{"id":666,"date":"2013-05-29T10:59:48","date_gmt":"2013-05-29T12:59:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=666"},"modified":"2018-02-09T18:55:15","modified_gmt":"2018-02-09T20:55:15","slug":"666","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/666\/","title":{"rendered":"Trazendo a mente para casa"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1407\" rel=\"attachment wp-att-1407\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/trazendo-mente.jpg\" alt=\"\" width=\"702\" height=\"336\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1407\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/trazendo-mente.jpg 702w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/trazendo-mente-300x144.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/trazendo-mente-500x239.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 702px) 100vw, 702px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Extrato do livro: O LIVRO TIBETANO DO VIVER E DO MORRER<br \/>\nDe Sogyal Rinpoche<\/p>\n<p>     H\u00e1 cerca de 2.500 anos, um homem que estivera procurando a verdade por muitas e muitas vidas, chegou a um lugar tranq\u00fcilo na \u00cdndia setentrional, e se sentou sob uma \u00e1rvore. Continuou sentado ali com imensa determina\u00e7\u00e3o e jurou n\u00e3o se levantar at\u00e9 que tivesse encontrado a verdade. Ao anoitecer, conta-se, ele havia dominado todas as for\u00e7as escuras da ilus\u00e3o. E cedo<\/p><\/div>\n<p> na manh\u00e3 seguinte, quando V\u00eanus brilhou no c\u00e9u do alvorecer, o homem foi recompensado por sua infinita paci\u00eancia, disciplina e perfeita concentra\u00e7\u00e3o, atingindo a meta final da exist\u00eancia humana, a ilumina\u00e7\u00e3o. Nesse momento sagrado, a pr\u00f3pria terra estremeceu, como que &#8220;embriagada de felicidade&#8221;, e segundo dizem as escrituras, \u201cningu\u00e9m mais em parte alguma estava irado, doente ou triste; ningu\u00e9m mais fazia o mal, ningu\u00e9m mais era orgulhoso; o mundo ficou muito quieto, como se tivesse atingido a plena perfei\u00e7\u00e3o\u201d.Esse homem ficou conhecido como o Buda. (&#8230;)<\/p>\n<p>O que o Buda viu foi que a ignor\u00e2ncia sobre a nossa verdadeira natureza \u00e9 a raiz de todos os tormentos do samsara, e a raiz da ignor\u00e2ncia em si \u00e9 a tend\u00eancia habitual da nossa mente para a distra\u00e7\u00e3o. Para terminar com a distra\u00e7\u00e3o da mente, era preciso acabar com o pr\u00f3prio samsara; a chave para isso, ele percebeu, era trazer a mente de volta \u00e0 sua verdadeira natureza pela pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o. (&#8230;)<\/p>\n<p>O Buda se sentou no ch\u00e3o em serena e humilde dignidade, com o c\u00e9u sobre ele e \u00e0 sua volta, como para mostrar-nos que na medita\u00e7\u00e3o voc\u00ea se senta com uma atitude mental aberta como o c\u00e9u, embora permane\u00e7a presente na terra e com os p\u00e9s no ch\u00e3o. O c\u00e9u \u00e9 a nossa natureza absoluta, sem barreiras e infinita, e o ch\u00e3o \u00e9 a nossa realidade, nossa condi\u00e7\u00e3o relativa e ordin\u00e1ria. A postura que assumimos quando meditamos significa que estamos ligando absoluto e relativo, c\u00e9u e terra, espa\u00e7o e ch\u00e3o, como duas asas de um p\u00e1ssaro, integrando a imortal natureza da mente, semelhante ao c\u00e9u, e o solo da nossa natureza mortal e transit\u00f3ria.<\/p>\n<p>     A d\u00e1diva de aprender a meditar \u00e9 o maior presente que voc\u00ea pode se dar nesta vida. Porque \u00e9 apenas atrav\u00e9s da medita\u00e7\u00e3o que voc\u00ea pode empreender a jornada para descobrir sua verdadeira natureza e assim encontrar a estabilidade e a confian\u00e7a de que necessitar\u00e1 para viver e morrer bem. A medita\u00e7\u00e3o \u00e9 o caminho para a ilumina\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>TREINANDO A MENTE<\/p>\n<p>Meditar \u00e9 interromper por completo o modo como \u201cnormalmente\u201d operamos, em benef\u00edcio de um estado isento de cuidados e tens\u00f5es em que inexiste competi\u00e7\u00e3o, desejo de posse ou apego a qualquer coisa, sem a luta intensa e ansiosa, sem fome de adquirir. Um estado desprovido de ambi\u00e7\u00e3o onde n\u00e3o cabe nem o aceitar nem o rejeitar, nem a esperan\u00e7a nem o medo, um estado em que lentamente come\u00e7amos a libertar-nos das emo\u00e7\u00f5es e dos conceitos que nos aprisionam, at\u00e9 chegarmos a um espa\u00e7o de simplicidade natural.<br \/>\n     Os mestres da medita\u00e7\u00e3o budista sabem o qu\u00e3o flex\u00edvel e male\u00e1vel \u00e9 a mente. Se a treinarmos, tudo \u00e9 poss\u00edvel. Na verdade, j\u00e1 somos perfeitamente treinados pelo samsara e para ele, treinado para ficar ciumentos, treinados para o apego, treinados para ser ansiosos e tristes e desesperados e \u00e1vidos, treinados para reagir com raiva ao que quer que nos provoque. Somos treinados, de fato, at\u00e9 o ponto dessas emo\u00e7\u00f5es negativas surgirem de modo espont\u00e2neo, sem que tentemos produzi-las. Assim, tudo \u00e9 uma quest\u00e3o de treino e do poder do h\u00e1bito. Dedique a mente \u00e0 confus\u00e3o e logo veremos \u2014 se formos honestos \u2014 que ela se tornar\u00e1 uma mestra sinistra na confus\u00e3o, competente no seu v\u00edcio, sutil e perseverantemente d\u00f3cil em sua escravid\u00e3o. Dedique a mente na medita\u00e7\u00e3o \u00e0 tarefa de libert\u00e1-la da ilus\u00e3o e veremos que, com o tempo, paci\u00eancia, disciplina e o treinamento adequado, ela come\u00e7ar\u00e1 a desembara\u00e7ar-se e a conhecer sua bem-aventuran\u00e7a e claridade essenciais.<br \/>\n\u201cTreinar\u201d a mente n\u00e3o significa, de modo algum, subjug\u00e1-la pela for\u00e7a ou submeter-se a uma lavagem cerebral. Treinar a mente \u00e9, antes de tudo, ver de maneira direta e concreta como ela funciona, um conhecimento que voc\u00ea tira dos ensinamentos espirituais e da experi\u00eancia pessoal na pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o. A\u00ed voc\u00ea pode usar a compreens\u00e3o para domar a mente e trabalhar habilmente com ela, fazendo-a mais e mais d\u00f3cil, de modo a poder tornar-se mestre da sua pr\u00f3pria mente, empregando-a em seu potencial mais amplo e ben\u00e9fico. (&#8230;)<\/p>\n<p>     Quando ensino medita\u00e7\u00e3o, freq\u00fcentemente come\u00e7o dizendo: \u201cTraga sua mente para casa. E solte. E relaxe\u201d. Toda a pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o pode ser resumida nesses tr\u00eas pontos cruciais: trazer a mente para casa, soltar e relaxar. (&#8230;)<\/p>\n<p>A GRANDE PAZ NATURAL<\/p>\n<p>Quando ensino medita\u00e7\u00e3o, freq\u00fcentemente come\u00e7o dizendo: \u201cTraga sua mente para casa. E solte. E relaxe\u201d.<br \/>\nToda pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o pode ser resumida nesses tr\u00eas pontos cruciais: trazer sua mente para casa, soltar e relaxar. Cada fase cont\u00e9m significados que ressoam em muitos n\u00edveis.<br \/>\nTrazer a mente para casa quer dizer conduzir a mente pela pr\u00e1tica da presen\u00e7a mental at\u00e9 o estado de Perman\u00eancia Serena. No seu sentido mais profundo, trazer a mente para casa \u00e9 volt\u00e1-la para si mesma, e repousar na sua pr\u00f3pria natureza. Essa \u00e9 em si a mais elevada medita\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSoltar significa soltar a mente da pris\u00e3o da atitude de agarrar, j\u00e1 que voc\u00ea reconhece que toda dor, medo e afli\u00e7\u00e3o resultam da \u00e2nsia da mente que quer agarrar. Num n\u00edvel mais profundo, a realiza\u00e7\u00e3o e a confian\u00e7a que surgem da sua crescente compreens\u00e3o da natureza da mente inspiram uma generosidade profunda e natural, que fazem com que voc\u00ea se torne capaz de liberar do seu cora\u00e7\u00e3o toda vontade de agarrar, deixando-o livre para mergulhar na inspira\u00e7\u00e3o do meditar.<br \/>\nPor \u00faltimo, relaxar significa ter espa\u00e7o e descontrair as tens\u00f5es da mente. Num sentido mais profundo, voc\u00ea relaxa na verdadeira natureza da mente, o estado de Rigpa. As palavras tibetanas que evocam esse processo sugerem o sentido de \u201crelaxar sobre Rigpa\u201d. \u00c9 como derramar um punhado de areia numa superf\u00edcie plana \u2013 cada gr\u00e3o cai onde bem entende, obedecendo \u00e0s for\u00e7as naturais. \u00c9 assim que voc\u00ea relaxa na sua verdadeira natureza, deixando que todos os pensamentos e emo\u00e7\u00f5es se aquietem e se dissolvam no estado da natureza da mente.<br \/>\nQuando medito, sempre me inspiro neste poema de Nyoshul Khenpo:<br \/>\nDescanse na grande paz natural<br \/>\nEssa mente exausta,<br \/>\nImpotente diante do carma e do pensamento neur\u00f3tico,<br \/>\nQue golpeiam com a f\u00faria implac\u00e1vel de incessantes ondas<br \/>\nNo infinito oceano do sansara.<\/p>\n<p>Descanse na grande paz natural.<br \/>\nAcima de tudo, esteja \u00e0 vontade, seja t\u00e3o natural e vasto quanto poss\u00edvel. Escape da cilada do seu ansioso eu habitual, abandone todo o apego e relaxe na sua verdadeira natureza. Imagine o seu eu ordin\u00e1rio, emocional e dirigido pelo pensamento, como um boc\u00f3 de gelo ou tablete de manteiga deixado ao sol. Se estiver se sentindo r\u00edgido e frio, deixe que essa agressividade que est\u00e1 em voc\u00ea se derreta ao sol de sua medita\u00e7\u00e3o. Deixe que a paz trabalhe em voc\u00ea, tornando-o capaz de reunir sua mente comum \u00e0 presen\u00e7a mental da Perman\u00eancia Serena e de despertar em si mesmo a consci\u00eancia e a compreens\u00e3o da Clara Vis\u00e3o. E voc\u00ea ver\u00e1 desarmada toda sua negatividade, dissolvida sua agress\u00e3o e sua confus\u00e3o evaporando-se lentamente, como n\u00e9voa no vasto e imaculado c\u00e9u da sua natureza absoluta.<br \/>\nTranq\u00fcilamente sentado, o corpo ereto, a fala silenciada, a mente em paz, deixe pensamentos, emo\u00e7\u00f5es e o que quer que seja dentro de voc\u00ea chegar e ir embora, sem se apegar a nada.<br \/>\nCom que se parece esse estado? Dudjon Rinpoche costuma sugerir que imaginemos um homem que chega em casa depois de um longo e penoso dia de trabalho no campo e afunda na sua poltrona favorita em frente \u00e0 lareira. Trabalhou o dia inteiro e sabe que conseguiu realizar o que queria; n\u00e3o h\u00e1 nada mais com que se preocupar, nada foi deixado por fazer e ele pode abandonar por completo  seu cuidado e preocupa\u00e7\u00f5es, contente; em ser simplesmente.<br \/>\nAssim, quando voc\u00ea medita, \u00e9 essencial criar o correto ambiente interior da mente. Todo esfor\u00e7o e luta vem de n\u00e3o darmos o espa\u00e7o suficiente. Assim, criar esse ambiente interior correto \u00e9 vital para que sua medita\u00e7\u00e3o verdadeiramente aconte\u00e7a. Quando h\u00e1 humor e amplid\u00e3o de espa\u00e7o, a medita\u00e7\u00e3o surge sem esfor\u00e7o.<br \/>\n\u00c0s vezes quando medito n\u00e3o uso nenhum m\u00e9todo espec\u00edfico. Apenas deixo que minha mente descanse, descobrindo, especialmente quando estou inspirado, que posso traz\u00ea-la para casa e relaxar bem depressa. Sento quieto e descanso na natureza da mente. N\u00e3o me interrogo ou levanto d\u00favidas sobre se estou no estado \u201ccorreto\u201d ou n\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 esfor\u00e7o nenhum, apenas uma rica compreens\u00e3o, um estado desperto e uma certeza inabal\u00e1vel. Quando estou na natureza da mente, a mente ordin\u00e1ria n\u00e3o est\u00e1 mais ali. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de manter ou confirmar a percep\u00e7\u00e3o de ser: eu simplesmente sou. Uma confian\u00e7a fundamental est\u00e1 presente. N\u00e3o h\u00e1 nada especial a fazer.<\/p>\n<p>A POSTURA<\/p>\n<p>     H\u00e1 uma conex\u00e3o entre a postura do corpo e a atitude da mente. Mente e corpo est\u00e3o inter-relacionados e a medita\u00e7\u00e3o surge de modo natural quando a sua postura e atitude s\u00e3o inspiradas. (&#8230;) A postura que vou explicar agora pode diferir um pouco de outras a que voc\u00ea talvez esteja acostumado. Ela vem dos antigos ensinamentos do Dzogchen e \u00e9 aquela que meus mestres me ensinaram, e eu a acho muito poderosa.<br \/>\n     Diz-se nos ensinamentos Dzogchen que sua vis\u00e3o e sua postura devem ser as de uma montanha. Sua vis\u00e3o \u00e9 a somat\u00f3ria de todo o seu conhecimento e a sua vis\u00e3o interior da natureza da mente, que voc\u00ea traz para a medita\u00e7\u00e3o. Assim, sua vis\u00e3o traduz e inspira sua postura, expressando o cora\u00e7\u00e3o do seu ser no modo como voc\u00ea se senta.<br \/>\n     Sente-se, portanto, como se fosse uma montanha, com toda a firme e inabal\u00e1vel majestade de uma montanha. Uma montanha est\u00e1 completamente natural e \u00e0 vontade consigo mesma, n\u00e3o  importa qu\u00e3o forte seja o vento que a golpeia ou qu\u00e3o espessa a camada de nuvens ao redor do  seu pico. Sentando-se como uma montanha, deixe sua mente elevar-se, voar e pairar no alto.<br \/>\n     O ponto mais importante da sua postura \u00e9 manter as costas retas, como \u201cuma flecha\u201d, ou &#8220;uma  pilha de moedas de ouro&#8221;. A &#8220;energia interior&#8221;, ou prana, fluir\u00e1 ent\u00e3o com grande facilidade pelos canais sutis do corpo e sua mente encontrar\u00e1 o seu verdadeiro estado de repouso. N\u00e3o force nada. A parte baixa da espinha tem uma curvatura natural; ela deve estar descontra\u00edda na vertical.<br \/>\n     Sua cabe\u00e7a deve estar confortavelmente equilibrada no pesco\u00e7o. S\u00e3o seus ombros e a parte superior do torso que v\u00e3o sustentar a for\u00e7ar e a gra\u00e7a da postura, e a eles devem manter um forte aprumo, mas sem qualquer tens\u00e3o.<br \/>\n     Sente-se com suas pernas cruzadas. N\u00e3o \u00e9 preciso sentar-se na posi\u00e7\u00e3o de l\u00f3tus completa, que \u00e9 mais enfatizada na pr\u00e1tica avan\u00e7ada da yoga. As pernas cruzadas expressam a unidade da vida e da morte, o bem e o mal, meios h\u00e1beis e sabedoria, os princ\u00edpios masculino e feminino, o samsara  e o nirvana; o humor da n\u00e3o-dualidade. Pode tamb\u00e9m preferir sentar-se numa cadeira, com as pernas relaxadas, mas mantenha sempre as costas retas.<br \/>\n     Nessa tradi\u00e7\u00e3o meditativa, os olhos devem manter-se abertos: esse \u00e9 um ponto muito importante. Se voc\u00ea \u00e9 sens\u00edvel a perturba\u00e7\u00f5es de fora, no in\u00edcio da pr\u00e1tica pode ser \u00fatil fechar os olhos por algum tempo e a\u00ed calmamente voltar-se para o interior.<br \/>\n     Sentindo-se estabilizado na calma, abra seus olhos com vagar e ver\u00e1 que seu olhar est\u00e1 mais em paz e tranq\u00fcilo. Olhe para baixo, na dire\u00e7\u00e3o da linha do nariz e num \u00e2ngulo de cerca de 45 graus para frente. Uma dica pr\u00e1tica geral \u00e9 que sempre que sua mente estiver excitada ser\u00e1 melhor baixar os olhos e sempre que estiver sonolenta, traz\u00ea-los para cima.<br \/>\n     Com a sua mente calma e a claridade da vis\u00e3o interior come\u00e7ando a surgir, voc\u00ea se sentir\u00e1 livre para trazer seu olhar mais para a horizontal, fitando o espa\u00e7o diretamente \u00e0 sua frente. Este \u00e9 o olhar recomendado na pr\u00e1tica Dzogchen.<br \/>\n     Nos ensinamentos do Dzogchen, diz-se que sua medita\u00e7\u00e3o e seu olhar devem ser como o vasto espa\u00e7o do grande oceano: todo-abrangente, aberto e sem limites. Como sua vis\u00e3o e postura s\u00e3o  insepar\u00e1veis, assim tamb\u00e9m sua medita\u00e7\u00e3o inspira seu olhar, e ambos agora fundem-se num s\u00f3.<br \/>\n     N\u00e3o focalize nada em particular. Em vez disso, volte-se delicadamente para si mesmo e deixe seu olhar expandir-se, abrir-se mais e mais no espa\u00e7o e tornar-se mais abrangente. Voc\u00ea descobrir\u00e1 ent\u00e3o que sua vis\u00e3o em si se torna mais expansiva, e que h\u00e1 mais paz, mais compaix\u00e3o no seu olhar, mais equanimidade e estabilidade. (&#8230;)<br \/>\n     H\u00e1 v\u00e1rias raz\u00f5es para manter os olhos abertos. Desse modo \u00e9 menos prov\u00e1vel que voc\u00ea adorme\u00e7a. Assim, a medita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um meio de fugir do mundo, ou de escapar dele para uma experi\u00eancia como a do transe de um estado alterado de consci\u00eancia. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 um modo direto de nos ajudar a nos entendermos verdadeiramente e a nos relacionarmos com a vida e o mundo.<\/p>\n<p>     Portanto, na medita\u00e7\u00e3o mantenha seus olhos abertos, n\u00e3o fechados. Em vez de excluir a vida, voc\u00ea permanece aberto em rela\u00e7\u00e3o a tudo, e em paz com tudo. Deixe todos seus sentidos \u2014 audi\u00e7\u00e3o, vis\u00e3o, tato \u2014 simplesmente abertos, de forma natural, tal como s\u00e3o, sem se apegar \u00e0s percep\u00e7\u00f5es que v\u00eam deles. Como dizia Dudjom Rinpoche: &#8220;Embora diferentes formas sejam percebidas, elas s\u00e3o em ess\u00eancia vazias; mesmo na vacuidade percebemos formas, elas s\u00e3o em ess\u00eancia vazias.<br \/>\n     Embora diferentes sons sejam ouvidos, eles s\u00e3o vazios, mesmo na vacuidade percebemos sons. Tamb\u00e9m surgem diferentes pensamentos e eles s\u00e3o vazios; mesmo na vacuidade percebemos  pensamentos&#8221;. N\u00e3o importa o que voc\u00ea veja, n\u00e3o importa o que ou\u00e7a, deixe como \u00e9, sem se apegar. Deixe o escutar no escutar, o ver no ver, evitando que o seu apego entre na percep\u00e7\u00e3o.  (&#8230;)<br \/>\n     Ao meditar, mantenha sua boca ligeiramente aberta, como quem est\u00e1 para pronunciar um prolongado e relaxante &#8220;aaah&#8221;. Diz-se que mantendo a boca ligeiramente aberta e respirando por ela, os &#8220;ventos k\u00e1rmicos&#8221; que criam pensamento discursivos s\u00e3o menos propensos a surgir e  erguer obst\u00e1culos em sua mente na medita\u00e7\u00e3o.<br \/>\n     Deixe suas m\u00e3os repousadas de modo confort\u00e1vel nos joelhos. Essa \u00e9 a chamada postura da &#8220;mente confort\u00e1vel e tranq\u00fcila&#8221;. (&#8230;)<\/p>\n<p>TR\u00caS M\u00c9TODOS DE MEDITA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>     O Buda ensinou 84.000 diferentes maneiras para domar e pacificar as emo\u00e7\u00f5es negativas, e no budismo h\u00e1 incont\u00e1veis m\u00e9todos de medita\u00e7\u00e3o. Encontrei tr\u00eas t\u00e9cnicas de medita\u00e7\u00e3o que s\u00e3o particularmente eficazes no mundo moderno, e que todos podem usar e se beneficiar. S\u00e3o elas: &#8220;observar&#8221; a respira\u00e7\u00e3o, usar um objeto e recitar um mantra.<\/p>\n<p>     1. Observar a respira\u00e7\u00e3o<br \/>\n     O primeiro m\u00e9todo \u00e9 muito antigo e o encontramos em todas as escolas do budismo. Trata-se de  pousar sua aten\u00e7\u00e3o, leve e atentamente, na respira\u00e7\u00e3o. (&#8230;)<br \/>\n     Assim, quando voc\u00ea for meditar, respire naturalmente, como sempre faz. Ponha sua aten\u00e7\u00e3o de leve na respira\u00e7\u00e3o. Quando p\u00f5e o ar para fora, flua com sua expira\u00e7\u00e3o. Cada vez que expira, est\u00e1 soltando e se libertando da sua avidez. Imagine sua respira\u00e7\u00e3o se dissolvendo na vastid\u00e3o da verdade, vastid\u00e3o que tudo abrange. A cada vez que expira o ar e antes de inspir\u00e1-lo de novo, perceber\u00e1 um intervalo natural, \u00e0 medida que a avidez se dissolve.<br \/>\n     Descanse nesse intervalo, nesse espa\u00e7o aberto. E quando naturalmente inspirar, n\u00e3o se fixe no ar que entra, mas siga repousando sua mente no intervalo que se abriu ali.<br \/>\n     Quando voc\u00ea est\u00e1 praticando, \u00e9 importante n\u00e3o se deixar envolver em coment\u00e1rios mentais, em an\u00e1lises ou no falat\u00f3rio interno. N\u00e3o tome os r\u00e1pidos coment\u00e1rios de sua pr\u00f3pria mente (&#8220;estou inspirando, e agora estou expirando&#8221;) como sendo sua verdadeira aten\u00e7\u00e3o. O importante \u00e9 a pura presen\u00e7a. (&#8230;)<br \/>\n     Algumas pessoas, no entanto, n\u00e3o relaxam e n\u00e3o se sentem \u00e0 vontade com a observa\u00e7\u00e3o da respira\u00e7\u00e3o; acham isso quase claustrof\u00f3bico. Para elas a pr\u00f3xima t\u00e9cnica pode ser mais proveitosa.<\/p>\n<p>     2. Usando um objeto<br \/>\n     Um segundo m\u00e9todo que muita gente pode achar \u00fatil consiste em delicadamente descansar a mente num objeto. Voc\u00ea pode usar um objeto de beleza natural que lhe traga alguma inspira\u00e7\u00e3o especial, como uma flor ou alguma coisa de cristal. Mas algo que personifique a verdade, como uma imagem do Buda, de Cristo ou particularmente do seu mestre, \u00e9 mais poderoso. Seu mestre \u00e9 seu elo vivo com a verdade; e devido \u00e0 sua conex\u00e3o pessoal com ele, s\u00f3 olhar seu rosto j\u00e1 liga voc\u00ea \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o e \u00e0 verdade de sua pr\u00f3pria natureza. (&#8230;)<\/p>\n<p>  3. Recita\u00e7\u00e3o de um mantra<br \/>\n     Uma terceira t\u00e9cnica, muito usada no budismo tibetano (e tamb\u00e9m no sufismo, no cristianismo ortodoxo e no hindu\u00edsmo) \u00e9 unir a mente com o som de um mantra. A defini\u00e7\u00e3o de mantra \u00e9 &#8220;aquilo que protege a mente&#8221;. Aquilo que protege a mente da negatividade, ou que protege voc\u00ea de sua pr\u00f3pria mente, chama-se mantra.<br \/>\n     Quando voc\u00ea est\u00e1 nervoso, desorientado ou emocionalmente fr\u00e1gil, cantar ou recitar um mantra de  forma inspirada pode mudar por completo o estado de sua mente, transformando sua energia e atmosfera. Como isso \u00e9 poss\u00edvel? O mantra \u00e9 a ess\u00eancia do som, a materializa\u00e7\u00e3o da verdade na forma de som. Cada s\u00edlaba est\u00e1 imbu\u00edda de for\u00e7a espiritual, condensa uma verdade espiritual e vibra com a b\u00ean\u00e7\u00e3o da fala dos Buddhas. Diz-se tamb\u00e9m que a mente cavalga na energia sutil da  respira\u00e7\u00e3o, o prana, que se move pelos canais sutis do corpo e os purifica. Assim, quando voc\u00ea canta um mantra, recarrega a sua respira\u00e7\u00e3o e energia com a energia desse mantra, trabalhando assim diretamente sobre sua mente e seu corpo sutil.<br \/>\n     O mantra que recomendo aos meus estudantes \u00e9 OM AH HUM VAJRA GURU PADMA SIDDHI HUM (ou como dizem os tibetanos: OM AH HUM BENZA GURU PEMA SIDDHI HUNG), que \u00e9 o mantra de Padmasambhava, o mantra de todos os buddhas, mestres e seres realizados e por isso \u00fanico em seu poder para a paz, a cura, a transforma\u00e7\u00e3o e a prote\u00e7\u00e3o nesta \u00e9poca violenta e ca\u00f3tica. Recite-o com tranq\u00fcilidade, com profunda aten\u00e7\u00e3o, e deixe sua respira\u00e7\u00e3o, o mantra e sua consci\u00eancia lentamente tornarem-se um. Ou cante-o de modo inspirado, e descanse no sil\u00eancio profundo que \u00e0s vezes se segue \u00e0 ele.<\/p>\n<p>A MENTE EM MEDITA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>O que, ent\u00e3o, devemos \u201cfazer\u201d com a mente em medita\u00e7\u00e3o? Absolutamente nada deixe-a como est\u00e1. Um mestre descreveu a medita\u00e7\u00e3o como \u201ca mente suspensa no espa\u00e7o, em lugar nenhum\u201d.<br \/>\nO ditado \u00e9 famoso: \u201cSe a mente n\u00e3o \u00e9 fabricada, aparece espontaneamente imbu\u00edda de uma felicidade sublime, assim como a \u00e1gua que se mostra naturalmente transparente e l\u00edmpida quando n\u00e3o \u00e9 agitada\u201d. Com freq\u00fc\u00eancia comparo a mente em medita\u00e7\u00e3o com um jarro d\u2019\u00e1gua barrenta: quanto menos interfer\u00eancias ou agita\u00e7\u00e3o tiver, mais part\u00edculas de terra se depositam no fundo, permitindo que a claridade natural da \u00e1gua transpare\u00e7a. A pr\u00f3pria natureza da mente \u00e9 tal que se voc\u00ea a deixa em seu estado inalterado e natural, ela encontrar\u00e1 sua verdadeira natureza, que \u00e9 bem-aventuran\u00e7a e claridade.<br \/>\nTome cuidado, portanto, para n\u00e3o impor nem cobrar nada \u00e0 mente. Ao meditar, n\u00e3o deve haver qualquer esfor\u00e7o na dire\u00e7\u00e3o do controle, nem empenho em ser pac\u00edfico. N\u00e3o seja solene demais nem se sinta como se estivesse tomando parte num ritual especial; deixe de lado at\u00e9 a id\u00e9ia de que est\u00e1 meditando. Seu corpo e a sua respira\u00e7\u00e3o devem ser entregues a si mesmos. Pense em si pr\u00f3prio como o c\u00e9u, sustentando todo o universo.<\/p>\n<p>UM DELICADO EQUIL\u00cdBRIO<\/p>\n<p>Ma medita\u00e7\u00e3o, como em todas as artes, deve haver um equil\u00edbrio sutil entre relaxamento e estado de alerta. Uma vez um monge chamado Shrona estava estudando medita\u00e7\u00e3o com um dos disc\u00edpulos mais pr\u00f3ximos do Buda. Estava tendo dificuldades em encontrar a abordagem correta da mente,. Tentou com esfor\u00e7o se concentrar e acabou tendo uma forte dor de cabe\u00e7a. Ent\u00e3o relaxou sua mente, mas a tal ponto que terminou dormindo. Finalmente apelou para o Buda, pedindo socorro. Sabendo que Shrona fora um m\u00fasico famoso antes de se tornar monge, o Buda perguntou-lhe: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o era um tocador de vina quando leigo?\u201d<br \/>\nShrona concordou.<br \/>\n&#8211;\t\u201cComo tirava o melhor som da sua vina? Era quando as cordas estavam tensas, ou quando estavam frouxas?\u201d<br \/>\n&#8211;\t\u201cNem uma, nem outra, Quando tinham a tens\u00e3o correta, nem esticadas nem frouxas\u201d.<br \/>\n&#8211;\t\u201cBem, \u00e9 exatamente a mesma coisa com a sua mente\u201d.<br \/>\nUma das maiores mestras tibetanas, Ma Chik Lap Dr\u00f6n, disse: \u201cAlerta, alerta; todavia relaxe, relaxe. Esse \u00e9 um ponto crucial para a Vis\u00e3o na medita\u00e7\u00e3o\u201d. Vigie sua vigil\u00e2ncia, mas ao mesmo tempo fique relaxado, t\u00e3o relaxado de fato que voc\u00ea nem se apegue \u00e0 id\u00e9ia de relaxamento. <\/p>\n<p>PENSAMENTOS E EMO\u00c7\u00d5ES: AS ONDAS E O OCEANO<\/p>\n<p>     Quando as pessoas come\u00e7am a meditar, sempre dizem que seus pensamentos est\u00e3o desenfreados e tornam-se mais agitados do que nunca. Mais eu as tranq\u00fcilizo dizendo que esse \u00e9 um bom sinal. Longe de significar que seus pensamentos est\u00e3o muito agitados, isso mostra que  voc\u00ea ficou mais tranq\u00fcilo e est\u00e1 finalmente c\u00f4nscio do qu\u00e3o ruidosos seus pensamentos sempre foram. N\u00e3o se desencoraje ou desista. O que quer que surja, apenas mantenha-se presente e  continue voltando-se para a sua respira\u00e7\u00e3o, mesmo no meio da maior confus\u00e3o. (&#8230;)<br \/>\n     Tal como o oceano tem ondas e o sol tem raios, a radi\u00e2ncia pr\u00f3pria da mente s\u00e3o seus pensamentos e emo\u00e7\u00f5es. O oceano tem ondas, mas n\u00e3o \u00e9 particularmente perturbado por elas.<br \/>\n     As ondas s\u00e3o a mesma natureza do oceano. As ondas aparecem, mas para onde v\u00e3o? De volta ao oceano. E de onde v\u00eam? Do oceano. Do mesmo modo, pensamentos e emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o a radi\u00e2ncia e a express\u00e3o da verdadeira natureza da mente. Eles surgem na mente, mas onde se dissolvem? Na pr\u00f3pria mente. O que quer que apare\u00e7a, n\u00e3o o encare como um problema  particular; se voc\u00ea n\u00e3o reage de maneira impulsiva, se sabe ser apenas consciente, isso assentar\u00e1 novamente em sua natureza essencial. (&#8230;)<br \/>\n     Assim, n\u00e3o importa que pensamentos e emo\u00e7\u00f5es apare\u00e7am, permita que eles venham e assentem, como as ondas do oceano. N\u00e3o importa o que se perceba pensando, deixe esse pensamento surgir e se assentar, sem interfer\u00eancia. N\u00e3o se apegue a ele, n\u00e3o o alimente, n\u00e3o lhe preste demasiada aten\u00e7\u00e3o; n\u00e3o se agarre a ele e n\u00e3o tente dar-lhe solidez. Nem siga ou convide os pensamentos; seja como o oceano olhando para suas pr\u00f3prias ondas ou o c\u00e9u do alto observa as nuvens que passam por ele. (&#8230;)<br \/>\n     Meu mestre [Jamyang Khyentse Rinpoche] teve um estudante chamado Apa Pant, um destacado diplomata e autor indiano que serviu como embaixador da \u00cdndia em v\u00e1rias capitais ao redor do mundo. Ele foi at\u00e9 representante do governo da \u00cdndia no Tibet, em Lhasa, e noutro momento do Sikkim. Era praticante de medita\u00e7\u00e3o e yoga, e cada vez que via meu mestre perguntava-lhe &#8220;como meditar&#8221;. Seguia uma tradi\u00e7\u00e3o oriental em que o estudante continua interrogando com uma pergunta simples e b\u00e1sica, repetidamente.<br \/>\n     Apa Pant me contou essa hist\u00f3ria. Um dia nosso mestre Jamyang Khyentse estava observando uma &#8220;Dan\u00e7a do Lama&#8221; em frente do pal\u00e1cio-templo em Gantok, capital do Sikkim, e ria-se das cabriolas do atsara, o palha\u00e7o que apresentava divertimentos leves entre as dan\u00e7as. Apa Pant continuava assediando nosso mestre e, desta vez, quando este respondeu, deixou claro que seria  a resposta final e definitiva: <\/p>\n<p>&#8220;Veja, \u00e9 isso aqui: quando o pensamento passado acaba e o futuro ainda n\u00e3o come\u00e7ou, n\u00e3o h\u00e1 um intervalo?&#8221;<\/p>\n<p>     &#8220;Sim&#8221;, disse Apa Pant.<br \/>\n     &#8220;Pois \u00e9, prolongue-o: isso \u00e9 medita\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>DANDO UM TEMPO<\/p>\n<p>     As pessoas perguntam sempre: &#8220;Por quanto tempo devo meditar? E quando? Devo praticar vinte  minutos pela manh\u00e3 e \u00e0 noite, ou \u00e9 melhor fazer v\u00e1rias sess\u00f5es curtas, ao longo do dia?&#8221; Sim, \u00e9  bom meditar durante vinte minutos, mas isso n\u00e3o significa que vinte minutos \u00e9 o limite. Nunca li nada sobre vinte minutos nas escrituras; acho que essa \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o de tempo que foi inventada  no Ocidente, e costumo cham\u00e1-la de &#8220;Tempo-Padr\u00e3o Ocidental de Medita\u00e7\u00e3o&#8221;. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 por quanto tempo voc\u00ea vai meditar, a quest\u00e3o \u00e9 saber se a medita\u00e7\u00e3o de fato lhe traz certo estado de presen\u00e7a mental em que voc\u00ea est\u00e1 um pouco aberto e pode entrar em contato com a ess\u00eancia do seu cora\u00e7\u00e3o. E cinco minutos de pr\u00e1tica sentado, plenamente consciente, t\u00eam valor muito maior do que vinte minutos de cochilo!<br \/>\n     Dudjom Rinpoche dizia que um iniciante devia praticar em sess\u00f5es curtas. Praticar por quatro ou cinco minutos e ent\u00e3o fazer uma pequena pausa de apenas um minuto. Durante a pausa deixar o m\u00e9todo de lado, mas n\u00e3o abandonar o estado desperto de sua consci\u00eancia. \u00c9 curioso que \u00e0s vezes, quando voc\u00ea est\u00e1 lutando para praticar corretamente, no exato momento em que descansa o m\u00e9todo \u2014 se ainda est\u00e1 alerta e no presente \u2014 \u00e9 que a medita\u00e7\u00e3o de fato acontece. Por isso a interrup\u00e7\u00e3o \u00e9 parte t\u00e3o importante da medita\u00e7\u00e3o quanto o sentar-se em si. \u00c0s vezes digo a alunos que est\u00e3o tendo problemas com a pr\u00e1tica para praticarem a interrup\u00e7\u00e3o e descansarem durante a medita\u00e7\u00e3o! (&#8230;)<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Extrato do livro: O LIVRO TIBETANO DO VIVER E DO MORRER De Sogyal Rinpoche H\u00e1 cerca de 2.500 anos, um homem que estivera procurando a verdade por muitas e muitas vidas, chegou a um lugar tranq\u00fcilo na \u00cdndia setentrional, e &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/666\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1407,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,25],"tags":[],"class_list":["post-666","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meditacao","category-mestres"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/666","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=666"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/666\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1408,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/666\/revisions\/1408"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1407"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}