{"id":6793,"date":"2020-07-06T16:00:25","date_gmt":"2020-07-06T18:00:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6793"},"modified":"2020-07-06T16:00:54","modified_gmt":"2020-07-06T18:00:54","slug":"um-conto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/um-conto\/","title":{"rendered":"Um conto"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Ryotan-Tokuda-Igarashi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Ryotan-Tokuda-Igarashi.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"363\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6768\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Ryotan-Tokuda-Igarashi.jpg 545w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Ryotan-Tokuda-Igarashi-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Ryotan-Tokuda-Igarashi-450x300.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b>Texto de <a href=\"dhttp:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/ryotan-tokuda-igarashi\/\">Ryotan Tokuda Igarashi<\/a><br \/>Texto extra\u00eddo de www.dharmanet.com.br.<\/b><\/i><\/div>\n<hr \/>\n<p>Havia uma padaria em frente a um templo buddhista. O monge do templo precisou viajar e pediu que o dono da padaria cuidasse do templo, atendesse as visitas etc. Ocorre que chegou um monge viajante \u00e0 aldeia. Antigamente, os monges viajavam, numa esp\u00e9cie de treinamento mon\u00e1stico, visitando outros monges, mestres e mosteiros. Desafiavam os mais fortes no Dharma e mantinham-se treinando. O rec\u00e9m chegado tamb\u00e9m praticava assim. Nessas batalhas do Dharma, com perguntas e respostas, quem perdia era obrigado a deixar o templo; quem ganhava podia ficar como respons\u00e1vel. Uma batalha do Dharma era algo muito s\u00e9rio. N\u00e3o era uma batalha de luta, mas de conhecimento, de experi\u00eancias, de linguagem.<\/p>\n<p> O monge visitante estava chegando e o dono da padaria, preocupad\u00edssimo, ouvia a sugest\u00e3o do chefe da aldeia: &#8220;Raspe a cabe\u00e7a, coloque o manto e apenas sente-se diante da parede como se estivesse meditando. Fa\u00e7a como se estivesse em treinamento de sil\u00eancio, nada fale, nem escute e nem responda.&#8221; O dono da padaria se animou: &#8220;Ah, \u00e9 f\u00e1cil, isso eu posso fazer.&#8221; Raspou a cabe\u00e7a, colocou o manto e sentou-se voltado para a parede.<\/p>\n<p> Nisso chegou o monge visitante e come\u00e7ou a fazer perguntas sobre o Dharma. O dono da padaria assumiu um tom grave e fez &#8220;Shhh&#8221;. O monge entendeu, &#8220;Ah, ele est\u00e1 fazendo muitos dias de treinamento em sil\u00eancio, mas j\u00e1 que estou aqui depois de t\u00e3o longa caminhada nas montanhas, vou aproveitar e perguntar com gestos, assim ele tamb\u00e9m pode responder com gestos, sem quebrar o voto de sil\u00eancio.&#8221;<\/p>\n<p> Gesticulando, o monge perguntou, &#8220;Como \u00e9 o seu cora\u00e7\u00e3o, seu esp\u00edrito?&#8221; O dono da padaria respondeu com um grande gesto para as dez dire\u00e7\u00f5es, ou seja os quatro pontos cardeais, os quatro pontos m\u00e9dios entre eles, para cima e para baixo: &#8220;Meu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 como o oceano&#8221;. Veio a segunda pergunta, &#8220;Como viver neste mundo?&#8221;, e o dono da padaria mostrou os cinco dedos da m\u00e3o, os cinco preceitos: n\u00e3o matar, n\u00e3o roubar, n\u00e3o cometer adult\u00e9rio, n\u00e3o conduzir os outros a erros, n\u00e3o usar intoxicantes. O monge sentiu-se tocado, &#8220;Ah, que bonito!&#8221; E mostrou tr\u00eas dedos da m\u00e3o, perguntando, &#8220;Onde est\u00e3o as tr\u00eas j\u00f3ias, o Buddha, o Dharma, a Sangha?&#8221; Ao que o dono da padaria respondeu com o punho, &#8220;N\u00e3o procure longe, est\u00e1 aqui muito perto, perto do olho, est\u00e1 aqui.&#8221; Impressionado, o monge viajante foi embora.<\/p>\n<p> Vendo isso, o chefe da aldeia correu at\u00e9 o padeiro, &#8220;O que aconteceu? Ele foi embora muito impressionado, me conta!&#8221; E o dono da padaria explicou, &#8220;Aquele monge \u00e9 muito est\u00fapido. Primeiro, fez um gesto com as m\u00e3os, perguntando quanto custava o p\u00e3o, se o p\u00e3o da loja era muito pequeno, e eu abri bem os bra\u00e7os, mostrando que meu p\u00e3o \u00e9 bem grande. Ele perguntou quanto custam dez p\u00e3es e eu mostrei-lhe cinco dedos, dizendo cinco moedas, mas ele me mostrou tr\u00eas dedos, pedindo que vendesse por tr\u00eas, e eu pensei, que sem vergonha, e por pouco n\u00e3o lhe acertei um soco no olho!&#8221;<\/p>\n<p> Esta \u00e9 uma hist\u00f3ria muito engra\u00e7ada que mostra cada um vendo o que est\u00e1 pensando em sua pr\u00f3pria mente, interpretando \u00e0 sua maneira. [&#8230;] O que voc\u00ea v\u00ea depende e seu interesse. Aquilo que n\u00e3o lhe interessa, ainda que esteja l\u00e1, voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea. Muitas vezes ocorre o oposto, voc\u00ea v\u00ea o que n\u00e3o existe, voc\u00ea cria. Por isso, n\u00e3o confie muito naquilo que esteja vendo. Como podemos ver as coisas verdadeiramente? [&#8230;] [A]qui h\u00e1 uma mesa, mas mesa, o que \u00e9? Madeira, \u00e1rvore, pregos e o que mais? Afinal de contas, nada, vazio. Tudo \u00e9 vazio.\n<\/p><\/div>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Ryotan Tokuda IgarashiTexto extra\u00eddo de www.dharmanet.com.br. Havia uma padaria em frente a um templo buddhista. 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