{"id":6616,"date":"2020-07-02T17:22:50","date_gmt":"2020-07-02T19:22:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6616"},"modified":"2020-07-02T17:22:50","modified_gmt":"2020-07-02T19:22:50","slug":"shobogenzo-zuimonki-capitulo-6","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/shobogenzo-zuimonki-capitulo-6\/","title":{"rendered":"Shobogenzo Zuimonki-Cap\u00edtulo 6"},"content":{"rendered":"<p><font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:justify\">\n<a NAME=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki.jpg\" alt=\"\" width=\"314\" height=\"500\" class=\"alignleft size-full wp-image-6594\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki.jpg 314w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Shobogenzo-Zuimonki-188x300.jpg 188w\" sizes=\"auto, (max-width: 314px) 100vw, 314px\" \/><\/a><br \/>\n<font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:justify\"> <a NAME=\"inicio\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:center\"><font SIZE=\"4\"><b>Shobogenzo Zuimonki<br \/><font SIZE=\"2\">Cap\u00edtulo 6<\/font><\/b><\/font><\/div>\n<p><\/a> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><font SIZE=\"1\"><i><b>de <a href=\"default.asp?menu=122\" class=\"broken_link\"><font SIZE=\"1\">Eihei Dogen Zenji <\/font><\/a><br \/>Adaptado da tradu\u00e7\u00e3o do monge Ryokyu Marcos Beltr\u00e3o<\/b><\/i><\/font><\/div>\n<p> <\/p>\n<p>[1] Meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Se a pessoa estiver preocupada com a cr\u00edtica alheia, que seja a cr\u00edtica de um homem que ganhou a verdade. Quando eu morava na China, J\u00fc-tsung Zenji<small><sup>1<\/sup><\/small> do monast\u00e9rio T&#8217;ien-T&#8217;ung ia me indicar como seu assistente. Ele me disse: &#8216;\u00c9 verdade, Dogen, \u00e9s um monge estrangeiro, mas excelente em capacidade.&#8217; Prontamente eu recusei este convite. Pois, embora isto pudesse ser divulgado no Jap\u00e3o e muito contribuir com minha pr\u00e1tica ulterior no Caminho, algum amigo meu iluminado, temia eu, poderia me criticar, para o meu pesar, dizendo: &#8216;A China Sung parece n\u00e3o ter ningu\u00e9m \u00e0 altura desta posi\u00e7\u00e3o, se ele, um estrangeiro, \u00e9 indicado para este cargo, neste monast\u00e9rio t\u00e3o importante.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Assim, escrevi ao Mestre para este efeito. Finalmente, vendo meu profundo respeito pela China Sung, e como eu estava preocupado com a cr\u00edtica de outros monges excelentes, ele acatou minha recusa e n\u00e3o mais reiterou o convite para este cargo.&#8221;<\/p>\n<p>[2] Meu mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Uma certa pessoa comentou: &#8216;Meu corpo e mente n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 altura da pr\u00e1tica do Caminho. Eu vou passar o resto da vida ouvindo o ensinamento buddhista e morando sozinho, cuidando de minha fr\u00e1gil sa\u00fade.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Isto est\u00e1 completamente errado. Os velhos Mestres n\u00e3o tinham todos uma sa\u00fade de ferro; nem todos os antigos praticantes tinham uma capacidade superior. Alguns eram bons, outros n\u00e3o. Alguns monges cometiam erros extremamente grosseiros e outros eram de capacidade muito limitada. Mas nenhum deles se humilhava o bastante para desistir de ganhar o Caminho por causa de suas limita\u00e7\u00f5es. Se n\u00e3o praticarmos o Caminho nesta vida, em que outra vida poderemos esperar pratic\u00e1-lo como homens capazes e sadios? O mais importante na pr\u00e1tica buddhista \u00e9 que despertemos para a mente que busca o Caminho, e que pratiquemos isto mesmo ao custo de nossa pr\u00f3pria vida.&#8221;<\/p>\n<p>[3] Meu mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Praticantes Zen n\u00e3o devem ambicionar comida ou roupas. Cada homem j\u00e1 nasce agraciado com comida e roupa. Mesmo que queiramos obter mais do que o nosso quinh\u00e3o, veremos que isto \u00e9 imposs\u00edvel. Al\u00e9m disto, praticantes Zen n\u00e3o t\u00eam falta de comida por que esta lhes \u00e9 oferecida por doadores, ou eles a obt\u00e9m atrav\u00e9s de suas mendic\u00e2ncias. O monast\u00e9rio tem propriedade pr\u00f3pria. Isto n\u00e3o \u00e9 operado como uma empresa lucrativa. H\u00e1 tr\u00eas tipos de alimentos \u2014 frutas e framboesas, o alimento obtido pela mendiga\u00e7\u00e3o, e aquele alimento recebido de doadores bondosos. Todos estes alimentos s\u00e3o puros. Qualquer outra comida consumida por pessoas das classes militar, agr\u00edcola, industrial e mercantil \u2014 n\u00e3o \u00e9 pura e n\u00e3o deve ser comida por monges.<\/p>\n<p>&#8220;Uma vez, havia um monge. Quando morreu, foi para o inferno. O Rei Yama<small><sup>2<\/sup><\/small> disse: &#8216;Sua vida ainda n\u00e3o terminou. Que volte para o mundo humano.&#8217; Ent\u00e3o um funcion\u00e1rio do inferno disse: &#8216; \u00c9, a linha da vida dele n\u00e3o acabou ainda, mas a linha da comida esgotou-se.&#8217; O Rei Yama disse: &#8216;Ent\u00e3o que ele se alimente de folhas de l\u00f3tus.&#8217; Retornando \u00e0 for\u00e7a ao mundo humano, ele passou o resto de sua vida comendo folhas de l\u00f3tus apenas, incapaz de comer comida humana.<\/p>\n<p>&#8220;Disto se deduz que os monges Zen n\u00e3o precisam buscar por comida devido \u00e0s suas pr\u00e1ticas severas. Por causa da luz de longo alcance emitida da testa do Buddha, ou da heran\u00e7a deixada pelo Tathagata, n\u00e3o esgotaremos nosso estoque de comida e roupa, mesmo em um longo per\u00edodo de tempo. Devemos nos dedicar de todo o cora\u00e7\u00e3o ao Caminho, em vez de buscar necessidades b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>&#8220;&#8216;Uma mente s\u00e3 est\u00e1 num corpo s\u00e3o&#8217;, assim dizem os livros m\u00e9dicos. Se praticantes Zen levarem vidas puras de acordo com os preceitos de Buddha, ou as a\u00e7\u00f5es dos buddhas e ancestrais, suas mentes melhorar\u00e3o proporcionalmente.<\/p>\n<p>&#8220;Quando praticantes buddhistas disserem algo, devem pensar tr\u00eas vezes se estas palavras s\u00e3o \u00fateis ou n\u00e3o, para si mesmos, ou para outros. Se \u00fateis, devem ser ditas. Se n\u00e3o, n\u00e3o devem ser ditas. \u00c9 imposs\u00edvel dominar isto de uma vez, melhor lembr\u00e1-lo e come\u00e7ar a pratic\u00e1-lo aos poucos.&#8221;<\/p>\n<p>[4] Numa palestra requisitada, meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Praticantes Zen n\u00e3o devem jamais se preocupar com comida e roupa. Pequeno e distante da \u00cdndia, como \u00e9 nosso pa\u00eds, h\u00e1 muitos mestres que se destacaram, tanto nos ensinamentos exot\u00e9ricos quanto nos esot\u00e9ricos, e que se tornaram conhecidos de gera\u00e7\u00f5es posteriores, ou que nasceram de fam\u00edlias famosas pela m\u00fasica ou pela poesia, ou que brilharam na literatura ou nas artes militares, ou no conhecimento e na arte. Contudo, eu nunca ouvi dizer que eles fossem ricos ou tivessem bens materiais em abund\u00e2ncia. Para adquirirem uma tal proemin\u00eancia em seus respectivos campos de conhecimento, dependeram de suas concentra\u00e7\u00f5es em suas \u00e1reas espec\u00edficas de saber, ag\u00fcentando a pobreza e esquecendo tudo o mais. In\u00fatil mencionar que praticantes Zen deixam o mundo e jamais almejam reputa\u00e7\u00e3o mundana ou lucro. Como poderiam se tornar ricos?<\/p>\n<p>&#8220;Nos monast\u00e9rios Zen da China Sung, apesar de estarmos na \u00e9poca do buddhismo decadente, vinham muitos monges de distritos distantes, ou de suas terras natais. A maioria deles era pobre. Mas nenhum deles se preocupava com isto. O \u00fanico medo que tinham era de deixar de se iluminar. Onde podiam, eles sentavam em medita\u00e7\u00e3o, treinando o buddhismo de todo o cora\u00e7\u00e3o, como se estivessem de luto por seus pais falecidos.<\/p>\n<p>&#8220;Agora deixem-me contar-lhes um exemplo excelente, visto com meus pr\u00f3prios olhos na China. Veio uma vez um monge da long\u00ednqua prov\u00edncia de Shi-Chwan. Nada trazia consigo, exceto dois ou tr\u00eas bast\u00f5es de tinta da \u00cdndia. Estes bast\u00f5es custavam 200 ou 300 <i>mon<\/i><small><sup>3<\/sup><\/small>, o equivalente a 20 ou 30 <i>mon<\/i> na moeda japonesa. Com estes poucos bast\u00f5es de tinta da \u00cdndia ele comprou algumas tiras de papel barato e com isto fez uma cal\u00e7a \u2014 <i>hakama<\/i><small><sup>4<\/sup><\/small> e um casaco. Toda vez que ele se sentava ou se levantava nesta tosca vestimenta, fazia um barulh\u00e3o de papel amassado. Mas ele estava completamente desligado de sua apar\u00eancia maltrapilha. Um certo monge lhe disse: &#8216;\u00c9 melhor ires para casa, para adquirires roupas.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Ele replicou: &#8216;Minha casa fica muito longe. A caminho de casa eu estaria desperdi\u00e7ando tempo precioso na pr\u00e1tica do Caminho.&#8217; Com estas palavras, ele treinava tanto mais severamente, sem se importar com o frio. Por isto, na China Sung pode-se encontrar monges excelentes.&#8221;<\/p>\n<p>[5] Meu mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Diz-se que, quando Hsueh-Feng<small><sup>5<\/sup><\/small> fundou seu templo, praticava numa pobreza t\u00e3o extrema, que por vezes abstinha-se de comer, ou \u00e0s vezes comia apenas arroz cozido e ervilhas. Mas mais tarde moravam com ele sempre, pelo menos, 1500 monges em resid\u00eancia. Assim era com os monges de outrora. Assim tamb\u00e9m deve ser com os de hoje em dia.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 principalmente devido \u00e0 riqueza e \u00e0 busca de reputa\u00e7\u00e3o p\u00fablica que monges fracassam no buddhismo. Foi porque o Buddha Shakyamuni tinha 500 carro\u00e7as de doa\u00e7\u00f5es todos os dias que Devadatta<small><sup>6<\/sup><\/small> ficou com inveja dele naquele tempo. Riquezas e reputa\u00e7\u00f5es n\u00e3o somente nos estragam, mas conduzem os outros ao mal. Como seria poss\u00edvel a verdadeiros praticantes buddhistas serem ricos? Quando devotos piedosos nos oferecem coisas, naturalmente lhes seremos agradecidos por suas benevol\u00eancias.<\/p>\n<p>&#8220;Como acontece com freq\u00fc\u00eancia em nosso pa\u00eds, as pessoas fazem oferendas espontaneamente e de boa f\u00e9. Freq\u00fcentemente damos presentes a bajuladores. \u00c9 assim o mundo. Ser\u00e1 um obst\u00e1culo \u00e0 pr\u00e1tica do Caminho se o fizermos apenas para explorarmos os demais. Devemos apenas praticar o Caminho, arrostando a fome e o frio.&#8221;<\/p>\n<p>[6] Um dia meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Um velho mestre disse: &#8216;Devemos ouvi-lo, v\u00ea-lo e experiment\u00e1-lo.&#8217; Ou alguns dizem: &#8216;Se n\u00e3o pudermos experiment\u00e1-lo, devemos v\u00ea-lo&#8217;; ou &#8216;Se n\u00e3o pudermos v\u00ea-lo, devemos ouvi-lo.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Isto mostra que \u00e9 melhor ver que ouvir; melhor experimentar que ver; e que devemos ver a menos que o tenhamos experimentado, e devemos ouvir a menos que o tenhamos visto.&#8221;<\/p>\n<p>[7] Novamente disse meu Mestre:<\/p>\n<p>&#8220;Na pr\u00e1tica do Caminho devemos nos livrar do apego inato. Em primeiro lugar devemos melhorar nossas a\u00e7\u00f5es, e logo nossa mente ficar\u00e1 muito mais tranq\u00fcila. Para tal, devemos observar os preceitos buddhistas, e nossa mente melhorar\u00e1 de acordo. Leigos na China juntam-se diante do mausol\u00e9u da fam\u00edlia para cumprirem seus deveres filiais para com pais falecidos, e fingem chorar at\u00e9 que, de repente, choram de verdade. Assim, praticantes Zen finalmente despertar\u00e3o para o esp\u00edrito do Caminho, se energicamente tentarem amar e estudar o Caminho, apesar de no come\u00e7o n\u00e3o possu\u00edrem uma mente que busca o Caminho.<\/p>\n<p>&#8220;Principiantes no Caminho devem praticar o Caminho apenas seguindo outros monges, e n\u00e3o tentando \u00e0s pressas se inteirarem dos meios costumeiros da pr\u00e1tica. \u00c9 necess\u00e1rio conhec\u00ea-los exatamente apenas quando praticamos desapercebidos nas montanhas ou numa cidade. N\u00f3s nos iluminaremos se praticarmos seguindo nossos amigos monges. \u00c9 como quando se vai num barco: chegamos \u00e0 outra margem apenas confiando os destinos do barco a um piloto perito, mesmo que n\u00e3o saibamos conduzir o barco. Se seguirmos um l\u00edder excelente, e n\u00e3o-egoistamente praticarmos o Caminho junto com outros amigos, naturalmente nos iluminaremos.<\/p>\n<p>&#8220;Praticantes Zen, mesmo que tenham alcan\u00e7ado a ilumina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o devem cessar de praticar o Caminho, julgando n\u00e3o haver nada nele al\u00e9m daquilo. O Caminho n\u00e3o tem fim, e portanto deve haver pr\u00e1tica ap\u00f3s a ilumina\u00e7\u00e3o. Devemos nos lembrar da hist\u00f3ria<small><sup>7<\/sup><\/small> do conferencista Liang-Chu, que praticou e ganhou a ilumina\u00e7\u00e3o sob o Mestre Ma-ku.&#8221;<\/p>\n<p>[8] Meu mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Praticantes Zen n\u00e3o devem postergar ao futuro suas pr\u00e1ticas, mas faz\u00ea-las apenas no presente \u2014 o que digo, neste momento mesmo \u2014 n\u00e3o desperdi\u00e7ando o seu tempo.<\/p>\n<p>&#8220;Perto daqui morava um leigo. Estava h\u00e1 muito tempo doente de cama. Na primavera passada fez uma promessa que, quando melhorasse de sua mol\u00e9stia, n\u00e3o deixaria de abandonar a fam\u00edlia, construir uma cabana perto de um templo, juntar-se ao encontro de arrependimento<small><sup>8<\/sup><\/small> que acontece duas vezes por m\u00eas, dedicar-se \u00e0 pr\u00e1tica di\u00e1ria, ouvir os ensinamentos, e levar o resto de sua vida observando os preceitos buddhistas, de acordo com sua capacidade. Mais tarde, devido ao tratamento m\u00e9dico rigoroso, sua sa\u00fade melhorou consideravelmente. Mas a\u00ed ele desperdi\u00e7ou tempo, e come\u00e7ou a piorar de novo. No dia primeiro de janeiro sua doen\u00e7a entrou numa fase cr\u00edtica. Perturbado por dores cada vez mais intensas, n\u00e3o teve tempo de terminar sua cabana e para l\u00e1 levar a mob\u00edlia que havia anteriormente preparado. Assim, alugou uma cabana e ali morreu dentro de dois meses. Na noite anterior \u00e0 sua morte, recebeu os preceitos do bodhisattva e dedicou-se aos Tr\u00eas Tesouros. A julgar por estas boas a\u00e7\u00f5es \u00e0 beira da morte, seu m\u00e9rito estava acima daquele dos leigos que morreram ainda apegados a suas fam\u00edlias e com as mentes agitadas. Mas ele deveria ter deixado sua casa e se juntado \u00e0 comunidade mon\u00e1stica quando teve a inten\u00e7\u00e3o no ano anterior. Ent\u00e3o poderia se familiarizar com a vida de monge, e ter praticado o Caminho durante um ano. Disto devemos concluir que n\u00e3o devemos adiar a pr\u00e1tica do Caminho para o futuro.<\/p>\n<p>&#8220;Podemos querer come\u00e7ar uma pr\u00e1tica buddhista apenas depois da recupera\u00e7\u00e3o de uma doen\u00e7a, mas este tipo de resolu\u00e7\u00e3o adiadora prov\u00e9m de uma falta da mente que busca o Caminho. Nosso corpo \u00e9 composto dos quatro elementos<small><sup>9<\/sup><\/small>. Quem possivelmente estaria livre de doen\u00e7as? Nem todos os velhos mestres tinham uma sa\u00fade de ferro. Mas uma vez tendo aparecido a sincera aspira\u00e7\u00e3o pelo Caminho, eles o praticavam esquecidos de tudo o mais. Quando nos ocorre uma coisa importante, as coisas triviais perdem o sentido. Claro, o Caminho \u00e9 vital para n\u00f3s; ent\u00e3o devemos procurar ganh\u00e1-lo em vida e n\u00e3o desperdi\u00e7ar nosso tempo.<\/p>\n<p>&#8220;Um velho mestre disse: &#8216;Nunca desperdicem tempo.&#8217; Ao tentarmos curar a doen\u00e7a, podemos piorar, e sentir cada vez mais dor. Devemos praticar enquanto h\u00e1 apenas uma pequena dor, antes que pioremos mais ainda. Na pior das hip\u00f3teses, devemos resolver praticar o Caminho antes de nossa morte. Com tratamento m\u00e9dico alguns melhoram, outros pioram; sem tratamento m\u00e9dicos uns pioram, outros melhoram. Este fato deve ser compreendido cuidadosamente.<\/p>\n<p>&#8220;Praticantes Zen n\u00e3o devem pensar em praticar somente depois de acharem uma resid\u00eancia, tr\u00eas mantos e uma tigela, e tudo o mais. Aqueles que s\u00e3o pobres e n\u00e3o podem ter mantos, tigelas etc, aproximam-se da morte dia a dia, enquanto esperam obter estas necessidades. Como esta pessoa pode resolver seu problema? Se a pessoa quiser praticar apenas ap\u00f3s obter uma resid\u00eancia, mantos e tigelas, estar\u00e1 desperdi\u00e7ando sua vida. Compreendendo que, mesmo sem mantos e tigelas, podemos praticar o Caminho, devemos ser maximamente esfor\u00e7ados na pr\u00e1tica. Mantos e tigelas s\u00e3o apenas decora\u00e7\u00f5es para monges. O verdadeiro monge nunca depende delas. N\u00e3o faz diferen\u00e7a se as possui ou n\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de se esfor\u00e7ar para obter estas coisas. Mas n\u00e3o devemos simplesmente descuidar daquilo que temos. \u00c9 uma id\u00e9ia n\u00e3o-buddhista deixar a doen\u00e7a sem tratamento propositadamente, se houver chance de recupera\u00e7\u00e3o. Devemos estar dispostos a tudo para obter o Caminho; mas n\u00e3o devemos desperdi\u00e7ar nossa vida em v\u00e3o. Fazendo tratamento m\u00e9dico, podemos talvez cauterizar a parte afetada com moxa ou tomar os outros rem\u00e9dios apropriados. N\u00e3o nos deve deter, contudo, de buscar o Caminho. \u00c9 um erro colocar o tratamento de doen\u00e7a acima da pr\u00e1tica do Caminho.&#8221;<\/p>\n<p>[9] Meu mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;No oceano h\u00e1 um lugar chamado Lung-men, caracterizado pela exist\u00eancia de enormes vagalh\u00f5es. Logo que os mais variados peixes passam por tais ondas, nunca deixam de virar drag\u00f5es. Da\u00ed o nome Lung-men \u2014 Port\u00e3o do Drag\u00e3o. Na minha opini\u00e3o, as ondas existentes ali n\u00e3o s\u00e3o diferentes daquelas achadas em outras localidades, quer sejam em altura ou em salinidade. Mas, fato estranho, t\u00e3o logo peixes por ali passem, nunca deixam de virar drag\u00f5es, sendo que suas escamas e seus corpos n\u00e3o sofrem quaisquer altera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;O mesmo vale para monges. Vivem no mesmo tipo de lugar que leigos, mas ao entrarem num monast\u00e9rio Zen nunca deixar de se tornarem buddhas e ancestrais. Consomem a mesma comida e usam o mesmo tipo de roupa que leigos, para se livrarem do frio; mas com o simples fato de rasparem suas cabe\u00e7as, usarem mantos de formato quadrado e comerem apenas duas refei\u00e7\u00f5es, ou seja, desjejum e almo\u00e7o, logo se tornam monges. A melhor maneira de se tornar um Buddha ou ancestral n\u00e3o est\u00e1 distanciada de n\u00f3s, mas \u00e9 acess\u00edvel \u2014 no fato de entrarmos no monast\u00e9rio Zen. Da mesma forma que peixes viram drag\u00f5es ao passarem pelo port\u00e3o do drag\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Mercadores dizem sempre que n\u00e3o acham compradores para seu ouro, apesar do seu desejo sincero de vend\u00ea-lo. O mesmo ocorre com os buddhas e ancestrais. O Caminho est\u00e1 escancarado ante n\u00f3s, mas n\u00f3s n\u00e3o o procuramos; a apreens\u00e3o do buddhismo n\u00e3o depende de n\u00f3s. Todos podem se iluminar. Deve-se exclusivamente \u00e0 intensidade de nossos esfor\u00e7os se levamos muito ou pouco tempo para nos iluminarmos. O abismo entre o esfor\u00e7o e a pregui\u00e7a atribui-se \u00e0 exist\u00eancia ou n\u00e3o da mente que busca o Caminho. A falta deste tipo de compreens\u00e3o mental se deve principalmente a nossa ignor\u00e2ncia de qu\u00e3o impermanente nossa vida \u00e9 na realidade. A todo instante nosso corpo est\u00e1 se transformando, e n\u00e3o fica estacion\u00e1rio ou fixo nem por um momento sequer. Logo, nesta vida transiente n\u00e3o devemos desperdi\u00e7ar nosso tempo precioso.<\/p>\n<p>&#8220;Diz um velho ditado: &#8216;Um rato morando no silo, morre \u00e0 m\u00edngua a um metro do milho; um boi arando o pasto morre de fome perto do mato.&#8217; Isto ilustra que o ratinho perto da comida pode passar fome, e um boi deseja pastar capim estando no meio dele. O mesmo ocorre com o homem. Embora j\u00e1 esteja no Caminho, n\u00e3o est\u00e1 consciente disto. Enquanto estivermos apegados \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o mundana e \u00e0 fome de lucro, n\u00e3o podemos viver nossas vidas na tranq\u00fcilidade e com conforto.&#8221;<\/p>\n<p>[10] Meu mestre ensinou:<\/p>\n<p>&#8220;Ao fazerem o bem e o mal, todos os iluminados consideram os fatos t\u00e3o profundamente, que pessoas comuns n\u00e3o podem sondar tais pensamentos.<\/p>\n<p>&#8220;Quando vivia o Mestre Sufragan Esshin<small><sup>10<\/sup><\/small>, este ordenou a seu assistente que enxotasse um veado que pastava ali no seu jardim. Ent\u00e3o um dos presentes contestou: &#8216;Porque \u00e9s t\u00e3o sem compaix\u00e3o? Porque n\u00e3o deixaste o pobre animal pastar da tua grama?&#8217; O outro respondeu: &#8216;Se eu n\u00e3o fizer com que o enxotem, o veado se acostumar\u00e1 \u00e0 presen\u00e7a humana, ocasi\u00e3o em que algu\u00e9m o poder\u00e1 matar. Foi por isto que o enxotei.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;De fato, enxotar um pobre veado pode parecer duro, mas foi feito por uma compaix\u00e3o muito profunda por ele.&#8221;<\/p>\n<p>[11] Um dia meu Mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Quando indagados sobre buddhismo, monges devem dizer a verdade, nem mais nem menos. N\u00e3o devem nunca dizer o que n\u00e3o for verdade, julgando o interlocutor inferior a si mesmos, ou achando que ele \u00e9 principiante no buddhismo. Os preceitos do bodhisattva nos dizem que, se um homem do calibre Hinayana<small><sup>11<\/sup><\/small> nos perguntar sobre o caminho Hinayana, devemos responder-lhe de acordo com o Mahayana<small><sup>12<\/sup><\/small>. Foi isto o que aconteceu com os serm\u00f5es<small><sup>13<\/sup><\/small> que o Tathagata pregou antes de deslanchar os verdadeiros ensinamentos<small><sup>14<\/sup><\/small>. Realmente proveitosos s\u00e3o os seus \u00faltimos serm\u00f5es, pregados pouco antes de sua morte. Logo, digamos t\u00e3o somente a verdade, quer nossos interlocutores possam compreender ou n\u00e3o. Ao nos depararmos com um homem de verdade, n\u00e3o devemos julg\u00e1-lo por sua apar\u00eancia externa ou virtude aparente, mas pelo que ele vale na realidade.<\/p>\n<p>&#8220;Nos tempos de Conf\u00facio, uma certa pessoa se aproximou e pediu para se tornar seu disc\u00edpulo<small><sup>15<\/sup><\/small>. Conf\u00facio lhe perguntou: &#8216;Porque queres ser meu disc\u00edpulo?&#8217; O homem replicou: &#8216;Achei o Senhor muito distinto e elegante, vendo-o caminhar para o Pal\u00e1cio Imperial.&#8217; Conf\u00facio mandou entregar todas as suas roupas, carruagem, ouro, prata e demais coisas ao homem, e lhe disse: &#8216;Nunca me foste fiel e devotado de fato. Estavas somente interessado nos meus apetrechos externos.'&#8221;<\/p>\n<p>Meu mestre completou:<\/p>\n<p>&#8220;Fujiwara Yorimichi<small><sup>16<\/sup><\/small>, o principal Conselheiro do Imperador, desceu um dia \u00e0s salas t\u00e9rmicas do pal\u00e1cio<small><sup>17<\/sup><\/small> e ficou olhando o fogar\u00e9u usado para aquecer a \u00e1gua. Um funcion\u00e1rio do local se deparou com ele inesperadamente e lhe interrogou: &#8216;Quem \u00e9s, que aqui est\u00e1s sem permiss\u00e3o?&#8217; Ent\u00e3o Yorimichi tirou sua coberta e apareceu novamente na sua roupa de corte. O funcion\u00e1rio, estupefato com sua impon\u00eancia, fugiu espavorido. Ent\u00e3o Yorimichi colocou sua bela vestimenta num cabide, e curvou-se profundamente ante ela. Algu\u00e9m lhe perguntou porque fazia isto. Ele replicou: &#8216;N\u00e3o \u00e9 por minha causa que sou respeitado, mas por causa desta bela roupa.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 por esta raz\u00e3o que o tolo respeita os outros. O mesmo pode ser dito daqueles que atribuem muito valor \u00e0s palavras de seitas e cren\u00e7as religiosas.<\/p>\n<p>&#8220;Um velho mestre disse: &#8216;Ele falou por todo o pa\u00eds e nunca disse uma s\u00f3 palavra que n\u00e3o fosse verdadeira. Reinou bem sobre o pa\u00eds e nunca fez um s\u00f3 inimigo entre o povo.&#8217; Assim fala e assim age um homem que ganhou o m\u00e9rito mais elevado e o \u00e2mago da verdade.<\/p>\n<p>&#8220;Pessoas comuns com freq\u00fc\u00eancia agem ou falam desde uma perspectiva ego\u00edsta. \u00c9 prov\u00e1vel que nada fa\u00e7am sen\u00e3o coisas desastrosas. Contudo, monges Zen falam e agem seguindo os modelos tradicionais, n\u00e3o com suas pr\u00f3prias opini\u00f5es. Assim \u00e9 o Caminho que os buddhas e ancestrais seguiram sempre.<\/p>\n<p>&#8220;Praticantes Zen devem refletir sobre como se comportar. Eles j\u00e1 s\u00e3o disc\u00edpulos do Buddha Shakyamuni. Neste caso devem seguir o Caminho de Buddha. Devem se conduzir corretamente em palavras, mente e a\u00e7\u00f5es, assim como o fizeram os buddhas passados. Mesmo leigos nos dizem que as roupas devem ser usadas de acordo com um modelo estabelecido, e que as palavras devem ser faladas de acordo com um padr\u00e3o. Mais ainda, devem os monges Zen estar livres de suas pr\u00f3prias opini\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>[12] Meu mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Hoje em dia a maioria dos praticantes Zen, ouvindo falar sobre buddhismo, logo quer demonstrar suas r\u00e1pidas compreens\u00f5es, e dar respostas afiadas a outros. Assim, tudo que seus mestres lhes disseram \u00e9 ignorado. Em \u00faltima an\u00e1lise, isto ocorre porque est\u00e3o apegados demais a si mesmos, para despertarem para a mente que busca o Caminho. Devem abandonar este apego a si mesmos, ouvir o que dizem seus mestres, e refletir ent\u00e3o calmamente sobre aquilo que foi dito. Se acharem algo obscuro, devem procurar esclarecimento ulterior. Se for compreendido, devem procurar expressar o que compreenderam a seus mestres. \u00c9 porque n\u00e3o ouviram cuidadosamente a aula buddhista que imaginam ter tudo compreendido.&#8221;<\/p>\n<p>[13] Meu mestre ensinou:<\/p>\n<p>&#8220;No reino do Imperador Tai-Tsung da T&#8217;ang<small><sup>18<\/sup><\/small>, um cavalo puro sangue foi ofertado a este imperador, por um pa\u00eds estrangeiro. Podia cobrir 1000 ri por dia. Descontente com este presente, ele pensou assim; &#8216;\u00c9 verdade, este animal \u00e9 mesmo fant\u00e1stico, pode percorrer 1000 ri num s\u00f3 dia, mas do que adianta se ningu\u00e9m puder me acompanhar nele!&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o ele chamou Wei-Cheng<small><sup>19<\/sup><\/small> e lhe disse: &#8216;Que pensas a respeito?&#8217; Wei-Cheng disse: &#8216;Concordo plenamente.&#8217; Ent\u00e3o diz-se que o Imperador ordenou ao mensageiro que devolvesse o cavalo, n\u00e3o sem antes carreg\u00e1-lo de ouro e prata.<\/p>\n<p>&#8220;O Imperador, apesar de leigo, nunca mantinha uma coisa in\u00fatil, mas a enviava de volta. Mais ainda, devem os monges Zen ter mantos e tigelas apenas. Para que acumular coisas in\u00fateis? Pessoas comuns, dedicadas a uma coisa, n\u00e3o necessitam de terra ou feudos. Mas v\u00eaem as pessoas do mundo todo como se fossem de seus pr\u00f3prios pa\u00edses e como seus parentes.<\/p>\n<p>&#8220;Jiso Hokkyo<small><sup>20<\/sup><\/small> deixou o seguinte testamento para seus filhos: &#8216;Deveis vos dedicar ao buddhismo.&#8217; Mais ainda devem os praticantes Zen se dedicar a uma s\u00f3 coisa: ao buddhismo. Isto \u00e9 assunto para monges tratarem. &#8216;<\/p>\n<p>[14] Meu mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Quando praticantes Zen indagarem a seus mestres sobre buddhismo, que o fa\u00e7am exaustivamente, at\u00e9 que o assunto seja bem compreendido. Deixarem perguntas necess\u00e1rias e palavras necess\u00e1rias n\u00e3o ditas, e ser\u00e1 desvantajoso.<\/p>\n<p>&#8220;A resposta do mestre vem somente ap\u00f3s a pergunta ser feita. Ent\u00e3o devemos questionar nosso mestre repetidamente, at\u00e9 que a compreens\u00e3o seja atingida, mesmo que crermos j\u00e1 dominar o assunto. O mestre por sua vez deve indagar a seus disc\u00edpulos se tudo compreenderam do que foi dito.&#8221;<\/p>\n<p>[15] Meu mestre ensinou:<\/p>\n<p>&#8220;A perspectiva mental dos praticantes Zen \u00e9 o contr\u00e1rio das pessoas comuns.<\/p>\n<p>&#8220;Quando o mestre Eisai do monast\u00e9rio de Kennin-ji era ainda vivo, aconteceu que seus monges ficaram sem uma migalha sequer para comer. Ent\u00e3o um amigo do mestre Eisai convidou-o para celebrar uma cerim\u00f4nia f\u00fanebre, e lhe deu um rolo de seda em agradecimento. Euf\u00f3rico com isto, ele retornou ao monast\u00e9rio, n\u00e3o deixando nem que seus disc\u00edpulos carregassem o rolo de seda, carregando-o pessoalmente. Ent\u00e3o ele entregou a seda ao monge-tesoureiro, dizendo: &#8216;Vende isto amanh\u00e3, para podermos comer.&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;Entretanto, um leigo apareceu, e pediu a seda, dizendo: &#8216;Estou envergonhado de dizer que necessito de alguns rolos de seda. Se tiveres algum, por favor d\u00e1-mos.&#8217; Sem um momento de hesita\u00e7\u00e3o, Mestre Eisai apanhou a seda com o monge-tesoureiro, e a deu ao leigo. Ent\u00e3o o monge-tesoureiro e os outros tiveram d\u00favidas quanto \u00e0 sua decis\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Mais tarde o Mestre disse: &#8216;Todos voc\u00eas acham que eu cometi um engano, mas eu acho que voc\u00eas est\u00e3o aqui para praticar o Caminho. E se voc\u00eas ficassem sem comida um dia, e morressem de fome? \u00c9 um grande m\u00e9rito para voc\u00eas monges que eu tenha ajudado uma pessoa do mundo que necessitava disto para sobreviver.&#8217; T\u00e3o profunda \u00e9 a mente de uma pessoa que possui a mente que busca o Caminho.&#8221;<\/p>\n<p>[16] Meu mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;Todos os buddhas e ancestrais eram, no come\u00e7o, pessoas comuns. Como tal, cometiam erros e enganos, eram obtusos ou tolos. Decidindo se superarem, contudo, praticaram seriamente, sob mestres de renome, at\u00e9 se tornarem buddhas e ancestrais. Exatamente a mesma coisa ocorre hoje. Somente por causa de nossas limita\u00e7\u00f5es ou tolices, n\u00e3o devemos nos depreciar. A menos que despertemos para a mente que busca o Caminho nesta vida, em que outra vida podemos faz\u00ea-lo? A pr\u00e1tica en\u00e9rgica trar\u00e1 certamente o fruto da ilumina\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>[17] Meu mestre disse:<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 um velho prov\u00e9rbio sobre o Caminho do Imperador: &#8216;A menos que possua uma mente t\u00e3o vasta quanto o c\u00e9u vazio, n\u00e3o pode aceitar bons conselhos.&#8217; Quer dizer que o imperador deve preferir o conselho de seu s\u00fadito leal ao seu pr\u00f3prio, e agir dentro do Caminho do Imperador, afinado com a verdade.<\/p>\n<p>&#8220;O mesmo vale para a disciplina tradicional na pr\u00e1tica do Caminho. O apego a n\u00f3s mesmos n\u00e3o nos deixar\u00e1 ouvir as palavras de nosso mestre nem assimilar seus ensinamentos. Quando nos absorvemos completamente no que foi exposto, esquecidos de assuntos mundanos, ou da fome e do frio, tanto quanto de nossos pontos de vista pessoais sobre o buddhismo, podemos ent\u00e3o compreender o que foi transmitido. Ent\u00e3o podemos esclarecer nossa d\u00favida e ganhar a verdade buddhista. Para realizarmos o verdadeiro Caminho, \u00e9 mister abandonarmos opini\u00f5es auto centradas e ego\u00edstas passadas, nosso primeiro conhecimento, e seguirmos nosso objetivo com todas as nossas for\u00e7as. Ent\u00e3o seremos tal qual estamos, pessoas autenticamente iluminadas. Este \u00e9 o ponto chave da pr\u00e1tica buddhista.&#8221;<\/p>\n<h3>Notas<\/h3>\n<p><font size=1> <\/p>\n<p>1. J\u00fc-tsung \u2014 conforme nota 29 do cap\u00edtulo 1.<br \/>2. Rei Yama \u2014 o grande Rei do Hades, encarregado de ver quem cometeu pecados, e de expor a eles os maus efeitos de suas condutas err\u00f4neas.<br \/>3. <i>Mon<\/i> \u2014 uma unidade monet\u00e1ria na China e no Jap\u00e3o antigos.<br \/>4. <i>Hakama<\/i> \u2014 uma cal\u00e7a larga e dividida.<br \/>5. Hsueh-Feng (822-908), um herdeiro do Dharma de Te-Shan (792-865), e conhecido pelo seu treinamento severo.<br \/>6. Devaddatta \u2014 o primo de Shakyamuni, not\u00f3rio por suas maldades. Uma vez tentou em v\u00e3o privar Shakyamuni de sua autoridade buddhista, e morreu em sua agonia.<br \/>7. A hist\u00f3ria do Conferencista Liang-Chu. A vig\u00e9sima-primeira das 300 Hist\u00f3rias do Shobogenzo diz: &#8220;Primeiro, quando Liang-Chu veio a Ma-Ku, Ma-Ku estava cortando grama com uma foice. Ma-Ku n\u00e3o prestou aten\u00e7\u00e3o a Liang-Chu, mas voltou ao seu quarto e fechou a porta. No dia seguinte Liang-Chu apareceu de novo, mas Ma-Ku ainda manteve a porta fechada. Finalmente quando Liang-Chu bateu na porta, Ma-Ku perguntou quem era. T\u00e3o logo Liang-Chu disse seu pr\u00f3prio nome, iluminou-se.&#8221;<br \/>8. O encontro de arrependimento (upavasa, upavastha), celebrado duas vezes por m\u00eas, no dia 15 e no dia 29 ou 30. Ent\u00e3o os monges fazem uma assembl\u00e9ia, l\u00eaem o sutra dos preceitos e confessam seus poss\u00edveis erros ante os demais.<br \/>9. Os quatro elementos. De acordo com o buddhismo, todas as coisas t\u00eam sua raiz nos quatro elementos \u2014 terra, \u00e1gua, fogo e vento.<br \/>10. Mestre Suffragan Eshin (942-1017) \u2014 seu nome leigo era Genshin. Foi ao Monte Hai com nove anos de idade e tomou os preceitos de monge aos 13 anos. Bem versado nas doutrinas de Kusha, Immuyo, Tendai e Jodo, foi o precursor da doutrina Jodo \u2014 doutrina da Terra Pura.<br \/>11. Hinayana \u2014 O ve\u00edculo menor. Estudado por aqueles que d\u00e3o \u00eanfase em atingir suas pr\u00f3prias ilumina\u00e7\u00f5es, n\u00e3o ajudar os outros. Aplica-se \u00e0s doutrinas de Agon, Kusha, Jojitsu etc.<br \/>12. Mahayana \u2014 O ve\u00edculo maior. Estudado por aqueles cujos prop\u00f3sitos \u00e9 salvar outros antes de si mesmos. Aplica-se \u00e0s doutrinas de Kegon, Tendai, Zen, Jodo etc.<br \/>13. Serm\u00f5es expedientes. Ensinamentos Presum\u00edveis \u2014 conforme nota 2 do cap\u00edtulo 4.<br \/>14. O seu \u00faltimo serm\u00e3o verdadeiro \u2014 o Saddharma-pundarika Sutra e o Nirvana Sutra.<br \/>15. Conf\u00facio (552-479 a.C.) \u2014 Primeiro foi funcion\u00e1rio p\u00fablico, depois Grande Funcion\u00e1rio Judicial. Pediu apoio por todo o pa\u00eds para seus pontos de vista. Suas palavras e a\u00e7\u00f5es est\u00e3o registradas nos &#8220;Comp\u00eandios de Conf\u00facio&#8221;.<br \/>16. Fujiwara Yorimichi (992-1074) \u2014 o filho primog\u00eanito de Fujiwara-Michinaga. Tornou-se Kampaku \u2014 Conselheiro Principal do Imperador em 1019 e manteve a posi\u00e7\u00e3o durante 50 longos anos. Construiu o templo Byo-doim em Uji.<br \/>17. O sal\u00e3o das caldeiras \u2014 onde \u00e9 aquecida a \u00e1gua do banho na Corte Imperial e resid\u00eancia do Shogun.<br \/>18. Tai-Tsung \u2014 conforme nota 3 do cap\u00edtulo 2.<br \/>19. Wei-Cheng \u2014 conforme nota 4 do cap\u00edtulo 2.<br \/>20. Hokkyo \u2014 uma hierarquia de monges japoneses.<\/p>\n<p><\/font> <\/p>\n<p ALIGN=\"right\"><i><font SIZE=\"1\"><b>Extra\u00eddo do site www.dharmanet.com.br<\/b><\/font><\/i><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><\/font> <\/p>\n<hr \/><\/div>\n<p><\/font> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><a HREF=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Shobogenzo ZuimonkiCap\u00edtulo 6 de Eihei Dogen Zenji Adaptado da tradu\u00e7\u00e3o do monge Ryokyu Marcos Beltr\u00e3o [1] Meu Mestre disse: &#8220;Se a pessoa estiver preocupada com a cr\u00edtica alheia, que seja a cr\u00edtica de um homem que ganhou a verdade. 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