{"id":6612,"date":"2020-07-02T17:18:51","date_gmt":"2020-07-02T19:18:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6612"},"modified":"2020-07-02T17:18:51","modified_gmt":"2020-07-02T19:18:51","slug":"shobogenzo-zuimonki-capitulo-4","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/shobogenzo-zuimonki-capitulo-4\/","title":{"rendered":"Shobogenzo Zuimonki-Cap\u00edtulo 4"},"content":{"rendered":"<p><font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:justify\">\n<a NAME=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki.jpg\" alt=\"\" width=\"314\" height=\"500\" class=\"alignleft size-full wp-image-6594\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki.jpg 314w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki-188x300.jpg 188w\" sizes=\"auto, (max-width: 314px) 100vw, 314px\" \/><\/a><br \/>\n<font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:justify\"> <a NAME=\"inicio\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:center\"><font SIZE=\"4\"><b>Shobogenzo Zuimonki<br \/><font SIZE=\"2\">Cap\u00edtulo 4<\/font><\/b><\/font><\/div>\n<p><\/a> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><font SIZE=\"1\"><i><b>de <a href=\"default.asp?menu=122\" class=\"broken_link\"><font SIZE=\"1\">Eihei Dogen Zenji <\/font><\/a><br \/>Adaptado da tradu\u00e7\u00e3o do monge Ryokyu Marcos Beltr\u00e3o<\/b><\/i><\/font><\/div>\n<p> <\/p>\n<p>[1] Numa palestra, disse meu Mestre:<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s praticantes do Caminho n\u00e3o devemos ficar tolhidos em um ponto de vista preconcebido. Mesmo que tenhamos compreendido algo, devemos tentar ver o que h\u00e1 ali que possa ser melhorado. Para este fim, devemos questionar e visitar pessoas capacitadas, pr\u00f3ximas ou long\u00ednquas, ou buscar uma solu\u00e7\u00e3o, nos casos dos velhos mestres. Mesmo ent\u00e3o, n\u00e3o devemos nos apegar cegamente \u00e0s suas palavras, pois n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel que estejam errados. Com este m\u00e9todo altamente cr\u00edtico e inquisitivo, aos poucos seguiremos qualquer ponto de vista mais adequado.&#8221;<\/p>\n<p>[2] Prosseguindo, meu Mestre frisou:<\/p>\n<p>&#8220;O mestre Nacional Hui-chung, de Nan-yang<small><sup>1<\/sup><\/small>, perguntou ao monge assistente do imperador:<\/p>\n<p>&#8220;&#8216;De onde vens?&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Ele disse: &#8216;Do sul do pa\u00eds.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;&#8216;De que cor s\u00e3o os campos l\u00e1?&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;&#8216;Verdes.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o Hui-chung perguntou a uma crian\u00e7a a mesma coisa, obtendo uma resposta id\u00eantica. Ao ouvir isto, Hui-chung disse que mesmo aquela crian\u00e7a poderia envergar o manto p\u00farpura na presen\u00e7a do imperador e lhe ensinar buddhismo. Isto quer dizer que Hui-Chung considerava a resposta do monge banal, j\u00e1 que o menino dissera a mesma coisa.<\/p>\n<p>&#8220;Mais tarde algu\u00e9m discordou de Hui-Chung, dizendo: &#8216;N\u00e3o, os dois disseram qual \u00e9 a cor dos campos no sul do pa\u00eds. N\u00e3o pode restar d\u00favidas de que este monge \u00e9 um mestre aut\u00eantico.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Deduzimos do acima mencionado que nem sempre devemos seguir as palavras dos antigos. De fato, duvidar pode ser um erro, mas mais ainda \u00e9 erro ficar apegado a coisas profundamente inver\u00eddicas, e tamb\u00e9m n\u00e3o criticar e analisar o que deveria ser analisado.&#8221;<\/p>\n<p>[3] De outra feita, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Fundamental para quem pratica Zen \u00e9 n\u00e3o ser auto-centrado. Isto quer dizer que n\u00e3o devemos ficar fixados em nossos egos, como se fossem a verdade. Mesmo que dominemos as historinhas Zen, fa\u00e7amos zazen e que nossa mente atinja o estado s\u00f3lido e imut\u00e1vel das rochas, ainda assim n\u00e3o dominaremos o Caminho dos buddhas e ancestrais, em um per\u00edodo longu\u00edssimo de tempo, enquanto estivermos atarraxados a n\u00f3s mesmos. Isto \u00e9 tanto mais verdade com aqueles muito espertos, e que dominaram muitos ensinamentos, esot\u00e9ricos ou exot\u00e9ricos<small><sup>2<\/sup><\/small>, te\u00f3ricos ou pr\u00e1ticos<small><sup>3<\/sup><\/small>, mas ainda gravitam ao redor de si mesmos. Estes, por assim dizer, n\u00e3o t\u00eam um s\u00f3 centavo de proveito, mas ficam tolamente contando o dinheiro alheio.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00eas, praticantes, devem fazer o zazen tranq\u00fcilamente e ponderar com cuidado de onde vem este corpo e para onde ele vai. Nosso corpo aparece com a uni\u00e3o do \u00f3vulo e do s\u00eamen de nossos progenitores, e perece com seu \u00faltimo arquejo. O cad\u00e1ver vira p\u00f3 finalmente e se espalha pelas pradarias sem fim. Ent\u00e3o, a que eu, ou corpo, podemos nos apegar, finalmente? Al\u00e9m disto, na teoria buddhista, o ir e vir de nosso corpo depende dos seis \u00f3rg\u00e3os dos sentidos etc.<small><sup>4<\/sup><\/small> Qual destes pode ser considerado como sendo eu mesmo? O Zen buddhismo \u00e9 bastante diferenciado de outras seitas buddhistas que se ap\u00f3iam totalmente em Escrituras, mas ambos concordam em que o come\u00e7o e o fim do que chamamos n\u00f3s mesmos \u00e9 incognosc\u00edvel \u2014 disto devemos estar cientes na pr\u00e1tica do Caminho. Ao nos familiarizarmos com isto, podemos entrar no Caminho facilmente.&#8221;<\/p>\n<p>[4] Um dia, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Um velho mestre costumava dizer: &#8216;Estar associado a um homem nobre \u00e9 como andar na neblina. Mesmo que nunca tentemos molhar nossas roupas, ainda assim freq\u00fcentemente as veremos \u00famidas.&#8217; Isto significa que, quando vivemos junto com um nobre, logo nos tornaremos tal.<\/p>\n<p>&#8220;Antigamente, nos tempos do Mestre Chu-chih<small><sup>5<\/sup><\/small>, um garotinho<small><sup>6<\/sup><\/small> que era seu assistente se iluminou, depois de ter convivido anos com seu mestre, apesar dele mesmo n\u00e3o estar ciente do per\u00edodo com que treinou com Chu-chih.<\/p>\n<p>&#8220;Se fizermos zazen por muito tempo, subitamente ganharemos o Caminho, e reconheceremos o zazen como o port\u00e3o correto e \u00fanico do mesmo.&#8221;<\/p>\n<p>[5] Na noite de 30 de dezembro do segundo ano de Katei<small><sup>7<\/sup><\/small>, eu, Ejo, fui aceito como o primeiro monge <i>shuso<\/i><small><sup>8<\/sup><\/small> no monast\u00e9rio de Kosyoji<small><sup>9<\/sup><\/small>. Isto \u00e9, meu Mestre, Dogen, em seguida a seu pr\u00f3prio serm\u00e3o, pediu que eu falasse \u00e0 congrega\u00e7\u00e3o. Assim, tornei-me o primeiro <i>shuso<\/i> deste monast\u00e9rio. Assim falou meu mestre no serm\u00e3o que antecedeu o meu:<\/p>\n<p>&#8220;Deixem agora que eu conte a voc\u00eas como tem sido realizada a transmiss\u00e3o no buddhismo Zen historicamente. Bodhidharma<small><sup>10<\/sup><\/small> foi o primeiro ancestral vindo da \u00cdndia para a China, onde fixou resid\u00eancia no monast\u00e9rio de Shaoling<small><sup>11<\/sup><\/small>. Aguardou durante muito tempo, meditando, at\u00e9 tornar seu ensinamento conhecido. No fim do ano, Hui-k&#8217;o<small><sup>12<\/sup><\/small> veio a ele inquirir sobre a verdade. Vendo que ali se encontrava algu\u00e9m fora do comum, Bodhidharma treinou-o pessoalmente. A lei correta lhe foi outorgada, junto com seus s\u00edmbolos, isto \u00e9, o manto de Buddha, a ser usado a partir desta data como s\u00edmbolo da ilumina\u00e7\u00e3o, e a tigela de mendiga\u00e7\u00e3o. Estas duas coisas foram passadas adiante tamb\u00e9m aos disc\u00edpulos de Hui-k&#8217;o. Assim se espalhou o buddhismo por toda a China, e o buddhismo transmiss\u00e3o correta \u00e9 ali praticado em toda a parte hoje em dia.<\/p>\n<p>&#8220;Neste monast\u00e9rio eu acabo de nomear Ejo como primeiro <i>shuso<\/i>, e hoje ele vai falar em meu lugar aos monges. N\u00e3o importa se s\u00e3o poucos os monges, ou se a pessoa \u00e9 principiante na pr\u00e1tica. Feng-yang<small><sup>13<\/sup><\/small> praticava junto com apenas seis ou sete monges, Yao-shan<small><sup>14<\/sup><\/small> praticava com menos de dez, mas ambos eram mestres do Caminho dos buddhas e ancestrais. Por isto seus monast\u00e9rios eram respeitados. \u00c9 famosa a hist\u00f3ria do mestre Zen<small><sup>15<\/sup><\/small> que alcan\u00e7ou a compreens\u00e3o com o som de um bambu que foi golpeado por uma pedra chutada por sua vassoura, ou a hist\u00f3ria daquele outro monge<small><sup>16<\/sup><\/small> que se iluminou ao fitar as flores de ameixa na flora\u00e7\u00e3o da primavera. Mas estas figuras se iluminaram, n\u00e3o porque os bambus estivessem cheios de &#8216;ilumina\u00e7\u00e3o ou ilus\u00e3o&#8217;, nem porque as flores fossem particularmente &#8216;inteligentes ou n\u00e3o-inteligentes\u2019. Todo ano as flores desabrocham, mas nem todos os que as v\u00eaem compreendem algo. \u00c9 inteiramente devido ao longo e penoso treinamento que a pessoa possa ou n\u00e3o a captar o \u00e2mago da quest\u00e3o, n\u00e3o porque o bambu tenha emitido qualquer nota musical. O som do bambu n\u00e3o \u00e9 a ele devido, mas sim \u00e0 pedra que lhe foi de encontro. Belas flores n\u00e3o desabrocham com suas pr\u00f3prias for\u00e7as, mas devido \u00e0 primavera. O mesmo ocorre com o \u00e1rduo estudo do Caminho. Todos possu\u00edmos o Caminho, mas para sua apreens\u00e3o precisamos da for\u00e7a coletiva de todos os demais companheiros que praticam e se esfor\u00e7am junto conosco. Por melhor que sejamos, necessitamos deles para a ilumina\u00e7\u00e3o. Devemos pois estudar e praticar devotadamente o Caminho. Assim como uma j\u00f3ia torna-se valiosa atrav\u00e9s do polimento, assim nos tornamos mestres pelo treinamento. H\u00e1 alguma j\u00f3ia transl\u00facida, quando esteja ainda nas rochas das montanhas? Algu\u00e9m j\u00e1 nasceu iluminado? Treinamos como polimos uma j\u00f3ia \u2014 \u00e9 a met\u00e1fora perfeita. Logo, n\u00e3o nos devemos diminuir, nem relaxar o treinamento.<\/p>\n<p>&#8220;Um velho mestre<small><sup>17<\/sup><\/small> nos exortou a n\u00e3o jogarmos o tempo fora. Eu pergunto a todos voc\u00eas: acaso o tempo se deter\u00e1 por causa de seus amores pelo tempo perdido, ou se deter\u00e1 contra suas vontades? Devemos aceitar que o tempo nunca passa inutilmente, mas que o homem o desperdi\u00e7a. Logo, devemos estudar o buddhismo sem perder mais tempo.<\/p>\n<p>&#8220;Praticantes Zen devem ser de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva. Para mim n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ficar aqui falando sozinho do Caminho o tempo todo; assim, eu indiquei um novo <i>shuso<\/i> para compartilhar minhas responsabilidades. Muitos alcan\u00e7aram a ilumina\u00e7\u00e3o seguindo os ensinamentos do Tathagata, enquanto outros se iluminaram ouvindo Ananda<small><sup>18<\/sup><\/small>. Voc\u00ea, novo <i>shuso<\/i>, n\u00e3o ache que n\u00e3o tenha m\u00e9ritos, mas conte a seus colegas monges sobre o k\u00f4an dos &#8216;tr\u00eas quilos de linho<small><sup>19<\/sup><\/small> de T&#8217;ung-shan<small><sup>20<\/sup><\/small>&#8216;.&#8221;<\/p>\n<p>Assim falando, meu mestre desceu do assento, o tambor foi batido, e eu, novo shuso, falei aos demais em nome de meu mestre. Este foi o meu primeiro pronunciamento no monast\u00e9rio de Kosyoji. Na ocasi\u00e3o, tinha eu trinta e nove anos de idade.&#8221;<\/p>\n<p>[6] Um dia meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Um leigo relatou: &#8216;Quem n\u00e3o gosta de se vestir bem? Quem n\u00e3o aprecia um estilo de vida de bom gosto?&#8217; Mas aquele que \u00e9 filho da verdade sobe a montanha, e suporta a fome e o frio, dormindo nas nuvens. Antigamente os praticantes n\u00e3o eram livres do sofrimento, mas o ag\u00fcentavam em prol da verdade. Sabendo disto, devemos respeitar seus exemplos e suas virtudes.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo em se tratando de homens e mulheres no mundo, os superiores em for\u00e7a agem todos desta forma, estranhamente. O mesmo se passa tamb\u00e9m com praticantes Zen. Nenhum dos velhos mestres era dotado de ossos de ouro; no tempo de Buddha, nem todos eram bem resolvidos e irrepreens\u00edveis. Lendo o Sutra dos preceitos Hinayana e Mahayana, vemos que certos monges eram completamente desnorteados, mas mais tarde todos alcan\u00e7aram a ilumina\u00e7\u00e3o, e se tornaram Arhats<small><sup>21<\/sup><\/small>. N\u00e3o importa se somos humildes ou extremamente limitados; o que precisamos compreender \u00e9 que, se treinarmos, tendo despertado a mente que busca o Caminho, n\u00f3s nos iluminaremos. Antigamente todos treinavam suportando o sofrimento, o frio e a amargura. Agora, praticantes Zen devem se esfor\u00e7ar ao m\u00e1ximo no Caminho, n\u00e3o importa qu\u00e3o doloroso isto possa vir a ser.&#8221;<\/p>\n<p>[7] Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Se existe uma raz\u00e3o mais forte por que praticantes n\u00e3o se tornem iluminados, \u00e9 devido a seus apegos a id\u00e9ias preconcebidas, seus primeiros conhecimentos. Apesar de n\u00e3o saberem de onde vieram estas id\u00e9ias, cr\u00eaem piamente que a palavra &#8216;ment\u00c9 quer dizer &#8216;faculdade discriminat\u00f3ria que nos diferencia dos animais&#8217;, e se recusam a aceitar que mente s\u00e3o as pradarias e as \u00e1rvores. E cr\u00eaem que &#8216;Buddha&#8217; quer dizer uma pessoa que possui 32 sinais de superioridade e mais outras 80 caracter\u00edsticas secund\u00e1rias, e que esta pessoa fica emitindo uma luz brilhante. Logo, quedam-se estupefatos ao ouvirem de seus mestres frases como &#8216;Buddha \u00e9 uma lajota, ou uma pedra&#8217;. Tais pontos de vista err\u00f4neos nunca lhes foram transmitidos por ningu\u00e9m, mas longamente cridos, como resultado de cegamente seguir opini\u00f5es alheias. Contudo, as palavras dos buddhas e ancestrais est\u00e3o eterna e infalivelmente afirmadas; logo, ser\u00e1 de nosso interesse urgente desistirmos de nossas id\u00e9ias preconcebidas e de nosso primeiro conhecimento, crendo ser, de fato, a mente pradarias e \u00e1rvores, e ser o Buddha uma lajota ou uma pedra. Ent\u00e3o realizaremos o objetivo de nossa pr\u00e1tica, isto \u00e9, n\u00f3s nos iluminaremos.<\/p>\n<p>&#8220;Houve algu\u00e9m que afirmou: &#8216;O sol e a lua possuem brilho pr\u00f3prio, mas \u00e0s vezes ficam obscurecidos por nuvens passageiras que os encobrem. As orqu\u00eddeas querem ficar eretas, mas o vento forte do outono pode dobr\u00e1-las.&#8217; Estes ditos podemos encontr\u00e1-los no Livro de Cheng-kuan Cheng-yao<small><sup>22<\/sup><\/small>: s\u00e3o uma par\u00e1bola de um rei benevolente e s\u00e1bio e seus s\u00faditos maliciosos. Mas o significado desta par\u00e1bola pode ser alterado: eu digo agora que as nuvens vadias n\u00e3o cobrem jamais o sol ou a lua, mas com o tempo v\u00e3o embora; e mesmo que o vento chegue a vergar as orqu\u00eddeas, flores fragrantes finalmente desabrochar\u00e3o. De forma similar, s\u00faditos maliciosos n\u00e3o enganar\u00e3o o rei, se este \u00faltimo tiver sabedoria. Tudo isto vale para os praticantes Zen de hoje em dia, ou seja, n\u00e3o importa quantas vezes surja o mal em nossas vidas contra nossas vontades, este se deter\u00e1 se praticarmos incessantemente durante um vasto per\u00edodo de tempo. Assim como as nuvens vadias se esvaem e o vento do outono cessa.&#8221;<\/p>\n<p>[8] Um dia, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Praticantes Zen, para firmarem solidamente os p\u00e9s no Caminho, podem no come\u00e7o se familiarizar com sutras e shastras, e outros ensinamentos. Eu primeiro despertei para o Caminho quando, com a morte prematura de meus pais, percebi que tudo \u00e9 impermanente. Deixei o monast\u00e9rio de Hoei e procurei, pelo pa\u00eds inteiro, um mestre aut\u00eantico que me esclarecesse as d\u00favidas. Antes de achar o monast\u00e9rio de Kennin-ji, n\u00e3o havia nunca me deparado com um mestre excelente ou com grandes monges praticantes, e devido a isto muito me equivocava sobre o sentido da pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>&#8220;Buddhistas famosos insistiam comigo a que galgasse os degraus do poder eclesi\u00e1stico, atrav\u00e9s do estudo e da erudi\u00e7\u00e3o. Assim, no come\u00e7o eu procurei ser como as pessoas de destaque no Jap\u00e3o daquele tempo, ou como as grandes figuras cujos t\u00edtulos p\u00f3stumos eram <i>daishi<\/i> \u2014 grande santo<small><sup>23<\/sup><\/small>. Contudo \u2014 e a\u00ed vem o acaso \u2014 caiu-me nas m\u00e3os naquela \u00e9poca a &#8216;Biografia dos Grandes Mestres&#8217;<small><sup>24<\/sup><\/small>, e tamb\u00e9m a &#8216;Continua\u00e7\u00e3o&#8217;<small><sup>25<\/sup><\/small> desta obra; e qual n\u00e3o foi a minha surpresa ao perceber que todos os ensinamentos dos Grandes Mestres eram diametralmente opostos aos dos famosos buddhistas japoneses. E constatei que tudo aquilo que eu almejava ganhar era denunciado nos Sutras como aberra\u00e7\u00e3o ou pervers\u00e3o. Ent\u00e3o repensei o direcionamento de minha pr\u00e1tica e cheguei \u00e0 conclus\u00e3o seguinte: mesmo que estejamos apegados ao ganho material e \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o mundana, devemos nos preocupar como pessoas boas e s\u00e1bias, no passado bem como no futuro, viessem a nos julgar, em vez de estarmos hipnotizados pelo julgamento dos nossos contempor\u00e2neos. Mesmo se tentarmos emular pessoas destacadas, que sejam neste caso as da China e da \u00cdndia, em lugar das deste pa\u00eds de periferia. Ou ent\u00e3o, aos buddhas e bodhisattvas, \u00e0s entidades celestes e do mundo invis\u00edvel. Desde aquela \u00e9poca, todos neste pa\u00eds que tinham obtido o t\u00edtulo de <i>daishi<\/i>, ou grande santo, pareceram-me dignos de risada, tendo ocorrido uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o em meus pontos de vista.<\/p>\n<p>&#8220;Observando como Buddha viveu, vendo-o deixar seu trono e fam\u00edlia, e entrar nas montanhas ou nas florestas, e praticar a mendic\u00e2ncia mesmo ap\u00f3s ganhar a ilumina\u00e7\u00e3o, vemos a verdade do que dizia a Vinaya: &#8216;Quando percebemos que esta casa n\u00e3o \u00e9 nossa, deixamo-la para tr\u00e1s e a ela renunciamos.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Um velho mestre nos aconselhou a n\u00e3o querermos nos equiparar a s\u00e1bios do passado, nem muito menos nos humilhar, achando, que nada valemos. Humildade demais \u00e9 orgulho. Logo, sejamos modestos ao estarmos numa posi\u00e7\u00e3o de destaque, e lembremo-nos de que h\u00e1 perigo mesmo na situa\u00e7\u00e3o mais estabilizada e segura. Hoje estamos aqui, amanh\u00e3 poderemos n\u00e3o mais estar. Estamos sempre pr\u00f3ximos \u00e0 morte imperiosa e inevit\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<p>[9] Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Tolos s\u00e3o aqueles que freq\u00fcentemente dizem e pensam coisas sem utilidade. Aqui morava de certa feita uma monja, que era assistente social. Envergonhada das tarefas humildes que lhe foram confiadas, ela passava o tempo todo contando aos outros sobre sua nobre ascend\u00eancia. Podia at\u00e9 ser verdade sua hist\u00f3ria, mas de nada valia. Era de uma inutilidade total. Mas a maioria das pessoas, temo, atribui capital import\u00e2ncia a estas futilidades. Inferimos disto a enorme dist\u00e2ncia que os separa do Caminho.<\/p>\n<p>&#8220;Eu conhe\u00e7o um leigo que pratica o Caminho, mas n\u00e3o possui o esp\u00edrito do Caminho. Sou seu melhor amigo, ent\u00e3o gostaria que ele pedisse aos deuses ou ao Buddha que ele despertasse para a pr\u00e1tica aut\u00eantica. Talvez isto o magoe e fa\u00e7a com que se afaste de mim. Mas enquanto n\u00e3o tiver sua mente desperta para o Caminho, que valor poderia ter sua amizade?&#8221;<\/p>\n<p>[10] Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Um velho ditado popular ensina: &#8216;Antes de falar, pese tr\u00eas vezes o que vais dizer&#8217; Significa que, antes de abrirmos a boca, devemos calcular tr\u00eas vezes o alcance de nossas palavras. Os confucionistas ortodoxos interpretam isto como pensar tr\u00eas vezes antes de falar ou fazer algo. Mas com &#8216;tr\u00eas vezes&#8217; s\u00e1bios da Dinastia Sung queriam dizer &#8216;freq\u00fcentemente&#8217;. Aconselhavam-nos a pesar freq\u00fcentemente nossas a\u00e7\u00f5es antes de as levarmos a cabo. Isto \u00e9 o que deve acontecer com praticantes Zen. As vezes podemos nos equivocar no julgamento de palavras ou a\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o devemos ponderar profundamente se o que vamos fazer \u00e9 identificado ou n\u00e3o com o Caminho, e em segundo lugar se \u00e9 ben\u00e9fico para n\u00f3s mesmos e para os demais. Se cada vez que o julgarmos for bom, devemos faz\u00ea-lo ou diz\u00ea-lo. Se n\u00f3s praticantes do Caminho formos sempre cuidadosos assim, n\u00e3o iremos contra a vontade de Buddha, por todo o decorrer de nossas vidas.<\/p>\n<p>&#8220;Da primeira vez em que pratiquei no monast\u00e9rio de Kennin-ji, cada monge respondia por seu comportamento e por suas a\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o queria fazer ou dizer o que n\u00e3o fosse coincidente com o Caminho. Isto enquanto durou a influ\u00eancia do Mestre Eisai. Mas agora estas boas formas se foram.<\/p>\n<p>&#8220;Praticantes Zen devem dizer ou fazer o que for \u00fatil a si e aos outros, mesmo ao custo de suas vidas; por outro lado, devem evitar o que for in\u00fatil. Quando monges veteranos tiverem algo a dizer, os principiantes devem ouvir respeitosamente, sem interromper, o que est\u00e1 sendo dito. Este \u00e9 o ensinamento de Buddha. Consideremos isto com cuidado.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo leigos trilham o duro Caminho ao custo das pr\u00f3prias vidas. Nos tempos de outrora, um homem de ber\u00e7o humilde, Lin-Siang-Ju<small><sup>26<\/sup><\/small>, foi s\u00e1bio o bastante para governar toda a China da Dinastia Chao, sob o Imperador Hui-wen.<\/p>\n<p>&#8220;Um dia este Imperador o enviou ao pa\u00eds de Chin, como portador de uma valios\u00edssima j\u00f3ia, conhecida como &#8216;a j\u00f3ia de Chao&#8217;. O Imperador de Chin<small><sup>27<\/sup><\/small> havia garantido, verbalmente, que trocaria a j\u00f3ia por quinze cidades fortificadas. Ao se inteirarem de tal, os demais ministros, colegas de Lin-Siang-Ju, ficaram com ci\u00fames e assim conspiraram entre si:<\/p>\n<p>&#8220;&#8216;Se deixarmos este campon\u00eas levar este supra-sumo de j\u00f3ia, nosso pa\u00eds parecer\u00e1 uma terra habitada por plebeus. A humilha\u00e7\u00e3o ser\u00e1 nossa paga. Seremos a chacota de todos, e nossa descend\u00eancia tamb\u00e9m. Matemo-lo a caminho do pa\u00eds vizinho e surripiemos-lhe a j\u00f3ia.&#8217; Mas um dos membros da c\u00fapula conspiradora delatou secretamente a Lin-Siang-Ju a trama, e o aconselhou a desistir da miss\u00e3o, para seu pr\u00f3prio bem.<\/p>\n<p>&#8220;Lin contudo disse: &#8216;De jeito nenhum. Gostaria muito que a hist\u00f3ria me tivesse em conta de um homem honrado, morto por traidores ao levar a cabo minha miss\u00e3o Imperial! Meu corpo pode morrer com isto, mas meu esp\u00edrito viver\u00e1 para sempre no mundo da honra.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Assim dizendo, tomou as devidas provid\u00eancias e encetou viagem. Os ministros conspiradores, ao ouvirem suas palavras cheias de esp\u00edrito, acharam bem-avisado desistirem de seus planos.<\/p>\n<p>&#8220;Finalmente Lin chegou ao pa\u00eds de Chin e foi recebido em audi\u00eancia pelo Imperador, e entregou a j\u00f3ia. Ent\u00e3o, contrariamente \u00e0s suas expectativas, o Imperador hesitou na hora de ceder as quinze cidades fortificadas. Lin pensou num estratagema e disse: &#8216;Esta j\u00f3ia tem uma ja\u00e7a, que eu mostrarei ao Imperador, se ele, Imperador, assim desejar.&#8217; Ao se apoderar da j\u00f3ia, disse: &#8216;O Senhor Imperador parece relutar em realizar a sua parte do trato. Se n\u00e3o cumprir sua parte, farei a j\u00f3ia em estilha\u00e7os com esta barra de ferro.&#8217; Com um olhar zangado ele pegou a barra de ferro, e se diria que renegava at\u00e9 a majestade do Imperador. Vendo a trag\u00e9dia iminente, o Imperador bradou: &#8216;N\u00e3o destrua a j\u00f3ia: aqui est\u00e3o as tais cidades fortificadas, segundo foi tratado. Enquanto firmo as assinaturas devidas, guarde voc\u00ea mesmo a j\u00f3ia.&#8217; Por\u00e9m Lin-Siang-Ju secretamente a enviou de volta.<\/p>\n<p>&#8220;Noutra ocasi\u00e3o, o Imperador de Chao fez convocou uma reuni\u00e3o de c\u00fapula com o Imperador de Chin, em Sheng-ch&#8217;ih<small><sup>28<\/sup><\/small>. Ent\u00e3o este \u00faltimo solicitou ao Imperador de Chao que tocasse o ala\u00fade, j\u00e1 que era conhecido como excelente alaudista. Lin, furibundo com a est\u00fapida e cega subservi\u00eancia de seu Imperador, dirigiu-se ao Imperador de Chin, na frente das cortes, e mandou que ele tocasse o \u00f3rg\u00e3o, dizendo: &#8216;Ouvi dizer que \u00e9s formid\u00e1vel no \u00f3rg\u00e3o. Que tal tocares para n\u00f3s aqui reunidos?&#8217; Mas o Imperador de Chin declinou o pedido. Lin disse: &#8216;Se n\u00e3o tocares, eu te mato.&#8217; Neste momento, um dos generais de Chin levou a m\u00e3o \u00e0 espada. Lin lhe desferiu uma olhada t\u00e3o irada que suas sobrancelhas se partiram e o sangue jorrou. O General, espantado com a f\u00faria de Lin, desistiu de qualquer a\u00e7\u00e3o, e o Imperador de Chin teve que tocar o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Mais tarde Lin foi promovido a ministro e assumiu o controle pol\u00edtico do governo. Isto causou esp\u00e9cie entre os ministros, e um deles resolveu assassin\u00e1-lo. Lin, sabendo do fato, esquivava-se daqui para ali, n\u00e3o comparecendo ao Pal\u00e1cio Imperial, nem mesmo \u00e0s suas fun\u00e7\u00f5es, a menos que fosse inevit\u00e1vel. Dir-se-ia temer aquele ministro. Ent\u00e3o seu secret\u00e1rio lhe confidenciou: &#8216;Eliminar este elemento que causa empecilho \u00e9 mister. Por que o evitas?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Lin falou: &#8216;Dele n\u00e3o tenho o menor receio. Uma vez assustei at\u00e9 um general de Chin s\u00f3 com um olhar, e n\u00e3o perdi a j\u00f3ia de Chao que o Imperador de Chin tencionava surripiar. Fac\u00edlimo seria ent\u00e3o tirar este ministro de circula\u00e7\u00e3o. Mas o ex\u00e9rcito est\u00e1 organizado e os guerreiros treinados, para se lan\u00e7arem contra poss\u00edveis inimigos do pa\u00eds. N\u00f3s dois, eu e este Ministro, estamos encarregados de gerir as for\u00e7as de defesa de nosso pa\u00eds. Se brigarmos, um de n\u00f3s vai morrer, e nossas for\u00e7as ficar\u00e3o debilitadas. Do que se aproveitar\u00e1 um pa\u00eds vizinho para nos esmagar. Por isto eu n\u00e3o brigo com este ministro.&#8217; Ao se inteirar do que Lin havia dito, atrav\u00e9s de terceiros, o ministro, muito envergonhado, de seu ego\u00edsmo e falta de compreens\u00e3o, veio a Lin e, inclinando-se, pediu desculpas humildemente. Assim, ap\u00f3s a reconcilia\u00e7\u00e3o, administraram o pa\u00eds com as for\u00e7as reunidas. Era desta forma que Lin procurava sempre fazer o que fosse melhor para todos, mesmo arriscando a pr\u00f3pria vida. O mesmo deve se passar conosco, praticantes Zen. Dizem que \u00e9 melhor morrer pelo Caminho do que viver longe dele.&#8221;<\/p>\n<p>[11] Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 uma defini\u00e7\u00e3o clara sobre o que \u00e9 bom e o que \u00e9 mau. No mundo, dizem que belas estamparias, brocado e seda fina s\u00e3o excelentes, e que roupas pobres s\u00e3o evid\u00eancia de falta de respeito pr\u00f3prio. Mas no buddhismo o que \u00e9 pobre \u00e9 bom e puro, e os tecidos confeccionados com fios de ouro e prata, o brocado e a seda s\u00e3o nocivos e impuros. No buddhismo \u00e9 tudo assim, diametralmente oposto ao mundo.<\/p>\n<p>&#8220;Quanto a mim, sei que tenho talento para poesia e literatura, e que escrevo razoavelmente bem. Alguns leigos cr\u00eaem que isto vem a ser um dom muito especial; enquanto outros me criticam por tal, achando que isto n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3prio de um aut\u00eantico monge. O que estar\u00e1 definitivamente certo ou errado, o que \u00e9 bom ou mal?<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma passagem num certo Sutra: &#8216;Daquilo que \u00e9 bem falado e considerado , resulta o bem; e daquilo mal falado resulta a infelicidade&#8217;, ou: &#8216;O que vai acarretar sofrimentos \u00e9 ruim e o que traz felicidade \u00e9 excelente.'&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Desta maneira devemos discriminar cuidadosamente, praticando o verdadeiro bem e desistindo do verdadeiro mal. Monges prov\u00eam do mundo puro, assim consideramos algo simples e humilde como bom e puro.&#8221;<\/p>\n<p>[12] Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma tend\u00eancia natural para se achar que, como dizem por a\u00ed, &#8216;Embora eu sinta vontade de praticar o Caminho, estamos pesarosamente atravessando a fase da decad\u00eancia buddhista. Somos incapazes de levar a cabo nossa pr\u00e1tica, como insta o buddhismo. Ent\u00e3o coloquemos nossa meta buddhista para uma exist\u00eancia futura, enquanto nos limitamos no presente a la\u00e7os meramente formais com o ensinamento e os regulamentos buddhistas.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Este \u00e9 o come\u00e7o mesmo do pensamento errado que tanto nos impede de nos realizar nesta vida. \u00c9 um pensamento lamentavelmente equivocado. \u00c9 apenas um expediente, de se expressar em tr\u00eas \u00e9pocas<small><sup>29<\/sup><\/small>: buddhismo correto, buddhismo formal e buddhismo decadente. Nem todos os praticantes da \u00e9poca do Buddha eram admir\u00e1veis. Alguns eram de todo incur\u00e1veis e irrecuper\u00e1veis. Foi para este tipo de pessoa que o Buddha Shakyamuni estabeleceu aquela infinidade de mandamentos e preceitos. Todos temos plena e total capacidade de ganhar o Caminho buddhista; ent\u00e3o evitemos este pensamento de que n\u00e3o estejamos \u00e0 altura da pr\u00e1tica buddhista. Praticando segundo nos aconselham os buddhas e ancestrais, podemos alcan\u00e7ar nossa meta, a ilumina\u00e7\u00e3o, imediatamente. Possu\u00edmos j\u00e1 a discrimina\u00e7\u00e3o, podendo distinguir o certo do errado. Fomos dotados de p\u00e9s e m\u00e3os, podemos ent\u00e3o avan\u00e7ar Caminho afora. Logo a pr\u00e1tica buddhista est\u00e1 aberta ante a todos, sejam estultos ou argutos \u2014 para aqueles que s\u00e3o seres humanos, n\u00e3o para aqueles nascidos com outras formas, como os animais. N\u00f3s praticantes Zen n\u00e3o devemos jamais aguardar o amanh\u00e3. Devemos treinar o buddhismo hoje mesmo, neste minuto, agora.&#8221;<\/p>\n<p>[13] Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Um ditado popular diz: &#8216;A decad\u00eancia e queda de um imp\u00e9rio nasce da quebra da moral interna&#8217;, ou: &#8216;Quando h\u00e1 briga dentro de casa, n\u00e3o d\u00e1 para comprar nem uma agulha<small><sup>30<\/sup><\/small>; mas quando h\u00e1 uni\u00e3o entre todos, at\u00e9 o ouro n\u00e3o est\u00e1 fora de nosso alcance.&#8217; Mesmo leigos dizem que um cl\u00e3 desunido perece. Mais ainda devem os praticantes Zen treinar o buddhismo, sob a dire\u00e7\u00e3o do mestre, em uma harmonia t\u00e3o perfeita quanto a do leite misturado na \u00e1gua. Existem tamb\u00e9m seis Caminhos de Harmonia e Respeito<small><sup>31<\/sup><\/small>, que monges devem rigorosamente seguir. N\u00f3s monges n\u00e3o podemos treinar conforme quisermos, separando-nos dos demais com nossos quartos particulares. Assim como se estiv\u00e9ssemos singrando os quatro mares numa belonave, devemos praticar o Caminho unidos em mente e em comportamento, corrigindo os erros que acaso cometamos, e observando e emulando os m\u00e9ritos alheios. Assim tem sido a pr\u00e1tica desde os tempos de Buddha.&#8221;<\/p>\n<p>[14] Meu mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Quando Mestre Fang-Hui<small><sup>32<\/sup><\/small> assumiu o monast\u00e9rio de Tang-Chi, as constru\u00e7\u00f5es estavam prec\u00e1rias e depredadas e caindo aos peda\u00e7os. Era um fim de mundo, e duro de praticar ali, ag\u00fcentando aquelas condi\u00e7\u00f5es. Um dia o monge-chiji<small><sup>33<\/sup><\/small>, encarregado dos pr\u00e9dios, disse: &#8216;Seria poss\u00edvel, por obs\u00e9quio, mandar reparar o monast\u00e9rio?&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;O mestre replicou: &#8216;Bem verdade; mas apesar de as condi\u00e7\u00f5es estarem sofr\u00edveis, \u00e9 melhor do que praticar a c\u00e9u aberto. Quando cair uma parte do telhado, fa\u00e7a zazen debaixo da parte que n\u00e3o caiu ainda. Se obter a ilumina\u00e7\u00e3o \u2014 o assunto crucial de nossa vida \u2014 fosse quest\u00e3o de monast\u00e9rios requintados, eu faria construir um de jade e ouro. A ilumina\u00e7\u00e3o espiritual reside nos efeitos do zazen, n\u00e3o nos efeitos do monast\u00e9rio.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;No dia seguinte, ele ascendeu \u00e0 cadeira de aulas buddhistas e falou assim aos praticantes: &#8216;Venho de me tornar mestre deste monast\u00e9rio, mas o telhado e as paredes est\u00e3o em pandarecos. O ch\u00e3o est\u00e1 atolado de neve. Os monges que aqui se encontram tremem de frio e se lastimam.&#8217; Depois de uma breve pausa, ele prosseguiu:<\/p>\n<p>&#8220;&#8216;Isto me traz recorda\u00e7\u00f5es daqueles velhos mestres que praticavam zazen debaixo das \u00e1rvores, nas florestas.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;O mesmo vale tanto na administra\u00e7\u00e3o dos bens e tesouros Nacionais quanto no dia a dia da pr\u00e1tica do Caminho. O Imperador Tai-Tsung, da Dinastia T&#8217;ang, n\u00e3o mandou construir um novo pal\u00e1cio: continuou a conservar o velho, em ru\u00ednas.<\/p>\n<p>&#8220;O Mestre Sung-Ya<small><sup>34<\/sup><\/small> nos aconselha a, antes de tudo, estudarmos a pobreza; e que s\u00f3 podemos nos unificar ao Caminho ap\u00f3s estarmos na pobreza absoluta. Desde o tempo do Buddha Shakyamuni at\u00e9 os dias de hoje, eu nunca ouvi falar de praticantes leg\u00edtimos ligados a posses.&#8221;<\/p>\n<p>[15] Um dia, um monge itinerante exclamou: &#8216;\u00c9 praxe hoje em dia come\u00e7armos uma pr\u00e1tica espiritual apenas ap\u00f3s garantirmos nossas bases de sustenta\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, depois de termos garantias reais de que n\u00e3o vamos morrer de fome e \u00e0 m\u00edngua. Isto pode parecer de somenos import\u00e2ncia, mas \u00e9 uma garantia, pois, se nos faltar o essencial, para onde ir\u00e1 nossa pr\u00e1tica? Entretanto, de acordo com teu ensinamento, confia-se o destino a Buddha, sem qualquer precau\u00e7\u00e3o em bases realistas. Por\u00e9m, e se passarmos mais tarde por tais graves priva\u00e7\u00f5es? Que dizes a respeito?&#8217;<\/p>\n<p>Meu mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Esta opini\u00e3o, como dizes, n\u00e3o \u00e9 de minha pr\u00f3pria autoria, mas tem sido transmitida na hist\u00f3ria do buddhismo, na \u00cdndia bem como na China. Um facho de luz proveniente da testa de Buddha \u00e9 inexaur\u00edvel em termos pr\u00e1ticos. Para que acumular bens e comida? Mesmo que o fa\u00e7amos, o amanh\u00e3 n\u00e3o est\u00e1 nunca garantido com isto. N\u00e3o fui eu que inventei esta teoria a partir do nada. Quando sentirmos necessidade de algo, devemos procurar obter os meios de sobreviv\u00eancia, jamais antes de sentirmos esta necessidade.&#8221;<\/p>\n<p>[16] Meu mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Sobre Jimyoin Motoie<small><sup>35<\/sup><\/small>, recentemente falecido, contava-se uma hist\u00f3ria, n\u00e3o sei se \u00e9 fato ou n\u00e3o. Aconteceu certa ocasi\u00e3o que sua espada de estima\u00e7\u00e3o foi furtada. Investigando o assunto, alguns guerreiros descobriram o ladr\u00e3o no meio deles mesmos. Quando devolveram a espada ao dono, ele a entregou ao ladr\u00e3o, dizendo que na certa aquela pessoa incidira em erro, pois nunca havia visto aquela espada em sua vida.<\/p>\n<p>&#8220;Claro que era aquela mesma a espada surripiada, mas ele a rejeitou, com pena da criatura, e desmentiu qualquer conhecimento do objeto. Todos compreenderam perfeitamente o que havia se passado e deixaram que o incidente serenasse sem maiores como\u00e7\u00f5es. Assim, a fam\u00edlia de Jimyoin at\u00e9 hoje \u00e9 pr\u00f3spera e poderosa. Mesmo em se tratando de leigos, um s\u00e1bio tinha uma tal atitude. Mais ainda tal deve se passar com monges. N\u00f3s monges nada temos em termos de posse ou propriedade, desde a origem mesmo. O que vale como um tesouro para n\u00f3s \u00e9 a sabedoria. Ao nos depararmos com pessoas ignorantes n\u00e3o devemos critic\u00e1-las, traindo tudo que compreendemos imediatamente, e sem uma vis\u00e3o das circunst\u00e2ncias. Atrav\u00e9s de um meio habilidoso, devemos procurar alert\u00e1-las sobre seus poss\u00edveis deslizes, de uma forma que n\u00e3o guardem ressentimentos. Dizem que, se nossa persuas\u00e3o for direta e violenta, seus efeitos n\u00e3o ser\u00e3o duradouros. Isto vale tamb\u00e9m para palavras \u00e1speras e ferinas ao criticarmos os outros, mesmo que estejamos certos. Quem \u00e9 limitado e de esp\u00edrito estreito, fica zangado ao lhe dizerem que esteja possivelmente equivocado, e se sente desgra\u00e7ado, o que pode vir a ser perigoso devido \u00e0 sua estreiteza de vis\u00e3o. O mesmo n\u00e3o ocorre com uma pessoa que tenha grandeza de alma. Mesmo que lhe batamos, ela nem sequer virar\u00e1 a cabe\u00e7a para considerar vingan\u00e7a. Em nosso pa\u00eds n\u00f3s temos muitos exemplares destas pessoas pequenas e estreitas, logo cuidemos para n\u00e3o usarmos palavras duras e cr\u00edticas contundentes , resultando que estas pessoas se ofendam e queiram se vingar.&#8221;<\/p>\n<h3>Notas<\/h3>\n<p><font size=1> <\/p>\n<p>1. Nan-Yang Hui-Chung (?-775) \u2014 herdeiro buddhista de Hui-neng Ta-Chien, dito ter vivido no Vale de Tan-Tsu do Monte Pai-ai durante mais de quarenta anos.<br \/>2. Ensinamentos \u2014 n\u00e3o-verdadeiros e verdadeiros: os verdadeiros, de acordo com a seita Tendai, s\u00e3o o Saddharmapundarika SSutra e o Nirvana Sutra; n\u00e3o-verdadeiros s\u00e3o os demais.<br \/>3. Esot\u00e9ricos \u2014 conforme nota 36 do cap\u00edtulo 1 .<br \/>4. Seis \u00f3rg\u00e3os dos sentidos, 18 <i>dhatus <\/i>que consistem dos \u00f3rg\u00e3os dos sentidos, seus objetos e sensa\u00e7\u00f5es.<br \/>5. Chu-Chih \u2014 praticando com o Mestre T&#8217;ien-Lung, iluminou-se ao ver seu mestre levantar um dedo. Dali em diante, sobre qualquer assunto de buddhismo, ele apenas levantaria um dedo.<br \/>6. A hist\u00f3ria do menino que se iluminou \u00e9 a seguinte: &#8220;Uma vez uma pessoa perguntou ao garoto: &#8216;O que ensina teu mestre?&#8217; O menino levantou o dedo como o mestre fazia. Inteirando-se disto, o mestre decepou o dedo do garoto com uma facada. O menino saiu gritando da sala com dor. Seu mestre chamou-o por tr\u00e1s; e quando ele se voltou, o mestre levantou seu dedo. O garoto se iluminou.<br \/>7. O segundo ano de Katei \u2014 1236.<br \/>8. Shuso \u2014 o monge principal.<br \/>9. O templo de Kosyoji \u2014 localizado no lado oposto de Byodoin, em Uji.<br \/>10. Bodhidharma \u2014 conforme nota 16 do cap\u00edtulo 1.<br \/>11. O templo de Shao-Lin \u2014 situado aos p\u00e9s do Monte Sung-Shan, na Prov\u00edncia de Honan. Ali dizem que Bodhidharma praticou zazen durante nove anos.<br \/>12. Shen-Kuang Hui-k&#8217;o (487-593) \u2014 Visitou Bodhidharma no templo de Shao-ling com a idade de 40 anos e se iluminou depois de treinar durante seis anos com Bodhidharma.<br \/>13. Feng-Yang Shan-Chao (947-1024) \u2014 herdeiro buddhista de Shou-Shan (926-993).<br \/>14. Yao-Shan Wei-Yen (751-834) \u2014 Nascido na Prov\u00edncia de Shan-shih, praticou com Ma-Tsu e foi herdeiro de Dharma de Shih-t&#8217;ou.<br \/>15. Um mestre Zen que se iluminou com o som de uma pedra batendo num peda\u00e7o de bambu: Hsiang-Yen, disc\u00edpulo de Kuei-Shan.<br \/>16. Ling-Yun \u2014 disc\u00edpulo de Kuei-Shan, que se iluminou ao observar as ameixeiras em flor.<br \/>17. Um velho mestre. Mestre Shih-T&#8217;ou \u2014 Esta afirma\u00e7\u00e3o se encontra no <i>Sandokai<\/i>.<br \/>18. Ananda\u2014 um dos dez disc\u00edpulos do Buddha Shakyamuni, primo do Buddha Shakyamuni. Assistiu Shakyamuni durante 10 anos e aprendeu todos os seus ensinamentos de cor.<br \/>19. Chin \u2014 unidade de peso.<br \/>20. T&#8217;ung-shan Shou-chu \u2014 disc\u00edpulo de Yun-men Wen-Yen (?-966). O koan dos &#8216;tr\u00eas quilos de linho&#8217; de T&#8217;ung-shan se encontra no d\u00e9cimo-segundo cap\u00edtulo do <i>Hekiganroku.<\/i>.<br \/>21. Arhat\u2014 Aquele que compreendeu o \u00faltimo est\u00e1gio do shravaka.<br \/>22. O livro de Cheng-Kuau Cheng-yao, 10 volumes \u2014 compilado por Wu-Ching, tratando de assuntos pol\u00edticos na \u00e9poca de Cheng-Kuan (627-648).<br \/>23. <i>Daishi <\/i>\u2014 Grande Santo, por exemplo, Dengyo, Jikaku, Kobo, Chisho, etc.<br \/>24. &#8220;Biografias dos Mestres&#8221;, 14 volumes \u2014 compilado por Hui-Chiao, relata a vida de 257 mestres, num per\u00edodo de 453 anos, desde a \u00e9poca do Imperador Ming-Ti da Dinastia Hang Tardia.<br \/>25. &#8220;Continua\u00e7\u00e3o das Biografias dos Mestres&#8221;, conforme nota 1 do cap\u00edtulo 1.<br \/>26. Lin-Siang-Ju. Conhecido por ter dissuadido o Rei de Chin de tentar surripiar o Rei de Chou de sua j\u00f3ia preciosa.<br \/>27. O Imperador de Chin \u2014 Chao Wang.<br \/>28. Sheng-Ch&#8217;ih \u2014 localizado na Prov\u00edncia de Honan.<br \/>29. \u00c9poca do buddhismo decadente \u2014 conforme nota 42 do volume 1.<br \/>30. Uma coisa sem import\u00e2ncia.<br \/>31. Seis Caminhos de Harmonia e Respeito \u2014 <i>Rokuwakyo<\/i>:<\/p>\n<ol>\n<li>Comportar-se mutuamente com harmonia e respeito. <\/li>\n<li>Falar mutuamente com harmonia e respeito. <\/li>\n<li>Considerar-se mutuamente com harmonia e respeito. <\/li>\n<li>Observar os preceitos mutuamente com harmonia e respeito. <\/li>\n<li>Pensar mutuamente com harmonia e respeito. <\/li>\n<li>Conviver com harmonia e respeito. <\/li>\n<\/ol>\n<p>32. Yang-ch&#8217;i Fang-Hui (992-1049) \u2014 herdeiro buddhista de Tzu-ming, fundador da Escola Yan-ch&#8217;i.<br \/>33. Monge chefe \u2014 conforme nota 11 do cap\u00edtulo 2.<br \/>34. Lung-Ya Chu-Tun (835-923) \u2014 herdeiro buddhista de T&#8217;ung-Shan Liang-Chieh.<br \/>35. Jimyoin, seu outro nome era Motoie Ichijo, filho de Michimoto Ichijo: Chunagon foi o Segundo Conselheiro do Estado.<\/p>\n<p><\/font> <\/p>\n<p ALIGN=\"right\"><i><font SIZE=\"1\"><b>Extra\u00eddo do site www.dharmanet.com.br<\/b><\/font><\/i><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><\/font> <\/p>\n<hr \/><\/div>\n<p><\/font> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><a HREF=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Shobogenzo ZuimonkiCap\u00edtulo 4 de Eihei Dogen Zenji Adaptado da tradu\u00e7\u00e3o do monge Ryokyu Marcos Beltr\u00e3o [1] Numa palestra, disse meu Mestre: &#8220;N\u00f3s praticantes do Caminho n\u00e3o devemos ficar tolhidos em um ponto de vista preconcebido. Mesmo que tenhamos compreendido algo, &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/shobogenzo-zuimonki-capitulo-4\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1276,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,40],"tags":[62,64],"class_list":["post-6612","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-zen","tag-philip-kapleau","tag-yasutani-hakunn"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6612"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6612\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6613,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6612\/revisions\/6613"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1276"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}