{"id":6735,"date":"2020-07-05T19:12:20","date_gmt":"2020-07-05T21:12:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6735"},"modified":"2020-07-05T19:12:43","modified_gmt":"2020-07-05T21:12:43","slug":"meditacoes-para-os-doentes-e-os-moribundos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/meditacoes-para-os-doentes-e-os-moribundos\/","title":{"rendered":"Medita\u00e7\u00f5es para os doentes e os moribundos"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_.jpg\" alt=\"\" width=\"224\" height=\"225\" class=\"alignleft size-full wp-image-6670\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_.jpg 224w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Thich-Nhat-Hanh_-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/><\/a><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:center\"><font SIZE=\"4\"><b><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/thich-nhat-hanh\/\">Thich Nhat Hanh<\/a><\/b><\/font><br \/>Retiro em Lower Hamlet<br \/>11 de agosto de 1996<br \/>Transcrito e editado por Carol Fegan,<br \/> Chan An Cu. Revisado por Brendan Sillifant<br \/>Traduzido ao Portugu&ecirc;s por Claudio Miklos.<\/p>\n<hr \/>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">[Falando para crian&ccedil;as e adultos] <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Hoje &eacute; o d&eacute;cimo primeiro dia de agosto, 1996, n&oacute;s estamos no Lower Hamlet, e nossa palestra de Dharma ser&aacute; em ingl&ecirc;s. Hoje vamos aprender a pr&aacute;tica dos quatros mantras, porque este &eacute; o tipo de pr&aacute;tica que eu gostaria de todo o mundo levasse para casa e fizesse diariamente. &Eacute; muito agrad&aacute;vel e f&aacute;cil. Um mantra &eacute; uma f&oacute;rmula m&aacute;gica. Toda vez que voc&ecirc; pronuncia um mantra, pode transformar a situa&ccedil;&atilde;o imediatamente; voc&ecirc; n&atilde;o tem que esperar. &Eacute; uma f&oacute;rmula m&aacute;gica que voc&ecirc; deve aprender a recitar quando o tempo &eacute; apropriado. E a condi&ccedil;&atilde;o que faz isto efetivo &eacute; sua consci&ecirc;ncia, sua concentra&ccedil;&atilde;o. Significa que estes mantras s&oacute; podem ser recitados quando voc&ecirc; est&aacute; perfeitamente atento e concentrado. Caso contr&aacute;rio, n&atilde;o funciona. Mas voc&ecirc;s n&atilde;o precisam estar atentos ou concentrados cem por cento; at&eacute; mesmo oitenta por cento pode produzir um milagre. E todos n&oacute;s somos capazes de ficar atentos e concentrados. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O primeiro mantra &eacute; &#8220;Querido(a), eu estou aqui para voc&ecirc;&#8221;. Eu gostaria que as crian&ccedil;as da It&aacute;lia praticassem em italiano, as crian&ccedil;as francesas em franc&ecirc;s, vietnamitas em vietnamita, e assim por diante. N&oacute;s n&atilde;o temos que praticar isto em S&acirc;nscrito ou Tibetano. E por que temos que praticar este mantra, &#8220;Querido(a), eu estou aqui para voc&ecirc;&#8221;? Porque quando voc&ecirc; ama algu&eacute;m, tem que lhe oferecer o melhor de voc&ecirc;. E o melhor que voc&ecirc; pode oferecer a seu amado &eacute; sua verdadeira presen&ccedil;a. Sua verdadeira presen&ccedil;a &eacute; muito importante para ele ou para ela. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Eu conhe&ccedil;o um jovem de onze ou doze anos. Um dia que o pai dele lhe perguntou, &#8220;Amanh&atilde; ser&aacute; seu anivers&aacute;rio. O que voc&ecirc; quer? Eu comprarei para voc&ecirc;&#8221;. O jovem n&atilde;o estava muito entusiasmado. Ele sabia que o pai era muito rico &#8211; o diretor de uma grande corpora&ccedil;&atilde;o &#8211; e poderia comprar qualquer coisa que o jovem quisesse. Ele era extremamente rico, assim n&atilde;o seria nenhum problema comprar um presente de anivers&aacute;rio para seu filho. Mas o jovem n&atilde;o quis nada. Ele n&atilde;o estava muito contente, e n&atilde;o porque n&atilde;o tivesse muitas coisas para brincar. Ele n&atilde;o estava contente porque o seu pai n&atilde;o estava com ele &#8211; sempre estava ausente. Ele nunca passava muito tempo em casa. Viajava como uma seta. E o que mais o jovem precisava era da presen&ccedil;a do pai. Ele tinha um pai, mas n&atilde;o parecia muito que o tinha, porque o pai era t&atilde;o ocupado. Voc&ecirc;s sabem, quando algu&eacute;m &eacute; rico, tenta trabalhar muito duro para continuar sendo rico; esse &eacute; o problema. Uma vez que voc&ecirc; &eacute; rico, n&atilde;o pode admitir ser pobre. Eis porque voc&ecirc; tem que usar todo seu tempo e energia para trabalhar, trabalhar, trabalhar, dia e noite para continuar sendo rico. E eu vi muitas pessoas assim. Assim, o pai n&atilde;o tinha tempo para suas crian&ccedil;as. Embora as crian&ccedil;as em princ&iacute;pio tenham um pai, elas realmente n&atilde;o t&ecirc;m um. O que elas mais precisam &eacute; da presen&ccedil;a de seus pais ao seu lado. Assim o jovem n&atilde;o soube o que dizer. Mas finalmente ele foi iluminado. Ele disse, &#8220;Papai, eu sei o que eu quero&#8221;. &#8220;O qu&ecirc;?&#8221; E o pai estava esperando por um trem el&eacute;trico, ou algo assim. O jovem disse, &#8220;Eu quero voc&ecirc;!&#8221; E &eacute; verdade, que as crian&ccedil;as &#8211; se elas n&atilde;o t&ecirc;m seu pai ou a m&atilde;e ao lado &#8211; n&atilde;o ficam muito felizes. Assim o que elas mais querem &eacute; a presen&ccedil;a da pessoa que amam. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quando voc&ecirc; ama algu&eacute;m, o presente mais precioso que pode dar a ele ou ela &eacute; sua verdadeira presen&ccedil;a. Eis porque voc&ecirc; tem que praticar de modo que esteja l&aacute;. Voc&ecirc; est&aacute; l&aacute; cem por cento e a(o) olha, e diz, &#8220;Querido(a), eu estou realmente aqui para voc&ecirc;&#8221;. Este &eacute; o maior presente que podemos dar a quem mais amamos. Mas esta n&atilde;o &eacute; s&oacute; uma declara&ccedil;&atilde;o. Voc&ecirc;s sabem que um mantra n&atilde;o &eacute; uma declara&ccedil;&atilde;o. Um mantra &eacute; algo que voc&ecirc; d&aacute; realidade &#8211; o que significa que voc&ecirc; tem que estar l&aacute; cem por cento para que o que diz possa se tornar um verdadeiro mantra. Assim para realmente estar l&aacute; voc&ecirc;s precisam de um minuto ou dois de pr&aacute;tica &#8211; voc&ecirc;s inspiram: &#8220;Inspirando, eu estou tranq&uuml;ilo e expirando, eu sorrio. Inspirando, eu estou realmente aqui, expirando, eu estou realmente aqui.&#8221; Voc&ecirc; faz isso algumas vezes, e de repente voc&ecirc; realmente est&aacute; l&aacute;. &Eacute; maravilhoso. Voc&ecirc; n&atilde;o fica preso a seus problemas, n&atilde;o fica apegado a seus projetos, n&atilde;o fica preso pelo futuro, ou pelo passado. Voc&ecirc; realmente est&aacute; l&aacute;, dispon&iacute;vel, para a pessoa que voc&ecirc; ama. Ent&atilde;o quando voc&ecirc; est&aacute; seguro que verdadeiramente est&aacute; l&aacute; &#8211; corpo e mente juntos &#8211; voc&ecirc; vai na dire&ccedil;&atilde;o da pessoa que ama, e olhando para a consci&ecirc;ncia dele ou dela, sabendo que aquela pessoa realmente est&aacute; l&aacute; e voc&ecirc; est&aacute; l&aacute;, sorri e diz, &#8220;Querido(a), eu estou aqui para voc&ecirc;, eu estou realmente aqui para voc&ecirc;.&#8221;<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Para muitos de n&oacute;s este &eacute; o maior presente que podemos dar a quem amamos. Se o pai entendesse isso, ele praticaria a respira&ccedil;&atilde;o atenta ou o caminhar durante alguns minutos, ele pararia todos seus projetos, cancelaria suas reuni&otilde;es e apenas se sentaria, realmente perto do seu menino, poria seu bra&ccedil;o ao redor do pequeno rapaz, olharia nos seus olhos e diria, &#8220;Querido, neste momento eu realmente estou aqui para voc&ecirc;&#8221;. Este &eacute; um momento maravilhoso pois &eacute; um momento quando a vida torna-se verdadeira e profundamente real: o pai est&aacute; l&aacute; e o filho est&aacute; l&aacute;. O Amor est&aacute; l&aacute; porque eles est&atilde;o l&aacute; um para o outro, eles est&atilde;o dispon&iacute;veis a um ao outro. Quando voc&ecirc; ama algu&eacute;m, voc&ecirc; tem que se fazer dispon&iacute;vel para a pessoa que voc&ecirc; ama. E esta &eacute; a pr&aacute;tica de se fazer dispon&iacute;vel cem por cento, como um presente para a pessoa que voc&ecirc; ama. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Assim eu gostaria que as crian&ccedil;as escrevessem esta f&oacute;rmula em uma folha de papel no seu pr&oacute;prio idioma, formosamente, e decorasse com flores, frutas e p&aacute;ssaros. Quando voc&ecirc;s forem para casa, colem o mantra em sua parede e pratiquem diariamente com a pessoa que voc&ecirc;s amam. &#8220;Querido(a), eu estou aqui para voc&ecirc;&#8221;, esse &eacute; o primeiro mantra. Meus amigos na Am&eacute;rica pintaram este mantra em uma camiseta. Se voc&ecirc;s quiserem, podem fazer uma camiseta e pintar esta f&oacute;rmula de magia em italiano ou franc&ecirc;s ou alem&atilde;o ou holand&ecirc;s. Quando voc&ecirc;s usarem a camiseta, &#8220;Querido(a), eu estou aqui para voc&ecirc;&#8221;, poderiam apenas olhar para a pessoa, apontar para o mantra em sua camiseta e sorrir.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O segundo mantra &eacute;, &#8220;Querido(a), eu sei que voc&ecirc; est&aacute; a&iacute;, e estou muito contente&#8221;. Este tamb&eacute;m &eacute; um mantra muito f&aacute;cil de praticar. Porque amar significa reconhecer a presen&ccedil;a da pessoa que voc&ecirc; ama. Para reconhecer que ele est&aacute; ali ou ela est&aacute; ali, voc&ecirc;s tem que ter tempo. Se voc&ecirc;s est&atilde;o muito ocupados, como podem reconhecer a presen&ccedil;a dele ou dela? E a condi&ccedil;&atilde;o mais importante para fazer este mantra &eacute; que voc&ecirc;s estejam l&aacute; cem por cento. Se voc&ecirc; n&atilde;o est&aacute; l&aacute; cem por cento, n&atilde;o pode reconhecer a presen&ccedil;a dele ou dela. Quando voc&ecirc; &eacute; amado por algu&eacute;m, precisa que a pessoa reconhe&ccedil;a que voc&ecirc; est&aacute; l&aacute; &#8211; se voc&ecirc; &eacute; muito jovem ou tem setenta ou oitenta anos, ainda se comporta do mesmo modo. N&oacute;s sempre precisamos da outra pessoa para reconhecer que n&oacute;s estamos aqui. N&oacute;s queremos ser abra&ccedil;ados pela consci&ecirc;ncia dele ou dela. N&atilde;o s&oacute; as crian&ccedil;as tem necessidade disso mas os adultos tamb&eacute;m. N&oacute;s precisamos ser abra&ccedil;ados pela energia de consci&ecirc;ncia da outra pessoa. Assim se voc&ecirc; est&aacute; l&aacute; cem por cento e aproxima-se da outra pessoa, voc&ecirc; a olha, sorri e diz, &#8220;Querido(a), eu sei que voc&ecirc; est&aacute; a&iacute; e estou muito contente.&#8221; Isso &eacute; reconhecer a presen&ccedil;a da pessoa que voc&ecirc; ama e dizer que voc&ecirc; est&aacute; muito contente que ela ainda esteja viva, dispon&iacute;vel para n&oacute;s. Voc&ecirc; sabe que tal pr&aacute;tica pode fazer a outra pessoa feliz imediatamente. Esse &eacute; o Buddhadharma &#8211; efetivo imediatamente. Se voc&ecirc; &eacute; t&iacute;mido, deve aprender. Voc&ecirc; deve fechar a porta, apagar a luz, e tentar praticar o mantra, &#8220;Querido(a), eu sei que voc&ecirc; est&aacute; a&iacute;, e estou muito contente&#8221;. E quando voc&ecirc; estiver seguro que pode fazer isto, pode abrir a porta e ir para ele ou ela e praticar.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Voc&ecirc; sabe, eu n&atilde;o s&oacute; pratico isso com pessoas, mas pratico com a lua, a Estrela Matutina, as flores de magn&oacute;lia. Ano passado quando eu fui para a Cor&eacute;ia, fiquei alojado em um semin&aacute;rio protestante e minha pequena casa era cercada de magn&oacute;lias, pois era esta&ccedil;&atilde;o da primavera. As flores de magn&oacute;lia estavam muito bonitas. Elas tem uma cor branca &#8211; igual &agrave; neve. Eu pratiquei medita&ccedil;&atilde;o andante entre as flores de magn&oacute;lia. Eu me sentia t&atilde;o feliz, era t&atilde;o maravilhoso. Ent&atilde;o eu parei e olhei de perto cada flor de magn&oacute;lia. Eu sorri, inspirei e expirei, e disse, &#8220;Querida, eu sei que voc&ecirc; est&aacute; a&iacute;, e estou muito contente,&#8221; e me curvei &agrave; flor. Eu estava muito contente, e achei que a flor de magn&oacute;lia tamb&eacute;m estava contente, porque quando as pessoas reconhecem sua presen&ccedil;a e apreciam sua presen&ccedil;a, voc&ecirc; sente que vale alguma coisa. &Eacute; claro, as flores de magn&oacute;lia eram muito, muito preciosas para mim. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&Agrave;s vezes eu olho a lua cheia com consci&ecirc;ncia, pratico o inspirar e expirar, e recito para a lua cheia o mantra: &#8220;Lua cheia, bela lua cheia, eu sei que voc&ecirc; est&aacute; a&iacute;, e estou muito contente. &#8221; E eu estava realmente contente naquele momento. Eu era uma pessoa livre &#8211; eu n&atilde;o estava sendo assaltado por preocupa&ccedil;&otilde;es ou medos ou qualquer projeto. E porque era livre, era eu mesmo. Eu tive tempo e oportunidade para tocar as maravilhas da vida ao redor de mim, e eis porque eu podia tocar a lua cheia e praticar o mantra com a ela. Esta tarde voc&ecirc;s podem gostar de praticar o mantra com algu&eacute;m, ou simplesmente praticar o mantra com uma &aacute;rvore ou uma borboleta, porque eles s&atilde;o todo maravilhosos. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">N&oacute;s estamos no sal&atilde;o de medita&ccedil;&atilde;o e todos podemos ouvir o som da chuva. Para mim o som da chuva &eacute; algo maravilhoso. No Upper Hamlet n&oacute;s temos uma varanda batizada de &#8220;varanda de escutar-a-chuva&#8221;. Se voc&ecirc; &eacute; uma pessoa livre precisa se sentar l&aacute; e escutar &agrave; chuva, e poder&aacute; ficar deveras muito contente, porque a chuva &eacute; algo maravilhoso. Eu penso muito freq&uuml;entemente na chuva como o bodhisattva Avalokiteshvara. Depois de v&aacute;rias semanas sem chuva, a vegeta&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a a sofrer e quando a chuva vem voc&ecirc; pode ver que todas as &aacute;rvores e arbustos est&atilde;o muito contentes. Eu penso que eles desfrutam o som da chuva, como eu fa&ccedil;o, muito. Se sentando no sal&atilde;o de medita&ccedil;&atilde;o ou se sentando na &#8220;varanda de escutar-a-chuva&#8221;, voc&ecirc; pode apreciar o som da chuva e pode estar muito contente apenas por fazer isso. Assim a felicidade &eacute; poss&iacute;vel com consci&ecirc;ncia, porque consci&ecirc;ncia nos ajuda a perceber o que est&aacute; ali &#8211; t&atilde;o precioso. Aqueles entre n&oacute;s que ainda t&ecirc;m uma m&atilde;e, n&oacute;s dever&iacute;amos estar contentes. Aqueles entre n&oacute;s que ainda t&ecirc;m um pai, n&oacute;s dever&iacute;amos estar contentes. Aqueles entre n&oacute;s que ainda t&ecirc;m olhos em boas condi&ccedil;&otilde;es para poder olhar a lua, n&oacute;s dever&iacute;amos estar contentes. H&aacute; muitas coisas que podem nos fazer feliz agora. E isso &eacute; consci&ecirc;ncia &#8211; em um nome, &eacute; a pr&aacute;tica de medita&ccedil;&atilde;o budista. Ent&atilde;o, por favor escrevam o segundo mantra em outra folha de papel com sua melhor letra, e decorem com cores &#8211; com flores, frutas, folhas, p&aacute;ssaros, e assim por diante, e pendurem-na em seu quarto. Eu estou certo que se voc&ecirc;s praticarem o primeiro e o segundo mantras, far&atilde;o ao seu redor muitas pessoas extremamente felizes. E n&atilde;o me digam que esta pr&aacute;tica &eacute; dif&iacute;cil &#8211; ela n&atilde;o &eacute;. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">[Sino] <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O terceiro mantra tamb&eacute;m &eacute; f&aacute;cil de praticar. Voc&ecirc;s praticam este mantra quando v&ecirc;em que a pessoa que voc&ecirc;s amam est&aacute; sofrendo. Ela est&aacute; chorando, ou ele est&aacute; chorando. Ou se eles n&atilde;o est&atilde;o chorando, eles parecem muito infelizes. Se voc&ecirc; afirma ser um amante, ent&atilde;o voc&ecirc; tem que saber o que est&aacute; acontecendo &agrave; pessoa que ama, e a consci&ecirc;ncia lhe ajuda a notar se algo est&aacute; errado no &iacute;ntimo daquela pessoa. Claro que, se voc&ecirc; est&aacute; l&aacute; cem por cento para ele ou para ela, logo notar&aacute; que a pessoa que ama sofre. Se voc&ecirc; n&atilde;o percebe que a pessoa que ama sofre, voc&ecirc; n&atilde;o est&aacute; atento; voc&ecirc; n&atilde;o &eacute; um amante real, porque n&atilde;o h&aacute; nenhuma consci&ecirc;ncia em voc&ecirc;. Aqueles entre n&oacute;s que reivindicam ser verdadeiros amantes deveriam praticar a consci&ecirc;ncia, temos que praticar a medita&ccedil;&atilde;o, porque como voc&ecirc;s pode amar se n&atilde;o est&atilde;o l&aacute;? Voc&ecirc;s s&oacute; podem amar quando est&atilde;o ali, e para estar presente voc&ecirc;s t&ecirc;m de praticar o estar ali, seja atrav&eacute;s do andar atentamente ou da respira&ccedil;&atilde;o atenta, ou de qualquer tipo de pr&aacute;tica que possam lhe ajudar a realmente estar l&aacute;, como uma pessoa livre, para a pessoa que ama. Assim porque voc&ecirc; est&aacute; l&aacute;, voc&ecirc; est&aacute; atento &#8211; eis por que voc&ecirc; pode notar que a pessoa que ama est&aacute; sofrendo. Exatamente naquele momento voc&ecirc;s tem que praticar profundamente, estar l&aacute; cem por cento. Voc&ecirc; vai para ele ou para ela, e pronuncia o terceiro mantra, &#8220;Querido(a), que eu sei que voc&ecirc; sofre, eis porque estou aqui para voc&ecirc;.&#8221; <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quando voc&ecirc; sofre, quer a pessoa que ama atenta ao seu sofrimento &#8211; isto &eacute; muito humano, &eacute; muito natural. Voc&ecirc; sofre, e se a pessoa que ama n&atilde;o sabe que voc&ecirc; sofre, se ela ignora seu sofrimento, voc&ecirc; sofre muito mais. Assim seria um grande al&iacute;vio se a pessoa que amamos soubesse, estivesse consciente, de que estamos sofrendo. Ent&atilde;o sua tarefa, sua pr&aacute;tica como um amante &eacute; ir at&eacute; ele ou ela e oferecer sua verdadeira presen&ccedil;a, recitando o terceiro mantra, &#8220;Querido(a), eu sei que voc&ecirc; sofre, eis porque estou aqui para voc&ecirc;.&#8221; Antes que voc&ecirc; possa fazer qualquer coisa para ajudar, ela j&aacute; sofrer&aacute; um pouco menos, porque sabe que voc&ecirc; est&aacute; atento ao seu sofrimento. Assim o efeito da pr&aacute;tica &eacute; mais instant&acirc;neo &#8211; mais r&aacute;pido do que se voc&ecirc; fizer caf&eacute; instant&acirc;neo -, muito r&aacute;pido. Quanto mais voc&ecirc; se concentra, mais voc&ecirc; est&aacute; consciente, maior ser&aacute; o efeito de sua pr&aacute;tica. E as crian&ccedil;as podem praticar da mesma forma. Toda vez que elas virem seu irm&atilde;o ou a irm&atilde; sofrendo, toda vez que virem Mam&atilde;e chorando, deveriam aprender a praticar. Elas t&ecirc;m que praticar inspirando e expirando profundamente, e indo para aquela pessoa, segurando sua m&atilde;o e dizendo, &#8220;Querido(a), eu sei que voc&ecirc; sofre e estou aqui para voc&ecirc;, realmente, eu estou aqui para voc&ecirc;.&#8221; Este ser&aacute; um grande al&iacute;vio. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O quarto mantra &eacute; s&oacute; para adultos porque &eacute; um pouco complicado. Este terceiro mantra, tamb&eacute;m, eu gostaria que voc&ecirc;s escrevessem em ingl&ecirc;s, italiano, ou alem&atilde;o em seu melhor estilo de escrita &#8211; caligrafia &#8211; e decorassem com muito amor e cuidado. Fa&ccedil;am uma obra-prima. E n&atilde;o esperem at&eacute; que estejam em casa para fazer isto &#8211; eu estou lhes pedindo para escrever os tr&ecirc;s mantras aqui e agora, e os decorar muito formosamente. Quando voc&ecirc;s forem para casa, ponha-os na parede de seus quartos ou talvez na sala &#8211; isto &eacute; com voc&ecirc;s. Mas minha expectativa &eacute; que voc&ecirc;s possam pratic&aacute;-los. E esta n&atilde;o &eacute; uma pr&aacute;tica s&oacute; de crian&ccedil;as, esta &eacute; uma pr&aacute;tica de todo mundo. At&eacute; mesmo se tem-se setenta ou oitenta, ainda se pode praticar; at&eacute; mesmo se temos oitenta ainda podemos praticar e isto pode trazer muita felicidade &agrave; casa. Voc&ecirc;s tentam alguns semanas, e ir&atilde;o ver &#8211; a harmonia na casa se transformar&aacute; muito drasticamente. A comunica&ccedil;&atilde;o ser&aacute; restabelecida. N&oacute;s nos preocupamos com a felicidade e o sofrimento de todo membro da fam&iacute;lia. E claro que esta pr&aacute;tica &eacute; f&aacute;cil, simples, e todo o mundo pode fazer isto. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Agora, quando ouvirem o pequeno sino, por favor se levantem e se curvem ao Sangha antes de sair. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">[Sino &#8211; as crian&ccedil;as deixam o sal&atilde;o] <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">No tempo do Buddha havia um leigo cujo nome era Anathapindika. O seu nome real era Sudatta. Anathapindika era um nome dado a ele pelas pessoas da cidade porque elas o amavam. Ele tinha um bom cora&ccedil;&atilde;o. Era um rico negociante, empres&aacute;rio, mas gastou muito do seu tempo e dinheiro cuidando de pessoas pobres, pessoas que eram abandonadas, crian&ccedil;as, &oacute;rf&atilde;os, e assim por diante. Eis porque o t&iacute;tulo &#8220;Anathapindika &#8221; foi dado a ele pelas pessoas da cidade &#8211; ele significa &#8220;a pessoa que cuida dos isolados, dos infelizes&#8221;, e assim por diante. Foi ele que convidou o Buddha a vir e ensinar em sua regi&atilde;o. O Buddha antes disso vivia na regi&atilde;o de Magadha. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Anathapindika, durante um das suas viagens para Magadha, ouviu sobre a presen&ccedil;a do Buddha. Ele ficou muito inspirado pelos ensinamentos do Buddha, e eis porque convidou o Buddha para ir ao seu pa&iacute;s, Kosala. E foi ele que comprou o parque mais bonito perto da cidade de Shravasti e o ofereceu ao Buddha como um monast&eacute;rio &#8211; o primeiro monast&eacute;rio naquele pa&iacute;s. Mais tarde, foi chamado de Parque de Jeta, porque o dono do parque tinha sido o pr&iacute;ncipe cujo nome era Jeta. Anathapindika teve grande prazer em servir o Buddha e o Sangha, e a sua fam&iacute;lia era uma fam&iacute;lia feliz porque sua esposa e todos os tr&ecirc;s filhos seguiram os ensinos do Buddha. Mas ele n&atilde;o praticava todos os ensinamentos do Buddha, porque naquela &eacute;poca as pessoas pensavam que os leigos eram muito ocupados e deveriam receber apenas o tipo de ensino que eles poderiam se dispor a fazer. Assim, os aspectos mais profundos do ensino s&oacute; era dado aos monges e monjas. Foi Anathapindika que esclareceu aos monges e monjas que haviam leigos que eram muito capazes de praticar os ensinos mais profundos do Buddha, e ele disse, &#8220;Por favor, Vener&aacute;veis, voltem e falem para o Senhor que h&aacute; muitas pessoas leigas que est&atilde;o muito ocupadas e que n&atilde;o podem se dispor a aprender e praticar os ensinamentos mais profundos do Buddha, mas h&aacute; entre os leigos esses que s&atilde;o muito capazes de aprenderem a pr&aacute;tica e tais ensinos.&#8221; <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Anathapindika estava muito doente, estava a ponto de morrer &#8211; isto ap&oacute;s ter servido ao Buddha por aproximadamente trinta anos. O Buddha foi at&eacute; ele e o visitou, e depois disso encarregou o Vener&aacute;vel Shariputra &#8211; um de seus melhores disc&iacute;pulos &#8211; para cuidar de Anathapindika. E um dia Shariputra percebeu que Anathapindika estava extremamente doente &#8211; ele poderia falecer a qualquer momento &#8211; assim ele foi ao quarto de seu irm&atilde;o de Dharma mais jovem, o Vener&aacute;vel Ananda, e lhe pediu que o acompanhasse para uma visita. Assim ambos foram para a casa de Anathapindika. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quando Anathapindika os viu chegando, ele se alegrou muito. Ele tentou se sentar mas estava muito fraco; ele n&atilde;o p&ocirc;de. Shariputra disse, &#8220;Meu amigo, permane&ccedil;a onde est&aacute;. Voc&ecirc; n&atilde;o tem que tentar &aacute;rduamente se sentar, n&oacute;s traremos alguns assentos e nos sentaremos pr&oacute;ximos a voc&ecirc;.&#8221; E depois de ter dito isto, Shariputra perguntou, &#8220;Querido amigo, Anathapindika, como sente seu corpo? A dor em seu corpo est&aacute; aumentando ou est&aacute; diminuindo?&#8221; E Anathapindika disse, &#8220;Vener&aacute;veis, a dor em mim est&aacute; aumentando todo o tempo; Eu sofro muito, n&atilde;o diminui.&#8221; E quando Shariputra ouviu isso disse, &#8220;Por que n&oacute;s n&atilde;o praticamos a medita&ccedil;&atilde;o nas Tr&ecirc;s J&oacute;ias? Nos deixe praticar inspirando e expirando, enfocando nossa aten&ccedil;&atilde;o no maravilhoso Buddha, no maravilhoso Dharma, e no maravilhoso Sangha&#8221;. E ele tamb&eacute;m ofereceu-se para conduzir a medita&ccedil;&atilde;o com Anathapindika e os dois monges se sentaram e praticaram juntos com o leigo que estava morrendo. Assim, dois monges apoiaram um leigo praticando neste momento muito crucial. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Shariputra era uma pessoa extremamente inteligente. Ele era igual &agrave; m&atilde;o direita do Buddha, cuidando da comunidade de monges, ensinando muitos deles como um irm&atilde;o mais velho, e ele sabia exatamente do que o agonizante Anathapindika precisava. Assim ele ofereceu em primeiro lugar a medita&ccedil;&atilde;o nas Tr&ecirc;s J&oacute;ias, porque sabia muito bem que a maior alegria de Anathapindika era servir ao Buddha e ao Sangha. Ele fez tudo para fazer o Buddha confort&aacute;vel e o Sangha confort&aacute;vel. Meditando ent&atilde;o no Buddha, no Sangha, traria alegria e felicidade que contrabalan&ccedil;ariam a dor no corpo. Tudo n&oacute;s temos que aprender isto, porque em n&oacute;s h&aacute; sementes de sofrimento, h&aacute; sementes de alegria. Se voc&ecirc;s sabem tocar as sementes de alegria, elas ser&atilde;o molhadas e a energia de felicidade e alegria ser&aacute; forte o bastante para contrabalan&ccedil;ar &#8211; para fazer a pessoa sofrer menos. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O Buddha &eacute; algu&eacute;m que tem a capacidade de estar presente, de estar atento, de ser compreensivo, ser capaz de amar e aceitar, de ser jovial. H&aacute; dez t&iacute;tulos do Buddha que as pessoas deveriam repetir para tocar essas qualidades &#8211; a alegria e a paz do Buddha. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Depois de meditar no Buddha, eles meditaram no Dharma. O Dharma &eacute; um caminho que pode trazer al&iacute;vio, alegria e paz para n&oacute;s agora mesmo &#8211; n&atilde;o precisamos esperar. O Dharma n&atilde;o &eacute; uma promessa de felicidade no futuro. A pr&aacute;tica do Dharma n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de tempo &#8211; t&atilde;o logo voc&ecirc;s abra&ccedil;am o Dharma e o praticam, voc&ecirc;s come&ccedil;am a adquirir al&iacute;vio e transforma&ccedil;&atilde;o imediatamente. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">E o Sangha &eacute; composto de membros que praticam concentra&ccedil;&atilde;o, consci&ecirc;ncia, sabedoria, alegria, e paz. Deixem sua mente tocar esta maravilhosa j&oacute;ia &#8211; aquela pode regar a semente de felicidade em voc&ecirc;s. Depois de aproximadamente dez minutos de praticar assim, Anathapindika j&aacute; se sentia muito melhor. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Da pr&oacute;xima vez, quando estiverem perto de uma pessoa agonizante, voc&ecirc;s poderiam gostar de praticar deste mesmo modo. Voc&ecirc; est&aacute; l&aacute;, apresente cem por cento, com estabilidade, solidez, e paz. Isto &eacute; muito importante. Voc&ecirc; &eacute; o apoio daquela pessoa agonizante, e ele ou ela precisam muito de sua estabilidade, sua paz. Para acompanhar uma pessoa agonizante, voc&ecirc;s precisam fazer o m&aacute;ximo &#8211; [mas] n&atilde;o esperem at&eacute; este momento para praticar. Voc&ecirc;s praticam em sua vida di&aacute;ria para cultivar sua paz, sua solidez. Ent&atilde;o voc&ecirc;s olham a pessoa e reconhecem as sementes da felicidade que est&aacute; enterrada profundamente nele ou nela, e voc&ecirc;s molham estas sementes. Todo o mundo possui sementes de felicidade. N&oacute;s dever&iacute;amos saber disto de antem&atilde;o. E naquele momento voc&ecirc;s falam com ele ou ela, voc&ecirc;s usam a medita&ccedil;&atilde;o como guia para ajudar a ele ou ela tocarem as sementes de felicidade dentro de si mesmos. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">V&aacute;rios anos atr&aacute;s eu estava a caminho para conduzir um retiro na parte norte do estado de Nova Iorque, e eu descobri que nosso amigo Alfred Hassler estava morrendo em um hospital Cat&oacute;lico nas proximidades. Assim n&oacute;s conseguimos parar e passar algum tempo com ele. Alfred foi muito ativo durante a guerra de Vietn&atilde;. Ele era o diretor da Irmandade de Reconcilia&ccedil;&atilde;o em Nova Iorque, e ele nos apoiou completamente trazendo a mensagem de paz do povo Vietnamita, e trabalhou muito duro para conseguir um cessar-fogo e uma negocia&ccedil;&atilde;o entre as partes em conflito. Ele estava morrendo, e eu e a Monja Ch&acirc;n Kh&ocirc;ng junto a aproximadamente seis ou sete de n&oacute;s est&aacute;vamos em um carro, e nos organizamos de forma que pud&eacute;ssemos parar. Apenas a Monja Ch&acirc;n Kh&ocirc;ng e eu pudemos entrar; o resto ficou esperando no carro. Quando n&oacute;s chegamos, Alfred estava em coma e Laura, a filha dele, estava tentando cham&aacute;-lo de volta, &#8220;Alfred, Alfred, o Th&acirc;y est&aacute; aqui, a Monja Ch&acirc;n Kh&ocirc;ng est&aacute; aqui!&#8221; Mas ele n&atilde;o voltou. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Eu pedi para a Monja Ch&acirc;n Kh&ocirc;ng que cantasse um can&ccedil;&atilde;o &#8211; a can&ccedil;&atilde;o foi escrita por mim e as palavras foram tiradas diretamente do Samyutta Nikaya: &#8220;Estes olhos n&atilde;o s&atilde;o eu, eu n&atilde;o estou apegado a estes olhos. Eu sou vida sem limites, eu nunca nasci, eu nunca morrerei. Me olhem, sorriam para mim, segurem minhas m&atilde;os. N&oacute;s dizemos adeus agora, mas nos veremos um ao outro daqui a muito pouco. E n&oacute;s nos encontraremos em cada passo da vida.&#8221;<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Monja Ch&acirc;n Kh&ocirc;ng come&ccedil;ou a cantar aquela can&ccedil;&atilde;o suavemente. Voc&ecirc;s poderiam pensar que se Alfred estava em coma, ele n&atilde;o podia ouvir. Mas voc&ecirc;s n&atilde;o devem estar certos disso, porque depois de cantar duas ou tr&ecirc;s vezes suavemente assim, Alfred voltou a si &#8211; ele despertou. Assim voc&ecirc; pode falar a uma pessoa que est&aacute; em coma. N&atilde;o fiquem desencorajados, falem com ele ou ela como se estivessem acordados. H&aacute; uma maneira de se comunicar. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">N&oacute;s ficamos muito contentes que ele recuperou a consci&ecirc;ncia e Laura disse, &#8220;Alfred, voc&ecirc; sabe que Th&acirc;y est&aacute; aqui com voc&ecirc;, a Monja Ch&acirc;n Kh&ocirc;ng est&aacute; aqui com voc&ecirc;?&#8221; Alfred n&atilde;o p&ocirc;de falar. Ele foi alimentado com glicose e outras coisas. Ele n&atilde;o p&ocirc;de dizer nenhuma palavra, mas os olhos dele provaram que estava consciente de que n&oacute;s est&aacute;vamos l&aacute;. Eu massageei seus p&eacute;s e eu perguntei se ele estava atento ao toque de minha massagem. Quando Laura perguntou, os olhos dele responderam que ele estava percebendo que eu estava massageando seus p&eacute;s. Quando voc&ecirc; est&aacute; morrendo, pode ter um sentimento muito vago de seu corpo; voc&ecirc; n&atilde;o sabe se seu corpo est&aacute; exatamente l&aacute;. Assim se algu&eacute;m esfrega ou massageia seus bra&ccedil;os ou p&eacute;s, isso ajudar&aacute; a restabelecer um tipo de contato e consci&ecirc;ncia de que o corpo ainda est&aacute; l&aacute;. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Monja Ch&acirc;n Kh&ocirc;ng come&ccedil;ou a praticar precisamente como Shariputra; ela come&ccedil;ou a molhar as sementes de felicidade em Alfred. Embora Alfred n&atilde;o tenha passado o seu tempo servindo o Buddha, o Sangha, ele tinha passado muito tempo trabalhando para a paz. Assim Monja Ch&acirc;n Kh&ocirc;ng estava molhando as sementes do trabalho pela paz nele. &#8220;Alfred voc&ecirc; se lembra do tempo que estava em Saigon e estava esperando para ver o monge superior Tri Quang? Por causa do bombardeio americano, Tri Quang para n&atilde;o estava desejando ver nenhum ocidental. E voc&ecirc; tinha uma carta de Th&acirc;y e queria entreg&aacute;-la a Tri Quang? N&atilde;o lhe permitiram entrar, assim voc&ecirc; se sentou fora da porta do monge e deslizou debaixo dela uma mensagem que voc&ecirc; iria observar um jejum at&eacute; a porta ser aberta, e n&atilde;o teve que esperar muito tempo porque dez minutos depois disso Tri Quang abriu a porta dele e o convidou a entrar? Voc&ecirc; se lembra disso, Alfred?&#8221; E ela tentou refrescar-lhe a mem&oacute;ria com as recorda&ccedil;&otilde;es destes eventos felizes. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Alfred, voc&ecirc; se lembra daquele evento em Roma onde trezentos monges cat&oacute;licos estavam protestando pela paz no Vietn&atilde;? Cada um deles usou o nome de um monge budista na pris&atilde;o no Vietn&atilde; &#8211; porque estes monges budistas recusaram-se a entrar no ex&eacute;rcito e obedecer as leis do ex&eacute;rcito. Aqui n&oacute;s tentamos ao m&aacute;ximo fazer o seu sofrimento conhecido. Assim, em Roma, trezentos padres cat&oacute;licos que usam os nomes de trezentos monges budistas na pris&atilde;o no Vietn&atilde; fizeram uma passeata, voc&ecirc; se lembra disso?&#8221; Todos estes tipos de recorda&ccedil;&otilde;es voltaram para ele. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">A Monja Ch&acirc;n Kh&ocirc;ng continuou praticando, precisamente como Shariputra. Em um certo ponto, Alfred abriu a boca e riu. Ele disse, &#8220;Maravilhoso, maravilhoso,&#8221; duas vezes, e isso &eacute; tudo. Um ou dois minutos depois ele afundou-se novamente no coma e nunca mais retornou. Seis pessoas estavam esperando no carro e aquela noite n&oacute;s tivemos que dar uma palestra de orienta&ccedil;&atilde;o a quatrocentos ou quinhentos participantes de um retiro, assim eu recomendei &agrave; Laura e &agrave; Dorothy, sua esposa, que se ele voltasse elas deveriam continuar o mesmo tipo de pr&aacute;tica: massageando [seus p&eacute;s] e molhando as suas sementes de felicidade. E n&oacute;s partimos. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">[Sino] <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Na manh&atilde; do dia seguinte, bem cedo, n&oacute;s recebemos uma chamada de telefone dizendo que Alfred morreu muito pacificamente, apenas uma hora ou hora e meia depois que t&iacute;nhamos partido. &Eacute; como se ele estivesse esperando por n&oacute;s, e ap&oacute;s aquele encontro ele ficou completamente satisfeito e morreu em paz. Quando a irm&atilde; mais velha da Monja Ch&acirc;n Kh&ocirc;ng estava morrendo na Calif&oacute;rnia, ela sofria muito fisicamente. No hospital ela estava em coma, mas sofreu muito no corpo; ela chorava e ela gritava, e todos seus filhos n&atilde;o sabiam o que fazer, porque eles n&atilde;o tinham aprendido nada sobre o Dharma ainda. Quando a Monja Ch&acirc;n Kh&ocirc;ng entrou e viu aquilo, ela come&ccedil;ou a cantar. Mas seu cantar era muito fraco comparado com os gemindos e o choro daquela que estava morrendo. Assim, a Monja Ch&acirc;n Kh&ocirc;ng usou um gravador cassete e uma fita com o tipo de c&acirc;nticos que voc&ecirc;s ouviram esta manh&atilde;, &#8220;Namo Avalokiteshvaraya, bodhisattva Avalokiteshvara&#8221;. Ela usou um fone de ouvido e colocou o volume bastante alto. Em alguns poucos minutos, toda a agita&ccedil;&atilde;o, todo o sofrimento, todos o choro parou, e daquele momento at&eacute; sua morte, ela permaneceu muito quieta. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Era como um milagre, todos os seus filhos n&atilde;o entenderam por que, mas n&oacute;s entendemos. Porque ela tamb&eacute;m tinha a semente do Buddha-dharma em si, ela tinha ouvido o c&acirc;ntico, ela tinha tido contato com a pr&aacute;tica &#8211; o cantar, a atmosfera de pr&aacute;tica. Mas por ter vivido muitos anos em um ambiente onde a atmosfera de calma, de paz, n&atilde;o estava dispon&iacute;vel, muitas camadas de sofrimento tinham coberto estas realiza&ccedil;&otilde;es, e agora o c&acirc;ntico a ajudava, embora estivesse em coma. O som quebrou a barreira e a ajudou a tocar o que estava profundamente enterrado. Por causa daquele milagre de uni&atilde;o com a semente de paz e calma dentro dela, ela p&ocirc;de sossegar toda sua agita&ccedil;&atilde;o e ch&ocirc;ro, e ficou muito tranq&uuml;ila at&eacute; morrer. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Assim cada um de n&oacute;s tem este tipo de semente em si &#8212; sementes de felicidade, sementes de paz e calma. Se n&oacute;s sabemos as tocar, n&oacute;s podemos ajudar uma pessoa agonizante a morrer pacificamente. N&oacute;s temos que fazer nosso melhor durante esse tempo &#8212; n&oacute;s temos que estar tranq&uuml;ilos, s&oacute;lidos, calmos, e presentes para ajudar uma pessoa morrendo. A pr&aacute;tica budista de tocar o Supremo deveria ser praticada em nossa vida di&aacute;rio &#8212; n&oacute;s n&atilde;o dever&iacute;amos esperar at&eacute; que estamos a ponto de morrer para praticar. Porque se sabemos praticar tocando o mundo fenomenal profundamente em nossa vida di&aacute;ria, n&oacute;s podemos tocar o mundo do Absoluto, a &uacute;ltima dimens&atilde;o de realidade em nossa vida di&aacute;ria. Quando voc&ecirc; bebe sua x&iacute;cara de ch&aacute;, quando voc&ecirc; olha a lua cheia, quando voc&ecirc; segura a m&atilde;o de um beb&ecirc;, ou caminha com uma crian&ccedil;a, se faz isto muito profundamente, atentamente, com concentra&ccedil;&atilde;o, poder&aacute; tocar a &uacute;ltima dimens&atilde;o de realidade, e esta &eacute; a ess&ecirc;ncia do ensino budista -tocar o Supremo. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O outro dia n&oacute;s falamos sobre a onda, vivemos a vida de uma onda, mas ao mesmo tempo ela tamb&eacute;m pode viver a vida da &aacute;gua dentro dela. Ela n&atilde;o tem que morrer para se tornar &aacute;gua, porque a onda &eacute; &aacute;gua j&aacute; no momento presente. Cada um de n&oacute;s tem nossa &uacute;ltima dimens&atilde;o &#8211; voc&ecirc; pode chamar isto &#8220;o reino de Deus,&#8221; ou Nirvana, ou qualquer coisa. Mas essa &eacute; nossa &uacute;ltima dimens&atilde;o &#8211; a &uacute;ltima dimens&atilde;o de nossa realidade. Se em nossa vida di&aacute;ria vivemos superficialmente, n&atilde;o poderemos tocar isto. Mas se n&oacute;s aprendemos a viver nossa vida di&aacute;ria profundamente, n&oacute;s poderemos tocar o Nirvana &#8211; o mundo de nenhum nascimento e nenhuma morte &#8211; direto no aqui e o agora. Esse &eacute; o segredo da pr&aacute;tica que pode nos ajudar a transcender o medo do nascimento e da morte. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Depois de ter guiado Anathapindika para praticar o regar as sementes de felicidade em seu interior, o Vener&aacute;vel Shariputra continuou com a pr&aacute;tica de olhar profundamente: &#8220;Querido amigo Anathapindika, agora &eacute; tempo de praticar a medita&ccedil;&atilde;o nas seis bases de sensa&ccedil;&atilde;o. Inspire e pratique comigo, expire e pratique comigo. Estes olhos n&atilde;o s&atilde;o eu, eu n&atilde;o estou apegado a estes olhos. Este corpo n&atilde;o &eacute; eu, eu n&atilde;o estou apegado a este corpo. Eu sou vida sem limites. A decad&ecirc;ncia deste corpo n&atilde;o significa o meu fim. Eu n&atilde;o estou limitado a este corpo &#8220;. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Assim eles continuaram praticando para abandonar a id&eacute;ia de que somos este corpo, somos estes olhos, somos este nariz, somos esta l&iacute;ngua, somos esta mente. Eles tamb&eacute;m meditaram nos objetos das seis sensa&ccedil;&otilde;es: &#8220;As Formas n&atilde;o s&atilde;o eu, os sons n&atilde;o s&atilde;o eu, os cheiros n&atilde;o s&atilde;o eu, os gostos n&atilde;o s&atilde;o eu, os contatos com o corpo n&atilde;o s&atilde;o eu; Eu n&atilde;o estou apegado nestes contatos com o corpo. Estes pensamentos n&atilde;o s&atilde;o eu, estas no&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o eu, eu n&atilde;o estou apegado nestes pensamentos e nestas no&ccedil;&otilde;es &#8220;. E eles meditaram nos seis n&iacute;veis de consci&ecirc;ncia: vis&atilde;o, audi&ccedil;&atilde;o, consci&ecirc;ncia baseada no nariz, consci&ecirc;ncia baseada na l&iacute;ngua, consci&ecirc;ncia baseada no corpo, consci&ecirc;ncia baseada na mente: &#8220;Eu n&atilde;o estou apegado &agrave; consci&ecirc;ncia corporal. Eu n&atilde;o estou apegado &agrave; consci&ecirc;ncia mental&#8221;. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">23 de junho de 1997: Tive que fazer alguma reorganiza&ccedil;&atilde;o aqui para separar as seis bases de sensa&ccedil;&atilde;o, os objetos, e a consci&ecirc;ncia. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Depois de ter guiado Anathapindika para praticar o molhar as sementes de felicidade em si, o Vener&aacute;vel Shariputra continuou com a pr&aacute;tica de olhar profundamente: &#8220;Querido amigo Anathapindika, agora &eacute; tempo para praticar a medita&ccedil;&atilde;o nas seis bases de sensa&ccedil;&atilde;o. Inspire e pratique comigo, expire e pratique comigo. Estes olhos n&atilde;o s&atilde;o eu, eu n&atilde;o estou apegado a estes olhos. Este corpo n&atilde;o &eacute; eu, eu n&atilde;o estou apegado a este corpo. Eu sou vida sem limites. A decad&ecirc;ncia deste corpo n&atilde;o significa meu fim. Eu n&atilde;o sou limitado a este corpo. Estes pensamentos n&atilde;o s&atilde;o eu, estas no&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o eu, eu n&atilde;o estou apegado a estes pensamentos e a estas no&ccedil;&otilde;es &#8220;. Assim eles continuaram praticando, para abandonar a id&eacute;ia que n&oacute;s somos este corpo, somos estes olhos, somos este nariz, somos esta l&iacute;ngua, somos esta mente, e tamb&eacute;m os objetos destas seis bases de sensa&ccedil;&atilde;o &#8211; vis&atilde;o, audi&ccedil;&atilde;o, consci&ecirc;ncia baseada no nariz, consci&ecirc;ncia baseada na l&iacute;ngua, consci&ecirc;ncia baseada no corpo, consci&ecirc;ncia baseada na mente. &#8220;As Formas n&atilde;o s&atilde;o eu, os sons n&atilde;o s&atilde;o eu, os cheiros n&atilde;o s&atilde;o eu, os gostos n&atilde;o s&atilde;o eu, os contatos com o corpo n&atilde;o s&atilde;o eu; eu n&atilde;o estou apegado a estes contatos com o corpo <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;. Ent&atilde;o eles meditaram nos seis elementos: &#8221; O elemento da terra em mim n&atilde;o &eacute; eu, eu n&atilde;o estou apegado ao elemento de terra. O elemento da &aacute;gua em mim n&atilde;o &eacute; eu, eu n&atilde;o estou apegado ao elemento de &aacute;gua &#8220;. Ent&atilde;o eles praticaram com os elementos do ar, espa&ccedil;o, fogo, e consci&ecirc;ncia. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Finalmente eles atingiram a medita&ccedil;&atilde;o de ser e n&atilde;o-ser, vir e ir. &#8220;Querido amigo Anathapindika, tudo o que &eacute; surge por causa de causas e condi&ccedil;&otilde;es. Tudo o que &eacute; tem a natureza de n&atilde;o nascer e n&atilde;o morrer, n&atilde;o chegar e n&atilde;o partir &#8220;. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Quando n&oacute;s olhamos esta folha de papel, poder&iacute;amos pensar que h&aacute; um momento quando a folha de papel come&ccedil;ou a ser e haver&aacute; um momento quando esta folha de papel deixar&aacute; de ser.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Eles estavam meditando em ser e n&atilde;o-ser. N&oacute;s pensamos que antes de nascermos n&oacute;s n&atilde;o existimos, e pensamos que depois de morrermos n&oacute;s vamos nos tornar nada. Porque em nossa mente n&oacute;s temos a id&eacute;ia de que nascer significa &#8220;do nada n&oacute;s de repente nos tornamos algo.&#8221; De ningu&eacute;m de repente voc&ecirc; se torna algu&eacute;m -esta &eacute; a nossa no&ccedil;&atilde;o de nascimento. Mas como &eacute; poss&iacute;vel que de nada algo pudesse se tornar algo, de ningu&eacute;m eles poderiam se tornar algu&eacute;m? Isso &eacute; extremamente absurdo. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Olhe esta folha de papel &#8211; n&oacute;s podemos pensar que o momento de seu nascimento &eacute; quando a pasta foi trasnformada nesta folha de papel. Mas esta folha de papel n&atilde;o nasceu do nada! Se n&oacute;s olhamos profundamente neste peda&ccedil;o de papel, j&aacute; vemos que tinha estado l&aacute; antes de seu &#8220;nascimento&#8221; na forma de uma &aacute;rvore, na forma de &aacute;gua, na forma de raio de sol, porque com a pr&aacute;tica de olhar profundamente n&oacute;s podemos ver a floresta, a terra, o raio de sol, o chuva &#8211; tudo ali. Assim o chamado &#8220;anivers&aacute;rio&#8221; da folha de papel &eacute; s&oacute; um &#8220;dia de continua&ccedil;&atilde;o&#8221;. A folha de papel tinha estado l&aacute; por muito tempo em v&aacute;rias formas. O &#8220;nascimento&#8221; da folha de papel &eacute; s&oacute; uma continua&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s n&atilde;o dever&iacute;amos ser enganados pelo seu aparecimento. N&oacute;s sabemos que a folha de papel nunca nasceu, realmente. Esteve l&aacute;, porque a folha de papel n&atilde;o veio do nada. Do nada, voc&ecirc; se torna algo de repente? De ningu&eacute;m, voc&ecirc; se torna algu&eacute;m de repente? Isso &eacute; muito absurdo. Nada pode ser assim. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Assim o dia de nosso nascimento &eacute; s&oacute; um dia de continua&ccedil;&atilde;o e praticar medita&ccedil;&atilde;o &eacute; olhar profundamente em n&oacute;s mesmos ver nossa verdadeira natureza. Isso significa que nossa verdadeira natureza &eacute; a natureza do nenhum nascimento e nenhuma morte. Nenhum nascimento &eacute; nossa verdadeira natureza. N&oacute;s pens&aacute;vamos que nascer significava que do nada nos tornamos algo. Esta id&eacute;ia, esta no&ccedil;&atilde;o est&aacute; errada, porque voc&ecirc; n&atilde;o pode demonstrar este fato. N&atilde;o s&oacute; esta folha de papel, mas aquela flor, este livro, esta garrafa t&eacute;rmica, eles eram qualquer outra coisa antes que &#8220;nascessem&#8221;. Assim o nada n&atilde;o nasce do nada. O cientista franc&ecirc;s Lavoisier disse, &#8220;Rien ne se cr&eacute;e,&#8221; nada &eacute; produzido. N&atilde;o h&aacute; nenhum nascimento. O cientista n&atilde;o foi um professor de Budismo, mas ele fez uma ora&ccedil;&atilde;o exatamente com o mesmo tipo de palavras que s&atilde;o achadas no Sutra do Cora&ccedil;&atilde;o. &#8220;Rien ne se cr&eacute;e, rien ne se perd,&#8221; nada &eacute; produzido, nada morre a partir disto: e a mesma verdade &eacute; falada da boca de um cientista. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Vamos tentar queimar esta folha de papel para ver se podemos reduzi-la a nada. Talvez voc&ecirc;s tenham um f&oacute;sforo ou algo assim? Estejam atentos e observem&#8230; N&oacute;s sabemos que &eacute; imposs&iacute;vel reduzir qualquer coisa a nada. Voc&ecirc;s notaram a fuma&ccedil;a que surgiu. Onde est&aacute; agora? Parte da folha de papel se tornou fuma&ccedil;a, uniu-se a uma nuvem. N&oacute;s podemos v&ecirc;-la novamente amanh&atilde; na forma de um pingo de chuva. Isso &eacute; a verdadeira natureza da folha de papel. &Eacute; muito duro para n&oacute;s captar as idas e vindas de uma folha de papel. N&oacute;s reconhecemos que aquela parte do papel ainda est&aacute; l&aacute;, em algum lugar no c&eacute;u na forma de um pouco de nuvem. Assim n&oacute;s podemos dizer, &#8220;At&eacute; longo, adeus, a verei novamente amanh&atilde;.&#8221; <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Est&aacute; quente enquanto queimo isto &#8211; eu sinto muito calor em meus dedos. O calor que foi produzido pela queima penetrou em meu corpo e nos seus tamb&eacute;m. Entrou no cosmo, e se voc&ecirc;s tivessem um instrumento muito sofisticado, poderiam medir o efeito daquele calor em tudo, at&eacute; mesmo a v&aacute;rios quil&ocirc;metros daqui. De forma que esta &eacute; outra dire&ccedil;&atilde;o para onde a folha de papel se foi. Ainda est&aacute; l&aacute;, em n&oacute;s e ao redor de n&oacute;s. N&oacute;s n&atilde;o precisamos de muito tempo para v&ecirc;-la novamente. J&aacute; pode estar em nosso sangue. E esta cinza, o monge jovem pode devolver isto &agrave; terra e talvez ano que vem quando comermos um peda&ccedil;o de alface, ser&aacute; a continua&ccedil;&atilde;o desta cinza. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Assim est&aacute; claro que n&atilde;o se pode reduzir nada ao nada, e n&oacute;s ainda continuamos pensando que morrer significa que nos tornamos nada, de algu&eacute;m voc&ecirc; se torna um ningu&eacute;m. &Eacute; poss&iacute;vel? Assim a declara&ccedil;&atilde;o, &#8220;Rien ne se cr&eacute;e, rien ne se perd, &#8221; nada nasce, nada pode morrer, vai perfeitamente com o ensino do Buddha sobre a natureza de nenhum nascimento, e nenhuma morte. Nosso medo nasce da no&ccedil;&atilde;o &#8211; as no&ccedil;&otilde;es de ser e n&atilde;o-ser, as no&ccedil;&otilde;es de nascimento e morte. Antes de nascermos somos ensinados que isso &eacute; o &#8220;n&atilde;o-ser,&#8221; depois que nascemos acreditamos que isto &eacute; &#8220;ser,&#8221; e depois que n&oacute;s morremos pensamos que isto ser&aacute; o &#8220;n&atilde;o-ser&#8221; novamente. Portanto n&atilde;o s&oacute; as no&ccedil;&otilde;es de nascimento e morte nos encarceram em nosso medo mas as no&ccedil;&otilde;es de ser e n&atilde;o-ser t&ecirc;m que ser transcendidas. Esta &eacute; a ess&ecirc;ncia do ensinamento Budista &#8212; silenciar todas as no&ccedil;&otilde;es e id&eacute;ias, inclusive no&ccedil;&otilde;es de nascimento e morte, do ser e n&atilde;o-ser. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">O que &eacute; o Nirvana? Nirvana &eacute; o apagar de todas as no&ccedil;&otilde;es, as no&ccedil;&otilde;es que servem como funda&ccedil;&atilde;o para o medo e sofrimento. Outro dia n&oacute;s est&aacute;vamos lidando com a no&ccedil;&atilde;o de felicidade. At&eacute; mesmo a no&ccedil;&atilde;o de felicidade pode nos fazer miser&aacute;vel, pode criar muita mis&eacute;ria em n&oacute;s. Esta &eacute; um das no&ccedil;&otilde;es que deveriam ser transcendidas. H&aacute; no&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas que s&atilde;o a funda&ccedil;&atilde;o de nosso medo e sofrimento: as no&ccedil;&otilde;es de ser e n&atilde;o-ser, nascimento e morte, ir e vir. Donde voc&ecirc; veio e para onde n&oacute;s iremos? A id&eacute;ia de vir e ir tamb&eacute;m &eacute; uma no&ccedil;&atilde;o que n&oacute;s temos de transcender. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">[Sino] <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Esta &eacute; a medita&ccedil;&atilde;o dada a Anathapindika conduzida por Shariputra: Tudo o que &eacute; tem a natureza de n&atilde;o nascer e n&atilde;o morrer. Nenhum nascimento e nenhuma morte. N&atilde;o chegar e n&atilde;o partir. Nenhuma vinda, nenhuma ida. Quando o corpo surge, surge; n&atilde;o vem em qualquer lugar. Quando o corpo cessa, cessa; n&atilde;o vai para qualquer lugar. O corpo n&atilde;o &eacute; inexistente antes de surja. O corpo n&atilde;o &eacute; existente depois que surja. N&atilde;o &eacute; por causa da manifesta&ccedil;&atilde;o do corpo que voc&ecirc; pode perceber o corpo e pensar que o corpo existe. N&atilde;o &eacute; porque voc&ecirc; n&atilde;o pode perceber o corpo que pode qualificar isto como condi&ccedil;&otilde;es do n&atilde;o-ser. Quando as condi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o suficientes h&aacute; uma manifesta&ccedil;&atilde;o, e se voc&ecirc; percebe aquela manifesta&ccedil;&atilde;o, qualifica isto como ser. Se as condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o mais suficientes, n&atilde;o pode perceber isto, e o qualifica como n&atilde;o-ser. Voc&ecirc; fica preso a estas duas no&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&Eacute; como se voc&ecirc; entrasse em Plum Village em abril, olhasse e n&atilde;o visse nenhum girassol. Dando uma olhada ao redor voc&ecirc;s dizem que n&atilde;o h&aacute; nenhum girassol ao redor daqui. Isso n&atilde;o &eacute; verdade. As sementes de girassol foram semeadas. Tudo est&aacute; pronto em seu tempo. S&oacute; os fazendeiros e seus amigos0, quando d&atilde;o uma olhada &agrave;s colinas ao redor de Plum Village, j&aacute; podem ver os girass&oacute;is. Mas voc&ecirc;s n&atilde;o est&atilde;o acostumados com isto -voc&ecirc;s tem que esperar at&eacute; o m&ecirc;s de julho para reconhecer, perceber os girass&oacute;is. Assim se devido a sua percep&ccedil;&atilde;o voc&ecirc;s qualificam isto como &#8220;ser&#8221; ou &#8220;n&atilde;o-ser&#8221; &#8211; bem, voc&ecirc;s perdem a realidade. N&atilde;o ser percebido por voc&ecirc;s n&atilde;o faz algo n&atilde;o-ser, [tornar-se] inexistente. S&oacute; porque podem perceber isto, n&atilde;o significa que podem qualifica-lo como existente e ser. &Eacute; uma quest&atilde;o de causas e condi&ccedil;&otilde;es. Se as condi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o suficientes, ent&atilde;o &eacute; aparente, e voc&ecirc; pode perceber isto; e por causa disso, diz voc&ecirc; que aquilo &#8220;&eacute;&#8221;. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Eis por que, em medita&ccedil;&atilde;o funda, temos que transcender todas estas id&eacute;ias, todas estas no&ccedil;&otilde;es, e podemos ver que outras pessoas n&atilde;o podem ver. Olhando a flor voc&ecirc;s podem ver o lixo, podem ver a nuvem, podem ver a terra, podem ver o raio de sol. Sem muito esfor&ccedil;o, podem ver que uma flor &#8220;inter-existe&#8221; com tudo o mais, inclusive o raio de sol e a nuvem. N&oacute;s sabemos que se tiramos o raio de sol ou a nuvem, a flor ser&aacute; imposs&iacute;vel. A flor est&aacute; l&aacute; porque condi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o suficientes para isto acontecer; n&oacute;s percebemos isto e dizemos, &#8220;a flor existe&#8221;. E quando estas condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o ocorrem juntas, e voc&ecirc; n&atilde;o percebe isto, e ent&atilde;o diz, &#8220;n&atilde;o est&aacute; l&aacute;&#8221;. Assim n&oacute;s somos presos por nossas no&ccedil;&otilde;es de ser e n&atilde;o-ser. A &uacute;ltima dimens&atilde;o de nossa realidade n&atilde;o pode ser expressa em termos de ser e n&atilde;o-ser, nascimento e morte, vindas e idas. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&Eacute; igual &agrave; &aacute;gua que &eacute; a subst&acirc;ncia das ondas. Falando sobre a onda, voc&ecirc; pode falar do &#8220;nascimento&#8221; de uma onda, a &#8220;morte&#8221; de uma onda. A onda pode ser &#8220;alta&#8221; ou &#8220;baixa&#8221;, &#8220;esta&#8221; ou &#8220;outra,&#8221; &#8220;mais &#8221; ou &#8220;menos&#8221; bonita: mas todas estas no&ccedil;&otilde;es e condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o podem ser aplicadas para a &aacute;gua, porque a &aacute;gua &eacute; uma outra dimens&atilde;o das ondas. Assim a &uacute;ltima dimens&atilde;o de nossa realidade est&aacute; em n&oacute;s, e se n&oacute;s podemos tocar nisto, transcenderemos o medo de ser e n&atilde;o-ser, nascimento e morte, ir e vir. Para os praticantes Budistas, &#8220;ser ou n&atilde;o ser,&#8221; isso N&Atilde;O &eacute; a quest&atilde;o! Porque eles s&atilde;o capazes de tocar a realidade do nenhum nascimento e nenhuma morte; nenhum ser, nenhum n&atilde;o-ser. Voc&ecirc;s tem que transcender os conceitos &#8211; ser e n&atilde;o-ser &#8211; porque estes conceitos constituem a funda&ccedil;&atilde;o de seu medo. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Seria uma pena se n&oacute;s s&oacute; praticarmos para adquirir um tipo relativo de al&iacute;vio. O maior al&iacute;vio s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel quando voc&ecirc; toca o nirvana. Nirvana significa a &uacute;ltima dimens&atilde;o de nosso ser na qual n&atilde;o h&aacute; nenhum nascimento nenhuma morte, nenhum ser, nenhum n&atilde;o-ser. Todas estas no&ccedil;&otilde;es s&atilde;o completamente removidas. Eis porque nirvana significa &#8220;extin&ccedil;&atilde;o&#8221; &#8211; a extin&ccedil;&atilde;o de todas as no&ccedil;&otilde;es e conceitos, e tamb&eacute;m a extin&ccedil;&atilde;o de todo o sofrimento que nasce destes conceitos, como medo, como preocupa&ccedil;&otilde;es. Quando n&oacute;s come&ccedil;amos a tocar o mundo fenomenal, vemos h&aacute; nascimento, h&aacute; morte, h&aacute; imperman&ecirc;ncia, h&aacute; n&atilde;o-ego. Mas quando come&ccedil;amos a tocar o mundo dos fen&ocirc;menos profundamente, descobrimos que a base de tudo &eacute; o nirvana. N&atilde;o s&oacute; s&atilde;o as coisas impermanentes, mas elas s&atilde;o tamb&eacute;m permanentes. Voc&ecirc; transcende a id&eacute;ia de perman&ecirc;ncia, e voc&ecirc; tamb&eacute;m transcende a id&eacute;ia de imperman&ecirc;ncia. Imperman&ecirc;ncia &eacute; determinada como um ant&iacute;doto de forma que voc&ecirc; possa superar sua no&ccedil;&atilde;o de perman&ecirc;ncia. E desde que voc&ecirc; est&aacute; preso pela id&eacute;ia de ego, n&atilde;o-ego &eacute; um dispositivo para lhe ajudar a obter libera&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de ego. Tocando o Absoluto, n&atilde;o s&oacute; pode voc&ecirc; abandonar a no&ccedil;&atilde;o de ego, mas tamb&eacute;m pode superar a no&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o-ego. Se voc&ecirc; tem alguma no&ccedil;&atilde;o do nirvana, por favor fa&ccedil;a seu melhor para abandonar isto assim que poss&iacute;vel &#8211; porque nirvana &eacute; a supera&ccedil;&atilde;o de todas as no&ccedil;&otilde;es, inclusive a no&ccedil;&atilde;o de nirvana! <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Anathapindika era um m&eacute;dico muito capaz. Quando ele praticou at&eacute; este ponto, ele fico t&atilde;o tocado que adquiriu imediatamente o insight. Ele p&ocirc;de tocar a dimens&atilde;o do nenhum-nascimento e da nenhuma-morte. Ele foi liberado da id&eacute;ia de que &eacute; este corpo. Ele lan&ccedil;ou as no&ccedil;&otilde;es de nascimento e morte, as no&ccedil;&otilde;es de ser e n&atilde;o-ser, e de repente ele adquiriu o n&atilde;o-medo. O Vener&aacute;vel Ananda viu-o chorar de felicidade, por causa daquele tipo de libera&ccedil;&atilde;o. Mas Ananda n&atilde;o entendeu o que realmente estava acontecendo com o leigo Anathapindika, assim ele disse, &#8220;Por que, querido amigo, por que voc&ecirc; est&aacute; chorando? Voc&ecirc; lamenta algo, ou falhou em sua pr&aacute;tica da medita&ccedil;&atilde;o?&#8221; Ele estava muito preocupado. Mas Anathapindika disse, &#8220;Senhor Ananda, eu n&atilde;o lamento nada. Eu pratiquei com muito sucesso.&#8221; Ent&atilde;o Ananda perguntou, &#8221; Por que voc&ecirc; est&aacute; chorando, ent&atilde;o ?&#8221; Anathapindika disse, &#8220;Vener&aacute;vel Ananda, eu choro porque fui tocado assim. Eu servi ao Buddha, ao Dharma, e ao Sangha por mais de trinta anos, e ainda n&atilde;o tinha recebido qualquer ensinamento t&atilde;o profundo como o de hoje. Eu estou t&atilde;o contente por ter recebido e praticado tal ensinamento&#8230; &#8221; E Ananda disse, &#8220;Querido amigo, este tipo de ensino n&oacute;s monges e monjas recebemos diariamente.&#8221;<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Voc&ecirc;s sabem que Ananda era muito mais jovem que Shariputra. Logo depois Anathapindika disse, &#8220;Vener&aacute;vel Ananda, por favor v&aacute; para casa e fale ao Senhor que h&aacute; leigos que est&atilde;o t&atilde;o ocupados que eles n&atilde;o podem receber este tipo de ensino profundo, mas h&aacute; esses entre n&oacute;s que, embora leigos, tem o tempo, a intelig&ecirc;ncia, e a capacidade de compreens&atilde;o deste tipo de ensino e pr&aacute;tica.&#8221; E essas foram as &uacute;ltimas palavras articuladas pelo leigo Anathapindika. O Vener&aacute;vel Ananda prometeu voltar ao bosque de Jeta e informar ao Buddha, e &eacute; dito no sutra que pouco depois da partida dos dois monges, o leigo Anathapindika morreu pacificamente e feliz. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Este &eacute; um sutra, um discurso chamado &#8220;Os Ensinamento a Serem Dados aos Doentes.&#8221; Voc&ecirc; podem encontr&aacute;-lo no Chanting Book de Plum Village, em ingl&ecirc;s. N&oacute;s estamos trabalhando em uma vers&atilde;o nova do Chanting Book de Plum Village, mas na edi&ccedil;&atilde;o atual voc&ecirc;s j&aacute; encontram este texto. Este texto est&aacute; dispon&iacute;vel em Pali e em Chin&ecirc;s, e n&oacute;s temos v&aacute;rios outros textos que oferecem o mesmo tipo de ensino. Assim eu recomendaria que n&oacute;s estudemos este texto e fa&ccedil;amos um debate de Dharma para aprofundar nossa compreens&atilde;o do ensinamento, e como p&ocirc;r em pr&aacute;tica este ensino do Buddha do melhor modo poss&iacute;vel. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Se voc&ecirc; &eacute; um psicoterapeuta, se voc&ecirc; &eacute; um trabalhador social, se voc&ecirc; &eacute; algu&eacute;m que tem de ajudar uma pessoa agonizante, &eacute; muito importante que voc&ecirc; estude este tipo de ensino e o ponha em pr&aacute;tica na sua vida di&aacute;ria. E se voc&ecirc; simplesmente &eacute; um meditador que gostaria de aprofundar sua pr&aacute;tica, que deseja adquirir liberta&ccedil;&atilde;o de seus medos, sua falta de estabilidade, sua raiva, ent&atilde;o o estudo e pr&aacute;tica deste sutra lhes ajudar&atilde;o a adquirir mais estabilidade, adquirir mais paz, e especialmente o fundamento do n&atilde;o-medo, de forma que quando o momento chegar, voc&ecirc; poder&aacute; confront&aacute;-lo em um modo calmo e f&aacute;cil &#8211; porque &eacute; certo que todos n&oacute;s iremos morrer algum dia. At&eacute; mesmo se teoricamente no ensinamento nenhum nascimento e nenhuma morte houverem, se n&oacute;s podemos viver nossa vida di&aacute;ria de tal modo que possamos tocar a &uacute;ltima dimens&atilde;o, ent&atilde;o aquele momento n&atilde;o ser&aacute; um problema para n&oacute;s absolutamente. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Em minha vida di&aacute;ria eu pratico sempre dando uma olhada nas coisas ao redor de mim, nas pessoas ao redor de mim, em mim mesmo; e eu j&aacute; posso ver minha continua&ccedil;&atilde;o nesta flor, ou naquele arbusto, ou naquele jovem monge, ou naquela jovem monja ou naquele jovem leigo. Eu vejo que n&oacute;s pertencemos &agrave; mesma realidade, n&oacute;s estamos fazendo nosso melhor como um Sangha, n&oacute;s trazemos um pouco das sementes do Dharma para todos os lugares, n&oacute;s fazemos as pessoas ao redor de n&oacute;s felizes: assim eu n&atilde;o vejo raz&atilde;o por que tenha que morrer, porque eu posso me ver em voc&ecirc;s, em outras pessoas, em muitas gera&ccedil;&otilde;es. Eis porque eu prometi &agrave;s crian&ccedil;as que eu estarei escalando a colina do vig&eacute;simo-primeiro s&eacute;culo com elas. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Do topo da colina no ano 2050, estarei olhando para baixo e desfrutarei do que est&aacute; l&aacute; junto com as pessoas jovens agora. O jovem monge Phap Canh tem agora vinte e um, e no topo da colina ele ter&aacute; setenta e cinco! E claro que eu estarei com ele, de m&atilde;os dadas, e n&oacute;s olharemos para baixo para ver a paisagem do vig&eacute;simo-primeiro s&eacute;culo juntos. Assim como um Sangha, n&oacute;s escalaremos a colina do vig&eacute;simo-primeiro s&eacute;culo juntos. N&oacute;s faremos nosso melhor de forma que o escalar ser&aacute; agrad&aacute;vel e calmo, e teremos todas as crian&ccedil;as conosco porque sabemos que n&oacute;s nunca morremos. N&oacute;s estaremos l&aacute; por eles para sempre. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">(Sino) <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">[Fim da Palestra de Dharma]<\/p>\n<hr \/>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\"><font SIZE=\"1\"><b>Nota 1:<br \/>Para livre distribui&ccedil;&atilde;o, como exerc&iacute;cio de Dharma. Aqueles que desejarem oferecer uma doa&ccedil;&atilde;o ao Templo orientado por Thich Nhat Hanh, podem envia-la para o seguinte endere&ccedil;o:<br \/>Transcription Project<br \/>Plum Village &#8211; Lower Hamlet<br \/>Meyrac, Loubes-Bernac, 47120 FRANCE<br \/>Site do Templo: http:\/\/plumvillage.org\/ <\/b><\/font><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Thich Nhat HanhRetiro em Lower Hamlet11 de agosto de 1996Transcrito e editado por Carol Fegan, Chan An Cu. Revisado por Brendan SillifantTraduzido ao Portugu&ecirc;s por Claudio Miklos. [Falando para crian&ccedil;as e adultos] Hoje &eacute; o d&eacute;cimo primeiro dia de agosto, &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/meditacoes-para-os-doentes-e-os-moribundos\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6669,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,27,40],"tags":[16],"class_list":["post-6735","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-thay","category-zen","tag-thich-nhat-hanh"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6735","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6735"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6735\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6737,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6735\/revisions\/6737"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6669"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6735"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6735"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6735"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}