{"id":6726,"date":"2020-07-05T19:01:53","date_gmt":"2020-07-05T21:01:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6726"},"modified":"2020-07-05T19:03:25","modified_gmt":"2020-07-05T21:03:25","slug":"comecando-novamente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/comecando-novamente\/","title":{"rendered":"Come\u00e7ando Novamente"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_.jpg\" alt=\"\" width=\"224\" height=\"225\" class=\"alignleft size-full wp-image-6670\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_.jpg 224w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/><\/a><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:center\"><font SIZE=\"4\"><b><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/thich-nhat-hanh\/\">Thich Nhat Hanh<\/a><\/b><\/font><br \/>Retiro em Upperr Hamlet<br \/>10 de maio de 1998<br \/>Transcrito e editado por Carol Fegan, <br \/>Chan An Cu. Revisado por Brendan Sillifant<br \/>Traduzido ao Portugu&ecirc;s por Claudio Miklos<\/p>\n<hr \/>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Queridos amigos, hoje &eacute; 10 de maio, 1998. N&oacute;s estamos no Upper Hamlet, e estamos no Retiro de Primavera. Hoje &eacute; o Vesak, o dia do nascimento do Buddha. A vida do Buddha foi fundamentada por uma esp&eacute;cie de aspira&ccedil;&atilde;o, um tipo de desejo, um tipo de energia de ajuda, ajuda para reduzir a quantidade de sofrimento no mundo, para fazer surgir a transforma&ccedil;&atilde;o e cura, para trazer alegria. Esta energia &eacute; importante, esta aspira&ccedil;&atilde;o &eacute; importante. A vitalidade da vida do Buddha &eacute; a energia de compaix&atilde;o, a energia de compreens&atilde;o que pode fazer o Buddha vivo, que pode lhe ajudar a continuar o ensinamento de forma que muitas pessoas possam libertar a si mesmas. Nascer significa come&ccedil;ar novamente, e todos n&oacute;s queremos come&ccedil;ar novamente&#8230; <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quando sabemos come&ccedil;ar novamente adquirimos muito mais energia, prazer e aspira&ccedil;&atilde;o que podem nos ajudar transformar o que &eacute; negativo em n&oacute;s, e nos ajudar a ter mais prazer, mais capacidade de transformar a situa&ccedil;&atilde;o ao nosso redor. Nascer &eacute; novamente uma forma de come&ccedil;o. &Eacute; por isso que dever&iacute;amos saber nascer como um novo ser a cada momento de nossas vidas. H&aacute; pessoas que podem dizer, &#8220;eu sou muito velho para come&ccedil;ar novamente&#8221;. Isso &eacute; porque elas n&atilde;o viram a verdadeira natureza da vida, da pr&aacute;tica de Come&ccedil;ar Novamente. N&oacute;s podemos praticar o Come&ccedil;ar Novamente em qualquer momento de nossas vidas. Nascer &eacute; come&ccedil;ar novamente. Quando temos tr&ecirc;s anos podemos come&ccedil;ar novamente, quando temos sessenta anos ainda podemos come&ccedil;ar novamente, e quando estamos a ponto de morrer, ainda &eacute; tempo de come&ccedil;ar novamente. N&oacute;s precisamos praticar a observa&ccedil;&atilde;o um pouco mais profunda para que possamos ver que o Come&ccedil;ar Novamente &eacute; poss&iacute;vel a qualquer tempo de nossas vidas di&aacute;rias, e em qualquer idade. Suponha que uma nuvem esteja flutuando no c&eacute;u, e esteja a ponto de morrer, de se tornar chuva. A nuvem poderia ser presa de raiva, de medo: &#8220;Por que isto acontece comigo? Por que tenho de morrer? Por que eu n&atilde;o posso continuar uma nuvem flutuando no c&eacute;u?&#8221; Assim a raiva e o medo podem surgir na nuvem e podem faz&ecirc;-la muito infeliz; mas se a nuvem for bastante inteligente, se a nuvem sabe olhar profundamente para sua verdadeira natureza, ent&atilde;o pode praticar o Come&ccedil;ar Novamente. Esta noite tamb&eacute;m &eacute; uma oportunidade de renascer, e esta &eacute; uma prepara&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s n&atilde;o dever&iacute;amos nos prender a qualquer forma, porque ser uma nuvem que flutua no c&eacute;u &eacute; maravilhoso, mas ser a chuva que cai na montanha ou no rio, nas &aacute;rvores e na grama &eacute; tamb&eacute;m uma coisa maravilhosa. At&eacute; mesmo sentir excita&ccedil;&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, sentir esperan&ccedil;a &eacute; poss&iacute;vel, sentir alegria &eacute; poss&iacute;vel quando morremos. Sabemos que existem pessoas que s&atilde;o capazes de morrer de um modo muito calmo e feliz. Eu j&aacute; vi pessoas morrendo com contentamento, com felicidade, com uma sensa&ccedil;&atilde;o de realiza&ccedil;&atilde;o, e que n&atilde;o consideravam sua morte como o fim de algo, de sua vida. Elas foram capazes de olhar profundamente a natureza da vida, e se emanciparam das no&ccedil;&otilde;es de ser e n&atilde;o-ser. Existem pessoas que se sentam na soleira de suas casas, olham as crian&ccedil;as brincando no jardim sob os raios de sol da manh&atilde;, assistem seus netos brincando felizes. E quando elas olham desta forma, repentinamente se tornam os seus netos. Elas se v&ecirc;em brincando na grama sob os raios de sol da manh&atilde;. Elas v&ecirc;em sua pr&oacute;pria continua&ccedil;&atilde;o em seus netos. Elas sabem que fizeram tudo o que podiam fazer para que estas crian&ccedil;as fossem felizes, fossem bem preparadas para entrar na vida. Elas est&atilde;o prontas para come&ccedil;ar novamente. J&aacute; come&ccedil;aram novamente, e podem se ver em novas formas de vida. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Claro que durante as suas vidas elas cometeram alguns enganos. Porque somos seres humanos, n&atilde;o podemos evitar cometer enganos. N&oacute;s poderemos ter feito outras pessoas sofrerem, poderemos ter magoado nossos entes queridos, e sentimos pesar. Mas &eacute; sempre poss&iacute;vel a n&oacute;s come&ccedil;armos novamente, e transformarmos todos estes tipos de engano. Sem cometer enganos n&atilde;o h&aacute; nenhum modo de aprendermos formas de ser uma pessoa melhor, aprendermos a ser tolerantes, ser compassivos, ser amorosos, ser tolerantes. Eis porque os erros t&ecirc;m um papel em nosso treinamento, em nossa aprendizagem, e n&oacute;s n&atilde;o devemos ficar presos na pris&atilde;o da culpabilidade apenas porque cometemos enganos em nossas vidas. Se voc&ecirc; pode aprender com seus erros, ent&atilde;o j&aacute; transformou o lixo em uma flor, para sua pr&oacute;pria alegria, para a alegria de seus antepassados, para a alegria das gera&ccedil;&otilde;es futuras, e tamb&eacute;m para a alegria da pessoa que foi v&iacute;tima de sua ignor&acirc;ncia e sua falta de habilidade. Muito freq&uuml;entemente n&oacute;s agimos com muita grosseria, n&atilde;o porque quisemos magoar aquela pessoa, ou destru&iacute;-la, ou porque quer&iacute;amos que ele ou ela sofresse. N&oacute;s fomos grosseiros, eis tudo. Eu sempre gosto de pensar em nosso comportamento em termos dele ser mais ou menos h&aacute;bil, em lugar de ser em termos de bom ou mau. Se voc&ecirc; &eacute; h&aacute;bil, pode evitar fazer sofrer a si mesmo, e fazer outra pessoa sofrer. Se h&aacute; algo que voc&ecirc;s queiram falar para uma outra pessoa, ent&atilde;o sim, voc&ecirc;s devem falar, mas existem modos de dizer isso que far&atilde;o a outra pessoa sofrer, e far&atilde;o voc&ecirc;s mesmos sofrerem. Mas h&aacute; maneiras de dizer o que &eacute; preciso que n&atilde;o fariam a outra pessoa sofrer, e voc&ecirc;s tamb&eacute;m. Assim o problema n&atilde;o &eacute; falar ou n&atilde;o falar o que est&aacute; em seu cora&ccedil;&atilde;o, o problema &eacute; como dizer isto de forma que o sofrer n&atilde;o estar&aacute; l&aacute;. Eis por que esta &eacute; uma forma de arte, e de nossa pr&aacute;tica tamb&eacute;m. Sua boa vontade n&atilde;o &eacute; suficiente para a pr&aacute;tica &#8212; voc&ecirc;s tem que ser h&aacute;beis em sua pr&aacute;tica. Caminhando, comendo, respirando, falando, trabalhando, voc&ecirc;s deveriam aprender a arte de viver atentos, porque se voc&ecirc;s forem bons artistas, poder&atilde;o criar muita felicidade e alegria ao seu redor e dentro de si; mas se voc&ecirc;s possuem apenas sua boa vontade, se apenas contam com sua boa vontade, esta n&atilde;o ser&aacute; suficiente porque com boa vontade podemos causar muito sofrimento. Como um pai, como uma m&atilde;e, como uma filha, como um filho, podemos estar cheios de boa vontade, podemos estar motivados pelo desejo de fazer a outra pessoa feliz, mas em raz&atilde;o de nossa falta de jeito os fazemos infelizes. Por isso viver atentamente &eacute; uma arte, e cada um de n&oacute;s precisamos treinar como ser um artista. Em vez de dizer a algu&eacute;m, &#8220;voc&ecirc; est&aacute; certo ou errado&#8221; que &eacute; uma coisa muito dura de se ouvir, poder&iacute;amos dizer, &#8220;voc&ecirc; &eacute; mais h&aacute;bil ou menos h&aacute;bil&#8221;. Em nossas Cinco Contempla&ccedil;&otilde;es antes de comer dizemos que queremos estar conscientes de nossos estados de inabilidade mental, em vez de dizer que queremos estar atentos aos nossos estados mentais maus. Inabilidade &#8211; se voc&ecirc; est&aacute; com raiva ouu se tem ci&uacute;mes, isto &eacute; apenas inabilidade. Porque somos assim in&aacute;beis, raiva e ci&uacute;me se tornam forma&ccedil;&otilde;es mentais. Voc&ecirc;s sabem que aquela a&ccedil;&atilde;o, aquela senten&ccedil;a, se pudermos faz&ecirc;-la ou se pudermos pronunci&aacute;-la com arte, elas ajudar&atilde;o a outras pessoas, e nos ajudar&atilde;o tamb&eacute;m. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Todos n&oacute;s temos que aprender a arte de viver. E se voc&ecirc;s tem a chance de possu&iacute;rem pais, amigos e professores que sejam h&aacute;beis na arte de viver conscientes, ent&atilde;o podem aprender [com eles], poder&atilde;o fazer muitas pessoas ao seu redor felizes, e portanto voc&ecirc;s se far&atilde;o felizes. Mas se voc&ecirc;s n&atilde;o tiverem esta sorte, n&atilde;o poder&atilde;o aprender esta arte de seus pais ou de seus irm&atilde;os e irm&atilde;s, ou seus amigos, e continuar&atilde;o sendo grosseiros, e far&atilde;o as pessoas ao seu redor infelizes, e voc&ecirc;s mesmos infelizes. Se sabemos olhar as coisas deste &acirc;ngulo, j&aacute; estaremos sofrendo muito menos. Aquela pessoa que me causou muito sofrimento s&oacute; porque foi in&aacute;bil, ela n&atilde;o soube o que disse, ele n&atilde;o soube o que fez. E n&oacute;s sabemos que nossos pais est&atilde;o cheios de amor por n&oacute;s, eles s&oacute; querem nossa felicidade, mas devido a sua inabilidade eles nos fazem sofrer muito. E n&oacute;s tamb&eacute;m temos nosso amor por nossos pais, n&atilde;o queremos que eles sofram, mas nosso modo de a&ccedil;&atilde;o ou rea&ccedil;&atilde;o podem faz&ecirc;-los sofrer terrivelmente. Assim a quest&atilde;o aqui n&atilde;o &eacute; de boa vontade, &eacute; uma quest&atilde;o de arte. Medita&ccedil;&atilde;o andante &eacute; uma arte. Voc&ecirc;s podem dar passos que criam estabilidade e alegria, e isso ir&aacute; nutri-los a cada momento, mas n&atilde;o se voc&ecirc;s apenas agirem com boa vontade. &#8220;Eu praticarei a medita&ccedil;&atilde;o andante!&#8221; E ent&atilde;o fica torna-se r&iacute;gido e muito s&eacute;rio, n&atilde;o desfrutando cada passo que der. Voc&ecirc;s precisam se permitir ser natural, ser relaxado. Tem que aprender a se permitir respirar naturalmente, permita relaxar seu rosto, permita que seus p&eacute;s caminhem naturalmente; voc&ecirc;s sabem como coordenar seus passos com sua respira&ccedil;&atilde;o, e permitir que a natureza lhes d&ecirc; boas-vindas. Apenas alguns passos j&aacute; podem conduzi-los &agrave; Terra Pura do Buddha. Voc&ecirc;s caminham como artistas. Quando outras pessoas os v&ecirc;em caminhar, elas ficar&atilde;o inspiradas: &#8220;Que maravilha! Como aquela pessoa caminha belamente! Eu posso ver a estabilidade, a serenidade, a alegria&#8221;. E elas ficar&atilde;o inspiradas, e aprender&atilde;o a pr&aacute;tica. N&atilde;o &eacute; por escrever cartas ou dar palestras que n&oacute;s podemos ajudar outras pessoas a ter contato com o Dharma. Talvez por causa de nossa vontade [exagerada] de ensinar, de compartilhar com elas nossa pr&aacute;tica, aquela pessoa ir&aacute; querer ficar longe de n&oacute;s. Assim deve haver uma arte para que possamos compartilhar o Dharma e a vida espiritual com as pessoas que n&oacute;s amamos. Na &Aacute;sia, o Budismo &eacute; a pr&aacute;tica de fam&iacute;lias inteiras. Sup&otilde;e-se que todo o mundo na fam&iacute;lia seja um budista. Mas no Ocidente pode acontecer que apenas um membro da fam&iacute;lia esteja ligado &agrave; pr&aacute;tica consciente, mas os outros membros da fam&iacute;lia n&atilde;o sabem nada sobre isto e at&eacute; mesmo acham a pr&aacute;tica muito estranha. E se voc&ecirc;s n&atilde;o forem h&aacute;beis em sua pr&aacute;tica, se alienar&atilde;o do resto da fam&iacute;lia. Assim voc&ecirc;s tem que aprender a praticar de tal modo que sua pr&aacute;tica inspirar&aacute; as pessoas ao seu redor. Temos que praticar n&atilde;o estando apegados &agrave; forma da pr&aacute;tica. Voc&ecirc;s podem praticar de tal maneira que as pessoas n&atilde;o percebam sua pr&aacute;tica. Podem caminhar de tal modo que as pessoas percebam que voc&ecirc;s s&atilde;o muito naturais, muito relaxados, muito joviais. Existem pessoas que praticam uma medita&ccedil;&atilde;o andante que anula o ser: &eacute; muito s&eacute;ria, muito dura, nada natural. E se voc&ecirc;s praticam Budismo de tal forma, n&atilde;o ajudar&atilde;o as pessoas em sua fam&iacute;lia. Pratiquem de forma que cada dia voc&ecirc;s fiquem mais tranq&uuml;ilos e sorriam mais, ficando mais abertos. Ent&atilde;o um dia a pessoa que vive ao seu lado ficar&aacute; inspirada para perguntar, &#8220;Como voc&ecirc; pode fazer isto? Numa situa&ccedil;&atilde;o como esta, como ainda pode sorrir? Qual &eacute; seu segredo?&#8221; Este &eacute; o momento em que voc&ecirc;s podem compartilhar sua pr&aacute;tica &#8211; mas n&atilde;o antes. Voc&ecirc;s n&atilde;o podem impor sua pr&aacute;tica aos outros. Esta &eacute; uma arte. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">(Sino) <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Sabemos que a ess&ecirc;ncia do ensinamento de Buddha &eacute; o n&atilde;o-eu. Isto &eacute; algo que as pessoas acham muito dif&iacute;cil de aceitar, porque todo o mundo acredita que existe um Eu, e que voc&ecirc; &eacute; voc&ecirc; mesmo, n&atilde;o outra pessoa. Mas com a pr&aacute;tica de observa&ccedil;&atilde;o profunda, vemos as coisas de modo diferente. Voc&ecirc; se v&ecirc; como pessoa, um ser humano; voc&ecirc; diz que n&atilde;o &eacute; uma &aacute;rvore, n&atilde;o &eacute; um esquilo, e n&atilde;o &eacute; uma r&atilde;. Voc&ecirc; n&atilde;o &eacute; outra pessoa. Isso acontece porque n&atilde;o observamos profundamente a nossa verdadeira natureza. Se n&oacute;s fazemos, veremos que somos ao mesmo tempo uma &aacute;rvore. Isso n&atilde;o quer dizer apenas que em nossas vidas passadas fomos uma &aacute;rvore ou uma pedra ou uma nuvem, mas que at&eacute; mesmo nesta vida, neste mesmo momento, voc&ecirc;s continuam sendo uma &aacute;rvore, voc&ecirc;s continuam sendo uma pedra, voc&ecirc;s continuam sendo uma nuvem. De fato voc&ecirc;s n&atilde;o podem tirar a &aacute;rvore de voc&ecirc;s, n&atilde;o podem tirar a nuvem de voc&ecirc;s, n&atilde;o podem tirar a pedra de voc&ecirc;s, porque se pudessem, n&atilde;o poderiam mais ser voc&ecirc;s mesmos. Nos contos de Jataka &eacute; dito que em vidas passadas o Buddha tinha sido um esquilo, um p&aacute;ssaro, cervo, um elefante, uma &aacute;rvore. &Eacute; muito po&eacute;tico, mas n&atilde;o significa que quando o Buddha era uma pessoa humana que mora na cidade de Sravasti, n&atilde;o era mais uma &aacute;rvore, uma pedra, um cervo. Ele continuou sendo tudo isso. Assim quando eu olho para mim mesmo, vejo que ainda sou uma nuvem, n&atilde;o s&oacute; durante uma vida passada, mas agora mesmo. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">H&aacute; uma senhora que escreveu um poema sobre o marido dela que &eacute; um estudante meu. Aquele estudante &eacute; muito apaixonado por meu ensinamento. E ela disse, &#8220;Meu marido tem uma amante, e sua amante &eacute; um homem velho que &agrave;s vezes sonha em ser uma nuvem&#8221;. Eu n&atilde;o penso que descri&ccedil;&atilde;o de mim est&aacute; correta, porque n&atilde;o estou sonhando em ser uma nuvem &#8211; eu sou uma nuvem. Neste mesmo momento voc&ecirc;s n&atilde;o podem tirar a nuvem de mim; se tirassem a nuvem, eu desmoronaria imediatamente. Voc&ecirc;s n&atilde;o podem tirar a &aacute;rvore de mim; se o fizessem, eu desmoronaria. Olhando profundamente em nossa verdadeira natureza assim, vemos que o que chamamos Eu &eacute; feito apenas de elementos de n&atilde;o-eu. Esta &eacute; uma pr&aacute;tica muito importante, e n&atilde;o parece t&atilde;o dif&iacute;cil quanto podemos imaginar. Assim voc&ecirc; &eacute; o filho, mas n&atilde;o s&oacute; &eacute; o filho, voc&ecirc; &eacute; o pai. Se tiram o pai de voc&ecirc;s mesmos, ir&atilde;o desmoronar. Voc&ecirc;s s&atilde;o a continua&ccedil;&atilde;o de seu pai, de sua m&atilde;e, de seus antepassados. Isso &eacute; n&atilde;o-eu. O filho &eacute; feito de pai, o pai &eacute; feito de filho, e assim por diante. E a pr&aacute;tica &eacute; que diariamente temos a oportunidade de olhar para as coisas deste modo &#8212; caso contr&aacute;rio vivemos de um modo muito superficial, e n&atilde;o obtemos o cora&ccedil;&atilde;o da vida. Um homem jovem pode dizer, &#8220;eu odeio meu pai. Eu n&atilde;o quero ter qualquer coisa a ver com meu pai&#8221;. Ele &eacute; muito sincero, porque toda vez que pensa em seu pai, a raiva surge. &Eacute; muito desagrad&aacute;vel, portanto ele quer se separar de seu pai, e est&aacute; determinado a fazer isso. Mas como tal uma coisa pode ser poss&iacute;vel? Como &eacute; poss&iacute;vel tirar seu pai de voc&ecirc;s? A dura realidade &eacute; que voc&ecirc;s s&atilde;o seu pai. Melhor seria reconciliar com o seu pai interior. N&atilde;o h&aacute; nenhum outro modo. Voc&ecirc;s podem se comportar como aquele jovem quando acreditam na realidade de um Eu, mas no momento em que virem a verdadeira natureza do eu, voc&ecirc;s j&aacute; n&atilde;o poder&atilde;o se comportar assim. Voc&ecirc;s sabem que o &uacute;nico modo &eacute; aceitar, reconciliar e transformar. Voc&ecirc;s sabem que &eacute; o preconceito, a ignor&acirc;ncia em voc&ecirc;s que causam todo o sofrimento. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O outro dia a Monja Phuoc Nghiem praticou o &#8220;Tocando a Terra&#8221; sozinha no sal&atilde;o de medita&ccedil;&atilde;o para rezar pela sua av&oacute;. Ela tamb&eacute;m tinha pedido que todas as suas irm&atilde;s mais velhas e as irm&atilde;s mais jovens se juntassem para poderem rezar e enviar energias &agrave; sua av&oacute; que tinha falecido, mas ela tamb&eacute;m praticou sozinha o tocar a terra. Durante o primeiro ano de pratica aqui ela pensava muito freq&uuml;entemente que algum dia um querido membro de sua fam&iacute;lia iria falecer, e como lidaria com isso. E toda vez que em Plum Village havia uma cerim&ocirc;nia de prece por algu&eacute;m falecido, aquele pensamento voltava: &#8220;Como lidarei com a situa&ccedil;&atilde;o ao saber que um membro de minha fam&iacute;lia faleceu? Ent&atilde;o um dia ela ouviu que o beb&ecirc; que a sua irm&atilde; tinha dado &agrave; luz tinha falecido poucas horas depois do nascimento, e que sua irm&atilde; sofreu muito. Sua irm&atilde; morava na Alemanha. E quando falou com ela, a Monja Phuoc Nghiem percebeu o sofrimento, a instabilidade e o desespero na voz da irm&atilde;. Por perceber sua irm&atilde; sofrendo, a Monja Phuoc Nghiem tamb&eacute;m sofreu, e tentou praticar de modo a sofrer menos, porque ela sabia que se n&atilde;o sofresse menos, n&atilde;o poderia ajudar a sua irm&atilde;. Ela telefonou para sua m&atilde;e no Vietnam, e a m&atilde;e disse, &#8220;Foi melhor assim do que criar a crian&ccedil;a durante dois ou tr&ecirc;s anos e ent&atilde;o a ver morrer depois, quando o sofrimento seria muito mais intenso. Porque ap&oacute;s dois ou tr&ecirc;s anos de cuidados por uma crian&ccedil;a, o apego ser&aacute; muito mais profundo, e &eacute; claro que o sofrimento seria muito maior. Assim, voc&ecirc; precisa considerar isto como uma ab&oacute;bora no jardim\u2026 h&aacute; flores que murcham e n&atilde;o se tornam uma ab&oacute;bora, e isso tamb&eacute;m &eacute; verdade com humanos. H&aacute; crian&ccedil;as que n&oacute;s podemos manter, e h&aacute; crian&ccedil;as que n&oacute;s n&atilde;o podemos manter desde o princ&iacute;pio. Isso &eacute; algo que acontece.&#8221; <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quando a Monja Phuoc Nghiem falou comigo, eu lhe contei a hist&oacute;ria sobre meu irm&atilde;o. Antes de eu viesse, minha m&atilde;e estava gr&aacute;vida, e ela abortou. &Agrave;s vezes eu me perguntava se aquele era meu irm&atilde;o ou era eu que n&atilde;o quis vir &agrave; luz, por julgar que o tempo n&atilde;o era apropriado para nascer. Isso tamb&eacute;m era uma medita&ccedil;&atilde;o sobre o eu e o n&atilde;o-eu. Quando eu dizia, &#8220;Era meu irm&atilde;o ou era eu?&#8221;, estava usando as palavras &#8220;irm&atilde;o&#8221; e &#8220;eu&#8221; como duas entidades separadas. Mas se n&oacute;s olhamos profundamente nisto, vemos que meu irm&atilde;o sou eu, e eu sou meu irm&atilde;o, assim voc&ecirc;s podem ver a realidade de n&atilde;o-um, n&atilde;o-dois nisto. Quando olhamos o pai e o filho e vemos a realidade n&atilde;o-dual&iacute;stica, a integra&ccedil;&atilde;o dos dois, poderemos ver a mesma coisa com nossos irm&atilde;os e n&oacute;s mesmos. Eu n&atilde;o posso tirar meu irm&atilde;o de mim, meu irm&atilde;o n&atilde;o me pode me tirar dele, assim meu irm&atilde;o e eu nos integramos. N&oacute;s n&atilde;o podemos dizer que somos um ou somos dois, porque um e dois s&atilde;o conceitos. &#8220;O mesmo&#8221; &eacute; um conceito, &#8220;o diferente&#8221; &eacute; outro conceito, e a realidade transcende todos os conceitos. O mesmo &eacute; aplicado com o pai e filho, o irm&atilde;o mais jovem e irm&atilde;o maior, e n&oacute;s podemos ver o fluxo da vida. Quando a Monja Phuoc Nghiem praticou o &#8220;Tocando a Terra&#8221; para sua av&oacute;, ela descobriu muitas coisas interessantes. Antes de fazer esta t&eacute;cnica ela estava praticando medita&ccedil;&atilde;o andante no Sunset Boulevard do Upper Hamlet vendo o vinhedo, os campos de trigo, estava caminhando e vendo que sua av&oacute; caminhava com ela. Ela se lembrou que quando era uma menina pequena sua av&oacute; costumava acalent&aacute;-la com cantigas vietnamitas. Durante seu primeiro e segundo anos como monja em Plum Village, ela pensava freq&uuml;entemente nos dias em que regressaria para o Vietnam e caminharia da mesma forma com a sua av&oacute;, a qual amava tanto. Ela teve bons momentos com sua av&oacute;. Ela disse que agora n&atilde;o tem mais que esperar &#8212; sua av&oacute; veio para c&aacute; e est&aacute; fazendo medita&ccedil;&atilde;o andante com ela, e que sua av&oacute; estaria contente ao ver os campos de trigo, porque eles se parecem muito com os campos de arroz do Vietnam. Enquanto ela praticava o &#8220;Tocando a Terra&#8221; viu que sua av&oacute; tamb&eacute;m praticou o Tocando a Terra antes, mas que era a primeira vez que ela praticava o Tocando a Terra da maneira do Plum Village. No estilo de Plum Village voc&ecirc; fica na posi&ccedil;&atilde;o de Tocar a Terra por muito tempo, pelo menos tr&ecirc;s inspira&ccedil;&otilde;es e tr&ecirc;s expira&ccedil;&otilde;es, e ela achou maravilhoso que a sua av&oacute; estivesse praticando o Tocando a Terra no estilo do Plum Village consigo. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Ela olhou a sua m&atilde;o e disse, &#8220;Esta &eacute; minha m&atilde;o, mas esta tamb&eacute;m &eacute; a m&atilde;o de minha m&atilde;e, e esta &eacute; a m&atilde;o de minha av&oacute;&#8230;&#8221; Assim ela p&ocirc;de ver a presen&ccedil;a da sua av&oacute; na sua m&atilde;o esquerda, e ent&atilde;o apertou sua m&atilde;o esquerda com sua m&atilde;o direita, e sentiu muito claramente que estava segurando a m&atilde;o da sua av&oacute;. Isto foi algo muito real, e n&atilde;o imagina&ccedil;&atilde;o. E ela chorou por causa daquela felicidade. Ela n&atilde;o mais sentia que estava separada da sua av&oacute;, a sua av&oacute; est&aacute; dentro dela e est&aacute; praticando com ela, e qualquer sorriso que ela der ser&aacute; para liberar a si mesma e liberar a sua av&oacute; ao mesmo tempo. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">De forma que esta &eacute; uma boa pr&aacute;tica: voc&ecirc;s podem ver a natureza da integra&ccedil;&atilde;o entre voc&ecirc;s e suas av&oacute;s. &Eacute; o mesmo quando eu olho para mim e vejo a natureza de integra&ccedil;&atilde;o entre a nuvem e eu. A nuvem e eu n&atilde;o podemos ser afastados um do outro. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O que voc&ecirc;s fizeram no passado devido &agrave; sua inabilidade tamb&eacute;m &eacute; assim. Se no passado voc&ecirc;s fizeram algo equivocado, isso foi devido a muitas condi&ccedil;&otilde;es: voc&ecirc;s n&atilde;o tiveram um pai que poderia ajud&aacute;-los naquele momento; n&atilde;o tiveram uma m&atilde;e ou um professor para os ajudarem naquele momento a serem mais h&aacute;beis de que eram; e a semente daquela falta de habilidade foi transmitida a voc&ecirc;s por muitas gera&ccedil;&otilde;es. Voc&ecirc;s n&atilde;o puderam reconhecer aquela semente em si; cometeram um engano; fizeram coisas equivocadas. Isso significa que todos os seus antepassados fizeram isto junto com voc&ecirc;s naquele momento. Olhando a partir do insight (discernimento) do n&atilde;o-eu, voc&ecirc;s v&ecirc;em que todos estavam fazendo a coisa equivocada que voc&ecirc;s fizeram, junto com voc&ecirc;s. Voc&ecirc;s tem que perceber isto, e o essencial [para fazer isso] &eacute; que fiquem livres da no&ccedil;&atilde;o de eu. Est&aacute; claro que quando voc&ecirc;s podem inspirar conscientemente e sorrir, todas as gera&ccedil;&otilde;es de antepassados em voc&ecirc;s est&atilde;o sorrindo ao mesmo tempo. N&atilde;o s&oacute; seus antepassados, mas as gera&ccedil;&otilde;es futuras em voc&ecirc;s podem sorrir juntamente; portanto toda vez que cometerem um engano, toda vez que fizerem uma coisa equivocada, todos est&atilde;o fazendo-a com voc&ecirc;s. Agora que voc&ecirc;s est&atilde;o em contato com o Dharma, percebem que aquela era uma coisa equivocada a fazer, e ficam motivados pelo desejo de nunca fazer isto novamente. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Eu disse antes que se n&oacute;s n&atilde;o cometemos nenhum engano, n&atilde;o h&aacute; nenhum modo de aprendermos. De forma que &eacute; por olhar profundamente, e ver a natureza do ato, a natureza de integra&ccedil;&atilde;o do ato &agrave; luz do n&atilde;o-eu, que n&oacute;s vemos que aquele &eacute; um tipo de ato, aquele &eacute; um tipo de fala que criou sofrimento. O momento em que voc&ecirc;s percebem isto, quando reconhecem isto, &eacute; o Esclarecimento, porque Esclarecimento sempre &eacute; o esclarecimento de algo, ou sobre algo. O momento quando v&ecirc;em que esta &eacute; uma falta de habilidade de sua parte e de parte dos muitos antepassados que transmitiram esta semente a voc&ecirc;s, ent&atilde;o isto j&aacute; ser&aacute; o esclarecimento, j&aacute; ser&aacute; medita&ccedil;&atilde;o, j&aacute; ser&aacute; o olhar profundamente. E devido a este esclarecimento voc&ecirc;s s&atilde;o motivados por um desejo de que n&atilde;o gostariam de fazer o mesmo novamente. De forma que este desejo, esta aspira&ccedil;&atilde;o &eacute; uma energia forte, uma forte energia que pode faz&ecirc;-los vivos, que pode lhes ajudar a se protegerem, protegerem todas as gera&ccedil;&otilde;es futuras dentro de voc&ecirc;s, e aquele insight (discernimento) &eacute; muito libertador. E se voc&ecirc;s sabem que n&atilde;o v&atilde;o fazer a mesma coisa novamente, j&aacute; estar&atilde;o livres, e seus antepassados tamb&eacute;m est&atilde;o livres, e n&atilde;o h&aacute; nenhuma necessidade de serem presas em sentimentos de culpa. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">(Sino) <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O ensinamento budista sobre o Come&ccedil;ar Novamente &eacute; muito claro: &#8220;A inabilidade vem de nossa mente, e a inabilidade pode ser transformada por nossa mente. Se a transforma&ccedil;&atilde;o acontece em sua consci&ecirc;ncia, ent&atilde;o a inabilidade desaparecer&aacute; como uma realidade no mundo manifestado. A mente &eacute; como um pintor.&#8221; Este &eacute; o ensinamento de Buddha, que a mente &eacute; como um pintor. O pintor pode pintar qualquer coisa, e ele pode apagar tudo. Assim se no passado voc&ecirc;s pintaram algo de que n&atilde;o gostam, e se est&atilde;o determinados a n&atilde;o pintar isto novamente, ent&atilde;o apaguem tudo. Isso depende de sua mente, sua consci&ecirc;ncia. Se h&aacute; luz, h&aacute; esclarecimento em sua consci&ecirc;ncia, h&aacute; uma forte determina&ccedil;&atilde;o, a consci&ecirc;ncia de que &#8220;Isto &eacute; algo negativo, &eacute; algo prejudicial, n&atilde;o &eacute; algo ben&eacute;fico, e eu estou determinado a n&atilde;o permitir isto acontecer novamente,&#8221; e ent&atilde;o a mente &eacute; transformada. E quando a mente &eacute; transformada, a libera&ccedil;&atilde;o j&aacute; estar&aacute; l&aacute; para voc&ecirc;s e todos os seus antepassados, e se voc&ecirc;s ainda est&atilde;o pegados &agrave;quele sentimento de culpa ser&aacute; porque voc&ecirc;s n&atilde;o fizeram o trabalho de Come&ccedil;ar Novamente, e isto significa que voc&ecirc;s n&atilde;o praticaram a observa&ccedil;&atilde;o profunda de sua imaturidade, sua falta de habilidade. Se voc&ecirc;s o tivessem feito, ent&atilde;o veriam que muitas condi&ccedil;&otilde;es surgiram para que aquela a&ccedil;&atilde;o ou aquela senten&ccedil;a fosse poss&iacute;vel. E agora, com seu esclarecimento, com sua determina&ccedil;&atilde;o, voc&ecirc;s jamais permitir&atilde;o que estas condi&ccedil;&otilde;es venham a juntar-se novamente para repetir a mesma coisa. Sua consci&ecirc;ncia, seu esclarecimento, &eacute; o elemento que prevenir&aacute; estas condi&ccedil;&otilde;es de se juntarem novamente. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Se sua pr&aacute;tica do Come&ccedil;ar Novamente n&atilde;o tiver &ecirc;xito, ser&aacute; porque sua capacidade de olhar profundamente na realidade da situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi profunda o bastante, pois n&atilde;o houve nenhuma transforma&ccedil;&atilde;o dentro de sua consci&ecirc;ncia, ou dentro da consci&ecirc;ncia de seu companheiro, a outra pessoa. N&atilde;o &eacute; porque o m&eacute;todo n&atilde;o seja efetivo, mas porque voc&ecirc;s realmente n&atilde;o o praticaram. A pr&aacute;tica do Come&ccedil;ar Novamente &eacute; transformar sua mente profundamente, e para adquirir tal transforma&ccedil;&atilde;o, voc&ecirc;s precisam observar muito profundamente, na luz da integra&ccedil;&atilde;o do ser. Eu sempre falo para meus estudantes que tudo o que voc&ecirc;s fazem, eu fa&ccedil;o com voc&ecirc;s, ent&atilde;o por favor tenham cuidado. Isso &eacute; verdade; e tudo o que eu fa&ccedil;o, voc&ecirc; fazem comigo. Se eu quebro os preceitos, se eu me comporto de um modo irrespons&aacute;vel, todos meus estudantes suportar&atilde;o os frutos [destes atos], isto &eacute; &oacute;bvio. Assim eu n&atilde;o posso agir de forma a faz&ecirc;-los sofrer. Essa &eacute; uma energia muito forte que me mant&eacute;m na pr&aacute;tica correta, porque eu sei muito bem que se n&atilde;o estiver atento, se n&atilde;o estiver praticando corretamente, todos meus estudantes, meus disc&iacute;pulos, sofrer&atilde;o. A mesma coisa &eacute; verdade com meus disc&iacute;pulos: se eles n&atilde;o praticam atitudes conscientes, se eles n&atilde;o praticam os preceitos, se eles fazem sofrer uns aos outros, eu sofro; Eu terei que assumir tudo, porque n&oacute;s estamos integrados. N&oacute;s n&atilde;o podemos estar separados. O professor n&atilde;o pode ser professor sem estudantes, e os estudantes n&atilde;o podem ser estudantes sem um professor. Assim se o Come&ccedil;ar Novamente n&atilde;o trouxer o resultado desejado, &eacute; porque voc&ecirc;s n&atilde;o o fizeram a fundo. Voc&ecirc;s podem ter tentado faz&ecirc;-lo falando de um modo ou de outro, mas n&atilde;o viram profundamente que voc&ecirc;s e as outras pessoas inter-existem. Se percebessem assim, o resultado viria imediatamente. Quando eu estava na It&aacute;lia, realizamos um retiro n&atilde;o longe de Roma e fomos para um campo de oliveiras. Eu notei que as oliveiras estavam crescendo em grupos de tr&ecirc;s ou quatro, e fiquei surpreendido. Mas descobri que tinha havido um ano muito frio e todas as oliveiras tinham morrido, por isso eles tinham cortado todas as &aacute;rvores ao n&iacute;vel do solo e trouxeram mais terra, e no ano seguinte novas oliveiras surgiram. De uma oliveira, havia agora duas ou tr&ecirc;s ou quatro &aacute;rvores de azeitona. E eu dei uma palestra de Dharma &agrave;s crian&ccedil;as na It&aacute;lia, e disse que voc&ecirc;s e seus irm&atilde;os e irm&atilde;s pensam que s&atilde;o tr&ecirc;s, mas de fato, se voc&ecirc;s tocam suas ra&iacute;zes profundamente ver&atilde;o que s&atilde;o um s&oacute;. Assim ficar bravo com sua irm&atilde; ou seu irm&atilde;o est&aacute; errado; ao contr&aacute;rio, voc&ecirc;s tem que ajudar a ele ou a ela, porque ajud&aacute;-los &eacute; ajudar a si mesmo. Esta foi a maneira em que ensinei o &#8220;n&atilde;o-eu&#8221; &agrave;s crian&ccedil;as, e elas entenderam imediatamente. Havia uma pequena menina que n&atilde;o gostava do seu irm&atilde;o, e como estava <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">assistindo muita televis&atilde;o, tinha a tend&ecirc;ncia de eliminar o que ela n&atilde;o gostava. E um dia ela disse, &#8220;Por que n&oacute;s n&atilde;o eliminamos o irm&atilde;o mais jovem?&#8221; Isto foi muito perigoso. Voc&ecirc; n&atilde;o gosta de seu irm&atilde;o mais novo, deseja que seu irm&atilde;o mais novo desapare&ccedil;a, e imagina que pode fazer isto facilmente, como usar um controle remoto. Mas depois da palestra de Dharma que eu falei para ela, e os ensinamentos dados por alguns irm&atilde;os e irm&atilde;s que me acompanharam, a menina foi para casa e transformou-se. E um dia ela disse para seu irm&atilde;o, &#8220;Irm&atilde;o, eu estou aqui por voc&ecirc;. Do que precisa? Eu farei para voc&ecirc;.&#8221; Assim sabedoria e esclarecimento s&atilde;o poss&iacute;veis at&eacute; mesmo com crian&ccedil;as muito jovens. Se voc&ecirc;s tocam o solo do Ser profundamente, achar&atilde;o a natureza da integra&ccedil;&atilde;o dos seres, e sentir&atilde;o que &eacute; muito melhor ajudar a outra pessoa do que estar bravo com ela e puni-la, porque quando castigam voc&ecirc;s se castigam de alguma forma. Imagine um pai e filho que sempre tentam machucar um ao outro: ambos sofrem, e continuam sofrendo. Durante a Guerra de Vietnam havia um soldado americano que se tornou muito bravo porque a maioria dos soldados de sua unidade foram mortos em uma emboscada por guerrilheiros vietnamitas; isso aconteceu em uma aldeia na zona rural, assim devido a sua ira ele queria vingan&ccedil;a. Ele queria matar v&aacute;rias pessoas que pertenciam &agrave;quela aldeia. Assim pegou uma bolsa de sandu&iacute;ches, misturou p&oacute;lvora de explosivos neles e os deixou &agrave; entrada da aldeia. Ele viu as crian&ccedil;as saindo e levando os sandu&iacute;ches alegremente pensando que algu&eacute;m tinha deixado estes sandu&iacute;ches deliciosos por ali, e comeram juntas, divertindo-se muito. E apenas meia hora depois ele viu-as come&ccedil;arem a mostrar sinais de dor. Seus pais, m&atilde;es e irm&atilde;s vieram, e tentaram ajudar, lhes dando massagem e medicamentos, mas o soldado americano que tinha se escondido n&atilde;o muito longe de l&aacute;, sabia muito bem que n&atilde;o havia nenhum modo de salvar aquelas crian&ccedil;as, e que elas morreriam. Sabia que at&eacute; mesmo se elas tivessem um carro para transportar as crian&ccedil;as para o hospital, seria muito tarde. Devido &agrave; raiva ele fez essas coisas. Se a raiva for muito forte em n&oacute;s, somos capazes de fazer qualquer coisa, at&eacute; mesmo as coisas mais cru&eacute;is. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quando ele regressou para a Am&eacute;rica, sofreu por causa disso: aquela cena lhe aparecia nos seus sonhos, e ele nunca p&ocirc;de esquecer aquilo. A qualquer hora durante o dia, se ele se visse s&oacute; em uma sala com crian&ccedil;as, n&atilde;o era capaz de ficar, e tinha que sair imediatamente do lugar. Ele n&atilde;o p&ocirc;de falar sobre aquilo com ningu&eacute;m exceto &agrave; sua m&atilde;e, que disse &#8220;Bem, era uma guerra e em uma guerra voc&ecirc; n&atilde;o pode evitar que estas coisas aconte&ccedil;am.&#8221; Mas isso n&atilde;o o ajudou, at&eacute; que ele foi a um retiro organizado pelo Plum Village na Am&eacute;rica do Norte. Durante muitos dias ele n&atilde;o p&ocirc;de falar para as pessoas a sua hist&oacute;ria. Era um retiro muito dif&iacute;cil. N&oacute;s nos sentamos em c&iacute;rculos de cinco ou seis pessoas, e convid&aacute;vamos as pessoas a falar sobre o seus sofrimentos, mas haviam aqueles que se sentavam l&aacute; impossibilitados de abrir suas bocas. Havia veteranos de guerra que estavam profundamente feridos internamente, e o medo e desespero ainda estavam l&aacute;. Quando n&oacute;s fizemos a medita&ccedil;&atilde;o andante eu vi um ou dois andando muito para atr&aacute;s, pelo menos vinte metros atr&aacute;s de n&oacute;s. Eu n&atilde;o entendi por que eles n&atilde;o se aproximavam, mas caminhavam t&atilde;o longe assim. Quando algu&eacute;m os inquiriu, descobriram que estes ex-soldados tinham medo de serem emboscados. Assim eles caminhavam muito atr&aacute;s de forma que, se algo acontecesse, teriam bastante espa&ccedil;o para fugir. Um dos veteranos de guerra montou uma barraca na selva, e para aplacar seu medo montou armadilhas ao redor de sua barraca. Isto aconteceu no retiro da Am&eacute;rica do Norte\u2026 ele sempre tinha os guerrilheiros ao seu redor, e dentro dele, prontos para mat&aacute;-lo a qualquer hora. Finalmente aquele americano, veterano da Guerra do Vietnam, p&ocirc;de nos falar de sua hist&oacute;ria sobre os explosivos postos nos sandu&iacute;ches. Era muito bom para ele poder falar sobre isto, especialmente na frente de vietnamitas, seus inimigos anteriores. Eu lhe dei uma prescri&ccedil;&atilde;o. Eu tive uma entrevista privada com ele, e disse, &#8220;Agora olhe, voc&ecirc; matou cinco crian&ccedil;as, sim. E isso n&atilde;o &eacute; uma coisa boa para fazer, sim. Mas voc&ecirc; n&atilde;o sabe que muitas crian&ccedil;as est&atilde;o morrendo neste mesmo momento, em todos lugares, at&eacute; mesmo na Am&eacute;rica, por causa de falta de medicamento, de comida? Voc&ecirc; sabe que 40,000 crian&ccedil;as morrem diariamente no mundo, s&oacute; pela falta de medicamento e comida? E voc&ecirc; est&aacute; vivo, voc&ecirc; est&aacute; fisicamente s&oacute;lido. Por que voc&ecirc; n&atilde;o usa sua vida para ajudar as crian&ccedil;as que est&atilde;o morrendo neste momento? Por que fica preso nas cinco crian&ccedil;as que morreram no passado? H&aacute; muitos caminhos\u2026 se voc&ecirc; quiser, eu lhe contarei como salvar cinco crian&ccedil;as hoje. H&aacute; crian&ccedil;as que precisam de apenas um pacote de medicamento para serem salvas, e voc&ecirc; pode ser aquele que trar&aacute; este pacote de medicamento para eles ou elas. Se voc&ecirc; praticar diariamente desta maneira, as crian&ccedil;as que morreram por causa dos explosivos sorrir&atilde;o em voc&ecirc;, porque estas cinco crian&ccedil;as ter&atilde;o participado de seu trabalho de salvar muitas crian&ccedil;as que est&atilde;o morrendo neste mesmo momento &#8220;. Assim, a porta foi aberta, de forma que o homem n&atilde;o mais se viu apanhado pelo sentimento de culpa. Isso &eacute; o amrita, a ambrosia da compaix&atilde;o, de sabedoria, oferecida pelo Buddha: sempre h&aacute; uma sa&iacute;da. De forma que aquele veterano de guerra praticou e p&ocirc;de ajudar muitas outras crian&ccedil;as no mundo. Ele regressou ao Vietnam, fez o trabalho de reconcilia&ccedil;&atilde;o, e as cinco crian&ccedil;as que morreram come&ccedil;aram a sorrir dentro dele e se tornaram unas com ele. No princ&iacute;pio foi uma imagem infeliz, mas agora as cinco crian&ccedil;as ficaram vivas, se tornaram a energia que lhe ajuda a viver com compaix&atilde;o, com compreens&atilde;o. O lixo pode ser transformado em flores se n&oacute;s sabemos como faz&ecirc;-lo. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Se voc&ecirc; &eacute; uma pessoa que foi abusada sexualmente quando crian&ccedil;a, e se sofreu com isso, voc&ecirc; tamb&eacute;m pode praticar para curar sua ferida, de modo muito semelhante. O que voc&ecirc; deve fazer est&aacute; descrito muito claramente nos Cinco Treinamentos de Consci&ecirc;ncia: &#8220;Eu me comprometo a proteger a integridade e a seguran&ccedil;a de fam&iacute;lias e casais. Eu me comprometo a fazer o meu melhor para proteger as crian&ccedil;as do abuso sexual.&#8221; Isso &eacute; algo que voc&ecirc;s podem fazer. E se voc&ecirc; faz o voto na frente do Sangha, do Buddha, e do Dharma, de dedicar sua vida para proteger crian&ccedil;as que est&atilde;o sendo amea&ccedil;adas agora neste mesmo momento, sua ferida de inf&acirc;ncia ser&aacute; curada. Voc&ecirc; adquirir&aacute; muita alegria, e seu sofrimento ser&aacute; transformado em uma flor. Se voc&ecirc; n&atilde;o tivesse sofrido daquela forma talvez n&atilde;o se tornasse um protetor de crian&ccedil;as, como voc&ecirc; &eacute; hoje. Assim voc&ecirc; olha seu sofrimento no passado e fica grato a isto, grato que aconteceu, pois assim voc&ecirc; p&ocirc;de se tornar um bodhisattva que protege as crian&ccedil;as. Esta &eacute; a coisa maravilhosa sobre o Dharma: o Dharma sempre oferece uma sa&iacute;da, contanto que voc&ecirc; saiba olhar profundamente a natureza de seu sofrimento. N&atilde;o nenhuma necessidade de se apegar &agrave;quele sofrimento. Se ainda est&aacute; apegado, significa que voc&ecirc; n&atilde;o praticou a observa&ccedil;&atilde;o profunda, n&atilde;o permitiu que a energia de compaix&atilde;o em voc&ecirc; crescesse, para que assim voc&ecirc; se torne um instrumento do Dharma, um instrumento do Buddha. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">(Sino) <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Se voc&ecirc; ofendeu algu&eacute;m, se fez algu&eacute;m sofrer, aquela ferida ainda est&aacute; em voc&ecirc;. E se quer curar a ferida, pode praticar assim: sente-se quietamente e observe a natureza das palavras ou da a&ccedil;&atilde;o que voc&ecirc; fez no passado. Diga, &#8220;eu estou arrependido, eu fiz isto por ignor&acirc;ncia, por uma falta de compreens&atilde;o; eu era ignorante, ningu&eacute;m me ensinou. Eu lhe fiz sofrer, minha querida, e me fiz sofrer muito tamb&eacute;m, assim eu prometo que nunca farei isto novamente. E eu fa&ccedil;o isto por mim, por voc&ecirc;, e pelas muitas gera&ccedil;&otilde;es que vir&atilde;o.&#8221; Se puder fazer isto, ver&aacute; que a pessoa dentro de voc&ecirc; sorrir&aacute;. Normalmente n&oacute;s pensamos que o passado se foi, que n&atilde;o se pode regressar ao passado e mudar as coisas, mas isso n&atilde;o &eacute; verdade. Sempre h&aacute; uma sa&iacute;da, de acordo com o Dharma, porque de acordo com o Dharma o passado existe na forma do presente, porque a ferida ainda est&aacute; ali. Assim toque sua ferida profundamente, e diga, &#8220;Este foi um produto de uma falta de sabedoria, compaix&atilde;o, o produto da ignor&acirc;ncia. Eu posso ver seu efeito em mim, no mundo e nas outras pessoas, e estou empenhado no desejo de n&atilde;o permitir que isto aconte&ccedil;a novamente.&#8221; Este tipo de sabedoria, este tipo de luz, este tipo de determina&ccedil;&atilde;o, este tipo de amor, se torna uma fonte muito poderosa de energia que prevenir&aacute; o reagrupamento das condi&ccedil;&otilde;es para que a mesma coisa aconte&ccedil;a novamente. Apenas sente-se e respire quietamente, e diga a ele ou ela que voc&ecirc; est&aacute; arrependido e que n&atilde;o far&aacute; isto novamente, e faz isto por voc&ecirc; e por ele ou ela, e os ver&aacute; sorrindo para voc&ecirc;, e ficar&aacute; livre. E sua liberdade &eacute; a liberdade deles, sua liberdade &eacute; a liberdade de todos os seus antepassados, seus filhos e os filhos de outrem. Tudo vem da mente. Se a mente &eacute; transformada, tudo se transformar&aacute;. Este &eacute; o ensinamento do Come&ccedil;ar Novamente no Budismo. Na pr&aacute;tica n&oacute;s sempre regressamos para o Buddha, o Dharma e o Sangha, n&atilde;o como no&ccedil;&otilde;es mas como realidade. O Sangha &eacute; algo que voc&ecirc; pode tocar, que pode viver diariamente. O Dharma tamb&eacute;m, o Dharma vivo. O Dharma vivo &eacute; algo que voc&ecirc; pode produzir em todo passo que der, em toda respira&ccedil;&atilde;o que fizer, em todo minuto de medita&ccedil;&atilde;o, de trabalho. O Buddha disse, &#8220;que se tome ref&uacute;gio apenas no que &eacute; s&oacute;lido&#8221;. Existe uma ilha dentro [de n&oacute;s], e voc&ecirc;s devem regressar para esta ilha de consci&ecirc;ncia, nela tocando o Buddha, o Dharma e o Sangha, e n&atilde;o deveriam confiar em coisas que s&atilde;o impermanentes, que podem se desmoronar a qualquer momento. Se voc&ecirc;s tem uma convic&ccedil;&atilde;o forte no Dharma, n&atilde;o h&aacute; nenhuma raz&atilde;o para voc&ecirc;s terem medo de qualquer coisa. Para ter confian&ccedil;a no Dharma, voc&ecirc;s tem que ter &ecirc;xito na pr&aacute;tica. H&aacute; raiva, h&aacute; ci&uacute;me, h&aacute; confus&atilde;o, e porque voc&ecirc; oferece o Dharma como pr&aacute;tica, tem uma chance de transformar estas afli&ccedil;&otilde;es do passado, e devido a sua f&eacute;, sua confian&ccedil;a no Dharma aumenta muito. Isto &eacute; para seu benef&iacute;cio e o benef&iacute;cio de todos n&oacute;s. Portanto, tomar ref&uacute;gio no Dharma &eacute; muito importante. Voc&ecirc; j&aacute; n&atilde;o ter&aacute; nenhum medo. Se tomar ref&uacute;gio no Dharma, saber&aacute; que tudo o que lhe acontecer, poder&aacute; ser usado [a seu favor] para preservar sua paz, sua estabilidade. O Buddha disse tome ref&uacute;gio no Dharma e mais nada. Claro que, como um praticante voc&ecirc; precisa de um professor, precisa de um irm&atilde;o de Dharma, precisa de uma irm&atilde; de Dharma. Mas o que faz de um professor um professor &eacute; o Dharma. O que faz de um irm&atilde;o de Dharma um irm&atilde;o de Dharma, &eacute; o Dharma. Assim voc&ecirc; confia na subst&acirc;ncia do Dharma, e n&atilde;o apenas na presen&ccedil;a f&iacute;sica daquela pessoa que chama de professor, ou irm&atilde;o ou irm&atilde;. Se ele &eacute; seu irm&atilde;o no Dharma, &eacute; porque tem o Dharma em si. Se ele &eacute; seu professor de Dharma, &eacute; porque o Dharma habita nele. Assim se voc&ecirc; aprende como tomar ref&uacute;gio no Dharma, ent&atilde;o mesmo se n&atilde;o houver um professor , n&atilde;o houver um irm&atilde;o de Dharma, voc&ecirc; ainda estar&aacute; s&oacute;lido, n&atilde;o desmoronar&aacute;, porque &eacute; no Dharma que tomamos ref&uacute;gio, e n&atilde;o em qualquer outra coisa. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Suponha voc&ecirc; teve a experi&ecirc;ncia de um ataque de p&acirc;nico, ou uma depress&atilde;o; se voc&ecirc; adotou alguma pr&aacute;tica para superar aquele ataque de p&acirc;nico, aquela depress&atilde;o, saber&aacute; que possui o Dharma em si. Da pr&oacute;xima vez que aquilo acontecer poder&aacute; sorrir disto, porque saber&aacute; lidar com esta tormenta. Assim confiar no Dharma, e n&atilde;o confiar em qualquer outra coisa, &eacute; a recomenda&ccedil;&atilde;o feita pelo Buddha. Existem pessoas que perguntam como elas podem sobreviver sem uma casa, uma conta banc&aacute;ria, ou sem esta ou aquela pessoa, mas se voc&ecirc; tem confian&ccedil;a dentro de si, onde quer que v&aacute; poder&aacute; criar condi&ccedil;&otilde;es de viver, de tal modo que poder&aacute; contribuir para o bem-estar do mundo. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Havia uma senhora que era uma refugiada entre pessoas de um barco que chegou &agrave; costa da Tail&acirc;ndia, e ela foi roubada de todo o ouro que tinha trazido. Devido ao fato dos piratas de mar terem levado tudo dela &#8212; todos os seus pertences, o dinheiro, sua j&oacute;ias &#8212; ela s&oacute; ficou com uma min&uacute;scula pe&ccedil;a de ouro em sua boca. Ao chegar ela se perguntou, &#8220;Como eu posso sobreviver com apenas este pouco ouro?&#8221; Pr&oacute;ximo a ela havia um cavalheiro que tinha sido roubado de tudo exceto suas bermudas &#8211; suas camisas foram levadas, suas cal&ccedil;as, tudo &#8212; e ele estava rindo e estava rindo. Ele disse, &#8220;Como posso sobreviver s&oacute; com estas bermudas?&#8221; Ele estava muito contente porque tinha confian&ccedil;a em si. Estar vivo, isto era mais que suficiente para ele; ele n&atilde;o precisava de qualquer outra coisa. Assim n&oacute;s dever&iacute;amos cultivar um tipo de n&atilde;o-medo: se n&oacute;s praticamos o Dharma, e podemos contar com o Dharma, ent&atilde;o n&atilde;o h&aacute; nenhuma raz&atilde;o por que dever&iacute;amos ter medo de qualquer coisa, at&eacute; mesmo se sabemos que a vida &eacute; impermanente. N&oacute;s podemos perder um ente querido no futuro, e o mundo inteiro ser&aacute; nosso ref&uacute;gio. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Ainda h&aacute; muitas outras perguntas que n&atilde;o foram respondidas. Uma quest&atilde;o a mais &eacute; sobre o sentimento de n&atilde;o sermos bastante bons: &#8220;Como algu&eacute;m pode saber que n&atilde;o &eacute; bastante bom, baseado em que crit&eacute;rio voc&ecirc; v&ecirc; que n&atilde;o &eacute; bom o bastante?&#8221; No retiro que oferecemos na Universidade da Calif&oacute;rnia em Santa B&aacute;rbara, haviam muitas pessoas novas, e elas n&atilde;o estavam acostumadas ao modo budista de se curvar, de ficar em p&eacute;, de fazer sauda&ccedil;&atilde;o, e elas ficaram um pouco confusas sobre qual a coisa certa a fazer. E minha resposta foi que voc&ecirc;s n&atilde;o tem de fazer qualquer coisa: se est&atilde;o atentos, isto j&aacute; &eacute; suficiente. O problema n&atilde;o &eacute; se curvar, ou n&atilde;o se curvar, o problema &eacute; estar atento ou n&atilde;o estar atento. Assim se voc&ecirc; sabe que est&aacute; praticando a consci&ecirc;ncia, e a consci&ecirc;ncia se torna mais que uma energia, uma realidade em sua vida di&aacute;ria, saber&aacute; que est&aacute; avan&ccedil;ando bem no caminho. At&eacute; mesmo se voc&ecirc;s ainda tem muitas neglig&ecirc;ncias, muitas inabilidades, se sabem que est&atilde;o cultivando a consci&ecirc;ncia diariamente, penso que isso &eacute; suficiente, n&atilde;o s&oacute; para voc&ecirc;s, mas para todos n&oacute;s. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">(tr&ecirc;s sinos) <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">[Fim da Palestra de Dharma]<\/p>\n<hr \/>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\"><font SIZE=\"1\"><b>Nota 1:<br \/>Para livre distribui&ccedil;&atilde;o, como exerc&iacute;cio de Dharma. Aqueles que desejarem oferecer uma doa&ccedil;&atilde;o ao Templo orientado por Thich Nhat Hanh, podem envia-la para o seguinte endere&ccedil;o:<br \/>Transcription Project<br \/>Plum Village &#8211; Lower Hamlet<br \/>Meyrac, Loubes-Bernac, 47120 FRANCE<br \/>Site do Templo: http:\/\/plumvillage.org\/ <\/b><\/font><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Thich Nhat HanhRetiro em Upperr Hamlet10 de maio de 1998Transcrito e editado por Carol Fegan, Chan An Cu. Revisado por Brendan SillifantTraduzido ao Portugu&ecirc;s por Claudio Miklos Queridos amigos, hoje &eacute; 10 de maio, 1998. N&oacute;s estamos no Upper Hamlet, &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/comecando-novamente\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6669,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,27,40],"tags":[16],"class_list":["post-6726","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-thay","category-zen","tag-thich-nhat-hanh"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6726"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6726\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6729,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6726\/revisions\/6729"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6669"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}