{"id":6619,"date":"2020-07-02T17:27:28","date_gmt":"2020-07-02T19:27:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6619"},"modified":"2020-07-02T17:27:28","modified_gmt":"2020-07-02T19:27:28","slug":"daishugyoi-a-grande-pratica-do-caminho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/daishugyoi-a-grande-pratica-do-caminho\/","title":{"rendered":"Daish\u00fbgy\u00f4i &#8211; A Grande Pr\u00e1tica do Caminho"},"content":{"rendered":"<p><font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:justify\">\n<a NAME=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/dogen.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/dogen.jpg\" alt=\"\" width=\"199\" height=\"253\" class=\"alignleft size-full wp-image-1276\" \/><\/a><br \/>\n<font FACE=\"Verdana\" SIZE=\"2\"> <a NAME=\"inicio\"><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:center\"><font SIZE=\"4\"><b>Daish\u00fbgy\u00f4i &#8211; A Grande Pr\u00e1tica do Caminho<\/b><\/font><\/div>\n<p><\/a> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><font SIZE=\"1\"><i><b>de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/eihei-dogen\/\"><font SIZE=\"1\">Eihei Dogen Zenji <\/font><\/a><br \/>Cap\u00edtulo 34 do Sh\u00f4b\u00f4genz\u00f4<br \/>Adaptado da tradu\u00e7\u00e3o do monge Ryokyu Marcos Beltr\u00e3o.<\/b><\/i><\/font><\/div>\n<div STYLE=\"text-align:justify\">\n<p><font face=\"tahoma, verdana, arial\">Dentre os muitos disc\u00edpulos do Mestre Zen Daichi do Monte Hyakujo em Koshu, havia um velho que ansiosamente assistia \u00e0s palestras de Hyakujo. Geralmente o velho ia embora com os demais mas certo dia ele ficou depois da palestra. Hyakujo lhe perguntou, &#8220;Quem \u00e9s, que te quedas de p\u00e9 diante de mim assim?&#8221; O velho respondeu, &#8220;Eu n\u00e3o sou aquilo que chamarias de um ser humano. H\u00e1 muito tempo atr\u00e1s, no tempo do Buddha Kashyapa, eu vivia nesta montanha. Um belo dia um disc\u00edpulo meu indagou-me se aquele que alcan\u00e7a a Grande Pr\u00e1tica do Caminho ainda se encontra sujeito \u00e0s leis do karma. Eu lhe respondi naquela ocasi\u00e3o, &#8216;N\u00e3o, o Dharma cessa&#8217; e gra\u00e7as a esta resposta err\u00f4nea tenho estado transmigrando como uma raposa selvagem durante os \u00faltimos quinhentos anos. Eu te rogo, Reverendo senhor, que me d\u00eas uma palavra de ensinamento que me liberte da transmigra\u00e7\u00e3o.&#8221; Ent\u00e3o o velho tornou a perguntar: &#8220;Aquele que alcan\u00e7ou a Grande Pr\u00e1tica do Caminho ainda est\u00e1 sujeito \u00e0s leis do karma ou n\u00e3o?&#8221; Hyakujo gritou ent\u00e3o, &#8220;Claro que sim, este Dharma nunca cessa de funcionar!&#8221; Com isto o velho ganhou a compreens\u00e3o, fez uma rever\u00eancia ante Hyakujo e comentou, &#8220;Gra\u00e7as a ti finalmente me liberei do corpo da raposa selvagem. Atualmente estou morando atr\u00e1s desta montanha e tenho mais um pedido. Por favor fa\u00e7a rezar uma cerim\u00f4nia f\u00fanebre para mim, da forma de monges falecidos.&#8221;<\/p>\n<p>Hyakujo pediu ent\u00e3o a um monge que desse um toque e chamasse os monges para lhes informar que depois do almo\u00e7o uma cerim\u00f4nia f\u00fanebre seria realizada para um monge falecido.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"tahoma, verdana, arial\">Os monges comentaram entre si, curiosos: &#8220;Todos n\u00f3s aqui estamos em perfeita sa\u00fade e n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m na enfermaria. Porque haveria ent\u00e3o uma cerim\u00f4nia f\u00fanebre?&#8221; Depois do almo\u00e7o Hyakujo levou a assembleia de monges a um canto escondido atr\u00e1s da montanha e ali apontou para o corpo de uma raposa morta. Ent\u00e3o a cerim\u00f4nia foi feita e a raposa cremada.<\/p>\n<p>Naquela noite Hyakujo subiu ao p\u00falpito na sala do Dharma e procurou explicar os acontecimentos do dia. Ent\u00e3o Obaku indagou, &#8220;O velho deu uma resposta errada a seu disc\u00edpulo quando era um mestre e nasceu como uma raposa durante os quinhentos anos subsequentes. O que teria acontecido se houvesse dado uma resposta correta?&#8221; Hyakujo disse, &#8220;Aproxime-se e eu lhe direi.&#8221; Obaku se achegou e deu uma bofetada no rosto de Hyakujo. Hyakujo sorriu e aplaudiu, dizendo, &#8220;Cria eu que estrangeiros eram aqueles com barba vermelha, mas agora vejo que aqueles que tem barba vermelha s\u00e3o os estrangeiros.&#8221;<\/p>\n<p>Esta hist\u00f3ria, este k\u00f4an, \u00e9 conhecido como &#8220;A Grande Pr\u00e1tica do Caminho.&#8221; Como ele disse, havia um Monte Hyakujo no tempo do Buddha Kashyapa. Esta palavra \u00e9 a mais importante do texto, e realiza sozinha a Grande Pr\u00e1tica do Caminho. Mesmo assim o Monte Hyakujo no tempo de Kashyapa e o Monte Hyakujo no tempo de Shakyamuni no presente n\u00e3o s\u00e3o os mesmos, e tamb\u00e9m diferentes n\u00e3o s\u00e3o totalmente. N\u00e3o podemos afirmar peremptoriamente que um venha antes e ou outro esteja situado num tempo seguinte. O Monte Hyakujo como ele existe presentemente difere do Monte Hyakujo no tempo de Kashyapa; por\u00e9m, neste k\u00f4an acima podemos constatar esta afirma\u00e7\u00e3o, &#8220;Uma vez vivia eu nesta montanha.&#8221; A rela\u00e7\u00e3o entre o velho e Hyakujo \u00e9 aplic\u00e1vel a todo praticante que procura pelo Caminho. A pergunta do velho \u00e9 a pergunta de todo praticante. Se a pessoa for pregui\u00e7osa ou mole neste ponto, com facilidade poder\u00e1 cair na dualidade.&nbsp;<\/p>\n<p>Todos aqueles que j\u00e1 praticaram, bem como aqueles que alcan\u00e7aram a Grande Pr\u00e1tica do Caminho, buscaram alguma vez esclarecer como somos influenciados pelo karma. N\u00e3o existe uma resposta simples e elementar para tal. Durante o per\u00edodo de Eike em Gokan quando o Dharma buddhista entrou pela primeira vez na China e mesmo depois da \u00e9poca de Bodhidharma a pergunta da raposa sobre o karma raramente podia ser ouvida. Se chegarmos \u00e0 Grande Pr\u00e1tica do Caminho, veremos que isto mesmo \u00e9 o Grande karma. Eis porque n\u00e3o podemos nem afirmar que &#8220;N\u00e3o, o Dharma do karma cessa com a Grande Pr\u00e1tica do Caminho,&#8221; nem &#8220;Sim, este Dharma nunca cessa mesmo com a Grande Pr\u00e1tica do Caminho.&#8221; Se erradamente respondermos &#8220;N\u00e3o,&#8221; tamb\u00e9m interpretaremos mal o &#8220;Sim.&#8221; Mesmo que estejamos compreendendo estas coisas como maneiras de falar, mesmo assim podemos cair ou sermos liberados da transmigra\u00e7\u00e3o. Por exemplo, isto pode ser uma forma de se expressar no tempo de Kashyapa, mas n\u00e3o no tempo de Shakyamuni.<\/p>\n<p>O velho disse, &#8220;Durante quinhentos anos tenho transmigrado como uma raposa selvagem.&#8221; Antes que o velho fosse um mestre no Monte Hyakujo havia uma raposa mas ela n\u00e3o transmigrou novamente como raposa. Nenhum mestre do Monte Hyakujo deveria transmigrar como raposa selvagem. Somente aqueles que n\u00e3o t\u00eam f\u00e9 poderiam achar que o esp\u00edrito de um mestre do passado poderia deixar seu corpo e entrar no de uma raposa selvagem. E nem o esp\u00edrito da raposa absorveu o Mestre. Quando se diz que o primeiro mestre do Monte Hyakujo transmigrou como uma raposa selvagem, isto quer dizer que ele deve ter esquecido sua verdadeira posi\u00e7\u00e3o. Um mestre do Monte Hyakujo n\u00e3o pode transmigrar como uma raposa. Como isto se aplica ent\u00e3o ao karma? Basicamente o Dharma do karma n\u00e3o tem exist\u00eancia concreta, mas mesmo assim est\u00e1 sempre sendo verificada na vida quotidiana. Afeta a todos sem levar em conta suas inten\u00e7\u00f5es ao agirem.&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo assim se nos enganarmos e respondermos &#8220;N\u00e3o!&#8221; n\u00e3o quer dizer que ficaremos transmigrando como uma raposa. Se isto fosse de fato o que ocorresse, certamente que muitos mestres tais como Rinzai, Tokusan e outros mais que deram respostas erradas estariam ora a transmigrar infindavelmente como raposas. Ousaria at\u00e9 dizer que todos os mestres dos duzentos ou trezentos anos passados estariam agora transmigrando por a\u00ed afora como raposas. Se fosse fato que uma resposta equivocada provocasse este efeito, por certo haver\u00edamos j\u00e1 ouvido falar destas almas a vagar por a\u00ed. Dentre todas as respostas cretinas e equivocadas dadas a disc\u00edpulos algumas h\u00e1 que s\u00e3o de fato muit\u00edssimos piores e infinitamente mais equivocadas que a do velho.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"tahoma, verdana, arial\">Muitos n\u00e3o buscam de uma forma sincera o Dharma buddhista. Logo, necess\u00e1rio se faz uma mente l\u00facida para se chegar a compreens\u00e3o do que vem a ser este K\u00f4an. Se nossa pr\u00e1tica for superficial n\u00e3o o compreenderemos jamais. O que \u00e9 mais importante ainda, \u00e9 que devemos perceber que n\u00e3o vamos transmigrar como resultado de uma resposta errada; ou deixaremos de transmigrar devido a uma resposta correta.&nbsp;<\/p>\n<p>O que aconteceu ao velho ap\u00f3s sua libera\u00e7\u00e3o do corpo da raposa selvagem n\u00e3o \u00e9 sequer mencionado. Contudo podemos encontrar aqui ainda algo de valor. Mas n\u00e3o devemos ser como aqueles tolos que nunca tendo ouvido ou sequer visto o Dharma buddhista saem por a\u00ed dizendo: &#8220;Por causa da ilus\u00e3o acumulada em vidas passadas renasce-se como raposa selvagem e \u00e9 este corpo resultante desta ilus\u00e3o que ir\u00e1 ser liberado. Depois que nos liberamos deste corpo de raposa voltamos ao oceano da ilumina\u00e7\u00e3o original.&#8221; Esta \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o de pessoas que nada sabem do Dharma buddhista. Acres\u00e7a-se a isto que se crermos que a raposa n\u00e3o possui a ilumina\u00e7\u00e3o inata, isto tamb\u00e9m n\u00e3o seria o Dharma buddhista. Se tivermos a grande ilumina\u00e7\u00e3o e a grande pr\u00e1tica do Caminho, sabemos com certeza que a raposa nunca vai embora e que a compreens\u00e3o n\u00e3o nos livra dela. Logo, se quisermos nos livrar da raposa, decerto que jamais atingiremos este estado de ilumina\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o a raposa nada ter\u00e1 a ver com o Dharma buddhista, ser\u00e1 apenas uma raposa solit\u00e1ria. No Budismo que se preza isto \u00e9 algo que n\u00e3o ocorre.<\/p>\n<p>O Hyakujo do dia presente falou uma palavra de ensinamento e liberou aquele Hyakujo anterior do tempo do Buddha Kashyapa de seus quinhentos anos de transmigra\u00e7\u00e3o como raposa selvagem, isto \u00e9 algo que devemos esclarecer. A palavra do Dharma que o Hyakujo que vive no presente ofereceu liberou o velho. Mas o fato \u00e9 que as montanhas, rios e a grande terra t\u00eam continuamente proclamado incont\u00e1veis palavras do Dharma at\u00e9 o dia presente e nem com isto o velho foi liberado. Isto \u00e9 o que me deixa algumas d\u00favidas sobre esta hist\u00f3ria. Se incont\u00e1veis palavras do Dharma dadas diariamente pelas montanhas, rios e terra foram incapazes de liberar o velho, nem o poderia o Hyakujo que vive no dia presente. O Hyakujo que viveu no passado no tempo de Kashyapa n\u00e3o experimentou nenhuma destas palavras e esteja transmigrando ou liberado, ainda assim n\u00e3o conhece nada da raposa. &#8220;Da forma que tende o brotinho, da mesma forma crescer\u00e1 a \u00e1rvore.&#8221;<\/font><\/p>\n<p><font face=\"tahoma, verdana, arial\">Mas o que dir\u00edamos da vida de quinhentos anos de transmigra\u00e7\u00e3o do velho? Por que raz\u00e3o ficou ele transmigrando? Como era este seu mundo de transmigra\u00e7\u00e3o? Se ele disse que &#8220;o karma cessa,&#8221; porque renasceu como raposa selvagem? De onde veio o corpo da raposa debaixo das pedras?<\/font><\/p>\n<p><font face=\"tahoma, verdana, arial\">A express\u00e3o do Hyakujo antigo, &#8220;N\u00e3o, o Dharma cessa&#8221; f\u00ea-lo tombar na transmigra\u00e7\u00e3o como raposa; &#8220;Sim, nunca cessa&#8221; o liberou disto. Mesmo assim, a transmigra\u00e7\u00e3o e a libera\u00e7\u00e3o existem juntas e s\u00e3o os princ\u00edpios de causa e efeito.<\/p>\n<p>Contudo todos tem sempre afirmado que &#8220;o karma cessa&#8221; \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o do Dharma da causa e efeito que redundar\u00e1 em transmigra\u00e7\u00e3o, neste caso como raposa selvagem. Este n\u00e3o \u00e9 o verdadeiro princ\u00edpio do karma. Mesmo que o Hyakujo antigo tivesse compreendido por alguma raz\u00e3o que o karma cessa, estava neste momento baseado na Grande Pr\u00e1tica do Caminho; n\u00e3o devemos crer que ele tivesse se enganado. Isto n\u00e3o \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o do Dharma do karma, pois que outro velho s\u00e1bio disse, &#8220;O karma nunca cessa&#8221;; o karma est\u00e1 sempre ativo e fazendo nossa vida se desenrolar a partir dele. Esta \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o do Dharma do karma. A Grande Pr\u00e1tica do Caminho \u00e9 o estado no qual a libera\u00e7\u00e3o do karma \u00e9 alcan\u00e7ada. Esta \u00e9 a libera\u00e7\u00e3o do velho. Contudo isto ainda n\u00e3o est\u00e1 completo: \u00e9 apenas oitenta ou noventa por cento. Al\u00e9m disto, no tempo do Buddha Kashyapa, o primeiro Hyakujo vivia no Monte Hyakujo e tamb\u00e9m no tempo do Buddha Shakyamuni o Hyakujo do presente l\u00e1 vive. Isto \u00e9 o corpo do passado e do presente, o rosto de sol e de lua, a natureza original da raposa selvagem no presente.&nbsp;<\/p>\n<p>Como poderia uma raposa selvagem se lembrar dos seus quinhentos anos de vida passados? Dizer que o podia fazer, \u00e9 nos enganarmos, j\u00e1 que era incapaz de se lembrar sequer de sua presente exist\u00eancia. Ela na verdade nunca teve nenhum tipo de conhecimento extra que fosse. Al\u00e9m disto, se esta raposa pudesse se lembrar dos quinhentos anos passados n\u00e3o seria qualquer raposa, mas uma que teria j\u00e1 alcan\u00e7ado a Grande Pr\u00e1tica do Caminho, isto \u00e9 o que nos leva a compreens\u00e3o deste K\u00f4an. Se nosso conhecimento for incompleto e n\u00e3o ultrapassarmos com nosso corpo e sabedoria o nascimento e destrui\u00e7\u00e3o caracter\u00edsticos da exist\u00eancia, n\u00e3o poderemos de forma nenhuma estarmos conscientes desta vida de quinhentos anos. Assim sendo falar disto nada mais ser\u00e1 que uma mentira vazia.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos afirmar que conhecemos a raposa selvagem sem conhecermos as coisas como o faz a raposa selvagem.. Quem mais poderia saber disto al\u00e9m da raposa? Saber ou n\u00e3o-saber contudo, n\u00e3o se aplica \u00e0 transmigra\u00e7\u00e3o da raposa. Se transmigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1, ent\u00e3o por outro lado n\u00e3o haver\u00e1 a necessidade de se liberar de nada. Nem ocorre a transmigra\u00e7\u00e3o nem tampouco a libera\u00e7\u00e3o. Nem existe um Hyakujo do tempo de Kashyapa nem sequer um no presente. Isto n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de se perceber, mas se o fizermos esmagaremos todos os pontos de vista errados, e foram tantos, que surgiram durante as Dinastias Ryo, Chin, Zui, To e So.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"tahoma, verdana, arial\">N\u00e3o foi nada razo\u00e1vel que o velho, que era apenas o fantasma de uma raposa selvagem, pedisse a Hyakujo que celebrasse uma cerim\u00f4nia f\u00fanebre como se ele fosse um monge falecido. N\u00e3o devemos ter d\u00favidas a este respeito. Uma raposa morta n\u00e3o \u00e9 um monge morto pois que uma raposa n\u00e3o recebeu jamais os preceitos nem compareceu aos per\u00edodos de treinamento de ver\u00e3o, n\u00e3o pode possuir o Caminho buddhista, e n\u00e3o corresponde a um monge. Mas por um monge morto celebraremos um servi\u00e7o f\u00fanebre quer seja ele ordenado ou n\u00e3o. Se leigos pedirem uma cerim\u00f4nia f\u00fanebre como se fossem monges, como o fez a raposa selvagem, ent\u00e3o dever\u00edamos realizar tais cerim\u00f4nias. Contudo, para uma raposa \u00e9 uma coisa in\u00e9dita, e isto nunca foi transmitido no Dharma buddhista. N\u00e3o existem precedentes para tal. Disseram que a raposa foi cremada da maneira de monges, mas pode ter havido um engano.<\/p>\n<p>Devemos seguir os procedimentos preestabelecidos, em qualquer lugar que formos, seja na enfermaria, seja no local de crema\u00e7\u00e3o. Mesmo que o cad\u00e1ver da raposa selvagem afirmasse, &#8220;Eu era o primeiro Mestre do Monte Hyakujo,&#8221; como poder\u00edamos estar certos disto? Onde est\u00e3o sua pr\u00e1tica anterior e a compreens\u00e3o dos buddhas e ancestrais? Quem poderia provar que ali estivesse realmente um antigo mestre do Monte Hyakujo? N\u00e3o devemos ignorar o Dharma e a disciplina dos buddhas e ancestrais superestimando a import\u00e2ncia desta hist\u00f3ria da carochinha.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"tahoma, verdana, arial\">Todos os descendentes dos buddhas e ancestrais devem dar import\u00e2ncia e devida \u00eanfase \u00e0 lei e \u00e0 disciplina. N\u00e3o devemos ceder a qualquer pedido que seja feito pelo caminho afora, como fez Hyakujo. \u00c9 deveras dif\u00edcil de se encontrar mesmo que seja uma pequena parte do Dharma buddhista. N\u00e3o devemos ficar tentados por este mundo evanescente ou levados pelo turbilh\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es. No Jap\u00e3o \u00e9 especialmente dif\u00edcil de se deparar com o Dharma e a disciplina dos buddhas e ancestrais. Dific\u00edlimo \u00e9 na verdade sequer v\u00ea-la ou ouvi-la, ent\u00e3o devemos avaliar isto como se fosse uma rara e preciosa j\u00f3ia.<\/p>\n<p>Existem contudo, muitas pessoas a quem falta uma confian\u00e7a forte ou devotada. \u00c9 digno de d\u00f3 que n\u00e3o tenham a menor ideia do que seja ou deixe de ser importante. Falta-lhes completamente a sabedoria acumulada de quinhentos ou mil anos.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"tahoma, verdana, arial\">Contudo, devemos mesmo assim nos animar e a outros para alcan\u00e7armos a Grande Pr\u00e1tica do Caminho. Mesmo uma s\u00f3 rever\u00eancia, ou um s\u00f3 momento de zazen, recebidos como a transmiss\u00e3o correta do Dharma dos buddhas e ancestrais, deve ser respeitado como uma grande alegria, j\u00e1 que revela a insond\u00e1vel Lei buddhista. Se n\u00e3o possuis tal alegria, mesmo que te depares com mil buddhas, n\u00e3o receber\u00e1s nunca nenhum m\u00e9rito ou virtude. Tais pessoas nada compreendem mas est\u00e3o inutilmente pretendendo ser seguidores do Dharma buddhista. Ao falarem parecem ter grandes conhecimentos apesar de ali nada haver sen\u00e3o conversa fiada, n\u00e3o oferecem meios de se verificar aquilo que est\u00e1 sendo dito.<\/p>\n<p>Aqueles que ao mundo n\u00e3o renunciaram, tais como reis, ministros, Brahma ou Indra e estas categorias de seres, podem requisitar uma cerim\u00f4nia f\u00fanebre no estilo de monges, mas isto n\u00e3o deveria jamais ser permitido. A resposta a este tipo de solicita\u00e7\u00e3o deveria ser: &#8220;Renuncies ao mundo e tendo recebido os preceitos e te tornado um grande mestre poder\u00e1s ent\u00e3o encomendar um funeral para monges.&#8221; Este tipo de pessoas est\u00e3o apegadas aos tr\u00eas mundos transientes e para os Tr\u00eas Tesouros n\u00e3o d\u00e3o a menor pelota. Mesmo que com eles trouxessem mil peles de raposa selvagem, apenas aviltariam o Caminho buddhista com suas presen\u00e7as. Neste caso deveriam renunciar ao mundo e receber os preceitos t\u00e3o logo quanto poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Hyakujo subiu ao palanque e explicou a hist\u00f3ria do velho aos monges reunidos. O significado da hist\u00f3ria por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 bastante obscuro e mais dif\u00edcil ainda \u00e9 ver porque ele ainda tentou explicar uma coisa t\u00e3o esquisita. Ele afirmou que o velho j\u00e1 havia completado quinhentos anos de transmigra\u00e7\u00e3o e agora se encontrava liberado. Mas como foi que ele chegou a esta cifra de exatamente quinhentos anos? Ele contou em anos humanos, em anos de raposa, ou em anos do Caminho buddhista? Como poderia a raposa selvagem compreender a vida de Hyakujo? Se a raposa v\u00ea a Hyakujo, Hyakujo ent\u00e3o \u00e9 apenas o esp\u00edrito da raposa. Ver a Hyakujo \u00e9 enxergar os buddhas e ancestrais.<\/p>\n<p>Foi por todas estas considera\u00e7\u00f5es acima expostas que o Mestre Zen Kobuku [Monge Hojo] comp\u00f4s o seguinte poema:<\/font><\/p>\n<blockquote>\n<p><font face=\"tahoma, verdana, arial\" size=2>Hyakujo viu uma raposa selvagem&nbsp;<br \/>E ambos tiveram um encontro de esp\u00edritos.<br \/>Por causa de seu pedido,&nbsp;<br \/>A raposa cremada foi como um monge falecido,&nbsp;<br \/>Mas a cena toda n\u00e3o foi t\u00e3o maravilhosa como poderia ter sido.<br \/>Praticantes devem procurar sondar o fundo do cora\u00e7\u00e3o da raposa;<br \/>Se n\u00e3o cortarmos a raz\u00e3o de porque a raposa transmigrava,&nbsp;<br \/>O princ\u00edpio da causalidade n\u00e3o ser\u00e1 nunca alcan\u00e7ado.<\/font><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><font face=\"tahoma, verdana, arial\">Hyakujo e a raposa tiveram um encontro de esp\u00edritos; apesar daquele dito do velho disse ter sido apenas metade de uma compreens\u00e3o, tinha ainda assim um pouco de Verdade e se tornou uma palavra de ensinamento. Naquele momento mesmo, a raposa selvagem, Hyakujo, o velho e o mundo inteiro, todos foram liberados de seus corpos.<\/p>\n<p>Obaku disse, &#8220;O velho deu uma resposta errada a seu disc\u00edpulo e com isto ficou transmigrando como raposa selvagem durante mais de quinhentos anos. O que teria acontecido se em vez de uma resposta errada tivesse ele dado, suponhamos, uma resposta correta?&#8221; Esta pergunta em si mesma encerra a realiza\u00e7\u00e3o do Caminho dos buddhas e ancestrais. Dentre todos os disc\u00edpulos de Nangaku nenhum se igualava a Obaku. Mas nem o velho nem tampouco Hyakujo disseram expressamente que a resposta do velho estava incorreta; apenas Obaku insistiu que n\u00e3o era correta. Por que? Para Obaku aquela resposta era um equ\u00edvoco, ent\u00e3o neste caso ele pode n\u00e3o ter compreendido a inten\u00e7\u00e3o real da palestra de Hyakujo. Parece que nesta altura dos acontecimentos Obaku ainda n\u00e3o dominava plenamente o Caminho dos buddhas e ancestrais. Devemos esclarecer o fato que nem o Hyakujo do tempo de Kashyapa, nem o Hyakujo posterior responderam incorretamente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disto, quinhentas peles de uma raposa, de tr\u00eas polegadas de espessura d\u00e3o um balan\u00e7o de sua vida naquela montanha instruindo disc\u00edpulos pela vida afora. Se apenas um s\u00f3 fio de cabelo tiver sido liberado ent\u00e3o teremos diante de n\u00f3s a carcassa fedorenta do Hyakujo do dia presente. Examinando isto a fundo, veremos que isto nada mais \u00e9 que metade do significado da libera\u00e7\u00e3o. Existe uma transmigra\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do caos para a libera\u00e7\u00e3o e uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito que provem de uma palavra de ensinamento. Esta \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o da Grande Pr\u00e1tica do Caminho.&nbsp;<\/font><\/p>\n<p><font face=\"tahoma, verdana, arial\">Se Obaku estava querendo saber &#8220;O que acontecer\u00e1?&#8221; a resposta deveria ser, &#8220;Transmigra\u00e7\u00e3o como raposa selvagem.&#8221; Obaku perguntaria em seguida, &#8220;Porque isto aconteceria?&#8221; Poder\u00edamos ent\u00e3o replicar, &#8220;Ei! Sua raposa selvagem!&#8221; N\u00e3o importa se tua resposta estiver errada ou n\u00e3o. O melhor mesmo seria nem deixar Obaku posar sua pergunta. Se chegar a faz\u00ea-lo, dever\u00edamos dizer-lhe, &#8220;Achaste o que procuravas?&#8221; Ou &#8220;J\u00e1 est\u00e1s liberado do corpo da raposa selvagem?&#8221; Ou &#8220;Disseste aos disc\u00edpulos que &#8216;o karma cessa&#8217;?&#8221;<\/p>\n<p>O &#8220;Venha c\u00e1 e eu lhe direi&#8221; de Hyakujo j\u00e1 contem em si a resposta \u00e0 indaga\u00e7\u00e3o de Obaku. Quando Obaku achegou-se n\u00e3o havia nem antes nem depois. E quando Obaku deu uns tabefes no rosto de Hyakujo, isto foi a libera\u00e7\u00e3o da raposa selvagem.<\/p>\n<p>Hyakujo sorriu, bateu palmas e disse, &#8220;Olha s\u00f3 que eu pensava que estrangeiros eram aqueles que tinham barbas vermelhas, mas agora sei que pessoas que tem barbas vermelhas s\u00e3o estrangeiros.&#8221; Esta express\u00e3o quer dizer que Hyakujo n\u00e3o queria explicar cem por cento, apenas 80 ou 90 por cento. Mesmo isto n\u00e3o \u00e9 tanto na realidade, j\u00e1 que cem por cento na verdade quer dizer 80 ou 90 por cento. Mesmo assim, podemos dizer que as a\u00e7\u00f5es de Hyakujo expressaram o poder de sua compreens\u00e3o. E este poder certamente que n\u00e3o proveio do covil de uma raposa selvagem. Os p\u00e9s de Obaku s\u00e3o mantidos colados no ch\u00e3o, Hyakujo n\u00e3o o deixa partir. Esbofeteando ou batendo palmas \u2014 cada uma destas a\u00e7\u00f5es \u00e9 diferente de um certo modo, mas a mesma coisa de outro: &#8220;\u00c0s vezes pessoas de barba vermelha s\u00e3o estrangeiros e outras vezes estrangeiros tem barbas vermelhas.&#8221;<\/font><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><font SIZE=\"1\"><i><b>Extra\u00eddo do site www.dharmanet.com.br\/<\/b><\/i><\/font> <\/div>\n<\/div>\n<p><\/font> <\/p>\n<hr \/><\/div>\n<p><\/font> <\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><a HREF=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daish\u00fbgy\u00f4i &#8211; A Grande Pr\u00e1tica do Caminho de Eihei Dogen Zenji Cap\u00edtulo 34 do Sh\u00f4b\u00f4genz\u00f4Adaptado da tradu\u00e7\u00e3o do monge Ryokyu Marcos Beltr\u00e3o. Dentre os muitos disc\u00edpulos do Mestre Zen Daichi do Monte Hyakujo em Koshu, havia um velho que ansiosamente &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/daishugyoi-a-grande-pratica-do-caminho\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1276,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,40],"tags":[62,64],"class_list":["post-6619","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-zen","tag-philip-kapleau","tag-yasutani-hakunn"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6619","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6619"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6619\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6620,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6619\/revisions\/6620"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1276"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}