{"id":6709,"date":"2020-07-05T16:20:30","date_gmt":"2020-07-05T18:20:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6709"},"modified":"2020-07-05T16:20:30","modified_gmt":"2020-07-05T18:20:30","slug":"visao-correta-e-nao-eu-sutra-kaccayanagotto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/visao-correta-e-nao-eu-sutra-kaccayanagotto\/","title":{"rendered":"Vis\u00e3o Correta e N\u00e3o-Eu, Sutra Kaccayanagotto"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_.jpg\" alt=\"\" width=\"224\" height=\"225\" class=\"alignleft size-full wp-image-6670\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_.jpg 224w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/><\/a><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><i>Ensinamentos do Mestre <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/thich-nhat-hanh\/\"><font SIZE=\"2\"><b>Thich Nhat Hanh<\/b><\/font><\/a><br \/>Retiro de 21 dias em Plum Village<br \/>de 2 a 21 de junho, 2000<\/i><br \/><font SIZE=\"1\"><b>Ensinamentos transmitidos por<br \/>Annabel Laity em 4 junho, 2000<br \/>Transcri\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o de Tenzin Namdrol<\/b><\/font><\/div>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Querida Sangha, <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Esta manh&atilde;, estudaremos o sutra Kaccayanagotta do Samyuta Nikaya.  <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">N&atilde;o &eacute; um sutra f&aacute;cil, mas poder&aacute; contribuir efetivamente para a pr&aacute;tica de cada um.  Thay tem falado sobre a Vis&atilde;o da Sangha, o que &eacute; muito importante, a parte mais importante da pr&aacute;tica da Sangha.  Quando lemos sutras tais como estes, constatamos que tratam do n&atilde;o-eu.  Mesmo que tenhamos alguma compreens&atilde;o sobre o assunto, s&oacute; saberemos praticar o n&atilde;o-eu se praticarmos a Vis&atilde;o da Sangha.  A pr&aacute;tica dos sutras sobre a vacuidade ou do n&atilde;o-eu n&atilde;o &eacute; uma no&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica, &eacute; ampla e de foro &iacute;ntimo e diz respeito &agrave;s  rela&ccedil;&otilde;es de uns com os outros.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Neste sutra, segundo a vers&atilde;o pali, o Buda est&aacute; em Sravasti, na regi&atilde;o de Kosala.  Na vers&atilde;o chinesa, est&aacute; no distrito de Nala.  A dist&acirc;ncia de Nala a Sravasti &eacute; de cerca de duzentos quil&ocirc;metros.  N&atilde;o s&atilde;o cidades pr&oacute;ximas, talvez se deva esta discrep&acirc;ncia ao fato dos sutras terem sido gravados na mem&oacute;ria viva dos monges durante dois e tr&ecirc;s s&eacute;culos.  Os in&uacute;meros volumes dos sutras foram transmitidos em lugares diferentes e primeiro memorizados.  N&atilde;o sei qual das vers&otilde;es &eacute; a correta, ainda que o lugar n&atilde;o seja importante.  A vers&atilde;o chinesa prov&eacute;m de uma corrente que migrou para o norte da &Iacute;ndia e a pali prov&eacute;m do sul , onde o Buda viveu e ensinou.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Depois do parinirvana do Buda formaram-se v&aacute;rias escolas de budismo, uma foi para o Cachemira com todos os sutras memorizados.   Outra escola, tamb&eacute;m com todos os sutras memorizados, instalou-se no leste.   &Eacute; &oacute;bvio que at&eacute; que fosse feito um registro escrito, teriam de grava-los na mem&oacute;ria viva da comunidade.  No &iacute;nterim, muitos pontos podem ter sido alterados o que deve ter originado as diferen&ccedil;as entre os sutras do c&acirc;none chin&ecirc;s e os sutras do c&acirc;none pali, mas o extraordin&aacute;rio &eacute; que, em geral, as diferen&ccedil;as s&atilde;o m&iacute;nimas. Por vezes &eacute; quest&atilde;o de tradu&ccedil;&atilde;o, contudo tamb&eacute;m acontece serem consider&aacute;veis.  Quando existem varia&ccedil;&otilde;es na reda&ccedil;&atilde;o dos ensinamentos num sutra e proferidos num mesmo lugar, procuramos saber qual delas se adequa &agrave;  pr&aacute;tica e saberemos o que foi verdadeiramente transmitido.   Neste sutra temos sorte porque a vers&atilde;o chinesa e a pali s&atilde;o quase id&ecirc;nticas, o que nos leva a crer terem sido as palavras do Buda.  Assim, na vers&atilde;o chinesa, trata-se do Samyuta &Aacute;gama No. 301. Fora diverg&ecirc;ncias sobre os lugares onde foi transmitido, o sutra &eacute; o mesmo.  &Eacute; interessante observar, contudo, como a ordem do terceiro e quarto par&aacute;grafos difere do sutra chin&ecirc;s para o pali, ainda que o conte&uacute;do seja o mesmo.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Naquele tempo o Buda residia em Sravasti e o chefe do cl&atilde; dos Kaccayana veio visit&aacute;-lo, aproximou-se, fez uma rever&ecirc;ncia e sentou-se de lado, frente ao Buda.  N&atilde;o &eacute; costume sentar-se de frente para o Buda, devemos nos sentar de lado.  O nome Kaccayana &eacute; conhecido devido a Mahakaccayana, um importante disc&iacute;pulo, famoso pela sua capacidade de explicar os ensinamentos com precis&atilde;o de detalhes, sempre que era solicitado.  Creio que o Kaccayana deste sutra n&atilde;o &eacute; o Maha, o grande Kaccayana porque aqui aprendemos que Kaccayana se iluminou antes de ser ordenado monge, ao mesmo tempo em que seis outras pessoas.  No sutra ele j&aacute; &eacute; ordenado o que leva a crer que s&atilde;o pessoas diferentes.  O sufixo &quot;gotta,&quot; em Kaccayanagotta, significa cl&atilde;;  pertencia ent&atilde;o ao cl&atilde; dos Kaccayanas.  Cl&atilde;, significa que os antepassados s&atilde;o comuns e, neste caso, que o nome ancestral &eacute; Kaccayana.  Cada pessoa na &Iacute;ndia pertencia a um cl&atilde;, ele talvez tenha pertencido ao mesmo cl&atilde; de Mahakaccayana.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Assim, sentou-se de lado, frente ao Baghavat (o Buda), aquele que &eacute; feliz ou honrado, ou o Honrado pelo Mundo.  Ent&atilde;o falou, &quot;samaditi, samaditi.&quot;  (quer dizer vis&atilde;o correta).  &quot;Vis&atilde;o correta, vis&atilde;o correta, bante, bante,&quot; (Respeit&aacute;vel ou Querido Mestre) &quot;Fala-se sempre de vis&atilde;o correta, ser&aacute; a vis&atilde;o de quem est&aacute; falando sobre a vis&atilde;o correta?  Ser&aacute; o Buda e os disc&iacute;pulos tamb&eacute;m falam da vis&atilde;o correta?  Shariputra falou sobre a vis&atilde;o correta, a vis&atilde;o ampla e deu um ensinamento sobre a vis&atilde;o correta.  Mas diga-nos o que quer dizer vis&atilde;o correta?&quot;  Quando o Buda dava um ensinamento para uma assembl&eacute;ia, havia muita gente atenta, algu&eacute;m iniciava com uma pergunta, n&atilde;o para esclarecer uma d&uacute;vida pessoal, mas para o esclarecimento de toda a assembl&eacute;ia.  Os monges escutavam e memorizavam a estrutura dos ensinamentos que eram longos, j&aacute; que n&atilde;o seriam capazes de os reter com toda a riqueza de detalhes.  Por isso os que chegaram at&eacute; n&oacute;s, os que ficaram registrados, s&atilde;o concisos, com a pr&aacute;tica adquirem m&uacute;sculos e ossatura, tornam-se ainda mais concisos. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&quot;Vis&atilde;o correta, Respeit&aacute;vel Mestre, sempre se fala sobre isto.  Respeit&aacute;vel Mestre, o que vem a ser vis&atilde;o correta?&quot;<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Neste mundo, Kaccayana, quase todos tomam ref&uacute;gio no dualismo do &quot;ser&quot; e &quot;n&atilde;o ser.&quot;  Cremos em exist&ecirc;ncia e na n&atilde;o exist&ecirc;ncia; pensamos que quando morremos deixamos de existir e que enquanto vivemos, existimos. Chama-se dualidade e &eacute; assim que pensam quase todos os que vivem neste mundo.   <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Atribui-se a Nagarjuna, um renomado mestre budista que viveu nos prim&oacute;rdios da era crist&atilde;, o Caminho do Meio e todos os ensinamentos sobre a vacuidade, o Prajanapramita, tal como encontramos no Sutra do Cora&ccedil;&atilde;o que se assemelha e este ensinamento.  Nagarjuna aludiu a este sutra no seu coment&aacute;rio sobre o Caminho do Meio dizendo que, nos ensinamentos transmitidos a Kaccayana, &quot;existe&quot; e &quot;n&atilde;o existe&quot; &eacute; dual&iacute;stico, que ambos s&atilde;o negados pelo Senhor Honrado pelo Mundo para quem inexistem &quot;o ser&quot; e &quot;o n&atilde;o ser.&quot;  Segundo Nagarjuna, o Buda mostra a n&atilde;o exist&ecirc;ncia da exist&ecirc;ncia e da n&atilde;o n&atilde;o-exist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O sutra alude v&aacute;rias vezes &agrave; palavra &quot;loco.&quot;  Vemos que significa gente, quer dizer voc&ecirc; e eu, todos os seres viventes do planeta.  Adiante, quando vemos a palavra mundo, trata-se de uma vis&atilde;o de mundo, que no sutra significa a nossa  vis&atilde;o de mundo feita de nossa retribui&ccedil;&atilde;o pessoal e a retribui&ccedil;&atilde;o do nosso meio ambiente.  Falaremos sobre o assunto adiante.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Vou escrever no quadro, em pali, a palavra &quot;ser&quot; e &quot;n&atilde;o ser.&quot;  Aqui, a palavra em pali, sob a qual est&aacute; a palavra s&acirc;nscrita.  Ela &eacute; composta de duas partes: nesta, se encontram tanto ser quanto n&atilde;o ser.  A primeira &eacute; meramente uma pessoa do verbo ser, assim sendo, esta palavra quer dizer &quot;&eacute; &quot;, e esta quer dizer &quot;n&atilde;o &eacute;&quot;.  Aqui, quer dizer &quot;a qualidade de ser&quot; e aqui quer dizer &quot;a qualidade de n&atilde;o ser&quot;.  Favorecemos um certo modo de pensar que se revela na linguagem.   A gram&aacute;tica da l&iacute;ngua que falamos favorece &quot;&eacute;&quot; e &quot;n&atilde;o &eacute;&quot; e fortalece a propens&atilde;o que temos de nos enredar cada vez mais no pensamento.  <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Esta &eacute; a palavra para mundo, &quot;loka&quot;.  H&aacute; quem diga, &quot;n&atilde;o tenho medo de morrer porque a morte s&oacute; quer dizer que nada mais ter&aacute; exist&ecirc;ncia,&quot; a no&ccedil;&atilde;o de que nada existe.  Sob o efeito esmagador de emo&ccedil;&otilde;es gostar&iacute;amos de deixar de existir.  Cremos que existe um jeito de fazer com que a emo&ccedil;&atilde;o deixe de existir, que ela existe verdadeiramente, e que talvez possamos fazer com que ela inexista.  Surge-nos a no&ccedil;&atilde;o de suic&iacute;dio e podemos passar ao ato, baseados na id&eacute;ia de que &quot;agora existe verdadeiramente&quot;, mas  posso fazer com que &quot;deixe de existir verdadeiramente&quot;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O Buda nos ensina que isto &eacute; dualismo, e segundo Nagarjuna, o Buda &eacute; h&aacute;bil em constatar e ensinar a ilus&atilde;o &quot;existe\/n&atilde;o existe.&quot;.  O sutra diz que neste nosso mundo, o ser humano se refugia na dualidade.  Diz que precisamos de um ponto de apoio para confirmar o que pensamos e ajudar a manter a convic&ccedil;&atilde;o de um eu inerente e separado; que nos confirme a premissa, &quot;&eacute;&quot;.  Uma vez que temos a no&ccedil;&atilde;o, &quot;verdadeiramente &eacute;&quot; precisamos, enquanto for poss&iacute;vel, da no&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria, &quot;verdadeiramente n&atilde;o &eacute;,&quot; enquanto o que nos ensina o Buda &eacute; que, agora, &eacute; verdadeiramente, mas n&atilde;o ser&aacute; outra vez e antes, verdadeiramente, n&atilde;o era.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quem n&atilde;o tenha praticado, n&atilde;o tenha ouvido falar nos ensinamentos do Desperto, pensa: &quot;existe verdadeiramente,&quot; ou &quot;n&atilde;o existe verdadeiramente&quot;.  Ent&atilde;o o Buda explica como um praticante, um Desperto observa o mundo e diz:  &quot;quando observamos com a vis&atilde;o correta, o verdadeiro fazer-se do mundo, encontraremos a n&atilde;o exist&ecirc;ncia no tocante ao mundo.  Quando observarmos com a vis&atilde;o correta o desfazer-se do mundo, tal como se processa, n&atilde;o haver&aacute; n&atilde;o exist&ecirc;ncia no tocante ao mundo.  Assim, o praticante primeiro observa o chamado &quot;fazer-se do mundo&quot;, loka samudaya.  Em budismo n&atilde;o se fala de cria&ccedil;&atilde;o do mundo, mas no fazer-se do mundo.  &quot;Sam&quot; quer dizer agregar e &quot;udaya&quot; quer dizer surgir, assim o que surge em simultaneidade faz-se a si mesmo. De que &eacute; feito o mundo?  O mundo &eacute; composto de cinco agregados:  corpo, sensa&ccedil;&otilde;es, percep&ccedil;&atilde;o (a forma de perceber e nomear as coisas), forma&ccedil;&otilde;es mentais (emo&ccedil;&otilde;es e pensamentos) e consci&ecirc;ncia.  Trata-se do que &eacute; feito no mundo aqui onde estou, porque a percep&ccedil;&atilde;o inclui tudo o que nos rodeia, tudo o que percebemos.  Sendo assim o mundo inteiro est&aacute; circunscrito aos cinco agregados.  Corpo, sensa&ccedil;&otilde;es, percep&ccedil;&otilde;es, forma&ccedil;&otilde;es mentais e consci&ecirc;ncia.  Isto &eacute; o mundo.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&quot;Samudaya&quot; quer dizer o fazer-se do mundo.  Tomemos, por exemplo, um objeto da nossa percep&ccedil;&atilde;o, uma flor.  Vemos o fazer-se da flor.  N&atilde;o como fruto da cria&ccedil;&atilde;o, mas de que consta o fazer-se da flor?  Quando o fazer-se da flor teve lugar?  A no&ccedil;&atilde;o de cria&ccedil;&atilde;o sugere um acontecimento pret&eacute;rito em um momento dado, ent&atilde;o temos o criado diante de n&oacute;s no presente.  Por&eacute;m, com a no&ccedil;&atilde;o de samudaya, o fazer-se n&atilde;o acontece num momento dado.  Na verdade, a flor se faz no momento presente, n&atilde;o foi feita no passado para ent&atilde;o no presente constatarmos, &quot;olha!  Est&aacute; aqui!&quot;  Ela est&aacute; se fazendo&#8230;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">A flor est&aacute; porque o sol est&aacute;, porque a &aacute;gua est&aacute;, porque o jardineiro est&aacute;, porque nossos olhos est&atilde;o, porque a nossa consci&ecirc;ncia est&aacute;, ent&atilde;o a flor est&aacute; e a isto chamamos o fazer-se da flor.  Todos estes fatores que se encontram na flor s&atilde;o chamados do &quot;fazer-se da flor.&quot;  (No quadro Sr. Annabel aponta as palavras)  Esta palavra quer dizer &quot;correta,&quot; esta dizer &quot;insight&quot; (vis&atilde;o profunda).  Thay falou muito sobre vis&atilde;o ontem e neste sutra o Buda est&aacute; falando tamb&eacute;m de vis&atilde;o, porque usa a palavra ver, quase sempre associada ao ato de ver um objeto com os olhos. Quando observamos qualquer coisa com a vis&atilde;o profunda, sabemos que um dos cinco tipos de vis&atilde;o &eacute; a vis&atilde;o da sabedoria, a vis&atilde;o que o Buda se refere.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Sabemos que a sabedoria s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel quando existe plena aten&ccedil;&atilde;o, vis&atilde;o profunda e concentra&ccedil;&atilde;o praticados simultaneamente.  Assim, quando o Buda usa a palavra &quot;samyak prajna&quot; afirma que este treinamento sem plena aten&ccedil;&atilde;o, sem concentra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o conduz &agrave; vis&atilde;o profunda.  Pode acontecer, mas apenas por um curto per&iacute;odo de tempo e n&atilde;o vai transformar nem revolucionar a consci&ecirc;ncia na base.  Para podermos ver o fazer-se da flor necessitamos concentra&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m de plena aten&ccedil;&atilde;o.  Para vermos o fazer-se da flor &eacute; preciso por fim &agrave; agita&ccedil;&atilde;o da mente, retornar ao nosso verdadeiro lar, a n&oacute;s mesmos, plenamente presentes no momento.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Assim vemos que o fazer-se da flor acontece no momento presente.  N&atilde;o acontece no futuro e n&atilde;o acontece no passado, acontece quando a mente se aquieta.  Temos a oportunidade durante o retiro de praticar esta quietude, sobretudo durante o nobre sil&ecirc;ncio, durante a medita&ccedil;&atilde;o da refei&ccedil;&atilde;o, na medita&ccedil;&atilde;o sentada ou na caminhada meditativa; todos s&atilde;o bons momentos para aquietar a mente. Quando digo aquietar, trata-se de aquietar a forma&ccedil;&atilde;o mental, acelerar.   N&atilde;o que vamos deixar de nos mover, mas porque a mente tem a propens&atilde;o de acelerar, ent&atilde;o precisa desacelerar para depois parar.  &Eacute; s&oacute; quando ela para que &eacute; poss&iacute;vel a vis&atilde;o profunda.  Podemos fazer a respira&ccedil;&atilde;o consciente, sem id&eacute;ias preconcebidas, apenas nos abrirmos para o que est&aacute; acontecendo no momento, &quot;O  praticante tem a vis&atilde;o profunda, o fazer-se do mundo que se fez precisamente como veio a ser.  Com esta vis&atilde;o profunda vemos a flor como ela veio a ser&quot;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Nos Quatro Estabelecimentos da Plena Aten&ccedil;&atilde;o vemos que o Buda sugere um exerc&iacute;cio no fim de cada sec&ccedil;&atilde;o, e no da Plena Aten&ccedil;&atilde;o sobre o corpo, diz o seguinte:  &quot;o praticante tem consci&ecirc;ncia do corpo no corpo, tem consci&ecirc;ncia do vir-a-ser do corpo, ele tem consci&ecirc;ncia da dissolu&ccedil;&atilde;o do corpo e ele tem consci&ecirc;ncia tanto do vir-a-ser quanto da dissolu&ccedil;&atilde;o do corpo.&quot;  Quando praticamos os Quatro Estabelecimentos da Plena Aten&ccedil;&atilde;o praticamos para ter a mesma vis&atilde;o profunda que temos quando praticamos o sutra do Caminho do Meio.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&Eacute; exatamente disto de que o praticante tem consci&ecirc;ncia no momento presente, n&atilde;o &eacute; uma teoria porque ao tomarmos consci&ecirc;ncia do fazer-se do mundo estamos sempre diante de algo de novo, algo de que tomamos consci&ecirc;ncia no momento presente, n&atilde;o se trata de algo de que estava consciente ontem e que tenha sido mantido at&eacute; o momento presente. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Primeiro, temos consci&ecirc;ncia de &quot;samudaya&quot; e depois de &quot;niroda&quot;.  &quot;Niroda&quot; &eacute; uma palavra que n&atilde;o tem tradu&ccedil;&atilde;o mas &eacute; inadequadamente traduzida por &quot;cessa&ccedil;&atilde;o.&quot;   Se o sol fosse retirado da flor ela n&atilde;o se desagregaria, mas seria o &quot;niroda&quot; da flor e n&atilde;o corresponde exatamente &agrave; cessa&ccedil;&atilde;o da flor.  Significaria apenas que o sol contido na flor foi devolvido ao sol e que o fazer-se da flor n&atilde;o pode acontecer.  Se, por exemplo, nos fossem retirados os antepassados, de certo modo, cessamos; este &eacute; o nosso &quot;niroda.&quot;  Se retirarmos de n&oacute;s os descendentes, tamb&eacute;m &eacute; o nosso &quot;niroda,&quot; a nossa cessa&ccedil;&atilde;o.  Se quando estamos com raiva retirarmos a adrenalina da nossa raiva, a raiva cessa; &eacute; o &quot;niroda&quot; da raiva.  N&atilde;o quer dizer a n&atilde;o exist&ecirc;ncia da raiva, quer dizer apenas que um elemento foi retirado da raiva.  &Eacute; como se cortando o fio de um colar e ca&iacute;ssem as contas, seria o &quot;niroda&quot; do colar.  N&atilde;o quer dizer que o colar n&atilde;o exista, est&atilde;o o fio e as contas, os elementos de que &eacute; feito o colar, mas j&aacute; n&atilde;o est&atilde;o associados.  Este &eacute; o significado da palavra &quot;niroda.&quot;<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Claro que &quot;niroda&quot; est&aacute; sempre acontecendo.  Um sutra tal como este pode ser mal interpretado se n&atilde;o tivermos uma boa compreens&atilde;o da palavra &quot;samudaya&quot; e da palavra &quot;niroda.&quot;  A palavra &quot;samudaya&quot; &eacute; em geral traduzida por original e a palavra &quot;niroda&quot; por fim ou cessa&ccedil;&atilde;o, o que nos leva a crer que a origem est&aacute; num passado long&iacute;nquo e que o fim vai acontecer no futuro porque, como bons budistas, sabemos que o mundo &eacute; impermanente e que ter&aacute; um fim.  Podemos pensar que neste sutra o Buda esteja aludindo ao big bang, a explos&atilde;o primordial que dizem ter criado o mundo que um dia acabar&aacute;.  Mas n&atilde;o &eacute; o que diz o Buda que trata do fazer-se, tal como acontece agora, sem o passado e sem a cessa&ccedil;&atilde;o do que quer que seja, apenas como se manifesta agora. T&atilde;o logo sejam retiradas ou devolvidas &agrave;s suas fontes as diferentes causas e condi&ccedil;&otilde;es que deram exist&ecirc;ncia ao que quer que seja, isto mesmo ao que deram exist&ecirc;ncia, n&atilde;o &eacute; mais manifesto.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Se ao meditarmos na flor devolvermos a &aacute;gua &agrave; &aacute;gua, a &aacute;gua devolvida &agrave;s nuvens, o sol devolvido ao sol, ent&atilde;o a flor deixa de ter um eu separado.  Deixa de estar separada.  O mesmo acontece quando meditamos no fazer-se da flor.  Vemos que a flor n&atilde;o tem um eu separado, mas que, isto &eacute; assim, porque aquilo &eacute; assim; na verdade, ver a cessa&ccedil;&atilde;o e ver o fazer-se s&atilde;o formas de ver.  N&atilde;o existe um eu separado e uma pessoa com a vis&atilde;o profunda correta, medita nestes dois aspetos.  Quando Mahamaudgalyana e Sariputra morreram o Buda disse:  hoje, contemplando a assembl&eacute;ia vejo o vazio enorme que se fez com a aus&ecirc;ncia de Mahamaudgalyana e Sariputra.  O Buda nos surpreende com tais ditos porque tamb&eacute;m &eacute; um ser humano.  O Buda &eacute;, ele mesmo, os seus disc&iacute;pulos que sentem a falta de Sariputra e que sentem a falta de Mahamaudgalyana e assim, quando olha para a assembl&eacute;ia ele v&ecirc; que &quot;falta alguma coisa,&quot; considerando o falecimento destes dois vener&aacute;veis monges.  Depois conduz seus disc&iacute;pulos mais adiante dizendo, &quot;&eacute; natural que Mahamaudgalyana e Sariputra tenham morrido, tudo aquilo que se agrega devido a causas e condi&ccedil;&otilde;es, quando estas causas e condi&ccedil;&otilde;es deixam de estar presentes, o agregado n&atilde;o poder&aacute; mais manter a mesma forma, portanto, n&atilde;o h&aacute; lugar para lamenta&ccedil;&otilde;es.  Monges, n&atilde;o lamentem, n&atilde;o estejam angustiados com os desaparecimentos destes dois vener&aacute;veis porque n&atilde;o &eacute; que Sariputra e Mahamaudgalyana deixaram de existir, mas que as causas e efeitos j&aacute; n&atilde;o permitem a estes conceitos de se agregarem em nossas mentes.  Assim, o Buda nos anima a meditar no fazer-se e no desfazer-se, ou no &quot;niroda.&quot;  Traduz-se &quot;niroda&quot; como cessa&ccedil;&atilde;o e lembrem-se que no &quot;Anapannasattisutra&quot; ao inspirar pela 14<sup>a<\/sup> vez o praticante contempla a cessa&ccedil;&atilde;o da expira&ccedil;&atilde;o, contempla a cessa&ccedil;&atilde;o e Thay traduz da seguinte forma, &quot;inspirando o praticante contempla o nascimento e a morte, expirando o praticante contempla o n&atilde;o nascimento e a n&atilde;o morte, assim, a palavra &quot;niroda,&quot; tamb&eacute;m pode significar &quot;n&atilde;o nascimento e n&atilde;o morte.&quot;  Podemos fazer esta medita&ccedil;&atilde;o acerca da nossa pr&oacute;pria pessoa.  Retirando um dos elementos que nos aglutinam veremos que o colar de contas se desfaz, que n&atilde;o existe um eu separado.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">A dificuldade surge com a no&ccedil;&atilde;o de passado e futuro.  Pensamos que algo se fez no passado e que ser&aacute; desfeito no futuro e que agora existe como um produto acabado.  Contudo, segundo os ensinamentos do Buda, devido ao fazer-se e ao desfazer-se, o produto acabado n&atilde;o existe, est&aacute; acontecendo continuadamente, o que pode ser de dif&iacute;cil apreens&atilde;o.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Resumindo:  <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Apoiamo-nos na no&ccedil;&atilde;o de, &quot;&eacute;&quot; ou &quot;n&atilde;o &eacute;.&quot;  Por exemplo, tomando uma flor dizemos, &quot;ah sim, foi colhida agora no jardim.&quot;  Passado uma semana a jogamos no lixo dizendo, &quot;a flor deixou de existir, rigorosamente deixou de existir&quot; mas o Buda diz que todo o tempo a flor est&aacute; se fazendo assim como, todo o tempo tamb&eacute;m est&aacute; se desfazendo.  A flor faz-se e desfaz-se, nos ensina o Buda e com a vis&atilde;o profunda correta tamb&eacute;m veremos assim.  <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">A seguir o Buda discorre sobre a natureza de quem vive no mundo e o par&aacute;grafo seguinte &eacute; dedicado &agrave; psicologia.  Ainda que o  Buda n&atilde;o tenha formalmente discorrido sobre psicologia trata da forma como percebemos o mundo, concreta na tradu&ccedil;&atilde;o chinesa que associa o sofrimento causado pelo apego e cobi&ccedil;a ao consciente. A vers&atilde;o pali &eacute; mais complicada e versa sobre apego e cobi&ccedil;a associados &agrave; mente inconsciente.   Assim, a no&ccedil;&atilde;o de que algo exista verdadeiramente ou n&atilde;o exista verdadeiramente s&atilde;o propens&otilde;es profundamente enraizadas na mente inconsciente e o labor de transforma-las &eacute; levado a cabo a n&iacute;veis muito profundos.  Podemos  transformar a propens&atilde;o consciente mas n&atilde;o teremos transformado a mente inconsciente.  Segundo os ensinamentos de uma subseq&uuml;ente psicologia budista &eacute; preciso uma transforma&ccedil;&atilde;o na base, o suporte da mente consciente precisa ser transformado, n&atilde;o apenas a mente consciente; e o suporte da mente consciente &eacute; a mente inconsciente.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Assim, voltamos a falar sobre o mundo, quer dizer n&oacute;s os seres humanos do planeta, na sua maioria\u2014e o Buda fala na maioria porque sabemos que uns poucos por toda a parte s&atilde;o seres despertos que compreendem a verdadeira natureza do que observam.  &quot;O mundo, na sua generalidade, Kaccayana, est&aacute; limitado por propens&otilde;es associadas &agrave; cobi&ccedil;a e preconceitos.&quot;<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Propens&atilde;o tamb&eacute;m quer dizer apego.  Preconceitos tamb&eacute;m querem dizer propens&otilde;es.  Propens&otilde;es  s&atilde;o parceiros de adormecimento, a palavra &quot;anushayo&quot; significa o que est&aacute; sempre conosco, em repouso, adormecido.  &quot;Anu&quot; quer dizer acompanhando e &quot;shayo&quot; quer dizer em repouso, adormecido, e refere-se &agrave; mente inconsciente.  Adormecido sugere estar inconsciente, ainda que a mente inconsciente abarque a mente consciente.  O material consciente de que nossos antepassados e da sociedade pode vir a adormecer em nossas mentes.  Quando acontece aludimos &agrave; mente inconsciente.  Assim, aquilo que num momento dado &eacute; consciente pode passar a ser inconsciente.   N&atilde;o &eacute; que haja uma barreira entre a mente consciente e a mente inconsciente, apenas na mente inconsciente o material est&aacute; adormecido, at&eacute; que um dia ou&ccedil;amos uma palavra, ou estejamos diante de um fato em nossas vidas e tomamos consci&ecirc;ncia da propens&atilde;o.  Por isso &eacute; ben&eacute;fico estar com a Sangha, n&atilde;o buscar a vida de eremita na montanha por que s&oacute; em comunidade estamos expostos suficientemente para constatar as poss&iacute;veis transforma&ccedil;&otilde;es na base.  Vejamos por exemplo, &quot;anushayo:&quot; quando estamos profundamente adormecidos, acordamos com um barulho ensurdecedor, ocorre-nos, &quot;Perigo!&quot;  e corremos para nos proteger.  Esta propens&atilde;o de que temos um eu separado surge t&atilde;o logo ouvimos um forte barulho enquanto dormimos.   Anteriormente, a tend&ecirc;ncia de acreditar num eu separado estava completamente adormecida.  Pod&iacute;amos estar sonhando com a n&atilde;o exist&ecirc;ncia de um eu separado ou estarmos profundamente adormecidos sem qualquer no&ccedil;&atilde;o de um eu separado e com um barulho forte surge no&ccedil;&atilde;o, adormecida at&eacute; ent&atilde;o, de um eu separado. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Temos propens&otilde;es que nos v&ecirc;m da linguagem, dos antepassados e ainda de muitos outros fatores, adormecidos no inconsciente que nos fazem crer num eu separado. Ouvimos muitos ensinamentos do Buda,  mas como n&atilde;o se trata de uma filosofia, a propens&atilde;o permanece.  A transforma&ccedil;&atilde;o &eacute; feita atrav&eacute;s da viv&ecirc;ncia e por isso optamos pela vida em comunidade e a vis&atilde;o da Sangha.    <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Na medita&ccedil;&atilde;o podemos ter uma vis&atilde;o profunda do n&atilde;o eu que pode, contudo, n&atilde;o romper a casca rija que cont&eacute;m protegendo esta no&ccedil;&atilde;o.  Ainda que a medita&ccedil;&atilde;o possa ser uma das causas e condi&ccedil;&otilde;es que contribui para este rompimento, nem sempre &eacute; suficiente.  H&aacute; quem tenha acesso a estados profundos de medita&ccedil;&atilde;o mas quando volta ao conv&iacute;vio de sempre se depara com os velhos parceiros de adormecimento.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&quot;Quando o praticante n&atilde;o adere a uma posi&ccedil;&atilde;o a que a mente tenha aderido, n&atilde;o se apega &agrave;s coisas &agrave;s quais a mente se tenha apegado, nem aos parceiros de preconceito no adormecimento, deixa de existir um si mesmo separado do eu.  (there is no separate self of me.)  N&atilde;o tenho a sensa&ccedil;&atilde;o de que no meu interior ou no que me rodeia eu exista num eu separado.&quot; <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Assim, este sutra afirma que a id&eacute;ia de um si mesmo vem da propens&atilde;o associada ao aferro, porque por mais que procure n&atilde;o encontro o que quer que possa ser designado si mesmo.  N&atilde;o est&aacute; dentro do meu corpo, nem tampouco fora, flutuando.  O si mesmo &eacute; uma no&ccedil;&atilde;o que tenho que n&atilde;o est&aacute; baseada em nada que possa ser apreendido pelos sentidos assim, tenho a propens&atilde;o de apreender o mundo fenomenal como eu mesmo.  Associo a minha pr&aacute;tica religiosa ao eu mesmo, identifico-me com ela, ou com o pa&iacute;s onde vivo, ou com a consci&ecirc;ncia, apreendendo tudo como eu mesmo.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&Eacute; assim que se manifesta parte da minha consci&ecirc;ncia, se aferrando e rotulando o mundo fenomenal de &quot;eu mesmo.&quot;  Quando n&atilde;o existe nada a que me possa aferrar e rotular, &quot;eu mesmo,&quot; compreendemos o significado do &quot;n&atilde;o eu.&quot;  A palavra para &quot;eu&quot; em pali &eacute; &quot;atta.&quot;  Em s&acirc;nscrito &eacute; &quot;atman,&quot; uma esp&eacute;cie de realidade a respeito de mim, traduzida pela palavra alma.  Quando n&atilde;o compreendemos o budismo pensamos que exista algo chamado de reencarna&ccedil;&atilde;o, que quando morrermos a alma se transporta para outro corpo e assim n&atilde;o morremos; &eacute; a id&eacute;ia de &quot;atman,&quot; &quot;atta.&quot;  Mas o Buda ensinou que esta propens&atilde;o da mente de inventar um fen&ocirc;meno chamado atman n&atilde;o corresponde &agrave; realidade e se compreendermos o fazer-se do mundo ent&atilde;o compreendemos o niroda do mundo.  N&atilde;o se pode admitir uma teoria do &quot;atman&quot; sen&atilde;o promulgada  por um eu separado.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Recentemente, no Centro de Dharma Montanha Verde tivemos que cortar uma &aacute;rvore porque o topo estava morto e poderia cair no telhado.  Na &Iacute;ndia antes de se cortar uma &aacute;rvore queima-se junto a ela incenso, oferecem-se flores e acende-se uma vela.  Se perguntarmos o motivo, dir&atilde;o que &eacute; devido ao esp&iacute;rito da &aacute;rvore, que para que n&atilde;o se inquiete causando preju&iacute;zo &agrave; comunidade, deve ser convidado a sair antes que seja derrubada.  Em certas comunidades no tempo do Buda uma regra proibia os monges de cortar &aacute;rvores, mesmo para construir as suas cabanas, porque os alde&otilde;es temiam a vingan&ccedil;a dos esp&iacute;ritos desalojados sem aviso pr&eacute;vio.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&Eacute; l&oacute;gico que n&atilde;o queremos destruir &aacute;rvores.  N&atilde;o porque podem se vingar de n&oacute;s mas porque a &aacute;rvore nos deu sombra, &eacute; nela que os passarinhos v&ecirc;m cantar e aonde descansamos quando faz calor.  Tamb&eacute;m &eacute; uma espl&ecirc;ndida manifesta&ccedil;&atilde;o da vida e n&atilde;o queremos destru&iacute;-la.  Assim, pela manh&atilde;, acendi o incenso e a vela ao p&eacute; da &aacute;rvore, ofereci-lhe flores e abra&ccedil;ando-a perguntei:  &quot;vai ser preciso derrubar voc&ecirc;,  como se sente ao ouvir esta not&iacute;cia?&quot;   E a &aacute;rvore respondeu:  &quot;estou feliz porque a &aacute;rvore faz parte de todo o universo, a &aacute;rvore foi o sol e a chuva e a terra e todas as outras &aacute;rvores ao redor e todos os anos no outono ca&iacute;ram folhas que alimentaram os brotos na primavera e derrubada ainda serei alimento para as &aacute;rvores que me rodeiam porque suas folhas ca&iacute;ram ao longo de muitos anos transformaram-se em terra e alimento para tantas outras &aacute;rvores.&quot;  A &aacute;rvore aceitou perfeitamente, n&atilde;o parecia partilhar a minha preocupa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Assim este esp&iacute;rito, a id&eacute;ia que fazemos da &aacute;rvore, como um eu e este eu &eacute; convidado a sair para que n&atilde;o sofra quando a &aacute;rvore for derrubada.  Na verdade a &aacute;rvore disse-me que j&aacute; se tinha mudado, que o convite era desnecess&aacute;rio, que ela j&aacute; estava na terra, j&aacute; estava no sol, j&aacute; estava na chuva, n&atilde;o era preciso deslocar-se para onde quer que fosse.  Depois de derrubada perdurar&aacute; no sol, na chuva, na terra e nas demais &aacute;rvores.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">H&aacute; um outro sutra do c&acirc;none chin&ecirc;s chamado sutra da Grande Vacuidade, n&uacute;mero 297 no Samyura &Aacute;gama.  &quot;A velhice e a morte surgem a partir de condi&ccedil;&otilde;es.  Se perguntarmos, &quot;quem envelhece?&quot; e &quot;quem morre?&quot; &quot;a velhice e a morte pertencem a quem?&quot; e se responderem, &quot;eu envelhecerei, eu morrerei, a  velhice e a morte me pertencem.&quot;  n&atilde;o ter&atilde;o realizado a pr&aacute;tica do Bramacharya.  Devido &agrave;s formas gramaticais da nossa l&iacute;ngua e &agrave;s nossas propens&otilde;es, por termos o sentido de um eu, o que nos ocorre &eacute;, &quot;estou velho, sou aquele que vai morrer&#8230;&quot;  O Buda diz que quando n&atilde;o realizamos a pr&aacute;tica temos esta id&eacute;ia, temos medo,  o que nos impede de realizar a pr&aacute;tica.  A pr&aacute;tica do Bramacharya &eacute; de monges e monjas que dedicam suas vidas &agrave; pr&aacute;tica, mas se aplica igualmente aos leigos:  upasaka e upasika.  Como Annatapindika disse pouco antes de morrer, quando estava sendo instru&iacute;do por Sariputra, &quot;h&aacute; leigos que podem entender estes ensinamentos, rogo-lhe, transmita isto ao Buda!&quot;  Tenho certeza de que o Buda estava ciente do fato e o que Annatapindika  queria dizer era, &quot;pe&ccedil;a ao Buda que d&ecirc; mais ensinamentos como estes para os leigos!&quot;  <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Este sutra da Grande Vacuidade trata de causas e condi&ccedil;&otilde;es e afirma que quando nos ordenamos monges ou monjas ou quando optamos por dedicar o resto de nossas vidas &agrave; pr&aacute;tica, recebemos os Cinco ou os Catorze Treinamentos da Plena Aten&ccedil;&atilde;o.  Nosso objetivo, nosso verdadeiro empreendimento, o ponto alto da nossa voca&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; realizar a verdade do n&atilde;o nascimento e da n&atilde;o morte, a verdade da n&atilde;o exist&ecirc;ncia e da n&atilde;o n&atilde;o exist&ecirc;ncia.  Com esta pr&aacute;tica n&atilde;o mais existe a id&eacute;ia de que &quot;sou o velho que envelhece, sou o velho que morre.&quot;  Claro que existe velhice e morte mas n&atilde;o estamos apegados &agrave; id&eacute;ia de que, &quot;sou eu o velho.&quot;<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Em parte &eacute; culpa da gram&aacute;tica da l&iacute;ngua em que nos expressamos porque precisamos de um verbo e o verbo tem um sujeito, ainda que nem sempre haja um objeto.  Por exemplo, conjugando o verbo morrer , &quot;eu morro, ou tu morres, ou ele morre.&quot;  Se for o verbo ficar velho conjugamos, &quot;eu fico velho, ou tu ficas velho ou ele fica velho.&quot;  Mas com a vis&atilde;o profunda ser&aacute; que precisamos mesmo as palavras eu, ou tu ou ele?  Segundo o Buda n&atilde;o precisamos de sujeitos.  Podemos observar o mundo de forma que o sujeito passe a ser sup&eacute;rfluo.  Assim, o Buda diz, &quot;a velhice &eacute; assim porque isto &eacute; assim.&quot;  Quando nasce um beb&ecirc; ele &eacute; cuidado, vestido, alimentado, mais tarde vai para a escola, depois sai pelo mundo, se casa, &eacute; pai e depois av&ocirc;, etc.  Ent&atilde;o surge a morte.  Assim como tem nascimento, tem morte, mas n&atilde;o &eacute; preciso dizer, &quot;sou eu quem morre.&quot;  Thay conta uma linda hist&oacute;ria de um mestre que era av&ocirc; e que, j&aacute; idoso, trabalhava no jardim.  Um dia preparando a terra sentiu-se cansado e disse, &quot;mas quem &eacute; aquele n&atilde;o vai se cansar, quem &eacute; aquele vai morrer?&quot;  E o Buda diz que n&atilde;o &eacute; preciso dizer, &quot;eu n&atilde;o vou sentir cansa&ccedil;o,&quot; ou &quot;eu vou morrer.&quot; Basta dizer, &quot;o cansa&ccedil;o existe devido a causas e condi&ccedil;&otilde;es e a morte existe devido a causas e condi&ccedil;&otilde;es.  Isto existe devido a isso, isto n&atilde;o existe devido ao fato de que isso n&atilde;o existe. Assim &eacute; poss&iacute;vel atrav&eacute;s da pr&aacute;tica com a Sangha transformar as propens&otilde;es profundamente enrustidas na nossa consci&ecirc;ncia que estimam que sou eu quem envelhece e sou eu quem morre.&quot;<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Assim &agrave; pergunta seguinte, &quot;ent&atilde;o, n&atilde;o existe mais sofrimento?&quot; podemos crer que &eacute; o Buda que responde. &quot;Quando o sofrimento est&aacute; se fazendo, ele se faz, quando o sofrimento est&aacute; se desfazendo ele se desfaz, o praticante n&atilde;o tem a menor d&uacute;vida.&quot;  Podemos nos perguntar, mas que conversa &eacute; esta do Buda?  Claro, todos temos consci&ecirc;ncia de que quando o sofrimento existe, ele existe e quando ele inexiste, ele inexiste, n&atilde;o &eacute; preciso ser um praticante, nem ter vis&atilde;o profunda e concentra&ccedil;&atilde;o para estar consciente disto.  Mas o Buda disse claramente no texto que n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida que o sofrimento existe, que ele vai se fazendo e que se desfaz quando se desfaz.  Parece ser o que o Buda diz no Sutra do Cora&ccedil;&atilde;o, &quot;n&atilde;o existe sofrimento, nem fim do sofrimento, nem causa do sofrimento, nem caminho.&quot;  <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quando o Buda morreu converteram os seus ensinamentos, tais como as Quatro Nobres Verdades, em teorias.  O que passa por ser um praticante de budismo &eacute; aquele que conhece as teorias e &eacute; capaz de repeti-las. Contudo, ao tempo do Buda os ensinamentos n&atilde;o eram um ide&aacute;rio, nem eram te&oacute;ricos.  Assim, quando recitamos formalmente o Cora&ccedil;&atilde;o do Prajnaparamita, &quot;n&atilde;o existe sofrimento, nem fim do sofrimento, nem causa do sofrimento, nem caminho,&quot;  significa que os ensinamentos do Buda n&atilde;o s&atilde;o te&oacute;ricos.  Como n&atilde;o s&atilde;o te&oacute;ricos n&atilde;o nos enredam; s&atilde;o as pr&aacute;ticas do nosso cotidiano.  Como o Buda afirma: &quot;quando surge o sofrimento, quando todas as causas e condi&ccedil;&otilde;es para o sofrimento est&atilde;o reunidas, o sofrimento se faz.&quot;  O praticante est&aacute; plenamente consciente, n&atilde;o tem d&uacute;vida.  Mas tamb&eacute;m pode pensar, talvez o sofrimento n&atilde;o exista, talvez fugindo se livrar&aacute; do sofrimento, talvez exista um lugar por onde n&atilde;o passe o sofrimento&#8230;. mas logo reconhece, &quot;sim, o sofrimento existe.&quot; E o sofrimento existe porque aquilo existe; cortamos o fio do colar que denominamos sofrimento, conscientes de que o sofrimento n&atilde;o se fez e se desfez no momento.  Quando o sofrimento se faz o praticante sabe que o sofrimento est&aacute; se fazendo de causas e condi&ccedil;&otilde;es.  Quando uma das causas e condi&ccedil;&otilde;es &eacute; retirada e o sofrimento n&atilde;o est&aacute; se fazendo o praticante tem consci&ecirc;ncia de que o sofrimento n&atilde;o est&aacute; se fazendo.  &Eacute; o que nos ensina o Buda que n&atilde;o afirma se o Tathagata existe ou n&atilde;o depois da sua morte, mas que afirmou claramente:  &quot;monges, apenas ensino dois pontos:  o fazer-se do sofrimento (dukkha samudaya) e o desfazer-se do sofrimento (dukkha niroda) que n&atilde;o acontece no passado para continuar no presente, mas &eacute; somente o que acontece no presente.  Se no momento presente o sofrimento se faz, o praticante reconhece e pratica com o sofrimento do momento.  Se no momento presente o sofrimento se desfaz, o praticante reconhece que o sofrimento se desfaz.  Se aludir ao meu sofrimento digo, &quot;estou cansada e quando morrer deixarei de estar cansada,&quot;   &eacute; que tenho a no&ccedil;&atilde;o de um eu separado.  Na verdade, o cansa&ccedil;o n&atilde;o me pertence, o cansa&ccedil;o est&aacute; presente devido a causas e condi&ccedil;&otilde;es para o cansa&ccedil;o.   No sutra da Grande Vacuidade o Buda afirma, &quot;Se digo que sou velho e estou envelhecendo e que a velhice me pertence, n&atilde;o aprofundei e n&atilde;o compreendi a pr&aacute;tica.&quot;<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O Buda diz que esta compreens&atilde;o n&atilde;o adv&eacute;m dos outros, mas surge da compreens&atilde;o do  praticante.  Ele quer dizer que este ensinamento n&atilde;o &eacute; te&oacute;rico, n&atilde;o &eacute; um ensinamento que possa ser transmitido por Sariputra e que quando acreditamos somos transformados.  Temos uma rela&ccedil;&atilde;o com o sofrimento, com o fazer-se e o desfazer-se do sofrimento no cont&iacute;nuo mental, no momento presente.  A compreens&atilde;o s&oacute; pode ser fruto da pr&aacute;tica, n&atilde;o pode ser transmitida por outrem. Naquele tempo, na &Iacute;ndia, a teoria foi muito bem recebida e diferentes mestres tinham diferentes teorias, pensava-se que era poss&iacute;vel encontrar a liberta&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de teorias, mas a coloca&ccedil;&atilde;o do Buda foi de que s&oacute; podemos ser libertados atrav&eacute;s da pr&aacute;tica.  O Buda deu sugest&otilde;es e formas de estimular os disc&iacute;pulos:  &quot;porque n&atilde;o olham para esta dire&ccedil;&atilde;o em vez de estarem sempre olhando para aquela?&quot; Compete aos disc&iacute;pulos olhar na dire&ccedil;&atilde;o que o Buda indica para que a experi&ecirc;ncia seja pessoal.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ensinamentos do Mestre Thich Nhat HanhRetiro de 21 dias em Plum Villagede 2 a 21 de junho, 2000Ensinamentos transmitidos porAnnabel Laity em 4 junho, 2000Transcri\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o de Tenzin Namdrol Querida Sangha, Esta manh&atilde;, estudaremos o sutra Kaccayanagotta do Samyuta &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/visao-correta-e-nao-eu-sutra-kaccayanagotto\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6669,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,27,40],"tags":[16],"class_list":["post-6709","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-thay","category-zen","tag-thich-nhat-hanh"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6709","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6709"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6709\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6710,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6709\/revisions\/6710"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6669"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6709"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6709"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6709"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}