00e2ncia. As pessoas costumam chamar o buddhismo Zen de uma seita excelente, e consideram os praticantes Zen diferentes de quaisquer outros. Isto se deve ao fato de que, quando em templos de monges de outras seitas, os monges Zen eram pobres e davam suas vidas pelo Caminho. Este \u00e9, devemos sab\u00ea-lo, o Caminho Zen de vida! N\u00e3o precisamos depender de ensinamentos dos sutras sagrados. Quanto a mim, eu j\u00e1 fui rico, e tinha terrenos de planta\u00e7\u00e3o de arroz e tamb\u00e9m muito dinheiro. Mas comparado com aquele tempo, agora que tenho apenas tr\u00eas mantos e uma tigela, me sinto mais confort\u00e1vel. N\u00e3o pode haver prova mais concreta do que esta.&#8221;<\/p>\n<p>[8] Novamente meu Mestre falou:<\/p>\n<p>&#8220;Um velho Mestre disse: &#8216;A menos que sejamos parecidos com um homem, n\u00e3o devemos comentar seu Caminho.&#8217; Isto quer dizer que, enquanto permanecermos inconscientes de sua virtude, n\u00e3o podemos julgar um tal homem por suas a\u00e7\u00f5es. Devemos respeit\u00e1-lo por sua virtude, e n\u00e3o devemos ligar para suas faltas. Portanto, \u00e9 dito que aquele que \u00e9 virtuoso d\u00e1 mais import\u00e2ncia \u00e0 virtude do que \u00e0s faltas.&#8221;<\/p>\n<p>[9] Um dia meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Devemos fazer o bem \u00e0s escondidas, e seremos seguramente recompensados por isto. Devemos respeitar at\u00e9 mesmo uma simples imagem de Buddha, feita de barro, madeira ou lama; respeitar os sutras, apesar de parecerem insignificantes; procurar ref\u00fagio em monges, por mais pecadores que sejam, enquanto estiverem na forma de monges. Se respeitosamente venerarmos todos estes, certamente seremos felizes. Se todavia os desrespeitarmos, porque alguns monges violaram os mandamentos, ou os sutras, ou porque as imagens de Buddha sejam toscas \u2014 nunca deixaremos de sofrer a puni\u00e7\u00e3o. Todos estes nos s\u00e3o dados pela vontade de Buddha para nossa felicidade. Logo nosso respeito por eles necessariamente nos trar\u00e1 felicidade; nosso desrespeito, a infelicidade. Devemos respeitar os Tr\u00eas Tesouros, mesmo que pare\u00e7am extremamente indignos. Trata-se de um grave erro que monges Zen pratiquem o mal sob o pretexto de que n\u00e3o necessitam fazer o bem nem acumular a\u00e7\u00f5es virtuosas. Eu nunca ouvi falar de quaisquer velhos mandamentos que dissessem que monges devessem amar o mal.<\/p>\n<p>&#8220;Tan-hsia T&#8217;ien Jan<small><sup>8<\/sup><\/small> tocou fogo em uma imagem de madeira do Buddha para se aquecer do frio. Pode parecer errado, mas \u00e9 na verdade uma excelente ilustra\u00e7\u00e3o. Lendo sua biografia, vemos que ele era sempre respeitoso, ao sentar-se ou a andar, como se estivesse diante de pessoas vener\u00e1veis. Mesmo sentando pouco tempo, estava sempre de pernas cruzadas na posi\u00e7\u00e3o de l\u00f3tus; e quando ficava de p\u00e9, segurava suas m\u00e3os palma contra palma. Cuidava bem do monast\u00e9rio, nunca deixando de elogiar os monges por sua dilig\u00eancia no Caminho, e dando valor \u00e0s coisas conquanto pequenas. Especialmente, era excelente na conduta de sua vida cotidiana. Assim, consideram-no um exemplo excelente, a ser seguido nos monast\u00e9rios Zen.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m deste, todos os velhos Mestres Zen e ancestrais iluminados, dizem, observavam os preceitos e levavam vidas regradas, fazendo muito com um bem pequeno. Eu nunca ouvi falar de monges iluminados que negligenciassem as boas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Portanto, para seguir o Caminho dos ancestrais, os praticantes n\u00e3o devem negligenciar suas boas a\u00e7\u00f5es. O grande Caminho praticado pelos buddhas e ancestrais nunca deixar\u00e1 de trazer muitos tipos de bem. Agora que compreendemos que todas as coisas s\u00e3o uma manifesta\u00e7\u00e3o do buddhismo, devemos perceber que o mal \u00e9 definitivamente o mal e afastado do Caminho dos buddhas e ancestrais; e que o bem \u00e9 decididamente o bem, e ligado a este. Se isto \u00e9 assim, como seria poss\u00edvel, ent\u00e3o, que os Tr\u00eas Tesouros n\u00e3o fossem respeitados?&#8221;<\/p>\n<p>[10] Noutro dia meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Se agora quiser, segui o Caminho dos velhos Mestres iluminados e as a\u00e7\u00f5es dos ancestrais, livre de id\u00e9ias ego\u00edstas tais como ganho e perda. Mas se, com este pretexto de renunciarmos a nossa mente ego\u00edsta, sequer praticarmos o Caminho, dizendo que nada queremos obter na quest\u00e3o da ilumina\u00e7\u00e3o espiritual, desta forma continuaremos nossas antigas m\u00e1s a\u00e7\u00f5es, e mais uma vez estaremos no velho atoleiro, ligados \u00e0 nossa mente ego\u00edsta. Esperando apenas tornar todos os seres felizes, devemos tentar ajudar a todas as criaturas, fazendo muitos tipos de bem de todo o cora\u00e7\u00e3o, renunciando aos males passados, e estando livres da id\u00e9ia de fazermos o bem. Ent\u00e3o estaremos libertos da ilus\u00e3o. Isto pode ser comparado a quebrar o fundo do balde laqueado <small><sup>9<\/sup><\/small>, no velho ditado. Assim eram as a\u00e7\u00f5es dos buddhas e ancestrais&#8221;<\/p>\n<p>[11] Certo dia, um monge perguntou a meu Mestre sobre a atitude mental na pr\u00e1tica do Caminho, e meu Mestre assim respondeu:<\/p>\n<p>&#8220;Em primeiro lugar, praticantes devem ser pobres. Se tiverem dinheiro, certamente perder\u00e3o seus desejos de praticar o Caminho. A maioria dos leigos praticantes ser\u00e1 afetada tamb\u00e9m, enquanto estiverem ainda apegados ao dinheiro, a uma boa casa e a parentes. Nenhum dos leigos que at\u00e9 agora estudou o Caminho, \u00e9 melhor do que monges, embora hajam alguns leigos excelentes. Os monges n\u00e3o t\u00eam tesouros, apenas tr\u00eas mantos e uma tigela. Livres de quaisquer apegos a comida, roupa ou teto, monges estudam o Caminho de todo o cora\u00e7\u00e3o. Assim, todos obt\u00e9m o resultado de seus treinamentos de acordo com seus esfor\u00e7os. S\u00e3o unos com o Caminho porque s\u00e3o pobres.<\/p>\n<p>&#8220;P&#8217;ang-kung<small><sup>10<\/sup><\/small> era leigo, mas t\u00e3o excelente quanto qualquer monge. A raz\u00e3o pela qual podemos achar seu nome na hist\u00f3ria do Zen \u00e9 a seguinte:<\/p>\n<p>&#8220;Quando come\u00e7ou a praticar o Caminho, ele juntou tudo que tinha e decidiu jogar no mar. Vendo isto, algu\u00e9m o aconselhou a dar aos pobres ou a utilizar para o buddhismo. Ele replicou, contudo: &#8216;Vou abandonar tudo achando que seja prejudicial para mim. Como posso d\u00e1-lo a outros? Riquezas nos s\u00e3o prejudiciais pela vida afora.&#8217; Assim dizendo, afinal afundou seu tesouro no mar.<\/p>\n<p>&#8220;Da\u00ed em diante, se sustentava fazendo e vendendo cestos de vime. Leigo que era, era no entanto considerado um excelente praticante Zen, tendo abandonado seu tesouro daquela forma. Mais ainda devemos n\u00f3s monges simplesmente nos livrar de nossas possess\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>[12] Um monge disse: &#8216;Os monast\u00e9rios Zen na China possuem propriedades comuns e os monges t\u00eam como se manter. Isto os sustenta materialmente em seus treinamentos Budistas, e os livra da dificuldade de ganharem a vida. Mas aqui no Jap\u00e3o o contr\u00e1rio ocorre. Se n\u00f3s simplesmente abandonarmos nossas possess\u00f5es, isto causar\u00e1 uma confus\u00e3o maior ainda. Ent\u00e3o \u00e9 melhor termos algu\u00e9m que nos forne\u00e7a comida e roupa. Que achas disto?&#8217;<\/p>\n<p>Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Isto est\u00e1 errado. Mais do que o povo chin\u00eas, est\u00e1 o povo japon\u00eas apto a doar sem esperar nada em troca e a dar coisas al\u00e9m de suas possibilidades. Quanto a mim, eu me iluminei da seguinte maneira: sem nada que me sustentasse, e sem esperar receber donativos, eu passei mais de dez anos. Fatal \u00e9 nosso desejo de manter um pequeno n\u00famero de coisas. Temos o bastante para mantermos nossas vidas transientes, mesmo que n\u00e3o nos preocupemos em demasia com o futuro. Todos t\u00eam, como direito de nascimento, uma por\u00e7\u00e3o de comida e roupa, dados pelo C\u00e9u e pela Terra, quer o busquem ou n\u00e3o. Mais ainda os monges, praticantes Budistas, est\u00e3o agraciados com a heran\u00e7a deixada pelo Tathagata. Se arrojarmos fora possess\u00f5es mundanas e praticarmos o Caminho, naturalmente n\u00e3o sentiremos priva\u00e7\u00e3o de dinheiro ou bens. A prova disto a tens bem diante de teus olhos.&#8221;<\/p>\n<p>[13] Novamente meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Os praticantes Budistas costumam dizer: &#8216;Se fizermos isto ou aquilo, poder\u00e3o falar mal de n\u00f3s.&#8217; Isto \u00e9 um equ\u00edvoco. Por mais que de n\u00f3s falem mal, devemos seguir o Caminho, se este for o Caminho dos buddhas e ancestrais, ou a verdade do buddhismo; enquanto que, por mais que nos encorajem ou nos instiguem, n\u00e3o devemos seguir o caminho em caso contr\u00e1rio. A raz\u00e3o \u00e9 a seguinte:<\/p>\n<p>&#8220;Suponde que sigamos as opini\u00f5es de pessoas mundanas, \u00edntimas ou desconhecidas, meramente baseados em seus louvores ou cr\u00edticas. Quando estivermos \u00e0s portas da morte, ou quando formos cair nos mundos maus como resultados de nossas a\u00e7\u00f5es m\u00e1s, n\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7as de que estes nos salvem.<\/p>\n<p>&#8220;Se seguirmos o Caminho dos buddhas e ancestrais, sem ligarmos para louvores ou cr\u00edticas de pessoas no mundo, seremos de fato protegidos pelas entidades celestes. Logo, a despeito da cr\u00edtica alheia, n\u00e3o devemos em hip\u00f3tese alguma deixar de praticar o Caminho.<\/p>\n<p>&#8220;Aqueles que nos criticam ou admiram nem sempre est\u00e3o familiarizados com as a\u00e7\u00f5es dos buddhas e ancestrais, e nem sempre s\u00e3o esclarecidos. Como podem julgar o Caminho dos buddhas e ancestrais, a partir do ponto de vista moral do mundo? Portanto n\u00e3o devemos aceder \u00e0 opini\u00e3o do vulgo, mas simplesmente seguir o Caminho, se tivermos boas raz\u00f5es para tal.&#8221;<\/p>\n<p>[14] Um dia, certo monge disse: &#8216;Eu tenho uma m\u00e3e idosa agora. Sou seu filho \u00fanico e ela depende de mim. Ela muito me ama e eu lhe sou muito dedicado. Para este fim, estou ligado a assuntos e a pessoas mundanas. Assim posso lhe fornecer comida e roupa. Se eu renunciar ao mundo e ingressar em um monast\u00e9rio, ela n\u00e3o poderia sobreviver por um s\u00f3 dia que fosse. Mas tamb\u00e9m me \u00e9 penoso conviver com situa\u00e7\u00f5es mundanas, n\u00e3o ousando entrar em um tipo de vida fora do mundo. Qual verdade haver\u00e1, se \u00e9 que existe alguma, de que, apesar desta dificuldade, eu deva deixar o mundo e entrar no Caminho?&#8217;<\/p>\n<p>Meu Mestre respondeu assim:<\/p>\n<p>&#8220;Este \u00e9 um problema deveras dif\u00edcil. Mas n\u00e3o deve ser solucionado por outros. Tu mesmo \u00e9 que deves resolv\u00ea-lo. E se realmente tens a decis\u00e3o de te tornares um monge, deves tomar todas as medidas cab\u00edveis que possibilitem tua m\u00e3e viver em conforto, para que em seguida entres na Ordem. Ent\u00e3o ser\u00e1 bom para tua m\u00e3e e para ti tamb\u00e9m. A simples concentra\u00e7\u00e3o mental te possibilitar\u00e1 realizar aquilo que quiseres. Seja um inimigo forte, uma mulher de quem se est\u00e1 profundamente enamorado, ou uma grande soma de dinheiro, certamente aparecer\u00e1 uma forma de obter isto, se realmente o quisermos. Ent\u00e3o, com a ajuda invis\u00edvel de entidades protetoras do C\u00e9u e da Terra<small><sup>11<\/sup><\/small>, podemos alcan\u00e7ar nosso objetivo. Hui-neng<small><sup>12<\/sup><\/small> vivia no monast\u00e9rio Ts&#8217;ao-chi. Antes disto era um lenhador na prov\u00edncia de Shin-chou e sustentava sua m\u00e3e vendendo lenha. Um dia, ao ouvir um monge lendo na rua um trecho do Sutra do Diamante, subitamente despertou para o Caminho. Quando foi praticar no monast\u00e9rio de Hung-yen<small><sup>13<\/sup><\/small>, deixou sua m\u00e3e, tendo recebido uma doa\u00e7\u00e3o de dez moedas de prata<small><sup>14<\/sup><\/small>, que utilizou para o sustento dela, assim ouvi dizer. Devido ao seu desejo sincero pelo Caminho, este dinheiro lhe foi dado, creio eu, pelos C\u00e9us. Devemos pensar sobre isto cuidadosamente. Isto \u00e9 perfeitamente razo\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8220;De fato, pode parecer l\u00f3gico que entres no monast\u00e9rio para praticar somente ap\u00f3s a morte de tua m\u00e3e. Mas, como sabes, a morte chega tanto para os velhos como para os mo\u00e7os. N\u00e3o \u00e9 uma possibilidade a ser descartada, que tua idosa m\u00e3e viva mais do que tu, ao contr\u00e1rio do que suporias. Ent\u00e3o lamentarias n\u00e3o ter praticado, enquanto que tua m\u00e3e teria cometido o crime de n\u00e3o ter permitido que seu filho se tornasse monge. Nenhum dos dois seria beneficiado, ambos teriam cometido erros. Que achas disto? Se entrares no Caminho, ela pode morrer de fome. Mas isto a ajudar\u00e1 a obter a ilumina\u00e7\u00e3o em sua exist\u00eancia vindoura, com a for\u00e7a de ter permitido seu filho \u00fanico tornar-se monge. Apesar de ser muito dif\u00edcil seccionar os la\u00e7os de afei\u00e7\u00e3o, mesmo durante repetidos nascimentos e mortes, agora tens um corpo humano, aben\u00e7oado com uma boa oportunidade de travar contato com o buddhismo. Se agora renunciares \u00e0 bondade e \u00e0 afei\u00e7\u00e3o, ser\u00e1s uma pessoa realmente agradecida. Como pode isto ent\u00e3o n\u00e3o ser uma s\u00f3 coisa com a vontade de Buddha? Se o filho da pessoa, diz-se, tornar-se monge, seus ancestrais em sete gera\u00e7\u00f5es anteriores alcan\u00e7am a ilumina\u00e7\u00e3o. Como podemos negligenciar a fonte da alegria eterna, apegados a este corpo transiente pela vida afora? Devemos pensar nisto.&#8221;<\/p>\n<h3>Notas<\/h3>\n<p><font size=1> <\/p>\n<p>1. Com a idade de 15 anos, Dogen Zenji visitou o Mestre Eisai do templo de Kenin-ji, a conselho do Mestre Koin.<br \/>2. Hai-men \u2014 herdeiro budista de Fu-chao (?-1203), irm\u00e3o do Dharma de Wu-chi.<br \/>3. Hou-tang Shou-tsu \u2014 supervisor da parte anterior do sal\u00e3o de medita\u00e7\u00e3o.<br \/>4. Chien-tang. Um supervisor da parte posterior do sal\u00e3o de medita\u00e7\u00e3o.<br \/>5. Tai-tsung \u2014 conforme nota 3 do cap\u00edtulo 2<br \/>6. <i>Chakravarti-raja <\/i>\u2014 Dito ser o rei que, tendo as 32 caracter\u00edsticas da grandeza em seu corpo, reinou sobre o mundo.<br \/>7. <i>Funzoe <\/i>\u2014 conforme nota 41 do cap\u00edtulo 1<br \/>8. Tan-hsia T&#8217;ien-jan (739-834). Primeiramente aprendeu o Confucionismo; mais tarde ingressou no buddhismo e se tornou herdeiro Budista de Shih-t&#8217;ou (700-790). A hist\u00f3ria de sua queima da imagem do Buddha de madeira, \u00e9 a seguinte: &#8220;Certa ocasi\u00e3o fazia muito frio no templo de Hui-ling. Tan-hsia pegou uma imagem de Buddha e queimou-a. Um monge o repreendeu por suas a\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o ele disse: &#8216;Eu o fiz para colher as rel\u00edquias mortais do Buddha.&#8217; O monge disse: &#8216;Como podes faz\u00ea-lo com uma imagem de madeira do Buddha?&#8217; Ele disse: &#8216;Ent\u00e3o porque me repreendes t\u00e3o duramente?'&#8221;<br \/>9. Um balde de laca preta \u2014 t\u00e3o escuro que n\u00e3o d\u00e1 para perceber nada dentro dela. Assim, \u00e9 com freq\u00fc\u00eancia comparada com a ilus\u00e3o.<br \/>10. P&#8217;ang-kung \u2014 pessoa da dinastia T&#8217;ang, herdeiro Budista de Ma-tsu e ligado a Shih-t&#8217;ou e Tan-hsia.<br \/>11. Entidades protetoras do C\u00e9u e da Terra: do C\u00e9u \u2014 Brama-deva e Shakra devanam Indra etc; da Terra \u2014 uma deidade local e os oito reis-drag\u00f5es etc.<br \/>12. Hui-neng Ta-chian (638-713) \u2014 herdeiro Budista de Tan-men (602-675). Primeiro ele ganhava a vida vendendo lenha; mais tarde despertou para o esp\u00edrito Bodhi ouvindo um monge cantar na rua uma passagem do Sutra do Diamante; e foi treinar com Ta-man-Zenji, iluminando-se depois de praticar oito meses.<br \/>13. Hung-yen \u2014 Ta-man<br \/>14. <i>Ryo<\/i> \u2014 unidade monet\u00e1ria.<\/p>\n<p><\/font> <\/p>\n<p ALIGN=\"right\"><i><font SIZE=\"1\"><b>Extra\u00eddo do site www.dharmanet.com.br<\/b><\/font><\/i><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><\/font> <\/p>\n<hr \/><\/div>\n<p><\/font> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><a HREF=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Shobogenzo ZuimonkiCap\u00edtulo 3 de Eihei Dogen Zenji Adaptado da tradu\u00e7\u00e3o do monge Ryokyu Marcos Beltr\u00e3o [1] Meu Mestre disse: &#8220;Quem pratica Zen deve se dedicar completamente ao Caminho. &#8220;Um velho monge disse: &#8216;Como podemos dar um passo al\u00e9m de um &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/shobogenzo-zuimonki-capitulo-3\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1276,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,40],"tags":[62,64],"class_list":["post-6610","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-zen","tag-philip-kapleau","tag-yasutani-hakunn"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6610","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6610"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6610\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6611,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6610\/revisions\/6611"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1276"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}