{"id":6777,"date":"2020-07-06T15:36:31","date_gmt":"2020-07-06T17:36:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6777"},"modified":"2020-07-06T15:36:31","modified_gmt":"2020-07-06T17:36:31","slug":"o-que-e-o-budismo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-que-e-o-budismo\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 o budismo"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Ryotan-Tokuda-Igarashi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Ryotan-Tokuda-Igarashi.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"363\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6768\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Ryotan-Tokuda-Igarashi.jpg 545w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Ryotan-Tokuda-Igarashi-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Ryotan-Tokuda-Igarashi-450x300.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b>Texto de <a href=\"dhttp:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/ryotan-tokuda-igarashi\/\">Ryotan Tokuda Igarashi<\/a><br \/>extra\u00eddo do livro &#8220;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/psicologia-budista\/\">Psicologia Budista&#8221;<\/a><br \/>Palestra proferida em Buenos Aires, <br \/>para um grupo de psic&oacute;logos,<br \/> de 19 a 23 de outubro de 1983<\/b><\/i><\/div>\n<hr \/>\n<p align=\"JUSTIFY\"> Caros amigos, para encerrar este ciclo de palestras, hoje &agrave; noite eu vou falar sobre o Budismo Zen. O Budismo Zen come&ccedil;ou na &Iacute;ndia com o Buda Gautama e, at&eacute; o meu mestre, houveram oitenta e quatro patriarcas. Esta disciplina e ensinamento foram transmitidos atrav&eacute;s de mestre e disc&iacute;pulo, pela &Iacute;ndia, China e Jap&atilde;o, agora n&oacute;s estamos aqui na Argentina. A escola Zen &eacute; considerada como o Budismo transmiss&atilde;o correta, uno e puro, porque n&atilde;o &eacute; realizada atrav&eacute;s de leituras ou livros, mas &eacute; transmitida fisicamente com o mestre e disc&iacute;pulo se encontrando face a face e transmitindo o Dharma de cora&ccedil;&atilde;o para cora&ccedil;&atilde;o. A palavra Buddha significa literalmente homem iluminado, homem desperto. Quando o Buda Gautama atingiu a ilumina&ccedil;&atilde;o embaixo da &aacute;rvore sob a qual meditava ficou muito feliz, durante uma semana inteira ele ficou naquele estado de muita felicidade. Depois surgiu uma d&uacute;vida: eu encontrei esta resposta com muita dificuldade, mas ser&aacute; que algu&eacute;m vai ser capaz de compreender os meus ensinamentos? Todo mundo est&aacute; dormindo e tem os Tr&ecirc;s Venenos: o apego, a raiva e a ignor&acirc;ncia. Assim, mesmo que eu for ensinando por a&iacute;, ningu&eacute;m vai entender. Este foi justamente o primeiro perigo da vida de Buda, e nesse momento ele despertou aquela grande compaix&atilde;o: se eu falar, talvez algumas pessoas entendam, pois algumas pessoas t&ecirc;m somente uma fina camada de poeira nos olhos; essas pessoas ser&atilde;o capazes de compreender a doutrina.. Jesus Cristo tamb&eacute;m teve estas mesmas tenta&ccedil;&otilde;es no deserto antes de come&ccedil;ar o seu ensinamento. Aqui &eacute; onde se mostra a diferen&ccedil;a entre o mundo comum, profano, e o mundo sagrado. Quando o Buda Gautama viu uma pequena lagoa, v&aacute;rias flores de l&oacute;tus estavam embaixo da &aacute;gua, outras estavam no mesmo n&iacute;vel da &aacute;gua e algumas estavam acima e fora da &aacute;gua. Ent&atilde;o ele compreendeu: se eu falar, algumas pessoas v&atilde;o entender, tal qual o sol que doura os lagos cobertos de lotus e v&ecirc; quais os bot&otilde;es que est&atilde;o pr&oacute;ximos a se abrirem a seus raios, e quais os que n&atilde;o sa&iacute;ram ainda das suas ra&iacute;zes. Esta sensa&ccedil;&atilde;o de solid&atilde;o no Caminho dos mestres, todos eles j&aacute; percorreram esta trilha. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Um sapo come&ccedil;ou a viajar e chegou a uma outra lagoa muito distante, mas nesta lagoa moravam sapos dotados de um s&oacute; olho. Eles diziam: ah, este tem dois olhos, &eacute; um aleijado. Para n&oacute;s &eacute; uma coisa muito clara, n&oacute;s temos dois olhos, mas se a gente encontrar um mundo em que todos tenham apenas um olho, n&oacute;s estamos errados. Isto significa que n&oacute;s temos percep&ccedil;&otilde;es limitadas. Por que existe o sofrimento? Viver &eacute; sofrimento, doen&ccedil;a &eacute; sofrimento, envelhecimento &eacute; sofrimento, e finalmente a morte &eacute; um sofrimento. A separa&ccedil;&atilde;o daqueles a quem amamos &eacute; sofrimento, encontrar com aquelas pessoas a quem odiamos tamb&eacute;m &eacute; sofrimento. Quando queremos ganhar uma coisa, e n&atilde;o conseguimos, sofremos. E, finalmente, viver com sa&uacute;de tamb&eacute;m &eacute; sofrimento,&nbsp; porque&nbsp; temos desejos para comer, dormir, sexo, fama, poderes e bens materiais. Ent&atilde;o por qu&ecirc;&nbsp; este sofrimento? Porque tudo &eacute; imperman&ecirc;ncia. N&oacute;s queremos que as coisas durem, mas elas s&atilde;o impermanentes, mudam constantemente. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Um dia a pessoa come&ccedil;a a procurar religi&otilde;es. Por qu&ecirc;? Para viver n&oacute;s precisamos de comida todos os dias, mas a cultura por exemplo, algumas pessoas podem viver sem ela. Para certas pessoas n&atilde;o se pode viver sem cultura, como literatura, pinturas, ou m&uacute;sicas bonitas; sem isto n&atilde;o se pode viver. Agora eu pergunto: e quanto &agrave; religi&atilde;o? Algumas pessoas n&atilde;o precisam, mas algumas pessoas, talvez poucas pessoas, precisem. Uma pessoa viajava, de repente encontrou um tigre. Ent&atilde;o fugiu para o outro lado, a&iacute; encontrou outro animal, um urso, uma on&ccedil;a, um outro animal muito perigoso. A&iacute; descobriu um po&ccedil;o profundo e entrou dentro deste po&ccedil;o segurando numa corda. No fundo do po&ccedil;o havia um jacar&eacute; esperando, de boca aberta. Exatamente esta situa&ccedil;&atilde;o &eacute; a nossa vida, n&atilde;o tem jeito de escapar destes perigos. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Uma pessoa estava segurando com as duas m&atilde;os um cip&oacute; tran&ccedil;ado sobre um abismo e a&iacute; apareceram dois ratos, um branco e um preto, e come&ccedil;aram a comer aquele cip&oacute;. A pessoa come&ccedil;ou a ficar desesperada, mas de repente ela encontrou na beira do precip&iacute;cio uma flor muito bonita que deixava cair um n&eacute;ctar doce, &quot;ah que gostoso&quot;, e come&ccedil;ou a beber o n&eacute;ctar que caia em cima de sua l&iacute;ngua e assim esqueceu todos aqueles perigos. Exatamente n&oacute;s estamos vivendo neste mundo sem sa&iacute;da, condenados &agrave; morte com o passar dos dias e das noites, mas este mundo tem muita coisa divertida. Hoje em dia os japoneses dizem: tr&ecirc;s S; o primeiro S &eacute; speed, velocidade. O segundo &eacute; o sexo, e o terceiro &eacute; o suspense. Os jovens usam speed (droga, ou sexo) e assim esquecem todos os perigos e imperman&ecirc;ncias, n&atilde;o h&aacute; outro mundo, ent&atilde;o porque n&atilde;o viver neste? Falando dessa forma, muitos materialistas vivem como querem e bem entendem. Os jovens est&atilde;o procurando pelo Caminho, sem saber onde ele vai. Est&atilde;o como que dormindo ou b&ecirc;bados, sonhando dentro de um sonho, precisam uma vez pelo menos despertar. Algumas pessoas t&ecirc;m muita dificuldade de perder o valor que as coisas representavam para elas. At&eacute; ontem, ele dava muita import&acirc;ncia para a casa ou para a esposa ou o marido, mas de repente perde tudo. Com as guerras, a pessoa pode perder o seu filho ou marido, com um inc&ecirc;ndio sua casa pode ser destru&iacute;da. Com esta infla&ccedil;&atilde;o, o dinheiro tamb&eacute;m n&atilde;o vale mais nada. Ent&atilde;o estas coisas come&ccedil;am a cair e a pessoa se sente insegura, porque deseja uma coisa segura e certa. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">        O que podemos segurar? Exatamente por isto foi que o Buda come&ccedil;ou a pregar o seu ensinamento. Para quebrar as percep&ccedil;&otilde;es distorcidas. A escola Zen coloca algumas perguntas paradoxais. Por exemplo: as montanhas verdes est&atilde;o sempre se movendo e uma mulher de pedra d&aacute; a luz de noite. Falando dessa forma ningu&eacute;m entende, e ent&atilde;o as pessoas dizem: isto n&atilde;o pode ser compreendido pelo intelecto. Mas n&atilde;o &eacute; isto. Podemos entender isto com o intelecto sim. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">                            N&atilde;o s&atilde;o somente as montanhas que est&atilde;o se movendo, mas &eacute; a Terra tamb&eacute;m que est&aacute; a se mover. Antigamente as pessoas pensavam que o C&eacute;u ou o Sol &eacute; que estavam se movendo e a Terra n&atilde;o. Hoje em dia, at&eacute; crian&ccedil;as do grupo escolar sabem que n&atilde;o &eacute; o Sol, mas a Terra que est&aacute; se movendo, como Galileu Galilei, ou como Cop&eacute;rnico descobriram. Da mesma maneira, um cientista estava vendo o mapa mundi, de repente descobre que se aproximassem os continentes da &Aacute;frica e da Am&eacute;rica do Sul, eles se encaixavam perfeitamente. Ent&atilde;o ele percebeu que a Am&eacute;rica do Sul estava ligada &agrave; &Aacute;frica e tamb&eacute;m &agrave; Europa, e que n&atilde;o havia o Oceano Atl&acirc;ntico, h&aacute; muito tempo atr&aacute;s. Aquelas ilhas do Hava&iacute;, a mesma coisa tamb&eacute;m aconteceu com elas. H&aacute; muitas ilhas surgindo no Hava&iacute; hoje em dia, porque as lavas dos vulc&otilde;es formam uma ilha, a&iacute; a ilha formada come&ccedil;a a impedir a sa&iacute;da de mais lava, ent&atilde;o a lava empurra esta ilha e ela se desloca, passa para outro lugar, e ent&atilde;o a lava forma uma nova ilha. Uma a uma, v&atilde;o aparecendo todas aquelas ilhas do Hava&iacute;. Se voc&ecirc; declarar para um peixe, a sua casa est&aacute; correndo sem parar, ele vai se assustar. Talvez ele diga, n&atilde;o brinca comigo, a minha casa sempre esteve firme aqui. Toda a nossa percep&ccedil;&atilde;o sobre o mundo &eacute; limitada. Mas porque &eacute; que isto acontece? Porque n&oacute;s temos a id&eacute;ia de ego, o egocentrismo. Esta id&eacute;ia de ego funciona constantemente, mesmo que a pessoa esteja dormindo ou em estado de coma, esta id&eacute;ia j&aacute; est&aacute; na inconsci&ecirc;ncia. Principalmente quando uma pessoa est&aacute; pr&oacute;xima da morte, aparece o apego a este corpo, o apego a este ambiente material, ao que a pessoa julga lhe pertencer. N&atilde;o &eacute; somente a casa ou o carro, mas a fam&iacute;lia, o marido, filho e tamb&eacute;m experi&ecirc;ncias e sabedorias. At&eacute; &agrave; vida futura a pessoa tem apego. Esta &eacute; a nossa realidade, mas ningu&eacute;m pode acompanhar quem est&aacute; morrendo, a pessoa que est&aacute; morrendo tem que ir sozinha. Ent&atilde;o, precisa quebrar esta id&eacute;ia de ego, por isto a pr&aacute;tica Zen diz: o treinamento de Zen &eacute; aprender sobre si mesmo. Aprender sobre si mesmo significa esquecer de si mesmo. Esquecer de si mesmo significa limpar a id&eacute;ia do ego. Limpar a id&eacute;ia do ego &eacute; tornar-se a pr&oacute;pria Verdade. Assim, quando se diz que uma montanha verde est&aacute; sempre se movendo, a pessoa se assusta mas quando pensa um pouco mais, n&atilde;o s&atilde;o somente as montanhas, at&eacute; a pr&oacute;pria Terra est&aacute; se movendo. Quem n&atilde;o conhece este movimento das montanhas verdes, n&atilde;o conhece o movimento de si pr&oacute;prio. Porque acontece isto? N&oacute;s temos lembran&ccedil;as, desde a inf&acirc;ncia e mesmo antes dela. Ent&atilde;o, dentro de mim, alguma coisa, aquela id&eacute;ia de identidade est&aacute; continuando. Mas h&aacute; vinte, trinta anos atr&aacute;s eu era outro, era um menino pequeno. Hoje, e depois no futuro, daqui a vinte ou trinta anos, vou ficar mais velho e a&iacute; sou outra coisa. Assim, cada momento est&aacute; mudando, mudando sem parar. Quando acendo uma vela, esta continua acesa. Parece que a chama &eacute; sempre a mesma, mas n&atilde;o &eacute;. Quando voc&ecirc; chega perto da chama ela est&aacute; fazendo um barulho de dzzz, dzzz que est&aacute; continuando e por isto n&oacute;s estamos enganados em pensar que&nbsp; existimos para sempre. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Um senhor ficou muito velho, ele era milion&aacute;rio e tinha muitas mulheres, mas estava perto da morte. Ele disse para a primeira mulher agora eu vou morrer, me acompanha junto na morte. N&atilde;o!! Absolutamente n&atilde;o! At&eacute; agora, n&oacute;s sempre vivemos juntos, por isto eu vou at&eacute; o cemit&eacute;rio com voc&ecirc;, mais do que isto eu n&atilde;o vou, disse ela. A&iacute; ele falou para a segunda mulher: eu te amei muito, por isto voc&ecirc; pode me acompanhar na morte. N&atilde;o, at&eacute; dentro do caix&atilde;o eu vou, mas mais nada, falou a segunda. Disse para a terceira mulher que era a mais jovem e a mais bonita, eu amei voc&ecirc; de uma forma muito especial, voc&ecirc; podia me acompanhar na morte. Mas tamb&eacute;m esta mulher disse que n&atilde;o, ora, a primeira e a segunda mulher recusaram, porque &eacute; que tenho que ir? Ele tinha a quarta mulher, esta era quase como uma empregada, como uma escrava. Bom, eu te maltratei e n&atilde;o posso te pedir muito, mas voc&ecirc; me acompanharia? A&iacute; ela disse: claro que eu vou. Onde &eacute; que voc&ecirc; vai? Agora eu pergunto: O que &eacute; que s&atilde;o estas mulheres? A primeira mulher talvez sejam os bens materiais, m&oacute;veis, cama, espelhos, mesas e coisas assim, isto pode ir at&eacute; a morte, mas depois n&atilde;o pode mais ser usado. Agora, a segunda e terceira mulheres talvez sejam a fama, t&iacute;tulos, estas coisas que podem acompanhar a pessoa at&eacute; que ela entre dentro do caix&atilde;o, o homem continua com a fama dentro da caix&atilde;o. A quarta mulher simboliza o Karma, aquilo que voc&ecirc; fez na sua vida em a&ccedil;&otilde;es, palavras e pensamentos, isto vai acompanhando a pessoa at&eacute; o fim. Os Budistas pensam da seguinte forma: n&atilde;o &eacute; Deus que manda voc&ecirc; ao c&eacute;u ou ao inferno, mas s&atilde;o os seus pr&oacute;prios atos, com a lei de causas e efeitos, que fazem com que voc&ecirc; caia no inferno ou no para&iacute;so. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Podemos dizer que quando nascemos, junto conosco nasce um Deus, e este Deus est&aacute; sempre nas nossas costas. Qualquer coisa que eu fa&ccedil;a, de bem ou de mal, este Deus anota tudo. E quando n&oacute;s morremos, ele come&ccedil;a a contabilizar nossa vida com um computador, ele tem um espelho como se fosse uma televis&atilde;o e nele se mostra tudo aquilo que a pessoa fez na vida, uma esp&eacute;cie de videocassete, no qual j&aacute; est&aacute; tudo gravado. J&aacute; imaginaram, n&oacute;s todos vendo aquilo que fizemos durante a vida? &Eacute; realmente uma coisa horrorosa. A gente pode enganar a outras pessoas, n&atilde;o mostrar, esconder, mas &agrave;quela lei de causas e efeitos, ningu&eacute;m escapa. &Eacute; desta forma que a montanha verde est&aacute; sempre se movendo. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Isto &eacute; a imperman&ecirc;ncia, n&oacute;s estamos mudando, mudando, e por isto n&atilde;o existe nada em que possamos nos segurar. Talvez existam dois tipos de religi&otilde;es: a primeira &eacute; como se segurar numa coisa, como se fosse um apoio, um encosto. No outro tipo de religi&atilde;o, n&atilde;o tem nada para se segurar, n&atilde;o h&aacute; nada para se agarrar, por isto mesmo &eacute; que tudo &eacute; vazio, por isto est&aacute; tudo tranq&uuml;ilo. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Esta id&eacute;ia de vazio, do nada, &eacute; a filosofia fundamental do Budismo. Muitos m&iacute;sticos crist&atilde;os tamb&eacute;m falam no nada, como Maister Eckhart, ou S&atilde;o Jo&atilde;o da Cruz, que fala sobre a noite escura. Ent&atilde;o uma montanha verde est&aacute; sempre se movendo, e uma mulher de pedra d&aacute; a luz de noite. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         N&oacute;s precisamos mergulhar para nos encontrarmos conosco mesmo, naquela noite escura do esp&iacute;rito. Quando uma pessoa quer ter aquela experi&ecirc;ncia religiosa, ela precisa ter uma prepara&ccedil;&atilde;o. Rezar, afastar-se dos demais e come&ccedil;ar a meditar em sil&ecirc;ncio. Dentro de qualquer religi&atilde;o n&oacute;s podemos encontrar aquele sil&ecirc;ncio bem profundo, atrav&eacute;s deste sil&ecirc;ncio &eacute; que come&ccedil;amos a nos preparar para uma purifica&ccedil;&atilde;o, para poder chegar at&eacute; aquele estado m&iacute;stico. Como disse S&atilde;o Jo&atilde;o da Cruz: a noite dos sentidos, a noite do esp&iacute;rito, a noite da alma. Atrav&eacute;s desta viagem interna come&ccedil;amos a nos afastar do mundo exterior e come&ccedil;amos a trabalhar sobre o mundo interior, mergulhando, mergulhando dentro da nossa subconsci&ecirc;ncia, da inconsci&ecirc;ncia. Quando chegar ao fundo desta escurid&atilde;o, h&aacute; aquela uni&atilde;o com Deus, com o amor. Para esta experi&ecirc;ncia, a escola Zen coloca uma palavra, a Ilumina&ccedil;&atilde;o, o satori. Este estado, um mestre o expressou da seguinte maneira: numa noite escura, quando escuto a voz do corvo sem cantar, tenho saudades do meu pai antes que eu tivesse nascido. Este verso mostra aquele encontro no fundo com o verdadeiro eu, a uni&atilde;o com Deus. Numa noite escura, totalmente escura, n&atilde;o d&aacute; para ver nada, escuto a voz do corvo sem que este cante. O corvo &eacute; um p&aacute;ssaro preto, dentro da escurid&atilde;o n&atilde;o se v&ecirc; nada e ainda por cima, ele est&aacute; sem cantar. E quando escuto a voz do corvo sem que ele cante, tenho saudades do meu pai antes que eu tivesse nascido. Pai &eacute; masculino, n&atilde;o tem aquela for&ccedil;a de fazer nascer, s&oacute; a mulher &eacute; que pode fazer isto. Mas quando escuto a voz do corvo sem que este cante, tenho saudades do meu pai. Esta experi&ecirc;ncia &eacute; muito especial, &eacute; uma coisa sagrada, uma coisa para n&oacute;s seres humanos. Nos discursos de grandes m&iacute;sticos crist&atilde;os, podemos encontrar v&aacute;rios tipos de express&otilde;es parecidas. Eles falam sobre essa dificuldade de express&atilde;o: inefabilidade, dif&iacute;cil de expressar com palavras. Mas quando h&aacute; aquela experi&ecirc;ncia, aquela felicidade, aquela alegria, a pessoa n&atilde;o pode manter-se calada, tem que procurar transmitir aquilo para os outros. O estado do &ecirc;xtase, a dificuldade de express&atilde;o &eacute; moment&acirc;nea, mas &eacute; muito forte e muito marcante, e, mesmo assim, os s&aacute;bios n&atilde;o ficaram calados e sempre come&ccedil;aram a falar para outras pessoas; felizmente isto foi transmitido at&eacute; hoje atrav&eacute;s de seus serm&otilde;es e atos. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Neste caso, n&atilde;o h&aacute; nenhuma diferen&ccedil;a entre o Oriente e o Ocidente. Apesar de haver pa&iacute;ses diferentes e l&iacute;nguas diferentes, culturas diferentes, estamos falando do mesmo estado: Quando a pessoa tem essa experi&ecirc;ncia m&iacute;stica e come&ccedil;a a express&aacute;-la em palavras, &eacute; a&iacute; que aparecem as diferen&ccedil;as, porque cada pessoa &eacute; educada e criada em certa cultura e com certa religi&atilde;o. Por isto, quando a pessoa tem esta experi&ecirc;ncia e come&ccedil;a a se expressar, usa palavras e termos dos quais ela teve experi&ecirc;ncia e nos quais ela viveu. Naturalmente assim, ela usa as palavras do Cristianismo ou do Budismo ou do Hindu&iacute;smo, etc. Hoje em dia j&aacute; se iniciou um interc&acirc;mbio entre o Cristianismo e o Budismo, especialmente o Zen. No ano passado sessenta monges Zen foram convidados para ir &agrave; Alemanha, para praticar medita&ccedil;&atilde;o junto com os Freis Dominicanos. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         O que importa &eacute; esta experi&ecirc;ncia fundamental, atrav&eacute;s da medita&ccedil;&atilde;o ganhar sabedoria. Esta n&atilde;o &eacute; uma sabedoria deste mundo; n&atilde;o importa se a pessoa &eacute; doutor, m&eacute;dico, advogado, etc. Isto n&atilde;o quer dizer sabedoria, apenas conhecimento. A sabedoria deste tipo de experi&ecirc;ncia v&ecirc; uma outra dimens&atilde;o deste mundo. Atravessar para mais al&eacute;m destas percep&ccedil;&otilde;es limitadas, mas como? Quando tiver esta experi&ecirc;ncia da escurid&atilde;o total, a pessoa faz uma limpeza total do egocentrismo. Este trabalho &eacute; de certa maneira muito doloroso, porque n&oacute;s temos muitos apegos, muitas ignor&acirc;ncias. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         &Eacute; necess&aacute;rio limpar isto tudo completamente, atrav&eacute;s da medita&ccedil;&atilde;o. A medita&ccedil;&atilde;o est&aacute; sempre ligada com a sabedoria. H&aacute; quatro tipos de sabedoria: a primeira sabedoria &eacute; a sabedoria de um espelho redondo e grande, sendo o tamanho dele o universo inteiro. Ele reflete todos os fen&ocirc;menos deste mundo, um espelho muito antigo. De madrugada, uma senhora cega e de idade encontrou com este espelho. Ent&atilde;o, o que &eacute; que acontece? O espelho refletiu exatamente aquela senhora idosa e cega, mais nada. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Mas isto &eacute; dif&iacute;cil de entender, porque n&oacute;s temos discrimina&ccedil;&atilde;o ou apego. Se aparecer uma mo&ccedil;a bonita, a&iacute; sim, que bom, quando ela vai indo embora ah, n&atilde;o vai n&atilde;o. Quando o contr&aacute;rio acontece, isto &eacute;, a mo&ccedil;a &eacute; feia, ent&atilde;o n&atilde;o desejamos que ela fique. Mas o espelho nunca faz esta discrimina&ccedil;&atilde;o. O espelho simplesmente reflete tudo aquilo que aparece. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         O espelho reflete quando aparece a senhora de idade ou a mo&ccedil;a, porque para ele n&atilde;o faz a menor diferen&ccedil;a, isto significa que cada presen&ccedil;a que aparece em frente ao espelho &eacute; absoluta, eterna e perfeita. Quando n&atilde;o fazemos discrimina&ccedil;&atilde;o de qualidade, cada pessoa est&aacute; perfeita, assim mesma como ela est&aacute;. N&oacute;s nascemos carregando todos aqueles Karmas de vidas passadas e podemos mudar de vida, o presente e o futuro e at&eacute; o passado, mas o que se recebeu at&eacute; agora, ser de naturalidade argentino, brasileiro, japon&ecirc;s, isto n&atilde;o pode ser mudado nunca, este &eacute; o nosso Karma. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Mas, isto n&atilde;o importa, a &uacute;nica coisa que posso fazer &eacute; aceitar isto, viver isto com a minha responsabilidade total. Quando eu encontrar dificuldades, problemas, sofrimentos, &eacute; porque estou pagando o meu Karma. Se a pessoa pode entender isto, o sofrimento n&atilde;o &eacute; mais sofrimento, &eacute; muito simples. Por isto, cada um de n&oacute;s que est&aacute; aqui presente, est&aacute; vivendo totalmente perfeito. O Budismo diz: n&oacute;s somos Buda originalmente, mas n&oacute;s estamos perdidos, b&ecirc;bados e dormindo, como se estiv&eacute;ssemos gritando de sede no meio da &aacute;gua. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Um monge perguntou para o mestre: mestre, por favor, me ensine o segredo do Budismo. Ah, sim, mas hoje tem muita gente, quando n&atilde;o tiver mais ningu&eacute;m eu vou te ensinar, disse o mestre. No dia seguinte, o monge chegou de novo: mestre, n&atilde;o tem mais ningu&eacute;m, me ensine agora. Ah, vem c&aacute;, e foram para o jardim. A&iacute; o mestre disse: est&aacute; vendo? Esta &aacute;rvore &eacute; alta e esta outra &aacute;rvore &eacute; baixa. Este &eacute; que &eacute; o segredo do Budismo. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         N&atilde;o h&aacute; nenhum segredo, tudo est&aacute; aberto, transparente e est&aacute; na frente de todo o mundo, mas o problema &eacute; que as pessoas fazem diferen&ccedil;as, se isto &eacute; alto ent&atilde;o isto &eacute; bom, essa &aacute;rvore &eacute; grossa ent&atilde;o posso vender mais caro, esta outra &aacute;rvore &eacute; baixa e feia e n&atilde;o vale nada, s&atilde;o as pessoas que fazem diferen&ccedil;a. E tudo isto &eacute; Karma que est&aacute; aparecendo. Dessa forma, este tipo de sabedoria reflete o que aparece na frente da pessoa e n&atilde;o faz diferen&ccedil;a. Com isto n&oacute;s chegamos &agrave; segunda sabedoria: a segunda sabedoria &eacute; perceber a igualdade. A natureza de Buda est&aacute; dentro de cada um, mas isto &eacute; dif&iacute;cil de entender. Cada um pensa que &eacute; diferente. Claro, h&aacute; diferen&ccedil;as, como a &aacute;gua, que em uma forma &eacute; gelo, e uma outra que &eacute; neblina, ou nuvens ou chuva, mas afinal, tudo &eacute; a mesma &aacute;gua. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Descobrir que n&oacute;s somos &aacute;gua, esta &eacute; a sabedoria da igualdade. N&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;as e porque n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;as &eacute; tudo igual. Isto n&atilde;o quer dizer por exemplo que o presidente de um pa&iacute;s seja a mesma coisa que um trabalhador comum, de baixa categoria. O trabalhador comum pode estar preocupado com o futuro do pa&iacute;s, mas talvez ele n&atilde;o possa fazer nada pelo pa&iacute;s, cada um tem a sua fun&ccedil;&atilde;o e papel, cada um faz o que pode no seu trabalho. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Dentro de um mosteiro Zen h&aacute; v&aacute;rias tarefas diferentes. H&aacute; o cozinheiro, os diretores do mosteiro, o disciplin&aacute;rio, etc., mas isto n&atilde;o significa que o valor de cada pessoa seja diferente. Por isto os Budistas quando se encontram fazem o Gassh&ocirc;. Gassh&ocirc; significa reverenciar a natureza de Buda que est&aacute; dentro de voc&ecirc;. Estamos vivendo e sofrendo, com dores, mas no fundo n&oacute;s temos a mesma qualidade. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         O treinamento de Zen &eacute; descobrir o verdadeiro eu, e depois aplicar isto dentro da vida cotidiana, esta capacidade e potencialidade s&atilde;o muito grandes. Para se encontrar esta experi&ecirc;ncia e esta sabedoria, tem que se viver neste mundo a vida cotidiana. Temos diferen&ccedil;as, mas no fundo &eacute; tudo igual. Por exemplo, se se colocar o orvalho transparente em cima de uma folha verde, n&oacute;s vemos um orvalho verde. E o mesmo orvalho transparente, se voc&ecirc; colocar em cima de uma flor vermelha, voc&ecirc; v&ecirc; a cor vermelha. Assim, n&oacute;s estamos vendo cores e formas diferentes em cima de cada pessoa, mas neste momento o que ningu&eacute;m v&ecirc; &eacute; aquela cor transparente. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         A igualdade do vazio est&aacute; dentro de n&oacute;s, por isto a primeira experi&ecirc;ncia Zen, atrav&eacute;s da medita&ccedil;&atilde;o, &eacute; encontrar o corpo do Buda c&oacute;smico. Este trabalho &eacute; dif&iacute;cil, porque &eacute; necess&aacute;rio limpar tudo aquilo que j&aacute; se aprendeu desde que nasceu, e tamb&eacute;m aqueles Karmas que estamos carregando. Por isso, o importante &eacute; come&ccedil;ar a escutar o ensinamento e experimentar o ensinamento. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         O Buda disse, voc&ecirc;s n&atilde;o devem me respeitar apenas com as apar&ecirc;ncias, voc&ecirc;s devem experimentar as minhas palavras como se experimenta e testa o ouro dentro do fogo. Dessa forma, quando a pessoa tem esta experi&ecirc;ncia, a sua f&eacute; e a sua confian&ccedil;a se tornam absolutas, e n&atilde;o mudam mais, n&atilde;o importa o que aconte&ccedil;a. Eu falei de dois tipos de sabedoria: a primeira aquela sabedoria do espelho, e depois a sabedoria da igualdade. A terceira sabedoria &eacute; a pessoa come&ccedil;ar a trabalhar dentro deste mundo mundano, como uma flor de l&oacute;tus que desabrocha no meio das chamas. Como pode uma flor abrir dentro das chamas? Isto pode acontecer. Mois&eacute;s atravessou o Mar Vermelho. Um homem chamado Jesus Cristo, o Nazareno, mudou o&nbsp; mundo inteiro.&nbsp; Atrav&eacute;s do treinamento, o que n&oacute;s procuramos n&atilde;o s&atilde;o for&ccedil;as sobrenaturais, n&oacute;s damos muita import&acirc;ncia &eacute; &agrave; nossa consci&ecirc;ncia. Atrav&eacute;s da medita&ccedil;&atilde;o n&oacute;s n&atilde;o vamos voar pelo espa&ccedil;o, mas o nosso intelecto consegue chegar at&eacute; &agrave; lua. Realmente, isto &eacute; uma coisa milagrosa. Este tipo de trabalho, quando a pessoa conhece a si mesmo, o seu eu verdadeiro, ela come&ccedil;a a mudar todos os pontos de vista, cento e oitenta graus. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Este mundo tem muitas compreens&otilde;es erradas. Pensamos que existe um eu, mas um eu n&atilde;o existe, apenas os materiais e elementos est&atilde;o se unindo provisoriamente, formando este corpo. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">       N&oacute;s temos a consci&ecirc;ncia e a inconsci&ecirc;ncia depositando todas as lembran&ccedil;as das vidas passadas e com isto se forma a identidade do eu, mas o eu verdadeiro n&atilde;o &eacute; t&atilde;o pequeno. &Eacute; necess&aacute;rio aprender aquilo que &eacute; n&atilde;o nascido, porque quando nasce, morre. Quando n&atilde;o nasce, ent&atilde;o n&atilde;o morre. Quando estamos passando pela praia, n&oacute;s vemos ondas chegando e desaparecendo, isto &eacute; o nascimento e a morte da vida. Quando se v&ecirc; a &aacute;gua do mar, v&ecirc;-se o aparecimento e o desaparecimento, mas a &aacute;gua do mar nunca vai diminuir e nunca vai aumentar; por isto, com experi&ecirc;ncia, n&oacute;s mergulhamos neste samadhi de oceano. Neste caso, n&atilde;o h&aacute; mais um nascimento e nem morte, &eacute; algo eterno, mas mesmo assim, h&aacute; nascimento e h&aacute; morte: isto &eacute; um pouco complicado, isto &eacute; sabedoria. Por exemplo: o meu nome &eacute; Tokuda, mas eu n&atilde;o sou Tokuda. Entenda isto, &eacute; muito simples. Tokuda &eacute; apenas um nome, como se fosse um r&oacute;tulo. Pode colocar um outro nome para facilitar, pode chamar japon&ecirc;s careca, assim todo mundo entende. A sabedoria do Zen &eacute; esta: eu sou Tokuda mas eu n&atilde;o sou Tokuda. Eu sou Tokuda, mas eu n&atilde;o sou Tokuda, e &eacute; por isto que eu me chamo Tokuda. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Parece complicado, mas &eacute; necess&aacute;rio dobrar duas ou tr&ecirc;s vezes as id&eacute;ias, a&iacute; n&oacute;s chegamos realmente at&eacute; nossa identidade e quando n&oacute;s sabemos isto, n&oacute;s vivemos a vida absolutamente. Nesse caso, nossa presen&ccedil;a &eacute; a manifesta&ccedil;&atilde;o de todas as nossas vidas passadas. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         A pessoa inteligente ou ignorante tem todas as raz&otilde;es para ser ignorante ou inteligente, ou bonita, ou feia, mas isto n&atilde;o quer dizer que ela seja melhor ou superior e que o outro seja inferior. Cada um de n&oacute;s est&aacute; vivendo totalmente dentro do mundo de Buda. Quando se entender isto, vem o quarto tipo de sabedoria, que &eacute; a pessoa n&atilde;o viver mais neste mundo de uma forma atrapalhada, porque n&oacute;s mesmos somos dignos de respeito, temos que respeitar a n&oacute;s pr&oacute;prios, n&atilde;o podemos mais viver fazendo tanta confus&atilde;o.. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Mas pensando bem, dentro de mim mesmo, ser&aacute; que eu mere&ccedil;o este respeito? N&oacute;s temos muitas e muitas sujeiras realmente, mas quando estamos sentados em medita&ccedil;&atilde;o de pernas cruzadas, m&atilde;os cruzadas e com a boca fechada, n&oacute;s somos Buda. Por que? Porque com esta posi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se pode fazer atos maus, com as pernas cruzadas, com aquela postura e com aquela respira&ccedil;&atilde;o correta n&atilde;o se pode mais falar mal dos outros. Com isto, naturalmente v&ecirc;m os pensamentos chamados corretos, ent&atilde;o voc&ecirc; mesmo &eacute; Buda. &Eacute; dif&iacute;cil aceitar isto, mas quando voc&ecirc; senta, que seja somente vinte minutos, trinta minutos, voc&ecirc; &eacute; vinte minutos, trinta minutos de Buda. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Este &eacute; o ensinamento de Buda. Reconhecer a si mesmo como Buda &eacute; dif&iacute;cil, mas isto n&atilde;o tem muita import&acirc;ncia. Vamos supor que eu queira ver o meu rosto dormindo, o olho em frente ao espelho. Quando abro o olho, j&aacute; n&atilde;o estou mais dormindo. O treinamento para se chegar at&eacute; o estado de Buda &eacute; muito dif&iacute;cil, mas a primeira coisa que a pessoa tem que fazer &eacute; come&ccedil;ar a imitar. Se voc&ecirc; come&ccedil;a a imitar um ladr&atilde;o, ent&atilde;o voc&ecirc; &eacute; um ladr&atilde;o. O ladr&atilde;o &eacute; aquele que rouba. Ent&atilde;o voc&ecirc; imita o ladr&atilde;o, rouba e &eacute; preso pelo guarda, n&atilde;o senhor guarda, estou apenas imitando um ladr&atilde;o, ele vai te colocar na cadeia assim mesmo. N&oacute;s temos a id&eacute;ia de ego, mas &eacute; bom imitar, fazer coisas boas, seguir o exemplo da pr&aacute;tica dos s&aacute;bios. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Diz a B&iacute;blia que a m&atilde;o esquerda n&atilde;o pode saber o que a m&atilde;o direita fez. Realmente esta id&eacute;ia de ego &eacute; muito forte, mas a &uacute;nica maneira atrav&eacute;s da qual n&oacute;s podemos avan&ccedil;ar &eacute; imitando as coisas boas, que s&atilde;o melhores do que as coisas ruins. Quando se faz coisas boas, recebe-se os efeitos bons, pela lei de causas e efeitos. Estas experi&ecirc;ncias est&atilde;o sendo registradas de momento a momento, dentro de nosso inconsciente, &eacute; como uma semente que est&aacute; se depositando e quando encontra as condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis brota, a&iacute; a gente come&ccedil;a a ver este mundo de uma forma totalmente diferente. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Existem muitas pessoas que pensam que n&oacute;s nascemos neste mundo, mas n&atilde;o &eacute; isto. N&oacute;s nascemos no nosso pr&oacute;prio mundo e estamos vendo a nossa pr&oacute;pria consci&ecirc;ncia. Por isto quando conseguimos a limpeza total dentro da nossa inconsci&ecirc;ncia, come&ccedil;amos a ver ent&atilde;o um mundo maravilhoso. A pessoa est&aacute; vivendo neste mundo como se fosse uma guerra, como um inferno, porque isto &eacute; um estado de consci&ecirc;ncia. Um samurai (samurai &eacute; um antigo guerreiro japon&ecirc;s) chegou a um mestre e perguntou: mestre, &eacute; verdade que realmente existe um inferno e tamb&eacute;m um para&iacute;so neste mundo? O mestre disse: idiota, voc&ecirc; n&atilde;o sabe destas coisas at&eacute; hoje? E ainda tem a aud&aacute;cia de vir aqui me perguntar? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Antigamente, os guerreiros samurais tinham aquele orgulho muito forte. Nem meu pr&oacute;prio pai me chama de idiota. Mesmo o senhor, mestre, caso n&atilde;o se retratar do que disse,&nbsp; n&atilde;o poderei deixar o senhor viver, e vou te matar com minha espada, disse o samurai. O mestre disse: muito interessante, voc&ecirc; quer tirar a espada da bainha? A&iacute; est&aacute; o inferno. O samurai compreendeu as palavras do mestre e come&ccedil;ou a abrir um grande sorriso. Ah, muito bem disse o mestre, agora seu sorriso &eacute; o para&iacute;so. Dessa forma, estamos vivendo cada momento no estado de inferno, apegados como se f&ocirc;ssemos dem&ocirc;nios famintos, temos aquela falta de intelig&ecirc;ncia como se f&ocirc;ssemos um animal, e fazemos complica&ccedil;&otilde;es como se f&ocirc;ssemos Asuras. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Para n&oacute;s seres humanos, a &aacute;gua &eacute; &aacute;gua, claro. Mas para os peixes, a &aacute;gua n&atilde;o &eacute; &aacute;gua. &Aacute;gua para os peixes &eacute; casa, ou &eacute; um pal&aacute;cio. Para os seres divinos a &aacute;gua &eacute; como se fosse um espelho, ou uma j&oacute;ia. Para os dem&ocirc;nios e para os esp&iacute;ritos famintos, &aacute;gua n&atilde;o &eacute; mais &aacute;gua, mas sim fezes, pus e sangue. Assim, a forma como se vive neste mundo depende do estado de consci&ecirc;ncia de cada um e por isto o treinamento de Zen &eacute; transformar este corpo f&iacute;sico de carne e osso no corpo de Buda. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Este corpo quer dizer inclusive a nossa consci&ecirc;ncia. Quando o mundo interno se transforma, ent&atilde;o o mundo externo tamb&eacute;m come&ccedil;a a se transformar. Da maneira que eu mudo o presente, come&ccedil;o a mudar o futuro e posso at&eacute; mudar o passado. H&aacute; mais ou menos vinte anos atr&aacute;s eu estava treinando no mosteiro no Jap&atilde;o, e l&aacute; eu apanhava muito, este &eacute; um m&eacute;todo de Zen, mas hoje em dia eu agrade&ccedil;o aquele tipo de treinamento que passei. Naquela &eacute;poca eu sofria e pensava porque estou aqui? Tudo isto que estou fazendo &eacute; bobagem. Pensava desta maneira, mas hoje sou agradecido realmente, foi tudo muito bom para mim. Eu perdi o meu pai com a &uacute;ltima guerra, a segunda guerra mundial. Meu pai dizia para n&oacute;s, que somos tr&ecirc;s irm&atilde;os, que um talvez fosse m&eacute;dico, um monge e o outro m&uacute;sico. Ele era marinheiro e foi &agrave; segunda guerra mundial, sabia que iria morrer e realmente morreu, mas estava tranq&uuml;ilo e hoje em dia eu agrade&ccedil;o o fato dele ter morrido com a guerra, porque com isto recebi esta mensagem, e pude realizar pelo menos um de seus desejos. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         O m&eacute;dico, o monge, o m&uacute;sico, ent&atilde;o pelo menos uma destas coisas eu cumpri. Com a morte dele, estou aqui e estou muito contente com aquilo que estou fazendo. Eu sempre quis este tipo de trabalho no Brasil e agora tamb&eacute;m na Argentina. Eu me encontro comigo mesmo, estando aqui. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         O treinamento Zen sempre coloca viver o aqui e o agora. Se a pessoa consegue viver aqui e agora fazendo bons trabalhos, n&atilde;o &eacute; futuramente que as coisas v&atilde;o ficar boas. &Eacute; neste momento mesmo, imediatamente, que o mundo inteiro fica bom. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Acho que estou falando j&aacute; h&aacute; muito tempo. Faltam doze minutos para as dez horas, eu vou parar um pouquinho e se tiverem perguntas sobre alguns assuntos, sobre Budismo ou Zen,&nbsp; ou sobre&nbsp; outra coisa qualquer, eu gostaria de conhecer as perguntas. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: Como o senhor aplicaria a doutrina Zen para o ocidental? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: Ah, sim. A aplica&ccedil;&atilde;o do Zen para o mundo ocidental n&atilde;o mudou nada desde que o Zen surgiu. Onde o Budismo correto &eacute; transmitido sempre existe a pr&aacute;tica do Zazen, s&oacute; isto. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">             Pergunta: Qual &eacute; o mecanismo atrav&eacute;s do qual este processo f&iacute;sico produziria uma evolu&ccedil;&atilde;o no homem? Como poderiam os castigos que o senhor recebeu no seu treinamento ajudar na sua evolu&ccedil;&atilde;o? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">        Resposta: Eu acho que qualquer profiss&atilde;o, para que se consiga alcan&ccedil;ar um alto n&iacute;vel, tem muitas dificuldades: artistas ou dan&ccedil;arinos ou esportistas t&ecirc;m que realizar esfor&ccedil;os ou sacrif&iacute;cios. Durante este processo de treinamento Zen estamos tentando conseguir aquele mergulho profundo e justo neste momento chega o instante do limite f&iacute;sico e espiritual. O mestre sabendo disto, aplica a pancada justamente para que se consiga superar aquela dificuldade. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: Ser&aacute; que n&oacute;s neste momento temos a menor possibilidade de chegarmos &agrave; compreens&atilde;o do Zen? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: Neste momento &eacute; muito importante a confian&ccedil;a na palavra do Buda: n&oacute;s somos originalmente Buda. &Eacute; isto. Porque Buda, o Buda Gautama pessoalmente realizou isto e deixou o ensinamento, e com isto muita gente mudou. Estes s&atilde;o os grandes testemunhos. Pelo menos com o nome Budismo historicamente nunca houve motiva&ccedil;&otilde;es para guerras ou escravid&atilde;o. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: Porque foi que o senhor disse que com o intelecto a pessoa pode chegar at&eacute; a Lua? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: Intelecto &eacute; a sexta consci&ecirc;ncia, ainda tem limites. Com a consci&ecirc;ncia n&oacute;s podemos juntar os conhecimentos cada vez mais, at&eacute; construir naves espaciais para ir at&eacute; a Lua, esta for&ccedil;a &eacute; muito grande, mas a sexta consci&ecirc;ncia &eacute; limitada &agrave; inconsci&ecirc;ncia que estamos depositando. O que se pode modificar s&atilde;o as s&eacute;tima e oitava consci&ecirc;ncias, o inconsciente. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: Se voc&ecirc; estuda o suficiente voc&ecirc; pode ir at&eacute; a Lua? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: Chegar at&eacute; a Lua n&atilde;o interessa, o importante &eacute; que precisamos mudar n&atilde;o s&oacute; o que estamos vendo, escutando, como tamb&eacute;m mudar internamente. O assunto n&atilde;o &eacute; este. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: Atrav&eacute;s do intelecto como pr&aacute;tica a pessoa pode despertar para estes n&iacute;veis de consci&ecirc;ncia? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: Como eu j&aacute; disse, o aprendizado tem que ser com o intelecto. Escutar, pensar e experimentar, mas o aprendizado &eacute; estudar n&atilde;o estudando, &eacute; desejar para n&atilde;o mais desejar. Por exemplo, se temos algum problema de est&ocirc;mago, sentimos a presen&ccedil;a do est&ocirc;mago, e por isto procuramos o m&eacute;dico, e come&ccedil;amos a tomar rem&eacute;dio, mas quando a pessoa est&aacute; curada totalmente, ent&atilde;o ela n&atilde;o se lembra mais da presen&ccedil;a do est&ocirc;mago. O nosso intelecto tem limites, mas mesmo assim os Budistas d&atilde;o muita import&acirc;ncia a ele. Por isto eu coloquei a import&acirc;ncia do nosso intelecto, conseguir chegar at&eacute; &agrave; Lua. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: O Buda c&oacute;smico &eacute; o mesmo que o Cristo c&oacute;smico? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: Acredito que sim. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: Porque os monges mostram apenas um ombro coberto com o manto? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: Isto &eacute; um costume da &Iacute;ndia. Quando o monge mostra o ombro direito, isto quer dizer respeito para todos. Quando os dois ombros est&atilde;o cobertos com o manto, isto significa que ele &eacute; Buda. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: No Zen, o cora&ccedil;&atilde;o espiritual est&aacute; do lado direito? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: O Budismo n&atilde;o coloca a direita ou a esquerda, &eacute; o Caminho do Meio. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: O que significa este ros&aacute;rio que o senhor tem sobre a mesa? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: Este ros&aacute;rio tem 108 contas e n&oacute;s temos 108 ignor&acirc;ncias. Este ros&aacute;rio &eacute; para lembrar disto. Temos o costume nos templos Budistas de, no fim do ano, na passagem do ano, tocarmos 108 gongos. Cada toque &eacute; para esquecer uma ignor&acirc;ncia, para receber o ano novo. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: O desejo interior &eacute; o equivalente da vontade divina? N&atilde;o devemos passar pelo desejo para chegarmos &agrave; vontade divina? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: N&oacute;s Budistas n&atilde;o procuramos eliminar os desejos, mas sim saber que n&oacute;s temos desejos e refletindo sobre isto, j&aacute; se elimina a metade dos desejos. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: H&aacute; diferen&ccedil;a entre o Budismo ortodoxo e o Zen? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: Acho que sim. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: Por qu&ecirc;? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: O Budismo Zen surgiu na China, naquela &eacute;poca alguns imperadores eram Tao&iacute;stas e come&ccedil;aram a atacar os Budistas. Queimaram os templos, livros sagrados, mataram monges e monjas. Por essa raz&atilde;o, alguns monges se tornaram leigos, outros fugiram para o fundo da montanha onde n&atilde;o chegava ningu&eacute;m. Eles come&ccedil;aram a transmitir os ensinamentos Budistas sem livros, sem imagens de Buda, sem nada. Apenas transmitiam com este contato direto entre o mestre e o disc&iacute;pulo. Quando por exemplo, eu te pergunto de onde voc&ecirc; vem, eu n&atilde;o estou falando sobre se voc&ecirc; veio do Brasil ou do Jap&atilde;o. Antes de voc&ecirc; nascer onde voc&ecirc; estava? Depois da morte, onde voc&ecirc; vai? Perguntando assim, entre conversas, perguntas e respostas, foi que surgiu o ensinamento Zen. Um mestre estava fazendo limpeza na sala, chegou um monge e disse, &quot;Este mundo originalmente est&aacute; todo limpo. Porque precisa varrer?&quot; &quot;A&iacute; vem um outro gr&atilde;o de p&oacute;&quot;, disse o mestre. Assim, vivendo a vida cotidiana e atrav&eacute;s destes tipos de di&aacute;logos, o Zen mostra o ensinamento e isto geralmente n&atilde;o se encontra em outras escolas Budistas ortodoxas, onde tudo depende de sutras, serm&otilde;es de Buda, cerim&ocirc;nias. O praticante de Zen n&atilde;o d&aacute; muita import&acirc;ncia a livros sagrados Budistas ou exterioridades. A pr&aacute;tica do Zen &eacute; a medita&ccedil;&atilde;o, &eacute; entrar no mesmo estado de Ilumina&ccedil; que o Buda alcan&ccedil;ou. Quando se chega a este ponto pode-se usar livros sagrados ou sutras ou ensinamentos livremente. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: Para meditar &eacute; necess&aacute;rio prepara&ccedil;&atilde;o? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: Sim, &eacute; necess&aacute;rio. Em primeiro lugar &eacute; necess&aacute;rio o desligamento com o mundo exterior, depois comer e beber com modera&ccedil;&atilde;o, procurar agir corretamente, e por a&iacute; vai. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: Como fazer para deixar tudo de lado? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: Voc&ecirc; deve ver o corpo e a mente como uma coisa s&oacute;, por isto h&aacute; o m&eacute;todo de Zazen. Sentar naquela postura, controlar a respira&ccedil;&atilde;o, &eacute; muito importante. O Zazen &eacute; o bar&ocirc;metro da nossa sa&uacute;de. Quando a pessoa senta e sente dores sempre no mesmo lugar, est&atilde;o este lugar, f&iacute;gado, rins, pulm&atilde;o etc., est&aacute; com problema. Depois vem o controle da respira&ccedil;&atilde;o. A respira&ccedil;&atilde;o est&aacute; ligada &agrave; emo&ccedil;&atilde;o diretamente. Quando a pessoa est&aacute; triste chora, quando est&aacute; com muita raiva, fica com a respira&ccedil;&atilde;o ofegante. Se se sabe controlar a respira&ccedil;&atilde;o internamente, naturalmente consegue-se o estado da mente em paz. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Por exemplo, existe o m&eacute;todo de Mu como mantra. Quando se expira, &eacute; utilizado este m&eacute;todo. Geralmente a pessoa respira 17 ou 18 vezes por minuto. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Mesmo que voc&ecirc; n&atilde;o tenha experi&ecirc;ncia, se usar este m&eacute;todo de Zazen, imediatamente a quantidade de respira&ccedil;&otilde;es baixa &agrave; metade ou menos ainda, sem esfor&ccedil;o algum. Eu vou mostrar. Algu&eacute;m de voc&ecirc;s pode contar Muuuuuuuuuu (expira). Isto &eacute; uma expira&ccedil;&atilde;o. Geralmente leva-se 10 segundos para expirar e 5 para inspirar. Quando se medita desta forma, respira-se cerca de 4 vezes por minuto, com isto aparece a onda alfa no c&eacute;rebro. Isto &eacute; o estado tranq&uuml;ilo, descansado, dessa forma pode-se ver o mundo tranq&uuml;ilo e em paz. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: Como &eacute; que se trabalha um Koan? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: O trabalho Koan &eacute; se tornar uma coisa s&oacute; com o Koan. Um monge perguntou, o cachorro tem a natureza de Buda ou n&atilde;o? O mestre respondeu Mu. Este &eacute; um Koan. O trabalho com Mu &eacute; se tornar Mu, o universo inteiro se tornar Mu. Este corpo pequeno desaparece e o eu se torna o universo inteiro, o mundo inteiro &eacute; s&oacute; Mu. Este &eacute; o trabalho do Koan. N&atilde;o sou eu que fa&ccedil;o a concentra&ccedil;&atilde;o do Mu, sen&atilde;o eu e Mu ser&iacute;amos duas coisas separa-das. Mu &eacute; que est&aacute; fazendo Mu. (A tradutora explica). Isto j&aacute; &eacute; explica&ccedil;&atilde;o. Merece trinta pancadas. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: O Budismo Zen acredita na encarna&ccedil;&atilde;o? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: Sim e ao mesmo tempo n&atilde;o. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: Se  sim, isto n&atilde;o seria uma prolonga&ccedil;&atilde;o do ego? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: Por isto o outro lado &eacute; n&atilde;o. Agora quero perguntar: Porque voc&ecirc; pergunta isto? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Pergunta: Para se chegar &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o temos que fazer ascetismo? <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         Resposta: O treinamento Zen n&atilde;o &eacute; asc&eacute;tico. Por exemplo, quando a mo&ccedil;a est&aacute; cantando, se a corda do viol&atilde;o est&aacute; muito tensa ela quebra e se est&aacute; muito relaxada n&atilde;o faz som. Isto &eacute; o Caminho do Meio. O Buda Shakyamuni fez v&aacute;rios tipos de treinamento asc&eacute;tico na sua &eacute;poca. Quando compreendeu que aquilo s&oacute; iria lev&aacute;-lo &agrave; exaust&atilde;o e &agrave; morte, ele abandonou o treinamento asc&eacute;tico. Para chegar &agrave; compreens&atilde;o completa, simplesmente relaxe todo o corpo e transforme o inconsciente totalmen-te, desde a consci&ecirc;ncia de Alaya at&eacute; a consci&ecirc;ncia de Manas. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">         As&nbsp; pessoas&nbsp; pensaram&nbsp; por tr&ecirc;s vezes&nbsp; que o Buda&nbsp; tinha&nbsp; morrido com o treinamento asc&eacute;tico, mas ele n&atilde;o morreu. Um tipo de treinamento &eacute; parar a respira&ccedil;&atilde;o at&eacute; morrer, o ar sai pelo ouvido. As pessoas acreditavam que se se conseguisse morrer desta forma, depois da morte elas nasceriam no para&iacute;so, mas a primeira pergunta do Buda, que deu origem &agrave; sua procura, era por qu&ecirc; existe o sofrimento? O que &eacute; a extin&ccedil;&atilde;o do sofrimento? Isto foi uma coisa que o treinamento asc&eacute;tico n&atilde;o respondeu, por isto ele escolheu a medita&ccedil;&atilde;o e come&ccedil;ou a meditar por conta pr&oacute;pria. Dessa forma, o treinamento Budista n&atilde;o &eacute; asc&eacute;tico, &eacute; o Caminho do Meio e &eacute; normal, a gente fica completamente normal, n&atilde;o &eacute; para ganhar poderes sobrenaturais. Como Mestre Dogen disse, o nariz est&aacute; vertical, o olho est&aacute; horizontal. <\/p>\n<\/div>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Ryotan Tokuda Igarashiextra\u00eddo do livro &#8220;Psicologia Budista&#8221;Palestra proferida em Buenos Aires, para um grupo de psic&oacute;logos, de 19 a 23 de outubro de 1983 Caros amigos, para encerrar este ciclo de palestras, hoje &agrave; noite eu vou falar &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-que-e-o-budismo\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6769,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,40],"tags":[16],"class_list":["post-6777","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-zen","tag-thich-nhat-hanh"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6777","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6777"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6777\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6778,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6777\/revisions\/6778"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6769"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6777"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6777"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6777"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}