{"id":6806,"date":"2020-07-06T17:53:01","date_gmt":"2020-07-06T19:53:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6806"},"modified":"2020-07-06T17:53:01","modified_gmt":"2020-07-06T19:53:01","slug":"entrevista-da-sensei-coen-a-revista-tpm","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/entrevista-da-sensei-coen-a-revista-tpm\/","title":{"rendered":"Entrevista da Sensei Coen \u00e0 Revista TPM"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/monja-coen.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/monja-coen.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"490\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6808\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/monja-coen.jpg 700w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/monja-coen-300x210.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/monja-coen-429x300.jpg 429w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:center\"><font SIZE=\"4\"><b>Entrevista da Sensei Coen \u00e0 Revista TPM<\/b><\/font><sup>1<\/sup><\/div>\n<hr \/>\n<p><b>Tpm. Voc\u00ea mudou de nome por causa da religi\u00e3o? <\/b><br \/>\nCoen. \u00c9. Quando nos tornamos disc\u00edpulo de Buda, o professor d\u00e1 um nome a voc\u00ea. Meu professor me deu o nome de Coen, que vem de um poema. &#8216;Co&#8217; quer dizer &#8216;s\u00f3&#8217; e &#8216;Em&#8217; quer dizer &#8216;c\u00edrculo&#8217;. O nome deve expressar as caracter\u00edsticas da pessoa. <\/p>\n<p><b>Tpm. E quais eram as suas?<\/b><br \/>\nCoen. Na comunidade mista em que eu morava em Los Angeles, as pessoas estavam sempre namorando. Eu n\u00e3o me relacionei com ningu\u00e9m, a solid\u00e3o era agrad\u00e1vel para mim. Eu tinha descoberto o budismo e os textos do mestre fundador da nossa escola no Jap\u00e3o. S\u00e3o fascinantes! Acabavam os retiros, o povo ia para as festas beber, comer, mas eu queria ler mais. Por isso ele pegou essa minha caracter\u00edstica de ser s\u00f3. <\/p>\n<p><b>Tpm. Quando e como a senhora teve o primeiro contato com o Budismo?<\/b><br \/>\nCoen. Eu trabalhava no Jornal da Tarde [di\u00e1rio paulistano que pertence ao grupo que publica O Estado de S. Paulo] no final dos anos 60 e fui fazer uma mat\u00e9ria sobre sociedades alternativas. A gente come\u00e7a a pensar em como mudar o mundo, acha que deve haver outro sistema poss\u00edvel, flerta com o marxismo mas conclui que n\u00e3o \u00e9 esse o caminho. Quando li Trotsky, vi que se o ser humano n\u00e3o mudar, nenhum partido pol\u00edtico vai fazer a diferen\u00e7a. As sociedades zen-budistas da Calif\u00f3rnia, onde fui fazer a mat\u00e9ria, mexeram comigo.<\/p>\n<p><b>Tpm. Jornalistas costumam ter vida bo\u00eamia. Voc\u00ea se lembra de alguma hist\u00f3ria?<\/b><br \/>\nCoen. Um dia, depois de uma bebedeira, eu, o Nirlando Beir\u00e3o e o PS, um ator que n\u00e3o me lembro o nome, decidimos ir at\u00e9 o Cemit\u00e9rio do Morumbi para ver o sol nascer. O lugar era novo e diziam que era uma maravilha o nascer do Sol l\u00e1. Eu dirigia o Fusquinha, peguei uma guia e o carro capotou na rua Augusta. Minha orelha se cortou e fui parar no Hospital das Cl\u00ednicas. Ainda bem que paramos no meio do caminho. N\u00e3o era a hora ainda de chegar ao cemit\u00e9rio, n\u00e9? [Risos.]<\/p>\n<p><b>Tpm. A senhora ia a festas?<\/b><br \/>\nCoen. Fui a algumas. Houve um trecho na minha vida em que passeava por a\u00ed de moto &#8211; o pai preocupado em casa -, ia de moto para o Rio de Janeiro&#8230;<\/p>\n<p><b>Tpm. Para o Rio?<\/b><br \/>\nCoen. \u00c9&#8230; \u00e9 pertinho, n\u00e9? Uma vez eu tinha ido a Ipanema, isso h\u00e1 trinta anos, e, na volta, minha moto parou na estrada. N\u00e3o conseguia dar partida. Um grupo de Hell&#8217;s Angels se aproximou e falei: &#8220;Pronto&#8230;&#8221;. Eles me olharam e disseram: &#8220;Escuta, voc\u00ea n\u00e3o estava na praia em Ipanema? N\u00f3s consertamos a moto para voc\u00ea, vamos l\u00e1, minha irm\u00e3&#8230;&#8221; [Risos.]<\/p>\n<p><b>Tpm. Quando foi isso?<\/b><br \/>\nCoen. Quando voltei da Inglaterra, onde fiquei um ano e meio estudando ingl\u00eas, no in\u00edcio dos anos 70. Comecei a me interessar por rock&#8217;n roll e meu tio, pai do S\u00e9rgio Dias e do Arnaldo Baptista, dos Mutantes, me levou para a Cantareira, onde eles moravam. Passei a ir aos shows. Era muito bom, a m\u00fasica era agrad\u00e1vel, tinha uma vida muito gostosa. Uma vez fui ao show do Alice Cooper com o Serginho e o Arnaldo. <\/p>\n<p><b>Tpm. Do Alice Cooper?<\/b><br \/>\nCoen. \u00c9 e l\u00e1 conheci um americano chamado Paul Weiss, que tinha o cabelo at\u00e9 a cintura e era iluminador do Alice Cooper. Come\u00e7amos um romance ali mesmo. Uma vez at\u00e9 fiz a ilumina\u00e7\u00e3o do show do Rick Wakeman. Tomei conta de um holofote [risos]. <\/p>\n<p><b>Tpm. A senhora teve outros relacionamentos antes de ser monja?<\/b><br \/>\nCoen. Sim, me casei muito cedo, aos 14 anos. Uma das raz\u00f5es pelas quais eu quis me casar foi por achar que seria independente, que faria o que quisesse.<\/p>\n<p><b>Tpm. Nossa!<\/b><br \/>\nCoen. Nossa! [Risos.] Minha m\u00e3e costuma dizer que j\u00e1 vivi v\u00e1rias vidas numa s\u00f3. <\/p>\n<p><b>Tpm. Pois \u00e9, antigamente casava-se muito cedo&#8230;<\/b><br \/>\nCoen. Sim, casava-se, foi extremamente cedo [com o piloto de automobilismo Antonio Carlos Scavone, morto num acidente a\u00e9reo]. Minha filha nasceu quando eu tinha 17 e j\u00e1 estava separada. A assinatura do div\u00f3rico foi feita enquanto amamentava. Eu tinha essa rebeldia de achar que sabia tudo. <\/p>\n<p><b>Tpm. Como foi viver a adolesc\u00eancia casada?<\/b><br \/>\nCoen. Eu tive que largar a escola. Minha m\u00e3e arranjou professores particulares. Como toda adolescente que queria se passar por adulto, eu me maquiava muito, ia ao cabeleireiro quase todos os dias, usava roupas justas &#8211; escuras principalmente -, era &#8220;uma senhora&#8221;, andava de luvas, saltos alt\u00edssimos, que coisa bonita&#8230; Era uma certa futilidade. Mas me incomodava o fato de as pessoas dizerem que eu era bonita, me dava a impress\u00e3o de que eu n\u00e3o tinha feito nada por isso. Eu achava que as coisas que aprendi intelectualmente eram mais importantes. A mentalidade era a de que se fosse bonita tinha que ser burra, n\u00e9? &#8220;Se s\u00f3 pensa em se arrumar, deve ser uma tonta&#8221;, n\u00e9?<\/p>\n<p><b>Tpm. Que avalia\u00e7\u00e3o a senhora faz do casamento t\u00e3o jovem?<\/b><br \/>\nCoen. Eu era muito inexperiente. Acho que ele acabou ficando um pouco envergonhado de me levar nos lugares. As pessoas perguntavam minha idade e ele queria que eu mentisse, que dissesse que tinha 16 &#8211; ele era sete anos mais velho &#8211; e eu n\u00e3o dizia, ainda mais porque gostava de escandalizar as pessoas. <\/p>\n<p><b>Tpm. Por que acabou?<\/b><br \/>\nCoen. Quando ele come\u00e7ou a correr com autom\u00f3veis, sa\u00eda e voltava para casa \u00e0s 7 da manh\u00e3. Eu achava que era assim mesmo, mas meu pai dizia que eu tinha que brigar com ele e reclamar. Ele achava isso chato e foi morar com um amigo. Eu n\u00e3o quis voltar para a casa da minha m\u00e3e de jeito nenhum. Mas eu estava gr\u00e1vida, ele n\u00e3o me dava dinheiro, s\u00f3 comia arroz e batata. N\u00e3o tinha comida em casa. Meu pai, de prop\u00f3sito, n\u00e3o dava nada porque queria que eu fosse morar com minha m\u00e3e. A\u00ed tive que ir porque n\u00e3o tinha mais o que comer, at\u00e9 que a F\u00e1bia nasceu.<\/p>\n<p><b>Tpm. O tempo em que a senhora esteve no mosteiro ficou em clausura total?<\/b><br \/>\nCoen. Foi. Nos primeiros tr\u00eas meses, fiquei absolutamente fechada, n\u00e3o sa\u00eda \u00e0 rua. Depois comecei a sair com o grupo apenas para pedir esmola. Depois de dois anos a abadessa percebeu que eu precisava aprender japon\u00eas e pude sair duas vezes por semana para ter aula. Fora disso podia ir ao m\u00e9dico e ao dentista. Para outras coisas tinha que pedir autoriza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p><b>Tpm. A senhora se correspondia com a fam\u00edlia?<\/b><br \/>\nCoen. Eu mandava cartas. Meu pai escrevia muito, me mantinha informada de tudo que acontecia na fam\u00edlia e no Brasil.<\/p>\n<p><b>Tpm. A senhora tamb\u00e9m casou-se com um monge, n\u00e3o foi?<\/b><br \/>\nCoen. \u00c9, no Jap\u00e3o me casei com o monge Murayiama. Ele \u00e9 dezoito anos mais novo. Me casei com ele h\u00e1 dez anos e fiquei com ele at\u00e9 o ano passado.<\/p>\n<p><b>Tpm. E como foi o namoro?<\/b><br \/>\nCoen. Eu estava fazendo um curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o que era misto e nesse curso eu ajudava a ler uns textos. Como eram palavras em japon\u00eas que eu nunca tinha ouvido antes, ele veio me ajudar e come\u00e7amos o romance, que foi muito incentivado pelo grupo.<\/p>\n<p><b>Tpm. O grupo incentivou um romance entre monges?<\/b><br \/>\nCoen. \u00c9, eles achavam um absurdo que a monja n\u00e3o tivesse um relacionamento. Nos casamos, mas houve muitos conflitos na fam\u00edlia dele porque ele era muito mais novo do que eu, por eu ser monja e brasileira.<\/p>\n<p><b>Tpm. E como era a vida de uma monja casada? Lavava lou\u00e7as?<\/b><br \/>\nCoen. \u00c9 como uma mulher que trabalha fora. L\u00e1 em Nag\u00f3ia n\u00f3s n\u00e3o mor\u00e1vamos no templo. Alugamos um apartamento, \u00edamos ao templo e volt\u00e1vamos para casa. Depois fomos para Hokaido, num templo muito grande. Tamb\u00e9m viv\u00edamos assim: durante o dia ajudando no templo, rezando, fazendo as cerim\u00f4nias, e \u00e0 noite a gente voltava para casa. Geralmente o caf\u00e9 da manh\u00e3 e o jantar eram em casa. A gente fazia tudo juntos, revezando, fazendo comida, lavando lou\u00e7a, limpando a casa. Os monges s\u00e3o treinados a fazer de tudo. <\/p>\n<p><b>Tpm. Hoje a senhora est\u00e1 separada&#8230;<\/b><br \/>\nCoen. Eu me separei aqui no Brasil. Ele queria muito ter filhos e eu n\u00e3o posso porque tenho mais de cinq\u00fcenta anos, n\u00e9? E por v\u00e1rias outras raz\u00f5es: ele teve o seu limite, vamos dizer. N\u00f3s somos muito amigos, sem o menor rancor de parte dos dois. Acho importante que as pessoas sejam capazes de terminar relacionamentos sem ficar com raiva um do outro. <\/p>\n<p><b>Tpm. E como \u00e9 o casamento na intimidade? Como o zen-budismo trata a sexualidade, por exemplo?<\/b><br \/>\nCoen. Com naturalidade. \u00c9 natural, a natureza se manifestando. <\/p>\n<p><b>Tpm. Quais as diferen\u00e7as na vida de um monge e de uma monja?<\/b><br \/>\nCoen. Ainda existe discrimina\u00e7\u00e3o. Dentro da hierarquia da Igreja, a maioria das posi\u00e7\u00f5es superiores s\u00e3o masculinas. Nunca houve uma monja que tivesse um cargo mais alto. A abadessa do meu convento, se comparada \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, seria um cardeal. \u00c9 a primeira na hist\u00f3ria. A posi\u00e7\u00e3o, embora nos escritos seja de igualdade, na realidade segue o que a sociedade tem como padr\u00e3o: a mulher ainda n\u00e3o \u00e9 exatamente igual ao homem. Mas a monja pode fazer casamentos, enterros, ordena\u00e7\u00f5es, b\u00ean\u00e7\u00e3os.<\/p>\n<p><b>Tpm. Vamos falar um pouco da sua sa\u00edda do templo que dirigia aqui. Quando se afastou?<\/b><br \/>\nCoen. Sa\u00ed em janeiro. <\/p>\n<p><b>Tpm. Por qu\u00ea? H\u00e1 quem diga que foi porque a senhora \u00e9 mulher, n\u00e3o tem ascend\u00eancia japonesa e aparece muito na m\u00eddia.<\/b><br \/>\nCoen. \u00c9, falaram isso mesmo, n\u00e9? Eu n\u00e3o sei se foi por isso. H\u00e1 v\u00e1rias raz\u00f5es, como tudo tem v\u00e1rias causas, condi\u00e7\u00f5es. \u00c9 um emaranhado delas. Eu vim para o Brasil tentando criar um grupo meu, independente. N\u00e3o era para ficar nesse templo. Mas o abade de l\u00e1 estava indo para o Jap\u00e3o e pediram para que eu ficasse tomando conta. Fiquei fazendo as vezes dele. <\/p>\n<p><b>Tpm. A senhora se dava bem com a comunidade?<\/b><br \/>\nCoen. As pessoas da col\u00f4nia japonesa queriam algu\u00e9m que falasse portugu\u00eas, pediam que eu fizesse a missa. Quando eu precisava sair, a comunidade ficava brava com os monges que celebravam na minha aus\u00eancia porque eu transmitia para os jovens. E [o templo] estava num momento muito bom de crescimento quando um grupo de membros antigos disse que queriam um superior-geral. Outro grupo sugeriu que eu fosse a nomeada, mas os monges de outros Estados n\u00e3o quiseram.<\/p>\n<p><b>Tpm. Por qu\u00ea?<\/b><br \/>\nCoen. Porque eles queriam um homem, mais velho, do Jap\u00e3o. Fomos at\u00e9 l\u00e1 para decidir o que seria feito e mandaram outra pessoa para o meu lugar. <\/p>\n<p><b>Tpm. E como a comunidade reagiu?<\/b><br \/> <br \/>\nCoen. A comunidade relutou, mandou abaixo-assinados. Quando o superior-geral chegou aqui, achou que eu n\u00e3o ia receb\u00ea-lo, que iria boicotar o trabalho e que a comunidade seria inimiga dele. Quando, na verdade, trabalhamos para que, j\u00e1 que n\u00e3o podemos evitar que ele venha, fa\u00e7amos dele nosso amigo, inclu\u00edmos ele no grupo e crescemos junto com ele. <\/p>\n<p><b>Tpm. E o que a senhora fez?<\/b><br \/>\nCoen. O Jap\u00e3o me chamou porque tinham chegado l\u00e1 uns pap\u00e9is dizendo que eu me passava por bispo. Eu levei um monte de pap\u00e9is provando que n\u00e3o fiz nada disso. Numa reuni\u00e3o na sede, os tais pap\u00e9is contra mim estavam l\u00e1, mas os documentos que eu tinha levado para provar minha inoc\u00eancia, n\u00e3o. Minha abadessa disse que o melhor a fazer era sair porque a reuni\u00e3o era um absurdo. Quando terminou, eu agradeci os seis anos de pr\u00e1tica e disse que ia largar o templo e abrir meu pr\u00f3prio espa\u00e7o. Voltei para o Brasil e contei \u00e0s pessoas.<\/p>\n<p><b>Tpm. A senhora quer abrir outro templo. Como \u00e9 isso de sair de um e abrir outro?<\/b><br \/>\nCoen. Esse templo na Liberdade \u00e9 a sede da Am\u00e9rica do Sul, que pode ter v\u00e1rios templos subordinados. \u00c9 quest\u00e3o de ver onde \u00e9 apropriado. As pessoas est\u00e3o pedindo que fique em S\u00e3o Paulo. Todos que ensinaram medita\u00e7\u00e3o zen aqui acabaram indo embora. Talvez seja aqui esse novo templo. <\/p>\n<p><b>Tpm. E qual o v\u00ednculo deste novo templo com o que a senhora deixou? <\/b><br \/>\nCoen. Eu sou monja, mission\u00e1ria enviada da sede do Jap\u00e3o para o Brasil. O que eu abrir aqui estar\u00e1 ligado diretamente ao Jap\u00e3o. Existe a possibilidade de um templo independente. A minha quest\u00e3o \u00e9, dentro do zen-budismo, difundir os benef\u00edcios da medita\u00e7\u00e3o para que as pessoas tenham mais paz, tranq\u00fcilidade, respeito, carinho pelos outros. <\/p>\n<p><b>Tpm. E o que a senhora est\u00e1 fazendo atualmente?<\/b><br \/>\nCoen. Estou dando aulas de medita\u00e7\u00e3o, de budismo, em v\u00e1rios locais: no Instituto Palas Atena, num apartamento na Liberdade, tem um grupo em Santos, outro em Belo Horizonte, outro no Rio. Estou fazendo caminhadas nos parques de S\u00e3o Paulo. \u00c9 um templo meio itinerante, n\u00e9?<\/p>\n<p><b>Tpm. Em que p\u00e9 est\u00e1?<\/b><br \/>\nCoen. Onde vai ser constru\u00eddo o templo? N\u00e3o sei. Ser\u00e1 constru\u00eddo um templo? N\u00e3o sei. Ser\u00e1 numa casa? N\u00e3o sei. Ser\u00e1 num galp\u00e3o? N\u00e3o sei. Ser\u00e1 na rua como tem sido? Talvez. N\u00e3o sei. \u00c9 conveniente que a gente tenha espa\u00e7o, um referencial. O nosso grupo est\u00e1 tentando ver se tem capacidade financeira de alugar um lugar.<\/p>\n<p><b>Tpm. Sente falta de algo que tinha antes de ser budista?<\/b><br \/>\nCoen. Eu nunca pensei nisso, no que posso sentir falta. Uma coisa que eu fazia e que nunca mais fiz \u00e9 nadar. \u00c9 quest\u00e3o de estabelecer hor\u00e1rios. Acho importante que as pessoas tenham pr\u00e1ticas meditativas mas que tenham pr\u00e1ticas corporais tamb\u00e9m. O corpo precisa estar em boa forma, em bom estado, n\u00e3o pode largar um pelo outro. Eu preciso escrever um pouquinho, as pessoas me cobram. Na nossa vida n\u00e3o tem muito esse ficar olhando para tr\u00e1s, sabe? \u00c9 mais um olhar para frente. <\/p>\n<p><b>Tpm. Como a senhora cuida de si mesma?<\/b><br \/>\nCoen. Eu cuido muito pouco de mim. \u00c9 quase o contr\u00e1rio daquilo que eu fazia nos meus 14 anos. N\u00e3o passo cremes, s\u00f3 no dia em que raspo a cabe\u00e7a passo um pouquinho de cremezinho&#8230; Eu corto as minhas unhas, \u00e0s vezes a cut\u00edcula n\u00e3o \u00e9 cortada. Que mais&#8230; s\u00f3 raspo a cabe\u00e7a mesmo. <\/p>\n<p><b>Tpm. A senhora l\u00ea o qu\u00ea?<\/b><br \/>\nCoen. Leio zen-budismo quase que unicamente al\u00e9m de outras correntes budistas. Muito dif\u00edcil ler algo que n\u00e3o seja budismo.<\/p>\n<p><b>Tpm. Por qu\u00ea?<\/b><br \/>\nCoen. N\u00e3o sei. Isso \u00e9 fascinante. Desde que comecei a ler o zen-budismo, toda outra leitura me pareceu superficial. \u00c9 uma maneira filos\u00f3fica de escrever que te faz ver as coisas de \u00e2ngulos diferentes. Voc\u00ea aprecia a beleza da maneira de usar as palavras. No mais, jornal.<\/p>\n<p><b>Tpm. E lazer?<\/b><br \/>\nCoen. Cuido dos meus cachorros. Se h\u00e1 na minha vida algo que n\u00e3o seja estudar budismo, \u00e9 cuidar deles. Levo para passear, dou banho, comida. Os bichinhos d\u00e3o para a gente muito retorno, muito carinho. Tenho cinco grandes [dois casais de Akita e um Dogue Alem\u00e3o] que n\u00e3o se d\u00e3o entre si. Ficam todos separados.<\/p>\n<p><b>Tpm. Que tipo de m\u00fasica ouve?<\/b><br \/>\nCoen. Muito pouco. N\u00e3o desgosto n\u00e3o, mas ou\u00e7o pouco.<\/p>\n<p><b>Tpm. Nem Mutantes?<\/b><br \/>\nCoen. N\u00e3o. Se disser o que ouvi nesse ano&#8230; Eric Clapton [risos]. Ou\u00e7o ele no carro, deve ser dos sons antigos.<\/p>\n<hr \/>\n<ol TYPE=\"1\">\n<li><font SIZE=\"1\">Extra\u00eddo do site www.monjacoen.com.br.<\/font><\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista da Sensei Coen \u00e0 Revista TPM1 Tpm. Voc\u00ea mudou de nome por causa da religi\u00e3o? Coen. \u00c9. Quando nos tornamos disc\u00edpulo de Buda, o professor d\u00e1 um nome a voc\u00ea. 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