{"id":6784,"date":"2020-07-06T15:48:06","date_gmt":"2020-07-06T17:48:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6784"},"modified":"2020-07-06T15:48:06","modified_gmt":"2020-07-06T17:48:06","slug":"deus-e-o-vazio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/deus-e-o-vazio\/","title":{"rendered":"Deus e o Vazio"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Ryotan-Tokuda-Igarashi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Ryotan-Tokuda-Igarashi.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"363\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6768\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Ryotan-Tokuda-Igarashi.jpg 545w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Ryotan-Tokuda-Igarashi-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Ryotan-Tokuda-Igarashi-450x300.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b>Texto de <a href=\"dhttp:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/ryotan-tokuda-igarashi\/\">Ryotan Tokuda Igarashi<\/a><br \/>Em outubro de 1989 o monge Tokuda proferiu algumas palestras em Porto Alegre, em uma atividade conjunta do Centro de Estudos Budistas, Departamento de Filosofia\/UFRGS e Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ci\u00eancia\/RS. Estas palestras foram transcritas nas revistas Bodisatva 3, 4 e 5, aqui est\u00e1 a \u00faltima.<\/b><\/i><\/div>\n<hr \/>\n<p>Este t\u00edtulo &#8220;Deus e o Vazio&#8221;, pode parecer estranho. O vazio que \u00e9 a teoria fundamental do budismo, principalmente do zen, \u00e9 o &#8220;nada&#8221;. Dentro do cristianismo tamb\u00e9m podemos encontrar esta ompreens\u00e3o do vazio, como nas palavras de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, m\u00edstico espanhol. Ele ganhou o t\u00edtulo de &#8220;doutor em nada&#8221;.<\/p>\n<p>Como nas palestras anteriores, vou continuar falando sobre mestre Eckart, m\u00edstico alem\u00e3o, e mestre Dogen, fundador da linhagem Soto Zen no Jap\u00e3o. Em primeiro lugar escolhi este serm\u00e3o de mestre Eckart: &#8220;Paulo levantou-se do ch\u00e3o e com os olhos plenamente abertos nada viu.&#8221; Na minha opini\u00e3o, esse texto tem quatro sentidos: O primeiro \u00e9 que, ao levantar do ch\u00e3o com os olhos abertos viu o &#8220;nada&#8221;, e o &#8220;nada&#8221; era Deus. O segundo: ao se levantar, nada viu al\u00e9m de Deus. Terceiro, em todas as coisas nada mais viu al\u00e9m de Deus. No quarto, quando viu Deus viu todas as coisas como &#8220;nada&#8221;. Esta frase &#8220;quando Paulo se levantou do ch\u00e3o com os olhos plenamente abertos nada viu&#8221; corresponde \u00e0 experi\u00eancia de S\u00e3o Paulo quando ia para Damasco. Era contra Jesus Cristo &#8211; nunca o vira pessoalmente, mas estava em oposi\u00e7\u00e3o a ele.<\/p>\n<p>Nessa viagem, escutando a voz de Jesus Cristo, quase desmaiou. Caiu, levantou-se, tornou a cair, ficou cego tr\u00eas dias. Depois sua vida mudou totalmente. Em lugar de atacar Cristo, meio que tornou-se disc\u00edpulo, mesmo nunca o tendo encontrado pessoalmente. Come\u00e7ou a pregar a palavra de Jesus Cristo para os estrangeiros. Chegou at\u00e9 a brigar com S\u00e3o Pedro. Na B\u00edblia encontramos esse tipo de experi\u00eancia m\u00edstica de S\u00e3o Paulo e S\u00e3o Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>Comentada por mestre Eckart, a frase me lembra mestre Dogen no cap\u00edtulo &#8220;vida e morte&#8221; do Shobogenzo, onde dois monges discutiam, &#8220;Em vida e morte existe Buda, logo, pr\u00e1 que preocupar com vida-e-morte? &#8216;Vida-e-morte&#8217; \u00e9 o mesmo que &#8216;samsara&#8217;; mundo ilus\u00f3rio. Na vida &#8216;samsara&#8217;; que vivemos com vida, morte, sofrimentos, existe Buda. Por isso, n\u00e3o se preocupe com essas dores e sofrimentos, dizia um. E o outro, &#8220;N\u00e3o, nada disso, em vida-e-morte n\u00e3o existe Buda, n\u00e3o h\u00e1 que preocupar com vida e morte, pelo contr\u00e1rio.&#8221;<\/p>\n<p>Um dizia que dentro da vida existe Buda e o outro afirmava o contr\u00e1rio. Discutiram at\u00e9 que um deles, percebendo que n\u00e3o conseguiam sair do impasse, prop\u00f4s inquirir o mestre, que respondeu, &#8220;Um est\u00e1 muito pr\u00f3ximo e o outro longe&#8221;, e o monge que perguntou insistiu, &#8220;Mas quem est\u00e1 mais perto e quem est\u00e1 mais longe?&#8221; e o mestre falou, quem est\u00e1 mais pr\u00f3ximo n\u00e3o precisa perguntar. Em suma, quem perguntou, perdeu.<\/p>\n<p>Se existe ou n\u00e3o existe Buda dentro de vida-e-morte \u00e9 quest\u00e3o ociosa, ambas as posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o verdadeiras, ambas s\u00e3o a mesma. S\u00e3o as duas faces de uma moeda. Uma moeda \u00e9 composta das duas faces. Com pontos de vista diferentes chega-se a diferentes conclus\u00f5es, da mesma forma que o desenho de um cubo, visto de um ponto ou outro, tamb\u00e9m muda.<\/p>\n<p>Mestre Eckart v\u00ea na experi\u00eancia de S\u00e3o Paulo quatro possibilidades. Na primeira, quando ele se levantou do ch\u00e3o com os olhos abertos e viu o &#8220;nada&#8221;, o &#8220;nada&#8221; era Deus. Na segunda, ao se levantar ele nada viu al\u00e9m de Deus. Na terceira, em todas coisas ele nada mais viu al\u00e9m de Deus. Isto \u00e9 igual \u00e0 discuss\u00e3o anterior sobre o Buda em todas as coisas. Ou seja, em vida-e-morte existe Buda, por isso voc\u00ea n\u00e3o precisa se preocupar. Dentro de todas as coisas voc\u00ea pode encontrar Buda, Deus. Quarta: quando viu Deus, viu todas as coisas como &#8220;nada&#8221;. Esta \u00e9 a outra possibilidade. Dentro de vida-e-morte n\u00e3o existe Buda nem Deus, mas &#8220;nada&#8221;. Por isso n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio se preocupar com vida-e-morte.<\/p>\n<p>H\u00e1 outras passagens de mestre Eckart: &#8220;A luz que Deus \u00e9 brilha no escuro. Deus \u00e9 que \u00e9 a verdadeira luz. Para ver isso a pessoa deve estar cega e deve tirar para fora de Deus tudo o que \u00e9 algo. Um mestre diz que aquele que falar de Deus atrav\u00e9s de qualquer semelhan\u00e7a, fala de modo simpl\u00f3rio Dele. Mas falar de Deus atrav\u00e9s do &#8216;nada&#8217;; \u00e9 falar Dele corretamente. Quando a alma unificada entra na total auto-abnega\u00e7\u00e3o, encontra Deus como um Nada.&#8221;<\/p>\n<p>Aqui se diz &#8220;quando se fala de Deus atrav\u00e9s do nada, fala-se Dele corretamente&#8221;. Uma vez um dos monges, disc\u00edpulo direto de Buda, cujo nome era Subhuti &#8211; aquele que no Sutra do Diamante faz as perguntas porque entende sunya, o vazio, profundamente -, estava sentado em medita\u00e7\u00e3o sobre uma pedra. Profunda concentra\u00e7\u00e3o. De repente, sente algo cair sobre si. Eram p\u00e9talas de flores. &#8220;o que est\u00e1 acontecendo?!&#8221; perguntou surpreso, e Deus Brama apareceu, &#8220;o que est\u00e1 fazendo a\u00ed?&#8221; Subhuti: &#8220;Admirando&#8230;&#8221; Brama: &#8220;Admirando o qu\u00ea, qual nada, est\u00e1s falando o vazio.&#8221; E Subhuti: &#8220;N\u00e3o estou falando nada&#8221;. Ent\u00e3o Brama concluiu, &#8220;\u00c9 precisamente isso, est\u00e1s explicando perfeitamente o vazio&#8221;, enquanto p\u00e9talas ca\u00edam.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria aqui \u00e9 mitol\u00f3gica, pertence \u00e0 mitologia budista. Diz em resumo que quando voc\u00ea n\u00e3o fala, fala perfeitamente, com o serm\u00e3o do corpo, das figuras, dos gestos, que mostram o interesse, aten\u00e7\u00e3o, cansa\u00e7o, etc. O corpo fala tamb\u00e9m durante a medita\u00e7\u00e3o. Estando naquele estado, o vazio fala perfeitamente. A luz de Deus brilha na escurid\u00e3o, Deus \u00e9 a verdadeira luz. Para ver isso deve-se estar cego, e tirar fora de Deus tudo o que \u00e9 algo. Cego como ficou S\u00e3o Paulo durante tr\u00eas dias. Necessariamente.<\/p>\n<p>H\u00e1 outro disc\u00edpulo de Buda cujo nome \u00e9 Anuruda. Em certa ocasi\u00e3o, durante um serm\u00e3o de Buda, ele, sem querer, caiu no sono. Buda chamou sua aten\u00e7\u00e3o. De t\u00e3o envergonhado, ele tomou a decis\u00e3o de dali em diante n\u00e3o mais dormir. \u00c0 noite, n\u00e3o mais deitava, meditava sentado dia e noite. Esse treinamento forte o deixou cego. Ele perdeu uma vis\u00e3o, mas diz-se que isso lhe abriu outra.<\/p>\n<p>Muita gente diz &#8220;abriu o terceiro olho&#8221;. Os budistas falam no olho do c\u00e9u. Falam que temos cinco tipos de olho: o olho de carne, ou olho f\u00edsico; o olho de sabedoria, que permite ver as coisas invis\u00edveis; o olho do c\u00e9u; o olho de Darma; e, por \u00faltimo, o olho de Buda. Assim, indo al\u00e9m do olho f\u00edsico, voc\u00ea come\u00e7a a ver as coisas que anteriormente n\u00e3o via. As pessoas acreditam no que est\u00e3o vendo, mas ser\u00e1 que voc\u00ea est\u00e1 vendo as coisas mesmo, ou a proje\u00e7\u00e3o de coisas de sua mente consciente e inconsciente?<\/p>\n<p>Ri-se de uma historia zen muito engra\u00e7ada. Havia uma padaria em frente a um templo budista. O monge precisou viajar e pediu que o dono da padaria cuidasse do templo, atendesse visitas, etc. Ocorre que chegou um monge viajante \u00e0 aldeia. Antigamente os monges viajavam, numa esp\u00e9cie de treinamento mon\u00e1stico, visitando outros monges, mestres e mosteiros. Desafiavam os mais fortes no Darma, e mantinham-se treinando. O rec\u00e9m-chegado tamb\u00e9m praticava assim. Nessas batalhas do Darma, com perguntas e respostas, quem perdia era obrigado a deixar o templo; quem ganhava podia ficar como respons\u00e1vel. Uma batalha do Darma era algo muito s\u00e9rio. N\u00e3o era uma batalha de luta, mas de conhecimento, de experi\u00eancias, de linguagem.<\/p>\n<p>O monge visitante estava chegando e o dono da padaria, preocupad\u00edssimo, ouvia a sugest\u00e3o do chefe da aldeia, &#8220;Raspe a cabe\u00e7a, coloque o manto e apenas sente-se diante da parede como se estivesse meditando. Fa\u00e7a como se estivesse em treinamento de sil\u00eancio, nada fale, nem escute e nem responda.&#8221; O dono da padaria se animou, &#8220;Ah, \u00e9 f\u00e1cil, isso eu posso fazer.&#8221; Raspou a cabe\u00e7a, colocou o manto e sentou-se voltado para a parede. Nisso chegou o monge visitante e come\u00e7ou a fazer perguntas sobre o Darma, a doutrina budista. O dono da padaria assumiu um tom grave e fez &#8220;Shhh&#8221;. O monge entendeu, Ah, ele est\u00e1 fazendo muitos dias de treinamento de sil\u00eancio, mas j\u00e1 que estou aqui depois de t\u00e3o longa caminhada nas montanhas voc\u00ea vou aproveitar e perguntar com gestos, assim ele tamb\u00e9m pode responder com gestos, sem quebrar seu voto de sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Gesticulando, perguntou, Como \u00e9 seu cora\u00e7\u00e3o, seu esp\u00edrito? O dono da padaria respondeu com um grande gesto para as dez dire\u00e7\u00f5es, ou seja, os quatro pontos cardeais, os quatro pontos m\u00e9dios entre eles, para cima e para baixo, &#8220;Meu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 corno o oceano.&#8221; Veio a segunda pergunta &#8220;Como viver este mundo?&#8221;, e o dono da padaria mostrou os cinco dedos da m\u00e3o, panca sila, os cinco preceitos: n\u00e3o matar, n\u00e3o roubar, n\u00e3o cometer adult\u00e9rio, n\u00e3o conduzir os outros a erros, n\u00e3o usar intoxicantes. O monge sentiu-se tocado, &#8220;Ah, que bonito!&#8221; E mostrou tr\u00eas dedos da m\u00e3o, perguntando, &#8220;Onde est\u00e3o as tr\u00eas j\u00f3as, o Buda, o Darma, a Sanga?&#8221; Ao que o dono da padaria respondeu com o punho, &#8220;N\u00e3o procure longe, est\u00e1 aqui muito perto, perto do olho, est\u00e1 aqui.&#8221; Impressionado, o viajante foi embora.<\/p>\n<p>Vendo isso, o chefe da aldeia correu at\u00e9 o padeiro, &#8220;O que aconteceu? Ele foi embora muito impressionado, me conta&#8221;, e o dono da padaria explicou, &#8220;Aquele monge \u00e9 muito est\u00fapido, primeiro, fez um gesto com as m\u00e3os, perguntando quanto custava o p\u00e3o, se o p\u00e3o era muito pequeno, e eu abri bem os bra\u00e7os mostrando que meu o p\u00e3o \u00e9 bem grande. Ele perguntou quanto custavam dez p\u00e3es e eu mostrei-lhe cinco dedos, dizendo cinco moedas, mas ele me mostrou tr\u00eas dedos, pedindo que vendesse por tr\u00eas, e eu pensei, que sem-vergonha, e por pouco n\u00e3o lhe acertei um soco no olho!&#8221;<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma hist\u00f3ria muito engra\u00e7ada que mostra cada um vendo o que est\u00e1 pensando em sua pr\u00f3pria mente, interpretando \u00e0 sua maneira. Quando voc\u00ea fica velho, toda a manh\u00e3 pega o jornal e busca qual p\u00e1gina? A necrol\u00f3gica! &#8230; As cruzes com preto e dourado&#8230; Ah, morreu com oitenta e cinco anos, coitadinho, eu tenho 77 (risos), mas isto n\u00e3o \u00e9 brincadeira para uma pessoa. Eu, ao abrir o jornal, nem penso na se\u00e7\u00e3o necrol\u00f3gica, nem na policial, mas corro logo os olhos para ver o que passa no cinema&#8230; &#8220;Karat\u00ea Kid III, ah, isto \u00e9 interessante!&#8230;&#8221; O que voc\u00ea v\u00ea depende de seu interesse. Aquilo que n\u00e3o lhe interessa, ainda que esteja l\u00e1, voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea. Muitas vezes ocorre o oposto, voc\u00ea v\u00ea o que n\u00e3o existe, voc\u00ea cria. Por isso, n\u00e3o confie muito naquilo que esteja vendo. Como podemos ver as coisas verdadeiramente? Como j\u00e1 disse em palestra anterior, aqui h\u00e1 uma mesa, mas mesa o que \u00e9? Madeira, \u00e1rvore, pregos e o que mais? Afinal de contas, nada, vazio. Tudo \u00e9 vazio.<\/p>\n<p>Para ver a verdade voc\u00ea tem que ser cego e tem que abrir a outra vis\u00e3o, o olho de Buda, 0 olho da sabedoria, o olho do Darma, e com isso voc\u00ea pode come\u00e7ar a ver as coisas invis\u00edveis, ver at\u00e9 o que o outro est\u00e1 pensando, ou o que ir\u00e1 acontecer daqui a dez anos. \u00c0s vezes a gente v\u00ea e isto realmente acontece, n\u00e3o \u00e9 algo sobrenatural. Meditando, aquela onda de consci\u00eancia, a mente fica completamente tranq\u00fcila, como o lago rodeado de montanhas altas. Quando n\u00e3o h\u00e1 ondas, a \u00e1gua reflete com perfei\u00e7\u00e3o a lua cheia. Zazen \u00e9 isto, sentando, refletindo, v\u00eaem-se as coisas como elas s\u00e3o.<\/p>\n<p>Mestre Eckart: &#8220;Apareceu ante um homem como um sonho. Foi um sonho acordado em que ele ficou gr\u00e1vido com &#8216;nada&#8217;; como uma mulher com um filho no ventre. E daquele &#8216;nada&#8217; um filho nasceu; este era o fruto do nada.&#8221; Deus nasceu do nada e por isso ele diz: &#8220;levantou-se do ch\u00e3o com os olhos abertos vendo nada.&#8221;<\/p>\n<p>O treinamento zen no Jap\u00e3o se d\u00e1 atualmente atrav\u00e9s de duas escolas, a escola Rinzai e a Soto. Eu sou da escola Soto mas fui treinado na Rinzai. Quando voc\u00ea encontra pela primeira vez seu mestre no mosteiro, geralmente o mestre d\u00e1 um koan, uma pergunta, este \u00e9 o m\u00e9todo na escola Rinzai. A primeira categoria de koans chamamos de &#8220;hoshin&#8221;, ou &#8220;corpo c\u00f3smico de Buda&#8221;. A primeira experi\u00eancia do zen \u00e9 atrav\u00e9s da medita\u00e7\u00e3o onde voc\u00ea encontra o corpo c\u00f3smico de Buda. Abandonando o ego, desaparecendo o seu corpo, a\u00ed h\u00e1 unidade com o universo. Por isso h\u00e1 um koan inicial como o do cachorro, do mestre Joshu, ou o do som de uma s\u00f3 m\u00e3o. Se batem-se palmas ouvem-se sons, mas quando h\u00e1 s\u00f3 uma m\u00e3o, qual \u00e9 o som? Ou o koan do carvalho do jardim da frente, ou ainda o do rosto original antes do nascimento, antes do nascimento dos pr\u00f3prios pais. Estas perguntas paradoxais se destinam a tirar todos os condicionantes mentais anteriores, limpar a mente. Hoje a escola Rinzai ainda treina assim, mas as perguntas e respostas originais eram um pouco diferentes. Um monge perguntou ao mestre Joshu, &#8220;Cachorro tem natureza de Buda?&#8221; e mestre Joshu respondeu, &#8220;Mu&#8221;, uma nega\u00e7\u00e3o. Mas como Buda havia dito que todos os seres viventes t\u00eam a natureza de Buda, &#8220;Por que o cachorro n\u00e3o tem?&#8221; Ent\u00e3o Joshu respondeu &#8220;Por que tem consci\u00eancia c\u00e1rmica&#8221;. A\u00ed outro monge repetiu a pergunta, &#8220;Cachorro tem a natureza de Buda ou n\u00e3o?&#8221; Desta vez mestre Joshu respondeu, &#8220;Sim&#8221;, e o monge complementou, &#8220;Por que ent\u00e3o entrou Buda neste corpo coberto de p\u00ealos?&#8221;<\/p>\n<p>Durante um retiro de medita\u00e7\u00e3o intensiva, voc\u00ea tem que fazer entrevista &#8220;dokusan&#8221; com o mestre, cinco vezes por dia. Voc\u00ea pensa, pensa e imagina ter achado uma resposta maravilhosa, &#8220;Ah, que bom!&#8221;, e mostra a resposta ao mestre que responde, &#8220;O qu\u00ea? Nada disso! V\u00e1 embora!&#8221; O monge volta a pensar, pensar e pensar. Esfor\u00e7a-se e novamente pensa ter encontrado uma solu\u00e7\u00e3o, leva ao mestre e, &#8220;N\u00e3o! Voc\u00ea quer dar serm\u00e3o para mim? V\u00e1 embora.&#8221; Des\u00e2nimo, n\u00e3o era novamente&#8230; E assim vai, tentando, tentando&#8230; A fun\u00e7\u00e3o do mestre e dizer &#8220;n\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o&#8230;&#8221;, sempre n\u00e3o! Mais nada deve dizer&#8230;<\/p>\n<p>O monge fica sem possibilidades. Depois de um ou dois dias elas est\u00e3o esgotadas. Sem resposta, n\u00e3o pode mais visitar o mestre. Para responder o qu\u00ea? A\u00ed, n\u00e3o tendo mais o que pensar, ele senta em zazen, mas os monges veteranos v\u00e3o busc\u00e1-lo, &#8220;Venha logo, o mestre est\u00e1 esperando para a entrevista&#8221;, e ele responde, &#8220;Eu sei, mas n\u00e3o tenho mais nenhuma resposta&#8221;. Eles arrastam o monge e o jogam \u00e0 porta do mestre, &#8220;Ainda h\u00e1 tempo, vamos logo, o mestre est\u00e1 esperando!&#8221; Quando ele entra, e n\u00e3o h\u00e1 outra alternativa sen\u00e3o entrar, o mestre est\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o formal, sentado ereto, e pergunta, &#8220;Quem est\u00e1 a\u00ed? Ah, voc\u00ea, v\u00e1 embora, v\u00e1 embora.&#8221;<\/p>\n<p>O monge tem que entrar e responder, mas j\u00e1 n\u00e3o consegue nem mesmo entrar! Que sofrimento! Ter que responder onde n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel; sentar, a \u00fanica alternativa \u00e9 sentar&#8230;! N\u00e3o h\u00e1 resposta poss\u00edvel! Uma semana com cinco encontros di\u00e1rios \u00e9 algo muito longo! Mas n\u00e3o ha como evitar, \u00e9 preciso ir e ir novamente, novamente, etc. Cada um, no entanto, tem seus pr\u00f3prios koans, adequados ao seu n\u00edvel de compreens\u00e3o. No meu caso foi o primeiro koan, o &#8220;mu&#8221; do cachorro, de Joshu. ..<\/p>\n<p>Quando se chega ao retiro muitos s\u00e3o os monges novatos e o mestre n\u00e3o se lembra de todos, cada um tem que apresentar o que est\u00e1 fazendo, que tipo de koan est\u00e1 aprendendo. \u00c9 preciso falar em japon\u00eas o enunciado todo do koan em uma voz empostada, uniforme e sem pontua\u00e7\u00e3o, mas enf\u00e1tica, como uma recita\u00e7\u00e3o de sutra:<\/p>\n<p>&#8220;UM MONGE PERGUNTOU A MESTRE JOSSHUUUUuuuu<br \/>\nCACHORRO TEM A NATUREZA DE BUDA OU N\u00c3OOOOoooo<br \/>\nE JOSSHU RESPONDEUUUUuuuu<br \/>\nMUUUUUUUUUUUUUUUUUUuuuuuuuuuuuuu&#8221;<\/p>\n<p>E o mestre responde &#8220;Humm; ainda muito insuficiente.&#8221; Quando voc\u00ea expira, tem que ser como uma cunha que corta um tronco, deve durar dez segundos, quinze segundos, at\u00e9 trinta segundos. Neste momento voc\u00ea n\u00e3o pensa em nada. E assim segue, &#8220;MUUUUUuuuuuu&#8230;.&#8221;, dia e noite, como uma bola de ferro fervente, vermelha, queimando todos os pensamentos e id\u00e9ias anteriores. Voc\u00ea n\u00e3o pode vomit\u00e1-la, n\u00e3o pude engoli-la e ela est\u00e1 aqui embaixo do umbigo tamb\u00e9m, no ponto de &#8220;kikai&#8221;. E n\u00e3o h\u00e1 resposta; chegando \u00e0 frente do mestre, apresenta este &#8220;MU&#8221; e quando est\u00e1 muito bem o mestre resmunga &#8220;HUum HUum&#8221;. Que al\u00edvio, que bom! O monge est\u00e1 concentrado com todas as for\u00e7as f\u00edsicas do esp\u00edrito e da vontade. O &#8220;mu&#8221; vem do topo da cabe\u00e7a \u00e0 extremidade do p\u00e9. E assim vai indo, vai indo&#8230; De repente, fazendo a concentra\u00e7\u00e3o de &#8220;mu&#8221;, voc\u00ea encontra aquela parede, aquele pared\u00e3o, aquela muralha de ferro. Voc\u00ea se concentra e n\u00e3o consegue, cai, tenta novamente e cai, e assim vai. Isto \u00e9 mais do que um general enfrentando mil inimigos, pegando aquela espada de tr\u00eas quilogramas, onde ela passa corta tudo. Assim corta todos seus pensamentos anteriores e vai indo, indo, indo, \u00e0s vezes uma semana, \u00e0s vezes sete anos; durante sete anos apenas &#8220;muuuu&#8230;&#8221; &#8211; tem que ter muita paci\u00eancia. Mas de repente essa parede quebra. Isto \u00e9 &#8220;kenshu&#8221;, a primeira experi\u00eancia zen. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, \u00e9 necess\u00e1rio ter muita for\u00e7a de vontade.<\/p>\n<p>Voltando ao nosso assunto, cachorro tem natureza de Buda? N\u00e3o, n\u00e3o tem. Por qu\u00ea? Buda disse, Todos os seres viventes t\u00eam natureza de Buda, ent\u00e3o por que o cachorro n\u00e3o teria? Se Buda est\u00e1 falando a verdade, o mestre est\u00e1 mentindo, se o mestre est\u00e1 falando a verdade, ent\u00e3o Buda est\u00e1 mentindo. Isso \u00e9 um dilema. Este \u00e9 o m\u00e9todo do zen, o dilema, buscando limpar todos seus esquemas de racioc\u00ednio l\u00f3gico e com isto penetrar dentro do inconsciente. A fun\u00e7\u00e3o \u00e9 essa. Hoje em dia vejo assim, mas naquela \u00e9poca n\u00e3o sabia nada disso. Apenas nada havia para ser dito, mas o mestre pegava o monge pelo pesco\u00e7o e dizia, &#8220;Fala, fala, fala!&#8221;&#8230; Falar o qu\u00ea? Nada havia para falar! &#8220;Fala, fala!&#8221; Ufa!! N\u00e3o tenho nada para dizer!&#8230; &#8220;Fala, fala&#8221;.<\/p>\n<p>E brota o grito &#8220;KAAAAAAAAAaaaaaatttzzzz&#8230;&#8230;&#8221;. O famoso &#8220;katz&#8221;. Parece uma loucura, mas \u00e9 algo muito s\u00e9rio entre os que est\u00e3o vivendo isso. &#8220;Chegou o momento de dokusan, anda.&#8221; Atravessando o corredor, passo a passo, firme.<\/p>\n<p>E o fato do monge ter consci\u00eancia c\u00e1rmica que o impede de atravessar o muro. Quem tem consci\u00eancia c\u00e1rmica n\u00e3o consegue ver al\u00e9m de seus carmas! Outro monge vem e pergunta ao mestre, Cachorro tem natureza de Buda? Resposta: Tem. Ent\u00e3o por que entrou dentro deste corpo coberto de p\u00ealos? Ele entrou com um prop\u00f3sito, sabendo que em vez de entrar no para\u00edso entra no estado animal, ou no estado dos dem\u00f4nios famintos, ou at\u00e9 no inferno. Ele est\u00e1 pronto para isso. Hoje pela manh\u00e3 foram citadas estas palavras de S\u00e3o Paulo: &#8220;Se for para a gl\u00f3ria de Deus, posso ser at\u00e9 mesmo separado de Deus, posso entrar em quaisquer tipo de dificuldades.&#8221; Esse \u00e9 o verdadeiro esp\u00edrito de bodisatva. Mas quando voc\u00ea entra no inferno, a cada passo que \u00e9 dado, este mundo muda e transforma-se no para\u00edso, isso \u00e9 o que acontece. Isso \u00e9 uma coisa milagrosa. Mois\u00e9s atravessou o Mar Vermelho que se abriu para ele. Milagre! Mas isso acontece. Muitas vezes encontramos uma dificuldade insuper\u00e1vel; como atravess\u00e1-la se at\u00e9 mesmo a vis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel e est\u00e1 tudo nebuloso? \u00c9 poss\u00edvel ver apenas um passo, dois passos, cinco metros, e s\u00f3 ap\u00f3s andar um longo trecho a vis\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel novamente e o nevoeiro esta superado. E preciso ir andando. As dificuldades chegam de todos os lados \u00e0 volta de voc\u00ea. Pensando logicamente \u00e9 imposs\u00edvel chegar at\u00e9 l\u00e1, mas passo a passo vai-se indo, confiando no caminho de Deus ou de Buda, superando as dificuldades uma a uma e termina-se chegando no outro lado. Sabendo isto, com este prop\u00f3sito, entra-se no estado inferior.<\/p>\n<p>E como o exemplo de ontem. A esposa perdeu a vista e o marido perfurou seus pr\u00f3prios \u00f3lhos para acompanh\u00e1-la. Deus \u00e9 isso. Deus est\u00e1 l\u00e1, por que precisaria vir aqui? Ele \u00e9 puro, perfeito, por que escolher este mundo doloroso e chegar at\u00e9 mesmo a viver a crucifica\u00e7\u00e3o como um criminoso, com suas m\u00e3os e p\u00e9s pregados ao lenho? Ele estava l\u00e1 t\u00e3o bem com o Pai. Ele escolheu isto. Escolhendo este mundo inferior, doloroso, sofrido, Deus encarnou, tornou-se homem para ajudar a n\u00f3s. \u00c9 isso a\u00ed.<\/p>\n<p>Quando cachorro \u00e9 cachorro, \u00e9 Buda, porque dentro de todas as coisas Deus est\u00e1. Al\u00e9m disso nada mais h\u00e1. Dentro de todas as coisas pode-se ver Deus, apenas Deus, ent\u00e3o por que n\u00e3o dentro de um cachorro? Ent\u00e3o cachorro enquanto cachorro \u00e9 Buda. Cachorro \u00e9 Buda, mas n\u00e3o \u00e9 preciso dizer que cachorro \u00e9 Buda. Basta dizer &#8220;cachorro&#8221;. E por isso que se diz que dentro de vida-e-morte n\u00e3o existe Buda.<\/p>\n<p>Quando se diz &#8220;cachorro \u00e9 Buda&#8221;, est\u00e1 se comparando, cachorro est\u00e1 sendo colocado como algo absoluto, como Deus, ou como Buda. Quando cachorro \u00e9 realmente cachorro, nem \u00e9 preciso dizer que \u00e9 Deus, basta cham\u00e1-lo de cachorro, pronto. Ent\u00e3o, nesse momento, Deus desaparece e com isto surge a perfei\u00e7\u00e3o, porque todas as coisas est\u00e3o no seu lugar, no seu estado perfeito, absoluto, cada um de n\u00f3s tamb\u00e9m. Neste momento voc\u00ea tem que realizar, n\u00e3o amanh\u00e3, ou depois de amanh\u00e3, mas nesta vida. Por isso se diz, aqui e agora voc\u00ea tem todas as condi\u00e7\u00f5es. As j\u00f3ias do tesouro j\u00e1 est\u00e3o dentro de sua casa, apenas \u00e9 necess\u00e1rio abrir a porta e usar livremente.<\/p>\n<p>RESPOSTAS A AUDI\u00caNCIA<\/p>\n<p>N\u00e3o sei por que no Oriente a ci\u00eancia n\u00e3o se desenvolveu. Creio que \u00e9 pelo fato de a ci\u00eancia, de certo modo, ser muito anal\u00edtica e no Oriente trabalhar-se mais com a intui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que me preocupa como m\u00e9dico de medicina oriental \u00e9 que o pensamento da ci\u00eancia, buscando encontrar a verdade &#8211; e isso \u00e9 muito bom -, se lan\u00e7a em analisar mais e mais, perdendo a vis\u00e3o global. A medicina oriental j\u00e1 se preocupa com isto, descobrir os meridianos. Dentro das orelhas com a auricultura, encontra- se todas as partes do corpo. Dentro das palmas das m\u00e3os tamb\u00e9m encontra-se todas as partes do corpo, da mesma forma nas palmas dos p\u00e9s e no intestino grosso. Dentro dessas pequenas partes, o conhecimento da medicina oriental permite encontrar f\u00edgado, est\u00f4mago, ba\u00e7o, p\u00e2ncreas, etc. N\u00e3o sei como foi isso descoberto.<\/p>\n<p>Hoje em dia a medicina tradicional est\u00e1 muito preocupada em analisar e encontrar a verdade &#8220;no fundo&#8221;, e com isso perde a vis\u00e3o global. O que acontece? Cada especialista de f\u00edgado, est\u00f4mago, pulm\u00e3o, vista, orelha, etc., perdeu a vis\u00e3o global da rela\u00e7\u00e3o de cada \u00f3rg\u00e3o com os demais. N\u00e3o sei como os orientais descobriram isto pela pr\u00f3pria experi\u00eancia. Hoje em dia a ci\u00eancia est\u00e1 come\u00e7ando por baixo, aceita que existam os meridianos, que existam essas teorias &#8211; e realmente existem e funcionam.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o estamos vivendo o momento em que a experi\u00eancia est\u00e1 \u00e0 frente mas carece de explica\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas. O m\u00e9dico que incorpora pr\u00e1ticas orientais milenares n\u00e3o tem explica\u00e7\u00f5es para o que observa e pratica, apenas vem praticar a arte da cura atrav\u00e9s da experi\u00eancia. Desta forma, neste momento a ci\u00eancia est\u00e1 come\u00e7ando a provar o que j\u00e1 se praticava h\u00e1 muito tempo na medicina oriental. De certo modo, podemos dizer que a ci\u00eancia est\u00e1 atrasada e que agora \u00e9 que come\u00e7a a incorporar essas experi\u00eancias.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos fizeram uma experi\u00eancia muito interessante: primeiro uma c\u00e2mara focava um parque em pleno centro da cidade, Nova Iorque ou Boston. No parque havia um casal de namorados sentados e abra\u00e7ados. A partir desse ponto, a c\u00e2mara come\u00e7a a afastar-se cada vez mais, mostrando inicialmente o banco, depois o parque inteiro, a cidade inteira, a regi\u00e3o metropolitana, o estado, o pa\u00eds inteiro, o continente americano, e afastando-se mais e mais, o globo terrestre e ainda a Terra como uma estrela entre outras. Depois voltando novamente at\u00e9 o parque, com o casal conversando no banco, e continua aproximando mais e mais, a pele, o interior do corpo, o \u00e1tomo, o el\u00e9tron, o pr\u00f3ton e o que mais. Conseguindo isso, at\u00e9 onde \u00e9 poss\u00edvel ir? Essa \u00e9 a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Primeiro a busca das causas; a quest\u00e3o dos f\u00edsicos e da ci\u00eancia \u00e9, ao mesmo tempo, uma quest\u00e3o religiosa: &#8220;de onde veio a vida?&#8221; Os cientistas podem criar uma coisa com alguns materiais. Se n\u00e3o tiverem os materiais como ponto de partida, nada podem fazer e criar. A\u00ed vem a pergunta &#8220;Deus nasceu de nada, como pode acontecer isso?&#8221; Ainda n\u00e3o temos resposta para isso, tanto na ci\u00eancia como na religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Fazendo como a c\u00e2mara que se afasta, indo at\u00e9 os confins do universo, ser\u00e1 que o universo tem fim ou n\u00e3o? Todos querem essa resposta mas ela n\u00e3o \u00e9 conhecida, ent\u00e3o como \u00e9 o final do mundo? O universo \u00e9 como um pr\u00e9dio grande? Mas ent\u00e3o, ultrapassando a parede desse pr\u00e9dio, o que h\u00e1 al\u00e9m?<\/p>\n<p>O infinito n\u00e3o pode ser imaginado. E o vazio, o que \u00e9 isso? N\u00e3o entendo. Essa \u00e9 a busca dos cientistas e da mesma forma \u00e9 tamb\u00e9m a busca dos religiosos e dos budistas.<\/p>\n<p>Mergulhando-se mais e mais encontra-se o que? Encontra-se aquela experi\u00eancia direta, o vazio, e vazio \u00e9 tudo. Esse vazio n\u00e3o significa haver ou n\u00e3o-haver, ou o niilismo. Quando h\u00e1 o nada, h\u00e1 o tudo ao mesmo tempo. Encontra-se essa resposta. Aqui n\u00e3o h\u00e1 l\u00f3gica. Encontra-se o tudo, mas com intui\u00e7\u00e3o direta, com experi\u00eancia pr\u00f3pria \u00e9 que se encontra e com certeza absoluta. Sente-se isso, e isso \u00e9 o encontro com Deus como o &#8220;nada&#8221;.\n<\/p><\/div>\n<p><strong>FONTE<\/strong>: https:\/\/www.sotozencuritiba.org\/deus_e_o_vazio.php<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Ryotan Tokuda IgarashiEm outubro de 1989 o monge Tokuda proferiu algumas palestras em Porto Alegre, em uma atividade conjunta do Centro de Estudos Budistas, Departamento de Filosofia\/UFRGS e Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ci\u00eancia\/RS. Estas palestras foram &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/deus-e-o-vazio\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6769,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,40],"tags":[16],"class_list":["post-6784","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-zen","tag-thich-nhat-hanh"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6784"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6784\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6785,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6784\/revisions\/6785"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6769"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}