{"id":6711,"date":"2020-07-05T16:23:05","date_gmt":"2020-07-05T18:23:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6711"},"modified":"2020-07-05T16:23:05","modified_gmt":"2020-07-05T18:23:05","slug":"sutra-dos-doze-elos-e-do-caminho-do-meio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sutra-dos-doze-elos-e-do-caminho-do-meio\/","title":{"rendered":"Sutra dos Doze Elos e do Caminho do Meio"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_.jpg\" alt=\"\" width=\"224\" height=\"225\" class=\"alignleft size-full wp-image-6670\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_.jpg 224w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/><\/a><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:right\"><i>Ensinamentos do Mestre <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/thich-nhat-hanh\/\"><font SIZE=\"2\"><b>Thich Nhat Hanh<\/b><\/font><\/a><br \/>Retiro de 21 dias em Plum Village<br \/>de 2 a 21 de junho, 2000<\/i><br \/><font SIZE=\"1\"><b>Ensinamentos transmitidos por<br \/>Annabel Laity em 14 junho, 2000<br \/>Transcri\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o de Tenzin Namdrol<\/b><\/font><\/div>\n<div STYLE=\"text-align:justify\">\n<p>Querida Sangha,<\/p>\n<p>Vamos come&ccedil;ar esta manh&atilde; com uma medita&ccedil;&atilde;o guiada.  N&atilde;o ser&aacute; preciso manter os olhos fechados para esta medita&ccedil;&atilde;o, na verdade, olhem para as m&atilde;os ou para a pele em qualquer lugar do corpo ou se quiserem para a pele da pessoa que est&aacute; ao se lado. <\/p>\n<p>Inspirando tenho consci&ecirc;ncia da minha inspira&ccedil;&atilde;o, expirando tenho consci&ecirc;ncia apenas da minha expira&ccedil;&atilde;o, inspirando, expirando.<\/p>\n<p>Pausa<\/p>\n<p>Inspirando, estou consciente de meus antepassados humanos, pais, av&oacute;s, bisav&oacute;s etc. at&eacute; ao primeiro antepassado humano que se p&ocirc;s de p&eacute;.  Expirando, tenho consci&ecirc;ncia dos meus antepassados presentes na minha pele, expirando, sorrio aos meus antepassados presentes na minha pele.<\/p>\n<p>Pausa<\/p>\n<p>Inspirado tenho consci&ecirc;ncia dos antepassados pertencentes &agrave;s esp&eacute;cies animais na mina pele, expirando sorrio &agrave;s esp&eacute;cies animais que tamb&eacute;m s&atilde;o meus antepassados e contribu&iacute;ram para esta pele que &eacute; hoje a minha.  Pele de meus antepassados animais, sorrio.<\/p>\n<p>Pausa<\/p>\n<p>Inspirando estou consciente de antepassados bot&acirc;nicos na minha pele, as &aacute;rvores, as ervas, outras plantas; expirando sorrio aos antepassados bot&acirc;nicos na minha pele.<\/p>\n<p>Pausa<\/p>\n<p>Inspirando, tenho consci&ecirc;ncia de meus antepassados do reino mineral, a terra e as pedras, os minerais provenientes da &aacute;gua, expirando, sorrio aos meus antepassados minerais que se encontram na minha pele.<\/p>\n<p>Pausa<\/p>\n<p>Inspirando, tenho consci&ecirc;ncia de meus antepassados espirituais na minha pele, a pele na sola dos p&eacute;s sobre os quais aprendi a andar, como as solas dos p&eacute;s do Buda, a pele nos meus dedos que aprendi a tocar com plena aten&ccedil;&atilde;o como ensinaram meus antepassados espirituais.  Expirando, sorrio aos meus antepassados espirituais na minha pele porque sei que cada c&eacute;lula da minha pele &eacute; portadora da minha consci&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Pausa<\/p>\n<p>Inspirando, sei que a minha pele n&atilde;o &eacute; a minha pele, ela &eacute; feita de tudo de que n&atilde;o sou eu.  Expirando, sorrio &aacute; pele da minha Sangha, a pele da minha pele.  Sorrindo &agrave; pele da Sangha.<\/p>\n<p>Pausa<\/p>\n<p>Queridos Amigos, <\/p>\n<p>Na semana passada, estudamos o sutra dirigido a Kaccayana, a parte do sutra que diz, &quot;isto &eacute; assim porque aquilo &eacute; assim&quot; que &eacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o dos Doze Elos, nidanas.  O significado raiz da palavra nidana &eacute; &quot;atar&quot; e quer dizer &quot;fundamento, base&quot;  o que vem a ser &quot;causa,&quot; por vezes traduzido para o ingl&ecirc;s pela palavra &quot;elo&quot;, como numa corrente.  Foi a forma que o Buda encontrou para nos ajudar a contemplar este ensinamento, &quot;isto &eacute; porque aquilo &eacute;; isto n&atilde;o &eacute;, porque aquilo n&atilde;o &eacute;,&quot; de uma forma mais concreta.  Contudo aprendemos ao recitar o Prajnaparamitaridayasutra que n&atilde;o devemos nos enredar na verdade absoluta dos Doze Elos.  Assim, hoje tentaremos contemplar os Doze Elos sem nos enredarmos num ponto de vista.<\/p>\n<p>A palavra avidya, em s&acirc;nscrito, quer dizer, &quot;difuso, invis&iacute;vel, desconhecido,&quot; e &eacute; traduzida em ingl&ecirc;s por ignor&acirc;ncia, desconhecimento.  Sabemos pouco sobre a nossa pele.  N&atilde;o temos uma no&ccedil;&atilde;o exata do que seja, mas se pararmos para observa-la profundamente podemos remover a ignor&acirc;ncia que se encontra na nossa pele.  Existe sempre muita ignor&acirc;ncia associada &agrave; nossa pele, ou podemos dizer, na nossa pele.  &Eacute; claro que esta ignor&acirc;ncia tamb&eacute;m est&aacute; em outras partes do corpo, na nossa mente, no que toca a nossa mente, ignor&acirc;ncia no tocante &agrave;s partes do nosso corpo.  Existe ignor&acirc;ncia no tocante aos corpos da nossa Sangha, outros membros da nossa Sangha e mentes de outros membros da nossa Sangha.  &Eacute; o que quer dizer avidya.<\/p>\n<p>Depois de avidya, temos a palavra pacchaya, que sabemos ser um verbo em s&acirc;nscrito.  Creio que pacchaya neste contexto &eacute; um adjetivo, avidya pacchaya &eacute; o adjetivo plural que concorda com samkhara.  Depois aprendemos que o ger&uacute;ndio &eacute; pratytiasamutpada, a palavra que vimos ontem e que quer dizer origina&ccedil;&atilde;o dependente ou surgindo em simultaneidade.  Esta palavra prov&eacute;m da raiz s&acirc;nscrita pratyaya, a seguir temos a palavra pratytiasamutpada, tamb&eacute;m em s&acirc;nscrito.  Ut quer dizer surgindo e pada quer dizer surgir, sam quer dizer junto e pratytia, repousar em algo pr&eacute;-existente.  Aqui temos o verbo ir e pratya quer dizer retroceder.  Assim, esta palavra pratytia (s&acirc;nscrito) e aqui a palavra pali (inintelig&iacute;vel) que quer dizer co-surgimento dependente.  A palavra s&acirc;nscrito que temos aqui e que &eacute; um adjetivo quer dizer na verdade, &quot;o que depende da ignor&acirc;ncia s&atilde;o forma&ccedil;&otilde;es.&quot;  Forma&ccedil;&otilde;es repousam na ignor&acirc;ncia.<\/p>\n<p>A nossa pele &eacute; uma forma&ccedil;&atilde;o, o nosso corpo &eacute; uma forma&ccedil;&atilde;o e sabemos que existem muitas forma&ccedil;&otilde;es da mente tamb&eacute;m.  O nosso corpo &eacute; fruto de um tipo de ignor&acirc;ncia e vem do reino mineral, de esp&eacute;cies de animais, dos nossos antepassados humanos, assim como dos nossos antepassados espirituais.  O nosso corpo prov&eacute;m de todos estes elementos, mas desconhecemos, somos perfeitamente ignorantes,  mas ele surge assim, sem que a sabedoria nem a clareza da mente participem da forma&ccedil;&atilde;o.  Dizemos que estas forma&ccedil;&otilde;es s&atilde;o dependentes, porque repousam na ignor&acirc;ncia. <\/p>\n<\/p>\n<p>Se com a pr&aacute;tica eliminarmos a ignor&acirc;ncia das forma&ccedil;&otilde;es elas se transformar&atilde;o completamente.  Forma&ccedil;&otilde;es se traduz por samkhara, e samkhara quer dizer o que se agregou, composto.  Quando meditamos sobre a nossa pele eliminamos a ignor&acirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o, a nossa pele j&aacute; n&atilde;o &eacute; agregada da mesma maneira, n&atilde;o &eacute; a mesma forma&ccedil;&atilde;o.  Assim podemos nos libertar de um ciclo porque a ignor&acirc;ncia sobre o que sejam as forma&ccedil;&otilde;es torna-se um ciclo repetitivo que nos escraviza.  Mas ao retirarmos certos elementos nos libertamos desta escravid&atilde;o.<\/p>\n<p>Samkhara, pacchaya, vijnyana, s&atilde;o palavras do Buda.  N&atilde;o sei se ele enunciou estas mesmas palavras porque falava maghadi e n&atilde;o pali, mas o que enunciou se assemelhava a estas palavras porque as l&iacute;nguas s&atilde;o parecidas.  Isto quer dizer que a consci&ecirc;ncia depende da forma&ccedil;&atilde;o.  Dizemos que a forma&ccedil;&atilde;o depende da ignor&acirc;ncia e depois dizemos que a consci&ecirc;ncia depende da forma&ccedil;&atilde;o.  No sutra mais remoto, no primeiro em que o Buda aludiu aos Doze Elos, n&atilde;o se faz alus&atilde;o &agrave; ignor&acirc;ncia, n&atilde;o se faz alus&atilde;o &agrave;s forma&ccedil;&otilde;es, samkhara.  O Buda primeiro alude &agrave; consci&ecirc;ncia ou morte e velhice e faz o caminho inverso de apenas dez elos.  N&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio que sejam doze.  Assim a consci&ecirc;ncia depende de samkhara, o que quer dizer que se eliminarmos as forma&ccedil;&otilde;es n&atilde;o haver&aacute; mais consci&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Se pensarmos que as forma&ccedil;&otilde;es de que s&atilde;o compostas a mente, sensa&ccedil;&otilde;es, percep&ccedil;&otilde;es e todos os demais pensamentos positivos ou negativos, emo&ccedil;&otilde;es que nos invadem e as forma&ccedil;&otilde;es corporais, se eliminarmos tudo isto a consci&ecirc;ncia n&atilde;o teria onde repousar. Certas pessoas quando ouvem falar na consci&ecirc;ncia de armazenamento tendem a pensar de que &eacute; base de tudo, como uma causa primordial, mas na verdade o Buda nos ensina que a consci&ecirc;ncia repousa nas forma&ccedil;&otilde;es.  Se perguntarmos, sobre o qu&ecirc; repousam as forma&ccedil;&otilde;es, aprendemos que repousam muitas vezes na consci&ecirc;ncia e que eliminando a consci&ecirc;ncia n&atilde;o haver&aacute; mais forma&ccedil;&otilde;es.  Como ent&atilde;o?<\/p>\n<\/p>\n<p>Nagarjuna pediu-nos que utiliz&aacute;ssemos a vis&atilde;o profunda para averiguar se as causas v&ecirc;m antes do resultado e cita o exemplo da galinha e do ovo.  Qual deles surgir&aacute; primeiro?  Constatamos ent&atilde;o que a causa n&atilde;o vem antes do resultado mas s&atilde;o simult&acirc;neos.  Assim, quando nos referimos aos Doze Elos, um est&aacute; interligado ao anterior, e o anterior est&aacute; interligado ao que se segue mas esta vis&atilde;o n&atilde;o &eacute; satisfat&oacute;ria porque nos leva a crer que a consci&ecirc;ncia e as forma&ccedil;&otilde;es est&atilde;o interligadas quando na verdade a ignor&acirc;ncia tamb&eacute;m est&aacute; interligada a elas e veremos ent&atilde;o que cada um dos doze nidanas est&aacute; interligado a cada um dos demais onze nidanas e assim s&atilde;o muitos os elos.  Partindo de um elo temos outros onze interligados da mesma forma.  N&atilde;o est&atilde;o interligados numa sucess&atilde;o, nem tampouco em c&iacute;rculo.  Assim, quando disse que as forma&ccedil;&otilde;es mentais ou as forma&ccedil;&otilde;es corporais surgem,  passamos a estar conscientes do surgimento e uma vez que temos consci&ecirc;ncia do surgimento das forma&ccedil;&otilde;es mentais e corporais, a ignor&acirc;ncia &eacute; eliminada.. <\/p>\n<p>A consci&ecirc;ncia tamb&eacute;m repousa na ignor&acirc;ncia, que repousa nas forma&ccedil;&otilde;es como vimos.  Em ingl&ecirc;s falamos da mente inconsciente ou da mente subconsciente, o que quer dizer algo que ignoramos, desconhecemos o seu conte&uacute;do, desconhecemos as sementes que vamos semeando na nossa consci&ecirc;ncia, desconhecemos o que est&aacute; transformando a nossa consci&ecirc;ncia, o que est&aacute; surgindo na nossa consci&ecirc;ncia, n&atilde;o temos qualquer no&ccedil;&atilde;o.  Assim, pela pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o, a consci&ecirc;ncia &eacute; ignorante.  Mas ao eliminarmos da consci&ecirc;ncia a ignor&acirc;ncia, especialmente nos n&iacute;veis  mais profundos de consci&ecirc;ncia,  n&atilde;o ser&aacute; mais denominada consci&ecirc;ncia, mas sim, compreens&atilde;o profunda ou vis&atilde;o profunda; deixou de ser consci&ecirc;ncia.  Por isso, na psicologia budista subseq&uuml;ente diz-se que a consci&ecirc;ncia pode ser transformada em sabedoria, na sabedoria do grande espelho que tudo reflete, como cantamos todos os dias quando cantamos que a &aacute;gua transparente reflete o que &eacute; real, o que &eacute; verdadeiro e todos os dias somos capazes de transformar a consci&ecirc;ncia no espelho da sabedoria no momento em que suspendemos qualquer atividade, nem que seja por uns segundos.<\/p>\n<p>A consci&ecirc;ncia repousa no samkhara.  Namarupa repousa na consci&ecirc;ncia.  Namarupa quer dizer literalmente nome e forma.  Nama refere-se &agrave; psicologia e rupa refere-se &agrave; forma&ccedil;&atilde;o fisiol&oacute;gica.  Forma (rupa) &eacute; a palavra usada porque o nosso corpo pode ser visto com os nossos olhos, podemos ver cor e formato; o corpo no budismo &eacute; muitas vezes chamado de forma.  &Eacute; a manifesta&ccedil;&atilde;o da nossa pessoa que tem cor e forma, em oposi&ccedil;&atilde;o a outras manifesta&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o t&ecirc;m cor nem forma, como sensa&ccedil;&otilde;es, percep&ccedil;&otilde;es, forma&ccedil;&otilde;es mentais e consci&ecirc;ncia.    Assim, forma &eacute; o corpo e nome s&atilde;o sensa&ccedil;&otilde;es, percep&ccedil;&otilde;es, forma&ccedil;&otilde;es mentais e consci&ecirc;ncia.  Forma e nome se agregam, surgem da consci&ecirc;ncia que repousa na ignor&acirc;ncia.  Com sorte podem vivenciar a uni&atilde;o de nama e de rupa na medita&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Acontece perguntarem se existe uma medita&ccedil;&atilde;o em que n&atilde;o se tenha ch&atilde;o, n&atilde;o se tenha corpo, mas apenas consci&ecirc;ncia e se este &eacute; o estado a ser alcan&ccedil;ado na pr&aacute;tica do cotidiano.  Na verdade, a medita&ccedil;&atilde;o precisa de ch&atilde;o, ela &eacute; sempre a uni&atilde;o do corpo e da mente.    Meditamos quando a mente est&aacute; verdadeiramente unida ao corpo, diz o Buda claramente num dos sutras e no Madhyamanikaya que a consci&ecirc;ncia est&aacute; em cada c&eacute;lula do nosso corpo assim, neste sentido, a medita&ccedil;&atilde;o tem ch&atilde;o e a consci&ecirc;ncia repousa no nosso corpo.<\/p>\n<p>Os seis ayatanas repousam em namarupa.  Quer dizer que os seis sentidos repousam juntos no corpo e na mente.  Se n&atilde;o tiv&eacute;ssemos corpo e mente n&atilde;o ter&iacute;amos sentidos porque nossos olhos repousam na forma tanto quanto na mente e o mesmo acontece com as nossas orelhas.  No Prajnaparamita, quando recitamos, n&atilde;o existe olho, nem orelha, nem nariz e algu&eacute;m se aproxima e d&aacute; um forte pux&atilde;o no nosso nariz teremos de compreender verdadeiramente o que significa n&atilde;o h&aacute;  nariz.<\/p>\n<p>Os sentidos repousam no corpo, mas tamb&eacute;m na mente.  Sem a mente n&atilde;o ter&iacute;amos o sentido de flores.  Seis ayatanas, significam aquilo que v&ecirc; e o que &eacute; visto, aquilo que ouve e o que &eacute; ouvido, aquilo que cheira e o que &eacute; cheirado, aquilo que saboreia e o que &eacute; saboreado, aquilo que toca e o que &eacute; tocado e aquilo que pensa e o que &eacute; pensado.  Estas s&atilde;o seis ayatanas, as seis entradas; assim nossos olhos se assemelham a entradas e a &aacute;rvore que vejo tamb&eacute;m &eacute; entrada.  Este &eacute; o motivo porque no budismo se fala tanto em preservar os sentidos, preservar os olhos, as orelhas e porque devemos evitar certas entradas.  O Buda d&aacute; como exemplo, e Sariputra tamb&eacute;m, de uma cidadela rodeada de uma muralha com sentinelas em cada port&atilde;o que n&atilde;o admitem o ingresso de estranhos, selecionam quem pode entrar e excluem os forasteiros que possam invadir e pilhar a cidade.  Permitem a entrada de ratos, camundongos e gatos porque sabem que n&atilde;o v&atilde;o invadir a cidade.<\/p>\n<p>Assim, as seis entradas existem porque corpo e mente existem.  Porque estas seis entradas existem, existe contacto, sparsha.  Tendo olhos, orelhas, nariz, l&iacute;ngua, corpo e mente e se surgem cores e sons, s&atilde;o tamb&eacute;m forma&ccedil;&otilde;es.  Formas, cores, sons e forma&ccedil;&otilde;es.  Olhos, orelhas e nariz s&atilde;o forma&ccedil;&otilde;es.  Se existem mas n&atilde;o existe contacto, n&atilde;o haver&aacute; a consci&ecirc;ncia da forma, das cores ou do som.  Os olhos precisam estar em correspond&ecirc;ncia com as formas e as cores e as orelhas precisam estar em correspond&ecirc;ncia com os sons e com as forma&ccedil;&otilde;es mentais que acontecem todo o tempo.  Nossos &oacute;rg&atilde;os dos sentidos est&atilde;o sempre em correspond&ecirc;ncia com todas as coisas.<\/p>\n<p>Associada intimamente &agrave; forma&ccedil;&atilde;o mental, contacto, sparsha, &eacute; forma&ccedil;&atilde;o mental manaskara. Manaskara quer dizer prestar aten&ccedil;&atilde;o, aten&ccedil;&atilde;o mental.  Sempre que aludimos a manaskara dizemos que a aten&ccedil;&atilde;o mental &eacute; prestada de duas maneiras:  adequada e inadequada.  Sempre que haja contacto entre os olhos e a forma, ou as orelhas e o som haver&aacute;, no mesmo instante, aten&ccedil;&atilde;o mental, quer dizer, a mente se ativar&aacute; neste sentido.  Quem pratica sabe que a mente &eacute; ativada quando h&aacute; contacto de forma adequada ou inadequada.  A forma inadequada cria obst&aacute;culo para a nossa alegria e tranq&uuml;ilidade e a adequada alimenta a nossa alegria e tranq&uuml;ilidade.  <\/p>\n<p>Assim, quando a pr&aacute;tica consta de andar do refeit&oacute;rio para a cozinha ou do refeit&oacute;rio para o quarto ou sala de medita&ccedil;&atilde;o, a cada segundo do caminho prestamos aten&ccedil;&atilde;o a algo.  A mente pode estar atenta ao pensamento, ou fazendo considera&ccedil;&otilde;es sobre o futuro ou o passado que n&atilde;o conduzem &agrave; alegria e tranq&uuml;ilidade; chamar&iacute;amos ent&atilde;o de aten&ccedil;&atilde;o inadequada.  Mas se a mente est&aacute; atenta &agrave; sensa&ccedil;&atilde;o da terra sob os p&eacute;s ou &agrave; respira&ccedil;&atilde;o, chamar&iacute;amos aten&ccedil;&atilde;o adequada.  Porque?  Porque estamos dispon&iacute;veis para a beleza da terra, as orelhas atentas ao som do canto dos passarinhos e os olhos ao verde da vegeta&ccedil;&atilde;o e chamar&iacute;amos aten&ccedil;&atilde;o adequada.   A aten&ccedil;&atilde;o &eacute; dirigida primeiramente &agrave; respira&ccedil;&atilde;o e a cada passo, mas dado que a aten&ccedil;&atilde;o &agrave; respira&ccedil;&atilde;o e a cada passo re-uniu corpo e mente descortinamos um universo maravilhoso e o passo seguinte se d&aacute; no que chamamos de Reino de Deus ou Terra Pura.<\/p>\n<p>O contacto, acompanhado da aten&ccedil;&atilde;o mental &eacute; parte importante da pr&aacute;tica.  Repousando no contacto est&atilde;o as sensa&ccedil;&otilde;es.  Quando a l&iacute;ngua saboreia a do&ccedil;ura do suco de laranja surge uma sensa&ccedil;&atilde;o agrad&aacute;vel devido ao contacto que pode nos levar a desejar agora o resto da laranja o que n&atilde;o nos proporcionar&aacute; a mesma sensa&ccedil;&atilde;o agrad&aacute;vel enquanto comemos o resto da laranja.  Pode tamb&eacute;m acontecer que a sensa&ccedil;&atilde;o agrad&aacute;vel possa ser um sino para a plena aten&ccedil;&atilde;o e nos traga de volta para o momento presente para que possamos tamb&eacute;m ter a mesma sensa&ccedil;&atilde;o agrad&aacute;vel com o resto da laranja.   &Eacute; claro que o contacto tamb&eacute;m pode nos transmitir sensa&ccedil;&otilde;es desagrad&aacute;veis que n&atilde;o s&atilde;o sempre prop&iacute;cias &agrave; pr&aacute;tica.  Assim, o praticante alimenta as sensa&ccedil;&otilde;es agrad&aacute;veis na pr&aacute;tica e aproveita as desagrad&aacute;veis para adquirir uma vis&atilde;o profunda, tornar-se mais compassivo e mais presente.<\/p>\n<p>H&aacute; quem interprete a palavra vedana, que quer dizer sensa&ccedil;&otilde;es, como sensa&ccedil;&otilde;es desagrad&aacute;veis dizendo que todas as sensa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o desagrad&aacute;veis porque se agradar pode gerar apego, concluindo que s&atilde;o todas prejudiciais e precisam ser superadas na pr&aacute;tica.  Isto acontece por n&atilde;o terem compreendido a palavra vedana, os ensinamentos ou a pr&aacute;tica.  Porque a palavra vedana significa experi&ecirc;ncia.  Nossas sensa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o um tipo de experi&ecirc;ncia.  Se eliminarmos a ignor&acirc;ncia das sensa&ccedil;&otilde;es elas podem ser muito &uacute;teis &agrave; pr&aacute;tica. <\/p>\n<p>A avidez repousa na sensa&ccedil;&atilde;o.  Avidez &eacute; trishna.  Trishna quer dizer sede e deve estar associada &agrave; palavra inglesa, &quot;thirst.&quot;  Tem este significado porque temos sentidos que t&ecirc;m desejo sensual, o desejo est&aacute; associado aos sentidos e repousa na sensa&ccedil;&atilde;o; nosso desejo surge das sensa&ccedil;&otilde;es.  Da sensa&ccedil;&atilde;o agrad&aacute;vel quando nossos sentidos est&atilde;o em contacto com o objeto de nossos desejos, surge mais desejo pelo que nos agrada e das sensa&ccedil;&otilde;es desagrad&aacute;veis desejamos uma redu&ccedil;&atilde;o ou uma separa&ccedil;&atilde;o do objeto indesej&aacute;vel; assim &eacute; a sensa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Num dos sutras o Buda diz o seguinte, &quot;se quando for perguntado, \u2018eu sou as sensa&ccedil;&otilde;es, ser&atilde;o as sensa&ccedil;&otilde;es eu?\u2019  e o disc&iacute;pulo responder, \u2018eu sou as sensa&ccedil;&otilde;es, as sensa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o minhas,\u2019 ainda n&atilde;o ter&aacute; entendido a verdade sobre os Doze Elos, onde fica claro que as sensa&ccedil;&otilde;es surgem devido a \u2018 causas e condi&ccedil;&otilde;es tais como contacto, os seis sentidos, o corpo, a mente, a ignor&acirc;ncia, quanto a origem das sensa&ccedil;&otilde;es.  N&atilde;o &eacute; preciso que haja um &quot;eu&quot; que seja as sensa&ccedil;&otilde;es, elas n&atilde;o pertencem a uma pessoa, necessitam apenas das causas e condi&ccedil;&otilde;es a que estamos aludindo, e estar&atilde;o presentes.  Assim, este &eacute; o ensinamento de que, &quot;eu n&atilde;o sou as sensa&ccedil;&otilde;es, as sensa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o eu.&quot;<\/p>\n<p>Porque existem sensa&ccedil;&otilde;es, existe avidez.  Se eliminarmos a ignor&acirc;ncia da avidez lembrando que tudo est&aacute; interligado e assim a avidez e a ignor&acirc;ncia est&atilde;o interligadas, se eliminarmos a ignor&acirc;ncia da sensa&ccedil;&atilde;o, talvez possamos praticar um pouco e ent&atilde;o enxergar que a sensa&ccedil;&atilde;o se converte em compaix&atilde;o, em bondade amorosa, em alegria, felicidade e a felicidade da nossa Sangha e em equanimidade.  Este &eacute; o amor imparcial, amor n&atilde;o condicionado.  Se eliminarmos a ignor&acirc;ncia da avidez ou do desejo, ent&atilde;o se converte em aus&ecirc;ncia de desejo, uma forma&ccedil;&atilde;o mental positiva.  Neste caso, o desejo passa a desempenhar o papel de um composto fertilizante, j&aacute; n&atilde;o est&aacute; associado &agrave; ignor&acirc;ncia e &eacute; aqui que a flor do n&atilde;o desejo pode desabrochar.  Vivenciamos v&aacute;rias vezes ao dia momentos de aus&ecirc;ncia de desejo e o Buda nos ensina na Anapanasatisutra que podemos alegrar a mente com forma&ccedil;&otilde;es mentais positivas, como a aus&ecirc;ncia de desejo:  inspirando tenho consci&ecirc;ncia da aus&ecirc;ncia de desejo, expirando tenho consci&ecirc;ncia da aus&ecirc;ncia de desejo.   A avidez est&aacute; associada a alguma coisa e conduz ao vir-a-ser; o vir-a-ser conduz ao nascimento e o nascimento conduz &agrave; velhice e &agrave; morte e a todo o sofrimento associado com a velhice, a doen&ccedil;a e a morte.<\/p>\n<p>Quando aludimos &agrave; avidez nos referimos aos cinco agregados da avidez.  Como sabem, os cinco agregados s&atilde;o:  forma, sensa&ccedil;&otilde;es, percep&ccedil;&otilde;es, forma&ccedil;&otilde;es mentais e consci&ecirc;ncia.  O Buda denomina upadana skandas e no sutra observamos que sempre que se faz alus&atilde;o a skandas trata-se de skanda da avidez.  Quer dizer que o eu separado necessita se identificar com algo,  ent&atilde;o se identifica com o corpo, ou com as sensa&ccedil;&otilde;es, ou com as percep&ccedil;&otilde;es, ou com as forma&ccedil;&otilde;es mentais ou com a consci&ecirc;ncia, ainda que os cinco skandas tamb&eacute;m possam ser isentos do estado de avidez.  Por exemplo, se uma forma (corpo) que n&atilde;o &eacute; percebida como eu ou minha, pode ter sensa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o s&atilde;o percebidas como eu ou minhas.  Isto n&atilde;o quer dizer que deixaremos de dar aten&ccedil;&atilde;o ao corpo e &agrave;s sensa&ccedil;&otilde;es e de percebe-los como eu ou minhas.  Quando transmitimos estes ensinamentos h&aacute; quem tema deixar de cuidar do corpo ou das sensa&ccedil;&otilde;es.  Na verdade somos mais respons&aacute;veis quando n&atilde;o nos percebemos como eu ou meu\/minha porque n&atilde;o mais nos ocorre &quot;este &eacute; o meu corpo e fa&ccedil;o com ele o que quero,&quot; ou &quot;estas s&atilde;o as minhas sensa&ccedil;&otilde;es e fa&ccedil;o com elas o que quero.&quot;  Admitimos que n&atilde;o nos pertence e somos ent&atilde;o mais cuidadosos.<\/p>\n<p>Tratando-se de vir-a-ser, a condi&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel antes que surja a morte, provavelmente significa o vir a ser dos sentidos separados do corpo, sensa&ccedil;&otilde;es separadas, percep&ccedil;&otilde;es separadas, etc.  e uma vez que temos tempo de vir-a-ser significa alcan&ccedil;amos uma etapa em que os reconhecemos como o meu corpo, as minhas sensa&ccedil;&otilde;es, as minhas percep&ccedil;&otilde;es.  Pode chegar o momento, por exemplo quando a raiva inicia o processo de vir a ser e est&aacute; sendo regada de muitas formas, interna e externamente, tudo contribuindo para o vir a ser da raiva at&eacute; que, em determinado momento, depois de ter sido bem regada, ela nasce.  Vemos ent&atilde;o claramente como o nascimento depende do vir-a-ser.  Mais tarde, a raiva envelhece, perde a for&ccedil;a e morre.  Ent&atilde;o pensamos que j&aacute; n&atilde;o temos raiva.  Assim, estes s&atilde;o os &uacute;ltimos elos.  Na verdade, pode acontecer que a morte da sua raiva n&atilde;o traga grande sofrimento, mas quando constatamos a morte de fen&ocirc;menos a que estamos apegados ou que somos objeto do apego de outros, ent&atilde;o passamos por grande sofrimento.  Assim, o Buda associa o sofrimento &agrave; velhice e &agrave; morte.  Quando constatamos que n&atilde;o existe um eu que morre, nem um eu que nasce, ou que n&atilde;o existe um tu que morre ou um tu que nasce, teremos afastado o sofrimento.<\/p>\n<p>O Buda transmitiu estes ensinamentos sobre os elos n&atilde;o para nos aprisionarmos no conceito de um &quot;eu&quot; vulner&aacute;vel a todas estas etapas, mas para podermos constatar como tudo surge a partir de condi&ccedil;&otilde;es anteriores, da interdepend&ecirc;ncia de todos os fen&ocirc;menos, o que nos permitir&aacute; de certo modo eliminar a ignor&acirc;ncia e ent&atilde;o, os demais elos se auto-destroem.  Eliminada a ignor&acirc;ncia toda a forma&ccedil;&atilde;o se transforma, altera-se o estado de consci&ecirc;ncia e estamos liberados do ser um ciclo de servid&atilde;o.<\/p>\n<p>O c&acirc;none chin&ecirc;s cont&eacute;m um sutra, o Samyugta Agamma No. 296 que trata deste ensinamento de origina&ccedil;&atilde;o interdependente e causa&ccedil;&atilde;o.  Neste sutra aprendemos que os Doze Elos surgem, o que &eacute; uma verdade eterna, tenha ou n&atilde;o, surgido um Buda no mundo.  Pode nos parecer que os ensinamentos do Buda existem porque o Buda nasceu, Budas est&atilde;o nascendo e Budas estar&atilde;o nascendo.  Mas o pr&oacute;prio Buda nos aconselha a n&atilde;o sermos escravos dos ensinamentos porque cada um de n&oacute;s, ao desenvolver uma vis&atilde;o profunda, tem o poder de descobri-los por si mesmo.  Ele insiste que os ensinamentos precisam ser redescobertos por cada um de n&oacute;s, que para que a nossa confian&ccedil;a na sua autenticidade seja inabal&aacute;vel, requerem uma experi&ecirc;ncia direta.  N&atilde;o devemos confiar no que nos &eacute; dito apenas por devo&ccedil;&atilde;o, amor e apego &agrave; pessoa que nos transmite.  Precisamos ir em frente, praticar, colhermos n&oacute;s mesmos os frutos da pr&aacute;tica de onde surge a verdadeira f&eacute;.  Assim, o Buda n&atilde;o nos quer dependentes do Buda no que toque os ensinamentos da origina&ccedil;&atilde;o interdependente mas que recorramos ao nosso pr&oacute;prio estado desperto para comprova-los e integra-los no nosso cotidiano.<\/p>\n<p>&Eacute; verdade que &eacute; a nossa boa fortuna que um Buda tenha vindo ao mundo para manifestar estes ensinamentos porque &eacute; o Buda, ou Aquele que Despertou, e os que realizaram plenamente estes ensinamentos s&atilde;o os que podem mais perfeitamente transmiti-los. Existe um sutra, transmitido ao monge Anuruda em resposta &agrave; sua pergunta, &quot;o Buda existe depois do Buda ter morrido?  Senhor Buda, o que acontecer&aacute; quando passados os seus 80 anos o senhor vir a morrer?  O Senhor continuar&aacute; a existir ou deixar&aacute; de existir?  Ou o Senhor continuar&aacute; a existir e a n&atilde;o existir, ou o senhor nem continuar&aacute; a existir nem deixar&aacute; de existir?&quot;  Observem aqui a l&oacute;gica da &Iacute;ndia!  Esta pergunta era formulada no tempo do Buda por certos grupos de religiosos que procuravam uma resposta filos&oacute;fica para o sentido da vida.<\/p>\n<p>Muitos mestres faziam estas mesmas perguntas e cada um favorecia uma destas respostas.  Assim, admitia-se que o grupo ligado ao Buda tamb&eacute;m as aceitaria.  Anuruda n&atilde;o tinha certeza da resposta porque quando refletia no assunto n&atilde;o se lembrava de qualquer alus&atilde;o do Buda sobre o tema j&aacute; que ele nunca falou sobre o que aconteceria ao Buda depois da sua morte.  Assim, Anuruda tinha d&uacute;vidas, desconhecia a resposta correta e o que levava os demais a crer que era ignorante, inconseq&uuml;ente, pouco inteligente ou rec&eacute;m ordenado.  (Creio que, na verdade, tinha sido recentemente ordenado).<\/p>\n<p>Assim, aproximou-se do Buda, disse-lhe que lhe tinham feito a pergunta e que gostaria de saber a resposta para satisfazer a Sangha do Buda.  &quot;Por favor, Buda, ajude-me!&quot;  E o Buda respondeu:  &quot;Anuruda, voc&ecirc; encontra o Tathagata, o Buda, na forma?  Voc&ecirc; identifica o Tathagata com um certo corpo?&quot;  Anuruda respondeu que n&atilde;o.  &quot;Voc&ecirc; identifica o Tathagata com as sensa&ccedil;&otilde;es, com as percep&ccedil;&otilde;es, com as forma&ccedil;&otilde;es mentais e com a consci&ecirc;ncia?&quot;  Anuruda respondeu que n&atilde;o.  &quot;Digamos que n&atilde;o exista um corpo, voc&ecirc; seria capaz de encontrar o Tathagata?  E se n&atilde;o existissem sensa&ccedil;&otilde;es, voc&ecirc; encontraria o Tathagata?  Sem percep&ccedil;&otilde;es, forma&ccedil;&otilde;es mentais e consci&ecirc;ncia, voc&ecirc; encontraria o Tathagata?&quot;  Anuruda respondeu que n&atilde;o.  Ent&atilde;o o Buda disse, &quot;Anuruda, se voc&ecirc; n&atilde;o pode me encontrar quando estou vivo, se voc&ecirc; n&atilde;o pode encontrar o Tathagata em vida, como voc&ecirc; vai encontrar o Tathagata depois de morto, ou ser&aacute; que vai encontrar o Tathagata depois?&quot;  Anuruda disse, &quot;N&atilde;o, n&atilde;o posso.&quot;  Ent&atilde;o o Buda disse, &quot;&Eacute; verdade, Anuruda, eu apenas tratei de dois assuntos:  o sofrimento e a cessa&ccedil;&atilde;o do sofrimento.&quot;  &Eacute; verdade, que creio ser dif&iacute;cil encontrar o Tathagata, &eacute; dif&iacute;cil identificar um Tathagata ou um Buda, agora, na sua forma f&iacute;sica enquanto ele se manifesta como um humano ou mais tarde quando a sua forma f&iacute;sica n&atilde;o mais se manifestar como um ser humano e o vemos assim, como um indiv&iacute;duo; n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel identifica-lo<\/p>\n<p>O Buda teve esta profunda realiza&ccedil;&atilde;o:  &quot;Eu n&atilde;o sou forma, n&atilde;o sou sensa&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o sou percep&ccedil;&otilde;es ou forma&ccedil;&otilde;es mentais,&quot; e teve esta profunda realiza&ccedil;&atilde;o, &eacute; imposs&iacute;vel restringi-lo &agrave; manifesta&ccedil;&atilde;o e uma vez que ele tenha morrido tamb&eacute;m &eacute; imposs&iacute;vel restringi-lo de qualquer forma<\/p>\n<p>Creio que no sutra do Significado Supremo que estudamos recentemente diz-se no s&eacute;timo verso que, &quot;quem neste mundo poderia elaborar a id&eacute;ia de um praticante t&atilde;o desenvolvido que n&atilde;o se apegue a um ponto de vista&#8230;&quot;  Contudo, n&atilde;o basta fazer a pergunta ao Tathagata, precisamos perguntar &agrave; pessoa que amamos, &quot;posso encontrar voc&ecirc; na forma, posso encontra voc&ecirc; nas sensa&ccedil;&otilde;es, posso encontrar voc&ecirc; nas percep&ccedil;&otilde;es, posso encontrar voc&ecirc; fora da forma, fora das sensa&ccedil;&otilde;es, fora das percep&ccedil;&otilde;es?&quot;  Podemos perguntar &agrave; pessoa amada tanto quanto ao Buda e podemos nos perguntar assim como perguntar a respeito do Buda.<\/p>\n<p>Quero tamb&eacute;m alterar o sexto verso no sutra do Significado Supremo, &quot;aquele que n&atilde;o aponta,&quot; ou algo assim, &quot;nem para isto nem para aquilo,&quot; n&atilde;o se deve ler, &quot;apontando nem para isto nem para aquilo,&quot; deve-se ler, &quot;n&atilde;o apontar para qualquer dos dois extremos,&quot; querendo dizer, &quot;ser ou n&atilde;o ser.&quot;  Ele n&atilde;o busca ser ou n&atilde;o ser nem neste mundo nem no pr&oacute;ximo,&quot; em vez de, &quot;ele n&atilde;o busca nem isto nem aquilo.&quot;<\/p>\n<p>O sutra alude aos dois extremos e n&oacute;s nos enredamos na no&ccedil;&atilde;o, &quot;eu sou, tu &eacute;s, ele &eacute;&quot;, ou &quot;eu n&atilde;o sou, tu n&atilde;o es, ele n&atilde;o &eacute;&quot; e os ensinamentos sobre a causalidade da origina&ccedil;&atilde;o interdependente t&ecirc;m o prop&oacute;sito de n&atilde;o nos deixar enredar em &quot;&eacute; ou n&atilde;o &eacute;&quot; dependendo das forma&ccedil;&otilde;es.  Dependendo das forma&ccedil;&otilde;es, a consci&ecirc;ncia; dependendo da consci&ecirc;ncia, o corpo e a forma, dependendo do corpo e forma, os seis sentidos, dependendo dos seis sentidos, o contacto, dependendo do contacto, as sensa&ccedil;&otilde;es, dependendo das sensa&ccedil;&otilde;es, a sede; dependendo da sede, a avidez, dependendo da avidez, o vir a ser; dependendo do vir a ser, o nascimento; dependendo do nascimento, a velhice e a morte todos associados com a dor e a tristeza. <\/p>\n<p>O Buda diz que este &eacute; o Caminho do Meio, o Buda ensina o Dharma na perman&ecirc;ncia do Caminho do Meio e o primeiro ensinamento que deu no Parque dos Gamos, em que p&ocirc;s a girar a roda to Dharma, chamou de Ensinamento sobre o Caminho do Meio.  O Buda disse aos monges, &quot; ensinarei a voc&ecirc;s, monges, o Caminho do Meio.&quot;  O Caminho do Meio &eacute; n&atilde;o nos enredarmos na vida mundana associada aos desejos sensuais por um lado, que &eacute;  um extremo; tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; partir para o outro extremo, de austeridades e auto mortifica&ccedil;&atilde;o; &eacute; permanecer no Caminho do Meio.   Permanecer no Caminho do Meio &eacute; n&atilde;o nos enredarmos em nenhum dos extremos: o extremo de ser e o extremo de n&atilde;o ser.   Eles est&atilde;o interligados porque quem pratica o que em pali seria chamado de vida da aldeia, enredados e entregues aos desejos sensuais, est&atilde;o aprisionados no extremo de ser porque cr&ecirc;em que o que desejam &eacute; uma entidade separada; cremos tamb&eacute;m que somos entidades separadas, por isso se diz que estamos enredados.<\/p>\n<p>O outro extremo &eacute; a auto mortifica&ccedil;&atilde;o na tentativa de destruir o corpo, destruir as sensa&ccedil;&otilde;es, tentar destruir as percep&ccedil;&otilde;es porque cremos serem as bases do sofrimento e queremos nos libertar delas, queremos que deixem de existir; a auto-mortifica&ccedil;&atilde;o &eacute; estarmos enredados no extremo de n&atilde;o ser, esta &eacute; a interliga&ccedil;&atilde;o. O Buda nos ensina o Caminho do Meio, da paz e da alegria, da compaix&atilde;o por n&oacute;s mesmos e pelos outros.  Nos reverencia mos com gratid&atilde;o perante o Buda que nos ensinou o Dharma que &eacute; a perman&ecirc;ncia no Caminho do Meio.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ensinamentos do Mestre Thich Nhat HanhRetiro de 21 dias em Plum Villagede 2 a 21 de junho, 2000Ensinamentos transmitidos porAnnabel Laity em 14 junho, 2000Transcri\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o de Tenzin Namdrol Querida Sangha, Vamos come&ccedil;ar esta manh&atilde; com uma medita&ccedil;&atilde;o guiada. &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sutra-dos-doze-elos-e-do-caminho-do-meio\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6669,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,27,40],"tags":[16],"class_list":["post-6711","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-thay","category-zen","tag-thich-nhat-hanh"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6711","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6711"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6711\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6712,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6711\/revisions\/6712"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6669"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6711"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6711"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6711"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}