{"id":675,"date":"2013-06-09T20:08:30","date_gmt":"2013-06-09T22:08:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=675"},"modified":"2018-02-09T16:29:45","modified_gmt":"2018-02-09T18:29:45","slug":"675","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/675\/","title":{"rendered":"A liberta\u00e7\u00e3o dos pensamentos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/windsurfs2a-copy.jpg\" class=\"broken_link\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-619\" alt=\"windsurfs2a copy\" src=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/windsurfs2a-copy-300x213.jpg\" width=\"300\" height=\"213\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/windsurfs2a-copy-300x213.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/windsurfs2a-copy-1024x729.jpg 1024w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/windsurfs2a-copy-421x300.jpg 421w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/windsurfs2a-copy.jpg 1303w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Do livro: EMO\u00c7\u00d5ES DESTRUTIVAS<br \/>\nDalai Lama &amp; Daniel Goleman<\/p>\n<p>Mathieu Ricard falou:<\/p>\n<p>Temos falado muito da possibilidade de mudan\u00e7a. Como isso acontece no contexto da forma\u00e7\u00e3o contemplativa? Sabemos que as emo\u00e7\u00f5es duram alguns segundos, que os humores duram, digamos, um dia, e que o temperamento \u00e9 algo que se modela com o passar dos anos. Portanto, se queremos mudar, \u00e9 obvio que precisamos primeiro agir com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s emo\u00e7\u00f5es, e isso ajudar\u00e1 a modificar nossos humores, que, por fim, se estabilizar\u00e3o na forma de um temperamento modificado. Em outras palavras, precisamos come\u00e7ar a trabalhar com os acontecimentos instant\u00e2neos que ocorrem na mente. Como dizemos, se cuidarmos dos minutos, as horas cuidar\u00e3o de si mesmas. Como proceder no tocante \u00e0 experi\u00eancia direta? O per\u00edodo refrat\u00e1rio e tudo isso ser\u00e3o coisas um pouco abstratas para algu\u00e9m que queira lidar com as emo\u00e7\u00f5es imediatamente. Portanto, uma das quest\u00f5es principais tem rela\u00e7\u00e3o com o modo como ocorre o encadeamento dos pensamentos, o modo de como um pensamento leva ao outro. Meu professor me contou uma hist\u00f3ria a respeito de um ex-chefe guerreiro do leste do Tibet que abandonou todas as atividades marciais e mundanas, e foi para uma caverna meditar. Passou alguns anos ali. Certo dia um bando de pombos pousou em frente \u00e0 caverna e ele lhes deu um punhado de gr\u00e3os. Enquanto observava, por\u00e9m, os pombos lhe lembraram as legi\u00f5es de guerreiros que ele tivera sob seu comando, e isso fez lembrar-se das expedi\u00e7\u00f5es \u2013 e ficou irado novamente ao pensar nos antigos inimigos. Essas recorda\u00e7\u00f5es logo lhe invadiram a mente e ele desceu ao vale, encontrou os antigos companheiros e voltou a guerra! Isso exemplifica como um pequeno pensamento pode tornar-se uma obsess\u00e3o, como uma min\u00fascula nuvem branca cresce e se transforma numa imensa nuvem escura repleta de raios. Como lidar com isso? Quando falamos em medita\u00e7\u00e3o, a palavra usada em tibetano significa, na verdade, \u201cfamiliariza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Precisamos nos familiarizar com um novo modo de lidar com o surgimento dos pensamentos. No in\u00edcio, quando surge um pensamento de ira, desejo ou ci\u00fame, n\u00e3o estamos preparados para ele. Portanto, em poucos segundos, esse pensamento d\u00e1 origem a um segundo e a um terceiro, e logo nosso panorama mental \u00e9 invadido por pensamentos que solidificam nossa raiva ou ci\u00fame e, ent\u00e3o, \u00e9 tarde demais. Assim acontece quando uma fa\u00edsca incendeia uma floresta, e estamos em apuros.<\/p>\n<p>A maneira elementar de intervir chama-se \u201colhar para tr\u00e1s\u201d, para o pensamento. Quando surge um pensamento, precisamos observ\u00e1-lo e observar sua fonte. Precisamos investigar a natureza desse pensamento que parece t\u00e3o s\u00f3lido. Ao encar\u00e1-lo, sua solidez t\u00e3o \u00f3bvia se derrete e o pensamento se extingue sem dar origem a um encadeamento de pensamentos. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tentar bloquear o surgimento de pensamentos &#8211; isso nem \u00e9 mesmo poss\u00edvel &#8211; mas n\u00e3o deix\u00e1-lo invadir nossa mente. Precisamos faz\u00ea-lo diversas vezes porque n\u00e3o estamos acostumados a lidar com os pensamentos dessa maneira. Somos iguais a uma folha de papel que ficou muito tempo enrolada. Quando tentamos abri-la sobre a mesa, ela se enrola de novo no instante em que erguemos as m\u00e3os. \u00c9 assim que se realiza o treinamento. Talvez haja quem pergunte o que as pessoas fazem nos retiros, passando oito horas por dia sentados. Fazem exatamente isso: familiarizam-se com um novo modo de lidar com o surgimento dos pensamentos. Quando come\u00e7amos a nos acostumar com o reconhecimento dos pensamentos \u00e9 como se f\u00f4ssemos capazes de identificar rapidamente numa multid\u00e3o algu\u00e9m que conhecemos. Quando surge um pensamento potente de forte atra\u00e7\u00e3o ou raiva sabemos que vai levar a uma prolifera\u00e7\u00e3o de pensamentos, passamos a reconhec\u00ea-lo: \u201cAh, l\u00e1 vem essa id\u00e9ia!\u201d. Esse \u00e9 o primeiro passo. Ajuda muito a evitar que tal pensamento o domine. Depois de se acostumar com isso, o processo de lidar com os pensamentos se torna mais natural. N\u00e3o \u00e9 preciso lutar e aplicar ant\u00eddotos espec\u00edficos a cada pensamento negativo, porque sabemos como deix\u00e1-lo se esvaecer sem deixar vest\u00edgios. Os pensamentos se desamarram. O exemplo dado \u00e9 o de uma cobra. Se ela \u00e9 der um n\u00f3 no corpo, consegue desfazer esse n\u00f3 sem esfor\u00e7o, sem precisar de nenhuma ajuda externa. Por fim, haver\u00e1 uma \u00e9poca em que os pensamentos chegar\u00e3o e partir\u00e3o como um p\u00e1ssaro que passa pelo c\u00e9u, sem deixar vest\u00edgios. Outro exemplo dado \u00e9 o do ladr\u00e3o que entra numa casa vazia. O propriet\u00e1rio n\u00e3o tem nada a perder e o ladr\u00e3o n\u00e3o tem nada a ganhar. \u00c9 uma experi\u00eancia de liberdade. N\u00e3o nos tornamos simplesmente ap\u00e1ticos, como vegetais, mas passamos a dominar os pensamentos. Eles n\u00e3o nos carregam mais pelas r\u00e9deas. Isso s\u00f3 pode acontecer por interm\u00e9dio de treinamento constante e experi\u00eancia genu\u00edna. Tamb\u00e9m \u00e9 assim que podemos, aos poucos, adquirir certas qualidades que passar\u00e3o a integrar nossa natureza, tornam-se um novo temperamento. Vejamos com exemplo relativo \u00e0 compaix\u00e3o. No s\u00e9culo XIX, viveu um grande eremita chamado Patrul Rinpoche. Certa feita ele disse a um dos disc\u00edpulos que fosse para uma caverna e passasse seis meses meditando, n\u00e3o pensando em nada al\u00e9m da compaix\u00e3o. No in\u00edcio, o sentimento de compaix\u00e3o por todos seres \u00e9 sempre for\u00e7ado, artificial. Depois, gradualmente, a mente fica inundada de compaix\u00e3o; ela permanece na mente sem esfor\u00e7o. Passados os seis meses, o meditador estava sentado \u00e0 entrada da caverna e viu um cavaleiro solit\u00e1rio cantando no vale. O yogui teve uma esp\u00e9cie de premoni\u00e7\u00e3o clara, uma sensa\u00e7\u00e3o forte, de que o homem morreria em uma semana. A diferen\u00e7a entre a vis\u00e3o daquele homem cantando alegremente e a s\u00fabita intui\u00e7\u00e3o do yogue o deixara trist\u00edssimo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 exist\u00eancia condicionada, que os budhas chamam de samsara. Nesse momento, sua mente foi invadida por uma compaix\u00e3o genu\u00edna e avassaladora que nunca mais partiu. Passara a fazer parte de sua natureza, o verdadeiro sentido da medita\u00e7\u00e3o. Ver o homem foi uma esp\u00e9cie de acionamento do gatilho, mas o essencial aconteceu antes da familiariza\u00e7\u00e3o. O incidente n\u00e3o teria tido a mesma repercuss\u00e3o se ele n\u00e3o tivesse passado os seis meses imerso em compaix\u00e3o. Estamos falando de como ajudar a sociedade. Se pretendemos contribuir com algo para a sociedade ter uma nova id\u00e9ia das coisas, precisamos come\u00e7ar com n\u00f3s mesmos. Precisamos decidir nos transformar, e isso s\u00f3 acontece com o treinamento, e n\u00e3o por meio de id\u00e9ias fugazes. \u00c9 essa a contribui\u00e7\u00e3o que pode provir da pr\u00e1tica budista.<\/p>\n<p>Durante toda a palestra de Matthieu, o Dalai Lama se inclinava para frente, atento. Depois, tirou os \u00f3culos e, em tom sincero, disse: \u201cMuito bem, maravilhoso!\u201d<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do livro: EMO\u00c7\u00d5ES DESTRUTIVAS Dalai Lama &amp; Daniel Goleman Mathieu Ricard falou: Temos falado muito da possibilidade de mudan\u00e7a. Como isso acontece no contexto da forma\u00e7\u00e3o contemplativa? 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