{"id":6733,"date":"2020-07-05T19:09:14","date_gmt":"2020-07-05T21:09:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6733"},"modified":"2020-07-05T19:09:14","modified_gmt":"2020-07-05T21:09:14","slug":"conhecendo-o-melhor-modo-de-viver-sozinho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/conhecendo-o-melhor-modo-de-viver-sozinho\/","title":{"rendered":"Conhecendo o Melhor Modo de Viver Sozinho"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_.jpg\" alt=\"\" width=\"224\" height=\"225\" class=\"alignleft size-full wp-image-6670\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_.jpg 224w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/><\/a><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:center\"><font SIZE=\"4\"><b><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/thich-nhat-hanh\/\">Thich Nhat Hanh<\/a><\/b><\/font><br \/>Retiro em Upperr Hamlet<br \/>5 de abril de 1998<br \/>Transcrito e editado por Carol Fegan, Chan An Cu <br \/>Revisado por Brendan Sillifant<br \/>Traduzido ao Portugu&ecirc;s por Claudio Miklos.<\/p>\n<hr \/>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Querido Sangha, hoje &eacute; o quinto dia de abril, 1998. N&oacute;s estamos em Upper Hamlet, no Retiro da Primavera. Agora n&oacute;s iremos &agrave; liturgia para a manh&atilde; de quinta-feira. Ela inclui o Sutra do Conhecimento do Melhor Modo de Viver Sozinho, e o Sutra nos Quarenta Versos ou Ratnagunasamcaya. O Sutra do Conhecimento do Melhor Modo de Viver Sozinho &eacute; chamado o Bhaddekaratta Sutta em Pali. Pertence ao Majjhima Nikaya, 131. &#8220;Saber como viver sozinho&#8221; n&atilde;o pretende aqui significar viver em solid&atilde;o, separado de outras pessoas, numa caverna na montanha. &#8220;Viver s&oacute;&#8221; significa aqui viver para atingir o dom&iacute;nio de voc&ecirc; mesmo, ter liberdade, e n&atilde;o ser arrastado pelo passado, n&atilde;o ter medo do futuro, n&atilde;o ser tragado pelas circunst&acirc;ncias do presente. N&oacute;s sempre somos mestres de n&oacute;s mesmos, podemos lidar com a situa&ccedil;&atilde;o como ela &eacute;, somos donos da situa&ccedil;&atilde;o e de n&oacute;s mesmos. H&aacute; muitos pontos no Sutra onde o Buddha diz que &#8220;estar s&oacute;&#8221; n&atilde;o significa ficar separado de outras pessoas. N&oacute;s podemos estar sentados em uma caverna, mas n&atilde;o estaremos necessariamente sozinhos, porque nos perderemos em nossos pensamentos, e assim n&atilde;o estaremos s&oacute;s. No Majjhima Nikaya h&aacute; pelo menos quatro sutras que falam sobre a quest&atilde;o de saber viver s&oacute;, e no Madhyama Agama h&aacute; tamb&eacute;m sutras que falam sobre a quest&atilde;o de viver s&oacute;. Portanto, sabemos que a quest&atilde;o de viver sozinho &eacute; um assunto muito importante nos ensinamentos do Buddha. N&oacute;s temos de saber como fazer isto, como viver em liberdade, n&atilde;o sermos aprisionados pelo futuro e n&atilde;o sermos arrebatados pelas coisas no presente. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O Sutra do Conhecimento do Melhor Modo de Viver Sozinho nos ensina como viver cada momento de nossa vida di&aacute;ria muito profundamente. Quando n&oacute;s podemos viver nossa vida di&aacute;ria profundamente, come&ccedil;amos a adquirir concentra&ccedil;&atilde;o e sabedoria; n&oacute;s podemos ver a verdadeira natureza da vida, chegamos a uma grande liberdade, e liberdade &eacute; a ess&ecirc;ncia da felicidade. Se n&oacute;s estamos sofrendo, &eacute; porque n&atilde;o somos livres, e ent&atilde;o praticar &eacute; recuperar nossa liberdade. Quando n&oacute;s temos liberdade, ficamos s&oacute;lidos. Liberdade e solidez s&atilde;o as duas caracter&iacute;sticas do Nirvana, assim precisamos de um programa de liberdade e solidez. Se algu&eacute;m est&aacute; sofrendo, sabemos que esta pessoa n&atilde;o est&aacute; livre; e porque n&atilde;o s&atilde;o livres, as pessoas est&atilde;o sofrendo, elas est&atilde;o aprisionadas pelo passado, ou elas est&atilde;o sendo oprimidas pelo presente, ou elas est&atilde;o sendo arrebatadas pelo futuro, e &eacute; por isso que elas est&atilde;o sofrendo. A pr&aacute;tica &eacute; restabelecer nossa liberdade, e ent&atilde;o n&oacute;s n&atilde;o sofreremos, e nossa felicidade aumentar&aacute;. Os mais velhos coment&aacute;rios sobre o modo melhor de se viver s&oacute;, ou de como viver profundamente no momento presente, s&atilde;o achados neste Sutra. Por exemplo, algu&eacute;m ouve o m&eacute;dico dizer, &#8220;Voc&ecirc; tem c&acirc;ncer, voc&ecirc; viver&aacute; durante mais seis meses.&#8221; Aquela pessoa se sentir&aacute; completamente arrasada. O medo, a id&eacute;ia de que vamos nos extinguir em seis meses afasta toda nossa paz e alegria. Antes que o m&eacute;dico nos falasse que est&aacute;vamos com c&acirc;ncer, t&iacute;nhamos a capacidade de nos divertir com nossos amigos. Por&eacute;m, uma vez que o m&eacute;dico nos diz aquilo, perdemos toda nossa capacidade para se sentar e desfrutar de nosso ch&aacute;, ou desfrutar nossa comida, ou contemplar a lua, porque estamos com tanto medo do momento em que morreremos. Isso nos tira toda nossa liberdade. Se voc&ecirc; sabe que a morte &eacute; algo que acontece a todo o mundo, n&atilde;o sofrer&aacute; tanto. O m&eacute;dico diz que nos resta seis meses para viver, mas o m&eacute;dico tamb&eacute;m morrer&aacute;. Talvez o m&eacute;dico saiba que n&oacute;s temos seis meses, mas o m&eacute;dico n&atilde;o sabe quantos meses ele mesmo tem para viver. Talvez o m&eacute;dico morra antes de n&oacute;s. Talvez dirigindo para casa depois das consultas ele venha a sofrer um acidente, portanto o conhecimento do m&eacute;dico n&atilde;o &eacute; t&atilde;o grande. Ele fala que s&oacute; nos resta seis meses. N&oacute;s podemos talvez ser afortunados por viver mais seis meses, pois o m&eacute;dico poderia morrer antes de n&oacute;s. Assim se olharmos profundamente n&oacute;s veremos coisas que, se n&atilde;o olh&aacute;ssemos profundamente, n&atilde;o ver&iacute;amos. Olhando profundamente n&oacute;s podemos resgatar nossa liberdade do medo, e com esta liberdade, com nosso n&atilde;o-medo, podemos viver felizes esses seis meses.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Todos n&oacute;s somos iguais no que diz respeito &agrave; vida e morte: estamos todos morrendo. Assim ela &eacute; igual &#8211; acontecer&aacute; a todo o mundo. Todo o mundo tem de morrer, mas antes de n&oacute;s morrermos, vamos viver corretamente? Eu estou empenhado em viver corretamente at&eacute; morrer. Esta &eacute; uma coisa muito consciente de se dizer. Se n&oacute;s vamos morrer, ent&atilde;o temos que viver o melhor poss&iacute;vel, e se n&oacute;s podemos viver seis meses do melhor modo, ent&atilde;o a qualidade destes seis meses ser&aacute; tal como se estiv&eacute;ssemos vivendo durante seis anos, ou sessenta anos. Se nossa vida est&aacute; envolvida nas correntes do sofrimento, ent&atilde;o nossa vida n&atilde;o tem o mesmo sentido de como se viv&ecirc;ssemos em liberdade. Assim, sabendo que n&oacute;s temos de morrer, eu estou empenhado em viver minha vida corretamente, profundamente. Todos n&oacute;s temos que morrer, mas se n&oacute;s n&atilde;o podemos viver em paz, alegria, e liberdade antes que n&oacute;s morramos, ent&atilde;o n&oacute;s vivemos como se j&aacute; estiv&eacute;ssemos mortos, at&eacute; mesmo antes disto acontecer. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Em primeiro lugar, o Buddha nos ensina que temos de lutar para resgatar nossa liberdade, para poder viver os momentos de nossa vida di&aacute;ria profundamente. Nestes momentos de nossa vida di&aacute;ria n&oacute;s podemos ter paz, podemos ter alegria, e podemos curar o sofrimento que temos em nossos corpos e em nossas mentes. Vivendo profundamente em cada momento de nossa vida nos ajuda a estar em contato com as maravilhosas coisas da vida, nos ajuda a nutrir nosso corpo e nossa mente com estes elementos maravilhosos, e ao mesmo tempo nos ajuda a envolver e transformar o sofrimento que sentimos. Assim viver profundamente no momento presente de nossa vida di&aacute;ria &eacute; viver uma vida de maravilhas, nutri&ccedil;&atilde;o, e cura. Vivendo assim podemos resgatar nossa liberdade, e viver profundamente: n&oacute;s fazemos surgir a verdade, despertamos o entendimento, e nossos medos, nossas ansiedades, nossos sofrimentos e nossas tristezas evaporar&atilde;o, e nos tornaremos uma fonte de alegria e de vida para n&oacute;s mesmos e para aqueles ao nosso redor. De acordo com Budismo, este &eacute; o m&eacute;todo de vivenciar com felicidade o momento presente. Observando cuidadosamente, n&oacute;s veremos que estes coment&aacute;rios do Conhecimento do Melhor Modo de Viver Sozinho s&atilde;o os mais antigos textos humanos sobre como viver o momento presente, assim este &eacute; um Sutra muito importante. N&oacute;s dever&iacute;amos estud&aacute;-lo cuidadosamente, e ent&atilde;o aplic&aacute;-lo em nossas vidas e na nossa pr&aacute;tica. Sabemos que todos os ensinamentos relacionados com o ensino sobre viver no momento presente deveriam ser estudados da mesma maneira. Havia um monge cujo nome era Thera. Seus amigos provavelmente lhe deram o nome Thera, que quer dizer &#8220;o anci&atilde;o.&#8221; Aquele monge gostava de viver sozinho. Ele sempre saia para o pedido de esmolas sozinho. Ele gostava de fazer a medita&ccedil;&atilde;o andante sozinho. Ele gostava de comer sozinho, ele gostava de lavar suas roupas sozinho. Ele realmente gostava de fazer tudo sozinho. Ele parecia gostar de evitar seus companheiros de pr&aacute;tica tanto quanto poss&iacute;vel. Todos os monges tinham ouvido o Buddha louvar o modo melhor de se viver sozinho, mas o modo como o Buddha usava o significado de &#8220;viver s&oacute;,&#8221; queria dizer n&atilde;o ser aprisionado pelo passado, n&atilde;o ser pressionado pelo futuro, e n&atilde;o ser arrebatado pelo que estava acontecendo no presente. O Buddha n&atilde;o quis dizer que viver s&oacute; significa se distanciar e se separar de seus companheiros de pr&aacute;tica. N&atilde;o obstante, este monge gostava de fazer as coisas sozinho, comendo sozinho, indo para a cidade sozinho, e evitando outras pessoas. Os outros monges sabiam que ele gostava de fazer as coisas sozinho, mas eles sentiam que havia algo n&atilde;o muito certo sobre tal modo de vida. Sentiam que ele realmente n&atilde;o estava praticando de acordo com o esp&iacute;rito dos ensinamentos de Buddha. Assim os outros monges foram ao Buddha e disseram, &#8220;Senhor Buddha, um de nossos companheiros praticantes chamado Thera, o anci&atilde;o, gosta de fazer tudo sozinho: caminhada meditativa, refei&ccedil;&atilde;o meditativa, trabalhando sempre sozinho, e n&oacute;s n&atilde;o sabemos se viver assim realmente seja viver verdadeiramente s&oacute;.&#8221; E Buddha disse, &#8220;Onde este monge est&aacute;? Pe&ccedil;am-lhe para vir aqui e tomar uma x&iacute;cara de ch&aacute; conosco.&#8221; Assim os monges foram e convidaram Thera a unir-se a eles, e o Buddha disse, &#8220;Eu ouvi que gostas de viver s&oacute;. Como tu vives por conta pr&oacute;pria? Por favor dizei-me.&#8221; E Thera disse, &#8220;Senhor Buddha, eu me sento em medita&ccedil;&atilde;o s&oacute;, eu como sozinho, eu lavo minhas roupas sozinho, eu vou &agrave; aldeia para pedir esmolas sozinho &#8220;. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">E o Buddha disse, &#8220;Oh, sendo esta a verdade, ent&atilde;o tu realmente vives s&oacute;. Mas talvez o modo em que vivas s&oacute; n&atilde;o seja o melhor modo para viver sozinho, h&aacute; um modo melhor para se viver s&oacute;.&#8221; E ent&atilde;o o Buddha recitou um gatha: &#8220;Se tu vives sem ser aprisionado pelo passado, n&atilde;o sendo pressionado pelo futuro, n&atilde;o sendo arrebatado pelas formas e imagens do momento presente, vivendo cada momento de sua vida profundamente, este ser&aacute; o verdadeiro modo de viver sozinho.&#8221; Quando Thera ouviu isto, soube que tinha estado vivendo s&oacute; apenas de forma externa, e que havia um modo mais profundo para se viver s&oacute;. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O Sutra onde esta hist&oacute;ria &eacute; contada &eacute; chamado o Theranama Sutra, est&aacute; no Samyutta Nikaya, e tamb&eacute;m h&aacute; um Sutra equivalente no Samyukta Agama, &eacute; o de N&uacute;mero 71 no Samyukta Agama. A ess&ecirc;ncia do Sutra &eacute; um poema. O Buddha escrevia poemas, mas os poemas do Buddha eram idealizados mais para nos mostrar como praticar. O gatha que fala sobre a arte de viver sozinho &eacute; chamado o gatha de Bhaddekaratta. Bhaddekaratta quer dizer &#8220;o melhor modo para viver s&oacute;.&#8221; Muitas pessoas traduziram mal este t&iacute;tulo: Um mestre traduziu isto como &#8220;praticando durante uma noite.&#8221; Tamb&eacute;m h&aacute; outro mestre que traduziu este t&iacute;tulo como &#8220;estando presente.&#8221; A tradu&ccedil;&atilde;o correta &eacute; &#8220;O melhor modo de praticar a vida solit&aacute;ria.&#8221; Este poema diz: <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">N&atilde;o persiga o passado.<br \/>N&atilde;o se perca no futuro.<br \/>O passado j&aacute; n&atilde;o existe.<br \/>O futuro ainda n&atilde;o veio.<br \/>Olhando a vida profundamente como ela &eacute;<br \/>exatamente no aqui e agora,<br \/>o praticante vive<br \/>em estabilidade e liberdade.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Toda a ess&ecirc;ncia dos ensinos de Buddha est&aacute; contida nestas palavras. N&oacute;s sabemos que estabilidade e liberdade s&atilde;o as duas caracter&iacute;sticas do nirvana, e esta &eacute; a meta de nossa pr&aacute;tica. A meta de nossa pr&aacute;tica &eacute; todo aquele momento de nossa vida di&aacute;ria em que podemos produzir estabilidade e liberdade: caminhando, se deitando, se sentando, ficando em p&eacute;, n&oacute;s produzimos liberdade e estabilidade. Nirvana &eacute; algo que n&oacute;s podemos tocar neste exato momento presente, n&atilde;o apenas com nossas mentes, mas tamb&eacute;m com nosso corpo. Quando nossos p&eacute;s est&atilde;o caminhando de um modo vagaroso, s&oacute;lido e livre, ent&atilde;o nossos p&eacute;s est&atilde;o tocando o nirvana. T&atilde;o logo n&oacute;s atinjamos estabilidade e liberdade, o nirvana estar&aacute; l&aacute;. O n&iacute;vel de liberdade e estabilidade nos indica se fomos capazes de tocar o nirvana profundamente. N&atilde;o persiga o passado. Existem pessoas que est&atilde;o cansadas do presente e pensam que o passado era mais bonito, e que a vida era antes mais bonita. Eles sempre pensam que o passado era mais bonito. Assim, eles n&atilde;o podem ver a felicidade no presente. Muitos de n&oacute;s somos envolvidos neste modo de pensamento. O passado j&aacute; n&atilde;o existe mais, e n&oacute;s o comparamos com o presente, e dizemos que o passado era mais bonito que o presente; mas mesmo quando tivemos aqueles momentos no passado n&oacute;s realmente n&atilde;o os estim&aacute;vamos ent&atilde;o, porque no passado n&oacute;s n&atilde;o &eacute;ramos capazes de viver no momento presente. N&oacute;s sempre est&aacute;vamos correndo em busca do futuro, e se f&ocirc;ssemos levados agora de volta ao passado, far&iacute;amos o mesmo. Naquele tempo a vida era mais bonita, o sol era mais luminoso, a lua era mais luminosa &#8212; essas s&atilde;o palavras de uma can&ccedil;&atilde;o francesa. Existem pessoas que buscam o passado, n&atilde;o porque elas pensam que o passado fosse bonito, mas porque o passado lhes fez sofrer, o passado foi um trauma, uma profunda ferida para elas. N&oacute;s sofremos, n&oacute;s fomos feridos, n&oacute;s morremos no passado, e essas profundas feridas est&atilde;o nos chamando de volta o passado, gritando &#8220;Volte aqui, volte ao passado. Eu sou o objetivo, voc&ecirc; n&atilde;o pode me escapar!&#8221; Isso &eacute; o que o passado nos diz. N&oacute;s somos iguais a ovelhas que correm atr&aacute;s do passado, para nos enclausurar, nos encarcerar, nos fazer sofrer. O passado &eacute; tamb&eacute;m uma pris&atilde;o muito grande. N&oacute;s ouvimos as palavras do passado, e corremos atr&aacute;s do passado, recusamos viver nossa vida no momento presente, sempre estamos regressando para o passado. Assim o Buddha diz, &#8220;n&atilde;o persiga o passado.&#8221;<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Estas s&atilde;o as palavras de nosso mestre: &#8220;N&atilde;o persiga o passado.&#8221; N&oacute;s dever&iacute;amos escrever um poema, como n&oacute;s podemos escrever um poema de modo a podermos realizar isto? &Agrave;s vezes n&oacute;s estamos sentados com um amigo. Nosso amigo est&aacute; sentado l&aacute;, mas n&oacute;s nos sentimos abandonados por ele, porque nosso amigo est&aacute; se afogando no passado. Nosso amigo est&aacute; sentados junto a n&oacute;s, mas nosso amigo n&atilde;o est&atilde;o conosco, nosso amigo est&aacute; aprisionado pelo passado. Nosso amigo est&aacute; l&aacute;, mas nosso amigo realmente n&atilde;o est&aacute; l&aacute;. Sabemos que n&oacute;s estamos sentados l&aacute;, e sentimos que nosso amigo n&atilde;o est&aacute; sentado l&aacute; conosco. Assim n&oacute;s achamos um modo para tirar nosso amigo do passado, e dizemos a ele: &#8220;Um centavo por seus pensamentos. Em qu&ecirc; voc&ecirc; est&aacute; pensando? Me fale. Eu lhe darei dez centavos se voc&ecirc; me disser.&#8221; Aquela pessoa pode despertar, sobressaltar-se, sorrir e se livrar da pris&atilde;o do passado. Se somos monges ou monjas, dever&iacute;amos saber fazer isto. N&oacute;s dever&iacute;amos ser capazes de saber o modo de libertar nosso amigo de pr&aacute;tica que est&aacute; aprisionado e se afogando no passado. N&oacute;s temos que usar nosso amor, nossa consci&ecirc;ncia, e nossa amizade, para ajudar a tirar aquela pessoa da pris&atilde;o do passado. Se n&oacute;s somos monges ou monjas, dever&iacute;amos saber como usar nossos irm&atilde;os e irm&atilde;s de pr&aacute;tica para nos ajudar a sair de nossa pris&atilde;o do passado. Portanto, viver em um Sangha tem estes tipos de benef&iacute;cios!<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">(Sino)<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O Sanghakaya nos ajuda a cada passo. O Sanghakaya nos tira de nossa pris&atilde;o do passado. O Sanghakaya nos segura pelas m&atilde;os e nos conduz passo a passo ao presente, para que possamos desenvolver a capacidade de viver pacificamente no presente. O momento quando raspamos nossa cabe&ccedil;a, o momento quando nosso mestre derrama a &aacute;gua da compaix&atilde;o em nossa cabe&ccedil;a, este momento &eacute; o momento em que n&oacute;s estamos renascidos, nascidos uma segunda vez. Todo o Sangha est&aacute; presente ao redor de n&oacute;s, com as m&atilde;os unidas, enquanto as gotas de &aacute;gua compassiva nos penetram. Com a &aacute;gua que &eacute; derramada no topo de nossas cabe&ccedil;as, nos tornamos uma pessoa nova naquele momento. Aquele momento &eacute; o momento quando n&oacute;s morremos. N&oacute;s permitimos ao passado morrer, e permitimos ao presente nascer. Nosso mestre e o Sangha est&atilde;o nos trazendo &agrave; vida, nos dando uma alma nova, um corpo novo, um corpo de preceitos, um corpo de Dharma, e este corpo de preceitos, este corpo de Dharma est&aacute; protegido pelo Buddha, Dharma, Sangha e seus preceitos. N&atilde;o h&aacute; nenhuma raz&atilde;o para temermos, e n&atilde;o h&aacute; nenhuma raz&atilde;o para sentirmo-nos isolados ou s&oacute;s. N&atilde;o h&aacute; nenhuma raz&atilde;o para n&oacute;s nos preocuparmos sobre qualquer coisa. N&atilde;o h&aacute; nenhuma necessidade de nos preocuparmos sobre todas as coisas que aconteceram no passado, toda a amargura do passado. N&oacute;s podemos nos ajoelhar, podemos fechar nossos olhos, unir nossas m&atilde;os, e visualizar este momento com a &aacute;gua da compaix&atilde;o caindo em nossas cabe&ccedil;as, e podemos nos ver nascendo novamente. Nosso mestre e o Sangha est&atilde;o transmitindo-nos o nosso corpo de preceitos, e n&oacute;s temos o dever de permitir que nosso mestre e o Sangha nos conduzam passo a passo neste novo caminho. N&oacute;s percebemos que estamos protegidos, estamos seguros, com a seguran&ccedil;a do Buddha, o Dharma e o Sangha e seus preceitos; e nunca antes em nossa vida n&oacute;s nos sentimos como neste momento. Se permitimos que o Sangha nos desperte, se permitimos que nosso mestre nos desperte, veremos que estamos em um estado de seguran&ccedil;a que nunca estivemos antes. Se vivermos assim diariamente, nossos sentimentos de ansiedade, de medo, desaparecer&atilde;o. N&oacute;s poderemos viver felizes no momento presente, e cada passo nos levar&aacute; para a felicidade do momento presente, para a liberdade. Isso &eacute; nossa pr&aacute;tica di&aacute;ria. &#8220;N&atilde;o procure o passado&#8221; &eacute; o que isto significa. &Agrave;s vezes n&atilde;o queremos voltar ao passado, mas o passado coloca suas garras em n&oacute;s e nos puxa para tr&aacute;s, portanto temos que organizar as coisas cuidadosamente, e temos que basear nossa organiza&ccedil;&atilde;o no apoio do Buddha, Dharma e Sangha. N&oacute;s temos que olhar diretamente no passado e sorrir para ele, dizendo, &#8220;Voc&ecirc; j&aacute; n&atilde;o pode mais me oprimir. Eu estou livre de voc&ecirc;.&#8221; S&oacute; a energia de consci&ecirc;ncia, as Tr&ecirc;s J&oacute;ias de Buddha, Dharma, e Sangha, t&ecirc;m bastante poder e for&ccedil;a para nos ajudar a ficarmos livres do passado. N&oacute;s percebemos que o passado &eacute; apenas um fantasma. Sabemos que o passado &eacute; um fantasma, mas permitimos que o fantasma nos aprisione. Ent&atilde;o um praticante deve saber como ter dom&iacute;nio do presente com a ajuda do Buddha, o Dharma, o Sangha e os preceitos para que possa voltar ao presente, e n&atilde;o permitir que os fantasmas do passado nos puxe de volta. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;N&atilde;o persiga o passado&#8221;, pode ouvir o Buddha dizer isto para voc&ecirc;? N&atilde;o imagine coisas e se perca no futuro. O que &eacute; o futuro? O futuro &eacute; o fantasma n&uacute;mero dois? Por que temos tanto medo do futuro? O que &eacute; o medo? Seria o medo os nossos planos sobre as coisas que acontecer&atilde;o amanh&atilde;? Ou seria nosso medo as proje&ccedil;&otilde;es que n&oacute;s temos do futuro, o amanh&atilde;? Talvez isto acontecer&aacute;, ou aquilo vai acontecer\u2026 n&oacute;s projetamos as coisas assim. E isso &eacute; o que nos faz ter medo. O medo n&atilde;o ocorre naturalmente, o medo surge de nossos pensamentos. Nosso pensamento de que isto acontecer&aacute; amanh&atilde;, aquilo acontecer&aacute; amanh&atilde;. Perceba que o futuro &eacute; algo que n&atilde;o est&aacute; ainda l&aacute;. Porque o futuro nunca est&aacute; l&aacute; &#8212; uma vez que &#8220;l&aacute;&#8221; &eacute; o presente. Mas o futuro &eacute; um fantasma. Um fantasma gigantesco, que nos suga, e nosso medo surge de nossas proje&ccedil;&otilde;es de que amanh&atilde; isto acontecer&aacute;, ou amanh&atilde; eu serei assim. &#8220;O que ser&aacute; de mim amanh&atilde;?&#8221; Nosso medo est&aacute; baseado nisso. E os fantasmas do passado e os fantasmas do futuro s&atilde;o dois fantasmas com a grande responsabilidade de tirar nossa liberdade. N&oacute;s somos os escravos destes dois fantasmas. O que &eacute; Mara? Quem &eacute; Mara? Mara &eacute; o passado, Mara &eacute; o futuro, esses dois Maras nos seguem e condicionam nossas vidas, nos comandam. N&oacute;s n&atilde;o dever&iacute;amos permitir que isto aconte&ccedil;a, n&atilde;o dever&iacute;amos sucumbir &agrave; influ&ecirc;ncia destes dois fantasmas. N&oacute;s temos que ter uma maneira de lidar com estes dois fantasmas, e o m&eacute;todo &eacute; o modo melhor de se viver s&oacute;, o modo de viver cada momento no momento presente, n&atilde;o perseguir o passado e n&atilde;o ansiar o futuro. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;O passado n&atilde;o mais existe. O futuro ainda n&atilde;o chegou.&#8221; Isso &eacute; simples l&oacute;gica. Todos n&oacute;s sabemos que o passado &eacute; apenas um fantasma, por que dever&iacute;amos ficar t&atilde;o apegados a ele? E o futuro &eacute; apenas um fantasma, por que temos de ter tanto medo dele? Existe uma coisa, e &eacute; o presente, mas n&oacute;s n&atilde;o sabemos viver o momento presente, e n&oacute;s permitimos que o passado e o futuro nos afogue, nos subjugue. &#8220;O passado n&atilde;o mais existe. O futuro ainda n&atilde;o chegou.&#8221; Existem outras palavras no Sutra que sejam mais precisas, mais concisas? Na verdade nenhuma. Voc&ecirc;s deveriam viver seus momentos di&aacute;rios profundamente, &agrave; medida em que acontecem: vivam e saibam que est&atilde;o vivendo. Como uma flor, voc&ecirc;s sabem que ela est&aacute; viva, podem observ&aacute;-la profundamente, podem viver profundamente com ela, e podem ver os n&iacute;veis profundos da flor. Voc&ecirc;s vivem com um sorriso, voc&ecirc;s vivem com os raios de sol. Todas estas coisas se tornam os objetos de seu olhar aprofundado. Elas s&atilde;o seus amigos na pr&aacute;tica. O praticante reside na estabilidade e liberdade, e &#8220;residir&#8221; significa viver pacificamente. O praticante significa algu&eacute;m que possui sabedoria, n&atilde;o significa algu&eacute;m que adquiriu um t&iacute;tulo, ou que tenha estado em uma universidade. Aqui significa algu&eacute;m que possui sabedoria, quer dizer, algu&eacute;m que n&atilde;o &eacute; carregado pelos fantasmas do passado, que n&atilde;o &eacute; agarrado pelos fantasmas do futuro, algu&eacute;m que &eacute; capaz de viver de um modo pac&iacute;fico e jovial, sempre no momento presente. Esta pessoa pode se sentar quieta, caminhar em paz, e esta pessoa tem a ess&ecirc;ncia da paz e liberdade dentro de si, e &eacute; uma pessoa s&aacute;bia. Outro modo de traduzir esta frase seria: &#8220;a pessoa s&aacute;bia reside na paz com solidez e liberdade.&#8221; Todos os ensinamentos do Buddha que tem sido oferecidos, o Dharma, e o Sangha, est&atilde;o l&aacute; para nos ajudar a viver no momento presente. Quando um monge d&aacute; um passo, o monge deve praticar vivenciando-o pacificamente. Cada passo que o monge d&aacute; deve ser s&oacute;lido e livre, e o monge est&aacute; dando passos como o Buddha. Quando uma monja se senta, ela deveria sentar-se solidamente, como uma montanha, sentando-se em consci&ecirc;ncia . N&oacute;s sempre estamos sendo carregados pelo passado e pelo futuro, mas no Sangha, todo o mundo est&aacute; treinando para praticar o viver no momento presente, assim quando n&oacute;s vivemos em um Sangha temos a oportunidade para fazer isto, nos sentar solidamente. Quando n&oacute;s comemos, realmente comemos. N&oacute;s temos quarenta e cinco minutos ou uma hora para comer, e estes s&atilde;o quarenta e cinco minutos ou uma hora de felicidade, porque n&oacute;s realmente estamos l&aacute;. N&oacute;s estamos lavando nossas roupas, e isso &eacute; nossa pr&aacute;tica. Varrer o ch&atilde;o &eacute; nossa pr&aacute;tica, limpar o banheiro &eacute; nossa pr&aacute;tica. A principal quest&atilde;o sobre a pr&aacute;tica &eacute; que n&oacute;s realmente estamos ali fazendo estas coisas, e temos o Sangha a nos apoiar nisso. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;N&oacute;s devemos ser diligentes hoje, esperar at&eacute; amanh&atilde; ser&aacute; muito tarde.&#8221; Existe apenas o hoje, vamos fazer o melhor que podemos hoje. Pessoas nos deram todas as condi&ccedil;&otilde;es para praticar a consci&ecirc;ncia, e todavia n&oacute;s n&atilde;o a praticamos, dizemos que faremos isto amanh&atilde;, que n&atilde;o precisamos fazer hoje. Mas amanh&atilde; &eacute; muito tarde, devido &agrave; imperman&ecirc;ncia. &#8220;A morte vem inesperadamente, como n&oacute;s poderemos barganhar com ela?&#8221; Ent&atilde;o voc&ecirc; diz para a morte, &#8220;Oh, eu n&atilde;o tive tempo para praticar corretamente, me d&ecirc; alguns dias.&#8221; Por&eacute;m, n&oacute;s n&atilde;o podemos barganhar assim com a morte, n&atilde;o podemos fazer um acordo com ela. Ent&atilde;o a morte se torna algo que nos estimula, nos motiva, nos ajuda a viver em solidez e liberdade. Assim quando o m&eacute;dico diz, &#8221; Voc&ecirc; tem mais seis meses,&#8221; n&oacute;s podemos dizer, &#8220;Certo, ent&atilde;o eu viverei estes seis meses corretamente.&#8221; E o m&eacute;dico deveria dizer, &#8220;eu farei o mesmo,&#8221; porque o m&eacute;dico tamb&eacute;m n&atilde;o sabe quanto tempo viver&aacute;. Assim o fato de ter que morrer ajuda o praticante a saber que os dias que lhe restam tem de ser vividos corretamente, solidamente, em liberdade, com felicidade. Isso &eacute; o melhor modo de preparar o futuro para seus descendentes. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quando o m&eacute;dico diz que voc&ecirc; tem seis meses mais para viver, isso &eacute; como um sino de consci&ecirc;ncia para voc&ecirc;. Todos n&oacute;s temos mais seis meses para viver, ou sete meses, ou dez anos, e o Buddha diz, &#8220;Seja diligente hoje, esperar at&eacute; amanh&atilde; &eacute; muito tarde. A morte vem inesperadamente.&#8221; A pessoa que sabe como viver em consci&ecirc;ncia dia e noite o Buddha denomina &#8220;aquele que sabe o modo melhor de viver s&oacute;.&#8221; Aqui eles chamam o Buddha o grande muni. Assim o modo de viver s&oacute; &eacute; viver residindo na consci&ecirc;ncia noite e dia.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">N&oacute;s ouvimos falar de hist&oacute;rias de fantasmas e temos medo, mas n&oacute;s temos uma tend&ecirc;ncia a gostar de ouvir hist&oacute;rias de fantasmas. As pessoas dizem que de acordo com os cientistas n&atilde;o existem fantasmas, mas claramente existem fantasmas: fantasmas do passado, fantasmas do futuro, esses dois fantasmas que n&oacute;s encontramos diariamente. Quando &eacute;ramos crian&ccedil;as, os adultos diziam: &#8220;Quando voc&ecirc; encontrar um fantasma fa&ccedil;a o mudra da paz e diga Om mani padme hum!&#8221; e assim aprendemos isso de cor. E uma noite n&oacute;s tivemos um sonho, e vimos um fantasma, fizemos o mudra de paz e dissemos, &#8220;Om mani padme hum!&#8221; mas o fantasma n&atilde;o parecia ter ficado com medo. O fantasma apenas ficou l&aacute;. Mas aquele tipo de fantasma que n&oacute;s vimos em um sonho n&atilde;o era um fantasma ruim. Os fantasmas ruins s&atilde;o os fantasmas do passado e do futuro. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Os fantasmas do passado e do futuro, embora sejam fantasmas ruins, se n&oacute;s sabemos lidar com eles nunca cairemos sob sua influ&ecirc;ncia, s&oacute; temos que sorrir para eles, s&oacute; precisamos respirar e retornar para nossa consci&ecirc;ncia, e a energia de consci&ecirc;ncia nos ajudar&aacute; a sorrir e dizer &#8220;Oh, eu sei que voc&ecirc; &eacute; um fantasma&#8221;, e eles n&atilde;o podem fazer nada para nos ferir, porque naquele sorriso est&aacute; o Buddha, o Dharma e o Sangha. A raz&atilde;o de sermos capturados pelos fantasmas do passado e do futuro &eacute; porque n&atilde;o sabemos que eles s&atilde;o fantasmas, e o sorriso que dados para eles &eacute; o sorriso do esclarecimento. Ele possui a consci&ecirc;ncia inserida nele, assim n&oacute;s dever&iacute;amos praticar o ato de sorrir para o fantasma do passado, e dizer, &#8220;eu sei que voc&ecirc; &eacute; o fantasma do passado, e isso &eacute; tudo que voc&ecirc; &eacute; &#8220;. E ent&atilde;o voc&ecirc; est&aacute; livre. O fantasma do futuro &eacute; o mesmo. Quando temos medo do futuro, sabemos que o fantasma do futuro est&aacute; l&aacute;. N&oacute;s temos de olhar aquele medo, e temos que dizer, &#8220;eu sei que voc&ecirc; &eacute; apenas um fantasma.&#8221; Mara aparece muitas vezes em nossa vida di&aacute;ria. Toda vez que Mara aparece, n&oacute;s temos que dizer, &#8220;eu sei que voc&ecirc; &eacute; Mara.&#8221; E o Buddha sorri e diz o mesmo quando v&ecirc; Mara. Nos sutras, Mara sempre est&aacute; aparecendo e tudo que o praticante precisa fazer &eacute; sorrir e dizer, &#8220;eu o reconhe&ccedil;o, sei que voc&ecirc; &eacute; Mara.&#8221; Assim quem conhece a pr&aacute;tica, sabe que o sorriso de consci&ecirc;ncia diante do Mara do passado ou do Mara do futuro &eacute; o &uacute;nico modo de lidar com eles, e quando n&oacute;s sorrimos assim, isto mostra que temos amor por n&oacute;s mesmos, e n&atilde;o fazemos do passado ou do futuro um inimigo. O passado e o futuro n&atilde;o s&atilde;o nossos inimigos.Agora n&oacute;s vamos ler desde o princ&iacute;pio o Discurso do Conhecimento do Melhor Modo de Viver Sozinho: Eu ouvi estas palavras do Buddha certa vez quando o Senhor estava no monast&eacute;rio no Bosque de Jeta, na cidade de Sravasti. Ele chamou todos os monges e os instruiu, &#8220;Bhikkhus!&#8221; E os Bhikkhus responderam, &#8220;N&oacute;s estamos aqui.&#8221; O Aben&ccedil;oado ensinou: &#8221; Eu vos ensinarei qual o significado do conhecimento do melhor modo de viver sozinho. Come&ccedil;arei com um esbo&ccedil;o do ensinamento, e ent&atilde;o darei uma explica&ccedil;&atilde;o detalhada. Bhikkhus, por favor escutai cuidadosamente.&#8221; <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8221; Aben&ccedil;oado, n&oacute;s estamos escutando.&#8221; O Buddha ensinou: Vemos claramente que o Buddha possui um poema aqui, e o Buddha tinha composto este poema, pedindo para os monges que viessem e escutassem-no recitar o poema que comp&ocirc;s, exatamente como o poema que ele deu ao monge, Thera. O Buddha respondeu muito amavelmente a Thera. Ele disse, &#8220;Viver s&oacute; como tu vives, comer s&oacute;, caminhar s&oacute;, sentar-se s&oacute;, estes verdadeiramente s&atilde;o modos de se viver sozinho, mas n&atilde;o s&atilde;o o melhor modo de viver s&oacute;.&#8221; Buddha pensou, &#8220;eu tenho que ensinar-vos corretamente.&#8221; E ent&atilde;o Buddha recitou este poema: <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8221; Bhikkhus, qual &eacute; significado de &#8216;perseguir o passado?&#8217; Quando algu&eacute;m pensa sobre o modo como seu corpo estava no passado, o modo como seus sentimentos estavam no passado, o modo como suas percep&ccedil;&otilde;es estavam no passado, o modo como seus fatores mentais estavam no passado, o modo como sua consci&ecirc;ncia estava no passado; quando ele pensa nestas coisas, e sua mente &eacute; arrastada e fica apegada a estas coisas que pertencem ao passado, ent&atilde;o esta pessoa est&aacute; perseguindo o passado.&#8221;<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quem &eacute; aquela pessoa? Aquela pessoa somos todos n&oacute;s. N&oacute;s todos temos sido v&iacute;timas do passado. N&oacute;s fomos feridos no passado. Nosso corpo foi maltratado no passado, nossos sentimentos foram destru&iacute;dos no passado, nossas percep&ccedil;&otilde;es foram obscurecidas no passado, nossos fatores mentais estiveram envolvidos em tristeza e lamenta&ccedil;&otilde;es no passado, e nossa consci&ecirc;ncia tem sido coberta em ignor&acirc;ncia no passado. Em resumo, no passado, uma pessoa que tem forma, sentimentos, percep&ccedil;&otilde;es, forma&ccedil;&otilde;es mentais e consci&ecirc;ncia &#8211; n&oacute;s mesmos no passado -, tem sofrido e estas experi&ecirc;ncias, estas impress&otilde;es est&atilde;o cuidadosamente escondidas nas profundidades de nosso inconsciente. E assim n&atilde;o queremos procur&aacute;-las, n&atilde;o queremos relembr&aacute;-las, porque toda vez que nos lembramos delas n&oacute;s sofremos, nos sentimos triste, nos preocupamos. E pensamos que se o passado foi assim, como ser&aacute; o futuro? Assim, quando o fantasma do passado surge &#8212; e ele &eacute; seguido de perto pelo fantasma do futuro &#8211;, temos medo do futuro porque nosso passado foi daquela forma. E porque nossas experi&ecirc;ncias do passado foram t&atilde;o tristes, sabemos que se elas forem reavivadas sofrer&iacute;amos e n&atilde;o poder&iacute;amos ag&uuml;entar, assim n&oacute;s rangemos os dentes para acabar com isso e fazemos o m&aacute;ximo para enterrar todas as nossas experi&ecirc;ncias passadas profundamente em nosso inconsciente. &Agrave;s vezes quando estamos dormindo elas se agitam dentro de n&oacute;s e ressurgem, e quanto mais tentamos reprimi-las, mais elas tentam ressurgir. N&oacute;s temos um mecanismo de defesa que faz o melhor poss&iacute;vel para esconder nosso sofrimento de n&oacute;s mesmos e criar algum tipo de paz e alegria de um modo superficial. Eis como n&oacute;s conseguimos continuar vivendo. Sabemos que h&aacute; uma bomba, explosivos, profundamente dentro de nossa consci&ecirc;ncia, mas que est&atilde;o encobertos por muitas capas. N&oacute;s os enterramos, os empurramos para baixo, e em nossa vida di&aacute;ria, embora n&atilde;o queiramos pensar nestas coisas, elas se movem secretamente na periferia e nos dizem o que dever&iacute;amos fazer, nos for&ccedil;am a fazer coisas. Quando n&oacute;s falamos, queremos dizer algo suave, mas n&atilde;o dizemos algo suave porque alguma outra coisa est&aacute; nos ordenando do fundo de n&oacute;s que digamos algo grosseiro. Queremos abrir nossos cora&ccedil;&otilde;es &agrave;s pessoas, mas n&oacute;s n&atilde;o podemos fazer isto, porque estamos sendo comandados pelos sofrimentos que escondemos profundamente em nossa consci&ecirc;ncia. Assim, no passado nosso corpo era assim, nossos sentimentos eram assim, nossas percep&ccedil;&otilde;es eram assim, nossas forma&ccedil;&otilde;es mentais eram assim, nossa consci&ecirc;ncia era assim. Quando pensamos nestas coisas, e nossa mente &eacute; arrastada e fica apegada a estas coisas que pertencem ao passado, ent&atilde;o estamos perseguindo o passado. Se uma pessoa conscientemente ou inconscientemente regressa ao passado, esta pessoa ainda est&aacute; perseguindo o passado. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Em primeiro lugar, estamos feridos pelo passado, e secundariamente, sejam do passado experi&ecirc;ncias muito belas ou feridas, essas coisas nos puxam de volta ao passado. Ent&atilde;o, devemos estar atentos de que se n&atilde;o praticarmos sempre seremos uma v&iacute;tima do Mara do passado. Buddha n&atilde;o quer dizer que devamos esquecer o passado, ou enterr&aacute;-lo, ou fingir que o passado nunca aconteceu. N&atilde;o &eacute; isso que Buddha d&aacute; a entender. Por que? Porque o passado se tornou o presente, e se n&oacute;s podemos viver profundamente o presente podemos transformar o passado. No presente temos energias de h&aacute;bito, energias de h&aacute;bito muito evidentes no presente, e quando podemos reconhecer esses energias de h&aacute;bito, e sorrir para essas energias de h&aacute;bito, poderemos nos livrar dessas energias de h&aacute;bito e as transformar. Deixem-me record&aacute;-los novamente, podemos voltar ao passado de dois modos. Um modo &eacute; conscientemente, expressamente, e o outro &eacute; inconscientemente, com um fantasma puxando-nos de volta ao passado. Ao mesmo tempo, o m&eacute;todo de pr&aacute;tica que n&oacute;s usamos, chamado &#8220;vivendo pacificamente no momento presente,&#8221; n&atilde;o &eacute; para esconder o fato de que somos influenciados pelo passado, porque todo o sofrimento do passado, toda a ignor&acirc;ncia e paix&atilde;o do passado, est&atilde;o presentes neste momento. Est&atilde;o presentes na forma do presente, no modo como n&oacute;s nos comportamos, no modo como falamos, no modo como caminhamos, essas coisas est&atilde;o condicionadas pelo que aconteceu no passado. Portanto temos que viver o momento presente para que possamos ver claramente o que est&aacute; acontecendo no presente, e quando n&oacute;s vemos claramente, podemos sorrir para isso, e podemos transform&aacute;-lo.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O Buddha afirma que a pessoa s&aacute;bia vive pacificamente no momento presente, olhando a vida profundamente no momento presente. H&aacute; dois modos de viver: o primeiro &eacute; estar em contato com as coisas maravilhosas da vida, as coisas que t&ecirc;m a capacidade para nos nutrir; assim vivemos no momento presente de modo a estar em contato com os elementos maravilhosos que t&ecirc;m a capacidade de nutrir e curar. E o segundo modo &eacute; viver no momento presente de forma a olhar profundamente e poder ver os h&aacute;bitos, as costumes que est&atilde;o nos comandando, que est&atilde;o nos ordenando que digamos coisas que n&atilde;o queremos dizer, que est&atilde;o ordenando que pensemos coisas que n&atilde;o queremos pensar e ordenando que fa&ccedil;amos coisas n&atilde;o queremos fazer, porque eles s&atilde;o destrutivos para n&oacute;s e para nossa paz. S&oacute; quando vivemos pacificamente no momento presente podemos reconhecer e transformar tudo isto. E uma vez que n&oacute;s o transformamos, ent&atilde;o o Mara do passado n&atilde;o pode fazer nada para nos machucar. No passado n&oacute;s sofremos, e devido ao nosso sofrimento no passado, temos medo. &Eacute; por isso que no presente temos medo. N&atilde;o h&aacute; nada t&atilde;o importante assim do qual devamos ter medo, contudo n&oacute;s ainda temos medo. Este medo n&atilde;o est&aacute; baseado em qualquer coisa &#8211; &eacute; apenas um h&aacute;bito. E devido a este h&aacute;bito temos padr&otilde;es de comportamento que provoca humores que nos faz sentir mal, perdemos nosso bem estar, nosso sentimento de bem estar. Temos que olhar a vida profundamente como ela &eacute; no momento presente e ver a face destas coisas, estas energias de h&aacute;bito, e dizermos, &#8220;Ah ,isto &eacute; uma energia de h&aacute;bito; isso &eacute; algo que est&aacute; me impedindo de abrir meu cora&ccedil;&atilde;o, me impedindo de ser capaz de amar.&#8221; E quando estamos em contato e reconhecendo esta energia com um sorriso, esta energia de h&aacute;bito desaparecer&aacute; e o Mara do passado tamb&eacute;m ser&aacute; transformado. Ent&atilde;o, nesta se&ccedil;&atilde;o, ensina o Buddha que se n&oacute;s nos permitimos retornar ao passado, permitimos ao Mara do passado nos controlar, e ent&atilde;o n&atilde;o temos a oportunidade de viver o presente, e n&atilde;o seremos nutridos e curados pelas coisas maravilhosas do presente.&#8221; Bhikkhus, qual &eacute; significado de &#8216;perseguir o passado?&#8217; Quando algu&eacute;m pensa sobre o modo como seu corpo estava no passado, o modo como seus sentimentos estavam no passado, o modo como suas percep&ccedil;&otilde;es estavam no passado, o modo como seus fatores mentais estavam no passado, o modo como sua consci&ecirc;ncia estava no passado\u2026 &#8221; isto significa que n&oacute;s podemos pensar sobre o passado, mas n&atilde;o dever&iacute;amos permitir que o passado nos controlasse. O Buddha nunca disse que n&oacute;s n&atilde;o podemos pensar no passado &#8211; n&oacute;s temos o direito de pensar no passado, pensar que no passado isto me aconteceu, que meu corpo era assim, minha mente era assim, n&oacute;s podemos pensar nisto, mas n&atilde;o deixem estas coisas os puxarem para todo o lado, ou os aprisionarem. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Se algu&eacute;m pensa no modo que estas coisas estavam no passado, mas sua mente n&atilde;o fica escravizada nem apegada a estas coisas que pertencem ao passado, ent&atilde;o esta pessoa n&atilde;o est&aacute; perseguindo o passado.&#8221; Algumas pessoas pensam que viver pacificamente no momento presente significa de que elas s&oacute; podem pensar no presente, que n&atilde;o podem pensar no passado, mas isso n&atilde;o &eacute; verdade. Se n&oacute;s podemos nos estabelecer solidamente no presente, podemos olhar o passado profundamente e podemos ficar livres do passado. Por exemplo, n&oacute;s contamos uma est&oacute;ria de algo que nos aconteceu no passado. H&aacute; dois modos de contar a est&oacute;ria: um, contamos a est&oacute;ria de tal modo que somos completamente apanhados, ficamos presos por aquela hist&oacute;ria do passado, choramos como uma chuva torrencial e ent&atilde;o n&atilde;o podemos mais encontrar meios de escapar disso. O outro modo &eacute; quando nos estabelecemos solidamente no momento presente com um irm&atilde;o ou uma irm&atilde; [um amigo ou uma amiga] ao lado de n&oacute;s, e contamos a est&oacute;ria de nosso passado para eles ouvirem, contamos o que aconteceu exatamente, mas falamos disto de um modo muito equilibrado, e o passado n&atilde;o nos puxa para fazer-nos chorar, l&aacute;grimas caindo.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">N&oacute;s vivemos solidamente no presente de modo a olhar profundamente para o passado. N&atilde;o dever&iacute;amos dizer que a pr&aacute;tica de consci&ecirc;ncia em Plum Village n&atilde;o lhes permitem olhar o passado. Uma vez que estamos vivendo solidamente no presente, podemos olhar o passado. Se somos fracos na pr&aacute;tica, precisamos saber como produzir mais consci&ecirc;ncia , e temos os irm&atilde;os e irm&atilde;s que nos ap&oacute;iam para que possamos olhar o passado sem sermos arrastados por ele. E &eacute; por isso que o Sangha &eacute; importante. Se voc&ecirc; quer olhar profundamente no passado, deveria saber quem &eacute; mais forte, voc&ecirc; ou o fantasma do passado. Se voc&ecirc; sente que o fantasma do passado ainda &eacute; mais forte que voc&ecirc;, deveria praticar mais a medita&ccedil;&atilde;o andante e a medita&ccedil;&atilde;o sentada para se fazer mais forte, e ent&atilde;o tenha seus irm&atilde;os e irm&atilde;s sentados perto de voc&ecirc; quando olhar profundamente o passado. Assim, este &eacute; o programa, poder encarar o passado. Se voc&ecirc; vive em um Sangha, com pessoas praticando com voc&ecirc;, voc&ecirc; tem uma condi&ccedil;&atilde;o muito favor&aacute;vel para poder olhar profundamente no passado. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Bhikkhus, qual &eacute; o significado &#8216;se perder no futuro? &#8216; Quando algu&eacute;m pensa no modo que seu corpo ser&aacute; no futuro, o modo que seus sentimentos ser&atilde;o no futuro, o modo que suas percep&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o no futuro, o modo que seus fatores mentais ser&atilde;o no futuro, o modo que sua consci&ecirc;ncia ser&aacute; no futuro; quando se pensa nisto e a mente &eacute; arrastada e fica devaneando sobre as coisas que pertencem ao futuro, ent&atilde;o esta pessoa est&aacute; se perdendo no futuro.&#8221; E assim temos um tipo de medo. Todas estas coisas s&atilde;o Mara, e se o Mara do passado ou o Mara do futuro lhes controla, voc&ecirc;s n&atilde;o mais ser&atilde;o realmente capazes de viver o momento presente. Voc&ecirc;s deveriam saber que a Terra Pura, o Sukhavati, o Para&iacute;so, s&oacute; est&aacute; no momento presente, e perdemos a Terra Pura ou Para&iacute;so porque os fantasmas do passado e do futuro nos puxam para longe do presente. Um Arhat &eacute; algu&eacute;m que pode destruir o Mara do passado e do futuro. Tristeza e medo s&atilde;o os nomes de Mara, de dois fantasmas, dois imensos fantasmas. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">(Sino)<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">N&oacute;s dever&iacute;amos voltar &agrave; hist&oacute;ria da pessoa que &eacute; avisada pelo m&eacute;dico que s&oacute; lhe resta seis meses para viver. Ele diz, &#8220;Certo, sei que morrerei em seis meses.&#8221; Mas ele n&atilde;o deveria estar t&atilde;o seguro que o m&eacute;dico tem raz&atilde;o, porque os m&eacute;dicos freq&uuml;entemente erram em suas previs&otilde;es. Algumas pessoas s&atilde;o avisadas que t&ecirc;m s&oacute; seis meses para viver mas vivem por muitos anos. Isto depende do modo que n&oacute;s vivemos. Como sempre, n&oacute;s dizemos, &#8220;Muito bem, de agora at&eacute; minha morte vou viver corretamente, com paz, liberdade e solidez, e vou fazer da minha qualidade de vida o melhor poss&iacute;vel.&#8221; E uma vez que esta pessoa fique livre, n&atilde;o &eacute; presa pelo passado ou pelo futuro, n&atilde;o tem medo do futuro e pode viver solidamente, livre no momento presente, e v&ecirc; profundamente que o que a vida significa, ent&atilde;o esta pessoa perceber&aacute; que seu tempo de vida &eacute; ilimitado. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">N&oacute;s lemos outros sutras. Sabemos que sutras como o Sutra do L&oacute;tus e o Vajracchedika Sutra falam sobre o tempo de vida do Buddha como sendo ilimitado. A id&eacute;ia de um tempo de vida &#8211; de que nascemos num momento em particular, e que morreremos em outro momento em particular, e que a vida entre esses dois momentos vem a ser nosso tempo de vida &#8212; existe porque n&atilde;o sabemos viver solidamente e livremente no momento presente. Se n&oacute;s vivemos solidamente e livremente no momento presente e olhamos a vida profundamente, descobriremos que nosso tempo de vida &eacute; ilimitado, como o tempo de vida do Buddha. E a coisa que &eacute; chamada &#8220;nascimento&#8221; n&atilde;o pode tocar nossas vidas, e a morte n&atilde;o pode tocar nosso tempo de vida. Percebemos que n&atilde;o h&aacute; nenhuma vida, nascimento e morte &#8212; h&aacute; manifesta&ccedil;&atilde;o e lat&ecirc;ncia. Podemos estar em contato com o n&atilde;o-nascimento e a n&atilde;o-morte, e depois de seis meses ou sessenta anos, n&atilde;o faz nenhuma diferen&ccedil;a. Quando podemos estar em contato com a natureza inata e imortal, nascimento e morte n&atilde;o nos pode oprimir mais. &Eacute; isso que Tue Trung Thuong Si disse: &#8220;A id&eacute;ia de nascimento e morte nos oprimia, mas agora ela n&atilde;o nos pode tocar mais.&#8221; E quando o m&eacute;dico nos diz que temos apenas seis meses para viver, ou se ele diz que temos um m&ecirc;s ou trinta anos, n&atilde;o faz nenhuma diferen&ccedil;a, porque n&oacute;s vamos viver nosso tempo com paz, solidez e liberdade. E se podemos fazer isso, podemos viver muito mais tempo que o m&eacute;dico. O m&eacute;dico pode at&eacute; morrer antes de n&oacute;s, porque o m&eacute;dico vive sem consci&ecirc;ncia , sem paz, sem alegria, sem um Sangha, mas n&oacute;s fomos despertados pelo som deste sino, e decidimos viver nossa vida com paz, com alegria e esta vida de paz e alegria pode nos ajudar a viver muito mais tempo que o m&eacute;dico. &#8220;Bhikkhus, qual o significado de &#8216;n&atilde;o se perder no futuro?&#8217; Quando algu&eacute;m pensa no modo que seu corpo ser&aacute; no futuro, no modo que seus sentimentos ser&atilde;o no futuro, no modo que suas percep&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o no futuro, no modo que seus fatores mentais ser&atilde;o no futuro, no modo que sua consci&ecirc;ncia ser&aacute; no futuro; quando se pensa desta forma mas a mente n&atilde;o &eacute; arrastada ou fica devaneando sobre as coisas que pertencem ao futuro, ent&atilde;o esta pessoa n&atilde;o est&aacute; se perdendo no futuro.&#8221; Vivendo pacificamente no futuro, n&atilde;o temos medo. Pensamos que tudo o que nos acontecer&aacute; no futuro n&atilde;o nos causar&aacute; medo. N&atilde;o temos medo da morte, porque vivemos profundamente, olhamos profundamente, e estamos em contato com o mundo do n&atilde;o-nascimento e n&atilde;o-morte, e assim naquele momento sabemos que este cad&aacute;ver n&atilde;o &eacute; n&oacute;s, n&atilde;o nos identificamos com o corpo, assim n&atilde;o temos nenhum medo. Existem pessoas que pensam no momento em que morrer&atilde;o, e elas sofrem, elas sofrem pensando em deixar seus entes queridos. E h&aacute; outras que pensam sobre a morte, e eles podem at&eacute; sorrir. Por que isso? Qual &eacute; a diferen&ccedil;a? A diferen&ccedil;a &eacute; que esta pessoa pode viver o momento presente profundamente, e ent&atilde;o v&ecirc; a natureza de n&atilde;o-nascimento e n&atilde;o-morte da vida, enquanto que aquela outra pessoa n&atilde;o faz assim. Assim, &eacute; por deliberadamente n&atilde;o querermos pensar na morte que a tememos. N&oacute;s [aqui] realmente pensamos na morte, e fazemos isto para olh&aacute;-la profundamente. &Eacute; dito aos praticantes que diariamente eles devem repetir as Cinco Lembran&ccedil;as: <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Eu perten&ccedil;o &agrave; natureza do envelhecimento; n&atilde;o h&aacute; nenhum modo de escapar do envelhecimento. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Eu perten&ccedil;o &agrave; natureza das doen&ccedil;as; n&atilde;o h&aacute; nenhum modo de escapar de sofrer alguma doen&ccedil;a. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Eu perten&ccedil;o &agrave; natureza da morte; n&atilde;o h&aacute; nenhum modo de escapar da morte. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Tudo aquilo que me &eacute; querido e todos que amo pertencem &agrave; natureza da mudan&ccedil;a. N&atilde;o h&aacute; nenhum modo de evitar me separar deles.&#8221;<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O Buddha nos disse para praticar assim diariamente. Buddha &eacute; nosso m&eacute;dico. Buddha nos faz lembrar isto para nos ajudar a retornar ao momento presente e viver profundamente o momento presente. E se n&oacute;s podemos viver profundamente o momento presente, iremos al&eacute;m das id&eacute;ias de envelhecimento, morte e doen&ccedil;as. N&oacute;s podemos sorrir, e se quaisquer destas coisas acontecer conosco estaremos felizes, porque esta ser&aacute; uma oportunidade para um recome&ccedil;o. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">A Quinta Lembran&ccedil;a &eacute; &#8220;Minhas a&ccedil;&otilde;es s&atilde;o meus &uacute;nicos verdadeiros pertences. Eu n&atilde;o posso escapar &agrave;s conseq&uuml;&ecirc;ncias de minhas a&ccedil;&otilde;es. Minhas a&ccedil;&otilde;es s&atilde;o o solo sobre o qual eu piso.&#8221; No Sutra vemos claramente que viver no momento presente n&atilde;o impede nosso pensamento sobre o passado ou o futuro, mas n&oacute;s temos que viver no momento presente de forma a toda vez que olharmos profundamente o passado ou o futuro, nos libertamos e podemos superar nossos medos e nossa tristeza no que concerne a estas coisas. Porque nos ensinamentos da integra&ccedil;&atilde;o do ser, interpenetra&ccedil;&atilde;o, o passado faz o futuro, e o futuro &eacute; feito do passado. Portanto, estando em contato com o presente j&aacute; estamos em contato com o passado e o futuro, mas n&atilde;o estamos sendo arrastados pelos Maras do passado e do futuro. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Vamos ler mais: &#8220;Bhikkhus, qual o significado de &#8216;ser afastado do presente&#8217;? Quando algu&eacute;m n&atilde;o estuda, ou n&atilde;o aprende qualquer coisa sobre o Desperto, ou sobre os ensinamentos de amor e compreens&atilde;o, ou sobre a comunidade que vive em harmonia e consci&ecirc;ncia; quando esta pessoa n&atilde;o sabe nada sobre os nobres mestres e seus ensinamentos, e pensa, &#8216;Este corpo sou eu mesmo; eu sou este corpo. Estes sentimentos s&atilde;o eu mesmo; eu sou estes sentimentos. Esta percep&ccedil;&atilde;o sou eu mesmo; eu sou esta percep&ccedil;&atilde;o. Este fator mental sou eu mesmo; eu sou este fator mental. Esta consci&ecirc;ncia sou eu mesmo; eu sou esta consci&ecirc;ncia.&#8217; Ent&atilde;o esta pessoa est&aacute; sendo afastada do presente &#8220;. Esta se&ccedil;&atilde;o &eacute; muito clara, seu significado pode ser explicado muito claramente pelas duas linhas: &#8220;Olhando a vida profundamente como ela &eacute; exatamente no aqui e agora.&#8221; Quando olhamos a vida profundamente como ela &eacute;, n&oacute;s n&atilde;o pensamos &#8220;este corpo &eacute; meu&#8221;, ou dizemos &#8220;este corpo sou eu&#8221;. N&oacute;s n&atilde;o dizemos &#8220;quando este corpo n&atilde;o existir mais, eu n&atilde;o existirei mais&#8221;, porque pensando assim teremos medo. E pensar desta forma &eacute; o que permite ao Mara do passado e do futuro controlar-nos. Viver ent&atilde;o profundamente o momento presente &eacute; descobrir a natureza do ser integrado, a natureza de interpenetra&ccedil;&atilde;o de todas as coisas, de forma que n&atilde;o somos conduzidos &agrave; toa pela id&eacute;ia ignorante do ego. N&oacute;s n&atilde;o pensamos, &#8220;eu sou este corpo, eu sou apenas este corpo; eu sou este sentimento, eu sou apenas este sentimento; eu sou este fator mental, este fator mental sou eu.&#8221; Quando n&atilde;o nos identificamos com o corpo, os sentimentos, etc., ent&atilde;o n&atilde;o ficamos presos &agrave; id&eacute;ia de um ego, e neste momento n&atilde;o h&aacute; nenhum fantasma que possa nos influenciar, seja do passado ou do futuro, porque quando podemos viver assim j&aacute; estamos no mundo do n&atilde;o-nascimento e da n&atilde;o-morte. Quando estamos em contato com este mundo do n&atilde;o-nascimento e n&atilde;o-morte, n&atilde;o podemos ser aprisionados pelo passado, e o futuro n&atilde;o pode produzir nenhum medo em n&oacute;s. Esta &eacute; a ess&ecirc;ncia, a nata dos ensinamentos de Buddha. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Bhikkhus, qual o significado de &#8220;n&atilde;o ser afastado do presente&#8217; Quando algu&eacute;m estuda, ou aprende qualquer coisa sobre o Desperto, ou sobre os ensinamentos de amor e compreens&atilde;o, ou sobre a comunidade que vive em harmonia e consci&ecirc;ncia; quando esta pessoa sabe sobre os nobres mestres e seus ensinamentos e os pratica, e n&atilde;o pensa, &#8216;Este corpo sou eu mesmo; eu sou este corpo. Estes sentimentos s&atilde;o eu mesmo; eu sou estes sentimentos. Esta percep&ccedil;&atilde;o sou eu mesmo; eu sou esta percep&ccedil;&atilde;o. Este fator mental sou eu mesmo; eu sou este fator mental. Esta consci&ecirc;ncia sou eu mesmo; eu sou esta consci&ecirc;ncia.&#8217; Ent&atilde;o esta pessoa n&atilde;o est&aacute; sendo afastada do presente.&#8221; Poucas palavras, mas n&oacute;s podemos us&aacute;-las toda nossa vida &#8211; a qu&ecirc; pertence nossos corpos, a qu&ecirc; pertence nossos sentimentos, nossas forma&ccedil;&otilde;es mentais? &#8212; n&oacute;s as vivenciamos diariamente, e percebemos as causas e condi&ccedil;&otilde;es que provocaram estas coisas. Percebemos que o corpo &eacute; s&oacute; um corpo, originado e condicionado, os sentimentos s&atilde;o sentimentos, originados e condicionados, e n&oacute;s j&aacute; n&atilde;o estamos presos a estas coisas, e assim o passado, o futuro e o presente n&atilde;o podem nos oprimir, n&atilde;o podem nos conduzir a esmo. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Bhikkhus, eu vos apresentei o esbo&ccedil;o e uma explica&ccedil;&atilde;o detalhada do conhecimento sobre o modo melhor de viver sozinho.&#8221; Assim o Buddha ensinou, e os Bhikkhus ficaram encantados de p&ocirc;r seus ensinamentos em pr&aacute;tica.&#8221;<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">(Sons de Thay escrevendo) eka significa um, vihari significa viver, e viver sozinho\u2026 quando vivemos com um fantasma n&oacute;s n&atilde;o estamos vivendo sozinhos, estamos vivendo com outro. Voc&ecirc; est&aacute; sentado l&aacute;, est&aacute; comendo sua comida, mas possui o fantasma sentado junto a voc&ecirc;, e portanto n&atilde;o est&aacute; vivendo s&oacute;. Quando vemos um irm&atilde;o ou uma irm&atilde; sentados com um fantasma, temos que dizer, &#8220;Quem est&aacute; sentado com voc&ecirc;?&#8221; e ent&atilde;o nosso irm&atilde;o ou a irm&atilde; despertar&aacute;. Assim, n&atilde;o permitam que aquele fantasma os oprima. N&oacute;s temos que destruir os fantasmas, destruam Mara. No presente temos paix&otilde;es, apegos, tristezas, projetos, e quando vivemos com estas coisas n&atilde;o estamos vivendo a s&oacute;s, estamos vivendo com os fantasmas, e um praticante n&atilde;o deveria morar com fantasmas, n&oacute;s dever&iacute;amos viver sozinhos. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">[Fim da Palestra do Dharma]<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">(Tr&ecirc;s sinos)<\/p>\n<hr \/>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\"><font SIZE=\"1\"><b>Nota 1:<br \/>Para livre distribui&ccedil;&atilde;o, como exerc&iacute;cio de Dharma. Aqueles que desejarem oferecer uma doa&ccedil;&atilde;o ao Templo orientado por Thich Nhat Hanh, podem envia-la para o seguinte endere&ccedil;o:<br \/>Transcription Project<br \/>Plum Village &#8211; Lower Hamlet<br \/>Meyrac, Loubes-Bernac, 47120 FRANCE<br \/>Site do Templo: http:\/\/plumvillage.org\/ <\/b><\/font><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Thich Nhat HanhRetiro em Upperr Hamlet5 de abril de 1998Transcrito e editado por Carol Fegan, Chan An Cu Revisado por Brendan SillifantTraduzido ao Portugu&ecirc;s por Claudio Miklos. Querido Sangha, hoje &eacute; o quinto dia de abril, 1998. N&oacute;s estamos em &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/conhecendo-o-melhor-modo-de-viver-sozinho\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6669,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,27,40],"tags":[16],"class_list":["post-6733","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-thay","category-zen","tag-thich-nhat-hanh"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6733","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6733"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6733\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6734,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6733\/revisions\/6734"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6669"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6733"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6733"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6733"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}